21 de março de 2011

PAULO TESTIFICA DE CRISTO EM ROMA

PAULO TESTIFICA DE CRISTO EM ROMA


TEXTO AUREO = “E, na noite seguinte, apresentando-se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testifica em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma” At 23: 11.


VERDADE PRÁTICA = A principal e a mais urgente missão da Igreja é a evangelização de todos os povos e nações.


Paulo Testifica Diante dos Poderosos = Atos 25.13-26.32


Introdução


O Senhor descreve sua comissão a Paulo (At 9.15). Até este trecho de Atos, o apóstolo Paulo já havia pregado muito aos gentios e judeus. “Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel”. Agora, nestes capítulos, descreve-se como ele teve a oportunidade de falar a governadores e reis.


Paulo e Félix (At 24)


Paulo, ao chegar em Cesaréia, foi levado diante do governador Félix. Este ordenou que fosse guardado sob custódia até à chegada de seus acusadores. Poucos dias mais tarde, algumas autoridades religiosas dos judeus vieram de Jerusalém a Cesaréia.


Estavam acompanhadas por um advogado romano chamado Tértulo. Fizeram três acusações contra Paulo:


Sedição - levantar o povo contra o governo.


Heresia - causar divisões religiosas mediante a pregação de falsas doutrinas.


Sacrilégio - a profanação do Templo.

Os líderes judaicos vieram com seu advogado. Paulo também tinha Advogado (Mc 13.11) - um dos significados de Consolador e Exortador é também Advogado. Em poucos momentos, as acusações foram reduzidas a nada. Félix, que sabia alguma coisa sobre o Cristianismo, adiou indefinidamente a audiência seguinte.


A curiosidade de Félix foi despertada por aquele estranho prisioneiro. Tanto que o governador pediu uma apresentação particular da sua mensagem. E então foram invertidas as posições! Antes, tratava-se de Paulo diante de Félix. Agora, era Félix diante de Paulo! O libertino, espavorido, mandou Paulo retirar-se até uma ocasião mais conveniente. Destes dois homens, quem era realmente prisioneiro? Quem estava realmente livre?

Félix, esperançoso de receber dinheiro para declarar o prisioneiro inocente, mandou chamar Paulo muitas vezes. Este nada tinha que ver com aquele aspecto do assunto, e continuou na prisão. O período de Félix como governador terminou. Então, ele preparou seu relatório para o governo central em Roma. Como político, desejava obter apoio popular. Por este motivo deixou Paulo no cárcere, evitando que os judeus se queixassem de sua pessoa. Na realidade, Deus permitiu que Paulo ficasse na prisão. Assim preservaria sua vida, e o encaminharia a Roma.


Paulo e Festo (At 25)


Festo, o novo governador, desejava obter a boa-vontade dos judeus. Com este objetivo, perguntou se Paulo desejava ser processado diante do concílio em Jerusalém. Conhecendo a futilidade e o perigo de tal procedimento, Paulo, o

cidadão romano, apelou a César, ou seja, ao direito de ser processado em Roma diante do próprio imperador. “Apelaste para César? para César irás”. E assim estava para se cumprir o decreto divino de que Paulo seria testemunha em Roma (At 23.11). Apesar das ciladas dos judeus e da covardia moral dos governadores romanos, o caminho estava aberto para Roma.


Não há beco sem saída no caminho do cristão. Surgiu, nesta conjuntura, um problema para Festo. Paulo apelara à Corte Suprema em Roma, mas qual seria a acusação contra ele? (v. 27). Os judeus sugeriam crimes de sedição e tumulto. Mas, na verdade, o problema girava em torno das crenças religiosas dos judeus, que nada tinham a ver com a justiça civil. Herodes Agripa, príncipe judeu, ao qual os romanos permitiram que usasse o título de rei (sem soberania independente), de uma pequena região no Norte da Palestina, estava visitando a capital administrativa. Para este homem, conhecedor da religião judaica, Festo apresentou o estranho caso.


Paulo e Agripa (At 26)


No dia seguinte, Paulo foi ouvido diante de Agripa. A reunião contava com a presença de autoridades romanas e a aristocracia judaica da região. Agripa não tinha autoridade sobre Paulo, que ia ser encaminhado a Roma. Mesmo assim, houve muita pompa na reunião. Isto porque Festo sabia como os reizinhos, que deviam seus títulos a Roma, gostavam de cerimônia. Estando tudo pronto, disse o rei a Paulo: “Permite-se-te que te defendas”. Paulo revelou sua personalidade neste encontro. Não se impressionou com a falsa pompa de um rei sem autoridade. Porém, não desprezou a ocasião de defender o Evangelho. Quanto à sua segurança, não procurou agradar para receber favores na sua difícil posição de prisioneiro. Falou com seriedade e sinceridade, pleiteando os direitos de Cristo.


As armas dos soldados romanos não o amedrontavam.

Sua consciência estava tranqüila, e sua vida, “oculta com Cristo em Deus”, fora do alcance dos homens.

“Então Paulo, estendendo a mão [o gesto do orador que está com a palavra] em sua defesa, respondeu: Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus”. Paulo estava feliz, apesar das correntes e prisões. Estava feliz, não pelo privilégio de falar a um rei, mas porque este era considerado “especialista” em assuntos religiosos dos judeus.


E, era de se esperar, teria ponderação em escutar e examinar a questão da fé cristã.


1. Sua vida antes da sua conversão. (Vv. 4-1 1).


Paulo, desejava ser “cem por cento” dedicado a Deus. Por isso foi iniciado na fraternidade dos fariseus (eles tinham graus dentro da fraternidade e cerimônias de iniciação). Se a salvação pudesse ser merecida pela observância de leis e tradições, Paulo teria passado em todos os exames. Em resposta à dúvida que devia ter surgido na mente do rei:


“Por que, então, caiu até ao ponto de ser perseguido como herege?” Paulo continua: “E agora pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais estou aqui e sou julgado.

A qual as nossas doze tribos esperam chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia”. Paulo, longe de se ter desviado da fidelidade religiosa, estava dentro do plano de Deus. Dentro da promessa que deu origem ao povo de Deus: “E em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Nesta promessa estava incluída a vinda do Messias, a “bendita esperança”, considerada a Promessa pelos escritores do Novo Testamento (At 13.23,32,33; Gl 3.14).


Jesus veio cumprir esta- promessa demonstrando que Deus é justo, cumprindo o que promete (Rm 15.8). Deus comprovou que seu Filho é o Messias, erguendo-o dentre os mortos (At 13.33).


Paulo ressaltou quão milagrosa foi a sua repentina conversão. Para isso, descreveu em detalhes, a fúria assassina com que perseguia os seguidores de Jesus. Jogava-os na prisão e procurava forçá-los a blasfemar o nome de Jesus. A cada oportunidade, votava em prol da pena de morte para eles. Em grande fúria, este homem, considerado profundamente “religioso”, exigia uma campanha nacional para extirpar os cristãos. A lição que podemos tirar desta parte da vida de Paulo é que a consciência humana não é infalível. E a sinceridade não é suficiente por si só.


2. Sua experiência de conversão. Vv. 12-18.


Naturalmente, a pergunta na mente de Agripa seria: “Então, como foi tão radicalmente mudada a sua vida?” Paulo, então, descreve sua experiência na estrada de Damasco, que transformou o lobo em ovelha.


3. Seu testemunho depois da conversão. (Vv. 19-23). “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial”. Agripa precisava entender que, quando Deus fala, o homem não tem outro caminho senão obedecer. Nem todas as visões são celestiais, mas toda visão que é realmente da parte de Deus deve ser obedecida. Esta obediência de Paulo, resumida no v. 20, incluía uma tremenda quantidade de serviço e abnegação. E num círculo sempre maior de atuação: Damasco, Jerusalém, Judéia e o mundo gentio (logo chegaria a Roma). Será que nós, hoje, estamos fazendo mais para Deus do que quando nos convertemos? O conteúdo resumido da pregação de Paulo era: arrependimento, conversão, prática de obras dignas - um plano excelente para todo pecador seguir. Qual foi o agradecimento que o mundo deu a Paulo por ter obedecido à visão celestial?


Vejamos o v. 21 e não fiquemos abalados se o mundo odiar a nós também! Como Paulo agüentava tudo isso? “Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço”. Deus nos dá poder a fim de perseverarmos na vida cristã. A mensagem que Paulo anunciava era para todos, “tanto a pequeno como a grande”. E, como explica no v. 22, não era novidade para atrair. Porém, uma religião sólida, firmemente baseada em todas as promessas de Deus no Antigo Testamento. E, também, na própria pessoa de Jesus Cristo, cumprimento total do plano de Deus.


4. O efeito do testemunho de Paulo sobre Festo. A esta altura, Paulo já estava falando com inflamado entusiasmo. Para o oficial romano de mentalidade prática e que levava uma vida muito afastada da religião, um discurso público que falava de visões, revelações e ressurreições era demais. Interrompeu, dizendo: “Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar”. Ver 1 Coríntios 1.18. A eloqüência de Paulo foi interrompida, mas não a sua firme confiança, nem sua cortesia. Com dignidade respondeu: “Não estou louco, ó excelentíssimo Festo; pelo contrário digo palavras de verdade e de bom senso”.


Houve, por certo, algo na maneira de Agripa que revelou que estava muito impressionado, e Paulo se dirigiu mais diretamente a ele: “Porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas cousas lhe é oculta; porquanto nada se passou aí, nalgum recanto”. A origem de muitas religiões pagãs se perde nas brumas das lendas e superstições. O Cristianismo, no entanto, é baseado em eventos históricos registrados por testemunhas oculares.


