9 de outubro de 2012

OSEIAS A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS


OSEIAS A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS

TEXTO ÁUREO = Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo (2 Co 11.2).

VERDADE PRÁTICA = O casamento de Oseías ilustra a infidelidade de Israel e mostra a sublimidade  do amor de Deus.

LEITURA BIBLICA = OSEIAS 1: 1,2; 2: 14-17, 19,20

INTRODUÇÃO 

Os estudiosos consideram Amós o líder dos que libertariam a religião de sua relação antinatural com a tirania, o egoísmo, o cerimonialismo e a superstição. Em comparação com ele, Oséias é considerado o profeta mais antigo que interpretou a vontade de Jeová relacionada ao amor. Conforme observou George Adam Smith: “Não há verdade dita pelos antigos profetas sobre a graça divina que não encontremos embrionariamente neste profeta. {...} Ele é o primeiro profeta da graça, o primeiro evangelista de Israel”.’
O teor da profecia é um testemunho dinâmico e severo contra o Reino do Norte por ter se apostatado do concerto. Todos conheciam bem a corrupção que campeava pela nação no âmbito das questões públicas e particulares.

O propósito de Oséias era o de convencer seus compatriotas sobre a necessidade de se arrependerem, restabelecerem a relação de concerto e dependerem do Deus paciente, compassivo e perdoador. “Oséias apresenta a ameaça e a promessa do ponto de vista do amor de Yahweh (Jeová) por Israel como seus filhos queridos e como a sua esposa do concerto”.
A doutrina do amor de Deus apresentada por Oséias não era inédita; contudo, foi expressa com clareza e propósito. Ainda que sua mensagem não esteja na lista dos principais profetas por causa da brevidade de suas declarações, deve constar entre as mais importantes em termos de compreensão das Escrituras. Oséias era mais poeta que teólogo — o apóstolo João do Antigo Testamento.

Autoria e Data

O nome “Oséias”, como “Josué” e “Jesus”, é derivado do radical hebraico que significa “salvação”. E idêntico ao nome do último rei de Israel.
A erudição bíblica reconhece amplamente que Oséias era nativo do Reino do Norte, pois ele conhecia profundamente todos os aspectos da vida de Efraim. Escreve na qualidade de testemunha ocular. Exceto o nome de seu pai e o casamento com Gômer, há poucos detalhes sobre sua vida. 

Supõe-se que era sacerdote, apesar de não haver indicativo a esse respeito. Tinha em alto conceito o dever sacerdotal e faz numerosas referências aos sacerdotes (4.6-9; 5.1; 6.9), à Torá ou lei de Deus (4.6; 8.12), às coisas impuras (9.3), às abominações e à opressão da “casa de Deus”. ‘ Entendia bem a lei escrita e conhecia Israel pessoalmente. Sabemos pouco acerca de seu ministério efetivo, a não ser que foi perseguido muito provavelmente por causa de seu trabalho profético (9.7,8).

Oséias concede-nos a data de sua profecia no título do livro: “Palavra do SENHOR que foi dita a Oséias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel” (1.1).

Há notável diferença de julgamento quanto à duração do ministério de Oséias. O caráter fragmentário das profecias sugere que nem todas foram entregues no mesmo período da vida do profeta. Archer deduz que parte da escrita deve ser datada antes da morte de Jeroboão II (753 a.C.), “visto que o capítulo 1 interpreta o significado simbólico de Jezreel com o sentido de que a dinastia de Jeú deve ser exterminada com violência”.

Quando Salum assassinou Zacarias, filho de Jeroboão, a profecia se cumpriu. Por outro lado, parece que o capítulo 5 é dirigido ao rei Menaém (752-742 a.C.). Levando em conta que o capítulo 7 trata da “dupla-diplomacia” de lançar a Assíria contra o Egito (fato não conhecido antes do reinado do rei Oséias, 732-723 a.C.), temos de admitir que este capítulo vem de 10 a 20 anos depois do capítulo 5. E lógico que o livro apresenta trechos selecionados de sermões entregues durante certo período de tempo. Archer conclui que o ministério de Oséias abrangia um período de pelo menos 25 anos, sendo que a compilação final foi concluída e publicada em 725 a.C., uns 30 anos depois do início do ministério deste profeta.

Por outro lado, Carl Keil, estudioso alemão, acredita que Oséias manteve seu ofício profético entre 60 e 65 anos. (A discrepância está entre a duração do “ofício” em oposição ao tempo efetivo das declarações proféticas.) Este cálculo é 27 a 30 anos sob o reinado de Uzias, 31 anos sob o reinado de Jotão e Acaz, e de 01 a 03 anos sob o reinado de Ezequias. Ainda que tenhamos justificativa em presumir que o ministério de Oséias durou o tempo indicado em 1.1, as evidências internas do livro apontam épocas extensamente divergentes das efetivas declarações proféticas — um período de tempo que pode ter sido consideravelmente mais curto que o indicado pelo título.

Mesmo que a verdadeira extensão do ministério de Oséias possa permanecer em dúvida, sabemos que Amós foi seu contemporâneo nos primeiros anos de seu ministério, e que Isaías, Miquéias e Obadias conviveram com ele durante os seus últimos anos.


Pano de Fundo Histórico

Para entendermos os escritos de Oséias em relação ao conceito do amor divino, que é o tema central do livro, é necessário examinarmos brevemente as circunstâncias sob as quais ele exerceu seu ministério. Como acontece com todos nós, não podemos entender a pessoa ou sua mensagem independentemente de seu ambiente peculiar. O profeta é influenciado pela cultura na qual vive e a influencia.

O reinado de Jeroboão II em Israel foi uma época de paz, prosperidade e luxo. Contudo, após a morte deste monarca sobrevieram anarquia, disputa e concerto quebrado. Knudson, ao resumir a situação, escreve: Jeroboão [...] foi sucedido por seu filho Zacarias, que depois de um breve reinado de seis meses foi assassinado por Salum. Este subiu ao trono e, após reinar por um mês, foi morto por Menaém, o qual reinou por dois ou três anos, e foi sucedido por seu filho, Pecaías, que, depois de um reinado de dois anos, foi assassinado por Peca. Este reinou por um ano ou dois, e depois foi morto por Oséias, que subiu ao trono como vassalo assírio e foi o último dos reis de Israel. Assim, em um período de oito ou nove anos, de 740 a.C. a 732 a.C., houve não menos de sete reis de Israel, e destes, quatro foram assassinados por seus respectivos sucessores.

O período após a morte de Jeroboão II caracterizou-se pela ausência de um governo capaz de equilibrar a estrutura religiosa, política, social e econômica. O reino estava a caminho da ruína. Esta situação é vista com clareza nos últimos 11 capítulos do livro de Oséias.

Depois da morte de Jeroboão, Israel encontrava-se politicamente fracassado. Estava minado por tramas, fraudes e intrigas. A nação estava madura para a conquista. Em acréscimo ao quadro decadente, Yates observa que “príncipes tolos, que levaram o povo a confiar no Egito, apressaram o fim. Os egípcios prometiam muito, mas nunca puderam cumprir o que prometeram. Israel estava totalmente desprovido de aliados”. O resultado era inevitável e a primeira investida ocorreu em 733 a.C., quando Tiglate-Pileser invadiu Damasco, saqueou o território de Israel e levou a maioria dos líderes para o exílio. Em 722-721 a.C., Sargão tomou a capital Samaria. Oséias não tinha ilusão acerca deste trágico desastre. O castigo dos pecados de Israel era iminente, mas ainda estava no futuro.

A desintegração política em Israel nos dias de Oséias foi, possivelmente, indicação de uma moléstia social muito grave. Foi um tempo de crime, corrupção e imoralidade. A degradação do sacerdócio, a impotência dos governantes, o desatino do pecado e a injustiça contribuíram para o declínio e queda do Reino do Norte. Havia relaxamento na conduta individual. O caráter era negligenciado. A dignidade do indivíduo era sacrificada em função da indisciplina pessoal, e a incerteza dominou a nação.

A presença disseminada de cultos à fertilidade causou seu efeito na desintegração da vida familiar. O lar já não era sagrado e os votos matrimoniais quase nada significavam. As orgias relacionadas aos cultos sobre a fertilidade transformaram muitos israelitas em bêbedos, e havia suspeita de que muitas das mulheres tornaram-se prostitutas cultuais.

Entre todas as classes sociais havia ódio. Os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres, mais pobres. Os ricos oprimiam os pobres e até os escravizavam. ‘
  
A situação estava no ponto certo para Oséias cumprir o papel tradicional de profeta, ou seja, ser paladino dos pobres e defensor das reformas sociais.
E claro que o profeta logo identificou o cerne da degradação política e social: falhas religiosas e morais — o pecado. A idolatria era a causa da doença de Israel. Oséias a rotula de “prostituição” (1.2; 6.10), “luxúria” (4.10), “incontinência” (4.11; cf. “se prostituem”, 4.13,14; “corrompem-se”, 4.18; “te tens prostituído”, 5.3). Eiselen escreve acerca da situação: “Israel, a esposa de Jeová, mostrou-se infiel ao marido. As provas da infidelidade evidenciavam-se no âmbito da religião, da ética e da política, e os pecados que provocaram a ira de Jeová e de seu profeta concentravam-se em torno destas três esferas”.’1 Há somente uma consideração nominal a Jeová (8.2). O povo se entregou à superstição e licenciosidade.

Os sacerdotes fracassaram em seu dever para com Deus e o povo. Alegravam-se com os pecados do povo, porque isso lhes aumentava a renda. Tornaram-se bandoleiros (6.9). A própria nação se tornou “prostituta”. O estado de Israel foi de uma apostasia religiosa tal que resultou em degradação moral, social e política.

O CASAMENTO DE OSÉIAS (1.2,3)

O princípio da palavra do SENHOR por Oséias; disse, pois, o SENHOR a Oséias: Vai, toma uma mulher de prostituições e filhos de prostituição; porque a terra se prostituiu, desviando-se do SENHOR (1.2).

