14 de dezembro de 2011

AS CONSEQUÊNCIAS DO JUGO DESIGUAL


AS CONSEQUÊNCIAS DO JUGO DESIGUAL

TEXTO ÁUREO = “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Co 6.14).


VERDADE PRÁTICA = O casamento não é um mero contrato social, mas uma instituição divina que tem de ser levada a sério e firmada de acordo com a vontade de Deus.


LEITURA BIBLICA = Neemias 13: 23-29


INTRODUÇÃO


OS PERIGOS DO CASAMENTO MISTO


Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? (2 Co 6.14)

O cristão deve ser santo no namoro, no noivado e no casamento. Ao lermos o trecho citado anteriormente, percebemos que o jugo desigual é prova de infidelidade ao Senhor. No tempo de Neemias, o povo pecava indiscriminadamente, e muitos se aparentaram com pessoas que pertenciam aos povos rejeitados por Deus.

Quando o povo de Deus torna-se obstinado no caminho da desobediência à sua Palavra, corre o risco de ser castigado pelo Senhor com terríveis punições. Israel, em sua jornada em direção a Canaã, agiu de modo pecaminoso em várias ocasiões. E Deus disse a Moisés: “Tenho visto a este povo, e eis que é povo obstinado” (Êx 32.9; Dt 9.13). Os cativeiros assírio e babilônico já haviam comprovado essa terrível constatação. Ao que parece, as bênçãos são esquecidas com facilidade e em pouco tempo, pois o povo tinha um certo fascínio pelo pecado.

A ausência de Neemias por um espaço de tempo fez surgir um vácuo na liderança do povo de Judá. Surgiram desmandos, desvios e pecados, e isso comprova a assertiva de que o povo precisa de uma liderança. Os líderes podem tirar férias, mas a liderança não. O estadista americano Thomas Jefferson disse: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. Neste comentário, vamos meditar no que ocorreu quando o líder se fez ausente.

Não foi por acaso que muitos israelitas se aparentaram com mulheres estranhas. A ausência de Neemias fez com que as pessoas sentissem falta de uma liderança. Pouco a pouco as transgressões à lei de Deus foram sendo cometidas, e não havia a figura do líder para alertá-los e tomar as providências necessárias quanto aos desvios de comportamento. A união ilícita entre os israelitas e os filhos dos estrangeiros foi um dos piores pecados cometido pelos habitantes de Canaã. O terrível problema só foi corrigido quando o líder voltou a dirigir e orientar o povo.


Novamente a Mistura com Povos Estranhos


Casamentos proibidos. Quando Deus tirou Israel do Egito, ordenou que ao chegarem à terra de Canaã não se misturassem com os povos estranhos por meio de casamentos mistos (Dt 7.1-4). No livro de Números vemos a determinação de Deus no caso específico das filhas de Zelofeade: “Esta é a palavra que o Senhor mandou acerca das filhas de Zelofeade, dizendo: Sejam por mulheres a quem bem parecer aos seus olhos, contanto que se casem na família da tribo de seu pai” (Nm 3 6.6).

Observemos que não só era proibido o casamento com pessoas de povos estranhos, mas também entre pessoas de tribos diferentes. E tudo isso por questões de herança. Cada tribo tinha o seu quinhão. Se alguém se casasse com pessoas de uma outra tribo, parte da herança iria para outro grupo por conta do matrimônio.

A proibição do casamento misto não fora revogada nem explícita nem tacitamente. Mas no tempo de Neemias, após a restauração dos muros e do próprio culto a Deus, novamente ele constatou que o povo desobedecera ao Senhor nesse aspecto. “Vi também, naqueles dias, judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas” (Ne 13.23).

Na dispensação da graça não há proibição de caráter racial ou nacional no que concerne ao casamento. Diz Paulo: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gi 3.28). Mas há proibição para o envolvimento sentimental, emocional ou fisico entre salvos em Cristo e pessoas descrentes. “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?”
(2 Co 6.14,15).



Casamento com amonitas e moabitas. Quem eram as amonitas? Eram as descendentes do relacionamento incestuoso entre a filha mais nova de Ló com seu pai quando escaparam de Sodoma e Gomorra. Ló se deixou embriagar (Gn 19.35) e suas filhas tiveram relações sexuais com ele. Dessa união pecaminosa nasceu o filho mais novo de Ló, que tomou o nome de “Ben-Ami” e que pode ser traduzido como “filho de meu próprio pai”. A Bíblia declara: “E a menor também teve um filho e chamou o seu nome Ben-Ami; este é o pai dos filhos de Amom, até o dia de hoje” (Gn 19.38). Trata-se de uma origem espúria e contrária às determinações do Senhor (veja Gn 19.35-38).

Quem eram as moabitas? Tinham a mesma origem. A filha mais velha de Ló também aproveitou o estado de embriaguez de seu pai e coabitou com ele. Foi mãe do primeiro filho de Ló após ele escapar da catástrofe de Sodoma e Gomorra. “E conceberam as duas filhas de Ló de seu pai. E teve a primogênita um filho e chamou o seu nome Moabe; este é o pai dos moabitas, até ao dia de hoje” (Gn 19.36,37).

Uma das razões por que os filhos de Israel não podiam se casar com os amonitas e moabitas era pelo fato de serem “inimigos” de Israel. Quando os judeus se aproximaram de Canaã após a libertação do Egito, os amonitas e os amonitas aliaram-se aos povos adversários e, mais tarde, contribuíram para que Balaão amaldiçoasse o povo hebreu:

“Nenhum amonita ou moabita entrará na congregação do Senhor; nem ainda a sua décima geração entrará na congregação do Senhor, eternamente. Porquanto não saíram com pão e água a receber-vos no caminho, quando saíeis do Egito; e porquanto alugaram contra ti a Balaão, filho de Beor, de Petor, da Mesopotâmia, para te amaldiçoar” (Dt 23.3,4).

Este último fato foi gravíssimo, entretanto não conseguiram derrotar Israel amaldiçoando-o. Mas conseguiram induzi-los ao relacionamento com mulheres estranhas, causando grande prejuízo ao povo judeu. Não obstante a interdição de Deus à entrada dos moabitas ao lugar sagrado do Templo, Ele abriu uma porta para que uma moabita fizesse parte da genealogia de Jesus.

