4 de junho de 2014

O MINISTÉRIO DE MESTRE OU DOUTOR



O MINISTÉRIO DE MESTRE OU DOUTOR – Ev. José Costa Junior


CONSIDERAÇÕES INICIAIS

            O assunto desta lição diz respeito ao ministério de mestre ou doutor, dentro do contexto dos dons Espirituais e Ministeriais. Em Ef 4.11, a palavra que se traduz por pastores e mestres, no original, da entender como sendo dois aspectos de um mesmo dom: "pastores e mestres são dois aspectos dum só ministério".

 

É evidente que, originalmente, os pastores não eram mestres. A princípio, não havia necessidade de mestres, separadamente, uma vez que havia apóstolos, profetas e evangelistas. Gradativamente, porém, a didaskalia (o ensino, a docência) ligou-se mais e mais estreitamente ao ofício pastoral; mas, mesmo então, os mestres não constituíram uma classe separada de oficiais.

A declaração de Paulo em Ef 4.11, de que o Cristo assunto também dera à igreja “pastores e mestres”, mencionados como uma única classe, mostra claramente que estes dois não constituem duas diferentes classes oficiais, mas uma só classe com duas funções inter-relacionadas. I Tm 5.17 fala de presbíteros que trabalhavam na palavra e no ensino, e, conforme Hb 13.7, os hegumenoi eram igualmente mestres. Além disso, em II Tm 2.2 Paulo insta com Timóteo sobre a necessidade de nomear para ofício homens fiéis e também capazes de instruir a outros.

Com o transcorrer do tempo, duas circunstâncias levaram a uma distinção entre os pastores encarregados somente do governo da igreja, e os que também eram chamados para ensinar: (1) quando os apóstolos faleceram e as heresias surgiam e aumentavam, a tarefa dos que eram chamados para ensinar tornou-se mais exigente, requerendo preparação especial, II Tm 2.2; Tt 1.9; e (2) em vista do fato de que o trabalhador é digno do seu salário, os que estão engajados no ministério da Palavra, tarefa amplamente abrangente que requer todo o seu tempo, foram liberados doutros trabalhos para poderem devotar-se mais exclusivamente ao trabalho de ensinar. Com toda a probabilidade, os aggeloi (anjos) aos quais foram dirigidas as cartas enviadas às sete igrejas da Ásia Menor, eram os mestres ou ministros daquelas igrejas, Ap 2.1, 8, 12, 18; 3.1, 7, 14.

O objetivo deste estudo é trazer algumas informações e textos, colhidos dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão sobre o ministério de mestre ou doutor, dentro do contexto dos dons Espirituais e Ministeriais. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.

I - JESUS, O MESTRE POR EXCELÊNCIA

Jesus é o Grande Mestre, à encarnação viva da verdade. Ele disse: "Eu sou... a verdade" (João 14:6).
Ele foi cem por cento aquilo que ensinou. Fosse qual fosse o assunto, ele o encarnava e ensinava com transbordamento de toda a sua vida. S. D. Gordon disse: "Jesus tinha já feito antes de fazer, viveu aquilo que depois ensinou viveu tudo antes de ensinar, e viveu tudo bem mais do que pôde ensinar." C. S. Beardslee assim se expressou sobre Jesus: "Sua grande alma deu lugar bem grande para que o Espírito Santo o ungisse inteira e completamente... Olhando para os olhos dele, você vê a luz em sua inteireza... Ele tinha ilimitadas reservas de verdade, de majestade, de beneficência, de entusiasmo, de paciência, de persistência, de longanimidade... Ele mostrou aos que depen­diam de outros como deviam confiar; aos servos, como servir; aos governadores, como dirigir; aos vizinhos, como serem ami­gos; ao necessitado, como orar; ao sofredor, como suportar; e a todos os homens, como morrer... Ele é o ensino modelar para todas as épocas”.

Esta encarnação da verdade proveio de duas coisas. Do fato de ele ser Deus e possuir as perfeitas qualidades de Deus. Foi ele o único ser perfeito. Ele difere de nós em qualidade e também em grau. Por isso jamais poderemos nos aproximar de sua perfeição. Também a sua encarnação da verdade proveio do fato de ele ter estudado e experimentado a verdade, e feito dela parte de si mesmo. "Jesus crescia em sabedoria" (Luc. 2: 52). Jesus aprendeu como filho e como irmão dentro de seu lar, pelo estudo e freqüência à sinagoga, e também com as experiên­cias naturais da vida humana. Experimentou tentações que diziam respeito à conservação de sua própria vida, à consi­deração social e à ambição do poder. O escritor da Carta aos Hebreus diz: "Convinha que ele (Deus)... fizesse dele, pelo sofrimento, o pioneiro da perfeita salvação deles" (Hb. 2:10).

A encarnação da verdade pelo mestre afetava o seu en­sino pelo menos de duas maneiras. Em primeiro lugar, dava-lhe um tom de autoridade que se não via nos escribas e rabinos do seu tempo — os professores oficiais dos dias de Jesus. A sa­bedoria destes era mais aquela vinda de fora, era matéria de oitiva, ensinavam mais citando autoridades e a tradição. A sa­bedoria de Jesus vinha de dentro e não precisava de escoras ou de confirmação. "Este mestre era diferente. Não citava ninguém, e apresentava sua própria palavra como suficiente." Portanto, ensinava com clareza meridiana, com convicção e poder. O povo "se admirava do seu ensino, porque ele os ensinava como quem tinha autoridade, e não como os es­cribas" (Mar. 1:22). O fato de viver aquilo que ensinava também inspirava confiança naquilo que dizia. O povo viu corporificado no que ele praticava aquilo que ele queria que eles fizessem. Anotavam como ele se comportava diante da tristeza, da crítica, do desapontamento, da perseguição. O seu modo de viver reforçava e dava peso àquilo que dizia. "A maior coisa que seus discípulos aprenderam de seus ensinos não foi à doutrina, e, sim, sua influência. Até a última hora de suas vidas, a maior coisa foi o terem eles estado com Jesus." Por isso, "designou doze para estarem com ele" (Mar. 3:14).