5. O efeito do testemunho de Paulo sobre Agripa.

Paulo não esperava muita compreensão do oficial romano, mas Agripa era diferente. Concluindo o seu argumento, perguntou: “Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês”. E Agripa respondeu: “Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!” Houve, por certo, grande dose de convicção nestas palavras, despertada pelo zelo e fé do apóstolo. Pode, no entanto, ter sido um pouco de cortesia, para encerrar o assunto e parar o discurso de Paulo. Ou um pouco de ironia, também. Seja como for, Paulo continuou com sinceridade, zelo e cortesia: “Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias”. Havia um belo espfrito de perdão nestas palavras. Nada de ressentimento contra judeus ou romanos. Paulo queria repartir sua fé, não as perseguições.


Considerando todos os romanos e judeus presentes, percebemos que o homem acorrentado era a alma mais nobre entre eles! Aqueles que andam segundo o Espfrito de Jesus são a verdadeira aristocracia desta terra.


Ensinamentos Práticos


1. O prisioneiro feliz. Paulo, depois de passar por muitos sofrimentos, agora era um prisioneiro que dia e noite ficava acorrentado a um soldado. Seria levado a Roma para aguardar julgamento e isto poderia significar muitos meses - ou até anos - de espera e suspense. Mesmo assim, disse: “Tenho-me por venturoso”.


Realmente, era o homem mais feliz da reunião. Certamente não gostaria de trocar de lugar com o mais ilustre de todos os presentes. Afinal, era embaixador do Rei dos reis. Se alguém tivesse mencionado suas tribulações, teria respondido: “Gloriemo-nos em nossas tribulações”. Será que, ao passamos por circunstâncias desagradáveis, temos suficiente graça da parte de Cristo para dizer:

“Tenho-me por venturoso”?


2. O erro de um homem bom.


Como um homem tão religioso como Saulo de Tarso pode chegar a ser um cruel perseguidor dos cristãos? “Bem tinha eu imaginado que...” (v. 9). Noutras palavras, tinha as melhores intenções quanto a servir a Deus. Todavia, suas ações foram inspiradas por seu próprio parecer e não pelo Espírito de Deus. Muitas desavenças em nossa família, igreja e em nosso próprio íntimo surgem por agirmos segundo o que imaginamos correto. Paulo abandonou seu erro. Estamos dispostos a fazer o mesmo?


3. Consolação para os intimidados. “... os obriguei a blasfemar”. Este era um método comum dos perseguidores. Durante as perseguições do Império Romano, a vida e liberdade eram oferecidas sob a condição de blasfemarem contra o nome de Cristo. O mundo moderno, mesmo nos países chamados cristãos, faz uma pressão enorme e incessante para que desonremos o nome de Jesus. Nos lares, empregos, escolas, coletivos e noticiários a tendência é blasfemar contra o nome do Senhor. E, também, procuram formar um ambiente para levar os cristãos a fazerem o mesmo. Os que se sentem oprimidos por algum companheiro, parente ou chefe devem renovar o ânimo: o mesmo Deus que alcançou Paulo pode transformar outros lobos em cordeiros! A estrada de Damasco, local da milagrosa conversão de Paulo, é uma realidade espiritual neste mundo moderno. E as conversões continuam quando menos se espera.


4. O homem com a experiência crescente. Paulo foi constituído ministro e testemunha do que Cristo lhe revelou. Tanto na ocasião da sua conversão como o que ainda lhe revelava (26.16). A experiência de Paulo na estrada de Damasco foi um milagroso começo para sua vida cristã. Mas não foi o ponto final. Mais revelações foram-se seguindo. Paulo foi um homem de experiências e testemunhos crescentes.


O Senhor nunca muda. Ele não tem necessidade de crescer. Somos nós quem devemos crescer no conhecimento dEle. Jó, passadas as aflições e com tudo restaurado, talvez pensasse ter recebido um Deus mais gracioso, mais poderoso. Na realidade, porém, tratava-se apenas de uma revelação mais profunda sobre o mesmo Deus eterno. É bom dar testemunho daquilo que Deus nos fez. Ao mesmo tempo, devemos ter o coração aberto para receber mais e mais da parte dEle.


Assim, sempre teremos novas bênçãos a contar.


5. Os escravos de Satanás.

Paulo testemunhava para converter os pagãos “do poder de Satanás a Deus”. Muitos pensadores modernos negam a existência de Satanás. No entanto, a negativa não tem reduzido o efeito de sua operação no mundo. Pelo contrário, as operações malignas têm- se multiplicado, enquanto muitos cristãos dormem espiritualmente. Não reconhecem que estão numa guerra contra as trevas, a qual exige oração, santificação e fé.

As verdadeiras forças deste mundo, sejam boas ou más, são espirituais. A luta real, em última análise, é “contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.


Multidões jazem na potestade de Satanás. Nossa tarefa é vestir-nos de toda a armadura de Deus e trazê-las para dentro da verdade que liberta, “orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica” (Ef 6.18).


6. Fidelidade à visão. Talvez você não tenha recebido uma visão celestial visível. Na sua conversão, porém, ganhou uma visão espiritual da vida e serviço que Deus requer de você. Uma boa pergunta para fazer diariamente a si próprio é: “Estou sendo obediente à visão celestial?” Por mais que já tenha percorrido o caminho cristão, a reconsagração é sempre valiosa: “Arrepende-te, e pratica as primeiras obras” (Ap 2.5).


7. Santa loucura. “Estás louco, Paulo”. Certa menina, com uma deformidade, era forçada a curvar-se para um lado ao andar. Depois de uma série de operações, fez seu primeiro passeio normal. Ao começar a andar, gritou aflita:


“Mamãe, estou toda torta!” Andou tanto tempo na anormalidade que o normal lhe parecia errado. A civilização anda na anormalidade espiritual há tanto tempo, que o pregador que leva o Evangelho a sério provoca gritos de: “Fanático! Louco! Exagerado! Anormal!”


Quando o mundo taxa os cristãos de loucos, é bom sinal. Demonstra que o Evangelho está sendo apresentado como algo vivo; desafiando o egoísmo e a complacência do mundo. A fé cristã não pode deixar de ser “louca”, de estar acima das probabilidades e provas do mundo. Se deixar de desprezar a interesseira prudência mundana que procura alvos materialísticos, não será o Cristianismo verdadeiro.


8. A paixão pelas almas.


Agripa esperava ser agradado pelo prisioneiro para obter misericórdia e favores. No entanto, viu-se fortemente exortado a aceitar a Cristo. Paulo não estava preocupado em defender seus próprios interesses diante dos juízes ou da opinião pública. Sua paixão de verdadeiro pregador era ganhar almas para Cristo.

Ninguém pode ser um obreiro cristão legítimo sem essa paixão dominante: “O amor de Cristo nos constrange”.


9. A Palavra de Deus e a experiência pessoal. Paulo, desejando ganhar Agripa para Cristo, contou sua experiência espiritual e apelou para as Escrituras (v. 27). Precisamos de ambas. Mas em primeiro lugar vem a Palavra de Deus, fundamento da nossa eterna salvação. Nossa experiência pessoal é a confirmação individual da eterna e universal veracidade da Palavra.


De Malta a Roma (28.11-16)

O tempo passado na ilha de Malta foi três meses (11), provavelmente novembro, dezembro e janeiro. Durante esta época, não havia navegação no Mediterrâneo. Plínio, em seu livro Natural History (ii. 47), diz que a navegação começou no dia 7 de fevereiro, com a chegada da primavera. Outro autor romano, Vegécio, declara que os mares estavam fechados de 11 de novembro até 5 de março, e eram perigosos desde 14 de setembro.


E óbvio que havia alguma divergência de opinião sobre a duração exata da estação de navegação. Mas todos concordam que durante novembro, dezembro e janeiro não era seguro aventurar-se no Mediterrâneo. Josefo fala de mensageiros enviados de Roma à Palestina que “foram surpreendidos por uma tempestade e ficaram detidos no mar durante três meses”.


Ao final de três meses em Malta, Lucas diz: partimos — “embarcamos num navio” (NASB) — num navio de Alexandria — outro navio que levava trigo do Egito à Itália, como aquele que tinha naufragado (cf. 27.6) — que invernara na ilha — provavelmente no porto principal de Valetta. O qual tinha por insígnia Castor e Pólux. Estas são somente duas palavras em grego. A primeira é um adjetivo que significa “marcado com um sinal”, aqui usado como um substantivo”, “figura de proa”. A segunda é Dioskouroi, que significa.


“Os irmãos gêmeos”. Assim, uma possível tradução é: “Que tinha os irmãos gêmeos como sua figura de proa” (NASB). A referência é aos dois filhos de Zeus, Castor e Pólux. Estes deuses gêmeos “eram objeto favorito de adoração dos marinheiros, que a eles pediam ajuda em ocasiões de tempestade”.6 Aparentemente, as imagens eram esculpidas de cada lado da proa do navio; Castor de um lado e Pólux do outro.


Aparentemente, o navio partiu de Malta em fevereiro. Ramsay sugere: “Como o outono era normalmente tempestuoso, é provável que o tempo mais agradável tivesse começado mais cedo”.

Evidentemente, um constante vento sul começou a soprar, pois eles navegaram quase que diretamente para o norte até Siracusa — “Há não mais de um dia de viagem de Malta” (cerca de oitenta milhas náuticas). Siracusa (12), na costa leste da Sicília, era o principal porto e a principal cidade daquela ilha.


Ali eles permaneceram durante três dias, supostamente porque o vento favorável tinha cessado.

De Siracusa, eles prosseguiram costeando (13) — “fizeram uma curva” (RSV) ou “deram a volta” (Phillips) — e chegaram a Régio. Esta era uma cidade na extremidade sul da Itália, cerca de onze quilômetros do outro lado do estreito de Messina, na Sicília. Parece que, depois de esperar em vão durante três dias em Siracusa, que o vento sul soprasse novamente, finalmente partiram e tomaram um vento nordeste, fazendo uma viagem mais longa até Régio.


