28 de junho de 2017

Lição 01 = Inspiração Divina e Autoridade da Bíblia


Inspiração Divina e Autoridade da Bíblia

 

Texto Áureo = "Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." (2Pe 1.21)

 

Verdade Prática = Cremos na inspiração divina, verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – 2 TIMÓTEO 3.14-17

 

HINOS SUGERIDOS: 306, 322, 499 da Harpa Cristã

 

INTRODUÇÃO

 

O uso teológico da palavra inspiração tem a finalidade de designar a influência controladora que DEUS exerceu sobre os escritores da Bíblia. Tem a ver com a habilidade comunicada pelo ESPÍRITO SANTO, de receber a mensagem divina e de registrá-la com absoluta exatidão.  O que diferencia a Bíblia de todos os demais livros do mundo é a sua inspiração divina. É devido à sua inspiração que a Bíblia é chamada A Palavra de DEUS.

 

A investigação do caráter da Bíblia se constitui num esforço no sentido de se descobrir a verdadeira base da sua autoridade. As Escrituras do Antigo e Novo Testamentos formam um cânon devido ao fato de que estas são palavras ou oráculos autorizados. No contexto desta lição e expressão autorizada sugere que a Bíblia em todas as suas partes é a voz de DEUS falando ao homem. Sua autoridade é inerente, sendo como é, nada menos do que um edito imperial: "Assim diz o Senhor".

 

O FATO DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

 

Existe a necessidade de que compreendamos a contribuição exata do fato de que a inspiração divina das Escrituras resume a totalidade do propósito divino na revelação. Este é um assunto que precisa ser exposto com a mais absoluta clareza face às objeções contra ele levantadas. Contra a crença de que as Escrituras resumem em si a totalidade do propósito da revelação divina, levantam-se os seguintes argumentos:

 

BASES DA AUTORIDADE BÍBLICA

 

O mundo moderno, que se encontra vacilante entre a influência desmoralizadora dos ideais satânicos e das filosofias do homem sem DEUS, não aprecia nem respeita a Bíblia. Podemos dizer, porém, que até mesmo esse manifesto desrespeito que o mundo tem para com a Bíblia, se constitui dalgum modo numa prova do caráter sobrenatural desta. Positivamente analisado é uma prova da autoridade da Bíblia.

 

1. Ela foi inspirada por DEUS ( 2 Tm 3.16). Declarar das Escrituras, como elas fazem de si mesmas, que são inspiradas por DEUS, é reconhecer a autoridade suprema que só pertence a DEUS e que elas procedem diretamente dEle. Isto significa que em seu caráter plenário, as Escrituras são, em sua totalidade, a Palavra de DEUS. Elas possuem a peculiaridade indiscutível de ser nada menos que o decreto real divino - "Assim diz o Senhor".

 

2. Ela foi escrita por homens escolhidos (2 Pé 1.20,21). Este aspecto da autoridade bíblica está entranhavelmente relacionado com o fato de que a mensagem que esses homens escolhidos receberam e pregaram, era inspirada por DEUS. A contribuição específica que isto dá ao estudo da autoridade bíblica é que garante, como temos demonstrado, que a participação humana na autoria da Bíblia, não produz nenhuma imperfeição no valor infinito nem na excelência da mensagem divina. As Escrituras são inerrantes, acima de tudo, porque procedem de DEUS. Prova evidente de que a autoridade da Bíblia independe dos homens inspirados que a escreveram, consiste do fato de que mesmo aqueles livros cujos nomes dos autores são ignorados, são tão inspirados por DEUS quanto os demais que compõem o cânon divino.

 

3. Ela foi crida pêlos que a receberam (Jo 2.22). No caso do Anti- go Testamento, a congregação de Israel, sob a liderança de seus anciãos, reis, profetas e sacerdotes, deu sua aprovação àqueles escritos como sendo divinamente inspirados. No caso do Novo Testamento, a Igreja primitiva, deu sua sanção aos escritos aí contidos completando, assim, o cânon das Escrituras. Sem terem consciência, tanto num caso como no outro, de que estavam sendo usados por DEUS para realizar um objetivo tão importante, aprovaram o cânon da Bíblia como algo de singular valor para todos os homens, em todos os lugares e em to- dos os tempos.

 

4. Ela foi autenticada por JESUS CRISTO ( Lc 24.44). Os quatro Evangelhos contêm nada menos do que trinta e cinco referências diretas do Antigo Testamento citadas por parte do Filho de DEUS. Estas, como se pode notar, não apenas registram seu testemunho no tocante ao caráter divino da inspiração plenária das Escrituras, mas também, tomadas como um todo, contemplam o Antigo Testamento e certificam os aspectos plenários de sua perfeição.

 

Quando CRISTO declarou: "Eu sou... a verdade" (Jo 14.6), Ele estava declarando algo mais que ser verdadeiro. Ele se declarou como a verdade no sentido em que Ele é o tema central da Palavra da Verdade, Ele é o Amém, a Testemunha Fiel e Verdadeira (Ap 1.5; 3.14; Is 55.4). Ele disse acerca de si mesmo: "Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade" (Jo 18.37).

 

5. Acomodação. Segundo este argumento, os apóstolos criam que a inerrância das Escrituras judaicas se constituía numa teoria insustentável. Deste modo, em vez de adotarem uma linha de interpretação revolucionária, os escritores do Novo Testamento decidiram por acomodar a sua linguagem à realidade espiritual de seus dias.

Um dos principais defensores deste argumento, disse que "as Escrituras do Novo Testamento estão completamente dominadas pelo espírito de sua época, assim o seu testemunho concernente à inspiração das Escrituras carece de valor independente".

 

6. Ignorância. De igual maneira se diz que os apóstolos eram "homens sem letras e indoutos" (At 4.13) e, portanto, estavam sujeitos a errar, e que CRISTO, devido à sua encarnação, sabia apenas um pouco acima dos seus contemporâneos. Ainda, segundo este argumento,

uma vez que CRISTO não teve acesso às descobertas científicas do nosso tempo, não podia ter estado muito acima do nível cultural da sua própria época.

