4 de março de 2014

AS LEIS CIVIS ENTREGUES POR MOISÉS AOS ISRAELITAS



AS LEIS CIVIS ENTREGUES POR MOISÉS AOS ISRAELITAS –
1º TRIMESTRE 2014 = (Êx 21.1-12)
INTRODUÇÃO
Estudaremos nesta lição as “leis civis” de Israel. Verificaremos sua aplicabilidade e pontuaremos as diferenças entre o Decálogo e as “outras leis” entregues a Israel por meio de Moisés.
DEFINIÇÃO DA PALAVRA LEI EM SUAS VARIADAS APLICAÇÕES
Segundo o Dicionário Teológico a Lei de Deus contida no Pentateuco, é a expressão máxima da vontade Divina quanto a condução dos negócios, interesses e necessidades humanas na família, na sociedade e no Estado. Embora entregue a Israel, a parte ética da Lei de Deus é aplicável aos demais povos, tendo em vista a sua universalidade e reivindicações eternas (ANDRADE, 2006, p. 252).
A Lei de Moisés do hebraico “Torah” que significa “ensino ou instrução” admite uma tríplice divisão:
·A lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (Êx 20. 1-17);
·A lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (Êx 21.1 – 23.33)
·A lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (Êx 24.12 – 31.18).
É importante observar o contexto em que cada “lei” é dada, a quem é dada e qual o seu objetivo manifesto. Só assim poderemos saber a que estamos nos referindo quando falamos de Lei. A Confissão de FÉ hebraica, no capítulo 18 de Êxodo, divide esses aspectos em lei moral, civil e cerimonial. Cada uma tem um papel e um tempo para sua aplicação:

· Lei Civil ou Judicial – representa a legislação dada à sociedade israelita ou à nação de Israel. Ela define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições.
· Lei Religiosa ou Cerimonial representa a legislação levítica do AT. Ela prescreve os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial.
· Lei Moral representa a vontade de Deus para o ser humano, no que diz respeito ao seu comportamento e aos seus principais deveres.
Na Bíblia, ao referir à lei de Moisés, para os judeus não se acha a distinção de lei "moral", "cerimonia" ou "civil" mas somente: "Lei", "Lei do Senhor" e "Lei de Moisés". Nisso podemos entender que o Decálogo é só uma parte da Lei e não a sua totalidade. Há muitos que querem distinguir o Decálogo como a mais importante parte da Lei, sendo a parte moral, e as outras como as cerimonias ou civis, sendo inferiores. É claro que o Decálogo tem as partes morais, cerimônias e civis. Essas partes, em si, não são distinguidas como sendo maior ou menor da "lei" mas, a própria lei. A parte cerimonial (sacrifícios) é chamada "lei" (Lc 2.27). A parte moral é chamada "lei" (I Tm 1.9). A parte civil é chamada "lei" (At 23.3). Pode entender isso comparando o resto da Bíblia com o Pentateuco.

Entenderá que a Bíblia distingue o Pentateuco como sendo a Lei. Gênesis é a Lei (I Co 14.34; Gn 3.16); Êxodo é a Lei (Rm 7.7; Êx 20.17); Levítico é a Lei (Mt 22.39; Lv 19.18); Números é a Lei (Mt 12.5; Nm 28.9) e Deuteronômio é a Lei (Mt 22.36, 37; Dt 6.5).

I – MOISÉS, O MEDIADOR DAS LEIS DIVINAS
1. O mediador (Ex 20.19 - 22)
2. Leis concernentes à escravidão (Ex 21.1-7)
Deus havia dado as “dez palavras”, que era o núcleo do pacto de Deus com Israel, a espinha dorsal de todo o relacionamento que cada israelita deveria ter seja em relação a Deus, seja em relação aos demais israelitas.  Os“dez mandamentos” traziam a moral, ou seja, o modo de vida que o povo deveria ter dali para diante.

O povo, entretanto, não suportou ouvir a voz de Deus e, como já temos visto em lições anteriores, retirou se e se pôs de longe, não quis subir ao monte Sinai, como estava previsto, Nenhuma mão tocará nele; porque certamente será apedrejado ou asseteado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá; soando a buzina longamente, então subirão ao monte (Ex.19.13), preferindo que Deus falasse com Moisés e, então, Moisés se dirigisse ao povo, “E todo o povo viu os trovões e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso retirou-se e pôs-se de longe. E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos. E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis. E o povo estava em pé de longe. Moisés, porém, se chegou à escuridão, onde Deus estava.” (Ex.20.18 – 21).

Moisés foi o mediador entre o povo e Deus. Hoje, Jesus é o nosso mediador “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (lTm 2.5), e só através dele podemos a nos aproximar de Deus “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”(Jo 14.6).
As leis civis foram dadas a Israel tendo em vista o meio e a condição social em que vivam. O Senhor nunca acolheu a escravidão, mas, já que ela fazia parte do contexto social em que Israel vivia, era preciso regulamentar essa triste condição social. Deus ordenou que o tempo em que a pessoa estaria na condição de escravo seria de seis anos. “Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá livre, de graça” (Ex 21.2).
O Senhor, então, estabelece que todos os israelitas deviam ser considerados como tendo igual dignidade e que, mesmo o fato de ter contraído dívidas que não poderia pagar era impossível de fazer com que alguém se sujeitasse perpetuamente a outrem. Temos aqui um nítido princípio da igualdade de todos os homens diante de Deus, princípio este que demoraria, e muito, para ingressar na ordem jurídica das demais nações.


O escravo deveria sair livre no mesmo estado em que havia sido escravizado (Ex.21:3,4). Assim, se era casado, saía livre juntamente com sua família. Mas, se fosse solteiro e tivesse se casado no estado de servidão, sairia livre sozinho, mantendo se a sua família escravizada, já que a família havia sido constituída durante a servidão.

Nesta regra, vemos estabelecido o princípio da plena liberdade de um homem em relação a outro. O escravo que recebesse de seu senhor uma mulher e tivesse filhos com ela, não poderia sair levando esta família, visto que esta família era do seu senhor, a mulher que lhe dera lhe pertencia e, por tanto, haveria aqui um indevido proveito por parte do escravo. Escravo e senhor eram independentes entre si, tinham igual dignidade e um não poderia levar vantagem em relação ao outro. Que belo ensino a respeito da dignidade de  cada pessoa humana.