Mas ali foram favorecidos. Soprando, um dia depois — de um atraso adicional

em Régio — um vento do sul, chegamos no segundo dia a Putéoli, “tendo percorrido uma distância de cerca de quase 180 milhas náuticas em menos de dois dias”. Navegando a favor do vento, desfrutavam um tempo excelente. Smith escreve: “Putéoli era então, como é agora, a parte mais abrigada da baía de Nápoles. Era o principal porto do sul da Itália e... um grande empório para os navios de trigo de Alexandria”.


Em Putéoli... achando alguns irmãos (14). Isto foi provavelmente um grande conforto para Paulo, Lucas e Aristarco, que provavelmente não tinham visto outros cristãos em seis meses. O centurião graciosamente permitiu que Paulo passasse uma semana com esses crentes.


Em lugar de nos rogaram — lit., “imploraram” (a palavra também pode significar “confortaram”) — alguns manuscritos apresentam: “Estavam confortados, porque ficamos”.

E depois nos dirigimos a Roma é literalmente “e assim chegamos a Roma” (NASB). O texto parece um pouco estranho, quando comparado a “logo que chegamos a Roma” (16). Ramsay opina que Roma significa todo o distrito em 14, mas a cidade propriamente dita em 16.690 Mas Lake e Cadbury rejeitam esta teoria por causa da expressão de lá (de Roma), no versículo 15. Eles sugerem uma interpretação mais simples e satisfatória:


“Portanto o provável significado é simplesmente: ‘E de Putéoli fomos diretamente a Roma”. E acrescentam: “Depois desta afirmação geral, na qual houtos [depois] enfatiza o cumprimento da profecia, o autor prossegue dando detalhes deste último estágio da viagem”.


Sobre a frase “Logo que chegamos a Roma”, Knowling faz esta pertinente observação: “Existe um tipo de triunfo nas palavras. Como um imperador que lutou e venceu uma batalha naval, Paulo entrou naquela cidade imperial; ele nunca tinha estado mais perto da sua coroa; Roma o recebeu atado è viu-o coroado e proclamado vencedor”.


As palavras e depois nos dirigimos a Roma poderiam ser a base de um sermão sobre “o preço da obediência”, onde poderíamos observar: 1. O panorama (19-21; cf. Rm 1.15); 2. A promessa (23.11); 3. O preço (em Jerusalém, em Cesaréia e no mar). Mas finalmente chegamos a Roma (16). Definitivamente, independentemente dos problemas no caminho, todas as almas obedientes atingem o destino indicado por Deus. Isto se aplica tanto aos objetivos nesta vida como em relação à nossa morada eterna.


A distância entre Putéoli e Roma era de aproximadamente 224 quilômetros, uma jornada razoavelmente longa para aqueles dias. Mas alguns dos irmãos (15) em Roma, tendo sabido da chegada de Paulo à Itália, lhes saíram ao encontro à Praça de Apio, a 69 quilômetros de Roma na antiga via Apia. Outros cristãos juntaram-se ao grupo em Três Vendas, a 53 quilômetros de Roma.


A respeito de encontro — lit., “para um encontro” — Bruce escreve: “Apantesis parece ser um tipo de termo técnico para a recepção oficial de um dignitário recém- chegado por uma delegação que saía da cidade para encontrá-lo e escoltá-lo; portanto, existe um profundo significado no uso desta palavra para descrever a recepção oferecida a Paulo pela igreja romana”.


Paulo, vendo os cristãos que tinham vindo encontrá-lo, deu graças a Deus e tomou ânimo. O apóstolo pode ter imaginado que tipo de recepção ele teria por parte da igreja romana. Se ele tivesse alimentado quaisquer dúvidas ou medos, teriam sido rapidamente dissipados pela calorosa recepção que lhe foi dada. A presença destes crentes amistosos deve ter trazido grande conforto para o apóstolo.


Logo que chegamos a Roma (16) — mais apropriadamente “quando entramos em Roma” (NASB) — o centurião entregou os presos ao general dos exércitos. Provavelmente era o comandante da guarda pretoriana. Como um favor especial para o seu extraordinário prisioneiro, a Paulo se lhe permitiu morar por sua conta, com o soldado que o guardava. Podemos ter certeza de que o centurião tinha recomendações sobre Paulo. A carta que Festo enviou também indicaria que Paulo não era um criminoso perigoso.


O último nós (subentendido aqui) do livro aparece aqui. Lake e Cadbury observam: “O versículo 16 encerra as ‘seções — nós’, e o autor adiciona um parágrafo de conclusão, resumindo os dois anos seguintes, que Paulo passou em Roma”.


Roma, 28.17-31

A Reunião com os Líderes Judeus (28.17-22)


Três dias depois (17) — provavelmente passados em visitas dos cristãos que tinham vindo para vê-lo — Paulo convocou os principais dos judeus.

Cláudio tinha decretado o desterro de todos os judeus de Roma (18.2), mas está claro que muitos tinham retornado, O apóstolo estava dando continuidade, mesmo em Roma, a sua política de ministrar primeiramente aos judeus.


A estes líderes judeus locais, ele disse que embora não tivesse feito nada contra o povo ou contra os ritos paternos, ainda assim acabou sendo... entregue nas mãos dos romanos. Quando examinado por eles, ele poderia ter sido libertado (18), mas quando os judeus pareciam determinados a vê-lo morto, ele tinha apelado a César (19).


Então ele acrescentou: não tendo, contudo, de que acusar a minha nação. O que ele evidentemente quer dizer é que estava completamente na defensiva nos seus julgamentos perante Félix e Festo; ele não trouxe acusações contra aqueles que o tinham acusado. Os judeus ainda eram o seu povo.

Paulo então anunciou a razão pela qual tinha desejado falar com eles: porque pela esperança de Israel estou com esta cadeia (20). Esta era a esperança messiânica e a fé na ressurreição (cf. 23.6; 26.6-8).


Em resposta, os líderes judeus de Roma disseram que eles não tinham recebido nenhuma carta de Jerusalém a respeito dele, nem alguma informação de alguém da Judéia contra ele (21). Isto parece um pouco surpreendente, devido aos dois anos que Paulo passou na prisão em Cesaréia. Bruce fazuma sugestão útil: “A lei romana era severa contra os acusadores malsucedidos; é provável, portanto, que eles tenham abafado o caso”. Os judeus queriam ouvir Paulo falar por si mesmo (22). Tudo o que eles sabiam era que quanto a esta seita (hairesis; cf. 5.17; 15.5; 24.5, 14) notório nos é que em toda parte se fala contra ela.


A Rejeição de Jesus (28.23-29)


Foi definido um dia em que Paulo pudesse explicar a sua posição religiosa (23). No dia indicado, muitos foram ter com ele à pousada, ou “como seus convidados” (NEB). A eles, declarava — “explicava” — com bom testemunho — lit., “confirmava com o seu testemunho” — o Reino de Deus. Ele tinha um conhecimento original do Reino em seu próprio coração. Desde pela manhã até à tarde, Paulo discursou e procurou persuadi-los à fé de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas. Esta deve ter sido uma exposição magnífica, superada apenas por aquela que o próprio Senhor Jesus fez aos discípulos a caminho de Emaús (Lc 24.27).


Como sempre, a resposta foi mesclada: alguns criam — lit., “foram persuadidos” — no que se dizia, mas outros não criam (24). Mesmo na atualidade, o pregador do Evangelho passa pela mesma reação dupla por parte dos seus ouvintes. Maclaren nos lembra que “cada um de nós pertence a uma ou a outra dessas duas classes”, e prossegue: “O mesmo fogo derrete a cera e endurece a argila; a mesma luz é alegria para os olhos sadios e agonia para os enfermos; a mesma palavra tem sabor de vida para a vida, e sabor de morte para a morte; o mesmo Cristo existe para a queda e para a ressurreição dos homens, e é para alguns a fundação segura sobre a qual eles constroem com segurança — mas para outros a pedra sobre a qual eles tropeçam e se machucam, e que, quando cai sobre eles, os reduz a pó”.


Quando os judeus começaram a discutir entre si, Paulo lhes disse esta palavra:

Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías (25). Este é um dos muitos testemunhos que o Novo Testamento dá sobre a inspiração e autoridade divinas do Antigo Testamento. A citação dos versículos 26 e 27 é de Isaías 6.9-10. Paulo já a tinha usado em Romanos 11.8. De maneira semelhante, Jesus aplicou-a aos judeus que o rejeitaram (Mt 13.13- 15; ver BBC, VI, 132-33).


A seguir, Paulo repetiu uma declaração que ele tinha feito, em essência, em duas ocasiões anteriores (cf. 13.46; 18.6). Ele disse: Seja-vos, pois, notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão (28). Bruce comenta: “Assim, enquanto o livro de Atos registra a expansão do Evangelho entre os gentios, também registra progressivamente a rejeição dele pela maior parte da nação judaica”. O versículo 29 não está presente nos manuscritos gregos mais antigos. Por essa razão, ele também tem sido omitido por várias versões atuais (ERV, ASV, RSV, NEB, NASB).


Dois Anos em Roma (28.30-3 1)


Por que o livro de Atos termina com a menção de Paulo passando dois anos na prisão em Roma? A dedução mais natural é que ele foi libertado no final dos dois anos inteiros (30). Alguns pensam que ele pode ter sido absolvido. Por exemplo, Ramsay escreve: “O fato de que ele foi absolvido é uma exigência, tanto por parte das evidências em Atos... quanto por outras razões bem fundamentadas e propostas por outros” No entanto, em um artigo posterior, Ramsay adotou a opinião de Lake, fornecida a seguir.


Lake sugere que os acusadores judeus deixaram de aparecer, e assim Paulo foi libertado. Ele especula — não há um conhecimento seguro sobre este ponto — que dois anos pudessem ser o limite legal para manter um prisioneiro à espera de julgamento. Bruce conclui: “Depois de dois anos, o caso provavelmente prescrevia”. De acordo com isto, Winn diz: “Não é improvável que o caso tenha prescrito por falta de acusação”.