A ênfase que Jesus deu ao ensino ressalta do fato de em geral ser ele reconhecido como Mestre. "À luz dos Evangelhos, vemos que seus discípulos e contemporâneos o tornavam como mestre." Ele foi mesmo chamado Mestre, Professor ou Rabi; e tudo isto, traz em seu bojo a mesma ideia geral expressa por Nicodemos quando disse - "Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus" (João 3:2).
Nos Evangelhos, Jesus é cha­mado mestre nada menos de quarenta e cinco vezes, e nunca se fala nele como pregador. L. J. Sherril diz que, somando-se todos os termos equivalentes a mestre, temos o total de ses­senta e um. Norman Richardson anota que o vocábulo Mestre é usado sessenta e seis vezes na Versão King James; cinqüenta e quatro vezes é derivado da palavra grega que significa profes­sor ou mestre. Fala-se em Jesus ensinando, quarenta e cinco vezes; e onze apenas pregando, e, assim mesmo, pregando e ensinando, como vemos cm Mateus 4:23 — "ensinando em suas sinagogas e pregando o evangelho do reino". Chamavam-no mestre não apenas os doze, mas também outros mais discípulos seus.

Outrossim, Jesus a si mesmo se chamava Mestre, dizendo: "Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou" (João 13:13). Também dizia ser "a luz", vocábulo que traz a ideia de instrução. Nesta linha de pensamento, interes­sante é notar que João Batista sempre foi mais chamado pre­gador que mestre.

Outra indicação desta ênfase sobre o ensino é a termino­logia empregada para descrever os seguidores e a mensagem de Jesus. Não são eles chamados súditos, servidores ou camara­das. A palavra “cristão” só é empregada três vezes em o Novo Testamento para caracterizá-los e assim mesmo uma vez como zombaria. No entanto, vemos a palavra discípulo, que significa aluno ou aprendiz, empregada 243 vezes, para referir-se aos seguidores de Jesus. A mensagem de Jesus diz-se ser ensino (39 vezes), e sabedoria (seis vezes), não dando tanto a ideia de preleção ou sermão. A expressão Sermão do Monte não é usada pelos escritores do Novo Testamento. Mateus apenas diz — "E ele se pôs a ensiná-los, dizendo..." (Mat. 5:2). Tal peça deve ser intitulada — O Ensino do Monte, e não O Sermão do Monte.

Também se revela bem a ênfase do Mestre em ensinar no modo entusiasta e até agressivo pelo qual externou sua atividade educadora. Ele ensinava em qualquer lugar e a toda hora — no Templo, nas sinagogas, no monte, nas praias, na estrada, junto ao poço, nas casas, em reuniões sociais, em pú­blico e em particular. "Relutava mesmo em curar, preferindo aproveitar a oportunidade para apresentar sua mensagem." Ma­teus diz — "Andava Jesus por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, e proclamando as boas-novas do reino, e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo" (Mat. 4:23, tradução de Goodspeed). Toda a obra de Jesus estava envolta em atmosfera didática, e não tanto num ar de preleções ardentes, pois observamos que os ouvintes se sentiam à vontade para lhe fazer perguntas, e ele, por sua vez, lhes propunha questões e problemas.

Ele preparou um grupo de mestres para que levassem avante sua obra. "No decorrer dos últimos dias de sua traba­lhosa vida, ele se dedicou ao ensino e preparo do pequeno grupo de discípulos que a ele se agregara." E ele os enviou aos confins da terra para que fizessem discípulos (para que matriculassem na escola de Cristo), a batizá-los (uma orde­nança educadora) e a instruí-los na observância de todas as coisas que lhes tinha mandado (Mat. 28:19,20). Jesus cria muito e muito no ensino, requisito este indispensável a qualquer professor.

Ele se dedicou ao ensino e sempre dignificou tal vocação. "A maior glória da profissão do mestre está no fato de haver Jesus Cristo escolhido ser mestre, quando se viu face a face com aquilo que tinha a realizar na vida." George H. Palmer percebeu bem este espírito, quando assim se ex­pressou "Creio tanto no ensino que, se necessário fosse, pa­garia pelo privilégio de ser mestre em vez de receber algo por ensinar”.

II - O ENSINO DAS ESCRITURAS NA IGREJA DO PRIMEIRO SÉCULO

A igreja primitiva perseverava no ensino da Palavra, de tal modo que em Atos 5:42 lemos: "E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo.

No lar em que Timóteo cresceu, havia o ensino da Palavra de Deus. Tanto foi assim que o apóstolo Paulo, ao escrever ao jovem pastor a sua segunda carta, lembra e recomenda isso a Timóteo: "Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus." (v. 14 e 15).

A palavra grega usada por Paulo em Efésios 4:11 significa "instrutor". Esses instrutores (mestres) com o dom do Espírito, dados por Cristo à Igreja, podem ressaltar verdades negligenciadas, e ajudar a treinar e a inspirar outros para também se tornarem mestres. Depois da mensagem do evangelho ter resultado em conversões, os novos cristãos têm de ser ensinados. Na Grande Comissão (Mat. 28:18-20) logo depois da ordem para discipular vem: "ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado".

  Como podemos avaliar a importância relativa dos dons Ministeriais? A única resposta possível a esta pergunta é: "De acordo com o grau em que edificam". Já que todos os charismata são dados para a edificação de cristãos individuais e da igreja como um todo, quanto mais eles edificam, mais valiosos eles são. Paulo é claro como cristal a respeito disto. "Visto que desejais dons espirituais", ele escreve, "procurai progredir, para a edificação da igreja" (I Cor. 14:12).