 

7. Contradição. Sempre tem havido quem discuta no tocante a supostas "contradições", "inexatidões" e "inconsistências" das Escrituras. Segundo esses críticos, um livro não pode ter tão grande valor como o atribuído à Bíblia, quando contém todos estes elementos. Os assuntos tratados nesta divisão não são algo novo. A negação da origem divina das Escrituras tem aparecido em todas as gerações neste mundo onde medra a incredulidade. A raiz do problema está no que se há de aceitar como última palavra no assunto: Devemos aceitar o ensinamento da Bíblia ou ensinamento dos homens?

 

TEORIAS DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

 

Quanto à inspiração da Bíblia, existem várias teorias falsas, contra as quais o cristão deve precaver-se. Dentre elas destacam-se as seguintes:

 

1. A teoria da inspiração natural humana. Essa teoria ensina que a Bíblia foi escrita por homens de inigualável inteligência. Os defensores desta teoria são da opinião de que assim como têm havido artistas excepcionais, músicos e poetas que têm produzido obras de vulto, também existiram homens dotados duma percepção espiritual tão excepcional que, devido os seus dons inatos, puderam escrever a Bíblia. Esta é a forma que acham para negar a sobre naturalidade do texto sagrado.

 

2. A teoria da inspiração divina comum. Essa teoria ensina que a inspiração dos escritores da Bíblia é a mesma que hoje nos vem quando oramos, pregamos, cantamos, etc. Assim entendido, qualquer pessoa com maior ou menor nível de inspiração, seria capaz de escrever outra Bíblia. Tal teoria é errônea, uma vez que a inspiração comum, que o ESPÍRITO SANTO hoje nos comunica, admite gradação, isto é, pode manifestar-se em maior ou menor intensidade, ao passo que a inspiração dos escritores da Bíblia não admite graus. O escritor era ou não inspira- do.

 

3. A teoria da inspiração parcial. Ensina que partes da Bíblia são inspiradas, outras não. Ensina que a Bíblia não é a Palavra de DEUS, mas que ela apenas contém a Palavra de DEUS. Evidentemente essa teoria vem de encontro à declaração paulina segundo a qual "toda Escritura é inspirada por DEUS..." (2Tm 3.16 - ARA).

4. A teoria do ditado verbal. Ensina que a inspiração da Bíblia é somente quanto às palavras, não deixando lugar para a atividade e estilo do escritor, patente em cada livro. Lucas, por exemplo, fez cuidadosa investigação de fatos conhecidos para escrever o seu Evangelho (Lc 1.3).

 

5. A teoria da inspiração das idéias. Essa teoria ensina que DEUS inspirou as idéias da Bíblia, mas não as suas palavras; estas ficam a cargo dos escritores.

 

O CONCEITO CORRETO DE INSPIRAÇÃO

 

Não basta mencionar as teorias falsas quanto à inspiração das Escrituras; necessário se faz tratar do que bíblica e teologicamente se entende por inspiração divina das Escrituras.

 

1. Inspiração Plenária ou Verbal. A teoria correta da inspiração da Bíblia é chamada "Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal". Ela ensina que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram como simples robôs, mas que houve cooperação vital entre eles e o Espírito de DEUS que neles agia.

 

A teoria da inspiração plenária ou verbal afirma que homens santos de DEUS escreveram a Bíblia com palavras de seu vocabulário, porém, sob a influência poderosa do ESPÍRITO SANTO, de sorte que o que eles escreveram foi a Palavra de DEUS. Ensina que a inspiração plenária cessou ao ser escrito o último livro do Novo Testamento, e que depois disso, nem os mesmos escritores, nem qualquer outro servo de DEUS pode ser chamado inspirado no mesmo sentido.

 

2. Revelação e Inspiração Divinas. A inspiração das Escrituras só pode ser compreendida à luz da revelação de DEUS. Revelação é a ação de DEUS pela qual Ele dá a conhecer ao escritor coisas desconhecidas e que o homem por si só jamais poderia saber (Dn 12.8; l Pé 1.10,11). Certamente que a inspiração nem sempre implica em revelação. Toda a Bíblia foi inspirada por DEUS, mas nem toda ela foi dada por revelação. São Lucas, por exemplo, foi inspirado a examinar trabalhos já conhecidos e averiguar fatos notórios, a fim de escrever o terceiro Evangelho (Lc 1.1-4). O mesmo se deu com Moisés, que foi inspirado a registrar o que presenciara no seu dia-a-dia, como relata o Pentateuco.

 

PROVAS DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

 

Dentre outras provas da inspiração das Escrituras, mencionaríamos as seguintes:

 

1. A aprovação da Bíblia por JESUS. JESUS aprovou a Bíblia ao lê- la (Lc 4.16-20), ao ensiná-la (Lc 24.27), ao chamá-la "a palavra de DEUS" (Mc 7.13), e ao cumpri-la (Lc 24.44).

 

Quanto ao Novo Testamento, em João 14.26, o Senhor antecipadamente pôs nele o selo de sua aprovação divina, ao declarar: "Mas aquele Consolador, o ESPÍRITO SANTO, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito". Assim sendo, o que os apóstolos ensinaram e escreveram não foi a recordação deles mesmos, mas a do ESPÍRITO SANTO. JESUS disse ainda que o ESPÍRITO SANTO nos guia- ria em "toda a verdade" (Jo 16.13,14). Portanto, no Novo Testa- mento temos a essência da revelação divina.

 

2. O testemunho do ESPÍRITO SANTO no crente. Em cada pessoa que aceita a JESUS como Salvador, o ESPÍRITO SANTO põe na sua alma a certeza quanto à autoria e inspiração divina das Escrituras. É algo instantâneo.

Não é preciso ninguém ensinar isso. Quem de fato aceita a JESUS como Salvador pessoal, aceita também a Bíblia como a Palavra de DEUS, sem argumentar.

 

3. O fiel cumprimento da profecia. Inúmeras profecias se cumpriram no passado, em sentido parcial ou total; inúmeras outras cumprem-se em nossos dias, e muitas outras cumprir-se-ão no futuro.  O cumprimento contínuo das profecias bíblicas é uma prova da sua origem divina. O que DEUS disse, sucederá (Jr 1.12). Glória a DEUS por tão sublime livro!