Isso foi algo de valor inestimável e que excede à lógica e à compreensão humana. Rute, uma jovem senhora, viúva, acompanha sua sogra, Noemi, também viúva, no retomo a Israel. Parecia que a vida, na visão simplista, não sorrira para elas. O que duas viúvas fariam no meio do povo de Israel? Contudo, Deus não escreve certo por linhas tortas, como diz o ditado popular. Deus escreve certo, no lugar certo e no tempo certo na vida de cada pessoa.

Numa verdadeira e linda história de amor, Rute, a moabita, casa-se com Boaz, um autêntico líder e servo de Deus. Contrariando todas as expectativas, Rute dá à luz Obede, que foi pai de Jessé e avô de Davi, de cuja linhagem nasceu Jesus, o Salvador do mundo (veja Rt 4.13-20)!

As Consequências sobre os Filhos


A família prejudicada pela mistura. Na maioria dos casos em que os pais se desviam dos caminhos do Senhor e se misturam com pessoas que não professam a mesma fé, ocorrem sérios prejuízos para toda a família. No caso dos judeus que se casaram com moabitas, amonitas e asdoditas, houve graves consequências sobre a vida familiar. “E seus filhos falavam meio asdodita e não podiam falar judaico, senão segundo a língua de cada povo” (Ne 13.24).
Nesta referência, há um destaque para a influência cultural das mulheres asdoditas, sobretudo na linguagem dos filhos dos judeus. Eles não falavam mais a linguagem de seus ancestrais. Naturalmente, os costumes dos asdoditas contaminaram a vida espiritual e social dos judeus.


A causa da proibição do casamento misto. Dentre os mandamentos, os estatutos e ordenanças determinados por Deus ao povo de Israel quando entraram na terra de Canaã, estava a solene e incisiva proibição de união entre os filhos de Israel e aquelas gentes. O Senhor disse: “... não farás com elas concerto, nem terás piedade delas; nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos e não tomarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós e depressa vos consumiria” (Dt 7.2-4 — grifo nosso).
O texto citado declara que, ao se envolverem com estrangeiros, os israelitas correriam o risco de sofrer as consequências de sua escolha, pois a “ira do Senhor viria sobre eles”.

Conhecemos jovens, filhas de pais evangélicos dedicados ao Senhor, que se deixaram levar pela sedução de rapazes incrédulos. Algumas apostataram da fé, ou seja, deixaram de servir a Deus para viver com o esposo. Infelizmente, há uma tendência sempre mais forte de o descrente fazer o crente se desviar.


O zelo irado do líder. Neemias governou Jerusalém durante 12 anos (444-432 a.C.), e após a inauguração dos muros e a festa de sua dedicação, resolveu voltar à corte do rei, que era seu monarca e amigo. Deixou Jerusalém sob a responsabilidade da liderança administrativa e sacerdotal. Depois de doze anos, retornou à sua terra. Tamanha foi a sua tristeza ao se deparar, a começar pelos líderes, o povo voltando às práticas que lhes causaram tanto mal.

Dentre muitas coisas, o que mais causou indignação em Neemias foi a união ilícita entre judeus e os amonitas, moabitas e asdoditas. Neemias sentiu uma grande repulsa ao se defrontar com a rebeldia do povo. “E contendi com eles, e os amaldiçoei, e espanquei alguns deles, e lhes arranquei os cabelos, e os fiz jurar por Deus, dizendo:
Não dareis mais vossas filhas a seus filhos e não tomareis mais suas filhas, nem para vossos filhos nem para vós mesmos” (Ne 13.25). Neemias sentiu-se tão insatisfeito com o cenário que avistou que agiu de maneira inconsequente. Talvez, se isso acontecesse nos dias atuais, ele responderia a um processo.

Porventura, não está registrada na Bíblia a reação de Jesus quando, ao adentrar ao Templo, em Jerusalém, observou o mercantilismo e a profanação do lugar sagrado? O que Ele fez? “E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.

E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração. Mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” (Mt 2 1.12,13). Até o meigo Nazareno reagiu com excesso de rigor contra os que queriam fazer da casa de Deus “covil de ladrões!”

Em muitos lugares, a “feira-livre” da fé é totalmente permitida por pastores ou líderes descuidados. Essa “feira-livre” ou esse “supermercado” da fé não está ao lado do templo ou em suas cercanias. É razoável que, em grandes eventos, empresários ou comerciantes cristãos exponham seus produtos. Contudo, o pior mercantilismo é aquele que ocupa o púlpito, realizado por “preletores” famosos ou “cantores celebridades”. Estes manipulam a mente das pessoas incautas e levam-nas ao delírio dizendo estar vendo “nuvens de glória” e “anjos voando” pela igreja. Depois de toda a “preparação e indução psicológica”, o clima está pronto para a “investida final”. Chega o momento da “colheita”, O povo é induzido a ofertar “tudo” para a “obra missionária do famoso pregador ou cantor-sumidade.

Além dos “cachês”, exigidos antecipadamente, o povo é levado a entregar cheques, dinheiro, jóias, relógios, alianças de casamento (o que é um acinte), e o “grande homem” sai com os bolsos ou a mala recheada com o dinheiro dos ofertantes! De quem é a responsabilidade? Neemias responde: dos líderes que são ludibriados pelos empreiteiros do mercado evangélico. Como Jesus reagiria ante a calamidade moral que tem se abatido sobre tantas igrejas?


Inimigos, sempre inimigos. Quem eram as asdoditas? Eram habitantes da cidade de Asdode, uma das cinco grandes cidades dos filisteus (1 Sm 6.17). No período do Novo Testamento, chamou-se Azoto, onde Filipe batizou o eunuco da Etiópia.1 Era uma cidade idólatra, sede do culto ao deus Dagom (1 Sm 5.1-5).

