9 de maio de 2017

Rute, Uma Mulher Digna de Confiança


Rute, Uma Mulher Digna de Confiança

 

Texto Áureo - “[...] porque, aonde quer que tu fares, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus." (Rt 1.16)

 

Verdade Prática = Deus usou Rute, quebrando todos os paradigmas raciais, para torná-la parte da linhagem do Messias.

 

INTRODUÇÃO

 

O livro de Rute é considerado umas das mais belas peças literárias do Antigo Testamento. Nele, está registrada a genealogia do rei Davi, que se tornou, por desígnio de Deus, o ancestral mais importante da genealogia de Jesus Cristo, o Messias e Salvador do Mundo.

 

A história de Rute desenrola-se “nos dias em que os juízes julgavam” (Rt 1.1). Por permissão de Deus, houve uma grande fome em Israel, provavelmente por castigo pela desobediência do povo. Uma família de Belém de Judá, cujo líder era Elimeleque, teve de deixar sua terra para ir em busca de sobrevivência na região de Moabe.

 

Acompanhado de Noemi, sua esposa, e de seus dois filhos, Malom e Quiliom, Elimeleque estabeleceu-se “nos campos de Moabe” (Rt 1.1). Ali, morreu o pai daquela família e, mais tarde, os seus dois filhos casaram-se com mulheres daquela terra — Malom casou-se com Rute, e Quiliom casou-se com Orfa’. Ambos também morreram, completando o ciclo da morte na família. E Noemi e suas duas noras ficaram viúvas e desamparadas. No tempo estabelecido por Deus, Noemi volta para Belém — após a bênção de Deus ter vindo sobre aquela terra — acompanhada apenas de sua nora Rute, visto que a outra moça preferiu retornar à casa de seus pais.

 

I- RUTE: UM RESUMO DE SUA ORIGEM

 

1. Uma Estrangeira

 

Neste estudo, refletiremos sobre o caráter de uma mulher que se destacou de forma marcante e muito significativa na história de Israel. Não foi por acaso que sua história mereceu ser organizada num livro, que foi aceito como parte integrante do cânon do Antigo Testamento. Sua identidade mostra-nos que ela era moabita, oriunda da terra de Moabe. Essa condição, por motivos históricos e raciais, não lhe favorecia em termos de relacionamento com o povo de Israel.

 

O nome Moabe aparece em Gn 19.30-38, como o filho de Ló, numa relação incestuosa com sua filha mais velha, que se tornou “pai dos moabitas”. Assim como Israel, Moabe era um povo semita, e Rute pertencia a esse povo.

Certamente, sua genealogia era vista de forma negativa pelos israelitas, mas um episódio que tornou os moabitas adversários de Israel ocorreu quando o povo hebreu deslocava-se em direção a Canaã. Por razões geográficas, o povo de Israel precisava passar pelo território do deserto de Moabe sob a liderança de Moisés. Os moabitas, porém, não permitiram, mas o Senhor Deus disse a Moisés para não molestar a Moabe nem contender com eles em peleja (Dt 2.9).

 

Por esse motivo bastante negativo, foi escrito um preceito legal, pelo qual, nem moabitas nem amonitas poderiam fazer parte da “congregação do SENHOR” ou do povo de Israel, “nem ainda a sua décima geração”.

 

A animosidade entre os dois povos foi agravada por outro episódio bíblico. Os moabitas alugaram o profeta Balaão para amaldiçoar Israel, mas eles não conseguiram esse intento maligno porque Deus transformou a maldição em bênção (Dt 23.4-6; Ne 13.2). Essa é a origem étnica de Rute.

 

2. Como Rute Vinculou-se a uma Família Israelita

 

Como já foi dito, Deus não escreve certo por linhas tortas, como diz um ditado popular. Ele escreve perfeita e divinamente certo por suas próprias linhas. Em sua soberania, Ele cria ou muda circunstâncias. De modo singular, fora da lógica histórica, geográfica ou cultural, Rute entrou na história do povo de Israel, não por coincidência, como se poderia supor, mas, sim, por providência de Deus, e Ele usou fatos estranhos para que isso fosse possível. O Senhor age como quer. As vezes, Ele age aparentemente contrariando seus próprios critérios, mas só de modo aparente. Diz o salmista: “Mas o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que lhe apraz” (Sl 115.3).

 

Uma família judaica teve que sair de Belém para escapar da seca que assolava a região. Eram eles: Elimeleque, o líder; Noemi2’, sua esposa; e Malom e Quiliom, os dois filhos do casal. Eles emigraram para a terra de Moabe, pois lá a estiagem não tinha chegado e havia alimento. Ali, viveram durante quase dez anos (1.4). Não padeceram fome, mas sofreram as agruras de uma vida atribulada. Maus dias alcançaram aquela família. Lá, o patriarca Elimeleque faleceu. Os dois filhos adaptaram-se àquele lugar e sua gente. Uma seca e três óbitos mudaram as histórias dessas pessoas.

 

3. Em Direção à Terra de Judá

 

A mão de Deus move-se de um lado para outro conforme a sua santa e soberana vontade. O Senhor permitiu uma grande seca em Belém e levou a família de Noemi para os “campos de Moabe”, onde havia alimento (Rt 1.1). Dez anos depois, Ele concedeu a bênção da fartura de pão em Israel (Rt 1.6). E a viúva de Elimeleque convidou suas duas noras, também viúvas, para irem a Belém’, onde havia alimento. A princípio, as duas noras começaram a jornada em direção a Belém de Judá.