1. O inicio do ministério de Oséias. O princípio da palavra do SENHOR por Oséias (v.2). A idéia do texto hebraico tehilat diber YHWH beHoshea é: “a primeira vez que o Senhor falou com Oséias”, ou “por Osélas”. A ARA diz: “Quando, pela primeira vez, falou o SENHOR por intermédio de Oséias”, fraseologia similar encontramos na NVI. Assim podemos afirmar que foi logo no início de seu ministério que Deus mandou o próprio Oséias tomar por esposa uma mulher de baixa moral. Não sabemos a idade do profeta nessa época, pois ele teve um ministério prolongado, e também os jovens se casavam muito cedo naquela época. Podemos arriscar uma idade não muito inferior a 20 anos.

2. A ordem divina. Toma uma mulher de prostituições... (v. 2). A palavra hebraica usada aqui para “prostituição” é zenunim, que significa “fornicação, prostituição, meretrício, infidelidade, libertinagem”.
A LXX traduziu essa palavra pelo substantivo porneia, que significa: “prostituição adultério, fornicação, incastidade, qualquer relação sexual ilícita”. A expressão esheth zenunim quer dizer que a ordem em hebraico lech khach lechach “vai, toma”, é mesmo tomar uma mulher da vida, uma rameira.

3. As interpretações do casamento de Oséias. Há três interpretações gerais desse casamento: sonho ou visão, alegoria ou parábola e a linha literal. Cada uma delas apresenta explicações diferentes dos pormenores.

a) Sonho ou visão. A primeira delas, dada a sua fragilidade, não há o que comentar. É a linha que afirma que o profeta sonhou ou teve uma visão. Não é isso que o texto sagrado está dizendo. Muitos sequer consideram-na como uma interpretação, como se ela não existisse.

b) Alegoria. Agostinho defendia essa interpretação com muita garra. Segundo Agostinho, a interpretação literal é incongruente e moralmente imprópria. O livro de Oséias faz uso indistintamente do termo “prostituição” tanto num casamento literal quanto no sentido espiritual. Isso acontece em toda a Bíblia e se aplica também ao culto pagão.Tal prática era considerada adultério, prostituição ou fornicação espiritual (Jr 3.8; 13.27; Ez 16.32).

c) A interpretação literal. A maioria dos expositores da Bíblia admite tratar-se de um casamento literal. A forma direta do relato do profeta torna claro e inconfundível sua historicidade. O texto sagrado não parece oferecer condições para interpretação alegórica, parece ser literal.

A esposa é identificada pelo seu nome “Gomer” ou “Gômer”; da mesma forma, o sogro de Oséias é chamado pelo seu nome “Diblaim” (v.3) e fala que desse casamento nasceram filhos, Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami. A interpretação de Agostinho está hoje fora de cogitação pela maioria dos expositores da Bíblia.

Dentro dessa interpretação literal há interpretações diferentes de pormenores, O Dr. A. R. Crabtree vê dificuldade em aceitar o fato de Jeová ordenar um santo homem se casar com uma mulher de baixa moral. Seu argumento é baseado unicamente no princípio da moralidade judaico-cristã. Nesse caso ele vê a possibilidade de Gomer se prostituir só depois do casamento.

Essa é outra linha de pensamento sobre o casamento de Oséias. Discorda da linha alegórica, admite que esse matrimônio do profeta foi literal. Mas afirma que Gomer era pura quando se casou e que a expressão “mulher de prostituições e filhos de prostituição” (v. 2) aponta para a presciência de Deus, ou seja, Deus sabia de antemão que Gomer seria infiel. Essa linha é também defendida por Charles L. Feinberg.

Um casamento desse parece-nos, de fato, incoerente, mas é o que está escrito. Nem por isso devemos inventar interpretações, pois a hermenêutica tem regras e limites. O casamento de Oséias foi literal e serviu para ilustrar a situação pecaminosa de Israel. De qualquer forma, o que não devemos é dogmatizar, pois são interpretações literais possíveis. Além disso, nenhuma delas compromete à fé cristã e nem afeta a salvação.

A proibição de se casar com uma meretriz é só para os sacerdotes e não para todos (Lv 21.7). E em nenhum lugar da Bíblia afirma textual- mente que Oséias era sacerdote. A ordem divina foi para Oséias se casar e não adulterar com ela. A prostituição é condenada em toda a Bíblia, e mui especialmente no livro do profeta Oséias. A proibição da união com uma prostituta (1 Co 6.16) não é mesma coisa que um casamento com alguém dessa origem que se converteu à fé cristã (1 Co 6.11).

4. A analogia do casamento de Oséias. Porque a terra se prostituiu, desviando-se do SENHOR (v.2). Após a ordem de Jeová para Oséias se casar vem a justificativa. A comparação desse casamento com o então estado espiritual da nação não nos fornece subsídios suficientes para uma interpretação alegórica.

As Dez Tribos do Norte estiveram sempre envolvidas numa apostasia generalizada. A idolatria é comparada ao adultério e à prostituição espiritual e até porque em muitos cultos idólatras, dedicados à fertilidade, era praticada a prostituição de maneira literal. Deus queria que Oséias compreendesse o paradoxo da maldade do povo e a grandeza do amor de Jeová através da experiência com sua esposa infiel, que ele tanto amava. Isso levou Oséias a compreender com profundidade o amor de Jeová pelo seu povo.

E foi-se e tomou a Gomer, filha de Diblaim, ela concebeu e lhe deu um filho (1 .3).

5. Gomer. A esposa de Oséias é identificada pelo seu nome “Gomer” ou “Gômer”, conforme a versão. É o mesmo nome de um dos filhos de Jafé (Gn10.2). Nada sabemos sobre Diblaim, pai de Gomer. O texto diz que ... ela concebeu e lhe deu um filho (v.3). Entendemos que essa expressão indica que esse filho nasceu de Oséias e Gomer, o que provavelmente não aconteceu com os 2 que vieram depois.

A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL (2.14-20)

Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração (2.16) (2.14).
1. O tema do livro de Oséias. Encontramos no v. 14 uma demonstração do grande amor de Jeová pelo seu povo: ... eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração (v.]4). O amor de Jeová pelo seu povo é o grande tema de Oséias, ver comentário 11.8,9.
O deserto aqui diz respeito ao lugar de união entre a esposa e o marido, falar ao coração. No deserto é uma linguagem figurada para descrever a segunda lua-de-mel. Foi para o deserto que Deus chamou o seu povo para uma comunhão íntima (Êx 3.12; 5.1).

E lhe darei as suas vinhas dali e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias da sua mocidade e como no dia em que subiu da terra do Egito ([2.171 2.15).
2. A volta ao marido. E lhe darei as suas vinhas... (v. 15). Linguagem figurada para indicar a volta de Gomer ao seu marido, ou Israel a Jeová. O verbo hebraico ananthah significa “responder, cantar, sofrer”. A última palavra não cabe nesse contexto. A NVI traduziu por “responder”, que indica o amor correspondido.

O vale de Acor (v. 15). Localizado na orla mediterrânea rio norte de Israel, durante mais de 500 anos estava na lembrança do povo o pecado de Acã (Jo 7.24), era lugar de perturbações. Jeová transforma esse lugar na porta da esperança.

 16 E acontecerá naquele dia, diz o SENHOR, que me chamarás:                                                                                                                                             Meu marido e não me chamarás mais: Meu Baal.
17 E da tua boca tirarei os nomes de baalins,  e os seus nomes não virão mais em memória.
18 E, naquele dia, farei por eles aliança com as bestas-feras do campo, e com as aves do céu, e com répteis da terra; e da terra tirarei o arco,  e a espada, e a guerra e os farei deitar em segurança ([2.18-20] 2.16-1 8).

3. O fim do baalismo. ... que me chamarás. Meu marido e não me chamarás mais: Meu Bani (v. 16). Interessante que Oséias usou a expressão hebraica baali, “Meu Baal”, que será substituído nos lábios dos filhos de Israel por Ishi, que significa “Meu Marido”. Uma profecia escatológica que já está se cumprindo. Hoje, embora a restauração espiritual dos judeus ainda não tenha acontecido, todavia, o baalismo e qualquer forma de idolatria é repugnância nacional em Israel. O profeta diz que no futuro Israel voltará à comunhão com Jeová e o baalismo será extinto.

Jeová tirará da boca do povo o nome dos baalins que não virão mais à memória (v.17). É até possível que muitos adoravam a Baal pensando estar adorando a Jeová. Mesmo ainda não tinham desculpas porque era proibido o uso dos nomes dos deuses (Êx 23.13). O v. 18 é uma referência ao Milênio.

E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias ([2.21 2.19).

4. A reconciliação com Deus. E desposar-te-ei comigo para sempre... (v. 19). Muito mais importante do que a paz universal do reino messiânico é a comunhão de cada crente com Deus.
O verbo hebraico para “desposar”, aqui, é arash, o mesmo usado para desposar uma virgem. Isso mostra a situação do mais vil pecador, que ao ser perdoado realmente se torna nova criatura (2 Co 5.17) e sem nenhuma condenação (Rm 8.1). Deus é poderoso para transformar uma prostituta numa linda donzela. A mensagem parte do casamento fracassado de Oséias e de sua reconciliação com Gomer, que serve para ilustrar a situação de Israel com Jeová, do pecador com Deus (Rm 5.8).

Além da perpetuidade desse casamento, encontramos as promessas de justiça, juízo, benignidade, misericórdia e fidelidade (vv. 19, 20). A palavra hebraica, aqui para juízo, é mishpat, tem duas acepções, a saber: as funções de um juiz, ao se inteirar da causa e emitir a sentença, um veredicto justo (Ec 12.14) e o direi- [o de uma pessoa (Êx 23.6). Aqui fala dos direitos dos crentes como filhos de Deus na eternidade.

E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás o SENHOR ([2.221 2.20).

...e conhecerás ao SENHOR (v. 20). o conhecimento de Deus é um dos temas principais da teologia de Oséias. Os vv. 19 e 20 mostram que conhecer ao Senhor significa comunhão, ver comentário 6.3.
O profeta usa uma metáfora do casamento para explicar a união de Israel com Jeová e da igreja com Cristo. Não há intimidade mais profunda entre os seres humanos do que um homem e uma mulher no casamento. intimidade maior do que a do casal, só entre as três Pessoas da Santíssima Trindade. Esse casamento é para sempre, assim como o casamento foi instituído por Deus como pacto indissolúvel: “e serão ambos uma carne” (Gn 2.24), o Senhor Jesus sancionou essa indissolubilidade: “Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.6).

A IDOLATRIA DE ISRAEL (4.16-19)

Porque, como uma vaca rebelde, se rebelou Israel; agora, o SENHOR os apascentará como a um cordeiro em um lugar espaçoso (4.16).

