8 de abril de 2014

O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS



O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS

TEXTO ÁUREO = “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.11).

VERDADE PRÁTICA = Os dons do Espírito são dotações espirituais e sobrenaturais concedidas por Deus aos crentes para a edificação da Igreja.

LEITURA BIBLICA = I Co 12. 1, 4-11, 31; 4. 20,40

INTRODUÇÃO

Os ensinos acerca dos dons espirituais fazem parte das doutrinas da Bíblia, e precisam ser estudados e aplicados constantemente na vida da Igreja, a fim de dirimir as dúvidas e fortalecer a fé na atualidade dos dons. O ponto de partida para a manifestação dos dons espirituais é o batismo no Espírito Santo, que se evidencia com o “falar em línguas”. Esse “falar em outras línguas” é a evidência física da promessa do “dom do Espírito” (At 2.38), que difere da manifestação dos dons para a edificação espiritual coletiva da Igreja.

O propósito de Deus para o uso dos dons Espirituais (I Cor 12:1-11)

Estudar acerca dos dons espirituais é algo extremamente importante e necessário. Principalmente no tempo em que vivemos onde encontramos uma enxurrada de heresias e problemas relacionados aos dons espirituais.
Entre as diversas distorções sobre o assunto podemos destacar:

1) O cessacionismo- É uma visão de alguns estudiosos que acreditam que os dons foram apenas para os tempos apostólicos. Contudo, não temos provas bíblicas, teológicas e históricas consistentes para provarmos essa posição (1 Coríntios 13:10).

2) O abuso dos dons Espirituais O uso dos dons espirituais como um instrumento de poder, símbolo de status e promoção de ministérios sem esquecer é claro, do ministro.

3) A ignorância de muitos em relação ao propósito e a finalidade dos dons espirituais; Muitos estão completamente alheios aos dons que possuem e ao que a Bíblia realmente ensina sobre os eles e para que servem. Acham que não podem fazer nada na obra do Senhor. Sua auto-estima espiritual está lá embaixo. Os prejuízos para o corpo de Cristo são enormes. De que adianta uma ferramenta poderosa nas mãos de alguém que a desconhece ou não sabe manuseá-la.

4) Falsificação dos dons espirituais - O diabo é astuto e enganador e pode muito bem copiar os dons espirituais a fim de sermos enganados (II cor 11:13-15). Precisamos estar alerta e vigilantes (I João 4:1). Em Mt 7:21-23 Jesus fala de pessoas que exerceram aparentemente dons espirituais mas não eram conhecidos por Ele!

É com base na importância desse assunto que a Bíblia vai tratar dele em vários momentos especialmente em três cartas de Paulo: Romanos12, 1 Coríntios 12 e Efésios 4.11 onde estão as principais listas dos dons.

Em I Cor 12:1 temos a exortação de Paulo é “acerca dos Espirituais (Pneumátikós) não quero que sejais ignorantes” (A palavra dom não aparece aqui no original). Isto aponta para o fato de que o foco de Paulo não esta só nos dons, mas também na vida dos que os tem! Aliás, isto é um princípio extremamente importante que abordaremos no ultimo estudo quando abordaremos o assunto do Carisma x Caráter (Os dons e a vida de que os usa)!

O QUE SÃO DONS ESPIRITUAIS?

No sentido geral refere-se a todas as dádivas de Deus por meio de Cristo, como o dom da salvação, da vida eterna, o evangelho; Geralmente, como em atos 2:38 quando vem no Singular se refere ao Próprio Espírito como dádiva ou presente de Deus!

No sentido especifico, refere-se às capacitações dadas pelo ES aos crentes para o desempenho de um serviço cristão e a operação de Deus, tendo em vista o bem estar e o crescimento da igreja (Ef 4.12; I Pe 4.10; I cor 14.12)

Nos versículos v. 4-6 Paulo fala da natureza dos dons espirituais, mostrando que eles têm um tríplice aspecto: São “charismata”, “diakonia” e “energémata” = dons, ministérios e obras. Com isso, Paulo fala sobre: Origem dos dons; o modo como atuam; a finalidade dos dons.