 

4. A Bíblia é sempre nova e inesgotável. O tempo não exerce nenhuma influência sobre a Bíblia. É o livro mais antigo do mundo, e ao mesmo tempo o mais moderno. Em mais de vinte séculos o homem jamais pôde melhorá-la. Um livro humano já teria caducado em bem menos tempo. Para o salvo, isto constitui insofismável prova da Bíblia como a imutável Palavra de DEUS.

 

A BÍBLIA É TUDO QUANTO DIZ SER

 

1. A Bíblia é poder eterno. Quanto a isto, diz o salmista: "Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu" (SI 119.89). Outros escritores da Bíblia corroboram esta declaração (Is 40.8; l Pé 1.25). Sendo a Palavra de DEUS, esta verdade tem sido confirmada através da preservação sobrenatural deste livro singular.

 

2. A Bíblia é poder salvador. Por incorporar o Evangelho, a Bíblia é o "poder de DEUS para salvação" (Rm 1.16), porém, muitos ignoram que o evangelho é dirigido ao homem na forma dum edito. É pregado a todos para ser crido e obedecido, (At 5.32; Rm 2.8; 10.16; 2Tm 1.8; Hb 5.9; l Pé 4.17).

 

3. A Bíblia é poder santifica- dor. A autoridade da Bíblia é afirmada e demonstrada pelo seu poder santificador. O Senhor orou pêlos seus discípulos: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a "verdade (Jo 17.17). A nação de Israel ainda há de ser santificada pela ação da Palavra da verdade.

O próprio DEUS declara: "Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu DEUS e eles serão o meu povo" (Jr 31.33).

 

4. A Bíblia é poder restaurador. Os capítulos 36 e 37 do livro do profeta Ezequiel resumem a destruição e restauração de Israel. Na sua assolação, Israel é assemelhado a um vale de ossos secos. Do que de- pende então a sua completa restauração? Depende da ação poderosa da Palavra de DEUS. Quanto a isto, registra o profeta: "Então me disse:  Profetiza sobre estes ossos, e dize- lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Jeová a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis" (Ez 37.4,5).

 

5. A Bíblia é poder revelador. Ela testifica e prova a sua autoridade de ser uma revelação dada aos homens. Como diz o salmista, a ex- posição da Palavra de DEUS dá luz; dá entendimento aos simples (SI 119.130). Todas as revelações de coisas celestiais e terrenas, do tempo e da eternidade, do bem e do mau, são derivadas da Palavra de DEUS. Como diz o escritor da Epístola aos Hebreus, na verdade a Palavra de DEUS, viva, eficaz e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, é apta para revelar o escondido e até mesmo as intenções do coração do homem.

 

POR QUE A PALAVRA DE DEUS É EXCELENTE

 

1. Ela é pura. Não há mistura na Palavra de Deus. Em toda a Escritura Sagrada, não há uma só discordância quanto à essência da mensagem. Os inimigos da Palavra já procuraram desacreditá-la, apontando discrepâncias e contradições, mas em vão. As divergências sugeridas são apenas aparentes, porque “as palavras do Senhor são palavras puras como prata refinada em forno de barro e purifica sete vezes” (SI 12.6). É puríssima (Sl 119.140).

 

2. Ela é reta. a segue uma linha de pensamento que, começando no Gênesis, termina no Apocalipse, mas sem quaisquer desvios ou mistificações apesar de ter sido escrita por cerca de 40 homens, durante quase 1.600 anos, nos mais diversos lugares. A mensagem da Bíblia é uma só: O amor de Deus e o seu plano para a salvação do homem. “Porque a palavra do Senhor é reta, e todas as suas obras são fiéis” (SI 33.4).

 

3. Ela é santa. A Palavra de Deus identifica-se com a natureza divina, que é santa. Os seres celestiais, no Apocalipse, cantam: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir” (Ap 4.8). A palavra do homem, quase sempre, tem verdade e mentira, realidade e engano, mas a palavra de Deus é santa (Sl 105.42).

 

4. Ele é lâmpada e luz. Somente a Palavra de Deus tem o Poder de iluminar o caminho do homem. Há muitos, por aí, que se dizem iluminados pelas filosofias de Buda, de Confúcio, e de outros, mas, na verdade, estão em trevas. “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho” (Sl 119.105).

 

5. Ela é verdade absoluta. Em J0 17.17, Jesus declarou: “...a tua palavra é a verdade”. Não é uma verdade entre outras, como pensam os sábios segundo o mundo. A palavra de Deus é “a” verdade, no sentido absoluto, pois é a revelação do Deus Criador, Onipotente, Onisciente, Onipresente. Santo, Justo e Salvador. O salmista é categórico: “A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre” (SI 119.160).

 

6. É o poder de Deus. Paulo, falando aos coríntios, foi enfático: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1 Co 1.18). As palavras, as filosofias, os ensinos, as idéias e os pensamentos dos mestres do mundo conseguem, no máximo, apenas reformar vidas. Mas a Palavra de Deus transforma o mais vil pecador numa nova criatura: ela, em si mesma, é e tem o poder de Deus.

 

7. E viva e eficaz. Até hoje, nenhum cirurgião conseguiu descobrir onde fica a divisão da alma e do espírito. Os médicos só podem agir sobre o corpo. Quanto à mente, limitam-se a trabalhar o comportamento observável do homem. Contudo, “...a palavra de Deus... penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e  tenções do coração” (Hb 4.12). A Palavra de Deus tem vida e é eficaz, ou seja, produz efeitos, muda comportamentos, transforma vidas.

 

O QUE A PALAVRA DE DEUS PRODUZ NO HOMEM

 

1. A Palavra de Deus Transforma. Transformar é “dar nova forma, feição ou caráter; tornar diferente do que era; mudar, alterar...” (Dic. Aurélio). Todos os significados da palavra transformar, no sentido mais elevado do termo, podem ser aplicados ao que a Palavra de Deus produz na vida de uma pessoa que a ouve e a recebe em seu coração.

 

a) Dá nova vida. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).

 

b) Liberta do pecado. Os que “andam na lei do Senhor não praticam iniqüidade, mas andam em seus caminhos” (v3). O poder transformador da Palavra de Deus faz com que o homem ímpio deixe os seus maus procedimentos, e passe a andar segundo a orientação de Deus.