 

Mas Noemi, sem dúvida, pensando no futuro e no bem-estar delas, deteve-se e sugeriu às duas que retornassem à casa de suas respectivas mães, desejando de coração que o Senhor usasse de benevolência com elas, assim como usaram com Noemi e com os falecidos esposos (Rt 1.8). E ela deu essa sugestão com muita sinceridade e desprendimento, acrescentando: “O Senhor vos dê que acheis descanso cada uma em casa de seu marido. E, beijando-as ela, levantaram a sua voz, e choraram” (Rt 1.9). Nessa atitude, vemos um traço valioso do caráter de Noemi: ela preferiria viver a solidão em sua terra do que ver suas noras sofrerem ao seu lado. Ela imaginava que, em Israel, elas talvez não seriam bem aceitas, tornando-se quase impossível conseguir outro casamento.

 

Era a visão humana, lógica, amorosa e sincera. Mas os planos de Deus eram outros em relação a Rute. Os planos de Deus estão muito acima e além do que podemos imaginar (cf. Is 55.8). A Bíblia diz que nós, cristãos, não devemos buscar só o nosso proveito, mas também o de outros (1Co 10.24,33). E nosso dever cultivar o altruísmo em lugar do egoísmo. Noemi semeou amor, plantou altruísmo. E, mais tarde, colheu os resultados (GI 6.7).

 

II - O CUIDADO DE NOEMI E O CARÁTER DE RUTE

 

1. O Caráter Amoroso de Rute

 

1) Um caráter amoroso e confiante. Em sua decisão de prosseguir na companhia de sua sogra no seu retorno a Belém, Rute demonstrou que tinha verdadeiro amor por Noemi, além de plena confiança em sua pessoa. No tempo em que viveu com Malom, o falecido esposo, Rute viu em Noemi um exemplo de vida, não apenas como sogra, mãe e esposa, mas também como serva de Deus. Enquanto sua cunhada beijou a sogra e retornou à sua família, Rute beijou-a, chorou, mas em seu coração confiante e grato, tomou a resolução de ficar ao lado da sogra: “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu [...]“ (Rt 1.16a).

 

Essa foi uma declaração notável de amizade que se fundava no amor, na confiança e no respeito. De um lado, vemos uma sogra, mulher de Deus que, em meio à amargura e o sofrimento, tinha zelo e cuidado por sua nora, viúva como ela. De outro lado, vemos o cuidado, o zelo e o amor de Rute por Noemi, pensando em sua situação de mulher viúva, desamparada, que voltava para sua terra sozinha. Como uma verdadeira serva de Deus, Rute demonstrou ter um caráter agradecido e generoso. Ela tomou a decisão consciente dos possíveis dissabores que poderia enfrentar ao lado de Noemi. Ela estaria a seu lado, em qualquer lugar e em qualquer circunstância.

 

2) Um caráter fortalecido na fé em Deus. Por sua origem, Rute era de uma família que adorava outros deuses quando se casou com Malom. Porém, ao conviver com Noemi, recebeu dela a mensagem do Deus de Israel. Com toda a certeza, ela foi convertida à Lei do Senhor. Em sua declaração de amor a Noemi, ela disse com toda a convicção: “[...] o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16b). Essa decisão mostra a sua fé em Deus. Rute não tinha a menor ideia do que poderia acontecer com ela em sua caminhada em direção a Belém, nem o que ocorreria quando ela ali estivesse vivendo com a sogra. Se pensasse com base na lógica e nas circunstâncias, ela teria motivos para voltar atrás e seguir o exemplo da cunhada, mas Rute deu exemplo do que é ter fé, como diz a Bíblia: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11.1). Rute ficou ao lado de Noemi, como vendo o invisível, sob a mão de Deus.

 

3) Um caráter decidido e firme. Suas atitudes demonstravam não ser apenas uma expressão de um impulso emocional muito comum em meio a situações críticas. Além de demonstrar que tinha fé em Deus e também confiança em Noemi, Rute expressou sua inabalável convicção de que valeria a pena enfrentar as circunstâncias quaisquer que fossem elas, mesmo tudo parecendo incerto e nebuloso. Por isso, ela completou diante da sua sogra, amiga e irmã de fé sua decisão consciente:

 

“Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o SENHOR e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti. Vendo ela, pois, que de todo estava resolvida para ir com ela, deixou de lhe falar nisso”  (Rt 1.17,18).

 

Rute não era apenas nora e amiga, mas também companheira de Noemi, na jornada da vida que Deus reservara às duas. Uma lição de grande valor para os dias atuais, quando muitos que se dizem cristãos desistem de seguir a Cristo por causa dos desafios, das lutas e das provações, desprezando amizades, companheirismo e amor por causa da visão humana, imediatista e desprovida da verdadeira fé em Deus. Vivemos numa época tão perigosa em que até casamentos são desfeitos em pouco tempo por motivos muitas vezes banais e incoerentes. O exemplo de Rute e Noemi deveriam ser considerados por todos os cristãos.