O escravo, porém, poderia, se quisesse, passar a servir perpetuamente o seu senhor. Assim, de livre e espontânea vontade, caso não desejasse a liberdade ao término do sexto ano, poderia expressar seu desejo de servir para sempre ao seu senhor e, ante este desejo, o seu senhor deveria levá-lo aos juízes e ali ele manifestaria solenemente a sua vontade e, como consequência disto, teria a sua orelha furada com uma sovela e, então, passaria a servir ao senhor para sempre Mas se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair livre, Então seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre”(Ex.21:5,6).

·Quatrocentos anos antes da legislação mosaica), havia uma prescrição que instituía uma escravidão de apenas quatro anos, em caso de dívidas, mas tal dispositivo somente era aplicável quando o devedor vendia por dinheiro sua mulher, filho ou filha para saldar a dívida ou para descontar em trabalhar o saldo devedor, ou seja, era decorrência de um ato unilateral de vontade do devedor, não uma imposição legal absoluta, como se deu em Israel. OBS: “...117º - Se alguém tem um débito vencido e vende por dinheiro a mulher, o filho e a filha, ou lhe concedem descontar com trabalho o débito, aqueles deverão trabalhar três anos na casa do comprador ou do senhor, no quarto ano este deverá libertá - los....” (CÓDIGO de Hamurábi. Disponível em: http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/hamurabi.htm

Ricos e pobres (Dt 15.4 – 11; Jo 12.8)
Deus sustentou o seu povo durante sua caminhada no deserto. Agora, quando entrassem na terra, deveriam trabalhar, e haveriam entre os israelitas ricos e pobres.
·As leis civis e penais. Tinham a finalidade de regular a sociedade civil do Estado teocrático de Israel. Essas leis regiam o casamento, o divórcio, heranças, escravatura, multas, propriedade e outros temas relevantes para o Estado teocrático de Israel. Em caso de violação dessas leis, as pessoas eram duramente penalizadas. (Êx 21; 22 e 23:1-13; Lv 18 e 20; 25.23-55; Nm 27.1-11; 35.9-34; Dt 19.1-13; 22.13-30; 24, 25.1-12).
O governo teocrático que regia o povo de Deus deveria ser sem injustiça. Deus sempre quer o melhor para o ser humano, isso abrange os pobres: “Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Is 1.17).
Deus criou o homem, logo, Ele conhece bem a sua natureza. Para orientar o povo em casos de agressões e brigas, o Senhor determinou leis especificas.

II - LEIS ACERCA DE CRIMES (Ex 21.18,19)
1. Brigas, conflitos, lutas pessoais
2. Crimes capitais
3. Uma terra pura
Com efeito, no pacto noaico, encontramos a seguinte cláusula: “E certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado, porque Deus fez o homem conforme a Sua imagem” (Gn.9:5,6). A vida pertence a Deus e, portanto, ninguém pode ceifar a vida do próximo sem que, com isso, esteja a violar o senhorio de Deus, o absoluto domínio de Deus sobre a vida, pois, como Ana cantará, sob inspiração do Espírito Santo: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela” (I Sm.2:6).

O próprio Deus havia prescrito isto claramente nos “dez mandamentos”, abrindo a segunda tábua com o mandamento “Não matarás”, a mostrar que o valor fundamental e mais proeminente no relacionamento entre os homens é o respeito à vida. O direito à vida é um direito absoluto, que não admite quaisquer temperamentos ou restrições, pois é algo que provém diretamente de Deus, que não pode se submeter a qualquer circunstância humana.

É por isso que a Igreja deve defender a vida em toda circunstância, em toda ocasião, opondo - se à “cultura de morte” que tem se disseminado em nosso mundo nestes dias que antecedem ao surgimento do Anticristo. É lamentável vermos muitos que cristãos se dizem ser adotando a mentalidade mundana contrária à vida e tolerando afrontas à lei de Deus como o aborto, a eutanásia, o infanticídio, a pesquisa com células – tronco embrionárias e tantas outras mazelas que nada mais são que atitudes que visam eliminar vidas humanas.

Na continuidade da legislação que Deus deu a Moisés, vemos que, ao lado da noção de que os homens são iguais e livres, devendo ter apenas a Deus como Seu único e verdadeiro Senhor, a legislação trazida pelo Senhor a Israel mostrava que havia um valor fundamental no ser humano: a vida.

Por isso, o Senhor diz que quem matasse alguém, deveria ser morto e certamente o seria, porque Deus Se encarregaria de matá-lo. Isto deveria ser aplicado inclusive se o homicida fosse um sacerdote que, então, deveria ser tirado do ofício para, então, ser julgado e condenado à morte (Ex.21:14). 

Aqui vemos que Deus não faz acepção de pessoas (Dt.10:17), impondo a lei a todos, inclusive os sacerdotes, bem como, ainda, prescrevendo uma norma extremamente salutar, qual seja, a de que qualquer autoridade que for acusada de um delito deve ser, antes de mais nada, afastada da função para que, como pessoa comum, responda ao processo.

OBS:
“...O homem é chamado a uma plenitude de vida que se estende muito para além das dimensões da sua existência terrena, porque consiste  na participação da própria vida de Deus. A sublimidade desta vocação sobrenatural revela a grandeza e o valor precioso da vida humana, inclusive já na sua fase temporal. Com efeito, a vida temporal é condição basilar, momento inicial e parte integrante do processo global e unitário da existência humana: um processo que, para além de toda a expectativa e merecimento, fica iluminado pela promessa e renovado pelo dom da vida divina, que alcançará a sua plena realização na eternidade (cf. 1 Jo 3, 1 - 2). Ao mesmo tempo, porém, o próprio chamamento sobrenatural sublinha a relatividade da vida terrena do homem e da mulher. Na verdade, esta vida não é realidade « última », mas « penúltima »; trata - se, em todo o caso, de uma realidade sagrada que nos é confiada para a guardarmos com sentido de responsabilidade e levarmos à perfeição no amor pelo dom de nós mesmos a Deus e aos irmãos. A Igreja sabe que este Evangelho da vida, recebido do seu Senhor, 1 encontra um eco profundo e persuasivo no coração de cada pessoa, crente e até não crente, porque se ele supera infinitamente as suas aspirações, também lhes corresponde de maneira admirável. Mesmo por entre dificuldades e incertezas, todo o homem sinceramente aberto à verdade e ao bem pode, pela luz da razão e com o secreto influxo da graça, chegar a reconhecer, na lei natural inscrita no coração (cf. Rm 2, 14- 15), o valor sagrado da vida humana desde o seu início até ao seu termo, e afirmar o direito que todo o ser humano tem de ver plenamente respeitado este seu bem primário. Sobre o reconhecimento de tal direito é que se funda a convivência humana e a própria comunidade política....” (JOÃO PAULO II. Encíclica Evangelium vitae, n.2. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031995_evangelium-vitae_po.html