Durante estes dois anos, Paulo ficou na sua própria habitação que alugara. Lake e Cadbury preferem a expressão “às suas próprias custas” (cf. RSV, NEB). Eles dizem: “Não existem evidências de que misthoma signifique ‘uma casa alugada’ (AV)”. Paulo recebia todos quantos vinham vê-lo, pregando (30-3 1)— “proclamando” — o Reino de Deus e ensinando as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo. Assim, o seu ministério era uma combinação de pregação e de ensino. Ele fazia isto com toda a liberdade. O substantivo grego parresia é uma palavra interessante (cf. 4. 13,29,31), e significa: “1. Falar abertamente, franqueza, objetividade no falar, que não esconde nada e não ignora nada... 2. ‘Abertura’ algumas vezes leva à abertura ao público, diante de quem ocorre o falar e o agir... 3. Coragem, confiança, ousadia, destemor, especialmente na presença de pessoas de nível elevado”.


Sem impedimento algum é uma única palavra em grego, um advérbio que significa “sem nenhum obstáculo”. Arndt e Gingrich traduziram as duas últimas frases como “bastante abertamente e sem obstáculos”.709 Este foi o triunfo final de Paulo no livro de Atos. Ele tinha se erguido corajosamente diante de Félix, de Festo e de Agripa, testemunhando destemidamente a favor de seu Senhor. Agora, como um prisioneiro romano, ainda pregava o Evangelho eterno.

Ele não tinha a liberdade de sair, mas ministrava a todos aqueles que vinham a ele.


Desta cena final do livro de Atos, dois pontos significativos são sugeridos porAlexander Maclaren: 1. Os caminhos inesperados e nem sempre bem-vindos de Deus para realizar os nossos desejos, e os seus propósitos. Paulo desejou durante um longo tempo pregar em Roma (Rm 15.23), mas ele não teria escolhido esta maneira de ir até lá — como um prisioneiro acorrentado.


“A fúria judaica, os ardis do estado e a permanência da lei romana, dois anos em uma prisão, uma viagem em meio a uma tempestade, um naufrágio, acabaram por conduzi-lo ao seu objetivo tão desejado, por tanto tempo”. 2. A equivocada estimativa de grandeza do mundo. Maclaren escreve: “Quem era o maior homem em Roma naquela época? Não o César, mas o pobre prisioneiro judeu”.


Como o propósito de Lucas era descrever a divulgação do Evangelho, desde Jerusalém até Roma, ele termina com um breve resumo do ministério de Paulo nesta cidade imperial. Não conhecemos o motivo por que ele interrompe o livro aqui. Qualquer resposta seria somente especulação.


Alguns opinam que Lucas pretendia escrever um terceiro volume. Mas isto é duvidoso. Outros opinam que Paulo foi executado. Mas isto não combina facilmente com o silêncio de Lucas a esse respeito. A conclusão mais natural é que Paulo foi libertado e Lucas simplesmente terminou a história.


Paulo Prega Dois Anos em Roma = vv.30,31


Aqui estamos nos despedindo da história do bendito Paulo; e, portanto, visto que Deus achou por bem que nós não soubéssemos nada mais a seu respeito, nós devemos cuidadosamente tomar nota de cada detalhe das circunstâncias nas quais nós devemos aqui deixá-lo. Não pode senão ser um problema para nós que devamos deixá-lo preso por Cristo, mais ainda, que não tenhamos nenhuma expectativa de que ele seja posto em liberdade. Dois anos inteiros da vida desse bom homem são aqui gastos em confinamento e, pelo que parece, ele não foi questionado novamente, todo esse tempo, por aqueles de quem ele era prisioneiro.


Ele apelou para César na esperança de uma rápida libertação de seu aprisionamento, os governadores tendo informado à sua majestade imperial a respeito do prisioneiro de que ele nada fizera que fosse digno de morte ou prisões, ainda assim ele está detido como prisioneiro.


Tão pouca razão nós temos para confiar nos homens, especialmente prisioneiros desprezados em homens importantes; atentem ao caso de José, de quem o copeiro-mor não se lembrou, mas esqueceu (Gn 40.23). Alguns pensam ainda que embora não seja mencionado aqui, foi no primeiro desses dois anos, e bem no início daquele ano, que ele foi pela primeira vez levado diante de Nero, então suas prisões em Cristo foram manifestas na corte de César, como ele diz (Fp 1.13). E nessa primeira defesa foi que ninguém o assistiu (2 Tm 4.16).


Mas parece que ao invés de ser posto em liberdade por essa apelação, como ele esperava, malmente escapou das mãos do imperador com vida; ele chama isso de libertação da boca do leão (2 Tm 4.17), e o fato de ele falar de sua primeira defesa dá a entender que teve uma segunda, na qual se saiu melhor porém ainda não foi liberto.


Durante esse aprisionamento de dois anos, ele escreveu sua epístola aos Gaiatas, depois sua segunda epístola a Timóteo, em seguida aquelas aos Efésios, Fiipenses, Colossenses e a Filemom, nas quais ele menciona varias coisas particularmente relacionadas a seu aprisionamento; e, por último, sua epístola aos Hebreus, pouco depois que ele foi posto em liberdade, como Timóteo também foi, que, vindo visitá-lo, foi de um modo ou outro feito seu co-prisioneiro (com o qual, Paulo escreve aos Hebreus, cap. 13.23, se vier depressa vos verei), mas como ou por quais meios ele obteve a liberdade não nos é dito, apenas que por dois anos foi prisioneiro.


A tradição diz que depois de sua libertação ele foi da Há- lia para a Espanha, de lá para Creta, e então com Timóteo para a Judéia, e de lá foi visitar as igrejas na Asia, e, por fim, foi uma segunda vez a Roma, e ali foi decapitado no último ano de Nero. Mas o próprio Baronius confessa que não há certeza de qualquer coisa a respeito dele entre sua libertação desse aprisionamento e seu martírio; mas é dito por alguns que Nero, quando começou a representar o tirano, tendo se colocado contra os cristãos, e os perseguido (e ele foi o primeiro imperador que promulgou uma lei contra eles, como Tertuliano diz, Apol., cap. 5), a igreja em Roma foi muito enfraquecida pela perseguição, e isso trouxe Paulo uma segunda vez a Roma para restabelecer a igreja ali, e confortar a alma dos discípulos que foram deixados, e assim caiu uma segunda vez nas mãos de Nero.


E Crisóstomo relata que uma jovem que era uma das senhoritas (para falar com elegância) de Nero, ao ser convertida pela pregação de Paulo à fé cristã, e desse modo tirada da forma lasciva de vida em que ela vivia, Nero ficou exaltado contra Paulo por isso, e ordenou primeiro que fosse aprisionado, e em seguida, entregue à morte.


Mas para ficar nesse breve relato dado aqui: 1. E angustiante pensar que um homem útil como Paulo ficasse tanto tempo reprimido. Por dois anos ele foi prisioneiro de Félix (cap. 24.27), e, além de todo o tempo que passou entre isso e a sua vinda a Roma, ele fica aqui mais dois anos como prisioneiro de Nero.

Quantas igrejas Paulo poderia ter plantado, quantas cidades e nações poderia ele ter levado a Cristo nesse período de cinco anos (pois foi no mínimo isso), se ele tivesse estado em liberdade! Mas Deus é sábio, e mostrará que Ele não é devedor dos instrumentos mais úteis que Ele emprega, mas pode e realizará seu próprio interesse, tanto sem seus serviços quanto através dos seus sofrimentos.


Até mesmo as prisões de Paulo contribuíram para maior proveito do evangelho (Fp 1.12-14). 2. Porém, mesmo o aprisionamento de Paulo foi em alguns aspectos um beneficio para ele, porque passou esses dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e isso foi mais, que eu saiba, do que ele jamais fizera antes.

Ele sempre esteve acostumado a se hospedar na casa dos outros, agora ele tem uma casa que é sua — sua enquanto ele pagar o aluguel; e um retiro como esse seria um alívio para alguém que passou todos os seus dias como itinerante. Ele sempre esteve acostumado a se mudar, raras vezes se demorava em um lugar mas agora ele morou por dois anos na mesma casa; de maneira que a sua remoção para essa prisão foi como o chamado de Cristo a seus discípulos para virem a um lugar deserto e repousar um pouco (Mc 6.31).


Quando estava em liberdade, estava continuamente com medo das ciladas dos judeus (cap. 20.19), mas agora sua prisão era sua fortaleza. Assim, do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte.

Todavia, é um prazer para nós (porque nós temos certeza de que foi para ele) que, embora nós o deixemos em prisões por Cristo, também o deixamos trabalhando por Cristo, e isso tornou suas prisões suportáveis para que ele não fosse por elas impedido de servir a Deus e fazer o bem. Sua prisão se torna um templo, uma igreja, e assim é para ele um palácio.

Suas mãos estão amarradas, mas, graças a Deus, sua boca não foi amordaçada; um ministro zeloso e fiel pode suportar melhor qualquer dificuldade do que ser silenciado. Aqui Paulo é um prisioneiro, e, no entanto, um pregador; ele está preso, mas a palavra do Senhor não.


Quando escreveu sua epístola aos Romanos, disse que desejava vê-los, para lhes comunicar algum dom espiritual, afim de que fossem confortados (Rm 1.11); ele estava contente de ver alguns deles (v. 15), mas sua alegria seria incompleta a menos que pudesse dividir com eles algum dom espiritual, que aqui ele tem uma oportunidade de fazer, e então ele não se queixará de seu confinamento. Observe:


1. A quem ele pregava: para todo aquele que tinha disposição para ouvi-lo, quer judeus quer gentios. Não parece que ele tinha liberdade de ir para as outras casas para pregar; é provável que não; mas quem quer que tivesse liberdade de vir à sua casa para ouvir era bem-vindo: ele recebia todos quantos vinham vê-lo. Note:


As portas dos ministros devem estar abertas para aqueles que desejam receber instrução deles, eles devem ficar contentes de ter oportunidade de aconselhar aqueles que se importam com sua alma. Paulo não podia pregar em uma sinagoga, ou qualquer lugar de encontro que fosse suntuoso e espaçoso, mas ele pregava em sua pobre cabana. Note:


Quando não podemos fazer o que gostaríamos para o serviço de Deus, devemos fazer o que podemos. Aqueles ministros que têm apenas pequenas casas alugadas devem antes pregar nelas, se tiverem a permissão de fazer isso, e não ficar calados.