 

III - COMO RUTE ENTROU NA GENEALOGA DE JESUS

 

1. Rute Chega a Belém

 

Saindo das terras de Moabe, Rute chegou a Belém em companhia de Noemi. Ali, ela pôde ver como as pessoas receberam a sogra com admiração e espanto, por ver que ela voltara em condição bem diferente da que safra: viúva, sem filhos e em companhia de uma estrangeira. Diz o texto: “Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?” (Rt 1.19). Foi tão duro para Noemi ouvir as indagações de seus patrícios que ela respondeu de forma triste e amargurada:

 

“Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-poderoso. Cheia parti, porém vazia O SENHOR me fez tornar; por que, pois, me chamareis Noemi? Pois O SENHOR testifica contra mim, e o Todo-poderoso me tem afligido tanto” (vv 20,21). O nome Noemi significa “agradável”, enquanto Mara significa “amargurada”. Tal era o sentimento que enchia o coração de Noemi.

Elas chegaram em Belém “no princípio da sega das cevadas” (v. 22). Deus permitiu uma estiagem para motivar Elimeleque e Noemi a deixarem sua terra e migrarem para os campos de Moabe. O Senhor também usou a tristeza da morte de Elimeleque e seus dois filhos como motivação negativa para Noemi voltar a sua terra; e também a benção da fartura em Belém como motivação positiva para que ela fosse para a terra de Israel em busca de dias melhores.

 

2. Rute Chama a Atenção de Boaz

 

Rute era uma mulher trabalhadora. Ela não comia “o pão da preguiça” (Pv 3 1.27). Ao chegar a Belém, após se acomodarem, Rute não esperou Noemi sugerir algum trabalho para a sua manutenção. Ela mesma tomou a iniciativa: “E Rute, a moabita disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espiga atrás daquele em cujos olhos eu achar graça. E ela lhe disse: Vai minha filha” (Rt 2.2). Em Israel, era comum as mulheres, especialmente as mais jovens, trabalharem na colheita, como indica o texto (v. 8). Era um tempo de festa; tempo em que as plantações produziam conforme o esperado, um sinal da benção de Deus (Is 9.3).

 

1) A providência de Deus. Em vários campos, nas propriedades agrícolas, havia muitas pessoas trabalhando na colheita da cevada. Mas, por providência de Deus, Rute dirigiu-se ao campo “certo”. Diz o relato do livro de Rute: “Foi, pois, e chegou, e apanhava espiga no campo após os segadores; e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que era da geração de Elimeleque” (Rt 2.3). Isso mostra que, quando uma pessoa procura andar na vontade de Deus, Ele dirige seus passos até em detalhes mínimos. Pouco tempo depois, Boaz, o proprietário daquele campo, chegou, saudou a todos os trabalhadores e teve a atenção chamada para Rute, que estava colhendo espigas. Havia outras moças, mas sua atenção voltou-se para a moabita: “Depois, disse Boaz a seu moço que estava posto sobre os segadores: De quem é esta moça?” (Rt 2.5).

 

Se Rute chegou no campo “certo”, Boaz chegou na hora “certa” e perguntou quem era aquela moça, uma jovem senhora que, apesar do sofrimento da viuvez, era bela e agradável aos olhos. Certamente, a “beleza interior” sobressaía ante a aparência física, mas o que chamou a atenção de Boaz foi a beleza de Rute. Ao perguntar quem era ela, o supervisor do campo de Boaz respondeu: “Esta é a moça moabita que voltou com Noemi dos campos de Moabe. Disse-me ela: deixa-me colher espigas, e ajuntá-las entre as gavelas após os segadores. Assim, ela veio e, desde pela manhã, está aqui até agora, a não ser um pouco que esteve sentada em casa” (1.7).

 

2) Fatos significativos no encontro de Boaz com Rute. Até o desfecho desta história de amor que estava sob a benção e a providência de Deus, diversos acontecimentos foram desenrolados numa sucessão de cenas dignas de uma produção literária, teatral ou até cinematográfica do melhor nível, como, de fato, já existe no mercado das artes baseadas na Bíblia. Boaz dirige-se a Rute, para a surpresa dela, e diz a ela que não vá a outro campo, mas que fique ali juntamente com as suas moças.

 

Rute, cheia de admiração, inclinou-se a terra e perguntou: “Por que achei graça em teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu uma estrangeira?” (Rt 2.10). Então, Boaz respondeu que ele soubera o quanto Rute fora generosa com Noemi, sua sogra, depois da morte do seu esposo; e de como ela deixara a casa de seu pai e a terra onde nascera e viera abrigar-se com um povo que não conhecia. E fez uma declaração profética: “O SENHOR galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do SENHOR, Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar”.

 

Diante de tão grande declaração, Rute respondeu: “Ache eu graça em teus olhos, senhor meu, pois me consolaste e falaste ao coração da tua serva, não sendo eu nem ainda como uma das tuas criadas” (v. 13). Se Boaz já estava admirado pela beleza de Rute diante de tal demonstração de humildade e gratidão, agora, sem dúvida, o homem passou a sentir mais simpatia e amor por ela.