Deus libertou seu povo da escravidão e os estava conduzindo para uma nova terra. As leis serviriam para ensinar, advertir e impedir que o povo de Israel profanasse Canaã (Nm 35.33,34).

III - LEIS CONCERNENTES A PROPRIEDADE
1. O roubo (Ex 22.1 - 15)
2. Profanação do solo e o fogo (Ex 21. 33,34; 22.6)

Mas, além da proteção às pessoas, as leis civis dadas pelo Senhor a Moisés no monte Sinai também defendiam a propriedade privada, pois um dos mandamentos era “não furtarás”. A propriedade privada é prevista por Deus, é um direito natural do homem, que, para sobreviver, foi autorizado a se apossar dos bens deixados à sua disposição pelo Senhor na face da Terra.

A propriedade, como já vimos supra, não poderia ser exercida em detrimento do próximo. Tinha de servir ao bem da coletividade, algo que, como já falamos, custou e ainda custa a ser assimilado pela mentalidade humana, que é egoística e individualista, máxime nos dias em que vivemos.

A primeira disposição traz a penalidade pela ofensa ao oitavo mandamento (“não furtarás”), que era o da restituição acima do valor furtado à vítima. Quem furtasse um boi, pagaria cinco bois; quem furtasse uma ovelha, pagaria quatro ovelhas (Ex.22:1).


OBS:
·Por que o ladrão paga o preço de cincobois por cada um que ele roubou, no entanto só paga quatro ovelhas por cada uma que ele roubou? Diz Rashi: “...Disse Raban Yochanan bem Zakai: ‘D’us tem uma grande preocupação pela dignidade das pessoas. Por ter roubado um touro que caminha com seus próprio s pés e, por isso, o ladrão [somente teve de puxá-lo junto e] não se envergonhou levando - o no ombro ele paga cinco vezes o valor do touro. Para roubar um cordeiro, o ladrão teve de carregá-lo em seu ombro, então ele só paga o quádruplo do valor, já que ele se envergonhou ao fazer isto’. Disse Rabi Meir: ‘Venha e veja quão grande é o poder do trabalho! Para o roubo de um touro, que o ladrão fez com que deixasse de fazer seu trabalho [no campo], ele paga cinco vezes. Para o roubo de um cordeiro, o qual ele não causou com que deixasse de trabalhar [já que uma ovelha não faz trabalho algum na fazenda], o ladrão paga o quádruplo.” (CHUMASH: o livro de Êxodo, p.156).

Esta disposição demonstra, claramente, que, dentro da mentalidade materialista que cerca todo e qualquer ladrão, a maior pena seria o prejuízo material, a perda de mais do que se ganhou com o furto. É pela falta desta princípio que vemos o aumento de tantos ladrões em nosso meio, notadamente nos ambientes da Administração Pública, pois, ainda quando há condenação (o que já é raro), o ladrão continua de posse daquilo que furtou, o que faz, para uma mente voltada única e exclusivamente para as coisas, ter a certeza de que o crime compensou...
Ademais, a legislação era bem mais branda que a de outras nações.

O Código de Hamurábi, considerado um dos grandes diplomas legislativos da Antiguidade Oriental, feito pelo rei Hamurábi, em Babilônia e que é, pelo menos, quatrocentos anos mais antigo que a legislação mosaica, por exemplo, mandava restituir trinta vezes o valor furtado se o bem pertencesse “aos deuses” ou à Corte e dez vezes o valor furtado se pertencesse a um homem liberto comum, mandando matar o ladrão que não tivesse como restituir, ladrão que sempre seria morto em caso de furto de coisas pertencentes aos deuses ou à Corte.



OBS:
·“...6º - Se alguém furta bens do Deus ou da Corte deverá ser morto; e mais quem recebeu dele a coisa furtada também deverá ser morto.

·7º - Se alguém, sem testemunhas ou contrato, compra ou recebe em depósito ouro ou prata ou um escravo ou uma escrava, ou um boi ou uma ovelha, ou um asno, ou outra coisa de um filho alheio ou de um escravo, é considerado como um ladrão e morto.

·8º - Se alguém rouba um boi ou uma ovelha ou um asno ou um porco ou um barco, se a coisa pertence ao Deus ou a Corte, ele deverá dar trinta vezes tanto; se pertence a um liberto, deverá dar dez vezes tanto; se o ladrão não tem nada para dar, deverá ser morto....” (CÓDIGO de Hamurábi. Disponível em: http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/hamurabi.htm

Naquelas terras e naqueles tempos era comum os habitantes perfurarem ou escavarem o solo em busca de água para o povo e os animais e as lavouras. Quem fizesse tal abertura no solo era responsável pela sua proteção para a prevenção de acidentes.

CONCLUSÃO
Quanto à aplicação das leis civis e cerimoniais de Israel; mesmo não tendo um caráter normativo para o povo de Deus em nossos dias; devemos exercitar a seguinte compreensão: A Lei Civil tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade. A Lei Religiosa ou Cerimonial tinha a finalidade de imprimir nos homens a santidade de Deus e apontar para o Messias, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com sua vinda. A Lei Moral tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões.

REFERÊNCIAS
· ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
· SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. CPAD.
· STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
·Portal Escola Dominical –www.portalebd.org.br

Elaboração:- Pb. Mickel Souza

26 de fevereiro de 2014

UM LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO



UM LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO 

TEXTO ÁUREO =  “E me farão uni santuário, e habitarei no meio deles” (Êx 25.8).