1. Rebelião e idolatria. Porque, como uma vaca rebelde, se rebelou Israel.. (v.16).O profeta usa aqui a figura da novilha obstinada para mostrar a dura cerviz da nação (Êx 34.9). Com essas palavras, Jeová está falando através do profeta, que Israel tornou-se como vaca indomável. Já era um povo difícil desde a peregrinação do deserto, ainda nos dias de Moisés, quanto mais na plena apostasia e rebelião, ver comentário 10.11.

Efraim está entregue aos ídolos; deixa-o (4.17).

Efraim é outro nome usado em Oséias para identificar o nome das 1 )ez Tribos do Norte. A partir daqui Efraim e Israel são nomes usados alternadamente com muita freqüência. O nome hebraico Efraim significa “frutífero”, ver comentário 9. 11.

Alguns acham que Oséias era dessa região, outros acham que na divisão do reino as Dez Tribos do norte não tinha ainda nome e por isso o nome de Efraim ficou para identificar o novo estado. Só no livro de Oséias o nome de Efraim aparece 36 vezes. Era a tribo mais importante e a mais poderosa de todas as demais tribos. Jeroboão 1, filho de Nebate, parece que era de Efraim (1 Rs 12.25).

A expressão .. .está entregue aos ídolos; deixa-o indica que a restauração da nação é irrecuperável. A palavra hebraica usada para “entregue” é chabur significa “ligado”, usada para união íntima entre marido e esposa (Ml 2.14). A dificuldade maior era que Efraim se mostrava satisfeito com seu pecado, seria inútil insistir com ele, por isso que o profeta disse: deixa-o. Só depois de todos os castigos e no fim dos dias é que Israel vai se reconciliar com Jeová, quando o vale de Acor se tornar na porta da esperança, ver comentário (2. 15).
É difícil pregar a salvação em Jesus para quem está satisfeito com o pecado, com aquilo que faz. Essa satisfação leva o pecador a rejeitar o plano de Deus para a salvação. Julgam-se não precisar de Jesus. Há pessoas que, pregar para elas, é o mesmo que dar “aos cães as coisas santas” e oferecer “aos porcos as vossas pérolas” (Mt 7.6).

A sua bebida se foi; eles corrompem-se cada vez mais; certamente amaram a vergonha os seus príncipes (4.18).

2. A embriaguez. A sua bebida se foi; eles corrompem-se cada vez mais... (v. 18). A palavra hebraica para bebida, aqui, é sobhe’, que vem do verbo denominativo hebraico sabha’“beber”, que sugere beber bastante (Is 56.12), é a mesma palavra usada para “bêbado” (Ez 23.42). O substantivo sobhe’ significa “vinho, bebida, orgia” e descreve também o adultério espiritual de Jerusalém (Is 1.21,22).

Parece que depois que esses príncipes se embriagavam, entregavam-se à licenciosidade, como sugere o texto da NVI. O substantivo hebraico que Oséias usou aqui para “príncipes” é magneia, de maguen, “escudo, protetor”. Esses príncipes, que seriam protetores do povo, corromperam-se e amaram mais a vergonha em virtude do alcoolismo e da corrupção.
Um vento os envolveu nas suas asas, e envergonhar-se-ão por causa dos seus sacrifícios (4.19).

3. O inimigo à porta. Um vento os envolveu nas suas asas...(v.19). O profeta usa com muita freqüência figura para indicar a Assíria, o chicote de Jeová para castigar seu povo. Aqui temos a figura do vento, que reaparece em outro lugar, em Oséias, ver comentário 13.15. A figura indica a Assíria, que com rapidez e violência, viria para humilhar toda a nação por casa dos seus sacrifícios oferecidos a deuses estranhos.

A grande lição que todo o mundo deve saber é que o pecado jamais ficará impune. Pecado será sempre pecado e Deus reage a ele, pois, é uma afronta à santidade divina, O velho ditado vox populi vox Dei, “a voz do povo é a voz de Deus”, nem sempre pode ser verdade, e nem se aplica no contexto espiritual. A Voz de Deus é a sua Palavra.´

A sociedade é vigia dos bons costumes e das práticas comuns e também responsável por tudo o que se pratica no seu meio. Uma sociedade sem verdade, sem benignidade e sem o conhecimento de Deus chegou ao mais baixo grau de espiritualidade, ainda mais num estado teocrático como Israel nos dias do profeta Oséias. Como Israel representa a Igreja, devemos ter em mente que a Igreja deixa de ser cristã quando faltar o conhecimento de Deus.

O BAALISMO E SUAS CONSEQÜÊNCIAS (2.8-13)

Ela, pois, não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o óleo e lhe multipliquei a prata e o ouro, que eles usaram para Baal ([2.10] 2.8).

1. Reconhecer as bênçãos de Jeová. ... não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o óleo e lhe multipliquei a prata e o ouro... (v.8). Gomer não sabia a origem de seu suprimento. Israel não imagina que seus víveres e sua segurança e a sua paz só podiam vir de Jeová. Ainda hoje os judeus não sabem que Jesus é que tem dado a provisão do seu povo.
Os irmãos de José não sabiam, a princípio, que o seu próprio irmão era o provedor deles. Jamais poderiam conceber a idéia de que o varão generoso do Egito, que os recebeu, seria seu irmão, pois estava revestido de glória, e por isso não o puderam identificar (Gn 42.8). Ainda hoje o Estado de Israel não pode reconhecer que o meigo carpinteiro de Nazaré provê o suprimento do povo.

2. A produção agrícola de Israel. ... que eles usaram para Baal (v.8). Essa expressão pode mostrar a tristeza de um marido traído. Isso fala de ingratidão e traição. Eles atribuíam, como os demais adoradores de ídolos, a abundância de sua produção e suas riquezas a Baal, ver comentários 2.13; 9.1. A palavra hebraica aqui é Baul, que significa “marido, dono, senhor, amo”. Nos cultos à fertilidade, eles ofereciam a Baal os víveres e as riquezas recebidas de Jeová, pois reconheciam Baal como seu amo, seu dono e seu marido.

Ainda hoje esse é o comportamento do ser humano. Dificilmente um profissional bem sucedido ou um mega-empreSário se lembra de agradecer a Deus ou de oferecer oferta ao Deus Criador dos céus e da terra que proporcionou-lhes tanto sucesso. Na cabeça da maioria deles, tudo isso adveio apenas de sua própria capacidade, trabalho ou esperteza. Muitas vezes oferecem suas ofertas ou doações a organizações que trabalham contra a obra de Deus.

Portanto, tornar-me-ei e, a seu tempo, tirarei o meu grão e o meu mosto, no seu determinado tempo; e arrebatarei a minha lã e o meu linho, com que cobriam a sua nudez [2.11] (2.9).

3. A maldição da carestia. ... tirarei o meu grão e o meu mosto, no seu determinado tempo... (v.9). Visto que não queriam reconhecer a verdadeira fonte de seus víveres, de suas riquezas e da abundância de suas colheitas, eles deveriam ficar privados dessas bênçãos no tempo determinado. Quando uma nação peca contra Deus Ele torna instável o sustento do pão e envia contra ela fome, e tanto homens como animais serão ceifados dela (Ez 14. 13).
 
E, agora, descobrirei a sua vileza diante dos olhos dos seus namorados, e ninguém a livrará da minha mão [2.12] ( 2.10).

4. A humilhação de Israel diante dos seus vizinhos. ... descobrirei a sua vileza diante dos olhos dos seus namorados... (v. 10). Por causa de sua infidelidade a Jeová eles vão ser expostos à vergonha e à humilhação diante das nações. Jeová vai privá-los de alimento e vestimenta, e assim nada terão para oferecer nos altares de Baal.

E farei cessar todo o seu gozo, e as suas festas, e as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades [2.13] ( 2.11).

5. O fim da alegria de Israel todas as suas festividades (v. 11). As festas eram anuais, Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos; mensais e semanais. Essas solenidades foram estabelecidas por Jeová, através de Moisés (Dt 16.16). Nelas o povo manifestava sua alegria e cada um expressava seu sentimento religioso e sua gratidão a Jeová. Eram festas solenes com significados espirituais profundos na vida da nação. O profeta conclui com a expressão todas as suas festividades. Isso parece indicar que Israel misturava suas festas religiosas com as festas pagãs dos cananeus. A palavra profética anuncia o fim de tudo isso, ver comentário 9.5.

E devastarei a sua vide e a sua figueira, de que ela diz: É esta a paga que me deram os meus amantes; eu, pois, farei delas um bosque, e as bestas-feras do campo as devorarão [2.14] (2.12).

 6. A ruína de Israel. E devastarei a sua vide e a sua figueira... (v. 12). A prosperidade de Israel no Velho Testamento sempre foi representada pela vide e pela figueira (1 Rs 4.25; Jl 2.22; Zc 3.10). Essa mensagem indicava fome e miséria sobre o povo. Jeová prometeu devastar tudo como castigo pela infidelidade do povo. A razão dessa devastação era o baalismo. Depois do cativeiro as terras ficaram abandonadas e o seu plantio foi devorado pelos animais.

E sobre ela visitarei os dias de Baal, nos quais lhe queimou incenso, e se adornou dos seus pendentes e das suas gargantilhas, e andou atrás de seus namorados, mas de mim se esqueceu, diz o SENHOR (2.15] (2.13).

7. O deus Baal. E sobre ela visitarei os dias de Baal, nos quais lhe queimou incenso... (v. 13). Havia um número interminável de deuses nas nações vizinhas de Israel. O nome “Baal”, aqui nesse versículo, é plural no texto hebraico baalim, que nossas versões da Bíblia trazem muitas vezes baalins, que seria redundância, eram divindades pagãs cultuadas de diversas maneiras pelos cananeus. 