 

3) Noemi orienta Rute acerca de Boaz. Aquela altura, Boaz já sentia por Rute a atração de um homem por uma mulher digna de ser amada por ele, sendo grandemente generoso a respeito dela. Ao voltar para casa, Rute contou a Noemi o que havia acontecido e disse o nome do homem que a tratou com total desvelo e atenção. Ao saber que era Boaz, Noemi bendisse a Deus e fez saber a Rute que Boaz era um “parente chegado” e um dos “remidores” da sua família. Era Deus mostrando que, apesar de todas as circunstâncias, Ele está no controle das situações e que seus propósitos insondáveis hão de ser estabelecidos. Noemi aconselhou Rute a não procurar outros campos: “Assim, ajuntou-se com as moças de Boaz, para colher, até que a sega das cevadas e dos trigos se acabou; e ficou com a sua sogra” (Rt 2.19-23).

 

Sendo uma mulher experiente, Noemi percebeu que os sentimentos de Boaz por Rute não eram apenas de alguém que admirava sua amizade e consideração pela sogra, mas, sim, de um homem que tinha intenções mais profundas. Então, ela agiu como uma sogra hábil, esperta e bem informada, e disse para Rute que Boaz estaria naquela mesma noite na eira, a fim de padejar a cevada. E ela deu instruções a Rute para se preparar para ir ao encontro do “remidor” de forma agradável e atraente, bem vestida e perfumada (cuidados que certas mulheres cristãs esquecem ao fado dos esposos).

 

E, ao perceber Boaz dormindo, Rute deveria deitar-sé aos seus pés e aguardar os acontecimentos. E assim ela fez. Ela percebeu as intenções da sogra. Quando Boaz já estava dominado pelo sono e dormindo, Rute chegou de mansinho e deitou-se aos seus pés.

Certamente, ela correu um grande risco de ser possuída pelo homem que tanto a admirava, mas Deus age em meio às atitudes sinceras de quem nEle confia, dando o livramento necessário. Ao despertar à meia-noite, Boaz percebeu a presença da moça aos seus pés e estremeceu, perguntando quem era ela, pois não havia luz no ambiente.

 

Rute declarou-se, pedindo que ele estendesse a aba de sua túnica sobre ela, pois ele era o remidor. Boaz, profundamente admirado pela atitude de Rute, disse que ele era “o remidor”, mas que havia outro que tinha prioridade na remissão da família; Boaz, então, promete procurá-lo. Se ele redimisse a família, assim seria feito. Se não redimisse, ela deveria aguardar, pois ele — Boaz — faria a remissão. Com profundo respeito, ele permaneceu ao lado dela, mas não tiveram relações sexuais. Ao retornar para Noemi, Rute contou como foi a experiência daquela noite, e Noemi entendeu que tudo estava ocorrendo como ela orientara, como se fosse uma hábil escritora de um romance. E disse: “Sossega, minha filha, até que saibas como irá o caso, porque aquele homem não descansará até que conclua hoje este negócio” (Rt 3.18).

 

Além de o amor de Deus estar presente na história de Rute, havia também o amor humano ardendo no coração de Boaz, que sonhava em casar-se com a linda jovem moabita. Deus permite que coisas humanas — às vezes, fora do padrão normal — aconteçam para mostrar que Ele faz como quer, quando quer e com quem quer.

 

3. Rute Casa com Boaz

 

Boaz procedeu de acordo com a lei, convidando o remidor mais credenciado para remir as terras da família de Noemi e, ao mesmo tempo, casar com Rute “para suscitar o nome do falecido sobre a sua herdade” (Rt 4.5). O homem aceitava redimir as terras, mas não teve interesse em redimir Rute e casar-se com ela. Tudo estava dentro do plano de Deus. Boaz, então, perante os anciãos da cidade, declarou que eles eram testemunhas de que tomara tudo quanto pertencera a Elimeleque e a seus filhos, da mão de Noemi. E, mais que isso, disse ele: “[...] também tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herdade, para que o nome do falecido não seja desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar: disto sois hoje testemunhas” (Rt 4.11).

 

1) Um casamento singular. Foi um casamento interessante e completamente fora dos padrões dos israelitas. Ao que tudo indica, o primeiro remidor não quis casar-se com Rute porque ela era moabita, estrangeira, viúva, pobre e excluída da comunhão do seu povo. O amor, porém, supera tudo, quando as pessoas envolvidas estão no centro da vontade de Deus. Boaz amava Rute de todo o coração e propôs-se a suscitar o nome do falecido mesmo sem ser seu irmão carnal, como era preceito legal em Israel (Dt 25.5).

 

Como todo casamento que se preza e é valorizado pelas famílias e pela sociedade, o matrimônio de Boaz e Rute teve dez testemunhas especialmente convidadas para confirmar o ato legal perante o seu povo (Rt 4.2).

Além dos dez anciãos tomados como testemunhas, parte do povo fez-se presente à cerimônia, tendo sido atraídos pelo inusitado acontecimento, que foi divulgado “pelas redes sociais” da época, em que um hebreu estava casando-se com uma moabita.

 

Quando Deus aprova um casamento, os noivos ficam felizes, as famílias aprovam, e os amigos também se alegram com a união dos noivos. No matrimônio de Rute e Boaz, houve uma manifestação de júbilo pelos que se reuniram à porta da cidade. Diz o texto: “E todo o povo que estava na porta e os anciãos disseram: Somos testemunhas; o SENHOR faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Léia, que ambas edificaram a casa de Israel; e há-te já valorosamente em Efrata e faze-te nome afamado em Belém. E seja a tua casa como a casa de Perez (que Tamar teve de Judá), da semente que o SENHOR te der desta moça” (vv. 11,12).