 

c) A Palavra de Deus purifica o interior do ser humano. “Como purificará o jovem o seu caminho?” (v. 9). O salmista faz essa indagação porque, em todos os tempos, o comportamento dos jovens sempre foi alvo da tentação do inimigo.

Mas a resposta vem logo em seguida: o jovem pode purificar o seu caminho, “observando-o conforme a tua palavra”. Na verdade, não só ao jovem se aplica essa verdade, mas as pessoas de todas as faixas etárias.

 

2. A Palavra de Deus produz vida eterna. Jesus disse: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna...” (Jo 524)

 

A AUTORIDADE ABSOLUTA DA PALAVRA

 

1. Esta acima da razão humana. A razão humana só aceita aquilo que pode ser percebido pelos sentidos naturais, que pode ser provado empiricamente. É por isso que a Bíblia declara: “...a palavra da cruz é loucura para os que se perdem” (1 Co 1.18). Diante disso, Deus destrói a sabedoria dos sábios e aniquila a inteligência dos inteligentes (1 Co 1.19-20). A Palavra de Deus contém “coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu e não subiram ao coração do homem” (1 Co 2.9).

 

2. Não pode ser contestada pela Igreja. Paulo, doutrinando o jovem Timóteo, ordena-lhe que advirta a outros para que não ensinem outra doutrina (1 Tm 1.3) e não se dêem a fábulas, “que mais produzem questões do que edificação em Deus” (1 Tm 1.4). Por ignorarem tal exortação, muitos entregam-se a” vãs contendas, querendo ser doutores da lei e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam” (1 Tm 1.6-7).

 

3. Não pode ser questionada pelo misticismo. O misticismo tem tomado conta de nossa época. A chamada “Nova Era” tem chegado até mesmo a certas igrejas. Sonhos, revelações e profecias, ou profetadas, têm procurado ultrapassar a Palavra de Deus. Isso não tem sentido, pois a Palavra já está completa. Não se deve modificá-la, sob pena de incorrer-se em castigo severo (Ap 22,18- 19).

 

4. É a única regra de fé e prática. Para o cristão verdadeiro, livros podem ser escritos; pensamentos podem ser expostos. Mas nada toma o lugar da Palavra de Deus. A Igreja Cristã, ao ‘contrário das seitas, só tem a Bíblia, a Palavra de Deus, como única regra de fé e prática. Fora da Bíblia, nada prevalece como doutrina ou ensino a ser seguido.

 

5. Sua ética é a mais elevada do Universo. Ética é a parte da Filosofia que estuda o que é certo e errado. A ética humana parece um pantanal sem fim, O que era certo há poucos anos, agora é errado; o que era errado, agora é certo. Adultério não é mais crime. Homossexualismo não é mais crime. E aceito amplamente pela ética humana, O aborto, crime inominável, é legal em muitos países. Agora, já se pensa em clonagem (cópia) de seres humanos; o homem mortal tenta invadir uma área que só a Deus pertence. Graças a Deus, que a Bíblia, em termos de ética, é inabalável. Pecado é pecado. Abominação é abominação, ontem, hoje e sempre. As obras da carne (GI 5.19-21) jamais deixaram de ser contrárias à Lei de Deus.

 

CONCLUSÃO

 

A Palavra de Deus é excelente sob todos os aspectos que se possa considerar. Individualmente, ela deve ser acatada com fé, amor e profunda gratidão. Coletivamente, deve ser aceita como única regra de fé e prática. No culto cristão, deve ter prioridade máxima. Infelizmente, em muitos cultos, quase não há espaço para a - exposição da Palavra de Deus. A cantoria toma conta do tempo. A palavra fica em último plano. Que Deus nos ajude a ser gratos pela sua palavra, e que possamos pô-la em prática em nosso viver.

 

 

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

 

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém  - Em Dourados – MS

 

Bibliografia

 

Lição Bíblicas 4º. Trimestre 1986  - CPAD

Lição Bíblicas 3º. Trimestre 1997  - CPAD

 

INSPIRAÇÃO DIVINA E AUTORIADE DA BIBLIA

 

A Bíblia está traduzida atualmente para 2.935 línguas, segundo dados da Sociedade Bíblica do Brasil (A Bíblia no Brasil, n° 252 — agosto a outubro de 2016, Ano 68, p. 16). Todas essas versões transmitem a mesma mensagem dos antigos escritores bíblicos. Os oráculos divinos entregues a eles foram preservados e estão disponíveis para toda a humanidade. Sua inspiração divina e sua autoridade fazem dela um livro sul gen eris.

 

CÂNON E INSPIRAÇÃO

 

As palavras “cânon” e “inspiração”, às vezes, significam a mesma coisa. O termo kanõn se origina do vocábulo hebraico qãneh, “cana”, que se usava como “cana de medir” (Ez 40.3, 5; 41 .8) e originalmente quer dizer “vara de medir”. Na literatura clássica, significa “regra, norma, padrão”. Aparece no Novo Testamento com o sentido de regra moral (Gi 6.16). É também traduzido por “medida” (2 Co 10.13, 15). Nos três primeiros séculos do cristianismo, o termo se referia ao conteúdo normativo, doutrinário e ético da fé cristã.

 

A partir do quarto século, os pais da Igreja aplicaram as palavras “cânon” e “canônico” aos livros sagrados, para reconhecer sua autoridade como textos inspirados por Deus e instrumentos normativos para a vida e a conduta dos cristãos, portanto separados de outras literaturas. Eles constituíram a partir de então uma “lista de livros com autoridade divina”, uma biblioteca que é a nossa medida, a nossa regra de fé e prática.

O cânon é, assim, a lista de livros já definidos e reconhecidos como divinos para a vida e a conduta do cristão. Cada um dos livros era reconhecido como inspirado por Deus desde a sua origem, mas a coleção desses escritos sagrados só aconteceu posteriormente.