VERDADE PRÁTICA = Deus deseja habitar entre nós, para que Ele seja o nosso Deus e para que nós sejamos o seu povo.

LEITURA BIBLICA = Exodo 25: 1-9

INTRODUÇÃO

O ALTAR DOS HOLOCAUSTOS

Temos uma descrição do Altar dos Holocaustos em Êxodo 27:1-8. Em Êxodo 30:28 o altar é conhecido como o Altar dos Holocaustos

A Descrição do Altar

O Altar dos Holocaustos ficava no pátio externo entre a entrada e do Lugar Santo. Era o primeiro objeto que alguém via ao entrar no pátio. Entre este altar e o Tabernáculo se encontrava a Pia.

O altar era uma caixa quadrada de madeira de acácia coberta de bronze, medindo cinco côvados de comprimento, cinco de largura e três de altura. Tinha pontas de bronze em cada um dos quatro cantos. O Altar era oco e com uma grelha dentro dele. As cinzas caíam num recipiente. Ele era transportado através de varas cobertas de cobre que passavam pelas quatro argolas. Como nas outras peças da mobília, há diferenças de opinião quanto aos detalhes da sua construção.

Neste altar queimava um fogo de origem divina (Levítico 9:24). Ele permanecia constantemente aceso (Levítico 6:13). Ali as ofertas queimadas e de alimentos eram consumidas pelo fogo. O altar era usado diariamente.

 O Simbolismo do Altar dos Holocaustos

O Altar dos Holocaustos ficava diante da porta do pátio do tabernáculo. Isto era uma figura do sacrifício de Cristo no Calvário. A localização do altar nos lembra que só podemos entrar na presença de Deus pelo caminho da cruz (João 14:6). Nós entramos em uma posição de comunhão espiritual e bênçãos através de Cristo (Efésios 1:3).  Vamos ver os diversos usos do 
Altar dos Holocaustos que tipificam a obra salvadora de Cristo:

A. O altar era o lugar de oferta queimada (Êxodo 30:28). Esta oferta mostra Cristo como nosso substituto, sofrendo a penalidade pelos nossos pecados. Bronze significa ?julgamento? e prefigura Cristo como sendo julgado em nosso lugar (II Coríntios 5:21). O fogo que consumia o sacrifício é uma figura do julgamento que cairia sobre o Salvador enquanto Ele sofria a ira de Deus em nosso lugar.

Tudo isso é plenamente visto em Levítico 1:1-7 onde as instruções para a oferta queimada foram dadas. No versículo 4 nos é dito que a oferta era uma expiação pelo pecado. Nos versículos 13 e 17 a oferta é chamada de cheiro suave ao Senhor. Efésios 5:2 deixa claro o que isto tipifica. A morte do filho de Deus foi um sacrifício agradável á Deus, pois satisfez a Sua justa lei e nos fez aceitáveis em Cristo (Efésios 1:6). Estes sacrifícios eram para ser oferecidos como uma pública confissão de fé no Salvador prometido por Deus (Salmo 50:5).

B. O Altar dos Holocaustos era o lugar onde as ofertas de alimentos eram feitas (Levítico 2:1-3). Novamente isto aponta para Cristo. A flor de farinha representava a perfeita natureza humana de Cristo. O azeite revelava Cristo sendo ungido pelo Espírito Santo. Parte desta oferta era queimada no Altar dos Holocaustos como uma figura da obediência de Cristo até a morte. O restante era utilizado pelos sacerdotes como alimento (Levítico 2:1-3), assim como Cristo é o nosso alimento espiritual (João 6:35).

C. O Altar dos Holocaustos também tinha significado em outras áreas do Tabernáculo onde Cristo foi tipificado. As brasas usadas para queimar incenso no Altar de Incenso vinha do Altar dos Holocaustos. Isto revelava que a morte de Cristo era a chave que abria a porta das orações ao Pai. O sangue aspergido no Propiciatório vinha de um sacrifício oferecido no Altar dos Holocaustos.  Novamente nós vemos que a morte de Cristo era a chave para que Ele chegasse a presença do Pai para interceder por nós.

D. Finalmente, o Altar dos Holocaustos era um lugar de refúgio. Homens em apuros fugiam para se agarrar as pontas do altar (I Reis 1:50-51). A ponta era um símbolo de força. Cristo é a ponta da salvação (Lucas 1:68-69). Ele é o poder de Deus para salvação (Romanos 1:16). Pela fé em Cristo nós nos apoderamos da força salvadora do Senhor (Isaías 27:5).

O PÁTIO

Em Êxodo 27:9-19 temos a descrição do pátio que cercava o Tabernáculo. Como tudo que pertence a este assunto, há várias verdades preciosas reveladas aqui.

Descrição

O pátio media cem côvados de comprimento por cinqüenta de largura. Ele era cercado por cortinas de linho fino torcido que eram fixadas através de colunas de cobre e madeira, sendo que as colunas também eram fixadas em encaixes de cobre. O cálculo feito da quantidade de cobre utilizado no Tabernáculo prova que foi utilizado madeira nas suas colunas. Havia sessenta colunas como estas.

Uma porta de vinte côvados de largura permitia a entrada no pátio pelo lado oriental. Ela era feita do mesmo material utilizado na confecção dos véus do Tabernáculo e era fixada através de quatro colunas.

Quando alguém entrava por esta porta dava de frente com o Altar dos Holocaustos, depois com a Pia e finalmente com o Tabernáculo propriamente dito. A localização exata de cada uma destas coisas era significativo.

A Tipologia do Pátio

A. As paredes e o pátio protegiam o Tabernáculo de alguma profanação acidental ou intencional. Isto nos lembra que devemos chegar à presença de Deus de maneira séria e reverente (Eclesiastes 5:1-6). Também somos lembrados que as coisas de Deus como a Sua igreja, ordenanças e adoração devem ser separadas do mundo.

(Salomão, que foi uma figura de Cristo, era protegido enquanto dormia em suas viagens por sessenta soldados. Muitos têm a suposição que o número de soldados é uma alusão as sessenta colunas do Pátio. Esta referência está em Cantares de Salomão 3:6-7).