 

2) Rute e Boaz — Como Cristo veio para nossa salvação. A história de Rute e seu casamento com Boaz é prova inequívoca de que Deus trabalha com seus parâmetros divinos, que transcendem toda lógica e compreensão humana. A inclusão de uma estrangeira, moabita, na genealogia de Jesus Cristo demonstra que Deus não é Deus apenas de Israel, mas também é “Senhor do céu e da terra” (Mt 11.25; At 17.24). E Jesus Cristo é salvador “do seu povo” e também do mundo, da humanidade, como indica o seu nome, dado pelo anjo que anunciou isso a José, quando este pensava em fugir ante o tremendo impacto da gravidez de sua noiva: “E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo.

 

José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.20,21); isso é afirmado na mensagem do próprio Cristo em seu sermão a Nicodemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3.16,17).

 

Em seus planos divinos, Deus projetou a salvação para todos os homens, sem barreiras de quaisquer naturezas. Na bênção a Abraão, Ele disse que nele seriam “benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3b). Jesus mandou seus seguidores pregarem o evangelho “por todo o mundo” a “toda criatura” (Mc 16.15). Ele jamais predestinou alguns para a salvação eterna e outros para a condenação inexorável ao abismo eterno. Ele é justo, misericordioso, compassivo e não faz acepção de pessoas (Dt 10.17; At 10.34; Tg 2.9).

Boaz, na condição de “remidor” e “parente mais chegado”, é figura de Cristo, que “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Ele tornou-se remidor não apenas de um povo, mas também veio para redimir toda a raça humana. Boaz pagou o preço das terras de Elimeleque e dos filhos falecidos para poder resgatar a família de Noemi. Cristo pagou o preço exigido pela santidade de Deus para resgate do homem.

O livro de Rute é muito mais que uma história de amor entre um homem e uma mulher estranha à sua família. O livro mostra também a linda história de amor entre Deus e o homem, que tudo fez para salvar o pecador.

 

CONCLUSÃO

 

A história de Rute, a jovem moabita, que se casou com um judeu e passou a fazer parte da ascendência de Jesus Cristo, o Salvador do mundo, demonstra, de forma clara, que Deus criou o homem, mesmo sabendo que ele iria cair na perspectiva de um plano de salvação para todas as pessoas, em todos os lugares, independentemente de sua nacionalidade, de sua cor ou condição social. Pela lógica humana, jamais uma mulher moabita faria parte da linhagem santa, da qual nasceu o Messias de Israel, o Salvador do mundo. O amor de Deus está além de toda a compreensão limitada do homem.

 

 

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

 

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I - Em Dourados – MS

 

Livro O Caráter do Cristão –ElinaldoRenovato de Lima –CPAD 1º. Edição 2017

 

 

 

3 de maio de 2017

JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE


LIÇÃO 06 – JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE - 2º TRIMESTRE 2017 (1 Sm 18.3,4; 19.1,2; 20.8,16,17,31,32)

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre Jônatas – um personagem pouco explorado nas Escrituras. Traremos informações acerca do seu nome, quem eram seus familiares; veremos algumas caracteristicas deste que era o filho mais velho de Saul; destacaremos importantes traços do seu caráter; sua aliança com Davi, seu grande e estimado amigo; e, por fim, pontuaremos que a sua lealdade a Davi foi recompensada quando este ajudou seu filho Mefibosete.

 

I – INFORMAÇÕES SOBRE JÔNATAS

Nome.

Nome que no hebraico é composto de duas palavras, a primeira é “Ya” uma abreviação do nome Yahweh; a segunda é “natã” que significa “dar”. Logo, o nome completo quer dizer: “O Senhor tem dado”. Era um nome comum entre os israelitas em todos os períodos (Jz 18.30; 2 Sm 23.32; 1 Rs 1.42; 1 Cr 2.32).

Seus pais.

Jônatas era filho de Saul e Ainoã (1 Sm 14.50). Saul foi o primeiro rei de Israel, e Jônatas era o primogênito e legítimo herdeiro do trono, já que o reino era hereditário (1 Cr 8.33; 9.39). Mas, por causa da desobediência de seu pai, Deus transferiu o reino para Davi (1 Sm 15.28,35; 16.1).

Sua família.

Jônatas era casado, pois a Bíblia registra que ele teve um filho: “e o filho de Jônatas foi Meribe-Baal, e Meribe-Baal gerou a Mica” (1 Cr 9.40). Meri-Baal também era chamado de Mefibosete (2 Sm 4.4; 9.6).

 

·         Lealdade

É a qualidade, ação ou procedimento de quem é leal, sincero, franco e honesto; Fiel aos seus compromissos.

 

·         Amizade

É um sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas. O Dr. John Mackay, presidente do Seminário de Princeton, em seu livro “O sentido da vida”, disse que não há relação mais espiritual e sublime que a amizade. A relação de amigos é mais elevada que a de irmãos, noivos ou esposos, pois há muitos irmãos, noivos e esposos que não são amigos. Jônatas (יְהוֹנָתָן; Yonatan: “presente de Deus”), filho mais velho do rei Saul. Jônatas e Davi são um exemplo clássico de amizade e lealdade, bem ao estilo das definições postas inicialmente, que deve existir em todas as amizades.

II - CARACTERÍSTICAS DE JÔNATAS

Jônatas era um homem de coragem, sabedoria e honra, com o potencial de ser um dos maiores reis de Israel. Vejamos algumas de suas características:

 

·         Um filho obediente.