Nela o Deus de Israel pesou sua mão sobre seu povo e sobre seu Deus, quando, em guerra contra os judeus, os derrotaram e levaram a arca da aliança, símbolo maior da presença do Senhor entre seu povo. Pela desobediência, Israel foi fragorosamente derrotado, e a arca, levada com júbilo à casa do deus Dagom.
Mas sua alegria durou muito pouco. Na manhã seguinte, a estátua de Dagom jazia caída diante da arca do Senhor. Posta em seu lugar, os seus adoradores viram, no outro dia, que Dagom estava sem cabeça e sem mãos. Era o claro sinal de que Jeová, o Todo-Poderoso não dá o seu lugar a nenhum falso deus! Durante o tempo em que a arca permaneceu em Asdode, houve grandes pragas e enfermidades sobre seu povo como juízos de Deus (1 Sm 5.6-12).

Por ocasião do recomeço da restauração dos muros de Jerusalém, lá estavam os asdoditas dando apoio aos cabeças da perseguição ao povo de Deus. “E sucedeu que, ouvindo Sambalate, e Tobias, e os arábios, e os amonitas, e os asdoditas que tanto ia crescendo a reparação dos muros de Jerusalém, que já as roturas se começavam a tapar, iraram-se sobremodo” (Ne 4.7).
Lá estavam eles, sempre perseguindo e fazendo oposição para derribar a autoridade dos homens de Deus chamados para liderar seu povo. Em geral, inimigos são sempre inimigos.


Conseqüências na Vida Espiritual (Ele já Falou sobre isso)


Desvio da vontade de Deus. A união mista é pecado, pois é desobediência a Deus. “Porventura, não pecou nisso Salomão, rei de Israel, não havendo entre muitas nações rei semelhante a ele, e sendo amado de seu Deus, e pondo-o Deus rei sobre todo o Israel? E, contudo, as mulheres estranhas o fizeram pecar” (Ne 13.26). A determinação de Deus contra o casamento misto já era bem conhecida entre os hebreus. Quando da preparação para a entrada em Canaã, Deus disse: “... não darás tuas filhas a seus filhos e não tornarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós e depressa vos consumiria” (Dt 7.3,4
— grifo nosso).

Não há a menor dúvida quanto às consequências do casamento misto na vida espiritual. Casamento é comunhão, união de interesses comuns, parceria e cumplicidade.


Perversão espiritual. Salomão é o exemplo mais patente das consequências da união mista. Ao que parece, ele “enlouqueceu” espiritualmente. Em um acesso de soberba e vaidade, resolveu mostrar ao mundo que era um rei muito poderoso e moderno para a sua época. Diz a Bíblia: “E o rei Salomão amou muitas mulheres estranhas, e isso além da filha de Faraó, moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e heteias das nações de que o Senhor tinha dito aos filhos de Israel: Não entrareis a elas, e elas não entrarão a vós; de outra maneira, perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor” (1 Rs 11.1,2).

Seu pai, Davi, foi moderado em reunir belas mulheres em torno de si, mas mesmo assim cometeu o terrível pecado de adulterar com a mulher de um dos seus mais fiéis generais que lutavam pelo seu reino. E, como se não bastasse esse pecado, ainda mandou matar o esposo traído cometendo um crime hediondo. Confessou o seu pecado e escapou da morte, mas não escapou das terríveis consequências que sobrevieram sobre o seu reino.

Salomão, certamente, sabia da experiência negativa de seu próprio pai, contudo não se manteve fiel a Deus nesse aspecto. Muito pelo contrário, ultrapassou todos os limites do bom senso e do respeito às determinações de seu Deus. O resultado foi o pecado, o desvio e a perversão: “E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o Senhor, seu Deus, como o coração de Davi, seu pai” (1 Rs 11.3,4).
Esse comportamento foi muito prejudicial à vida espiritual de Salomão e da própria nação israelita, que viu seu rei unir-se a mulheres idólatras.


Idolatria. Salomão, além de desobedecer a Deus, acompanhava suas mulheres ao culto no altar dos deuses estranhos. “E Salomão andou em seguimento de Astarote, deusa dos sidônios, e em seguimento de Milcom, a abominação dos amonitas” (1 Rs 11.5). Construiu altares aos deuses de suas mulheres por solicitação delas (1 Rs 1 1.6-8). Não podemos afirmar isso, mas o texto bíblico que relata a perversão de Salomão nos faz pensar que ele morreu desviado.
Sabemos que quando o crente em Jesus desobedece à sua Palavra e une-se a pessoas incrédulas, despreza a Deus e coloca o parceiro em primeiro lugar em seu coração. Isso é idolatria. Qualquer pessoa ou coisa que é colocada acima de Deus no coração é considerado um ídolo. Neemias não contemporizou com a desobediência. Contendeu com os transgressores usando palavras muito duras contra o cinismo de seus compatriotas. “E dar-vos-íamos nós ouvidos, para fazermos todo este grande mal, prevaricando contra o nosso Deus, casando com mulheres estranhas?” (Ne 13.26,27)


Desvalorizando o Sacerdócio


O genro de Sambalate. “Também um dos filhos de Joiada, filho de Eliasibe, o sumo sacerdote, era genro de Sambalate, o horonita, pelo que o afugentei de mim” (Ne 13.28). Podemos imaginar a que ponto chegara o desrespeito à lei de Deus quando um dos filhos do sumo sacerdote se casou com uma filha de Sambalate, o líder dos inimigos da restauração dos muros de Jerusalém. Neemias o afugentou de perto de si. Não queria ter comunhão com o filho do sacerdote que se aparentara com um dos maiores inimigos da sua nação. Isso fora o cúmulo da desvalorização da linhagem sacerdotal.

O sacerdócio contaminado. A união mista proibida por Deus prejudicou a pureza necessária para os que desejavam pertencer ao grupo sacerdotal. Neemias orou pedindo a intervenção de Deus sobre tamanho desrespeito à unção que deveria marcar todos aqueles que foram chamados para o ministério sacerdotal. “Lembra-te deles, Deus meu, pois contaminaram o sacerdócio, como também o concerto do sacerdócio e dos levitas” (Ne 13.29).


A Restauração do Sacerdócio


A limpeza necessária. Ao retornar a Jerusalém, Neemias adotou algumas medidas na administração do sacerdócio. Ele sabia que jamais o povo teria a bênção de Deus se convivesse com pessoas que não tinham aliança com Deus. Em razão disso, adotou medidas antipáticas e impopulares. Sentiu o que o salmista sentiu tempos depois: “Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim” (Si 69.9). A atitude de Neemias deve ter desagradado a muitas pessoas, mas destituiu das funções ministeriais e administrativas “todos os estranhos”.