· Quanto à origem dos dons = Os dons são “chamarismata”, manifestação concreta de “charis” graça divina. A graça de Deus é a origem de todo dom. A origem dos dons nunca está no homem, mas na graça de Deus. É errado os crentes querem distribuir os dons. Aliás, nem podemos fazer isso (Atos 8:18-20 Simão, o mago oferece dinheiro para receber o dom do Espirito)

· Quanto ao seu modo de atuar = Os dons são “diaconia”, prontidão para servir. É concentrar não em mim mesmo, mas no outro. É buscar não minha auto-edificação, mas a edificação do meu próximo.

· Quanto à sua finalidade =Os dons são “energémata”, isto é, obras exteriores. A igreja é a continuação histórica da encarnação de Cristo. Somos o corpo de Cristo na terra. A finalidade do dom é a realização de alguma obra concreta, uma ajuda a alguém, a edificação da comunidade.

O QUE A BIBLIA ENSINA SOBRE DONS?

a) Precisamos identificá-los em nossas vidas. Os dons espirituais são capacitações ou ferramentas para o exercício do ministério que o Senhor nos confiou. Além disso, eles apontam para qual o ministério para o qual Senhor nos chamou!

Após a identificação de um ou mais dons na nossa vida, a nossa tarefa não pára aí. Temos de permitir sua operação e procurar crescer neles (1Co 14.1). Também vale a pena lembrar que eles podem ficar adormecidos em nós (II TIM 1:6 “Despertes o dom que há em ti ...”

b) Há Diversidade e interdependência de dons O Espírito Santo intermedia e arruma os dons no corpo para se complementarem uns aos outros. Um músico não pode produzir uma melodia harmônica de uma nota apenas, nem um artista, uma obra prima com uma só cor.

De igual modo, o propósito do Espírito só pode ser cumprido por meio dos vários dons. Eles devem operar em conjunto e em harmonia uns com os outros e não independentemente em divergência e competição.

Nenhum crente possui todos os dons ( I cor 12.29-30). Assim como não há membro auto-suficiente no corpo nem membro sem função. Daí a necessidade de ajuda mútua na Igreja (Rm 1.11-12);

c)É o Espírito Santo quem concede o dom a quem ele quer (I Cor 12.11). O Espírito Santo é livre e soberano na distribuição dos dons. No texto de I cor 12 temos quatro verbos chaves que ilustram essa soberania: no verso 11, “Deus distribui”; no verso 18, “Deus dispõe”; no verso 24, “Deus coordena” e no verso 28 “Deus estabelece”. Do começo ao fim Deus está no controle.

Assim, ele não vem como resultado de busca. Não se compra nem se arranca dele com vigílias de oração em busca de poder. Não são uma medalha espiritual por tempo de serviço ou dedicação espiritual. Não é o crente que decide o dom que deseja ter e o ministério que vai exercer. Ele não deve se achar mais importante porque exercita dons considerados de maior valor.

d) Os dons são para a edificação e a maturidade da igreja – 1Coríntios 12.7 diz isto: “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum”. Os dons não são para vaidade, obter posição, lucros nem para entretenimento pessoal. Dizer: “eu tenho um dom para meu uso pessoal” é uma expressão que não faz sentido.

Quem tem dons se torna servo dos demais, não senhor. É servo e não mais crente, mais espiritual, mais cheio de poder. Vaidade e dons são incompatíveis.

Quem tem dons deve ser servo, como lemos em 1Pedro 4.10: “servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. A doença que John Stott chama de “holofotite" deve ser evitada entre nós. Os dons não são estímulo para ela.

Outros textos como (1Cor 14.26; Efésios 4.11-14) vão reforçar a afirmação de que os dons são para que a igreja seja edificada e chegue à maturidade.