  Por este critério, os dons de ensino têm o valor mais elevado, porque nada edifica melhor os cristãos do que a verdade de Deus. Por isso, não é surpreendente encontrar um ou mais dons de ensino encabeçando as listas do Novo Testamento. A insistência dos apóstolos na prioridade do ensino tem relevância considerável na Igreja do nosso tempo. Em todo o mundo, as igrejas estão espiritualmente subnutridas, por causa da carência de expositores da Bíblia. Em áreas onde há movimentos de massa todos estão suplicando mestres que instruam os convertidos. Por causa da escassez de instrutores, é triste ver tantas pessoas preocupadas e até distraídas por dons de importância secundária.

 Portanto, os charismata são dados para a "utilidade de todos". Paulo aplica este princípio em Efésios 4:11,12 aos dons de ensino. Cristo dotou alguns para serem "apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres". Por quê? Com que propósito? Ele mesmo responde. 

"Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo". O objetivo imediato do instrutor é levar pessoas cristãs (os "santos") à maturidade cristã e ao serviço cristão, equipando-os para o seu ministério na Igreja e no mundo. Os mestres são chamados para serem instrutores, seus ministérios são produzir mais ministérios, incentivando outros a exercerem os dons que Deus lhes deu. Somente então o outro objetivo será alcançado, que é (novamente) "a edificação do corpo de Cristo", até que atinja sua unidade e maturidade completas, a "medida da estatura da plenitude de Cristo" (vv. 12,13).

Ill - A IMPORTÂNCIA DO DOM MINISTERIAL DE MESTRE

Uma das coisas que a Igreja mais precisa na atualidade é mais mestres em Bíblia. Mas isto também está nas mãos soberanas de Deus. Ensinar é simplesmente uma capacidade, dada pelo Espírito, de firmar na vida de cristãos o conhecimento da Palavra de Deus e a sua aplicação em seu pensar e agir. O objetivo do ensino é que os cristãos sejam conformes à imagem de Jesus. Isto pode e deveria ser feita com simplicidade, amor e profundidade. Há muitos anos atrás conheci a história de dois professores de doutrina. Ambos tinham alcançado o grau de doutor, e eram professores universitários por direito adquirido. Tinham urna coisa em comum: quando ensinavam suas classes, faziam-no com tanta humildade e amor que às vezes lhes vinham lágrimas aos olhos. Esqueceu-se há muito grande parte do que ensinaram, mas ainda aquelas "lágrimas" são lembradas.

A maneira que Paulo pôs as palavras em Efésios 4:11 dá tanta proximidade aos dons de pastor e de mestre, que quase poderiam ser traduzidos como se fossem um só dom, "pastor-mestre". Isto reforça a idéia de que o ensinador espiritual deve ter uma sensibilidade amorosa quanto às necessidades dos seus alunos.

Alguns dos melhores ensinadores da Palavra não tiveram muita instrução formal. E, em contraste, alguns dos ensinadores mais fracos tinham Ph.D., em diversas disciplinas bíblicas e correlatas, mas faltava-lhes o dom do ensino, para comunicar seu conhecimento. Infelizmente alguns seminários se enquadram no conceito secular de ensinar, e alguns dos melhores ensinadores bíblicos não têm diplomas, e por isso são impedidos de ensinar em um seminário moderno. Teme-se que, se esta prática for levada ao extremo, isto possa ser perigoso para a Igreja. Não se está querendo dizer que Deus não usa nossa capacidade intelectual quando nos entregamos a Ele, mas o dom espiritual do ensino, como todos os outros dons, é uma capacitação sobrenatural do Espírito Santo e não um diploma universitário. 

O dom do ensino pode ser unido em qualquer contexto – seminário teológico, instituto bíblico, classe de escola dominical, estudo bíblico em casa. O que importa é que quem tem este Dom o use onde e quando Deus orientar.

Um dos primeiros versículos da Escritura que Dawson Trotman, o fundador dos Navegadores, fazia seus alunos memorizassem era: "Tome as palavras que você me ouviu anunciar na presença de muitas testemunhas, e entregue-as aos cuidados de homens de confiança, que sejam capazes de ensinar os outros" (2 Tim. 2:2, BLH).
Isto se parece com uma fórmula matemática para anunciar o evangelho e aumentar a Igreja. Paulo ensinou a Timóteo; Timóteo transmitiu o que sabia a homens de confiança; estes homens capazes também ensinariam a outros. E assim o processo nunca é interrompida. Se cada crente seguisse este método, a Igreja poderia alcançar o mundo todo com o evangelho em uma geração! Evangelização de massas, nas quais eu tenho confiança e a que entreguei a minha vida, nunca cumprirão a Grande Comissão; somente um ministério um-a-um fará isto.

CONCLUSÃO

Concluindo, espero em DEUS ter contribuído para despertar o seu desejo de aprofundar-se em tão difícil tema e ter lhe proporcionado oportunidade de agregar algum conhecimento sobre estes assuntos. Conseguindo, que a honra e glória seja dada ao SENHOR JESUS.




Ev. José Costa Junior






29 de maio de 2014

O MINISTERIO DE PASTOR



O MINISTERIO DE PASTOR

TEXTO ÁUREO = Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor da sua vida pelas ovelhas. (Jo 10.11).

VERDADE PRATICA = Por meio do ministério pastoral,, conduzimos as ovelhas ao Supremo Pastor, Jesus Cristo.
LEITURA BÍBLICA = João 10.11,14 = Tito 1.7-11 = I Pedro 5.2-4

INTRODUÇAO

O que é um pastor???! Como é de praxe para responder esta pergunta começamos pelo mais lógico e simples. O pastor é quem pastoreia, cuida do rebanho, o responsável pelas ovelhas. Bastante lógico e simples. Não é? E é isto que a Bíblia quer passar com a função de pastor, em todas as suas figuras, tanto no Novo como no Velho Testamento.