Ele recebia todos quantos vinham vê-lo, e não tinha medo dos grandes, nem se envergonhava dos pequenos. Ele estava pronto para pregar no primeiro dia da semana aos cristãos, no sétimo dia aos judeus, e a todos que quisessem vir em qualquer dia da semana; e ele podia esperar que o bem fosse promovido porque eles vinham vê-lo, o que pressupunha um desejo de serem instruídos e disposição para aprender e onde há esses elementos é provável que algum bem possa ser feito.


2. O que ele pregava. Ele não enche a cabeça deles com especulações curiosas, nem com questões de estado e política, mas se mantém na sua área, se ocupa de seus negócios como apóstolo. (1) Ele é embaixador de Deus, e por isso, prega o Reino de Deus, faz tudo o que pode para pregá-lo, administra suas tarefas para o progresso de todos os seus interesses verdadeiros. Ele não interfere nos assuntos dos remos dos homens; que aqueles que tratam deles se ocupem com isso.


Ele prega o Reino de Deus entre os homens e a palavra daquele reino; o mesmo que ele declarava em seus debates públicos, o bom testemunho do reino de Deus (v. 23), ele destacava em sua pregação pública, como aquilo que, se recebido corretamente, torna a todos nós sábios e bons, mais sábios e melhores, que é a finalidade da pregação. (2) Ele é um agente de Cristo, um amigo do noivo, e por isso ensina as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo — toda a história de Cristo, sua encarnação, doutrina, vida, milagres, morte, ressurreição e ascensão; tudo que se relaciona ao mistério da piedade.


Paulo prendia-se ainda ao seu princípio — não sabei’ nem pregar nada senão Cristo, e esse crucificado. Os ministros, quando na pregação são tentados a se desviar daquilo que é sua função principal, deveriam se limitar com esta pergunta: O que isso tem que ver com o Senhor Jesus Cristo?


Que força tem isso para nos levar a Ele e nos manter no caminho com Ele? Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus.


3. Com que liberdade ele pregava. (1) A graça divina lhe deu liberdade de espírito. Ele pregava com toda confiança, como alguém que estava bem seguro da verdade do que proclamava — isso ele ousava sustentar; e também do seu valor — por isso ele ousava sofrer. Ele não se envergonhava do evangelho de Cristo. (2) A Providência divina lhe deu liberdade para falar: Ele pregava sem impedimento algum; ninguém ficava monitorando suas atividades ou impondo qualquer restrição.


Os judeus que costumavam proibi-lo de falar aos gentios não tinham autoridade aqui; e o governo romano ainda não considerava que seguir o cristianismo fosse um crime.


Nisso nós devemos reconhecer a mão de Deus: [1]

Ao estabelecer limites à fúria dos perseguidores; onde Ele não converte o coração, Ele ainda pode amarrar a mão e refrear a língua. Nero era um homem sanguinário, e havia muitos, tanto judeus quanto gentios, em Roma, que odiavam o cristianismo; e, no entanto, acontecia inexplicavelmente que Paulo, embora um prisioneiro, fosse tolerado como pregador do evangelho, e isso não era interpretado como violação da ordem pública. Desse modo, Deus faz a cólera do homem redundar em seu louvor e o restante da cólera, ele a restringe (Sl 76.10).


Embora houvesse muitos que tinham poder de proibir a pregação de Paulo (mesmo o soldado comum que o guardava poderia tê-lo feito), Deus ordenou de tal forma que ele pregasse sem impedimento algum. [2] Veja aqui Deus proporcionando conforto para alívio do perseguido. Embora fosse uma esfera muito baixa e estreita de oportunidade na qual Paulo estava aqui colocado, comparada com aquela em que ele tinha estado, porém, tal como era, ele não era molestado nem perturbado.


Embora não fosse uma porta ampla que estava aberta para ele, mesmo assim foi mantida aberta, e nenhum homem teve a permissão de fechá-la; e ela foi para muitos uma porta eficaz, de maneira que havia santos até na casa de César (Fp 4.22). Quando a cidade de nossas solenidades é desse modo feita uma habitação tranqüila a qualquer tempo, e nós somos alimentados dia após dia com o pão da vida, sem nenhum homem nos proibindo, nós devemos dar graças a Deus por isso e nos preparar para mudanças, ainda que desejando aquela sagrada montanha na qual jamais haverá sarça de espinhos nem abrolhos dolorosos.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


BIBLIOGRAFIA

Comentário Bíblico Beacon

Comentário Bíblico Atos – Myer Pearlman

Comentário Bíblico Mathew Henry - Novo Testamento Edição Completa

16 de março de 2011

AS VIAGENS MISSIONÁRIAS DE PAULO

AS VIAGENS MISSIONÁRIAS DE PAULO – Ev. José Costa Junior


CONSIDERAÇÕES INICIAIS


Não obstante atribuir-se a importância histórica de Paulo o fato de ter sido ele o primeiro a dar uma formatação teológica à proclamação cristã primitiva e a desenvolver, com reflexão, estas questões, não se deve julgar de menor importância o seu trabalho missionário. As enunciações teológicas do apóstolo foram sempre inspiradas pelo contexto de sua missão aos gentios. Por meio dessa missão, Paulo também contribuiu para a transposição notavelmente precoce da nova fé, da esfera limitada do judaísmo para a estrutura mais ampla do mundo gentio e, desse modo, possibilitou que o cristianismo florescesse como movimento distinto depois de 70 d.C..


A estratégia missionária de Paulo era conquistar a maior parte possível do mundo gentio e, quando começou a ficar evidente que a tarefa não se completaria durante a sua vida, ele tentou – não sem sucesso, ao que parece – fazer a comunidade cristã de Roma compartilhar sua visão (ver Romanos).


Por em prática esta estratégia não exigia a apresentação do evangelho a cada um dos indivíduos das áreas que ele evangelizava, mas sim a fundação de igrejas locais que servissem de núcleos a se propagar nessas áreas. Seu plano incluía um evangelismo pioneiro, anunciar o evangelho como ele disse, somente “onde o nome de CRISTO ainda não fora pronunciado” (Rm 15; 20-21), e assentar ele mesmo os alicerces.


O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão do que trata a lição; as viagens missionárias de Paulo. O objetivo não é apenas listar o itinerário paulino, mas fazer algumas reflexões sobre seus objetivos, trazendo ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.


AS VIAGENS MISSIONÁRIAS


Para que Paulo realizasse tais empreendimentos era preciso uma combinação de planejamento estratégico e receptividade à inspiração divina. O empreendimento todo era realizado “pelo poder do ESPÍRITO” (Rm 15;19), e o poder do ESPÍRITO era experimentado em circunstâncias especiais, como quando seus passos foram desviados da estrada para o ocidente, em direção a Éfeso, e dirigidos para Trôade e para Macedônia (At 16;6-10).


Em At 13;1 até 15;30 têm-se a descrição de sua primeira viagem missionária. Quando Paulo e Barnabé regressaram a Antioquia, viram que era chegado o tempo de pregarem o evangelho em outros países. Um novo movimento se operava em obediência ao ESPÍRITO SANTO (At 13;2), e para isso se prepararam aqueles apostólicos obreiros com jejum e oração.


Indo com eles João Marcos, saem de Antioquia da Síria. Viajam de navio até Salamina, na ilha de Chipre (13,4-5). Atravessam a ilha e param em Pafos onde conflitam com um judeu mágico de nome Barjesus (13,6-12). Partindo de Chipre, Paulo e seus companheiros navegaram para a Ásia Menor e chegaram a Perge, na Panfília onde Marcos os deixou. Sobem até Antioquia da Pisídia onde foram recebidos com alegria pelos gentios, após terem ouvido a mensagem salvadora de CRISTO JESUS, mas houve conflito com os judeus (13,13-52). Seguem para Icônio na Licaônia onde, novamente, entram em conflito com os judeus (14,1-5). Vão para Listra onde continuam anunciando a Boa Notícia (14,6-7), promovem a cura de um homem aleijado e são hostilizados por gentios e judeus (14,8-20). Chegam a Derbe e depois retornam, passando por Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia, animando os discípulos a permanecerem firmes: “É preciso passar por muitas tribulações...” (14,20-23). Atravessam a Pisídia, chegam em Panfília, depois em Perge e Atalia (14,24-25). Navegam para Antioquia da Síria onde reúnem a comunidade para partilhar e avaliar os resultados desta tão proveitosa empreitada. Concluindo, assim, sua primeira viagem missionária (14,26-28).


As fontes também dão testemunho de uma segunda dimensão definidora da missão paulina, a saber, o compromisso de Paulo de fundar e educar comunidades cristãs como um propósito central de seus esforços missionários em qualquer região específica. Realmente, em suas viagens, Paulo se dedica à pregação missionária etapa por etapa. E ativamente empenhou-se em conversões individuais como parte de sua vocação. No entanto, estas funções evangelizadoras, eram exercidas como passos preliminares necessários em um propósito missionário maior: de formar comunidades de fiéis de uma região após outra em toda a sua parte do mundo. Não foi por acaso que Paulo não se descreveu como fazedor de tijolos, mas como construtor de alicerces (I Co 3;10). Sua missão concentrava-se em realização conjunta.