Entretanto, ter dons espirituais e ser maduro espiritualmente são coisas distintas. A igreja de Corinto é uma prova de que é possível ter muitos dons e ainda sim ser imaturo espiritualmente (I cor 1:7 versus I cor 3.1). É possível ter dons notáveis em uma área, mas ser muito imaturo no entendimento espiritual e na conduta cristã. A maturidade vem no decorrer da caminhada cristã e através dos elementos que já trabalhamos em nosso estudo sobre as chaves do crescimento Espiritual: Espírito santo, oração, Palavra de Deus e a Igreja.

e) Os dons são dados para a glória de Deus – Lemos em 1Pedro 4.11: “Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém.”. Deus nos deu habilidades e talentos para que ele seja glorificado, não a pessoa que recebeu o dom.

f) Prestaremos conta a deles a DeusSomos mordomos ou seja administradores de todos os dons e recursos que Deus nos confiou. De tudo isso prestaremos conta a Deus. Jesus inclusive ilustra esta responsabilidade por meio da Parábola dos Talentos Mt 25:14-30. Assim, não podemos ser negligentes, medrosos ou preguiçosos na obra do Senhor.

g) Promover a unidade do Corpo de Cristo (1 Co 12. 12, 13). Os dons espirituais visam promover a unidade da Igreja no sentido espiritual, mas também socialmente, pois a operação dos dons dinamiza a comunhão entre os crentes. No aspecto físico, o sangue e o espírito são dois elementos que mantém a unidade do corpo humano. O sangue está espalhado em todo o corpo e atinge todos os membros. O espírito não se localiza em determinado órgão, mas está em todo o corpo. Assim sendo, o sangue de Jesus (isto é, a sua eficácia) está em todo o Corpo de Cristo, a Igreja, e o Espírito manifesta- se através dos dons para manter e fortalecer o corpo de Cristo.

h) Promover a diferença e a funcionalidade dos membros do Corpo e Cristo (1 Co 12.14-16,27). A Igreja é um corpo com muitos membros, e todos são indispensáveis para o seu perfeito funcionamento. Cada cristão é parte integrante da Igreja, e os dons são concedidos para o perfeito exercício do corpo; não são independentes e atuam pelo bem dos demais. Cada membro tem a sua função, e quando dotado de um dom espiritual, trabalhará para beneficiar a todos. A diversidade dos dons existe dentro da unidade do corpo (1 Co 12.4). Os dons emanam de uma mesma fonte: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1 Co 12.4). É Ele quem utiliza os dons conforme a sua soberana vontade. Os dons não são para a exaltação das pessoas, nem para a sua individualização.

i) Promover a pregação do evangelho. Os dons tomam a pregação do Evangelho mais eficaz, pois confirmam a Palavra de Deus que está sendo proclamada (Hb 2.3,4). Infelizmente, muitos utilizam os dons, principalmente os de curar, para atrair multidões. Enquanto isto, a mensagem que leva o pecador ao arrependimento é deixada de lado. De que adianta ser curado no corpo e ter a alma lançada no inferno? A pregação verdadeiramente bíblica e pentecostal é centrada em Cristo e na sua morte na cruz. Cremos na cura divina e na operação de maravilhas. No entanto, este é o maior milagre: o novo nascimento que Deus opera no coração do pecador mediante a ação do Espírito Santo. O compromisso do Espírito é com a “palavra da cruz”, “o evangelho da salvação” (Ef 1.13; 1 Co 1.18).

j) O aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.11,12). Os dons contribuem também para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos crentes. Todavia, para que isso aconteça, temos de utilizá-los com sabedoria. Observemos, pois, a recomendação bíblica quanto ao seu uso: “Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Co 14.40).

DONS X TALENTOS

Os dons podem estar relacionados com os talentos, que são aptidões naturais das pessoas, mas não se confundem com eles. Ambos procedem da mesma fonte, que é Deus, mas os talentos pertencem a velha criação, enquanto que os dons pertencem a nova criação em Cristo. Ambos devem ser descobertos e desenvolvidos (Rm 12.6-8). Ambos devem estar à serviço de Deus.

DONS X FRUTO DO ESPIRITO

O fruto do Espírito são evidências na vida daquele que tem de fato o Espírito Santo. Diferentemente dos dons, que são dádivas e capacitações específicas dadas a cada cristão conforme os propósitos divinos, o fruto é uma conseqüência natural em uma vida constantemente moldada por Deus, de modo que todos os cristãos podem, mediante o “viver pelo Espírito” (Gl 5.16), demonstrar todas as nove virtudes deste fruto. Enquanto os dons estão relacionados ao ministério que temos, o fruto esta relacionado ao que somos!