B. O piso do Pátio e do Tabernáculo era a próprio solo. Isto nos lembra o fato de que quando Cristo, em Sua encarnação e origem humana era uma !raiz de uma terra seca? (Isaías 53:2). Não há glória terrena em Seu nascimento.

C. O Pátio tipificava para nós a comunhão e adoração que os santos gozam na igreja. Como a igreja é a casa de Deus hoje (I Timóteo 3:15) o Tabernáculo era o lugar onde Deus encontrava com Seu povo e onde o evangelho era tipificado em suas ordenanças simbólicas. No pátio o povo de Deus adorava e oferecia seus sacrifícios (Salmo 84:1-2, 65:4, 100:1-4, 27:4-6).

Os Cristãos hoje são todos sacerdotes que devem servir á Deus através da Igreja (I Pedro 2:5). (É interessante lembrarmos que a primeira igreja se reuniu para adoração nos pátios do Templo, como vemos em Atos 2:46. Sem dúvida, os eventos do dia de Pentecostes ocorreram no pátio do Templo e não no cenáculo, como muitas vezes é declarado).

D. A parede do Pátio é de difícil interpretação. Talvez as considerações abaixo são mais simples e mais corretas.

Os encaixes de cobre revelam nosso pecado sendo julgado na cruz. A madeira é uma figura de Cristo tomando a forma humana. A prata usada nas colunas, era do que restara da prata recolhida como dinheiro da redenção e utilizada para a confecção dos encaixes do Tabernáculo. Ela revelava a redenção que nos foi comprada, enquanto Cristo era julgado pelos nossos pecados. A prata sustentava as cortinas de linho torcido. As cortinas de linho tipificavam a justiça (Apocalipse 19:8). Se juntarmos todos os itens, a parede poderia ser interpretada de duas maneiras:

1. A redenção que nos foi feita pelo sofrimento de Cristo sustenta a justiça de Deus em perdoar os nossos pecados (Romanos 3:25-26).

2. Poderíamos também ver no linho, um tipo da justiça imputada de Cristo, pois cobre todo o que entra na presença de Deus pela fé em Cristo (II Coríntios 5:21).

E. A Porta ! Certamente a porta é uma figura de Cristo como a porta e o caminho para a presença de Deus (João 10:9, 14:6). Havia somente uma porta para a presença de Deus. Ela fica em frente ao Altar de Bronze, o qual, é uma figura de Cristo sofrendo pelos nossos pecados.

Que lição há aqui! A primeira visão de quem entrava no Tabernáculo era o altar. Nós vamos chegar ao lar celestial pelo caminho da cruz. Os Judeus entravam na presença de Deus vindo primeiramente com um sacrifício para ser oferecido neste altar. Nós entramos na presença de Deus pela fé no Cordeiro do Calvário.

AS VESTES

Êxodo 28:2 e 40 explica que vestes especiais de !glória e beleza? eram para serem feitas para os sacerdotes. Sabendo que o ofício e trabalho do sacerdote simbolizava a obra sacerdotal de Cristo, é fácil entendermos que as vestes também tinham um significado simbólico.  As vestimentas nas Escrituras muitas vezes representam os deveres e atributos espirituais daqueles que as usam (Efésios 6:13-17, Isaías 11:5).

Os Sábios de Coração! versículos 2-5

Deus concedeu á certos indivíduos a habilidade para fazer o que era necessária na Sua obra. Estas pessoas dotadas deviam cumprir explicitamente as ordens do Senhor. Assim também, hoje em dia, os Cristãos são abençoados com dons espirituais que os capacitam a servir em várias áreas da igreja.  Da mesma forma, nós também devemos seguir a orientação das Escrituras em tudo que fazemos. Nós não temos maior liberdade do que aqueles homens !sábios de coração? tinham e não podemos fazer as coisas a nossa própria maneira.

O Éfode! versículos 6-14

O Éfode somente era usado pelo sumo sacerdote. Esta vestimenta era semelhante a um avental duplo fixado por um ?cinto especial? que era assim chamado para distingui-lo do cinto comum usado pelos outros sacerdotes (versículo 40). Tanto o cinto especial quanto o éfode eram confeccionados com o mesmo material utilizado nos véus e nas cortinas interiores do tabernáculo.

O éfode era um símbolo das funções e deveres sacerdotais. Em cada ombro havia uma pedra de ônix fixada por engastes de ouro. Os nomes de cada uma das tribos de Israel estavam gravados nestas pedras. Temos aqui uma preciosa verdade em ilustração. Quando o sumo sacerdote comparecia diante de Deus, ele carregava os nomes do povo da aliança. Ele os representava em seus deveres e intercedia por eles diante de Deus. As pedras estavam nos seus ombros para revelar que sua força estava prometida para o bem estar deles.

Isto tipifica Cristo, que é a força, o representante e intercessor do Seu povo. Nossos nomes estão no livro do Seu decreto e aliança ! o da vida do Cordeiro (Apocalipse 13:8). Ele nos representou no Calvário e agora vive para levar os nossos nomes diante do Pai (João 17:9). Ele é a nossa força e salvação.

O cinto era usado para amarrar o manto para o trabalho ou quando em viagem.  Nas Escrituras, o cinto simboliza força e prontidão.  Cristo é sempre pronto para atuar ao favor do Seu povo (João 13:3-5).  O Seu trabalho e serviço é sempre feito em justiça, querendo Ele abençoar o Seu povo ou julgar os inimigos deles (Isaías 11:5).

O Peitoral! versículos 15-29

O peitoral tinha aproximadamente 23 centímetros quadrados e era incrustado com doze pedras preciosas gravadas com os nomes das tribos de Israel. Ele era fixado ao éfode e o cinto especial, através de cadeiazinhas de ouro e do cordão azul.

Assim como os nomes gravados nas pedras de ônix revelavam a força do nosso Salvador, 
estas outras revelam o Seu amor. Nós estamos sempre no coração do nosso grande Sumo Sacerdote (versículo 29) do mesmo modo que as tribos de Israel estavam sobre o coração de Arão. É maravilhoso saber que Cristo intercede por nós porque nos ama. Nós somos Suas jóias (Malaquias 3:16-17). Ele nunca comparece perante o Pai sem levar os nossos nomes em Seu coração.