Os baalins exerceram mais influências nos filhos de Israel do que qualquer outro deus das nações vizinhas. Baal era também conhecido pelas cidades onde eram cultuados: Baal-Peor, da cidade de Peor (Dt 4.3; Os 9.10), Baal-Meon, da cidade de Meon (Nm32.38; Ez 25.9); Baal-Zefon (Nm 33.7) e assim por diante.

a) Baal Berite e Baal Zebube. No baalismo se praticava, em seus rituais, a chamada “prostituição sagrada”, culto à fertilidade, pois a prática sexual era cultuada por ser o sexo responsável pela reprodução dos seres vivos (Jz 8.33). A prostituição era tanto física como espiritual (4.13,14). O nome “Baal Berite” significa “senhor da aliança ou do concerto”, às vezes é mencionado só por Berite (Jz 9.46). Baal Zebube era o deus de Ecrom, cidade dos filisteus e cujo nome significa “senhor das moscas” (2 Rs 1.2-3, 6, 16), pois diziam que protegia o povo das pragas de moscas. Alguns expositores da Bíblia afirmam que desse nome surgiu o nome Beel-Zebu, o príncipe dos demônios (Mt 12.24).

b) Outras divindades fusas. Quemós ou Camós, divindade dos moabitas (Jz 11.24; 1 Rs 11.33). Malcan ou Milcom, a maioria afirma que é o mesmo deus Moloque adorado por outro nome, em cujos rituais ofereciam sacrifícios de crianças. Isso parece ser confirmado na Bíblia, compare os versículos 5, 7 e 33 do capítulo 1 1 de 1 Reis. Dagon, divindade nacional dos filisteus (Jz 16.23-24; 1 Sm 5.7) e Astarote, deusa dos sidônios (1 Rs 11 .5,33).

O baalismo era incompatível com a religião dos hebreus por várias razões. Eles eram monoteístas, portanto a adoração a divindades falsas era crime e pecado previsto na lei de Moisés (Êx 20.3-5). A liturgia desses cultos era de baixa moral e imoralidade conflitava com a ética dos hebreus, prevista na lei. Assim como os costumes mundanos conflitam com a ética cristã evangélica.

O POVO REJEITOU O CONHECIMENTO DEUS (4.4-6)

Todavia, ninguém contenda, nem qualquer repreenda; porque o teu povo é como os que contendem com o sacerdote (4. 4).

1. A contenda. Todo mundo acusava todo mundo. Parece que cada um se achava no direito de reprovar o outro, visto que os sacerdotes deveriam instruir o povo e não o faziam. Visto que os líderes religiosos não tomavam providências da situação caótica da sociedade, pois estavam na mesma condição pecaminosa do povo (4.9). Por causa disso o povo acusava o sacerdote dessa omissão.

....o teu povo é como os que contendem com o sacerdote (v.4). O texto sagrado, porém, permite ainda outra interpretação. Que o povo não devia intervir nesses assuntos, que são peculiaridades de Jeová. O homem está proibido de falar em seu próprio nome. O povo está sendo reprovado porque contende com o sacerdote. O que tudo indica é que o povo havia perdido a confiança no sacerdote a ponto de discutir com ele.

Por isso, cairás de dia, e o profeta contigo cairá de noite; e destruirei a tua mãe (4.5).

2. O aviso da destruição da nação. A menção de dia e noite significa que o sacerdote e o profeta estavam vulneráveis e que a qualquer momento, qualquer hora do dia e da noite, cairiam sob o juízo divino. Se o sacerdote, aqui, estava envolvido com idolatria, prostituição, mentira e violência, o que tudo indica, a situação era crítica. Embora a palavra hebraica, navi, “profeta”, aqui, pode ser uma referência aos falsos profetas, é o aviso da destruição da nação.
A expressão ... destruirei a tua mãe diz respeito à queda da capital das Dez Tribos, Samaria. Pode também, segundo o Dr. Adam Clarke, ser urna referência a Jerusalém.

O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos (4.6).

3. Resultados da falta do conhecimento de Deus. O mesmo verbo hebraico usado na parte final do v. anterior para “destruir”, damah, nidimu ami “destruído foi o meu povo”. Essa catástrofe veio em decorrência do indiferentismo religioso que levou o povo a não se interessar mais pelas coisas de Deus e nem pelo conhecimento da lei de Moisés. O povo perdeu a visão espiritual. Israel que foi constituído por Jeová como “propriedade peculiar dentre todos os povos reino sacerdotal e povo santo” (Êx 19.5,6), foi destruído e entregue nas mãos dos pagãos.

As coisas de Deus devem ser levadas a sério e com isso não se brinca. A Bíblia diz que de Deus não se zomba (01 6.7). O profeta Oséias diz que, quem semeia vento colhe tempestade (8.7). A Europa Ocidental, que experimentou grandes avivamentos a partir da Reforma Protestante e prestou relevantes serviços ao reino de Deus, hoje está morta pela frieza espiritual e pelo indiferentismo religioso porque rejeitou o conhecimento de Deus. Os líderes religiosos substituíram a fé pelo cientificismo, formou uma geração de céticos: “como é o povo, assim será o sacerdote” (v. 9). Hoje a Europa é uma “terra seca” e precisa ser reevangelizada.
....porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim... (v.6). Isso parece ser uma referência ao sacerdorte Amazias, que ministrava o culto pagão em Betel (Am 7.10-17). Os sacerdotes e levitas foram constituídos para o ministério do ensino. 

Era dever deles ensinar o povo (Dt 33.10; Ez 44.23; Ml 2.7), no entanto, estavam mergulhados nesse lamaçal de pecado. Rejeitaram a Jeová e a sua palavra, desprezaram a lei de Moisés, e por isso foram rejeitados para que não exercessem o sacerdócio diante de Deus.
visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos (v.6). O papel da nação de Israel como reino sacerdotal terminou com a dispensação da graça. Hoje essa tarefa de sacerdote, de ensinar o povo as coisas de Deus e interceder por ele, é da Igreja (1 Pe 2.9,10). O tempo dos filhos de Israel ainda vai chegar, depois da jornada da Igreja.

O SIGNIFICADO DO AMOR DE DEUS (3:1,2)

O capítulo 3 é o menor de todos os 14 capítulos do livro de Oséias. O grande amor do profeta por Gomer representa o grande amor de Deus para com Israel e com a humanidade. A parte final do texto sagrado é escatológico.

E o SENHOR me disse: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo e adúltera, como o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses e amem os bolos de uvas. E a comprei para mim por quinze peças de prata, e um ômer de cevada, e meio ômer de cevada (3.1 ,2).

1. Amar uma esposa infiel? ... Vai outra vez, ama mulher amada de seu amigo e adúltera... (v.]). Essa mulher é a mesma Gomer, que se casou com o profeta Oséias. “Amigo”, aqui, é o mesmo que amante, a mesma palavra empregada para “amantes” em Jeremias 3.1, e “namorados” no v. 5 do capítulo 2 de Oséias. Apesar do sentido de “marido, companheiro”, em outras parte do Velho Testamento (Jr 3.20), o contexto aqui indica “amante” Gomer se prostituiu, deixou seu marido e foi atrás de seus amantes ou namorados. Da mesma forma a nação de Israel se prostituiu, no sentido literal e espiritual, pois os cultos pagãos eram imorais (4.13,14; Jz 8.33). Israel deixou o seu Deus Jeová, que numa linguagem figurada, é o marido de Israel, para cultuar às divindades falsas, os seus amantes.

2. Fomos alvejados pelo amor de Deus. ... como o SENHOR ama os filhos de Israel... (v. 1). Fomos alvejados pelo amor de Deus. O verbo amar, em hebraico ahabh, aparece 4 vezes só nesse v. 1. Falando-se de amor isso inclui também perdão, reconciliação, redenção. Por isso que Oséias é conhecido como o apóstolo João do Velho Testamento. A nossa situação não era diferente. Deus nos amou quando éramos ainda pecadores (Rm 5.8; 1 Jo 4.19).
...embora eles olhem para outros deuses e amem os bolos de uvas (v. 1). Apesar de os filhos de Israel olharem para outros deuses e amarem bolos de uvas, que eram oferecidos aos deuses, principalmente à “Rainha dos Céus” (Jr 44. 19), um ato de infidelidade e traição, Jeová, no entanto, amou-os de maneira tal que proveu um meio para redimi-los. Mesmo sendo uma nação adúltera, Deus continuava amando o povo de Israel.

3. O resgate. E a comprei para mim ... (v.2). Por que Oséias tinha de comprar Gomer, sendo sua mulher? O relato desse casamento não traz pormenores. O certo é que Gomer precisava ser redimida. O preço de um escravo era 30 moedas de prata (Êx 21.32), o preço que nosso Senhor Jesus Cristo foi vendido por Judas Iscariotes (Mt 26.15; 27.3, 9). Oséias não tinha todo esse dinheiro, deu a metade em dinheiro e a metade em víveres. Fica claro, com isso, o esforço de Oséias para restaurar a esposa. Jesus assumiu a forma de servo para pagar a nossa redenção a preço de sangue (Fp 2.7;l Pe 1.18, 19). Nós mesmos não pagamos nada (Is 55.1-3).


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

BIBLIOGRAFIA

Comentário Bíblico Beacon
CPAD - Comentário Bíblico Oséias – Ezequias Soares

3 de outubro de 2012

A ATUALIDADE DOS PROFETAS MENORES


A ATUALIDADE DOS PROFETAS MENORES

TEXTO ÁUREO

“Mas que se manifestou agora e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé ( Rm 16.26)


TEXTO BÍBLICO

Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.
Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido.

E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo;
E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações.
Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.
Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.


INTRODUÇÃO

Neste último trimestre temos a oportunidade, dada por Deus, para estarmos diante de um dos temas mais promissores deste ano. Não há dúvidas que foi a mão do SENHOR que nos deu essa maravilhosa graça. Diante de um tema muito promissor esperamos que o SENHOR, que é mui rico em sabedoria, abrirá em nossos corações o desejo de aprender cada vez mais da sua palavra. O estudo dos livros dos profetas menores abre uma janela para nós entendermos a natureza divina em relação aos acontecimentos atuais. Que o Espírito Santo possa renovar cada vida, e nos ajudar a compreensão deste magnífico estudo.


I- O TITULO DE PROFETA.

Aparecem pelo menos duas descrições no que diz respeito ao cargo de profeta no Antigo Testamento. A primeira caracteriza-se pela normativa “homem de Deus”, que descreve o conceito sobre eles e seus semelhantes.  Foi dado em primeira lugar esse título a Moisés (Dt 33.1) e continuou sendo utilizado até o fim do período monárquico ( p.ex. 1 Sm 2.27; 9.6; 1 Reis 13.1 etc). Essa expressão usada tinha como caráter distinguir os profetas e os homens comuns. Como usado na expressão daquela mulher sunamita “Vejo que este homem... é santo homem de Deus...” (1Rs 4.9). O outro título usado em geral era “servo ( dele, teu ou meu)”. Não aparece no antigo testamento alguém se referindo ao profeta como servo do SENHOR. Contudo encontramos o SENHOR se dirigindo a uns dos seus profetas chamando-o de “meu servo”. Também era usados os pronomes possessivo “dele” e “teu” ( P.ex. 2 Rs 17.13.23; 21.10; 24.2; Ed 9.11).