A ADMINISTRAÇÃO DOS DESPENSEIROS DE DEUS

Os servos do Senhor são cognominados de várias maneiras pelas Sagradas Escrituras. Neste estudo, enfocaremos a figura do “despenseiro”. Veremos, ainda, suas responsabilidades e incumbências. Estas podem ser divididas em quatro categorias de deveres.

1) O despenseiro deve pregar a Palavra de Deus, pois é um administrador dos divinos mistérios, 1 Co 2.2. Esta obrigação tem que ser cumprida de boa mente. 1 Co 9.16-17, 1 Pe 4.10.

2) O despenseiro deve cuidar da casa do Senhor, para prover adequadamente o seu sustento, Mt 24.45. E, isto significa apascentar o rebanho e ter cuidado dele. 1 Pe 5.2,3, At 20.28.

3) O despenseiro deve entregar-se em defesa do Evangelho. Fp 1.16. Pois a Igreja é a coluna e firmeza da verdade, 1 Tm 3.15.

4) E, finalmente, o despenseiro deve administrar os bens materiais da casa de Deus. Rm 15.31.  Foi por isso que Paulo pediu orações à igreja. Rm 15.30,31.


CONCLUSÃO

Os dons são para a edificação e crescimento do corpo de Cristo e não para orgulho pessoal ou divisão na igreja. Deus criou os dons, e deu-os para Sua igreja, para capacitá-la a fim de cumprirem sua missão aqui neste mundo. O desconhecimento ou a não utilização correta dos dons trazem grande prejuízo para a própria vida cristã e para Igreja.

Pessoas talentosas e dotadas de dons em ministérios errados não produzem resultado. Por isso, vamos pedir a Deus sabedoria para continuarmos nesta jornada rumo ao descobrimento das ferramentas e do ministério que o Senhor nos confiou a fim de não sermos infrutíferos em sua obra.

A missão profética da Igreja trata-se da responsabilidade que a mesma tem de ser a portadora da Palavra de Deus, a ser proclamada, divulgada e defendida, não só com palavras, mas, principalmente, com atitudes. A Igreja é a porta-voz de Deus sobre a face da Terra. Ela tem o Espírito Santo (João 14:7), cuja função é guiar a Igreja em toda a verdade, anunciar o que há de vir, bem como glorificar e anunciar tudo o que diz respeito a Cristo (João 16:13,14). Por isso, não pode haver qualquer outro “mensageiro” divino além da Igreja enquanto durar esta dispensação. Quando os cristãos têm consciência que a tarefa primordial da Igreja é a evangelização, passam a entender que sua existência gira em torno desta missão dada a cada crente, que é membro do corpo de Cristo em particular (1Co 12:27). Assim, tudo quanto fizermos nesta vida, em qualquer setor ou aspecto, deve levar em consideração, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça (Mt 6:33


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

Lições bíblicas CPAD 1988

Lições bíblicas CPAD 2001

Lições bíblicas CPAD 2009

Lições bíblicas CPAD 2010

Revista o Obreiro CPAD – 1984

Teologia Sistemática – Stanley M. Horton

FILHO, Isaltino Gomes Coelho – Artigo: Uma reflexão sobre os dons.

LOPES, Hernandes Dias – Artigo: O propósito de Deus para os dons espirituais.

ROBINSON, Darrel W. : Seus maravilhosos dons. Editora VTI; Rio de Janeiro, 2009.

1 de abril de 2014

E DEU DONS AOS HOMENS



E DEU DONS AOS HOMENS

                                                       Ev. JOSÉ COSTA JUNIOR

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Dentre as insondáveis riquezas espirituais que Deus colocou à disposição da sua Igreja na terra, destacam-se os dons sobrenaturais do Espírito San­to, apresentados pelo apóstolo Paulo, em sua pri­meira epístola aos Coríntios, como agentes de po­der e de vitória desta mesma Igreja.

A Igreja é um organismo vivo, um fenômeno sobrenatural cujas origens estão no Céu. Como tal, ela possui uma responsabilidade igualmente sobre­natural, pelo que carece da operação sobrenatural do Espírito do Deus vivo. Foi por isso que Jesus, após sentar-se à direita do Pai, enviou o Espírito Santo como agente capacitador da Igreja, para le­vá-la a cumprir a sua missão no mundo: At 2.33.