A segunda viagem missionária (At 15;36 à 18;28) foi mais extensa do que a primeira. A partida foi perturbada por uma diferença de opinião entre Paulo e Barnabé. Desejava Barnabé que também os acompanhasse João Marcos, seu parente, que tinha sido censurado por Paulo em certa ocasião (At 15;38). Como Paulo não quisesse anuir, separaram-se. Paulo, escolhendo para seu companheiro a Silas, saem de Antioquia da Síria e percorrem a Síria e a Cilícia, confirmando as comunidades organizadas na 1ª viagem (At 15,41). Passam por Derbe e Listra, levando consigo Timóteo com quem teve uma importante entrevista (16,1-5). Entram na Frígia. Não conseguem ir até a Ásia. Passam pela Galácia (16,6). Impedidos de ir até Bitínia, seguem para Mísia e Trôade (16,7-8). Em Trôade atraiu Paulo a si um novo companheiro, que haveria de ser o futuro historiador dos seus trabalhos; Lucas.


Um sonho leva Paulo e sua equipe até a Macedônia (At 16,9-10). Em dois dias chegam a Neápolis, porto de Filipos. A comunidade se forma a partir de um grupo de mulheres (At 16,11-15). Em Filipos, proporcionam a libertação de uma escrava de satanás e angariam conflito com seus patrões. São presos e, milagrosamente, são libertos (At 16,16-40). Expulsos de Filipos seguem para Tessalônica, onde conflitam com os judeus (17,1-9). Expulsos de Tessalônica chegam a Beréia, onde, novamente, conflitam com os judeus (17,10-13). Paulo se separa de Timóteo e Silas e com alguns acompanhantes vai a Atenas. Manda avisar Timóteo e Silas para encontrá-lo lá (17,14-15). Em Atenas, Paulo faz um discurso aos intelectuais no Areópago (17,16-34). De lá, viaja para Corinto, encontra-se com o casal Priscila e Áquila e permanece por lá durante 18 meses confeccionando tendas e evangelizando (18,1-18). De Corinto, embarca para Éfeso, onde decide voltar (18,19-21).


Embarca para Cesaréia e Jerusalém – onde ele saudou “a Igreja” -, e depois volta para Antioquia da Síria (18,22), visitando esta cidade pela última vez.
Paulo revela repetidamente um sentimento não só de fundar, mas também de cuidar dessas comunidades, não só de gerar, mas também de educar, não só de plantar, mas também de cultivar. Por esta razão ele visita regularmente as igrejas que fundou e, sempre que possível mostra-se inclinado a diligenciar um ministério residencial de edificação. Como Paulo explica suas atividades interrompidas em Tessalônica: “E vós sabeis: tratando cada um de vós como um pai a seus filhos, nós vos exortamos, encorajamos e suplicamos para que cada um leve uma vida digna” de DEUS (I Ts 2;10-12). O compromisso missionário paulino de cuidar de suas recém fundadas igrejas é mais diretamente demonstrado pela existência das cartas em si. Essas cartas não são composições evangelizadoras: o Paulo que está disponível para nós em primeira mão está disponível quase exclusivamente na dimensão do cuidado com a comunidade de seu papel missionário.


Partindo de Antioquia, Paulo, acompanhado de Timóteo, na sua terceira viagem missionária (At 19;1 à 21;14), passou pela Ásia Menor, visitando e animando as igrejas que ele tinha estabelecido naquela região. Paulo chega a Éfeso, onde ficam três anos. Encontram, na primavera de 57 d.C., os seguidores de João Batista (19,1-7). Ensina na Sinagoga e numa escola particular (19,8-10). Conflitua com os exorcistas judeus, filhos de Cevas, Sumo Sacerdote (19,11-20). Paulo decide voltar a Jerusalém, passando por Macedônia e Acaia. Envia à sua frente Timóteo e Erasto (19,21-22). Ainda em Éfeso tem conflito com Demétrio, ourives (19,23-40). Expulso de lá, segue para Macedônia e anima os discípulos e, mais uma vez, usufrui da companhia de Lucas (20,1-6).


A equipe viaja até Trôade onde Paulo ressuscita o jovem Êutico (20,7-12). De Trôade dirigem-se a Mileto em dois grupos (20,13-16). Em Mileto profere discurso de despedida aos presbíteros de Éfeso (20,17-38). A viagem segue de navio até Tiro, na Síria visita a Comunidade (21,1-6). Continua até Ptolomaida e Cesaréia onde foi visitar Felipe, o evangelista. Ágabo, que tinha o dom de profecia, mostrou a Paulo, de uma maneira dramática, que era perigosa a sua ida a Jerusalém (21,7-14). Lucas e os outros companheiros de Paulo choraram e pediram-lhe que não fosse, mas a sua resolução era inabalável e então os seus amigos reconheceram que era vontade de DEUS.


CONCLUSÃO


A partir da análise destas viagens missionárias, indicamos certos padrões predominantes na atividade missionária paulina:
Ø Paulo se dedica a apresentar o evangelho onde ele ainda não foi ouvido, tarefa pioneira nas fronteiras da expansão cristã.
Ø Ele entende que esta dedicação subentende um movimento geográfico de anúncio de evangelho.
Ø Ele conceitualiza este movimento em termos de áreas geográficas específicas.
Ø Paulo tenta visitar essas regiões em uma sequência aproximadamente contígua, do leste para o oeste.
Ø Dentro deste espaço, Paulo procura estabelecer comunidades, cristãs nos principais centros populacionais de cada região.
Ø O compromisso missionário paulino inclui educar essas comunidades para que alcancem uma estabilidade madura.
Ø Quando considera isso realizado, Paulo sente que não tem “mais campo de ação” para seu chamado específico nessa região e se prepara para seguir adiante.


A missão paulina tem se mostrado ainda mais fundamental para entender a pessoa do apóstolo. Os contornos de sua vida, o conteúdo de suas cartas e as estruturas e seus pensamentos são todos determinados essencialmente por inferências de sua vocação missionária. Esta vocação deve fomentar, em cada coração cristão, o desejo de ser um ganhador de almas, um missionário do SENHOR JESUS. Espero em DEUS ter contribuído para despertar o seu desejo de aprofundar-se em tão precioso ensino e ter lhe proporcionado oportunidade de agregar algum conhecimento sobre estes assuntos. Conseguindo, que a honra e glória seja dada ao nosso DEUS.


Elaboração por :- Ev. José Costa Junior

REFERÊNCIAS BÍBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA São Paulo e Barueri – Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil 1999

BUCKLAND, A. R. Dicionário Bíblico Universal – 9ª Ed. – São Paulo, SP: Editora Vida, 1996

HAWTHORNE, Gerald F., Ralph P. Martin e Daniel G. Reid (org.). DICIONÁRIO DE PAULO E SUAS CARTAS. São Paulo: Vida Nova, 2008

9 de março de 2011

O Primeiro Concílio da Igreja de Cristo

O Primeiro Concílio da Igreja de Cristo.


Texto básico


“Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá.” ( At 15.28,29).


Introdução


A lição deste domingo mostrará as divergências existentes dentro da igreja na época dos apóstolos. Foi necessário que os grandes homens de Deus se reunissem e encontrarem uma solução para o problema que poderia prejudicar o crescimento da obra de Deus. O concílio de Jerusalém foi um marco para a igreja primitiva onde se descortinou a idéia de um pequeno grupo judaizante, e a graça salvadora de Jesus prevaleceu na igreja (Ef 2.8).


1-Definição


Concílio; em nossa versão portuguesa não aparece tal termo, que, entretanto passou a ser usado na linguagem eclesiástica dos séculos posteriores a Cristo, para indicar assembléia de prelados. No uso protestante, tal vocábulo é usado especialmente para indicar a reunião dos apóstolos e da igreja, em Jerusalém, para tratar da exigência dos judaizantes, que queriam impor a observância da lei de Moisés e da circuncisão aos convertidos dentre os gentios, como pré requisito para salvação (At 15. 2-29) (Novo Disc. Bíblico Ed. Vida Nova).

No Antigo Testamento observamos também a reunião de alguns prelados, que podemos considerar como concílios. Quando Moisés reuniu, por exemplo, um grupo de anciões para deliberar sobre a ordenação de Deus sobre os Hebreus (Ex 4.29).


2 - Uma Igreja em Crescimento.


“Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentavam o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” (At. 2.47). É fato observarmos que ao passo que o evangelho crescia entre os gentios, e com este crescimento a entrada de pessoas que não possuíam os mesmos costumes religiosos, neste caso com os judeus. Muitos dos problemas eram justamente os que confrontavam as leis de Moisés, tantos os ordens moral como religiosa. A cultura religiosa encontradas nos povos do Novo Testamento foi herdada de outras gerações (Jo 4.20)


Devido ao grande número de gentios que estavam adentrando a igreja, tornaram-se um incomodo para os judaizantes que haviam aceitado o cristianismo. Como manter a ordem dentro de uma nova organização religiosa? Seriam apenas questões que não afetariam as futuras conversões? Este assunto é muito instigante, pelo fato de que aqueles que eram da seita dos fariseus, não aceitavam os “novos crentes”, por outro lado os novos não queriam se submeter aos antigos ritos.


Já no primeiro versículo do capitulo 15 de Atos dos Apóstolos, vemos a resistência de alguns judeus em aceitarem os gentios. Devemos lembrar que, não eram apenas uma classe de gentios em especifico que faziam parte daquela congregação, muitos eram samaritanos, gregos, sitas, elamitas, medos, romanos, cretenses, etc..(Cl 3.11). Muitos que todos os dias chegavam aos pés do SENHOR Jesus (At 2.47).