Quem sabe não foi muito doloroso para ele e para as famílias dos demitidos, contudo Neemias foi um líder consciente de sua missão. Não fora chamado para agradar aos homens, mas para liderar o povo na obediência ao seu Deus. Pagou um preço alto, sem dúvida, mas foi fiel ao Senhor. Hoje, há líderes que, buscando os aplausos de muitos, numa visão de política eclesiástica, deixam de tomar medidas saneadoras no ministério.


As funções restauradas. Com a destituição dos indevidos ocupantes dos cargos na casa do Senhor, Neemias ficou livre para designar os ocupantes legítimos para as funções sacerdotais e administrativas. Para tal, teria que recrutar homens fiéis e idôneos (2 Tm 2.2). “Assim, os alimpei de todos os estranhos e designei os cargos dos sacerdotes e dos levitas, cada um na sua obra” (Ne 13.30). Funções de menor importância hierárquica também foram restauradas. Ele designou pessoas de confiança para o serviço logístico de providenciar as ofertas da lenha “para as primícias” (Ne 13.31). Seu estado de espírito provavelmente estava tão angustiado diante das medidas drásticas que teve que tomar que orou a Deus: “Lembra-te de mim, Deus meu, para o bem” (Ne 13.3l b).

O povo de Deus precisa ser santo. Isso é determinação divina: “Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 20.7). Essa separação decorre do processo da santificação. A igreja do Senhor é formada por “... um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2. 14). Israel fora chamado para ser um “reino sacerdotal”, e não poderia contaminar-se por meio de uniões matrimoniais proibidas por Deus.
“Porque és povo santo ao Senhor, teu Deus, e o Senhor te escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhes seres o seu povo próprio” (Dt 14.2). A igreja de Cristo deve ser formada por pessoas santas (1 Pe 1.15).



Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


BIBLIOGRAFIA

Livro de Neemias – Integridade e Coragem em Tempo de Crise – Elinaldo Renovato

7 de dezembro de 2011

O DIA DE ADORAÇÃO E SERVIÇO A DEUS


O DIA DE ADORAÇÃO E SERVIÇO A DEUS

TEXTO ÁUREO = “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia mediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite”(At 20.7 - ARA).

VERDADE PRÁTICA =  “O domingo, como dia de adoração e serviço, é o referencial mínimo que o crente deve consagrar ao Senhor”

LEITURA BIBLICA = Neemias 13: 1-,17 = Atos 20: 7-12

INTRODUÇÃO

O SIGNIFICADODO DIA DE DESCANSO

 “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados, porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor que vos santifica” (Êx3l.l3.

O cristão não deve ser legalista, mas deve cumprir a lei de acordo com os ensinamentos doutrinários de Cristo Jesus. Depois de tantos séculos de ensino bíblico e teológico Acerca do cumprimento da lei de Deus ou da Lei de Moisés, ainda há muitos crentes que misturam as práticas do Antigo Testamento com os ensinamentos de Jesus Cristo nos Evangelhos no que diz respeito ao cumprimento da antiga aliança ou do antigo pacto. Nesta lição, desejamos aproveitar o relato bíblico de Neemias quanto ao seu zelo pela guarda do sábado, e isso com o objetivo de contribuir para o esclarecimento sobre o posicionamento do cristão acerca do cumprimento dos preceitos legais do Antigo Testamento.

É impressionante como tantos evangélicos têm um fascínio pelas prátícas dos judeus no Antigo Testamento. Acompanhei pela internet, numa determinada igreja tradicional, uma celebração em volta de uma cópia da arca da aliança, as pessoas durante o culto faziam até mesmo o uso do Kipá, uma espécie dc chapéu usado pelos judeus ortodoxos. Segundo a pastora que ministrava a celebração, ao tocarem naquela “arca” as pessoas tocariam a shekirnh de Deus. Em pleno século 21, certamente às vésperas da volta de Cristo, ainda existem grupos de crentes que desejam restaurar os rituais do povo judeu.

Chegou ao nosso conhecimento que na Colômbia e em outros países da América do Sul muitos evangélicos que se converteram ao judaísmo. As orações feitas por esses grupos são em hebraico, os cânticos são extraídos dos hinários israelitas, e os pastores trajam-se como sacerdotes hebreus. O candelabro, a arca, o shophar e outros utensílios, próprios do culto judaico, são usados em igrejas evangélicas.


Se isso não bastasse, alguns desses grupos afirmam categoricamente que Jesus Cristo não é o Messias prometido. Segundo eles, Jesus foi apenas um judeu, um rabi, que trouxe uma grande mensagem, mas que morreu. O verdadeiro Messias ainda virá!

Certamente, desprezam ensinos bíblicos que dizem: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.16,17 - grifo nosso). De fato, todos os utensílios do Tabernáculo, o material e todo o culto na antiga aliança eram “sombras das coisas futuras” que haveriam de tornar-se realidade em Cristo Jesus. Há igrejas que fazem réplicas do Templo em Jerusalém com o intuito de atrair pessoas para seu ambiente. Qual o objetivo? Espiritual? Promocional? Turístico? A “entrada” é gratuita ou paga?

Entendemos que o cristão não deve apegar-se a rituais antigos que já tiveram seu papel, de modo especial para o povo judeu. Jesus Cristo cumpriu toda a lei e foi o único que fez isso integralmente. Ninguém cumpriu no antigo pacto e jamais a cumprirá no Novo Testamento com as práticas judaizantes. Se alguém deseja cumprir toda a lei, é importante prestar atenção ao que Jesus disse: que o maior mandamento é amar a Deus acima de tudo, e o segundo, semelhante a esse, é amar ao próximo como a si mesmo, e concluiu: “Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt 22.40). Paulo, interpretando o Evangelho, assevera: “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5.14).