Devemos ter sempre em mente que o próprio Cristo não exerceu o seu ministério na sua própria força, mas na força do Espírito Santo: Lc 4.18,19.

Os apóstolos, igualmente, a exemplo do seu Mes­tre, também levaram a cabo o seu próprio ministé­rio na força e poder do Espírito Santo. Todas as de­cisões da igreja primitiva partiam sempre do se­guinte princípio: “... pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...", At 15.28.  Qual tem sido o erro de muitas das nossas igre­jas hoje, senão o de negligenciar o ministério sobe­rano, poderoso e determinante do Espírito Santo? Essas igrejas, ignorantes das grandes possibilida­des do Espírito Santo, condenam milagres sem processo, desprezam profecias sem consulta e ignoram  a revelação sem a mínima razão. Como diz a Bíblia Sagrada: “... falando mal daquilo em que são igno­rantes...", 2 Pe 2.12. Esquecem-se de que há quase dois mil anos, Jesus prometeu, de maneira categórica, que o Espírito Santo estaria conosco e nos  guiaria a toda a verdade: Jo 16.13.

A igreja dos dias hodiernos jamais será uma igreja de visão de alcance novitestamentário, senão por meios novitestamentários.

As grandes conquistas da igreja dos primeiros cem anos da era atual, não foram alcançadas como o resultado de métodos e recursos teológicos empre­gados pelos apóstolos. Foram, sim, o resultado con­creto da operação sobrenatural do Espírito Santo na vida dos convertidos. O Espírito Santo foi o grande estrategista e comandante das conquistas realizadas. Onde quer que um crente fosse, aí ia a Igreja do Deus vivo, a caixa ressonante do Espírito.

Onde quer que o Espírito Santo fosse derrama­do, os doentes eram curados; revelações, profecias, línguas e interpretação eram vistas e ouvidas. Os dons do Espírito Santo eram a combustão que punha em ação a dinâmica máquina da Grande Co­missão.

A Igreja de Cristo da nossa geração possui uma responsabilidade apostólica, e, para cumpri-la, ne­cessita dos grandes recursos espirituais, que são os dons do Espírito Santo.
O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão sobre os dons Espirituais e Ministeriais. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.

I.         OS DONS DE SERVIÇO, ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS

Paulo, em 1 Co 12.1, nos recomenda que procuremos com zelo os dons espirituais. Às vezes, para o crente, não é claro, qual dom, o Espírito lhe concedeu. Relembramos que os dons espirituais são capacitações concedidas pelo Espírito Santo aos crentes para edificação da igreja (Ef 4.12). Assim, é preciso que o crente crie em sua vida as condições necessárias para que o Espírito lhe revele sua vontade. Ser crente é ter-se arrependido dos pecados e confiar em Jesus como seu único e eterno Salvador. É a conversão. Esta é a condição inicial sem a qual o Dom não inicia sua obra.

A participação ativa no corpo de Cristo, a igreja, é a conseqüência natural. O crente que agir assim, estará interagindo com a igreja e será conduzido pelo espírito para a sua vocação. Humildade, mansidão e longanimidade, são os outros ingredientes indispensáveis na vida do cristão que quer descobrir os seus dons (Ef 4.1-3).

Após a identificação de um ou mais dons na nossa vida, a nossa tarefa não pára aí. Temos de permitir sua operação e procurar crescer neles (1 Co 14.1). Para exercermos bem os carismas que o Espírito nos concedeu, devemos nos capacitar espiritual e materialmente. A capacitação espiritual deve ser contínua, firme e constante (1Co 15.58). Para nos mantermos animados nesta tarefa de nos capacitarmos, lembremos que o próprio Espírito nos disporá os meios. Precisamos também estar vigilantes ao pecado contra o Espírito, para não entristecê-lo (Ef 4.30-31), resisti-lo (At 7.51) e extingui-lo (1Ts 5.19). O orgulho também estará sempre procurando nos levar ao pecado (Ef 4.2). Um bom remédio para este mal é lembrarmos sempre que fomos escolhidos por Deus para prestarmos serviço para outros e não para nós mesmos e que precisamos de nossos irmãos.