Jônatas foi um filho obediente ao seu pai Saul. Nada o rei fazia sem contar a Jônatas (1 Sm 20.2). Mesmo quando Saul havia sido rejeitado por Deus para ser rei, manteve-se ao seu lado como um fiel companheiro: “Saul e Jônatas, tão amados e queridos na sua vida, também na sua morte não se separaram” (2 Sm 1.23).

 

·         Um valente guerreiro.

A destreza de Jônatas como guerreiro é evidente em toda narrativa de sua história, principalmente em 1 Samuel 13.1-23 e 14.1-13. Com dois anos de governo Saul escolheu três mil homens para formarem o exército (1 Sm 13.1). Dois mil ficaram com ele e mil ficaram sob a liderança de Jônatas que não tardou em atacar os filisteus (1 Sm 13.2,3). A maior parte das vitórias de Israel deu-se sob o comando de Jônatas. Mais tarde quando veio a falecer no monte Gilboa, Davi tomou conhecimento, lamentou, chorou e fez referência em seu lamento a habilidade deste como guerreiro, dizendo que era “mais ligeiro que a águia e mais forte que o leão” (2 Sm 1.22,23).

 

·         Um soldado benquisto pelo povo.

Por causa de seu êxito nas investidas contra os inimigos de Israel, Jônatas era amado pelo povo (1 Sm 14.45). Jônatas morreu como um soldado, lutando bravamente por sua pátria, por isso o sepultaram-no dignamente (1 Sm 31.12,13).

 

III - CIRCUNSTÂNCIAS QUE UNIRAM JÔNATAS E DAVI

Consta na narrativa histórica dos Livros de Samuel diversas vezes que Jônatas e Davi fizeram aliança entre si (1 Sm 18.3; 20.16; 23.18). Principalmente em 1 Samuel 20.14-17 uma aliança entre Davi e Jônatas surgiu, a qual enfatizou a atitude de Davi em relação a Jônatas e seus descendentes. Jônatas reconheceu que Davi seria o próximo rei, e pediu que Davi jurasse que teria misericórdia de sua casa. Champlin (2004, p. 1999) nos diz que “Jônatas temia o que poderia acontecer a seus filhos órfãos. Era costume no Oriente, em todas as épocas, quando uma dinastia era violentamente mudada, o novo rei tirar a vida de toda a família do ex-monarca”. Abimeleque fez o possível para que ninguém sobrasse da casa de Gideão (Jz 9.5); o mesmo aconteceu com Atalia, que não quis que alguém sobrevivesse da semente real (2 Cr 22.10,11). Davi, no entanto, manteve esta aliança e provou ser verdadeiro para com o seu amigo (2 Sm 9.1-13).

Israel estava no campo de batalha contra os filisteus, num monte, "no vale do carvalho", e os filisteus estavam do lado oposto do vale, também sobre um monte (1Sm 17.1-3). Um gigante filisteu, de nome Golias, campeão de seu povo, desafiava os exércitos de Israel, mas ninguém tinha coragem de enfrentar o inimigo. O clima de medo prenunciava a provável derrota de Israel (1Sm 17.10,11).

·         Golias (גָּלְיָת) natural de Gate (1Sm 17.4), é descrito como um homem medindo cerca de 2,90m. Em  1º Crônicas 20.5, ficamos sabendo que este tinha um irmão chamado Lami, morto em outra batalha por El-Hanã: “E tornou a haver guerra com os filisteus; e El-Hanã, filho de Jair, feriu a Lami, irmão de Golias, o giteu, cuja haste da lança era como órgão de tecelão”. (1Cr 20:5 ACF). Quando lemos 2º Samuel 21.15-22 e 1º Crônicas 20.1-8, aprendemos que Golias teve ao todo quatro irmãos: Isbi-Benobe, Safe, Lami, e um "Homem de alta estatura". Todos estes eram gigantes e filhos do Gigante Rapha em Gate. No site SolaScriptura temos a seguinte descrição: “Então saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo.” (1Sm 17.4 ACF). O cúbito tinha entre 45 e 50 cm, tomemos a média desses valores, 47 cm. Um palmo como o meu tem 25cm. Portanto, Golias tinha cerca de 6 vezes 47 cm, mais 25 cm, igual a 3,07 metros, um gigante sem similar nos dias de hoje! Mesmo sendo somente musculoso mas não gordo, e sendo de proporções normais e não longelíneas e finas como as dos jogadores de basquete de hoje, Golias deveria pesar 400 kg de fortes músculos, ossos, e tendões. Um verdadeiro gigante. Humanamente falando, ninguém teria coragem de enfrentá-lo, ninguém teria a menor chance contra ele. Seria como a briga de um fila brasileiro contra um poodle.