 

A inspiração divina é chamada de teopneustia, que significa “inspiração divina da Bíblia” (Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa) e “inspiração divina das Escrituras — teoria segundo a qual Deus inspirou aos autores bíblicos todas as palavras e todas as ideias” (Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa, de Laudelino Freire). O Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, de Michaelis, repete as mesmas palavras de Laudelino Freire. O termo “teopneustia” vem da Bíblia: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (1 Tm 3.16) ou “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil” (ARA). A palavra grega aqui traduzida por “inspirada por Deus” ou “divinamente inspirada” é theopneustos, que vem de theos, “Deus”, e pneõ, “respirar”. Isso significa que a Bíblia é respirada ou soprada por Deus. A construção grega nesse versículo permite ambas as traduções, mas a tradução da Almeida Atualizada é mais precisa, uma vez que a partícula grega kai vem entre os dois adjetivos “divinamente inspirada” e “proveitosa”; também expressa melhor a intenção do Espírito Santo, pois afirma duas verdades sobre a Bíblia: a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa.

A ausência do artigo antes de grajê empasa grajê teopneustos kai õfélimos1 não deixa claro se a construção é atributiva, “Escritura divinamente inspirada”, ou predicativa, “[a] Escritura é divinamente inspirada”.

 

O termo grego pasa, feminino de pas, “todo, tudo, cada”, afirma que a inspiração das Escrituras é plena, total, por isso afirmamos a nossa fé na inspiração plenária da Bíblia. Mas essa crença não se fundamenta apenas nisso, e o contexto do Novo Testamento nos deixa à vontade nesse sentido. É verdade que no período apostólico a Bíblia da Igreja era o Antigo Testamento (Lc 24.44). O termo “Escrituras”, ou “Escritura” no singular, aparece inúmeras vezes no Novo Testamento como referência específica ao Antigo Testamento ou a parte dele e entre elas podemos citar (Mt 21.42; Mc 2.10/l 118.22,23; Mt 26.56; Mc 15.28/Is 53.12; Lc 4.21/Is 61.1,2; Lc 24.27).

 

A expressão “Toda Escritura” (2 Tm 3.16) não se restringe apenas ao Antigo Testamento; diz respeito também aos escritos apostólicos, ou seja, ao Novo Testamento. A Bíblia inteira é divinamente inspirada, pois a autoridade dos profetas e apóstolos é a mesma. Ambos os grupos de escritores bíblicos aparecem alternadamente: “para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador, mediante os vossos apóstolos” (2 Pe 3.2).

 

Mais adiante, o apóstolo Pedro coloca as epístolas paulinas no mesmo nível nas Escrituras do Antigo Testamento: “Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos dificeis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pe 3.16).

O apóstolo Paulo considerava os escritos apostólicos no mesmo nível das Escrituras dos judeus: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário” (1 Tm 5.18). Há aqui duas citações.

 

A primeira vem da lei de Moisés: “Não atarás a boca ao boi, quando trilhar” (Dt 25.4); e a segunda não aparece em parte alguma do Antigo Testamento, mas nos evangelhos: “porque digno é o operário do seu alimento” (Mt 10.10); “pois digno é o obreiro de seu salário” (Lc 10.7). A construção grega revela que o apóstolo está citando o evangelho de Lucas. Ambas as frases são chamadas de “Escritura”. Outras vezes Paulo ousa dizer que seus escritos são de origem divina (1 Co 7.40; 2 Co 13.3; 1 Ts 4.8).

 

Assim, a frase “Toda Escritura é inspirada por Deus” se refere à Bíblia inteira, aos seus 66 livros. A inspiração da Bíblia é especial e única. Não existe na Bíblia um livro mais inspirado e outro menos inspirado. Todos têm o mesmo grau de inspiração e autoridade.

A inspiração plenária se refere à totalidade dos 66 livros bíblicos, e a inspiração verbal significa que cada palavra foi inspirada pelo Espírito Santo (1 Co 2.13). Não somente as palavras, mas também as ideias são de origem divina: “porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (1 Pe 1.21).

 

A palavra grega usada aqui para “inspirados” é o verbo pherõ, que significa também “mover, movimentar”. Os escritores bíblicos são homens santos que foram movidos pelo Espírito Santo para falarem da parte de Deus.

 

A inspiração verbal não elimina a individualidade de cada autor humano. Qualquer leitor da Bíblia consegue ver sem muito esforço a diferença de linguagem e de estilo em cada livro. Essa diversidade se revela ao comparar um profeta com outro profeta do Antigo Testamento, ou um apóstolo com outro apóstolo do Novo Testamento. Quem ler os profetas Isaias, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oseias, Amós ou os apóstolos Pedro, João e Paulo pode observar com clareza meridiana a peculiaridade na estrutura de raciocínio de cada um deles, no seu grau de instrução, no seu convívio, no seu gênio e contexto sociopolítico e religioso. Assim, a Bíblia revela o aspecto natural da individualidade e o aspecto sobrenatural da inspiração.

 

CREDIBILIDADE DOS TEXTOS BfBL1COS

 

A quantidade enorme de manuscritos antigos, o grande número de versões em outras línguas e as citações da patrística nos primeiros séculos do cristianismo falam por si como prova da autenticidade dos livros da Bíblia. É assunto que nem mesmo os céticos questionam. Nenhuma obra da Antiguidade apresenta hoje tantos manuscritos hebraicos, gregos, latinos e em outras línguas.

 

 

Temos hoje em todo o mundo mais de 25 mil manuscritos bíblicos produzidos antes do advento da imprensa no século XV. Em segundo lugar, vem a ilíada, de Homero, com apenas 457 papiros e 188 manuscritos, perfazendo um total de 645 exemplares. Nenhuma obra da Antiguidade é mais bem confirmada que a Bíblia.

 

De todas as obras literárias produzidas na Antiguidade, o manuscrito mais antigo que sobreviveu apresenta um intervalo de 750 anos entre o tal manuscrito e a possível data de sua autoria.

 

É uma obra de História, de Plínio, o Jovem, historiador romano que viveu entre 61 e 113 dc. Restaram apenas sete manuscritos, e o mais antigo deles é datado de 850 d. C. Todos os demais, com exceção de Suetônio, também historiador romano, com 950 anos de intervalo o manuscrito mais antigo e a possível data de sua autoria, apresentam um intervalo superior a mil anos. É o caso de Platão, Tetralogias, sete cópias; e Heródoto, História, oito cópias, entre outros que não são citados aqui por absoluta falta de espaço (MCDOWELL, 2013, pp. 141, 142).