O Urim e Tumim! versículo 30

As palavras ? Urim? e !Tumim? significam !luz? e ?perfeição?. Estes objetos que estavam sempre associados ao Éfode e ao Peitoral estavam relacionados com o serviço sacerdotal de discernir a vontade de Deus (Números 27:21; I Samuel 23:9-11 e 28:6; Esdras 2:61-63). Elas revelam Cristo como conselheiro e como aquele que revela a vontade de Deus (Isaías 9:6).

O que estas pedras eram e como elas funcionavam tem sido objeto de extenso debate. Basicamente há duas teorias pelas quais os homens têm feito muitas especulações.

A. Muitos acreditam que o Urim e Tumim eram duas pedras ou objetos guardados no bolso criado pelo duplo peitoral (versículo 16). De alguma maneira isto era usado para discernir a vontade de Deus. Alguns acreditam que elas eram gravadas com um !sim? e um ?não? e de certo modo revelavam a resposta de Deus quando os homens buscavam Sua direção.

B. Outros acreditam que o Urim e Tumim eram simplesmente as doze pedras do peitoral que eram designadas como !luz? e ?perfeição?. O sumo sacerdote o vestia em razão de ser 
o representante oficial de Israel perante o Senhor. Em virtude da posição do sumo sacerdote, acredita-se que Deus falava ao povo através dele.

Mesmo que o autor se inclina mais para a segunda teoria, não podemos esquecer que Deus poderia perfeitamente ter dado todos os detalhes se Ele achasse conveniente. O importante a ser visto no Urim e Tumim é que Cristo como nosso Sumo Sacerdote é também nosso profeta e revelador da vontade do Pai.

O Manto! versículos 31-35

Por baixo do éfode havia um manto azul. Os mantos parecem simbolizar posição, ofício e caráter (Isaías 61:10). Nosso Salvador é descrito vestindo um manto (Apocalipse 1:13).

Por que o manto do sumo sacerdote era azul? Era para nos lembrar da origem celestial de Cristo? Embora isto seja provável, Números 15:37-40 parece nos dar mais informações específicas. Os filhos de Israel deviam usar cordões azuis a fim de lembrá-los da lei de Deus. Cristo que perfeitamente cumpriu e honrou a lei de Deus é tipificado pelo sumo sacerdote vestindo o manto azul.

Por baixo das bordas do manto eram fixadas, em ordem alternada, romãs azuis, púrpura e carmesim. Campainhas de ouro eram colocadas entre as romãs.

Qual era o significado disto? Talvez seja melhor vermos as romãs como um tipo de frutificação espiritual e as campainhas como um tipo da confissão religiosa. Aprendemos aqui, que diferente dos falsos cristos, nosso Senhor foi perfeito em obras e palavras (João 7:46; Marcos 7:37). Ele foi tudo o que professou ser. Que possamos também nos esforçar para fazer o mesmo (Mateus 5:16).

A Lâmina e a Mitra! versículos 36-38

Sobre a cabeça do sumo sacerdote estava a !mitra?. Esta palavra vem do hebraico e significa !envolver?. Era provavelmente um tipo de turbante.

Uma lâmina de ouro gravada com as palavras !Santidade ao Senhor? era colocada na sua testa. A interpretação disto não parece difícil. A testa nas Escrituras simboliza a intenção de um individuo. Cristo, nosso Sumo Sacerdote era perfeitamente santo e totalmente devotado à vontade de Deus. Como tal, Ele pode morrer pelos nossos pecados e tornar possível a nossa aceitação diante de Deus (Efésios 1:6). É também através de Cristo que nossos ofertas e serviços são aceitos pelo Pai. Até mesmo nossas orações são dirigidas em nome de Jesus?

A Túnica de Linho Fino? versículo 39

A túnica de linho fino era a roupa mais intima da vestimenta do sumo sacerdote e era a primeira a ser vestida por ele após a sua purificação (Levítico 8:7). O linho fino é símbolo nas Escrituras de retidão (Apocalipse 19:8). Sem dúvida isto serve para nos lembrar que da cabeça aos pés, por dentro e por fora, nosso Salvador era santo (I João 3:5).

Vestimenta dos Sacerdotes Comuns! versículo 40-43

Apesar de haver algumas tipologias especiais ligadas ao sumo sacerdote, todo sacerdote Levítico era um tipo do nosso Salvador. Eles eram vestidos de branco para refletir Sua pureza. Nenhuma falta de modéstia era permitida, pois a nudez, desde a Queda do homem, reflete a pecaminosidade da natureza humana. 

O ALTAR DE INCENSO = ÊXODO 30: 1-10

Êxodo 30:1-10 nos dá uma descrição do Altar de Incenso (Altar de Ouro). Aparentemente, ele parece estar fora de lugar, já que as outras mobílias do Lugar Santo foram vistas em Êxodo 25. Entretanto, sabendo que a Bíblia é inspirada, ficamos certos que há uma boa razão para isto. Ao darmos prosseguimento, ficará claro, que o Altar de Incenso não poderia ser entendido até que o altar dos holocaustos e seus sacrifícios se tornassem familiares ao leitor. De fato, o Altar de Incenso não poderia ser usado até que o altar dos holocaustos entrasse em serviço.

A Descrição do Altar de Incenso

O Altar de Incenso ficava no Lugar Santo, diante do Véu. Ele era pequeno, medindo um côvado de comprimento por um de largura e dois de altura. Ele tinha uma coroa de ouro ao redor do topo e pontas em cada um dos seus cantos. Como a Arca e a Mesa dos Pães, ele também era carregado através de varais cobertos de ouro. Quando transportado, o altar era coberto com um pano azul e sobre ele uma outra coberta de peles de texugo (Números 4:11).

O Altar de Incenso não era usado para sacrifícios. Incenso era queimado na parte de cima do altar de manhã e à tarde (versículos 7-10). O incenso era de um tipo especial, o qual estudaremos mais à frente (versículos 34-38). Não havia grelha no altar, e nem fogo era aceso nele. O incenso era queimado com as brasas provenientes do altar dos holocaustos.

IA Obra Intercessória de Cristo.