 

IV - UMA AMIZADE APROVADA POR DEUS

Jônatas fez um pacto com Davi, porque o amava como à sua própria vida. E Jônatas se despojou da capa que vestia, e a deu a Davi, como também a sua armadura, e até mesmo a sua espada, o seu arco e o seu cinto” (1Sm 18.3,4). A troca de túnica ou Capa significa que tua vida se torna minha vida e que minha vida se torna tua vida. A troca de cinto (ou de armadura, ou de armas) significa proteção, quem luta contra mim luta contra ti e quem luta contra ti, luta contra mim. Por isso Davi ajudou o filho de Jônatas depois da morte deste. A aliança deve ser mantida eternamente, não pode ser quebrada. Davi era homem de Aliança. Davi colocou o filho de Jônatas para comer em sua mesa e devolveu a Mefibosete as terras de seu pai Jônatas, para cumprir a aliança feita (2Sm 9.6-9). O rei Saul buscou incansavelmente matar Davi, escolhido por Deus como seu sucessor. Jônatas, da mesma forma, poderia ter olhado para Davi com inveja ou ódio, pois se Deus não tivesse nomeado Davi, o próprio Jônatas seria rei depois da morte de Saul. No entanto, não mostrou o mesmo sentimento do pai, manteve-se fiel à aliança feita com Davi.

 

Quando Saul tentou matar Davi, Jônatas protegeu seu amigo (1Sm 20). Davi lamentou amargamente a morte desse amigo tão especial (2Sm 1.17-27). Mesmo após a morte de Jônatas, Davi buscou exercer benignidade para com o filho aleijado de seu amigo, Mefibosete (2Sm 9), em cumprimento da aliança firmada por eles.

 

V - A RECOMPENSA DA LEALDADE

Apesar de Davi ter sofrido muitas perseguições de Saul (1 Sm 18.10,11; 21-22,29; 19.1; 9-10) e de ter oportunidade de matá-lo, duas vezes (I Sm 24.3-12; 26.8-11), mostrou-se benigno não lhe fazendo mal nem a sua descendência. Pelo contrário, quando estava no trono Davi decidiu beneficiar alguém que restou da família de Saul, por amor de Jônatas seu amigo (2 Sm 9.1,7), como veremos a seguir:

·         A lembrança de Davi (2 Sm 9.1).

Davi havia alcançado o alto posto de monarca segundo a promessa de Deus (I Sm 16.13; 2 Sm 8.15). No entanto, mesmo nesta alta posição não havia esquecido de onde veio e a aliança que fez com seu amigo Jônatas quando ainda não era rei: “e disse Davi: Há ainda alguém que tenha ficado da casa de Saul, para que lhe faça benevolência por amor de Jônatas? Isso aconteceu bem depois de sua ascensão ao trono porque, pelo que tudo indica, Mefibosete, que tinha apenas 5 anos de idade quando Saul morreu, já era pai de um filho nessa ocasião (2 Sm 9.12). Davi foi avisado por um servo de Saul, chamado Ziba, que havia ainda vivo um filho de Jônatas, chamado de Mefibosete que era coxo de ambos os pés (2 Sm 9.2,3). Então Davi mandou chamá-lo (2 Sm 9.4,5).

·         A misericórdia de Davi (2 Sm 9.1,3,7).

Ao invés de chamar algum descendente da família de Saul para executar, Davi convoca para usar de misericórdia. Em 2 Sm 9.1 Davi fala de “beneficência”; em 2 Sm 9.3 de “benevolência de Deus”; e, em 2 Sm 9.7 ele fala de “benevolência”. Matthew Henry diz: “a beneficência que Davi prometeu mostrar é:

(a) beneficência em busca de cumprir a aliança que havia entre ele e Jônatas, da qual Deus era testemunha (1 Sm 20.42); (b) beneficência em relação ao exemplo de Deus; pois devemos ser misericordiosos como Ele o é (Sl 17.7; 103.2; Lc 6.36); (c) Essa beneficência tem um caráter piedoso, tendo um olho em Deus, bem como na sua honra e favor (Mt 5.16; 1 Pe 2.12).

·         A lealdade de Davi (2 Sm 9.9).

Quando Davi chamou Mefibosete a sua presença, ele veio temendo e tremendo, por certo pensando que o rei o executaria, pois era o único que sobrara da descêndência de Saul (2 Sm 9.6). No entanto, Davi o apazigua dizendo: “Não temas, porque decerto usarei contigo de benevolência por amor de Jônatas, teu pai [...]”. Em seguida o rei Davi lhe concedeu:

(a) um servo para ajudá-lo (2 Sm 9.9,10);

(b) restituiu as terras de seu avô e seu pai (2 Sm 9.7-a);

(c) lhe concedeu um lugar a mesa, como um dos filhos do rei (2 Sm 9.11).

 

VI - O CARÁTER DE JÔNATAS E SUAS LIÇÕES

Há um provérbio popular que diz: "Tal pai, tal filho", sugerindo que os filhos tendem a demonstrar o mesmo comportamento de seus pais. Mas tal entendimento não pode ser generalizado. O exemplo de Jônatas é prova disso. Seu caráter praticamente era oposto ao do seu pai. Vejamos alguns aspectos do caráter de Jônatas. Os estudos modernos feitos sobre a herança genética mostram-nos que devemos receber menos crédito quando nossos filhos se saem bem, e menos culpa quando se saem mal. Jônatas era o oposto de seu pai. Jônatas era homem generoso, justo e completamente destituído de inveja. Em contraste com o espírito traiçoeiro de Saul, Jônatas era leal. Era homem dotado de grande coragem e determinação, capaz de amar verdadeiramente. Uma outra característica significativa sua era que, a despeito de todos os erros cometidos por seu pai, ainda assim ele se pôs ao lado de seu pai, combatendo junto com ele até o fim. Os dois foram companheiros na morte.