O Descumprimento da Lei Mosaica

O desrespeito à guarda do sábado. Neemias era um fiel cumpridor da lei de Deus ou do Decálogo. Como judeu verdadeiro, sabia o que significava desrespeitar os mandamentos e os juízos estabelecidos por Deus. Cumprir a lei não era opcional, era questão sagrada. Era prova da fidelidade ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó. A guarda do sábado era um ritual que se repetia a cada final de semana e que fora repassado às gerações. Seu desrespeito equivalia a atrair maldição sobre toda a nação.

Neemias sabia o que Deus falara a seu povo: “Mas, se me não ouvirdes, e não fizerdes todos estes mandamentos, e se rejeitardes os meus estatutos, e a vossa alma se enfadar dos meus juízos, não cumprindo todos os meus mandamentos, para invalidar o meu concerto, então, eu também vos farei isto: porei sobre vós terror, a tísica e a febre ardente, que consumam os olhos e atormentem a alma; e semeareiS debalde a vossa semente, e os vossos inimigos a comerão”
(Lv 26.14-16).

Neemias constata a desobediência. Em sua segunda administração, como governador de Judá, Neemias viu de perto como a liderança que ficara em seu lugar tinha contribuído para o desvio do povo no cumprimento da lei.
“Naqueles dias, vi em Judá os que pisavam lagares ao sábado e traziam feixes que carregavam sobre os jumentos; como também vinho, uvas e figos e toda casta de cargas, que traziam a Jerusalém no dia de sábado; e protestei contra eles no dia em que vendiam mantimentos” (Ne 13.15).

Os protagonistas dessa falta de respeito foram principalmente os comerciantes. Eram os vendedores de vinho que pisavam uvas nos lagares no dia de descanso, agricultores que produziam figos e uvas. Eles sabiam que estavam desrespeitando a lei, mas não se preocupavam com isso.

O protesto de Neemias. Ele não era um líder pusilânime, não deixava para depois as providências que as situações reclamavam. Sendo assim, dirigiu-se aos transgressores e fez o seu protesto de modo claro e decidido: “...e protestei contra eles no dia em que vendiam mantimentos” (Ne 13.15c).

Aproveitou a ocasião e pegou os transgressores em flagrante desrespeito à lei. O Senhor não quer que seu povo fique sem advertência quanto aos erros que poderiam ser cometidos. “Ó Jerusalém Sobre os teus muros pus guardas, que todo o dia e toda a noite se não calarão; ó vós que fazeis menção do Senhor, não haja silêncio em vós” (Is 62.6).

Há muitas pessoas vivendo em pecado por falta de advertência, e muitos líderes estão comungando com os erros cometidos pelos crentes e até por obreiros que são responsáveis pelo ministério na casa do Senhor. A omissão em protestar contra o pecado é cumplicidade com o mal. O obreiro deve ser um atalaia que chama atenção no tempo certo antes que o mal caia como um laço sobre o povo de Deus.

Diz a Bíblia: “Filho do homem, fala aos filhos do teu povo e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra e o povo da terra tomar um homem dos seus termos e o constituir por seu atalaia; e, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo; se aquele que ouvir o som da trombeta não se der por avisado, e vier a espada e o tomar, o seu sangue será sobre a sua cabeça” (Ez 33.2-4). Neemias foi o atalaia que não se omitiu de alertar o povo para o perigo ao redor.

Quem Tem a Obrigação de Guardar o Sábado

Neste tópico, referimo-nos à guarda estrita do sábado e à sua observância como preceito legal no mesmo nível da guarda dos outros mandamentos do Decálogo.
Um “sinal” entre Deus e o povo de Israel. “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados, porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica” (Êx 3 1.13-- grifo nosso). Como podemos observar, no texto citado, a guarda do sábado como preceito legal e prático era um sinal entre Deus, Jeová, e o povo de Israel: “isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações”.
A Bíblia não diz que é um “sinal” entre Deus e os brasileiros, os americanos, os africanos, etc. Não faz sentido a doutrina adventista de que quem deixar de guardar o sábado transgredirá a lei do Senhor.

Os judeus, no tempo de Neemias, tinham que observar o sábado. De certa forma, ele foi até moderado na aplicação das penalidades aos transgressores que profanaram o dia sagrado dos israelitas. Se quisesse, por estar imbuído da autoridade civil, poderia ter sentenciado os desobedientes à pena capital, mas limitou-se a repreendê-los e ameaçá-los.

Havia a pena de morte para quem não guardasse o sétimo dia. Quem profanasse o sábado deixando de observá-lo haveria de morrer: “qualquer que no dia do Senhor fizer obra, certamente morrerá” (Êx 3 1.15). Imaginemos se Deus exigisse a guarda do sábado nos nossos dias? Provavelmente a humanidade não mais existiria.

Obrigação específica e restrita a Israel. Quem deveria guardar o sábado ou quem deve guardá-lo em suas gerações? O texto fala por si: “Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo. Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre” (Êx 31.16). Não há necessidade do recurso da hermenêutica avançada para entender esse texto. A frase sublinhada é de uma clareza meridiana. A observância do sábado, em seu sentido legal, é um concerto perpétuo entre Deus e Israel.

Nenhuma outra nação no mundo tem esse concerto. O salmista recebeu essa visão: “Mostra a sua palavra a Jacó (Israel), os seus estatutos e os seus juízos, a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; e, quanto aos seus juízos, nenhuma os conhece. Louvai ao Senhor!” (Sl 147.19,20 — grifo nosso). O povo de Israel desobedeceu à lei do Senhor, inclusive, não guardando o sábado, por isso pagou um alto preço. Desgraças e tragédias se abateram sobre eles ao longo de sua história.

O cativeiro babilônico foi mais um dos terríveis juízos de Deus sobre a nação transgressora. Pela misericórdia de Deus, foram libertos após 70 anos de escravidão na Babilônia e puderam retornar a Jerusalém para a restauração da cidade. Não apenas pela inobservância do sábado, mas por muitas outras transgressões, tal como a adoração a deuses estranhos, a profanação do nome do Senhor e outros peca- dos contra a lei de Deus.

Devemos reconhecer o zelo dos adventistas na guarda do sábado ao longo dos séculos. Os mais zelosos sequer abrem suas empresas no dia do sábado. Enquanto isso, há crentes pentecostais que deixam de ir aos cultos, não abrindo mão sequer do domingo para ir a uma Escola Dominical.