O Altar dos Holocaustos era um símbolo da morte expiatória de Cristo no Calvário (Romanos 5:8). Ele revelava o julgamento de Deus sobre o Filho enquanto sofreu em nosso lugar (Isaías 53:10). O Altar de Incenso era uma figura da atual obra intercessória de Cristo.

Ele agora vive no céu, para testificar através de Sua presença, que a nossa dívida de pecado foi paga. Este atual ministério de Cristo é um tema principal das Escrituras (Romanos 5:10; Romanos 8:34; Hebreus 9:24; I João 2:1).

O incenso é uma figura da influência intercessória de Cristo em nosso favor. Seu cheiro suave revelava que o Pai ficou satisfeito com a obra redentora de Cristo na cruz (Efésios 5:2). O uso diário do incenso mostrava o Senhor Jesus vivendo sempre para realizar esta obra (Hebreus 7:25).

A ligação entre o incenso e a expiação feita no altar dos holocaustos é vividamente retratada em Números 16:46-48. O incenso relembrava Deus da expiação feita no altar dos holocaustos, ficando assim encerrado o julgamento.

Pelo fato de Cristo viver sempre na presença do Pai, as marcas do Calvário estão sempre presentes, como um lembrete de que nossos pecados foram pagos. Mesmo em glória Ele carrega as evidências dos Seus antigos sofrimentos (Apocalipse 5:6). Por isso os remidos nunca podem ser condenados (Romanos 8:34).

Uma maneira de gravarmos melhor a ênfase simbólica do Altar de Incenso é contrastarmos ele com o altar dos holocaustos. Desta maneira poderemos ver como cada um apontava para os diferentes aspectos da obra salvadora de Cristo.

O cobre nas Escrituras tipifica o julgamento. O Altar dos Holocaustos, de bronze/cobre aponta para o Gólgota, onde Cristo foi julgado por nossos pecados. O ouro do Altar de Incenso revelava Cristo em Sua atual posição em glória, onde Ele vive para interceder por Seu povo.

O Altar dos Holocaustos ficava fora do Tabernáculo, para tipificar o sofrimento de Cristo diante do mundo, enquanto o Altar de Incenso ficava dentro do Lugar Santo.

O Altar dos Holocaustos tinha grelha e fogo. O Altar de Incenso não tinha nenhum dos dois, mas queimava incenso com as brasas emprestadas do altar dos holocaustos. Este ponto é muito importante. O perfume do incenso subiu pela virtude do poder (as brasas) emprestado do altar dos holocaustos. Isto claramente mostra, que o sucesso da atual intercessão de Cristo, está baseada na Sua morte, ocorrida anteriormente no Calvário (Romanos 8:34). Sem o altar dos holocaustos o Altar de Incenso seria inútil. Estas verdades nos ensinam porque o uso de !fogo estranho? era uma ofensa tão séria (Levítico 10:1-3). Isto era o mesmo que ensinar que poderia haver aceitação diante de Deus por outros meios além da cruz de Cristo. Aqueles que pregam a salvação através dos méritos humanos estão trazendo !fogo estranho? diante do Senhor.

O Altar dos Holocaustos era um lugar de sofrimento e tristeza. O Altar de Incenso era um lugar de triunfo e alegria. Quão cegos são aqueles que pensam que Cristo está ainda se oferecendo como um sacrifício perpétuo pelos nossos pecados. Nenhum sacrifício era oferecido no Altar de Incenso.

Cristo morreu uma vez e agora vive para ver que aqueles que foram comprados pelo Seu sangue nunca perecerão.

O Altar dos Holocaustos não tinha coroa. O Altar de Incenso tinha uma coroa para tipificar a presente glória de Cristo.

Nossas Orações

O Altar de Incenso também nos lembra das orações do povo de Deus. Incenso é uma figura das orações nas Escrituras (Salmo 141:1-2; Apocalipse 5:8). O povo de Israel orava enquanto o perfume do incenso diário subia (Lucas 1:8-10).

Nós não estamos nos contradizendo quando vemos no incenso uma figura tanto das orações de Cristo quanto das nossas orações. De fato, há uma harmonia maravilhosa. Por causa do pagamento feito por Cristo pelo pecado, Ele pode se chegar ao Pai em nosso favor . Da mesma forma, através do Calvário, nós temos acesso ao Pai. Tanto nós quanto as nossas orações somos aceitos através da obra consumada de Cristo. Esta é a razão de orarmos em nome de Jesus (João 16:23). Este é o quadro pintado em Apocalipse 8:3-5. O incenso do precioso nome e obra de Cristo sobe com as nossas orações e por esta razão são ouvidas.

Assim como o incenso era queimado diariamente pela manhã e à tarde, vamos então ser constante em orar.

O AZEITE DA UNÇÃO E DO INCENSO = ÊXODO 30: 22-38

Êxodo 30:22-38 fala das instruções para a preparação do azeite da unção e do incenso utilizado nos cultos do tabernáculo.

O Azeite da Unção! versículo 22-23

Os sacerdotes e o tabernáculo eram ungidos com este óleo especialmente preparado. Apesar todos os sacerdotes eram ungidos (Levítico 8:30), parece que havia uma unção especifica para o sumo sacerdote (Levítico 8:12). O sumo sacerdote recebia uma unção mais copiosa (Salmo 133) a fim de melhor tipificar nosso Senhor Jesus (Hebreus 1:8-9).

Ao explicar que o azeite era para ser preparado segundo a arte de um perfumista, devemos muito provavelmente entender que somente a essências de especiarias faziam parte do azeite. O azeite aromático se tornava um coroa para o sumo sacerdote (Levítico 21:12) e deveria produzir um cheiro suave em todo o tabernáculo.

A. O azeite é certamente uma figura do Espírito Santo. Tanto o sacerdócio quanto o tabernáculo tinham que ser ungidos, pois eram uma figura de Cristo. Tanto a palavra !Cristo? quanto a palavra !Messias? significam !O Ungido? . Nosso Senhor Jesus foi tanto homem quanto Deus.

 Como homem Ele foi ungido pelo Espírito Santo e serviu também pelo Espírito (Lucas 4:16-21; Atos 10:38; João 1:32-34). Da mesma forma que o sumo sacerdote, nosso Senhor recebeu uma copiosa e ilimitada unção (Hebreus 1:8-9). Num grau menor nós que somos cristãos e sacerdotes-cristãos, fomos ungidos com a presença do Espírito Santo (I João 2:20 e 27).