Numa comunidade fechada, como a judaica, onde durante séculos os homens e mulheres observavam os usos e costumes da lei (Is 29.13), mas o seu coração estava longe de agradar ao SENHOR. Parece incrível que alguém, naquele momento onde o Espírito Santo estava em plena execução de sua obra, dizer que para um gentio ser salvo era necessário fazer a circuncisão. (At 15.1). E alguns tiveram que submeter-se aos antigos rituais para poder agradar, ou fazer a vontade de uma pequena minoria. (At 16.3)


A igreja que nós chamamos “primitiva” tem muito a nos ensinar, levando em consideração
o pouco espaço de tempo entre a ascensão de Cristo e os primeiros problemas de ordens eclesiásticas. Foi necessária a intervenção imediata dos apóstolos para que as pendências religiosas fossem logo colocadas no concílio em Jerusalém. Quando observamos nos dias hodiernos verificamos justamente o contrário, as pendências são apenas citadas, quando são feitas, e não se procura criar soluções espirituais para que o reino dos céus possa continuar a crescer na terra.


3 - É necessário fazer?


“Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos”. (vers.1). Dentro do conceito religioso, os judeus conversos ao cristianismo naquele período, não estavam de todo ensinado ao novo caminho. Faltava a eles o ensino correto da palavra de Deus (Os 4.6), o conhecimento do qual discorrera não somente os apóstolos, mas é o mesmo ensinado por Cristo (Jo 8.32). Este conhecimento que Jesus falara pouco tempo antes elenca o conhecer a Cristo, de uma forma ampla e plena, a oportunidade de uma vida mais intima com o Pai. Jesus disse que o conhecimento pleno da verdade é que pode libertar o homem. A verdade é Cristo, Ele liberta o homem de todos os enganos do seu coração.


Ao passarmos pelo texto em estudo vemos que aqueles em que operavam o erro, não conheciam Jesus, por isso, a necessidade de uma reunião urgente em Jerusalém. Muitos vivem dentro das nossas igrejas com o mesmo pensamento de alguns daqueles judeus, acreditando em sua fé, que Jesus não é suficientemente poderoso para salvar os mais diversos tipos de pessoas, que possuem as mais diversas crenças e possuem os mais diversos costumes. Só Jesus Cristo salva, liberta, batiza com o Espírito Santo e leva para o céu.


Certa feita Jesus ia por um caminho e foi incomodado pelos gritos de uma mulher que necessitava de uma benção (Mt 15.23-28). Alguns acreditam que Jesus poderia ter usado palavras menos ásperas para atender as petições daquela mulher (vers. 26). Jesus esperava que aquela mulher não desistisse de pedir, usou até mesmo o costume da lei para não se aproximar dela. Jesus observou a insistência daquela mulher (vers.27), Ele queria que ela não desistisse diante da primeira negativa (vers. 24), nem diante dos discípulos. O nosso SENHOR viu que aquela mulher não se incomodou de ser rebaixada, Ele percebeu que ela não olhava para aqueles que estavam em sua volta, ela não se preocupou de estar entre os judeus. Por isso, o nosso mestre mostrou que ela possuía muita fé (vers. 28). Será que em nossos dias, as nossas igrejas na sua maioria suntuosas, tem prestado atenção aos gritos daqueles que estão lá fora?


O texto diz que o debate começou porque alguns questionam da necessidade de haver a circuncisão para ser salvo (vers. 1). Poderia a salvação estar ligada a uma ordenança judaica? Por base bíblica sabemos que não (Rm 2.28.29, Rm 3.1, I Co 7.19, Gl 6.15). Mas, se faz necessário entender que dentro da comunidade judaica as leis e observâncias delas eram extremamente importantes.


Pedro uns dos doze, que era judeu, teve uma experiência no capítulo dez do livro de Atos. O SENHOR conduz o apóstolo a uma visão do céu, que a princípio ele não entendia. Foi necessário ser encaminhado à casa do centurião Cornélio para que entendesse a vontade de Deus. “E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios”.(At 10.44,45).A pregação da Palavra de Deus é uma fonte ilimitada de poder. O uso da mensagem de salvação, como foi na casa de Cornélio, pode produzir algo maravilhoso sobre aqueles que ouviram. O avivamento é algo sobrenatural da parte de Deus para com os homens, que torna homens comuns em verdadeiras testemunhas do evangelho de Cristo (At 1.8).


Não foi necessária a circuncisão, para que aqueles que estavam na casa de Cornélio, recebessem o batismo no Espírito Santo. O que foi indispensável naquele momento? Que o coração daqueles que ouviram a palavra dessem lugar ao Espírito Santo. Quando no meio da igreja entra a invenção da mente humana Deus deixa de operar maravilha.


4 - Deus não divide espaço.


Urge em nossos dias a volta ao calvário, pois muitos sem saber, estão levando o povo a um modelo de vida espiritual voltada ao ritualismo. Dizem; “Você precisa fazer isto para que Deus possa te responder”, cuidado Deus não se deixa escarnecer (Gl 6.7), ou dizem mais; “Entrega essa quantia que você recebera outro tanto”. Seria a forma de apresentar a salvação aos pecadores, “Venha como estás”, não há mudanças, não a transformação, não existe renúncia, o mundo ainda impera no coração de muitos. Que Deus nos guarde.


Os apóstolos estavam combatendo algo que estava impregnado na cultura religiosa dos gentios. “Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias”; (I Pe 4.3). A visão do judeu em relação ao gentio não era a melhor possível. Se não fora o Espírito Santo, os homens não chegariam à salvação (Jo 16.7,11).


Dentre todos os preceitos divinos na Bíblia sagrada, Deus não suporta a idolatria. Ao prestar culto a outros deuses ou participar de eventos que induzem a essa adoração, “Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos”, (vers.29a). A primeira deliberação do concílio foi justamente afastar os gentios daquilo que poderia fazer sem saberem do erro que estavam cometendo. Quando o texto diz “coisas sacrificadas”, era comum nas festas dos gentios o culto as divindades. O cuidado dos apóstolos era justamente que eles sem prestarem o culto diretamente aos ídolos poderiam se contaminar com as oferendas sacrificadas aos deuses estranhos.


Parece até que o cuidado dos apóstolos era extremo, poderia alguém comer algo proveniente de uma festa idólatra? Dentro dos rituais de adoração dos gentios, nos tempos bíblicos, eram distribuídas as pessoas, comidas que tinham sido postas em oferendas as imagens. Será que em nossos dias as nossas crianças não estão comendo as balas e doces no dia de Cosme e Damião? Ou que ainda nas quermesses onde se homenageiam os santos de uma determinada igreja, alguns comem aquelas comidas oferecidas aos chamados “santos”. O alerta é, Deus não divide espaço, nenhum um centímetro sequer.



5 – Vida com Cristo.


Depois de orientação dos apóstolos sobre a questão das carnes oferecidas aos ídolos, é levantado outro ponto importante relacionado ao costumes praticados pelos gentios. Não é raro em nossos dias encontramos pessoas adeptas a comerem carne sufocada ou feita com o sangue do próprio animal, a bíblia condena esta pratica (Gn 9.4, Dt 12.23, Lv 17.14). Os apóstolos queriam que os gentios fossem orientados sobre este preceito divino, onde a vida decorre do sangue e de maneira nenhuma poderia ser consumido.


Outro elemento relacionado no verso 29 é a prostituição, que naquele período, como nos dias atuais, tem sufocado a igreja. Os relacionamentos ilícitos dos quais são citados pelos apóstolos é a pratica sexual que é contraria a vontade divina. Trazendo esta questão para igreja pós-moderna verificamos que a atualidade deste ensino é realmente importante (Rm 1.26,27). Vivemos em meio a uma geração corrupta e sem moral, onde a liberdade se contradiz aos bons costumes, onde o certo se tornou errado, e o errado é amparado inclusive pelas leis humanas (II Tm 4.3).


Conclusão


O concílio em Jerusalém marcou a história da igreja, abrindo o caminho para que as questões nocivas ao reino de Deus fossem reparadas. Devemos estar atentos às transformações políticas e sociais que estão ocorrendo no mundo. E estas mudanças não podem afetar a igreja de nosso SENHOR Jesus Cristo. Fomos salvos pela graça de nosso SENHOR e salvador Jesus Cristo, por isso devemos estar sempre vigiando e orando para não cair em tentação ( Mt 26.41).


Elaboração pelo:- Evang. Juarez Alves
Assembléia de Deus Ministério Belém
Congregação Parque Nova Dourado.

1 de março de 2011

O Evangelho propaga-se entre os Gentios

O Evangelho propaga-se entre os Gentios


Texto Áureo = “E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios.” At 10.45.


Introdução:


Na Lição de numero 8, Com a morte de Estevão, houve uma porta aberta para a propagação do Evangelho, mesmo que ainda os “cristãos” que só foram chamados assim no capitulo 11.26 em Antioquia, não entenderam que foram chamados para pregar o evangelho em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os Confins da terra. Em seguida com a Salvação de Saulo de Tarso na lição de numero 9, Deus abre de vez as portas para o Evangelho aos Gentios, pois até então só existia dois povos: Judeus e Gentios, vindo agora com a vinda de Jesus, desenrolar o mistério de um terceiro povo a Igreja, formada de Judeus e Gentios convertidos ao Cristianismo. Nesta Lição veremos o Evangelho propagar-se entre os Gentios tendo como figuras principais: Pedro e Paulo.


I. Os Gentios no Antigo Testamento.


Gentio: Todo aquele nascido fora da comunidade de Israel, e estranho às alianças que o Senhor Deus estabeleceu com o seu povo. Sob este prisma, até mesmo os hebreus incrédulos são tidos como gentios, e os gentios convertidos podem ser considerados hebreus. Porque, conforme explicou Paulo, judeu é o que aceita os termos dos concertos propostos por Deus (Rm 2.29).


1 – Um novo começo com Noé. Por causa da grande maldade dos homens (Gn 6.5,11) Deus resolveu destruir todos os seres vivos(6.13), exceto o Justo Noé e sua família (6.9,18). Quando Noé e sua família saíram da arca após um ano e dez dias, ele construiu um altar e ofereceu sacrifícios a Deus (8.14-20) Deus abençoou Noé e sua família (9.1) Por intermédio dos filhos de Noé, Sem, Cam e Jafé vieram às nações com suas respectivas geografias. Infelizmente, a humanidade porfiou em desobedecer a Deus (Gn 11.1-9). Foi aí que em meio a essa decadência moral, Deus santifica um descendente de Sem, Abraão, para que dele uma nova nação fosse formada (Gn12.1-3).