 A Guarda do Sábado no Novo Testamento

A essência do dia de descanso. No Novo Testamento, devemos considerar que a guarda do sábado deve continuar, em sua essência, ou seja, a necessidade do descanso físico e mental, pelo menos um dia na semana, para que possamos ter uma qualidade de vida melhor, tanto no servir a Deus quanto na vida profissional, na vida familiar e no relacionamento com os outros.
Como Jesus cumpriu o sábado. Ele é Senhor do sábado. Jesus trabalhou no sábado pregando, curando e libertando os oprimidos. Passando pelas searas num sábado, foi censurado pelos fariseus porque seus discípulos colheram espigas para comer.

“Naquele tempo, passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comer. E os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado... Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa? Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo. Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do Homem até do sábado é Senhor” (Mt 12.1, 5-8; Lc 13.14; 14.3; J0 5.16; 9.14).

Como o cristão deve guardar o dia de descanso. Dizem alguns grupos adventistas que quem não guarda o sábado, mas o domingo terá a marca da Besta no governo do Anticristo. A guarda do sábado é o “selo de Deus”. Só se salva quem o guarda. Tal doutrina não tem base na Bíblia, mas na “visão” da senhora HeIlen White, líder adventista: Ela viu as tábuas da lei e o 4° mandamento com uma auréola de luz (Livro Dons Espirituais, p. 113). A partir daí entendeu que esse mandamento era o mais importante de todos. Desta forma, muitos cristãos ficam sem saber o que dizer a respeito de tais afirmações que soam ameaçadoras.

A seguir, temos algumas refutações com base na Palavra de Deus.

1) Somos salvos pela graça, e não por obras (Ef 2.8,9);

2) Se guardarmos uma parte da lei (Como no Antigo Testamento), temos que aplicar as penalidades a quem não a cumpre integralmente: a pena de morte (Êx 35.1,2; Lv 23.27-32). Os adventistas só poderiam fazer isso num governo teocrático, nunca em uma democracia ou outro regime em qualquer parte do mundo.

3) O sábado era parte do pacto de Deus com Israel, e não com todas as nações, como já foi observado neste estudo (Êx 20.8-11; Ez 20.10-13).

Dificuldades na guarda do sábado. Nos pólos da Terra, durante vários meses, o sol não se põe. Como guardar o sábado de pôr do sol a pôr do sol? Existe a questão dos fusos horários.
Quando no Brasil são doze horas do dia, no Japão e em países próximos já é meia noite. Quando é sábado aqui, naquele país já é domingo. Como guardar o mesmo sábado? Esse preceito legal tinha que ser observado em toda a nação.

Por que os Cristãos Observam o Descanso no Domingo?

O descanso semanal. Na questão do dia de descanso semanal, o que deve ser observado é a sétima parte do tempo e não o dia. Como a Lei de Moisés foi ultrapassada pela lei de Cristo, a guarda dos mandamentos de modo literal tornou-se legalismo sem amor. Converteu-se em radicalismo teológico ou em sectarismo perigoso. Se fosse seguida à risca, a pena de morte seria a tônica para grande parte da humanidade. Os cristãos guardam o domingo não porque seja um “dia santo”, mas por ter sido o mesmo valorizado no Novo Testamento, como podemos ver a seguir em diversas ocasiões.

a) Cristo ressuscitou num domingo (Mc 16.9);
b) Jesus apareceu 5 vezes num domingo e outra vez no no domingo seguinte (Lc 24.13; 33-36; Jo 20.13-19,26);

c) O Espírito Santo foi derramado num domingo (At 2.1-4);
d) Cristo se revelou a João num domingo (Ap 1.10) e a Santa Ceia, as pregações e as ofertas eram observadas no domingo (1 Co 16.1,2;At20.7).

A essência do sábado. O que se deve guardar é a essência do sábado: o descanso em um dia da semana em gratidão a Deus pela criação, pela vida, pelo trabalho, enfim, por tudo. Contudo, não existe obrigatoriedade da guarda de um dia fixo dc forma legalista sem amor. Jesus disse que seus seguidores (discípulos) seriam conhecidos pela prática do amor, e não pela guarda de qualquer dia (Jo 13.34,35).

No tempo de Neemias, os israelitas eram conhecidos como o povo que guardava o sétimo dia da semana, a tal ponto de sequer poder acender o fogão: “Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia de sábado” (Êx 35.3). Para os demais povos do mundo, seria esse um preceito absurdo. Mas, para os judeus, era norma bem conhecida e familiar. Como fariam os esquimós para aquecer suas casas no dia de sábado?

O cumprimento da lei é o amor. Paulo foi mais sintético e objetivo ao dizer: “Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.9,10 — grifo nosso).

O apóstolo acentua ainda: “se há algum outro mandamento”, não citado por ele incluindo o quarto mandamento, “tudo nesta palavra se resume: amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
Jesus dá a última palavra:  “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.34,35). Glória a Deus por isso!

Os judeus, sob a liderança de Neemias, tinham que observar todos os mandamentos, estatutos e juízos da lei mosaica. Pagaram um alto preço por desobedecer aos mandamentos. Contudo, nós não estamos debaixo da guarda literal de todos os preceitos da antiga aliança. Devemos observar os mandamentos como Cristo os observou, valorizando a essência e o aspecto espiritual. Cristo “o qual nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica” (2 Co 3.6).

A guarda do sábado é “concerto perpétuo” somente entre Deus e Israel. Contudo, precisamos valorizar o repouso ou o descanso a fim de que mantenhamos o corpo saudável para melhor servirmos a Deus. O nosso corpo é “templo do Espírito Santo” (1 Co 6.19).

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA
Livro de Neemias – Integridade e Coragem em Tempo de Crise – Elinaldo Renovato


29 de novembro de 2011

O EXERCÍCIO MINISTERIAL NA CASA DO SENHOR

O EXERCÍCIO MINISTERIAL NA CASA DO SENHOR – Ev. José Costa Junior


CONSIDERAÇÕES INICIAIS


             O assunto desta lição diz respeito ao exercício ministerial na casa do SENHOR. Para melhor ambientar os leitores desta preciosa lição, farei um breve resumo do que estamos tratando, para depois analisar versículo por versículo, utilizando-me, dentre outros, dos ricos comentários de William Kelly.