·         Um homem de coragem.

Saul era um homem inseguro e ciumento. Jônatas não herdou nem desenvolveu esse traço da personalidade do pai. Era corajoso. Em Micmás, ele lutou contra a guarnição dos filisteus, com seu pajem de armas, e os derrotou, confiando em Deus. Revelou-se um comandante de tropas, um herói e um homem de fé (1Sm 14.6). Mas sua coragem não era apenas física e emocional. Ele tinha a grandeza espiritual que lhe dava confiança, diante das adversidades (1Sm 14.1-4). Ele revelou firmeza diante dos inimigos, e lealdade diante dos amigos. Em Micmás, a liderança fraca de Saul quase põe tudo a perder. No entanto, a fidelidade e o compromisso com Deus de seu filho Jônatas, leva a vitória a Israel, mesmo diante de uma situação impossível de ser vencida! Jônatas não levou em conta a superioridade numérica do inimigo, pois sabia que o Senhor estava ao seu lado. A coragem do anônimo pajem de Jônatas deve ser destacada, também. Ele respondeu: “Faze tudo o que tiveres em mente; eu irei contigo” (1Sm.14.7). Quando Saul chegou, não precisou lutar. Deus não traria vitória através de Saul. Deus suscitou um exército do próprio exército inimigo! Um exército que eles não sabiam que tinham!

·         Um homem humilde.

Sua coragem moral fê-lo não ter medo de perder a posição, como herdeiro do trono para Davi. Soube reconhecer que seu amigo tinha a direção de Deus, e as condições humanas para substituir Saul no cargo de monarca de Israel (1Sm 16.1,12,13). Um exemplo para os dias presentes. Há muitos, em igrejas evangélicas, que brigam por cargos e posições, agindo, muitas vezes, com métodos carnais, seguindo o exemplo dos ímpios. São obreiros carnais, dominados por "torpe ganância" (1Tm 3.3). A humildade é qualidade que só possuem os que têm grandeza de alma. E Deus se agrada dos humildes (1Pe 5.6). A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (CPAD) traz a seguinte nota: “Esta amizade é uma das mais profundas e legítimas na Bíblia.

(1) Eles basearam este pacto no compromisso para com Deus, não apenas para com o outro.

(2) Não permitiram que qualquer coisa se colocasse entre eles, nem mesmo o interesse próprio ou os problemas familiares.

(3) Aproximaram-se ainda mais quando a amizade foi testada.

(4) Permaneceram amigos até o fim. Jônatas o primogênito do rei, mais tarde predisse que Davi, e não ele, seria o próximo monarca. Mas isso não enfraqueceu sua estima pelo amigo. Jônatas preferia a amizade de Davi ao trono de Israel.”

·         Um homem leal.

Em todas as ocasiões, depois que se tornou amigo de Davi, Jônatas demonstrou sua lealdade. Poderia ter ficado ao lado do seu pai, mas não cedeu aos caprichos de Saul, quando este, injustamente, quis eliminar a vida de Davi. Quando soube do plano de Saul para matar Davi, Jônatas procurou o amigo e lhe advertiu do perigo de morte (1Sm 19.1-3; 20.11-17,32,33). Jônatas teve um último encontro com Davi, onde mais uma vez selaram o pacto de lealdade diante de Deus (1Sm 20.41-43). Até o dia da sua morte, Saul continuou perseguindo Davi. Jônatas também veio a morrer em Gilboa ao lado de seu pai (1 Sm 31.8). A profunda amizade entre Jônatas e Davi é surpreendente por uma série de razões. Primeiro, Deus escolheu Davi e não Jônatas (filho de Saul e príncipe de Israel) para ser o segundo rei de Israel. Segundo, o pai de Jônatas, Saul, sentia intenso ciúme de Davi e tentou repetidamente matá-lo. Terceiro, Davi era um indivíduo multitalentoso, muito popular com as massas do que Saul ou Jônatas. Jônatas e Davi deviam ter sido pelo menos cautelosos um para com o outro, senão inimigos declarados. Contudo, eles foram capazes de superar esses obstáculos em potencial e construir uma amizade exemplar. Talvez a qualidade excepcional de sua amizade fosse a lealdade. Aquela lealdade estava fundamentada numa profunda devoção a Deus. Esse maior compromisso foi o que capacitou a amizade deles e não apenas sobreviver, mas crescer em tempos de confusão e conflito. Você é um amigo para todas as horas? Você foge de relacionamentos quando as dificuldades surgem? Se seus relacionamentos humanos são fracos, examine a profundidade de sua lealdade a Deus. Você pode se surpreender com o que vai descobrir".

 

CONCLUSÃO

A amizade entre Jônatas e Davi foi um tipo do amor de Jesus por Sua Igreja. Quando Jônatas encontrou com Davi, depois que ele matou Golias e firmou com ele uma aliança perpétua, a primeira coisa que Jônatas fez foi se despojar, se despir de suas vestes de príncipe e entregá-las a Davi, veja: “E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto.” (1Sm 18.4). “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória. Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém”. (Judas 24-25).

 

Elaboração pelo Pb. Mickel Souza Porto

 

Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

 

REFERÊNCIAS

 

• CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.

• FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.

• LIMA, Elinaldo R. de. O Caráter do Cristão. CPAD. • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.





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F. B. Campina Grande - PB Abril de 2017