Os dons espirituais estão listados em textos bíblicos diversos. Romanos 12, 1Coríntios 12 e Efésios 4.11 são as principais listas. Em Rm 12.4, 1Co 12.12 e Ef 4.4-6 Paulo destaca que os vários dons são como membros, mas todos de um só corpo. Isto nos chama a atenção para a necessidade dos dons operarem em conjunto e em harmonia uns com os outros e não independentemente e em divergência. Em Romanos 12.6-8, estão listados sete dons: profecia, ministério, ensino, exortação, repartir, liderança e misericórdia. Este texto mostra uma característica para cada dom. Em 1Coríntios 12.8-10, 28-30, temos os dons: palavra de sabedoria, palavra de ciência, fé, cura, operação de milagres, profecia, discernimento de espíritos, variedade de línguas, interpretação de línguas, apóstolos, profetas, mestres, milagres, cura, socorros, governos, e variedade de línguas.

Em Efésios 4.11 temos: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores. Podemos notar que em algumas listas não estão citados todos os dons e que outros são repetidos. Há uma divergência na quantificação dos dons, mas creio ser mais importante saber que o Espírito de Deus provê para sua igreja os dons necessários. Podemos notar no estudo dos dons, alguns fundamentos que Deus procura nos ensinar. Há diversidade dos dons cada um para uma finalidade (1Co 12.4-6). Os dons são concedidos para ter utilidade (1Co 12.7). O dom não é para satisfazer apenas o desejo de um crente. É o Espírito Santo quem concede o dom a quem ele quer. Não é o crente que decide o dom que deseja exercer. Para a igreja há dons considerados de maior importância como apóstolos, profetas, doutores (1Co 12.28, 31) Não é o crente que deve se achar mais importante porque exercita dons considerados de maior valor. Isto é orgulho. A edificação da igreja precisa ser o objetivo de todos os dons (1Co 14.26).

II.      ADMINISTRAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS

Dons espirituais são capacitações que o Espírito Santo concede aos crentes de acordo com a graça de Deus para serem usados na edificação da Igreja, o corpo de Cristo (Rm 12.6;1Co 12.7, 11; Ef 4.11-13). Assim como no corpo, cada membro tem função, o Espírito de Deus prepara cada um dos membros do Corpo de Cristo para uma função diferente. As capacitações são complementares e permitem uma sinergia espiritual na edificação da Igreja. Os dons são concedidos aos crentes em Cristo pelo Espírito. Não é o crente quem decide qual dom vai escolher para atuar no Reino de Deus. Isto às vezes acontece, mas certamente, se não coincidir com a vontade do Espírito, não trará alegria ao seu coração tentando usar um dom que Deus não lhe atribuiu. Deus chama todos os crentes para a sua obra. Cada um tem alguma tarefa que pode desenvolver no Reino. Não há o que justifique a inatividade. Ninguém terá desculpa que justifique o não fazer nada. Teremos de prestar contas dos dons e talentos que Deus nos atribui. Os dons espirituais nos são outorgados pela graça de Deus, não temos de comprá-los.

Deus providencia nossa capacitação. Temos apenas de nos tornar disponíveis para sua obra. Como vimos, os dons espirituais são habilidades, capacitações, concedidas aos crentes, pelo Espírito Santo, de acordo com a graça de Deus, para uso na edificação da igreja. Observe que é diferente de dom do Espírito. O “dom” do Espírito Santo é a doação, pela graça de Deus, do seu próprio Espírito para os homens, que pelo arrependimento dos seus pecados, e colocação de sua fé em Jesus Cristo, assim se tornam uma nova criatura. O Dom do Espírito ocorre no momento inicial em que um incrédulo se torna crente em Jesus. O dom nos coloca como filhos de Deus, salvos e selados para sempre (Ef 4.30). 

Os dons nos colocam numa posição funcional dentro do corpo de Cristo para servi-lo (1Co 12.18-20).

Alguns crentes, por acharem que ainda não descobriram o seu dom, tendem para uma posição de comodismo, falta de compromisso ou de desobediência. Esta atitude não se justifica, pois Deus chamou a todos para a sua seara. 