             Passados doze anos da permanência de Neemias em Jerusalém, este teve que retornar a Suzã por um breve espaço de tempo (433-430 a.C.), o repovoamento e a redistribuição de terras autorizados por Neemias foi realmente posto em prática. Essa pode ter sido a ocasião em que o sacerdote Eliasibe mudou-se para Jerusalém. Esse Eliasibe, segundo Fensham, não deve ser confundido com o sumo sacerdote Eliasibe, visto que este jamais seria identificado com alguém responsável pelos armazéns do templo (Ne 13;4). De qualquer forma, quando Neemias voltou de Susã para Jerusalém, encontrou Eliasibe na cidade e, para seu profundo desgosto, achou também Tobias, seu velho adversário. Tobias estava ligado, por laços familiares de casamento, a alguns dos líderes de Jerusalém (Ne 6;17,18), e de alguma forma conseguiu um acesso direto ao templo de DEUS, juntamente com todos que apoiavam sua causa. Neemias imediatamente mandou que Tobias fosse expulso das câmaras do templo e determinou que estas fossem purificadas.


             Não é possível determinar quais foram os negócios urgentes que impeliram o restaurador Neemias de voltar para Susã em 433 a.C.. Pode ser que a resposta seja bastante simples: é possível que seu período de licença já estivesse expirado, sendo-lhe necessário retornar para renová-la. De qualquer forma, ele não demorou muito na capital do império, embora sua curta ausência tenha sido um período grande o suficiente para todo tipo de problemas ressurgir. Neemias viu que os levitas haviam sido negligenciados, o dia de sábado já não era observado e os malsucedidos casamentos mistos voltaram a ser comuns no meio do povo. Até mesmo um dos filhos do sacerdote Joiada tinha se casado com a filha de Sambalate! (Ne 13;28)


             Mais uma vez, Neemias viu-se forçado a promulgar uma série de mudanças. Ele dedicou as muralhas – provavelmente no aniversário de sua construção – e aproveitou a ocasião para estabelecer um sistema que providenciava sustento para os levitas, além das ofertas do povo determinadas pela Lei. Ele também fez com que as determinações de Moisés a respeito dos estrangeiros, especialmente dos amonitas e moabitas, fossem lidas, de sorte que não houvesse mistura na santa congregação de Israel (Ne 13;1-3 *cf. Dt 23;3-6). Essa atitude foi uma resposta direta à presença de Tobias, o amonita, nos recintos sagrados do templo.


             O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão sobre os ensinos de Neemias ao zelar pelo exercício ministerial do pós exílio. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula e fazer coro com o autor da lição para alertar o povo de DEUS quanto aos cuidados no ministério cristão. 


             I. CONTAMINAÇÃO DO MINISTÉRIO


             Havia algum tempo desde que o remanescente tinha voltado. Quando Neemias olha para as práticas de seu povo, ele encontra um aspecto triste: haviam abandonado o primitivo espírito de separação. Verifiquemos se isto não acontece com o povo de DEUS hoje. Temos que vigiar continuamente e estar de guarda. Não é que não nos regozijemos por o SENHOR acrescentar almas à igreja, e se ELE trouxesse dez vezes mais do que, em geral, são acrescentados, não obstante a alegria desta graça divina, não deixaria de haver algum perigo. Este aumento acarretaria dez vezes mais razões para humilhação diante DELE; não para menos alegria, mas para maior vigilância. E assim vemos nesta ocasião, que “Naquele dia leu-se o livro de Moisés, na presença do povo, e achou-se escrito nele que os amonitas e os moabitas não entrassem jamais na assembleias de Deus; (Ne 13:1). Isto era algo de novo, não tinham, os Judeus, pensado antes na necessidade desta separação: “porquanto não tinham saído ao encontro dos filhos de Israel com pão e água”(v.2).

             Como vemos, voltaram aos princípios: “Ouvindo eles esta lei, apartaram de Israel toda a multidão mista” (v.3).


             Era isto: tinham lido a mesma coisa repetidas vezes, mas agora faziam sua aplicação. Não precisamos apenas da Palavra, mas do ESPÍRITO SANTO para tornar a Palavra viva. E agora que descobriram sua aplicação, eles atuavam sob ela. “Ora, antes disto Eliasibe, sacerdote, encarregado das câmaras da casa de nosso Deus, se aparentara com Tobias”(v.4). Não admira que houvesse causas de fraqueza entre eles. Vemos este homem, Tobias, o qual era o principal inimigo do povo de DEUS, alojado no santuário de DEUS, na própria casa! “e lhe fizera uma câmara grande, onde dantes se recolhiam as ofertas de cereais, o incenso, os utensílios, os dízimos dos cereais, do mosto e do azeite, que eram dados por ordenança aos levitas, aos cantores e aos porteiros, como também as ofertas alçadas para os sacerdotes.”(v.5).


             Parece que Neemias fez duas visitas a Jerusalém e que durante a sua ausência deu-se este abandono dos princípios “...porque no ano trinta e dois de Artaxerxes, rei da Babilônia, fui ter com o rei; mas a cabo de alguns dias pedi licença ao rei, (v.6). Trata-se de uma segunda licença.


A primeira foi no ano vigésimo (Ne 2:1), e esta foi doze anos mais tarde. “e vim a Jerusalém; e soube do mal que Eliasibe fizera em servir a Tobias, preparando-lhe uma câmara nos átrios da casa de Deus”(v.7). Encontramos agora algo mais grave do que o que foi encontrado por Neemias em sua primeira vinda a Jerusalém!