Entretanto existe ainda outras particularidades em três vocábulos que podem definir a palavra profeta; navi´, ro´er e hozeh. Em primeiro lugar navi´, é usado como definição clara para profeta. O segundo para se aproxima o seu significado para o verbo “ver” que é um particípio e é traduzido como vidente. O terceiro também é um particípio significa ver, mas infelizmente não tem sido traduzido para o português equivalente ao seu significado, e sim distinto entre outros traduzidos como profeta, (Is 30.10) ou vidente ( 1 Cr 29.29)

A primeira pessoa que a bíblia chamou claramente como profeta foi Abraão ( Gn 20.7). O termo profeta navi´ era usado para aqueles que falam em nome de outro, e existe grande debate sobre a utilização deste termo entre os estudiosos, pois a origem desta palavra, para muitos especialista é de origem arcadiana. Podemos definir também um padrão para os profetas do antigo testamento, neste caso, Moisés serve perfeitamente como um padrão dos profetas futuros (Dt 18.15-18). Moisés recebe uma chamada especifica da parte do SENHOR, e isso aconteceria com os demais profetas posteriores a ele. Todos esses receberam uma chamada para serem representante de Deus diante dos homens. Todos tiveram um papel importante na construção histórica do povo de Israel. Todos os livros do Antigo Testamento são para o povo de Israel, suficiente como base histórica e a revelação perfeita de Deus.

II – DEFINIÇÕES PARA VÁRIOS TERMOS

1 Profecia. É a revelação inspirada, sobrenatural e única do conhecimento e da vontade de Deus. A profecia não é, necessariamente, uma previsão do futuro, mas, a revelação do conhecimento e da vontade de Deus à humanidade (Am 3.7; Jr 36.1-3; Ez 2.3-8; 3.4-11).

1.2 Profeta. A palavra profeta deriva-se do termo hebraico navii que significa “falar” ou “dizer”; e do termo grego prophete, que significa “falar de antemão”. Portanto, o profeta é um mensageiro de Deus. Sua principal função é tornar conhecidas as revelações divinas e transmiti-las ao povo (Êx 7.1; Nm 12.6; I Sm 3.20; Hb 1.1,2).

1.3 Profetas Orais. Foram homens chamados para o ministério profético que não deixaram registros escritos, embora que outros escreveram acerca deles e de suas profecias. Dentre eles, destacamos: Gade (I Sm 22.5); Natã (II Sm 12.1); Aías (I Rs 11.29); Semaías (I Rs 12.22); Azarias (II Cr 15.1); Hanani (II Cr 16.7); Jeú (I Rs 16.1); Jaaziel ( II Cr 20.14); Elias (I Rs 17.1); Micaías         (I Rs 22.14); Eliseu (II Rs 2.1), dentre outros.

1.4 Profetas Literários. São os profetas que registraram suas profecias e compõem os 17 livros do Antigo Testamento que vai de Isaías a Malaquias. Cinco deles são denominados de Profetas Maiores (de Isaías a Daniel) e doze de Profetas Menores (de Oseias a Malaquias).  São assim chamados, não por causa da sua importância, e sim, pelo conteúdo do livro e pela duração de seu ministério. Embora escritos há centenas de anos antes de Cristo, a mensagem dos profetas, bem como de toda a Bíblia, é atual e necessária para a Igreja Cristã, pois, os problemas que eles enfrentaram, e os pecados que eles combateram, também ocorrem nos dias hodiernos. Eis aí a necessidade de estudarmos seus escritos e suas profecias.

III- OS PROFETAS MENORES

São considerados profetas menores, os doze últimos livros do antigo testamento. Não se trata de livros com menor importância ou conteúdos escritos. Pelo contrário possui em suas profecias uma grande contribuição para se entender o estado em que se encontravam o povo de Israel daquele período.
O mais fascinante, é que estas profecias alcançaram nossos dias e são tão atuais como para aquele período. Podemos dividir a atuação destes profetas em ; 

- Os profetas de Israel: Jonas, Amós e Oséias.
- Os profetas de Judá: Obadias, Joel, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias.
- Os profetas pós-cativeiro: Ageu, Zacarias e Malaquias.
Entretanto, cronologicamente temos:
- Obadias e Joel ................................................. 850-800 a.C.
- Jonas, Oséias, Amós e Miquéias...................... 780-700 a.C.
- Naum, Sofonias e Habacuque........................... 700-600 a.C.
- Ageu, Zacarias e Malaquias............................... 520-420 a.C.

Foram homens usados por Deus, os profetas eram revestidos do Espírito Santo, e eram capazes de vaticinar os oráculos divinos. Possuíam uma missão árdua, muita vezes enfrentavam os reis, com mensagens poderosas. Agiram de forma continua em um bom período da história do povo de Israel.

Sob a liderança do SENHOR, esses profetas usaram em muitas de suas profecias, uma expressão que não deixava dúvida quem era o responsável por aquelas palavras; “Assim diz o SENHOR”. ( Ag. 1.5, Zc 1.3 Ob 1.1 etc...). De outra forma encontramos os seus servos respondendo ao chamado do SENHOR: "Eis-me aqui, envia-me a mim" (Is 6.8) ou Jeremias, que escuta a voz do SENHOR: "Eis que ponho na tua boca as minhas palavras" (Jr 1.9) ou Ezequiel, que ouve a ordem de Deus: "Vai, entra na casa de Israel e dize-lhe as minhas palavras" (Ez 3.4) ou Amós, que se sente separado das suas tarefas pastoris e transforma-se em porta-voz de Deus: "Vai e profetiza ao meu povo de Israel" (Am 7.15). Grandes e maravilhosos são os planos do SENHOR.

Conclusão

Portanto todos os profetas que atuaram em todos os escritos bíblicos tiveram um papel importante na condução das mensagens divinas. Todos estes homens enfrentaram provações, limitações de todas as formas. Contudo nunca desistiram de levar a preciosa semente, pois aqueles que as conduzem com certeza trarão consigo a alegria. Que o Espírito Santo, possa neste trimestre abrir o entendimento para a palavra do SENHOR e possamos desfrutar das ricas e copiosas bênçãos. 


Evang. JUAREZ ALVES
Assembleia de Deus
Parque Nova Dourados


1 de outubro de 2012

ESTUDO PANORÂMICO DOS PROFETAS MENORES

ESTUDO PANORÂMICO DOS PROFETAS MENORES


Como Cristãos afirmamos aceitar toda a Bíblia como a Palavra Inspirada de Deus, mas o fato é que a maioria de nós negligencia o Antigo Testamento, e este compõe quase 80% de toda Bíblia. Entretanto, a parte mais negligenciada deste menos conhecido Antigo Testamento é a parte destinada aos Profetas Menores.

Muitos Cristãos não têm a mínima idéia a respeito do conteúdo dos livros dos Profetas Menores e da sua relevância para as nossas vidas nos dias de hoje, apesar de tantos séculos nos separarem.

QUEM ERAM OS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO?

O termo Profetas Menores é devido, unicamente, ao tamanho dos seus livros não tendo nenhuma relação com a relevância de suas mensagens.

"....e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu ordenar(Dt 18:18)".

Eram homens espiritualmente sensíveis à voz de Deus, que mantinham comunhão íntima com Ele e que, por isso, falavam em seu nome. No AT, um profeta era alguém chamado por Deus para cumprir uma ou várias tarefas, especialmente a de entregar uma mensagem dEle.

Tinha estreito relacionamento com Deus, e que se tornava confidente do Senhor (Am 3:7) - Via o mundo e o povo do conserto sob a perspectiva divina e não segundo o ponto de vista humano. Não somente ouvia a voz de Deus, como também sentia o seu coração (Jr 6:11; 15:16-17; 20:9). Por isso, compreendia, melhor que qualquer outra pessoa, o Propósito, Vontade e desejos de Deus.

À semelhança de Deus, amava profundamente o povo. Quando o povo sofria, o profeta sentia profundas dores (lamentações de Jeremias). Almejava para Israel o melhor da parte de Deus (Ez 18:23).

Tinha profunda sensibilidade diante do pecado e do mal (Jr 2:12,13,19; 25:3-7 Am 8:4-7; Mq 3:8). Não tolerava a crueldade, imoralidade e a injustiça (Hb 1:9).

Tinha uma visão do futuro, revelada em condenação e destruição (Jr 11:22-23; 13:15-21; Ez 14:12-21; Am 16-20,27), bem como restauração e renovação (Jr 33; Ez 37). O Profeta não era simplesmente um líder religioso, mas alguém possuído pelo Espírito de Deus (Ez 37:1,4).

Ele Recebia conhecimentos Divinamente revelados no tocante: as pessoas, aos eventos e à verdade redentora. O propósito principal de tais conhecimentos era: Encorajar o povo a permanecer fiel a Deus, e ao seu conserto.

Via de regra, era homem solitário e triste (Jr 14:17-18; 20:14-18; Am 7:10-13). Perseguido por falsos profetas que prediziam paz, prosperidade e segurança para o povo que se achava em pecado diante de Deus (Jr 15:15; Am 5:10; Mt 23:29-36; At 7:51-53)

MENSAGEM DOS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO

Tinham como objetivo, tornar clara a vontade de Deus ao povo mediante: Instrução; Correção; Advertência;

O Senhor usava o Profeta para pronunciar o seu juízo antes de este ser desferido. A mensagem dos Profetas enfatizava três temas principais, são eles:

A Natureza de Deus;

Declaravam ser Deus o criador e soberano onipotente do universo, portanto, senhor da história. Leva os eventos a servirem aos seus supremos propósitos de salvação e juízo (Is 44:28; 45:1; Am 5:27; Hc 1:6)

O PECADO E O ARREPENDIMENTO

Os profetas do AT compartilhavam da tristeza de Deus diante da contínua desobediência, infidelidade, idolatria e imoralidade de seu povo. A mensagem era idêntica a de João Batista: arrependei-vos, senão igualmente perecereis.