Veja o exemplo de Davi que era pastor de ovelhas e usa essa figura no Salmo 23 para mostrar como se sentia, como ovelha, em relação a Deus que é seu Pastor. Também Jesus usa a figura de pastor se colocando como o Bom Pastor. Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. João 10:11

Sendo assim por comparação entendemos que o pastor humano, sacerdote cristão é o guardador e guia das ovelhas de Cristo, que é o Sumo-Pastor, pela qual eles darão conta.
Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil. Hebreus 13:17

JESUS O SUPREMO PASTOR= SALMOS 23

O Salmos 23 é o Salmo do Supremo Pastor. É uma canção de fé. O salmista tinha larga experiência como pastor de ovelhas. Num breve texto, ele conseguiu resumir diversos aspectos do cuidado de Deus para com os seus servos, "ovelhas do seu pasto" (Sl 100.3).

Davi conhecia reis, profetas, sacerdotes, generais etc., mas, para expressar melhor a sua visão de Deus, tomou emprestado a figura de um bondoso pastor de ovelhas, e o seu relacionamento com o rebanho. Davi sabia o que era ser pastor, pois exerceu essa atividade quando jovem (Sl 78. 70-71). Sabia que Deus é o pastor de Israel (Sl 80.1); que "Ele é o nosso Deus , e nós, povo do seu pasto e ovelhas da sua mão" (Sl 95.7; Sl 100 2b; Is 40.11; Ez 34:6-19).

1 - ESTE PASTOR PERMITE QUE TENHAMOS UM RELACIONAMENTO PESSOAL MUITO ESTREITO COM ELE. (SL 23.1a)

Ele é meu pastor (Jó 19.25; Sl 42. 5b, 11 ;Mq 7.7; Hc 3.18; Jo 20.28 ; Fp 3.8). Este relacionamento pessoal é reconhecido pelo Senhor, também. São "minhas ovelhas" (Jo 10.14), "meus servo(s)" em Jó 2.3 e 42.8; Ez 38.17; At 2.18).

 2 - ESTE PASTOR SUPRE TODAS AS NOSSAS NECESSIDADES (SL 3.1b) - ver 2Pe 1.3; 2Co 9.8.

3 - ESTE PASTOR DAR PAZ E DESCANSO (SL 23.2) - Ver Jo 21.15-17; Mt 11.28; Jo 14.27.

4 - ESTE PASTOR RESTAURA NOSSAS FORÇAS - (SL 23 3a) - Ver Ez 34.16.

 5 - ESTE PASTOR FAZ COM QUE VIVAMOS COM RETIDÃO (SL 23. 3b) - As "veredas da Justiça" são as que Ele mesmo abriu (SL 40.80). Sem a sua direção, ninguém consegue viver a justiça (Fp 2.12-13; Gl 5.22-23; 2Tm 2.19).

6 - ESTE PASTOR PROTEGE ATÉ QUANDO A MORTE LANÇA A SUA SOMBRA (SL 23.4a) . Ele é o lírio de todos os vales (ver Jo 11.25; Ap 1.18). Nem a morte poderá nos separar dEle (Rm 8.38-39).

7 - ESTE PASTOR DISCIPLINA COM VARA E O CAJADO (SL 23.4b). A disciplina deste pastor protege (Hb 12.7-11).

8 - ESTE PASTOR PREPARA MESA DE BANQUETE (SL 23.5). A mesa na Bíblia simboliza comunhão. Ver (Lc 22.15; Ap 3.20). Estamos aproveitando o convite de comer com Ele? Maravilhoso que essa comunhão se pratica "a vista dos meus inimigos". Quanto maiores as pressões e a hostilidade dos maus, mais precisamos cultivar o convívio com este Pastor. Mais maravilhoso ainda, o óleo na cabeça e o cálice a transbordar relembram o Espírito que é a promessa de Deus à ovelha de Cristo, e a vida abundante que ele deseja para os seus(Jo 10. 10).

9 - ESTE PASTOR CERCA COM BONDADE E FIDELIDADE (SL 23.6a). Marcas inconfundíveis do Pastor. Sua fidelidade garante a segurança de cada ovelha que lhe pertence, nesta vida e na eternidade (Êx 34. 6-7).

10 - ESTE PASTOR CONDUZ À CASA DO SENHOR (SL 23.6b). Davi exultava na alegria do culto ao Senhor. Está alegria haverá de continuar no lar celeste (Jo 14.2-3).

Jesus, O Bom Pastor Dá a Vida por Suas Ovelhas

"Eu sou o Bom Pastor; o bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas". Lindas palavras que trazem doçura e paz à nossa alma.

É confortante saber que somos ovelhas pastoreadas pelo supremo pastor, em quem todas as coisas se tornam luminosa claridade. Jesus nos revela o cuidado que Ele tem por nós. No seu infinito amor, a sua eterna bondade está sempre nos acolhendo, guardando e protegendo do mal.

Jesus proferiu a parábola do bom pastor, enquanto estava em Jerusalém para a Festa dos Tabernáculos, em meados do mês de outubro. Este discurso está intimamente ligado à expulsão do cego, curado no tanque de Siloé, do templo, pelos fariseus.

"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas." João 10:1-2

Jesus freqüentemente utilizava dos elementos presentes na vida cotidiana dos seus ouvintes. Na Palestina, as ovelhas são as vezes, a parte mais considerável do gado.

A Vida Pastoril na Palestina

Os rebanhos, que eram compostos em sua maioria de cabras e ovelhas, dependiam demasiadamente de água abundante. Porém com a escassez em diversos locais da palestina, vários pastores formavam uma espécie de sociedade, construindo um redil comum.
 Construídos no campo com palha ou madeira, os redis eram freqüentemente cercados por uma muralha de pedra, e, por sobre o muro, colocavam feixes de espinhos apoiados em pedras maiores. Ficava um guardião velando toda a noite para defender o aprisco das feras e dos ladrões. Caso algum ladrão ou animal feroz subisse no muro, a pedra cairia e acordaria o pastor em vigília.