 

As descobertas dos rolos do mar Morto revelam a credibilidade e a fidelidade dos textos hebraicos do Antigo Testamento. Com exceção do livro de Ester, todos os outros livros do Antigo Testamento estão representados nesses 800 manuscritos. As 11 cavernas de Uaid Qumran trouxeram à tona cerca 200 manuscritos bíblicos, descobertos entre 1947 e 1964, sem contar outros manuscritos não bíblicos.

 

O primeiro grupo desses manuscritos é datado entre 250 a.C. e 68 d.C., com manuscritos escritos ainda na grafia paleo-hebraica, ou seja, o hebraico arcaico. Julio Treboile Barrera faz menção de alguns deles: quatro de Levítico, dois de Gênesis, Êxodo e Deuteronômio, um de Números e um de Jó (BARRERA, 1999, p. 263). O segundo grupo é datado entre 70 e 132 d.C., período entre a destruição de Jerusalém e a Revolta de Bar-Cochbar, em Yavne, ou Jâmnia.

 

Muitos desses manuscritos não foram produzidos pelos essênios; muitos deles vieram da Babilônia e do Egito. Trata-se, portanto, de textos procedentes de várias épocas e de vários lugares. Quando o alfabeto paleo-hebraico foi substituído pelo alfabeto quadrático, os escribas tiveram de fazer adaptações. O rolo do profeta Isaías, por exemplo, é datado do ano 100 a.C. É exatamente o mesmo texto da Bíblia Hebraica, exceto por uma diferença de apenas 17 letras no capítulo 53.

 

As inúmeras profecias são exclusividade das Escrituras Sagradas e provas visíveis de sua inspiração e autenticidade. Muitas delas já se cumpriram em relação a muitos povos, tanto na Antiguidade como na atualidade. Um exemplo é a queda de Babilônia: “E Babilônia, o ornamento dos remos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra quando Deus as transtornou.

Nunca mais será habitada, nem reedificada de geração em geração” (Is 13.19, 20). Essa profecia foi proferida quando a Babilônia estava no apogeu de sua glória. Hoje, no entanto, essa Palavra se cumpre diante de nossos olhos.

 

A Bíblia anunciou de antemão a dispersão dos judeus, mas profetizou seu retorno à terra de seus antepassados. Depois de cerca de 1.800 anos na diáspora, os filhos de Israel retornam para sua terra, e em um só dia nasceu uma nação (Is 66.8). Essa Palavra diz respeito à fundação do Estado de Israel logo após a derrocada do nazismo.

 

Não é possível enumerar todas as profecias aqui. Mas destacamos as profecias sobre reis, como Ciro, rei da Pérsia, e Alexandre, o Grande, em Isaías 44.28; 45.1 e Daniel 8.21, 22, além das profecias messiânicas cumpridas em Jesus, desde o seu nascimento de uma virgem, em Belém, conforme Isaías 7.14 e Miqueias 5.2, até a sua ascensão, registrada em Salmos 24.7-10. Tudo isso faz da Bíblia um livro sul generis, que não se assemelha a nenhum outro e está acima de qualquer outro já produzido no mundo. A Bíblia declara a si mesma como a infalível Palavra de Deus: “a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Is 40.8) e em fraseologia similar: “mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pe 1.25). É o único livro que se apresenta como a revelação escrita do verdadeiro Deus e com um propósito definido: a redenção humana.

 

A VERSÃO DOS SETENTA

 

A Septuaginta é a primeira tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego. O termo “Septuaginta” vem do latim e significa literalmente “septuagésimo”, tendo sido usado pela primeira vez por Eusébio de Cesareia em História Eclesiástica.

Agostinho de Hipona foi o primeiro a chamá-la de a “Versão dos Setenta”, em A Cidade de Deus. O termo “Septuaginta” é uma forma abreviada da expressão latina interpretatio Septuaginta virorum, “a tradução pelos setenta homens”, similar à forma grega katá tou hebdomëkonta, “conforme os setenta”, ou hoi hebdomëkonta, “os setenta”, todos usados por escritores cristãos do segundo século para referir-se ao Antigo Testamento Grego. Hoje é conhecido também pelo nome de “Versão dos Setenta, Versão de Alexandria” e identificado pelos algarismos romanos “LXX”.

 

A tradução do Pentateuco do hebraico para o grego aconteceu na metade do século III a.C., por 72 eruditos judeus enviados de Jerusalém para Alexandria; nos séculos seguintes, os outros livros do Antigo Testamento foram traduzidos. Foi um empreendimento cultural sem precedentes na história da civilização ocidental, pois a revelação divina saía do confinamento judaico para se tornar universal. Era o pensamento religioso semita à disposição do Ocidente numa língua indo-europeia.

 

Sua influência nos escritores do Novo Testamento foi determinante, servindo de ponte linguística e teológica entre o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo. Tanto os apóstolos como os antigos escritores cristãos encontraram na Septuaginta uma fonte de conceitos e termos teológicos para expressar o conteúdo e o pensamento cristão.

Ela foi usada pelas gerações de judeus helenistas em todas as partes do mundo antigo. Foi a Bíblia adotada pelos cristãos de língua grega, como disse Agostinho no século V: “A Igreja recebeu a versão dos Setenta como se fora única e dela se servem os gregos cristãos, cuja maioria ignora se há alguma outra. Dessa versão dos Setenta fez-se a versão para o latim; é a usada nas igrejas latinas. Serve, ainda, como fonte importante para o estudo da história da Bíblia Hebraica” (A Cidade de Deus, livro 18.43).

 

A TRADUÇÃO PARA OUTRAS LÍNGUAS TEM A APROVAÇÃO DIVINA

 

O projeto de tradução das Escrituras dos judeus para a língua grega num período em que nem mesmo o cânon estava fixado mostra ser a Bíblia um livro traduzível por natureza, sendo ao mesmo tempo o prenúncio de milhares de línguas para as quais a Palavra de Deus seria traduzida — as primícias de uma grande ceifa de versões em todo o mundo. A Bíblia completa está traduzida em 563 idiomas, o Novo Testamento em 1.334 línguas, e as porções bíblicas em 1 .038 línguas. O total é de 2.935 línguas. São dados publicados pela revista A Bíblia no Brasil citada acima.