2 – A exclusividade dos descendentes de Abraão. Ao chamar Abraão, o Senhor dá início à história de Israel (Gn 12.1-3). Seu propósito à nação Judaica era torná-la uma propriedade peculiar, um reino sacerdotal e um povo Santo. “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Ex. 19.5,6). Estava formado o início do povo Judeu.


Obs: Muitas coisas ainda estavam para acontecer, pois para que este povo fosse exclusivo precisava de um preparo especial, que só Deus sabe o padrão que eles deveriam alcançar por isso a provação no deserto que foi uma verdadeira escola para o povo, o cativeiro etc. A partir de então todas as demais nações passaram a ser conhecidas como Gentios.


II – Os Gentios em o Novo Testamento.


Deus ao escolher um povo para que seja modelo para as demais nações, não estava amando mais uma do que a outra, pelo contrário com esse gesto estava dizendo que a Salvação vinha dos Judeus, mas que não estava restrita a este povo, conforme Jo 3.16. Quando lemos Jo 1.11 e 12 vemos: “Veio para o que era seu, e os seus (judeus) não o receberam. Mas, a todos (Gentios e Judeus) quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus (igreja), aos que crêem no seu nome.



1. Nos Evangelhos.


Há varias referencias aos gentios (Mt 6.7, 32) “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos”. “(Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas” (Mc 10.33) “Dizendo: Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios”. Não eram vistos como boas companhias, mas como impuros, indignos, pecadores por isso os escribas e fariseus fecharam o coração para a mensagem de Jesus. (Mc 2.16) “E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores”?


2. Nos Atos dos Apóstolos.


“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”.(At 1.8). Este versículo estabelece a obrigatoriedade de se pregar aos judeus (Jerusalém), mas não ficar restrito a eles, mas ir além das fronteiras de Israel, a todas as gentes (mundo). Só após a conversão de Paulo, é que se declara aberta e enfaticamente a evangelização das nações. (At 13.44-48) “E no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus. Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava.


Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios. Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, A fim de que sejas para salvação até os confins da terra. E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna”. Havia ainda uma resistência por parte dos apóstolos em expandir o evangelho aos Gentios, porém as portas foram abertas para quebrar essa barreira, quando o Evangelho chegou a casa de Cornélio e ele e toda a sua família, receberam o batismo com o Espírito Santo. Pedro e os demais apóstolos convenceram-se de que Deus concedera a Salvação aos Gentios.


Em Atos 8.26-40 Filipe não restringiu-se apenas a Samaria, mas impulsionado pelo Espírito Santo foi até uma estrada no deserto, onde encontrou um etíope que voltava para casa depois de visitar Jerusalém. Filipe teve a oportunidade de explicar-lhe um texto bíblico, testemunhou-lhe de Jesus e batizou-o. A Etiópia fica no continente Africano, muito longe de Jerusalém, mas já tinha um salvo naquele continente. Glória a Deus.


3. Missão e Salvação entre os Gentios.


Se Pedro, com o evangelho da circuncisão (Diz respeito aos Judeus, Aliança feita com Abraão, através do qual o individuo fica apto a fazer parte do povo de Deus), é proeminente nos capítulos de 1 a 12 de Atos, nos capítulos de 13 a 28, destaca-se Paulo com o evangelho da incircuncisão (Diz respeito aos Gentios). O Apóstolo Paulo em seus ensinamentos mostrou que a verdadeira circuncisão não é a externa. Mas a que se pratica no coração (Cl 2.11). Advém esta do verdadeiro arrependimento e da verdadeira fé nos desígnios de Deus. Trata-se porém de um só evangelho – o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Paulo convicto de sua chamada missionária aos Gentios, pregava com ânimo e determinação, não foram poucos os gentios que se converteram ao Senhor e de bom grado ouviram a exposição da graça divina.


III – Judeus e Gentios unidos por Deus mediante a Crusz.


1. A Igreja de Deus.


Essa expressão que Pedro usa “[...] Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome” At 15.14. é muito importante, pois está implícita que Deus tirará dentre os povos um povo seu, zeloso e de boas obras, isso aplica-se também aos Judeus. O assunto principal do capítulo 15 é justamente sobre gentios na igreja. Alguns “judaizantes” que Paulo assim os chamou pois queriam que os gentios que se convertiam ao evangelho de Jesus, cumprisse com toda a lei. Aí entra Pedro com seu Testemunho que foi decisivo para a liberdade do Evangelho entre os Gentios. Tiago o irmão de Jesus e líder da igreja em Jerusalém, ficou com a última palavra. Em termos teológicos, os gentios não seriam impedidos de se tornar cristãos; não se exigiria deles que se submetessem à circuncisão.
De ambos os povos Judeus e Gentios, Deus fez um só povo, derribando a parede de separação que estava no meio, e, pela cruz, reconciliou ambos com Deus em um corpo (Ef 2. 14-16).


A Unidade cristã


A unidade cristã está fundamentada no compromisso de cada cristão com o único Deus. A submissão conjunta a ele resultará em uma igreja unida em adoração, comunhão e serviço. O evangelho de João lembra a igreja de que a unidade era o propósito do Senhor para os seus seguidores (Jô 17.20-23). A oração de Jesus para cada geração de crentes foi “que todos sejam um”(Jo 17.21). Judeus e gentios. Essa unidade mútua deriva da unidade conjunta com o Pai e o filho.


2. Expansão da Igreja entre os Gentios.


Através de suas viagens missionárias, Paulo propagou o evangelho entre os povos e culturas conhecidos naqueles dias (Rm 15.19,20). Em várias regiões, estabeleceu ele igrejas constituídas notadamente por gentios (Rm 16.4).
No Tempo de Paulo, a evangelização tomou um impulso muito grande, no entanto hoje é onde estão os países que mais precisão de ouvir o evangelho, na chamada Janela 10x40.

A presente situação do cristianismo, das religiões mundiais e da evangelização mundial


No final do século xix e início do xx, muitos líderes de missões sentiram que religiões falsas enfraqueceriam gradualmente ou até morreriam devido ao impacto do cristianismo e da cultura ocidental.

1) no século xx, o cristianismo tornou-se a primeira religião universal, no sentido de possuir representantes em todas as partes do mundo e em quase todas as nações.


2) ainda que a vasta maioria dos cristãos professos estivesse no mundo ocidental no início do século xx, essa situação mudou de maneira expressiva.
3) as igrejas do mundo não-ocidental têm-se envolvido cada vez mais em missões transculturais nas últimas duas décadas.


4) se definirmos “evangelizados” como as pessoas que ouviram um anúncio inteligível do evangelho, a porcentagem da população mundial já evangelizada subiu de um pouco mais de 50% em 1900 para cerca de 75% hoje.



Conclusão.



Durante o ministério do Apóstolo Paulo, este homem dedicou sua vida ao evangelho de Jesus Cristo, conforme suas palavras: "Fiz-me como de fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns." (I Coríntios 9 : 22). Verdadeiramente ele abraçou a causa do evangelho, Glória a Deus que o evangelho chegou até a nós, pois esse homem dedicou toda a sua vida para levar o evangelho aos Gentios.


Hoje o maior desafio da igreja, é claro que é levar o evangelho a toda criatura, conforme a grande comissão. No entanto outra cousa mim preocupa é o versículo que está escrito em Romanos: "Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?" (Romanos 10 : 14) e em Isaías: "Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim." (Isaías 6 : 8). É muito bonito criar slogans, “Missões está no Coração de Deus”, mas o que temos feito para mudar a situação do mundo? Como estamos influenciando esta geração.

Que o Senhor Jesus, use de misericórdia para com nosco. Um abraço de seu irmão em Cristo Pb Josenildo Cardoso.

Bibliografia:
Manual bíblico Vida Nova.


Elaboração por:- Pb. Josenildo Cardoso Cavalcante


28 de fevereiro de 2011

LIÇÕES BIBLICAS SEGUNDO TRIMESTRE DE 2011

LIÇÕES BIBLICAS segundo trimestre de 2011


MOVIMENTO PENTECOSTAL AS DOUTRINAS DA NOSSA FÉ


Comentarista = ELIENAI CABRAL


01 – QUEM É O ESPIRITO SANTO

02 – NOME, SIMBOLO, DO ESPIRITO SANTO

03 – O QUE É O BATISMO NO ESPIRITO SANTO

04 – ESPIRITO SANTO AGENTE CAPACITADOR DA OBRA DEUS

05 – A IMPIORTÂNCIA DOS DONS ESPIRITUAIS

06 – DONS ESPIRITUAIS QUE MANIFESTAM A

SABEDORIA DE DEUS

07 – OS DONS DE PODER

08 – O GENUINO CULTO PENTECOSTAL

09 – A PUREZA DO MOVIMENTO PENTECOSTAL

10 – ASSEMBLÉIA DE DEUS, CEM ANOS DE PENTECOSTE

COMENTARISTA DESSA LIÇÃO:- PR. ANTONIO GILBERTO E PR. ISAEL DE ARAUJO

11 – UMA IGREJA AUTENTICAMENTE PENTECOSTAL

12 – CONSERVANDO A PUREZA DA DOUTRINA PENTECOSTAL

13 – AVIVA O SENHOR A TUA OBRA.


ESTAREMOS ESTUDANDO NESSE SEGUNDO TRIMESTRE DE 2011 COM UM ESTUDO MARAVILHOSO SOBRE O MOVIMENTO PENTECOSTAL

QUE POSSAMOS FAZER UM BOM APROVEITAMENTO DESSES ESTUDOS

A TODOS UMA BOA AULA.

QUE O ESPÍRITO SANTO VOS ABENÇOE