A Porta do Aprisco

Durante o dia, os pastores separavam os rebanhos, conduzindo-os aos diversos pastos. À tarde todos os animais eram reunidos no redil. O pastor que ficava à entrada do curral era chamado de "porta". "Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas." João 10:7

Dar nome as ovelhas era uma prática antiga. Se em um redil estivessem as ovelhas de três pastores diferentes e a um deles pertencesse cinquenta ovelhas, somente as cinquenta atenderiam a sua voz.

"A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz." João 10:3-4

Lobos e ladrões ameaçavam as ovelhas. Esta é a razão pelo qual o pastor utilizava o seu cajado. Era neste momento em que se diferenciava o verdadeiro pastor, dono de suas ovelhas e o mercenário.

O Bom Pastor Conduz Suas Ovelhas.

O bom pastor enfrentava as feras e os ladrões, expondo a sua própria vida. Já o mercenário só se preocupava em obter o ganho das ovelhas e em caso de perigo, este fugia.

Eu Sou o Bom Pastor

Jesus se declara o bom pastor. A declaração "Eu Sou" tinha um significado muito importante para os judeus do primeiro século, pois Deus havia se revelado a Moisés de forma semelhante. "Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas." João 10:11
Ele se declara a porta do redil. O Mestre é aquele que dá a vida e acesso ao alimento espiritual, como o pastor que ficava à porta do redil, velando toda a noite, protegendo e cuidando das suas ovelhas. A noite falava de tempos de escuridão, tempos difíceis, tempos de angústias e sofrimento. Mas os discípulos de Jesus têm a promessa de que o verdadeiro Bom Pastor estará em uma vigília eterna, à porta do seu aprisco, pronto a defender cada uma de suas ovelhas, de todo perigo. E Ele mesmo é o dono dos mais verdes campos para as pastagens, Ele tem em abundância o alimento espiritual que dá a vida eterna.

As suas palavras são o alimento para a nossa alma, pois são espírito e vida, que nutrem e fortificam o homem espiritual. "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens." João 10:9

Jesus é o bom pastor que entregou a sua vida física para nos dar direito à uma vida espiritual, a vida eterna. Ele reunirá todas as suas ovelhas dos quatro cantos da terra. Até aquelas que "dormem" ouvirão a sua voz e se levantarão dos seus sepulcros, em glória.

O Ladrão Vem Para Roubar Matar e Destruir

"O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância." João 10:10

Há muitos falsos mestres, que estão interessados naquilo em que as ovelhas podem oferecer. Preocupam-se em tirar o que puderem das ovelhas. Os ladrões tiram até a vida, porém o Senhor concede vida.

O mercenário é aquele que cuida do rebanho visando apenas seus próprios interesses.

O Bom Pastor Conhece as Suas Ovelhas

O bom pastor conhece as suas ovelhas e delas é conhecido, ou seja, há uma comunhão entre Jesus e seus servos, semelhante à comunhão entre o Pai e o Filho. "Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas." João 10:14-16
Jesus tem a autoridade de oferecer voluntariamente a sua própria vida por suas ovelhas, e como Deus, tem também o poder de voltar a tomá-la. Jesus conhecia as suas ovelhas, e tratava todas com equidade, justiça e igualdade.

O Bom Pastor

Curou pessoas de todas as classes sociais, tanto as desprezadas quanto as ricas; Compreendeu as emoções das pessoas, seus medos, tristezas, desespero, ansiedades e conflitos, e nunca as desprezou por isso;                                                        
Demonstrou paciência e compaixão quando se deparou com enfermos;                              Curava enfermidades e perdoava pecados;                                                                                                    
Não permitiu que tradições religiosas o impedissem de aliviar o sofrimento humano;                                                                                                                                            Distribuiu graça, alegria, paz e misericórdia.

Jesus Profetiza o Crescimento da Sua Igreja

"Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor." João 10:16
Havia muitas ovelhas que não eram do aprisco de Israel. Jesus já falava em relação à sua Igreja, presente hoje no mundo inteiro. Ele mesmo foi quem garantiu a vitória a todos aqueles que o obedecem e que o amam. Hoje tanto os judeus convertidos, quanto a igreja do Senhor constituem e formam um só corpo, rebanho de um único pastor, o Rei Jesus.
Ser uma ovelha de Jesus é conhecer e ser conhecido dele. Aquele que conhece a voz do Bom Pastor cumpre os seus mandamentos.  Ele nos deixou a promessa de que ninguém tem o poder de tirar as suas ovelhas de suas mãos! Creia, estamos seguros em Deus.

AS CARACTERÍSTICAS DO VERDADEIRO PASTOR = 1Tm 3.1,2

Se algum homem deseja ser “bispo” (gr. episkopos, i.e., aquele que tem sobre si a responsabilidade pastoral, o pastor), deseja um encargo nobre e importante (3.1).

É necessário, porém, que essa aspiração seja confirmada pela Palavra de DEUS (3.1-10; 4.12) e pela igreja (3.10), porque DEUS estabeleceu para a igreja certos requisitos específicos. Quem se disser chamado por DEUS para o trabalho pastoral deve ser aprovado pela igreja segundo os padrões bíblicos de 3.1-13; 4.12; Tt 1.5-9. 

Isso significa que a igreja não deve aceitar pessoa alguma para a obra ministerial tendo por base apenas seu desejo, sua escolaridade, sua espiritualidade, ou porque essa pessoa acha que tem visão ou chamada. A igreja da atualidade não tem o direito de reduzir esses preceitos que DEUS estabeleceu mediante o ESPÍRITO SANTO. Eles estão plenamente em vigor e devem ser observados por amor ao nome de DEUS, ao seu reino e da honra e credibilidade da elevada posição de ministro. 