Falavam palavras severas de justo juízo contra aos transgressores. Prediziam juízos catastróficos, tal como a destruição de Samaria pela Assíria (Oz 5:8-12; 9:3-7; 10:6-15) e a de Jeruzalém por Babilônia (Jr 19:7-15; 32:28-36; Ez 5:5-12; 21:2,24-27).

PREDIÇÃO E ESPERANÇA MESSIÂNICA

Embora o povo tenha sido globalmente infiel a Deus e aos seus votos, segundo o conserto dEle com Abrão, Isac e Jacó, os profetas jamais deixaram de enunciar-lhe mensagem de esperança. Tinham que falar a palavra de Deus a um povo que rejeitavam a sua mensagem. Os profetas do AT eram defensores do antigo conserto e precursores do novo.

LUGAR DOS PROFETAS NA HISTÓRIA DO POVO HEBREU

"Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo filho" (Hb 1:1-2ª).

A carta aos hebreus continua mostrando a supremacia de Cristo e a sua obra redentora, Isto quer dizer que os profetas do AT são antiquados e obsoletos? É claro que não, muitas vezes ele (autor da carta aos hebreus) faz referências aos Profetas , para mostrar como suas palavras fortalecem a nossa compreensão da Pessoa e Obra de Cristo.

Era homes de Deus que, espiritualmente, achavam-se muito acima de seus contemporâneos; Os sacerdotes, juízes, reis, conselheiros tinha cada um, lugar destacado na história de Israel, mas nenhum deles, logrou alcançar a estatura dos profetas.

CONTEXTO HISTÓRICO

O nosso Deus é o "Senhor da História" e nada foge ao seu controle. Ele dirige o desenrolar dos acontecimentos como um instrumento a serviço de seus eternos propósitos. Ao estudarmos sobre a vida e mensagem dos profetas, devemos considerar tanto o contexto social, cultural, econômico e político, como a narrativa inspirada (Bíblia).

NOS TEMPOS DA DOMINAÇÃO ASSÍRIA

O Egito, no seu apogeu, foi usado por Deus como o Berço da civilização Israelita e a despeito da sua glória e ciência, Deus puniu o Egito (Os Agressores de Jacó), mas, disciplinou também Israel e Judá devido à apostasia, idolatria e ao abandono da aliança com o Senhor;

Neste contexto surgiram mensageiros do Senhor (profetas) conclamando o povo ao arrependimento, mostrando-lhe que a ascensão dos assírios viera como extensão de Seu próprio braço, caso não se arrependessem. Os mensageiros deste período foram:

Oséias (reino do norte) O amor supera a dor;

Joel (reino do sul) - O dia do Senhor vem;

Amós (reino do norte) - Justiça, retidão e retribuição divina pelo pecado;

Jonas (reino do norte) - A magnitude da Misericórdia Salvífica de Deus;

Miquéias (reino do sul) - Juízo e Salvação Messiânica;

Naum (reino do sul) - Destruição iminente de Nínive ;

NOS TEMPOS DA DOMINAÇÃO BABILÔNICA

Embora tenham atuado como instrumentos nas mãos de Deus, os Assírios foram punidos por sua crueldade e arrogância. Nabucodonosor, visando estender seus domínios, arrasa a cidade de Nínive e marcha implacavelmente contra Judá conquistando Jerusalém, saqueando seu templo e levando cativos seus habitantes;

Mas uma vez vemos Deus agindo por meio da história para que seus intentos e promessas fossem cumpridos. E naquele contexto, os mensageiros foram:

Habacuque - Profetizou em Judá um ano após a invasão.

Sofonias - O dia do Senhor (grande tribulação), Destruição de Nínive e juízo contra as nações rebeldes;

Obadias - Juízo contra os Edomitas;

NOS TEMPOS DA DOMINAÇÃO PERSA

Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o Senhor, seu Deus, seja com ele"(2 Cr 36:23).

Após o tempo da disciplina dos Judeus (70 anos) o "Senhor da História" conduziu o reino persa, comandado por Ciro, ao triunfo sobre a Babilônia, a fim de restaurar seu povo.

“Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas que não se fecharão" (Is 45:1).

Para que a vida em Judá voltasse a normalidade e se preparasse para a chegada do Messias prometido, Deus enviou os três últimos Mensageiros do Antigo Testamento:

Ageu - Primeira voz profética após o retorno a Jerusalém (15 anos) - reedificação do templo. Ânimo e esperança em dias melhores.

Zacarias - A conclusão do templo e promessas Messiânicas.

Malaquias - Atuou em Jerusalém quase um século após o regresso dos exilados ressaltando a característica do verdadeiro culto e dos verdadeiros adoradores.

MESSAGEM DOS PROFETAS PARA OS DIAS DE HOJE

O estudo dos Profetas Menores vem ratificar a semelhança da situação do povo daquela época com a situação que vivemos nos dias de hoje, conclamando grande necessidade para uma mensagem Profética que venha denunciar a corrupção, as injustiças sociais, o abuso de autoridade, o afrouxamento dos padrões de moralidade e a frieza espiritual do povo de Deus tão comum na mensagem dos Profetas Menores. E, diante dessa semelhança, podemos afirmar com bastante convicção que: OS PROFETAS DE ONTEM FALAM HOJE.



Editora cristã evangélica - revista de ebd (os profetas de ontem falam hoje).





27 de setembro de 2012

A VIDA PLENA NAS AFLIÇÕES

A VIDA PLENA NAS AFLIÇÕES
TEXTO ÁUREO = “Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4.12,13).
VERDADE PRÁTICA = As tribulações levam-nos a amadurecer em Cristo, capacitando-nos a desfrutar de uma vida espiritual plena.
LEITURA BIBLICA = FILIPENSES 4: 10-13
INTRODUÇÃO
“Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus”. (1º Pedro 4. 12-14).
Muitos se dizem discípulos de Jesus, e até alguns pregadores usam as palavras de Paulo em Colossenses 1.24, quando diz: “... cumpro o resto das aflições de Cristo...”. Creio no que a Bíblia diz que somos participantes de tais aflições (2º Co 1.5-7; 2º Tm 2.3, 4.5; Hb 10.32; 1º Pe 4.13, 5.9), mas muitos usam isto mais como uma lamentação, uma lamúria, demonstrando-se mais vítimas, do quê verdadeiros soldados do exército de Cristo, e assim não vão muito longe em seus ministérios, desistindo no “meio do caminho”.
 O fato é que nem todas as aflições que passamos é por causa do nome de Jesus Cristo, mas sim, diversas vezes por causa de nossa própria escolha, nossas desobediências à Palavra do Senhor, nossa falta de vigilância, falta de prudência e paciência, etc...Por outro lado, em 1º João 2.6, nos é dito: “Aquele que diz que está Nele também deve andar como Ele andou”...Se Jesus Cristo foi perseguido e afligido, quanto mais nós, que não somos nem um pouco melhores do que ELE: “Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu SENHOR. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa (João 15.20)”..
Mas o melhor de tudo isso é que um dia, todas estas aflições terão um fim. O próprio apóstolo Paulo, afligido muitas vezes pelos falsos irmãos em Corinto, disse assim: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente. (2º Co 4.17)”. Pois ele sabia, que tem um lugar reservado no céu, aonde não há lágrimas, nem dor, nem pranto, quando o próprio Senhor Jesus enxugará de nossos olhos todas as nossas lágrimas e nos consolará de todas as nossas aflições (Ap 21.4).
AS AFLIÇÕES DE PAULO
Uma das marcas indiscutíveis do ministério de Paulo foi o sofrimento que teve durante sua vida ministerial. Suas cartas relatam estes sofrimentos: 1 Coríntios 4.9-13 – marcas da cruz de Cristo; 1 Coríntios 16.8-10 – adversários e tribulações; 1 Coríntios 15.32 – lutas; 2 Coríntios 7.5 – conflitos e temores; Gálatas 4.11-15 e 2 Coríntios 12.7 – enfermidades (talvez acessos de malária); 2 Coríntios 11.23-33 – elenco completo de sofrimentos: prisões; açoites; perigos de morte; fustigado com varas; apedrejado; naufrágio; perigos nas viagens, nas cidades, nos mares, entre judeus, entre gentios, nos rios; fome e sede; frio e nudez; etc.
Paulo sabia o que era sofrer e a respeito disso deu testemunho em sua II Epístola aos Coríntios (II Co. 11.6.29; 12.10). E por causa de tais aflições, poderia, também, “consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmo somos consolados de Deus” (II Co. 1.4).
Essa é uma demonstração de um dos motivos pelos quais somos afligidos, a fim de que possamos nos colocar no lugar daqueles que padecem.  Sofrer, para Paulo, é um ato de comunicação, de identificação do crente com os sofrimentos de Cristo (II Co. 1.5; Fp. 3.10).
Os sofrimentos de Paulo, bem como os dos coríntios, faziam com que eles fossem participantes dos sofrimentos de Cristo.  Mas eles também partilharam do consolo em meio às tribulações, mesmo que essas aflições parecessem desesperadoras (II Co. 1.8).
Esse consolo teve como fundamento a confiança, não em nós, mas em Deus, que tem poder até para ressuscita os mortos (II Co. 1.9).  O Apóstolo revelou que havia recebido sentença de morte, isso se refere, provavelmente, às perseguições que sofreu por parte dos religiosos judeus durante sua viagem, que quiserem matá-lo (At. 20.19; 21.27).
Certo Alexandre, naquele momento, causou muitos males a Paulo, que, mesmo abandonado (II Tm. 4.14)  Não se indispôs contra o Senhor, antes encontrou nEle e na esperança da Sua vinda, o conforto necessário para superar as aflições (II Co. 4.17,18).