 

É a vontade de Deus que a sua Palavra seja conhecida por todos os povos e nações na sua própria língua. Essa aprovação divina é reconhecida pelo uso do grego na redação do Novo Testamento e pelas inúmeras citações diretas da Septuaginta. Isso mostra que não importa a língua, mas o conteúdo da mensagem. A Septuaginta “no transcorrer dos anos veio a ser o Antigo Testamento por excelência dos cristãos no vasto império romano. Quando a LXX foi acrescentada à coleção de livros do Novo Testamento era o surgimento de um novo livro, a Bíblia Cristã” (SOARES, 2009, p. 56).

 

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

 

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I - Em Dourados – MS

 

Livro A Razaão da Nossa Fé – Ezequias Soares -CPAD 1º. Edição 2017

 

 

20 de junho de 2017

JESUS CRISTO, O MODELO SUPREMO DE CARÁTER


JESUS CRISTO, O MODELO SUPREMO DE CARÁTER 2º TRIMESTRE 2017 (Mt 1.18,21-23; 3.16,17)
 
Texto Aureo = "[...] E o seu nome será Maravilhoso Conselheiro,  Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." (Is 9.6)
 
Introdução
Nesta lição, refletiremos a respeito de Jesus, o Homem de caráter perfeito. É impossível descrever a grandeza de lua personalidade e do seu caráter com palavras meramente humanas. Sua entrada no seio da raça humana, que se achava em miséria espiritual, não somente significou Deus entre nós, o Emanuel (Mt 1.23), mas o cumprimento da promessa do Criador de redimir o homem no Éden. Ele se humanizou como "a semente da mulher" que haveria de ferir a cabeça do Diabo (Gn 3.15).
I - DEFINIÇÕES DOS TERMOS MODELO E SUPREMO
 
Modelo.
 
Segundo Aurélio (2004, p. 1344) modelo é: “aquilo que serve de exemplo ou norma; pessoa ou ato que, por sua importância ou perfeição, é digno de servir de exemplo”. Do grego “tupos”, possui entre outros, o significado de “marca, impressão, forma ou molde” (Rm 6.17), “modelo, padrão” (At 7.44; Hb 8.5); podendo ser em: (a) sentido ético (1Co 10.6; Fp 3.17; 1Ts 1.7; 2Ts 3.9; 1Tm 4.12; Tt 2.7; 1Pd 5.3); e (b) sentido doutrinário (Rm 5.14).
 
Supremo.
 
De acordo com o dicionário da língua portuguesa, “supremo” em termos gerais quer dizer: “que está acima de tudo; superior” (FERREIRA, 2004, p. 1898). Jesus é superior, essa é a temática principal do escritor da epístola aos Hebreus; sendo o Senhor descrito textualmente nas páginas do Novo Testamento como: (a) Sumo Sacerdote (Hb 3.1; 4.14) e, (b) Sumo pastor (1Pd 5.4).
 
II – INFORMAÇÕES SOBRE JESUS
Nome
Forma grega que corresponde ao hebraico e aramaico Yeshua, ou Yehoshua (o mesmo que Josué), que significa o Senhor salva. JESUS era um nome comum entre os judeus, pelo qual expressavam sua fé de que Deus era o seu salvador. Aqui, porém, o anjo do Senhor, ao dar o nome de Jesus ao filho de Maria, designava a missão especial que ele vinha realizar: “porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. Sem dúvida o nome Josué era bem popular nos dias de Jesus e isso explica o uso ocasional da expressão “Jesus de Nazaré” ou “Jesus, o nazareno” (Jo 1.45), para diferenciá-lo de outros com o mesmo nome (Cl 4.11; Mt 26.71).
Genealogia.
Cristo veio do Pai (Jo 16.28), mas nasceu de uma mulher (Gl 4.4); Ele é o “[…] Maravilhoso Conselheiro, o Deus forte, o Pai da eternidade, o Príncipe da paz” (Is 9.6-b), mas nasceria como um menino, “Porque um menino nos nasceu […]” (Is 9.6-a). Jesus teve como qualquer outro judeu, a sua árvore genealógica, sendo assim destacada a sua humanidade. Paulo a respeito da natureza humana de Jesus afirma: “[…] que nasceu da descendência de Davi segundo a carne” (Rm 1.3). A Bíblia registra duas genealogias de Jesus (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38).
O NASCIMENTO VIRGINAL DE JESUS
Mateus e Lucas contam que Jesus Cristo foi concebido pelo Espírito Santo e nascido de Maria, que era virgem. Para ser Deus e homem, Jesus não poderia ter sido concebido naturalmente. Profetizado por Isaías (Isaías 7:10-14), seu nascimento miraculoso não foi um fato sem importância – é o cerne da história de Jesus. O nascimento virginal é prova da Encarnação de Jesus e de que Cristo era realmente Deus. Jesus passou sua infância em Nazaré e aos 12 anos foi achado no templo conversando com os doutores da lei.
O tríplice crescimento de Jesus (Lc 2.52)
 
Lucas distingue o crescimento humano de Jesus em sabedoria, estatura (tamanho) e graça, diante de Deus e dos homens e, isso não nos deve surpreender, porquanto ele era homem autêntico. Enquanto viveu em Nazaré, Jesus “crescia e ficava forte, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava com ele” (Lc 2.40). “Cada ser humano que nasce neste mundo, destacam esses expositores bíblicos; pertence a um determinado lugar, a uma determinada família e a um determinado povo. Nasce, portanto, sujeito a vários condicionamentos. Com Jesus também foi assim”.
 
  • Crescimento em sabedoria (intelectual). Crescer em sabedoria é assimilar os conhecimentos da experiência humana diária, acumulada ao longo dos séculos nas tradições e costumes do povo. Isso se aprende convivendo na comunidade natural do povoado.
  • Crescimento em estatura (físico). Crescer em tamanho é nascer pequeno, crescer aos poucos e tornar-se adulto. É o processo de todo ser humano; com suas alegrias e tristezas, amores e raivas, descobertas e frustrações. Isto se aprende convivendo na família com os pais, os avós, os irmãos e as irmãs, com os tios e tias, sobrinhos e sobrinhas.
  • Crescimento na graça (espiritual). Crescer em graça é descobrir a presença de Deus na vida, a sua ação em tudo que acontece, o seu chamado ao longo dos anos da vida, a vocação, a semente de Deus na raiz do próprio ser. Isto se aprende na comunidade de fé, nas celebrações, na família, na meditação, na oração, na luta de cada dia, nas contradições da vida e, em tantas outras oportunidades.
Os condicionamentos do crescimento de Jesus.
 