(1) Os padrões bíblicos do pastor, como vemos aqui, são principalmente morais e espirituais. O caráter íntegro de quem aspira ser pastor de uma igreja é mais importante do que personalidade influente, dotes de pregação, capacidade administrativa ou graus acadêmicos. O enfoque das qualificações ministeriais concentra-se no comportamento daquele que persevera na sabedoria divina, nas decisões acertadas e na santidade devida. Os que aspiram ao pastorado sejam primeiro provados quanto à sua trajetória espiritual (cf. 3.10).

Partindo daí, o ESPÍRITO SANTO estabelece o elevado padrão para o candidato, i.e., que ele precisa ser um crente que se tenha mantido firme e fiel a JESUS CRISTO e aos seus princípios de retidão, e que por isso pode servir como exemplo de fidelidade, veracidade, honestidade e pureza. Noutras palavras, seu caráter deve demonstrar o ensino de CRISTO em Mt 25.21 de que ser “fiel sobre o pouco” conduz à posição de governar “sobre o muito”.

(2) O líder cristão deve ser, antes de mais nada, “exemplo dos fiéis” (4.12; cf. 1Pe 5.3). Isto é: sua vida cristã e sua perseverança na fé podem ser mencionadas perante a congregação como dignas de imitação.

(a) Os dirigentes devem manifestar o mais digno exemplo de perseverança na piedade, fidelidade, pureza em face à tentação, lealdade e amor a CRISTO e ao evangelho (4.12,15).

(b) O povo de DEUS deve aprender a ética cristã e a verdadeira piedade, não somente pela Palavra de DEUS, mas também pelo exemplo dos pastores que vivem conforme os padrões bíblicos.

O pastor deve ser alguém cuja fidelidade a CRISTO pode ser tomada como padrão ou exemplo (cf. 1Co 11.1; Fp 3.17; 1Ts 1.6; 2Ts 3.7,9; 2Tm 1.13).

(3) O ESPÍRITO SANTO acentua grandemente a liderança do crente no lar, no casamento e na família (3.2,4,5; Tt 1.6). Isto é: o obreiro deve ser um exemplo para a família de DEUS, especialmente na sua fidelidade à esposa e aos filhos.

Se aqui ele falhar, como “terá cuidado da igreja de DEUS?” (3.5). Ele deve ser “marido de uma [só] mulher” (3.2). Esta expressão denota que o candidato ao ministério pastoral deve ser um crente que foi sempre fiel à sua esposa. A tradução literal do grego em 3.2 (mias gunaikos, um genitivo atributivo) é “homem de uma única mulher”, i.e., um marido sempre fiel à sua esposa.

(4) Conseqüentemente, quem na igreja comete graves pecados morais, desqualifica-se para o exercício pastoral e para qualquer posição de liderança na igreja local (cf. 3.8-12). Tais pessoas podem ser plenamente perdoadas pela graça de DEUS, mas perderam a condição de servir como exemplo de perseverança inabalável na fé, no amor e na pureza (4.11-16; Tt 1.9). Já no AT, DEUS expressamente requereu que os dirigentes do seu povo fossem homens de elevados padrões morais e espirituais. Se falhassem, seriam substituídos (ver Gn 49.4; Lv 10.2; 21.7,17; Nm 20.12; 1Sm 2.23; Jr 23.14; 29.23).

(5) A Palavra de DEUS declara a respeito do crente que venha a adulterar que “o seu opróbrio nunca se apagará” (Pv 6.32,33). Isto é, sua vergonha não desaparecerá. Isso não significa que nem DEUS nem a igreja perdoará tal pessoa. DEUS realmente perdoa qualquer pecado enumerado em 3.1-13, se houver tristeza segundo DEUS e arrependimento por parte da pessoa que cometeu tal pecado. O que o ESPÍRITO SANTO está declarando, porém, é que há certos pecados que são tão graves que a vergonha e a ignomínia (i.e., o opróbrio) daquele pecado permanecerão com o indivíduo mesmo depois do perdão (cf. 2Sm 12.9-14).

(6) Mas o que dizer do rei Davi? Sua continuação como rei de Israel, a despeito do seu pecado de adultério e de homicídio (2Sm 11.1-21; 12.9-15) é vista por alguns como uma justificativa bíblica para a pessoa continuar à frente da igreja de DEUS, mesmo tendo violado os padrões já mencionados. Essa comparação, no entanto, é falha por vários motivos.

(a) O cargo de rei de Israel do AT, e o cargo de ministro espiritual da igreja de JESUS CRISTO, segundo o NT, são duas coisas inteiramente diferentes. DEUS não somente permitiu a Davi, mas, também a muitos outros reis que foram extremamente ímpios e perversos, permanecerem como reis da nação de Israel. A liderança espiritual da igreja do NT, sendo esta comprada com o sangue de JESUS CRISTO, requer padrões espirituais muito mais altos.

(b) Segundo a revelação divina no NT e os padrões do ministério ali exigidos, Davi não teria as qualificações para o cargo de pastor de uma igreja do NT. Ele teve diversas esposas, praticou infidelidade conjugal, falhou grandemente no governo do seu próprio lar, tornou-se homicida e derramou muito sangue (1Cr 22.8; 28.3).

Observe-se também que por ter Davi, devido ao seu pecado, dado lugar a que os inimigos de DEUS blasfemassem, ele sofreu castigo divino pelo resto da sua vida (2Sm 12.9-14).

(7) As igrejas atuais não devem, pois, desprezar as qualificações justas exigidas por DEUS para seus pastores e demais obreiros, conforme está escrito na revelação divina. É dever de toda igreja orar por seus pastores, assisti-los e sustentá-los na sua missão de servirem como “exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (4.12).

O MINISTÉRIO PASTORAL

Me proponho a aprofundar a análise do significado e sentido bíblico do ministério pastoral, partindo da premissa de que se trata de uma missão específica e singular, tendo como respaldo o chamado divino e como ferramenta(s) de trabalho, dons e talentos naturais e espirituais, doados por Deus. Portanto, penso que muitas polêmicas ocorrem quando se desconhece a missão, o chamado divino e o uso dos dons e talentos com relação ao pastorado.