Paulo revelou que Deus permite que os seus filhos sejam afligidos (II Co. 1.5). Quando padecemos por sofrimentos por causa de Cristo o próprio Senhor sofre em nós (At. 9.4; Cl. 1.24). Nem sempre Deus livra o cristão do sofrimento, mas no sofrimento, e, como lemos na galeria dos heróis da fé de hebreus 11, determinadas aflições somente cessarão na eternidade.  Mas o sofrimento do crente sempre tem um propósito, um deles é a produção de consolo e salvação para os outros (II Co. 1.6).
A morte de vários cristãos ao longo da história serviu de semente para que o evangelho aflorasse em várias regiões do mundo. O sofrimento serve também como instrumento de conforto e consolo para outros crentes que sofrem.  Afinal, a promessa de consolo vem do Senhor que também produz em nós essa mesma característica a fim de consolar outros (II Co. 1.7).
O sofrimento não necessariamente decorre de pecado, na verdade, os crentes mais consagrados podem passar por provas desesperadoras (II Co. 1.8). Paulo testemunha que sofreu inúmeras perseguições tanto por parte dos judeus (At. 20.19; 21.27),
Quanto dos gentios (At. 19.23-40) e é bem provável que em uma dessas situações tenha sido sentenciado à morte. Mas o crente sabe que a morte não é o fim, a eternidade deva ser o alvo central da vida do cristão sofredor, pois quando tudo terminar, Deus estenderá sua mão, contanto que confiemos nEle, não em nós mesmos (II Co. 1.9).  Ele é o mesmo Deus e do mesmo modo que agiu no passado agirá no presente e no futuro a fim de cumprir com Sua palavra (II Co. 1.10).

A TRISTEZA DO APÓSTOLO =  Nem sempre o ambiente em que estamos vivendo, mesmo em nossas igrejas, irá determinar que continuaremos envolvidos com Deus. Nem sempre pessoas com as quais convivemos, por mais espirituais que elas possam ser, irão fazer-nos continuar a nos envolver com o Senhor e com a Sua obra. Também, as experiências que já tivemos no passado, por mais bem sucedidas que elas tenham sido, não irão fazer-nos seguir em frente no objetivo de continuarmos envolvidos com Deus. O apóstolo Paulo faz uma tremenda recomendação ao colega Timóteo, exortando-o a que ele continue envolvido com Deus e com a Sua obra até o fim dos seus dias. Paulo exorta Timóteo a que cumpra cabalmente, completamente, o seu ministério, vejam: "...Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério..." 2 Tm.4.5
Interessante que assim como o apóstolo Paulo exorta um colega a que permaneça envolvido com Deus até o fim dos seus dias também, o mesmo apóstolo, no mesmo livro, e no mesmo capítulo, lamenta a perda de um outro colega. Vejam: "...Procura vir ter comigo depressa. Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica..." 2 Tm.4.9 e 10
O QUÊ ACONTECEU COM O NOSSO IRMÃO DEMAS ??? PRIMEIRO? Demas vivia num excelente ambiente. No verso 24 de Filemon e no verso 14 do capítulo 4 de Colossenses, percebemos nitidamente que o ambiente em que Demas vivia era dos mais saudáveis e propícios.
OBSERVA: "...Saúda-vos Lucas, o médico amado, e também Demas." Cl. 4:14
"...Saúdam-te Epafras, prisioneiro comigo, em Cristo Jesus, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores...." Fl. 1:24
Demas encontrava-se num ambiente evangélico.Ele estava no meio de muitos irmãos crentes e, também, estava comunicando-se com outros tantos
SEGUNDO? Demas trabalhava numa excelente equipe de trabalho.Também nestes 2 versos que eu citei, nós concluímos que Demas tinha pelo menos 3 amigos de altíssimo nível: Marcos, Lucas e Paulo. Me dá água na boca só de imaginar ser chamado de colaborador do apóstolo Paulo. Já imaginou? Você estar trabalhando com Paulo, com Lucas, com Marcos, sendo ajudados por esses irmãos preciosos, sendo exortado por eles....
TERCEIRO? Demas havia tido experiências muito bem sucedidas. Não consta na Bíblia nenhum registro de experiências na Vida do nosso irmão Demas. Mas não dá para ser um colaborador de Paulo e não passar por várias experiências maravilhosas com Deus, não é verdade ?
O fato é que a Palavra de Deus diz que Demas amou o presente século e abandonou o apóstolo Paulo!!!
Mas que coisa !!! Um quadro tão propício, tão promissor !!! Um ambiente tão agradável e maravilhoso !!! Um circulo de amigos tão espirituais !!! Tantas experiências de ver o livramento de Deus nas suas vidas !! Por quê esse irmão não continuou sendo fiel e cada dia mais envolvido com Deus e com a Sua obra ??? O quê terá motivado esse irmão a abandonar uma vida com Deus, e se envolver com as coisas do mundo?
RESPOSTA: A Palavra de Deus, na verdade, não nos diz o quê, realmente, aconteceu com o nosso irmão Demas. A Palavra de Deus apenas nos diz o que ele fez, ou seja, Ele deixou de se envolver com Deus e se envolveu com o mundo. Mas se a Palavra de Deus não fala sobre o que aconteceu, de fato, com Demas, ela fala sobre o colega de Demas, o apóstolo Paulo. Paulo era tremendamente envolvido com Deus e com a Sua obra !!! Paulo soube como ninguém, a valorizar as coisas eternas, as coisas de Deus e, por causa disso, tinha um grande envolvimento com Ele ! Paulo faz uma exortação em II Cor.4.18 e 19, que certamente o seu colega Demas não considerou:
OBSERVA: "...Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas...." II Co. 4.17-18
O apóstolo Paulo aqui nestes versos nos afirma que uma vida de envolvimento com Deus é uma vida que deve ser vivida sem se basear nas circunstâncias do dia a dia. Ninguém que quiser levar uma vida de envolvimento com Deus poderá ficar observando as coisas difíceis que lhe acontecem.
Porque as coisas que vemos são temporais, são passageiras !!! E quem melhor do que o apóstolo Paulo para falar sobre não atentar nas coisas que se vêem? Quanta coisa Paulo via ??? Quanta coisa Paulo sentia na sua própria pele ???
Que Deus nos livre de agirmos como o pobre irmão Demas !!! Que Deus nos livre de andar por vista e não por fé !!! Demas, ao andar por vista, optou pela decisão mais errada: optou pelo mundo, foi envolvido pelo mundo. Paulo disse que Demas amou o presente século!!!
CONTENTANDO-SE EM CRISTO
OS ANOS FINAIS E O MARTÍRIO = Se assumirmos que Paulo é o autor das cartas pastorais (1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito), podemos traçar o provável curso dos eventos dos últimos anos de Paulo. Romanos 15:28 mostra que a intenção de Paulo era entregar as arrecadações e ir em direção a Roma e depois para a Espanha. O fato de ele ter sido preso em Jerusalém não só atrapalhou seus planos mas também o fez perder tempo que ele queria gastar em outro lugar.
Nós sabemos que algum tempo depois de 61 D.C., Paulo deixou Tito em Creta (Tito 1:5) e viajou através de Mileto, sul de Éfeso. Viajando em direção a Macedônia, Paulo visitou Timóteo em Éfeso (1 Timóteo 1:3). No caminho, Paulo deixou seu manto e seus livros com Carpo em Trôade (2 Timóteo 1:3). Isso indica que a intenção dele era voltar ali para pegar as suas coisas.