             A casa do SENHOR estava profanada, o local de culto contaminado. O que fez Neemias? Afastou-se da casa de DEUS? Não voltou mais a adorar ali? Não! Nos apresentou um importante princípio a ser observado. Neemias nunca se lembrou de fazer tal coisa como ausentar-se, nem nós devemos fazê-lo. O mal nos outros não é razão para nos ausentarmos da mesa do SENHOR, pois se isso fosse razão suficiente, seria uma razão para todos que são justos. Supondo que todos os que são justos se ausentassem, onde estaria a mesa do SENHOR? Não, prezado leitor, é um princípio falso e mau. O certo é que se houve mal, devemos pedir a DEUS para podermos enfrentar o mal de um modo bom. Devemos pedir a DEUS sabedoria para resolver o mal segundo a SUA Palavra e esperar em DEUS para fortalecer as mãos daqueles que velam pela glória do SENHOR.


             Não é a presença do mal que destrói o caráter da mesa do SENHOR, mas sim a recusa em julgar o mal. Ainda que haja o mal mais terrível não é uma razão para se ficar ausente da mesa do SENHOR (deixar a sua congregação). Há vários lugares onde a liderança tem agido de forma desconexa com a Palavra de DEUS, compactuando com o pecado de alguns irmãos e até de obreiros, através do silêncio covarde ou conivente omissão. Encontramos, em certos círculos de obreiros, uma atitude corporativista entre seus pares, no tocante a procedimentos errados, dentro e fora da igreja. O comentarista da revista, pastor Elinaldo Renovato, nos diz, em seu comentário da lição VIII, que “liderança é, acima de tudo, caráter e exemplo (I Pe 5:1-3). Sem tais quesitos, os resultados são deploráveis”. Não observando estes sábios dizeres, a liderança mina o crescimento físico e espiritual da igreja. Estas palavras, do pastor Elinaldo Renovato, deveriam estar escritas em todas as salas onde são decididas as novas diretorias das nossas igrejas e, particularmente, na minha cidade Natal.


             II. A JUSTA INDIGNAÇÃO DO HOMEM DE DEUS         
    
             Neemias não se ausentou porque Tobias tinha conseguido, por influência do sacerdote Eliasibe, ter uma câmara na casa de DEUS. Porém, veio para Jerusalém e tomou conhecimento deste mal, e disse: “Isso muito me desagradou...”. Este foi o primeiro efeito: “...pelo que lancei todos os móveis da casa de Tobias fora da câmara”. Porque só um israelita atuou? Todos tinham por obrigação de atuar. “Então, por minha ordem purificaram as câmaras; e tornei a trazer para ali os utensílios da casa de Deus, juntamente com as ofertas de cereais e o incenso”.



             Quando a Igreja do SENHOR identifica o mal, o pecado, tem, por obrigação, que tomar uma atitude para desfazer o laço maligno. O povo de DEUS tem que entender que a liderança da Igreja do SENHOR não possui “imunidade espiritual”; ninguém a possui! O entendimento equivocado de que não nos cabe julgar nem analisar o que a liderança da igreja faz de errado, cabendo aos crentes agir como Davi em relação à Saul: simplesmente não fazendo nada, esperando que Deus resolva o negócio e faça a justiça, não condiz com os ensinamentos Bíblicos e abre um espaço enorme para a atuação de Satanás dentro da Igreja.


             DEUS quer que a Igreja atue como um corpo; em unidade. Quando o apóstolo Paulo ouviu que estava ocorrendo alguma coisa de terrível em Corinto, não recusou escrever, e não lhes disse: “- Já não sois a Igreja de DEUS!”. Ao contrário, ele escreveu cuidadosamente: “A Igreja que está em Corinto”, e, ligando-os a todos os santos que estavam no mundo, continua “...com todos os que em todo o lugar invocam o nome do nosso SENHOR JESUS CRISTO, SENHOR deles e nosso”(ICo 1;1,2). Fala-lhes do mal terrível que ele sabia que havia entre eles, e diz que já tem deliberado o que deve ser feito, mas diz-lhes para julgarem. O seu juízo não serviria como decisão: a Igreja deveria julgar. Deveriam demonstrar que estavam bem esclarecidos sobre o assunto e este seria o meio pelo qual DEUS operaria na Igreja.


O profeta Natã não ficou indiferente quanto ao pecado de Davi e nem Paulo deixou de repreender o apóstolo Pedro quando este se portou de forma inadequada. Paulo recomenda:"Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo."(1 Co 5.9-13).


             Líderes fiéis são essenciais para que a Igreja seja o que o SENHOR sempre quis que ela fosse: um lugar onde os crentes se reúnem para obter bons relacionamentos (companheirismo), fortalecimento espiritual e também dar bom testemunho do poder de DEUS em uma sociedade pecadora. Satanás, nosso inimigo, quer que a liderança da igreja seja contaminada pelo pecado, arruinando seu testemunho na Igreja e sua influência na sociedade. Mas DEUS chamou a todos os cristãos para dar suporte a seus pastores e líderes através da oração, a qual pode ajudá-los a ser eficientes para servir a DEUS, em vez de perder a batalha espiritual.


             III. HONESTIDADE E TRANSPARÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO


             Temos visto casos de enriquecimento por administração dolosa dos bens da igreja. O obreiro é um despenseiro de DEUS, tanto das coisas espirituais como das materiais e o que se requer dos despenseiros é que se achem fieis (ICo 4;1,2). Um administrador infiel perto está de sua demissão (Lc 16;1,2).


             Existem outros que sobrecarregam a igreja com dívidas oriundas de construções de suntuosos templos. Isto também é administração desequilibrada. Uma administração assim pode levar a igreja ao descrédito e prejudicar seriamente o obreiro. Tais aberrações são feitas normalmente sob pretexto de fé, mas a fé verdadeira não falha. JESUS nunca ensinou a cometer tais desequilíbrios, antes aconselhou prudência (Lc 14;28-30). Na verdade todos os nossos atos são feitos por fé, mas não se deve abusar da fé nem nas coisas espirituais, nem nas concernentes à administração dos bens do SENHOR. Se o obreiro deseja progresso no seu trabalho, deve administrar no temor de DEUS e na direção do ESPIRITO SANTO.


CONCLUSÃO

             Concluindo, espero em DEUS ter contribuído para despertar o seu desejo de aprofundar-se em tão precioso ensino e ter lhe proporcionado oportunidade de agregar algum conhecimento sobre estes assuntos. Conseguindo, que a honra e glória seja dada ao SENHOR JESUS. 

Ev. José Costa Junior