 1. A Missão = Atos 9: 15 e 16 Vai, porque este é para mim um instrumento para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel, pois Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu Nome.

 Quando alguém é chamado e vocacionado por Deus para exercer o ministério pastoral recebe uma responsabilidade, um desafio e um trabalho muito maior que toda sua capacidade física, emocional ou intelectual poderiam conseguir realizar. É chamado para cumprir uma missão muito além de suas forças, intelecto ou influência. Terá que tratar com pessoas de todos os tipos (temperamentos, formação, história), e acima de tudo, terá que cuidar e liderar de forma que essas pessoas rumem ao crescimento e maturidade espiritual.

 É um trabalho árduo, diário, constante e muitas vezes solitário.
 Além de pregar, ensinar, treinar, discipular, visitar, administrar, liderar, aconselhar e estar presente em atividades e circunstâncias diversas, terá que se preparar sempre em oração, consagração, meditação e estudo da Palavra de Deus.

 O rebanho do Senhor deve ser tratado com o máximo de cuidado, responsabilidade e amor. Por isso, o pastor terá muitas vezes que renunciar seus próprios interesses e planos em prol da edificação da congregação da qual Deus permitiu que apascentasse.

 Além dessas tarefas que mencionei e de outras próprias do ofício pastoral (Batismo, Ceia, Casamentos, etc…), do pastor é exigido disponibilidade. É um trabalho de 24 horas diárias. É um trabalho de tempo integral. Essa exigência do rebanho e penso da própria missão de pastorear, vê-se implícito no ministério do Senhor Jesus, de Paulo, Pedro, Timóteo, Tito e dos demais apóstolos e em todo o NT.

Faço aqui uma respeitosa observação aos meus colegas pastores de tempo parcial. Sei que existem pastores de tempo parcial. Sei também e entendo, que em algumas circunstâncias o pastor se vê obrigado a ter um trabalho secular para poder sustentar a si e sua família dignamente. Sei que existem, lamentavelmente, igrejas que não se importam em suprir as necessidades de seu pastor. Sei também que alguns fazem a opção por não depender totalmente do ministério pastoral que exercem.

Não estou aqui para julgá-los ou a seus motivos. Mas, mesmo esses entendem e sabem que o ministério pastoral exige tempo integral e que hoje uma realidade circunstancial os impede, mas que desejam no futuro poder cumprir esse ideal bíblico. Por isso, registro aqui o meu respeito a todos eles.

Retornando ao meu argumento da disponibilidade, o pastor muitas vezes é chamado pelo rebanho para estar presente em momentos de profunda alegria e também de profunda tristeza. Faz-se um casamento a noite e um culto fúnebre na manhã seguinte. Dedica-se uma criança a Deus e logo depois visita-se um enfermo em um leito de hospital. São situações que as pessoas desejam a presença de seu pastor, e dele exigem disposição e prontidão em assisti-los. São momentos e situações marcantes para as pessoas e o bom pastor deve estar lá, participando da alegria ou da tristeza, sempre levando a Palavra de Deus que trará ou o conforto para quem está em angústia ou a orientação para aquele que celebra.

É um trabalho que requer saúde mental, física, emocional e espiritual. É um serviço que requer esforço, dedicação, responsabilidade e renúncia.

Além disso, a missão de pastorear exige a atualização contínua, o aperfeiçoamento das metodologias e das práticas, bem como o constante mergulho na infinitude do conhecimento bíblico. O pastor deve sempre buscar aprender teoricamente (cursos, atualizações, etc…) como também na sua experiência do dia-a-dia pastoral. Aprender a ouvir a Deus cada vez mais e também as pessoas. Reconhecer que é servo e depende de Deus para fazer o trabalho e que o rebanho não é dele, mas do Senhor, e que foi chamado para levar esse rebanho ao bom alimento, boa água, descanso e a proteção do Bom Pastor, Cristo.

E, finalmente, precisa crer que todo esse trabalho, mesmo com lágrimas e suor muitas vezes, mesmo com ingratidões e decepções em outras, não é vão no Senhor.

2. A Capacitação = Efésios 4:11-12 E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo…

Como bem disse, a missão de pastorear parte do rebanho do Senhor exige algo além do que é natural. É necessário uma capacitação espiritual, sobrenatural.

Para tanto, o pastor recebe, da parte de Deus, dons espirituais (ferramentas) para exercer seu trabalho. Dons como o de pastor, de ensino, de profeta e outros são doados a ele, sendo sempre algo singular, ou seja, não existe um pastor igual ao outro. Deus capacita cada um de uma forma própria e notamos isso claramente nos diversos ministérios exercidos por pastores. Uns enfocam mais o ensino, outros a pregação, outros ainda o trato com as pessoas, etc. São direcionados por Deus através da capacitação (dons) que recebem.

Diria, que cada algum recebe um “kit pastoral” contendo dons espirituais e talentos naturais, possibilitando a eles exercer a missão com eficácia, desde que os usem com responsabilidade e amor.

 3. O salário

1º-Timóteo 5:18 (…) O trabalhador é digno de seu salário
1º-Coríntios 9:14 Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o Evangelho que vivam do Evangelho (…)

Esse ponto, penso eu, é o mais polêmico. Não por que não seja esclarecido biblicamente, mas porque muitas pessoas, inclusive irmãos, tem total desconhecimento dessa questão.
Pode o pastor ter um salário? Pode ser remunerado? Essas indagações e questionamentos advém do conceito que pastorear não é um trabalho. Muitos confundem ainda mais isso afirmando que ser pastor é uma questão de vocação, não uma profissão, por isso não deve ter salário.