De Macedônia, Paulo escreveu sua carta afetuosa porém apreensiva a Timóteo (62-64 D.C). Ele havia decidido passar o inverno em Nicópolis (Tito 3:12), noroeste de Corinto, mas ainda se encontrava na Macedônia quando escreveu esta carta a Tito. Essa carta é parecida com 1 Timóteo, mas com um tom mais rigoroso. Nela há uma última referência ao eloqüente e zeloso Apolo (Tito 3:13), que ainda trabalhava para o evangelho por mais de dez anos depois de ter conhecido Paulo em Éfeso (Atos 18:24). Neste ponto da história o caminho de Paulo é desconhecido. Ele pode ter passado o inverno em Nicópolis, mas ele não retornou a Trôade como ele havia planejado (2 Timóteo 4:13).
Em algum ponto os romanos provavelmente o prenderam novamente, pois ele passou um inverno em Roma na Mamertime Prison, passando frio na cela gelada de pedra enquanto escrevia a sua segunda carta a Timóteo (66-67 D.C). Ele podia estar antecipando isso quando pediu para Timóteo lhe trazer o seu manto (2 Timóteo 4:13,21). Nós só podemos especular quais eram as acusações contra Paulo; alguns sugerem que Paulo e os outros cristãos podiam ter sido acusados (falsamente) de terem incendiado Roma.
Era, no entanto, contra a lei pregar a fé cristã. A proteção que havia sido dada aos judeus tinha sido retirada dessa nova religião estranha. Paulo sentiu o peso dessa perseguição. Muitos o abandonaram (2 Timóteo 4:16), inclusive todos os seus colegas na Ásia (1:15) e Demas que amava ao mundo (4:10). Apenas Lucas, o médico e autor do livro de Lucas e Atos, estava com ele quando ele escreveu a sua segunda carta a Timóteo (4:11). Crentes fiéis que estavam escondidos em Roma também manteram contato (1:16; 4:19, 21).
Ele pediu a Timóteo que viesse ao seu encontro em Roma (4:11), e aparentemente Timóteo foi. O pedido de Paulo que Timóteo o trouxesse seus livros e o seu pergaminho indica que ele estava estudando a palavra até o fim. O apóstolo Paulo teve duas audiências diante dos romanos. Na sua primeira defesa só o Senhor ficou do seu lado (2 Timóteo 4:16). Lá não só ele se defendeu como também defendeu o evangelho, ainda na esperança que os gentios escutassem sua mensagem. Aparentemente não houve um veredicto, e Paulo foi "livre da boca do leão" (4:17).
Apesar de Paulo saber que morreria em breve, ele não temeu. Ele foi assegurado que o Senhor o daria a coroa da justiça no último dia (4:8). Finalmente, o apóstolo em si escreveu encorajar todos os que criam "O Senhor seja com o teu espírito. A graça seja com vosco" (2 Timóteo 4:22, RSV). Depois disso, a escritura não menciona mais Paulo.
Nada sabemos sobre a segunda audiência de Paulo, mas provavelmente resultou em sentença de morte.
Não temos nenhum relato escrito do fim de Paulo, mas foi provavelmente executado antes da morte de Nero no verão de 68 D.C.. Como um cidadão romano, ele deve ter sido poupado das torturas que os seus companheiros de mártir haviam sofrido recentemente. A tradição diz que ele foi decapitado fora de Roma e enterrado perto dali. A sua morte libertou Paulo "partir e estar com Cristo, o que é muito melhor" (Filipenses 1:23).
LIVRE DA OPRESSÃO DA NECESSIDADE = Alegria em Cristo (4:4-7). Não é fácil estar contente no sofrimento, mas isto é o que o cristão é chamado freqüentemente a fazer. O cristão que está lutando contra Satanás sofrerá nesta vida (veja 2 Timóteo 3:12). Mas podemos regozijar-nos, não importa quão dura seja a situação, se rego-zijamos "no Senhor". Se simplesmente nos mantivermos perto do Senhor, em oração, e pelo nosso próprio comportamento moderado, até mesmo no sofrimento poderemos conhecer a paz "que excede todo o entendimento" (4:7). Paulo está escrevendo com experiência: lembre-se, foi em Filipos que ele e Silas estavam alegremente cantando hinos a Deus mesmo depois de terem sido espancados e atirados na prisão (veja Atos 16:19-25).
Como pensar (4:8-9). Tornar-se um cristão forte envolve uma mudança completa de personalidade, do coração para fora. Para se comportar como um cristão, precisa-se pensar como um cristão. O cristão precisa pensar ativamente, e não passivamente. Paulo diz para deixar que esta coisa "ocupe o vosso pensamento" (4:8).
Uma mente ociosa acolherá todo tipo de pensamentos, desde os bons até os maus; mas uma mente ativa trabalhará para controlar-se, detendo-se no que é nobre e bom, deixando fora o que corrompe. Jesus ensinou que, não somente nossos atos, mas nossos pensamentos por trás deles serão julgados no dia final (veja Mateus 5:21-32).
Ao receber ajuda dos Filipenses, Paulo se regozija grandemente "no Senhor" (4:10). Mesmo assim, ele explica que seu contentamento vem, não das coisas que ele tem nesta vida, mas em sua relação com o Senhor. O contentamento, nesta vida, é uma atitude aprendida (4:11). Em todas as coisas que Paulo sofreu por amor do evangelho (veja 1:17; 3:4-11; 2 Coríntios 11:23-30), ele aprendeu a manter sua atenção em Cristo (veja também 2 Coríntios 12:7-10). Se aprendemos a ter Cristo como o foco de nossa vida, a nossa circunstância material perderá sua importância (4:12-13).
CONTENTE E FUNDAMENTADO EM CRISTO = Ainda que Paulo não precisasse do donativo deles para ficar contente, assim mesmo ele se regozijou em recebê-lo porque eles participaram da aflição dele (4:14). Eles tinham ajudado a Paulo desde o início, quando ele saiu de Filipos para ensinar em Tessalônica (4:15-16; veja Atos 16:11-17:4 e 2 Coríntios 8:1-5). Agora que tinham oportunidade de ajudá-lo novamente, isso significaria "fruto" para crédito deles (4:17). Eles colheriam ricas recompensas do Pai (4:19). A dádiva deles era um sacrifício pessoal, "como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus" (4:18). Não é o objeto do sacrifício que dá a suave fragrância a Deus, mas o coração daquele que faz o sacrifício. Os corações dos filipenses eram suaves para Deus, em seu abundante amor para com Paulo.
Essa generosidade é o modelo para os cristãos de hoje. Eles não deram esperando receber bênçãos em retribuição. Não deram porque era algo que "a igreja" exigia. Eles deram com ânimo e de coração, sabendo que sua dádiva estava indo para a divulgação do evangelho e que "Deus ama a quem dá com alegria" (2 Coríntios 9:7).
AMADURECENDO PELA SUFICIÊNCIA DE CRISTO
Aperfeiçoar o caráter cristão = Rm 5.3-4 – Nesse texto, Paulo afirma que o sofrimento é um meio que Deus usa para aperfeiçoar o caráter dos cristãos. Mas, diferentemente da versão Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica Brasileira, há outras versões da Bíblia que traduzem o texto de uma forma diferente. A palavra “tribulações” é traduzida como “sofrimentos”, “perseverança” é traduzida como “paciência” e “experiência” é traduzida como “caráter provado”. Assim: Paulo diz que os sofrimentos produzem perseverança – Na língua grega, a palavra “perseverança” pode também ser traduzida por paciência, persistência, constância.
Essas são algumas características que se apresentam no homem maduro, que se mantêm leal à sua fé e aos seus propósitos mesmo quando está debaixo das maiores tribulações ou sofrimentos. Em geral, não crescemos quando estamos em plena calmaria de problemas. Em todos os ramos, o desenvolvimento aparece em hora de crise ou sofrimento.
Paulo diz que a perseverança produz experiência – Essa é parte da reação em cadeia. Assim como os sofrimentos produzem a perseverança (ou paciência, ou constância, ou persistência), esta produz experiência. Na língua grega, a palavra “experiência” pode ser traduzida por “caráter provado”. A idéia é a de alguém que foi testado e saiu vitorioso no teste, tendo desenvolvido um caráter amadurecido pelos sofrimentos.
Paulo diz que a experiência produz esperança – O sofrimento do cristão o conduz à perseverança, à firmeza, à constância e à paciência porque eles são conectados à esperança. Há alguma coisa no final que os faz levantar os olhos e crer na mudança dos acontecimentos. Para o cristão, o sofrimento é o ponto em que o poder da esperança fica cada vez mais claro, ligando o nosso presente ao futuro de vitória, porque para o cristão “os sofrimentos do tempo presente na são para comparar com a glória a vir ser revelada em nós” (Rm 8.18).
NÃO PELA AUTOSSUFICIÊNCIA == Dependência de Deus = Salmo  31.15, Encontramos neste salmo, Davi angustiado, passando por momentos difíceis, por que não dizer que sua vida estava sendo atingida por uma tempestade. Em todo o salmo podemos extrair ricas lições que servirão para o nosso cotidiano. Não podemos deixar de perceber o que esta passagem transmite para nós; segurança, confiança e acima de tudo à experiência da dependência de Deus. O que eu pude observar que desde o primeiro versículo, ele nos revela Deus como sua fortaleza, revela também Davi pedindo ajuda, socorro, clamando por justiça. E também não poderia deixar de mencionar que ele revela a bondade e misericórdia de Deus. Confiança, Fé e arrependimento são as bases para se alcançar á misericórdia de Deus. Como será que se encontra a sua vida? Atribulada pelas perseguições? Decepcionado com as injustiças? Veja o que Davi queria nos passar; tenha fé, confiança, creia e passe a depender de Deus.
SALMOS 91:-2= No primeiro verso, a imagem visual é de um que é protegido no lugar mais seguro de Deus, Sua sombra, e assim, protegido por Sua presença. Devemos nos concentrar naquele que “habita” ou vive no lugar secreto de Deus este será protegido pela sua presença toda-poderosa. Não é o que afirma habitar na presença de Deus que será protegido, mas aquele que realmente vive lá.
 O ensinamento claro em tudo isso é que para os crentes poderem se apropriar de qualquer das promessas de Deus devem viver em comunhão ininterrupta com Deus, nunca agindo de vontade própria, mas fazendo apenas o que Deus dirige em Sua Palavra. Devem ser totalmente consagrados ao serviço de Deus e completamente rendidos à autoridade de Jesus.
Versículo dois nos diz que precisamos confiar e reconhecê-Lo como o nosso refúgio e fortaleza. Não devemos confiar em nossa própria força e intelecto para nos salvar do perigo, e necessitamos reconhecer aonde a nossa proteção real se encontra. Isto implica fé. Hebreus 11:6 declara: “E sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que Ele existe e que Ele recompensa aqueles que o buscam.”
Tudo posso naquele que me fortalece
A teologia bíblica exige que a interpretação do texto bíblico seja em harmonia com o contexto. O verso 13 de Filipenses 4 tem sido explorado e manipulado erroneamente. Muitos o usam indevidamente para pedir milagres; afirmam que podem conquistar posições elevadas no mundo secular; podem vencer o diabo, enfim, usam o verso para seus interesses pessoais. O sentido dele é o enfoque de uma situação de equilíbrio emocional, de uma pessoa resignada; com autodomínio disciplinado em diferentes circunstâncias.
Mas o contentamento não é algo que se consegue do dia para a noite, é resultado do fruto do Espírito (Gl. 5.22), trata-se de uma alegria que não se deixa abalar, mesmo quando tudo parece não se ajustar aos nossos bem estar.
“Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre”. “Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade”. Fp 4. 11-12. Aceito a abundância ou a carestia.
CONCLUSÃO
Certamente Paulo foi o maior mestre da fé cristã depois do próprio Senhor Jesus Cristo. Chamado a dirigido pelo Espírito santo para proclamar o evangelho aos gentios, esse grande teólogo expôs as profundidades da fé cristã de uma maneira que se mostra fundamental para a igreja de Jesus através dos séculos. Seu total compromisso com o Evangelho do Cristo crucificado permanece como um exemplo para todos os crentes de todas as épocas.
Seu desejo de perseverar a verdade contra todas as heresias ou qualquer coisa que tentasse desfazer o direito a salvação somente pela graça brilha através de todos os seu escritos.
Seu profundo zelo pela aplicação da verdade do Evangelho na vida do crente levou-o a escrever páginas sobre como se deve viver o autêntico cristianismo no meio de uma sociedade pagã.
Tudo isso só seria alcançado por meio do Espírito santo, que vive no interior do crente para realizar os propósitos do pai. Seu profundo amor pelos irmãos na fé e a maneira como sofria e entristecia-se com os pecados e sofrimentos deles são vistos não somente no modo como escreveu sobre os crentes, ou seja, com grande carinho e encorajamento, mas também em suas repetidas referências às orações que fazia por eles.
Sua profunda convicção de que todos pecaram e estão abaixo do julgamento de Deus e sua preocupação para que homens e mulheres ao redor do mundo encontrassem a salvação de que precisavam tão desesperadamente levaram Paulo a responder ao chamado para pregar o Evangelho aos Gentios. Para o apóstolo, Cristo era a única resposta. Ele era o foco e o poder da vida de Paulo e, acima de tudo, aquele que morreu para que ele recebesse o perdão e encontrasse a justificação e a vida eterna no último dia.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
BIBLIOGRAFIA
Fonte: Ilumina
Lições Bíblicas CPAD 2010
estudos.gospelmais.com.br
mvmportuguese.wordpress.com
estudosbiblicos.no.comunidades.net
Lições bíblicas CPAD 1º. Trimestre 2012            
KRUSE, C. II Coríntios: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.
LOPES, H. D. II Coríntios. São Paulo: Hagnos, 2008