B. Advertências! Êxodo 30:31-33

1. Este azeite não deveria ser de uso secular ou pessoal. O Espírito de Deus trabalha para a glória de Deus e não para o lucro dos homens ou para fins pessoais. (Atos 8:14-24). Hoje em dia muitos que reivindicam terem uma !unção especial? estão apenas interessados em recompensas financeiras. Pense na conduta horrorosa de muitos !curandeiros da fé?.

2. O azeite da unção não deveria ser imitado. Muitas vezes no círculo religioso vemos coisas que são feitas como sendo obra do Espírito. O homem tenta imitar a verdadeira espiritualidade. Em muitos casos a participação de um espírito imundo é feita, alegando ser o ministério do Espírito de Deus (I João 4:1, II Coríntios 11:4).

3. O azeite não devia ser derramado na carne dos homens, mas sobre os sacerdotes quando estivessem devidamente paramentados. O homem natural e o Espírito Santo não têm comunhão (Gálatas 5:17).

O Incenso! versículos 34-38

Aqui temos a receita para o incenso queimado sobre o altar de incenso (Compare versículo 36 com Êxodo 30:1-9). Como notamos nas lições anteriores, o incenso era uma figura das orações e intercessão (Salmo 141:2). Cristo intercedeu pelo Seu povo e os cristãos podem orar por si mesmos e pelos outros .

O incenso em particular nos lembra da morte expiatória de Cristo (Efésios 5:2). Sua expiação é o poder por detrás da Sua intercessão e é também a única coisa que fazem nossas orações aceitáveis à Deus (Apocalipse 8:3-4). Este é o motivo de orarmos em nome de Jesus (João 16:23). Porque Cristo pagou pelos nossos pecados é que o Pai pode nos receber.

Nota do autor: O material que pertence ao capítulo 31 foi coberto pelos estudos anteriores e por isso não há um estudo separado dele.

A ALIANÇA RESTAURADA = ÊXODO 34

Israel tinha quebrado a aliança, porém a intercessão de Moisés tinha sido bem sucedida. Êxodo 34 nos conta como a relação de aliança foi restaurada entre Deus e Israel.

I. Moisés é Instruído! versículos 1-3

Moisés recebeu os detalhes a respeito da renovação da aliança que fora quebrada. Aqui Moisés tinha que talhar as tábuas de pedra. As que haviam sido quebradas vieram diretamente de Deus (Êxodo 32:15-16).

II. O Senhor Revelado- versículos 4-7

Ao restaurar a aliança Deus revela Sua glória a Moisés. A glória de Deus é Seus atributos. Ele é !Jeová?, o Deus auto-existente. O Senhor possui todos os atributos bons, incluindo a ira justa pelo pecado e a determinação de julgá-lo. As pessoas imaginam um deus que pode amar e ainda seja incapaz de sentir ira ou a justa indignação. Tal ser seria um pervertido disfarçado. Não pode ser bom quem não odeia o mal.

III. O Senhor Adorado! versículos 8-9

A resposta adequada à glória de Deus é a Sua adoração. O maior benefício é a Sua presença. O maior desejo de Moisés para Israel é que Deus estivesse !no arraial?.

IV. A Grande Promessa de Deus! versículos 10-11

Nunca houve sobre a face da terra uma nação que tivesse um relacionamento com Deus como a nação de Israel. Ele prometeu fazer grandes obras em favor deles e expulsar aqueles que possuíam suas terras.

V. Israel Avisado! versículos 12-17

Quando Israel fosse conquistar a terra prometida eles iriam enfrentar um perigo. Não era a resistência armada que representava perigo, mas a contaminação moral e espiritual. Eles deveriam tomar cuidado em formar alianças ou imitar os caminhos dos povos pagãos.

Mesmo hoje, corremos o mesmo tipo de perigo. Não é a perseguição, mas a contaminação que é o nosso maior perigo no mundo. Nós devemos ser um povo separado. Seguir os caminhos da religião mundana é adultério espiritual (Tiago 4:4). Ninguém pode ser amigo do mundo e de Deus ao mesmo tempo (II Coríntios 6:16-18). Deus é zeloso para com Seu povo. Infidelidade espiritual provoca a Sua ira.

VI. Os Termos da Aliança! versículos 18-27

Estes assuntos foram tratados numa lição anterior. Israel aqui é lembrado dos deveres da aliança.


VII. Quarenta Dias -- versículo 28

Este jejum era humanamente impossível. Sua duração prova que Moisés foi objeto do cuidado divino. Deus estava sustentando Moisés para que ele pudesse interceder por Israel (Deuteronômio 9:18). É interessante notarmos que quando Elias estava tentando renovar a aliança de Deus, ele jejuou quarenta dias no Monte Sinai (I Reis 19:8).

VIII. Moisés com Rosto Velado? versículos 29-35

Moisés desceu do monte com o seu rosto resplandecendo por estar na presença de Deus. Como isto assustou Israel, ele cobriu o seu rosto quando falava com eles. No Novo Testamento Paulo explica o significado ou figura disto:

A. O rosto resplandecente de Moisés revelava a glória da Velha Aliança (II Coríntios 3:7-9). Embora a Velha Aliança seja substituída pela Nova, ainda havia uma maravilhosa revelação do poder e santidade de Deus na Velha Aliança.

B. A obscuridade da Velha Aliança é vista no véu de Moisés (II Coríntios 3:12-13). A Velha Aliança conduzia a Cristo, mas não tinha a clareza da Nova Aliança.

C. O véu no rosto de Moisés nos ensina algo a respeito da cegueira dos Judeus (II Coríntios 3:14-15). Mesmo hoje, quando o Velho Testamento é lido, o seu sentido é velado (oculto) ao entendimento deles. De fato, todos os que não são salvos têm um véu em seus corações (II Coríntios 4:3-4).

Conclusão

Este capítulo conclui o nosso estudo no livro de Êxodo. Os capítulos 35 a 40 relatam como o tabernáculo foi levantado. Estes assuntos foram cobertos pelo nosso estudo nos capítulos 25 a 31.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo Pentecostal
 www.palavraprudente.com.br