Sempre respondo a estas pessoas asseverando que entendo que pastorear não é um trabalho profissional, mas não deixa por isso de ser um trabalho. O vocacionado não foi chamado para ser um desocupado. Ao contrário, foi chamado para trabalhar, e muito. O pastor não é um profissional, o pastorado não é uma profissão. Mas, é um trabalho!
Mas, deixa eu complicar mais um pouco a questão…

Engana-se quem pensa que o salário que um pastor possa receber de uma igreja é a paga por esse trabalho que exerce, cumprindo sua missão determinada pelo seu patrão, Deus. Engana-se quem pensa que o trabalho de um pastor possa ser remunerado.

O trabalho de pastorear não pode ser pago por dinheiro algum. O valor desse trabalho não é material, visível ou palpável. É em essência um trabalho espiritual e por isso não há dinheiro ou contribuição que possa pagá-lo dignamente ou corretamente.

A verdade bíblica é:
O pastor não recebe salário pelo que ele faz.                                                                                             
Recebe salário para poder fazer o que deve ser feito.

O salário pastoral é para o sustento do pastor e de sua família, para que ele possa ter tranqüilidade para exercer seu ministério sem a preocupação com suas necessidades básicas e dos seus. Sem esse devido sustento, terá que buscar outras atividades, além das que já exerce.

Analisando biblicamente isso, nota-se que além disso que já expus, Paulo ao escrever aos coríntios (1 Coríntios 9), afirma que ele tinha o direito de ser apoiado pelas igrejas locais entre as quais trabalhava. Tinha o direito de comer e beber (v.4), o direito de levar uma esposa (v.5), o direito de não trabalhar secularmente (v.6). E quando analisamos mais profundamente o texto, vemos que não eram direitos meramente fundamentados em conveniências ou desejos pessoais, mas na prática de outros apóstolos (v.5), com base na analogia da experiência humana, ou seja, nas ilustrações do soldado, do agricultor e do pastor (vs.7,10), com base na ordens claras da lei mosaica (vs. 8,9), com base nos direitos reconhecidos dos levitas no templo (v. 13), e, finalmente, com base no decreto explícito do próprio Cristo (v.14). Os que eram chamados para o serviço, o trabalho de tempo integral, fossem quem fossem, estivessem onde estivessem, eram, portanto, da direta responsabilidade das igrejas de Deus, ou seja, o cuidado pelos servos de Deus chamados para pastorear, era responsabilidade do povo de Deus, e ainda o são.

Por isso, penso que cada congregação deve refletir sobre isso e decidir que tipo de pastor deseja. Se preferir um de tempo integral, deve obrigatoriamente, sustentá-lo, bem como sua família de forma digna e fiel às Escrituras.

Um amigo certa vez me disse com verdade:Cada igreja tem o pastor que merece.
E é um fato. Se o pastor precisar diminuir de seu tempo para o pastorado por causa de outras atividades extra-pastorais para poder sustentar seu lar, não pode ser cobrado se seu pastorado não estiver dando os frutos desejados, se sua pregação não estiver bem preparada, se não faz visitas regularmente, se não é encontrado quando se precisa de um aconselhamento ou em um momento marcante ou ainda porque sua presença não é constante nos trabalhos e programações da igreja. Simplesmente, ele não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. É uma lei da física.

Portanto, a discussão sobre salário é totalmente equivocada, porque muitos não entendem esse conceito. O salário não é o pagamento pelos serviços prestados. O salário pastoral é para poder prestar o serviço.

E o valor? Pode o pastor ter carteira assinada?
Ora, o valor varia de pastor para pastor. depende do tamanho de sua família. Depende do tamanho do rebanho que pastoreia. Mas, principalmente, depende do entendimento sobre essa questão e enfaticamente, depende do amor que o rebanho tem pelo seu pastor.
Com relação a carteira assinada e possuir vínculos empregatícios, penso que são formas usadas em algumas denominações que trazem muito mais obscurantismo sobre a questão do que esclarecimentos.

Produzem ou incentivam o conceito que já mencionei, do pagamento pelo trabalho realizado, ou pior do pastor como um empregado da igreja e um funcionário tendo a igreja como seu patrão. Outras formas e métodos para sustentar seu pastor devem ser buscadas, não criando ainda mais problemas onde já existem tantos.

 4. Os Maus Pastores = 2º Pedro 2:1b,2 e 3 (…) assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras (…) e muitos seguirão suas práticas libertinas, e por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também movidos por avareza , farão comercio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado ha longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme (…)

Lamentavelmente, mas não surpreendemente, existem aqueles que não são legítimos pastores. Não foram chamados, muito menos são vocacionados. Não possuem capacitação de Deus para pastorear. Mas, estão por aí a fora causando muitos prejuízos a Igreja de uma fôrma geral e a muitos irmãos individualmente.

Usam e abusam da igreja para poder enriquecer, para ganharem notoriedade e para atrapalhar o ministério de pastores fiéis a Deus. Não amam o rebanho, porque nunca amaram a Deus. Não sabem fazer o trabalho, porque não são trabalhadores do Reino da Luz, mas sim das Trevas. Não podem ser contados com os bons pastores e nem os seus maus exemplos servirem de combustível para aumentar o entendimento sobre o que é e o que significa o ministério pastoral. Para eles está reservado as trevas, a escuridão. Deus os julgará.

Conclusão

A promessa da presença de Deus na vida do bom pastor é uma verdade e um fato a ser considerado por todos que exercem esse ministério. Essa presença nos fortalece, conforta e nos respalda. Sua Palavra nos guia e nos orienta. O Espírito Santo nos ensina e nos enche de alegria em poder serlivá-lo em tão sagrada missão.

E podemos ter a cerzeza, querido colega de ministério, que mesmo poucos entendendo o que é e o que significa ser pastor, Ele certamente entende. Ele amorosamente nos entende.
Senhor Deus que me chamou, lhe amo com todas as minhas forças, com todo o meu entendimento e com tudo que sou e tenho. Porque tudo vem de Ti, é para Ti e por Ti.



Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


BIBLIOGRAFIA