Há funções no reino que são atribuídas a todos, e ao menos a essas, todos nós estamos obrigados. Testemunhar é uma delas. “E ser minhas testemunhas...” (At 1.8), é a ordem de Jesus para todos os crentes. Não há desculpa possível. Pode-se não ter o dom de apóstolo, profeta, evangelista, pastor, mas de testemunha é inseparável do crente. Contribuir financeiramente para o sustento da causa é outra função a que todos os crentes estão convocados mesmo que não tenham o dom da liberalidade (Rm 12.8). A como confiança extraordinária no poder de Deus para realizar maravilhas na sua obra pode não ocorrer para todos os crentes, mas a fé que nos concede a salvação e que nos faz aceitar as verdades e maravilhas operadas por Deus e registradas na sua palavra como está em Hebreus 11.1-3, esta é uma concessão do Espírito Santo e é concedida a todos os crentes porque “Sem fé é impossível agradar a Deus.” (Hb 11.6).

Para exemplificarmos o bom uso dos dons espirituais poderíamos ler todo o capítulo 11 do livro de Hebreus. Ali se encontra uma síntese dos principais personagens bíblicos que exercitaram o dom da fé como Abraão, Enoque, Noé, Moisés e outros. Como exemplo do dom de presidir (Rm 12.8), escolhemos Neemias, que assumiu a tarefa de reorientar o povo de Deus, num momento de grande aflição e opróbrio, tendo reconstruído os muros de Jerusalém e levado o povo ao reavivamento espiritual (Nm 1.2-3; 8.1- 18). O apóstolo João é o exemplo do dom de misericórdia (Rm 12.8). João é conhecido como o apóstolo do amor por se distinguir pela sua linguagem amorosa nos seus escritos. Junto com Pedro fez parte do círculo íntimo de Jesus. Sua mensagem é um constante convite ao amor recíproco (1Jo 3.11). Lucas, embora não tivesse participado diretamente dos ensinos de Jesus, é o escolhido para ilustrar o dom do ensino (Rm 12.7) pela sua preocupação de só transmitir a verdade (Lc 1.3-4). No evangelho que escreveu, se preocupa em indicar sua fundamentação nas profecias existentes no Velho Testamento. Manteve-se na obra auxiliando os apóstolos e no livro de Atos registrou os mais importantes acontecimentos no início da propagação do evangelho. Paulo exercia vários dons como apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre. Mas é usando o dom de exortar que muito impulsionou a causa. Chegou a citar-se como exemplo (Cl 1.28), comparou os coríntios a bebês espirituais (1 Co 3.1), mas tudo isso com o nobre objetivo de levar as pessoas a se salvarem (1Co 9.22). A Timóteo, seu discípulo amado, procurou animá-lo para enfrentar as várias provações (1Tm 6.11-16).

Qual o caminho a seguir para se chegar aos dons e exercê-los? A palavra de Deus nos dá todos os esclarecimentos necessários. Precisamos nos dispor a ouvi-la e obedecer à vontade de Deus. Coloque-se diante de Deus em oração e esteja receptivo ao que Deus lhe propuser. Tente praticar. É experimentando que você poderá sentir se Deus está abençoando a sua obra e se a alegria acontece como conseqüência. Procure se instruir melhor a respeito do dom que você está sendo levado a exercer. Há necessidade de preparação para que a tua obra seja feita da melhor forma.

Repita a experiência e avalie os resultados. Aproveite as boas avaliações dos irmãos como sendo um sinal de aprovação divino. Não se desanime com as palavras que não edificam. Lembre-se que há muitos para criticar, mas poucos para ajudar. Se o seu propósito é sincero certamente o Espírito Santo vai revelar a você o seu dom. 

Há uma relação grande de dons, mas o maior deles é o dom do amor. O capítulo 13 de Romanos comprova isto. O amor de Deus é a prova disto. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16).

CONCLUSÃO

Na confecção deste pequeno estudo, buscamos consultar literatura que mais se aproxima com o pensamento de nossa denominação, tentando não perder a coerência teológica. Evitamos expressar conceitos e opiniões pessoais sem o devido embasamento na Palavra, pois a finalidade é agregar conhecimentos, enriquecer a aula da escola dominical e proporcionar ao professor domínio sobre a matéria em tela. Caso alcance tais finalidades, agradeço ao meu DEUS por esta grandiosa oportunidade.



                                                       Ev. JOSÉ COSTA JUNIOR