“Ele aprendeu a falar e a escrever (nos dias de Jesus falava-se o hebraico nas escolas e o aramaico nas conversas diárias), a comunicar-se com Deus; Jesus estava sendo 'aperfeiçoado' como também lemos no texto de Hb. 2.10”. Não há como negar que fatores culturais, tais como o ambiente familiar, a língua e o lugar onde nascemos marcam a vida de cada uma de nós de forma profunda. Esses fatores são independentes da nossa vontade. No entanto, fazem parte da nossa existência, sendo, portanto, o ponto de partida para tudo aquilo que queremos realizar. Destacam ainda estes autores que Jesus “assumiu este condicionamento lá onde pesam mais, isto é, no meio dos pobres, pois Lucas descreve no ritual da purificação de Maria que sua família era uma família com poucos recursos (Lv 12.8; Lc 2. 22-24; 2 Co 8.9; Mt 13.55; Fp 2.6,7; Hb 4.15; 5.8).
 
III - MINISTÉRIO DE CRISTO
O ministério terreno de Jesus começou na cidade de Belém, na província romana da Judeia. A ameaça à vinda do Rei Jesus, quando menino, levara José a reunir a família e fugir para o Egito, mas, ao retornarem. Deus recomendou que se estabelecessem em Nazaré, na Galiléia. Com aproximadamente 30 anos, Jesus foi balizado no rio Jordão e, logo depois, foi tentado por Satanás no deserto da Judeia. Então, Jesus principiou seu trabalho em Cafarnaum, e passou a ministrar por toda a Israel, proferindo parábolas, ensinando sobre o Reino e curando os enfermos.
Cristo se fez Homem e Servo. Sendo rico, fez-se pobre; sendo santo, foi feito pecado (2 Co 5.21). Fez-se maldição (Gl 3.13) e foi contado com os transgressores. Sendo digno, consideraram indigno. Foi, ainda, feito menor que os anjos, que devem ter ficado espantados ao verem Deus encarnado, como servo, sendo tentado, sofrendo escárnio e crucificado. Mas, depois de tudo, viram entronizado e glorificado.
 
Após seu batismo, Jesus inicia seu ministério. João Batista não via necessidade de que Ele fosse batizado: sentiu-se inferior e sabia que Jesus não tinha pecado — Ele não precisaria passar por um batismo de arrependimento nem tinha de que se arrepender, mas Jesus fez questão de ser batizado, num ato de obediência e para cumprir toda a justiça, deixando-nos o exemplo (Mt 3.14,15). Seu ministério foi exercido na plenitude do Espírito. Após ter sido batizado por João, Jesus foi impelido pelo Espírito Santo, a fim de jejuar quarenta dias e quarenta noites no deserto. Nesta fase de jejum, oração e meditação num lugar solitário, preparado pelo Espírito Santo, Ele teve o seu preparo espiritual. O ministério de Jesus durou cerca de três anos. O cálculo da duração é feito com base nas festas pascais em que Ele esteve. O início de seu ministério se deu na véspera de uma Páscoa; depois, participou de mais duas e morreu na véspera de outra. O primeiro ano foi o da obscuridade; o segundo, o do favor público e o terceiro, o da oposição"
ü  Filho do Homem
 
De todos os seus títulos, 'Filho do Homem' é o que Jesus preferia usar a respeito de si mesmo. E os escritores dos evangelhos sinóticos usam a expressão 69 vezes. O termo 'filho do homem' tem dois possíveis significados principais.
 
O primeiro indica simplesmente um membro da humanidade. E, neste sentido, cada um é um filho do homem. Tal significado era conhecido nos dias de Jesus e remonta (pelo menos) aos tempos do livro de Ezequiel, onde é empregada a fraseologia hebraica bem' adam, com significado quase idêntico. Essa expressão, na realidade, pode até mesmo funcionar como o pronome da primeira pessoa do singular, 'eu' (cf. Mt 16.13).
 
Por outro lado, a expressão é usada também a respeito da personagem profetizada em Daniel e na literatura apocalíptica judaica posterior. Essa personagem surge no fim dos tempos com uma intervenção dramática, a fim de trazer a este mundo a justiça de Deus, o seu Reino e o seu julgamento. Daniel 7.13,14 é o texto fundamental para esse conceito apocalíptico"!
 
IV - JESUS CRISTO: O MODELO SUPREMO DE CARÁTER
 
Jesus é incomparavelmente o homem mais célebre que já existiu na face da terra. Nunca existiu e nem existirá, alguém que possuiu um modelo tão completo de todas as virtudes, um tipo tão excelente de caráter quanto Jesus. Vejamos alguns traços do seu perfeito caráter e personalidade:
 
Impecável.
 
Como homem Jesus se distinguiu dos demais, pois não conheceu pecado. Devido a sua impecabilidade, é chamado de “[…] o Santo e o Justo” (At 3.14; ver Jo 6.69; At 7.52; 22.14), expressão que o exalta como modelo de caráter. Embora tenha vivido em “semelhança da carne” (Rm 8.3). Ele jamais cometeu pecado (2Co 5.21; Hb 4.15). Ele era santo (Hb 7.26), incontaminado e imaculado (1Pd 1.19; 2.22), Nele não havia pecado (1Jo 3.5); era justo em sentido absoluto (1Jo 3.7); tal qualidade foi reconhecida e declarada até pelos demônios (Mc 1.24); tendo Jesus autoridade para desafiar a todos, dizendo: “Quem dentre vós me convence de pecado? […]” (Jo 8.46).
 
Submisso.
 
Uma outra virtude destacável do caráter de Jesus é a sua submissão. O Senhor Jesus apesar da sua natureza Divina, como homem se matriculou na escola da obediência, para nos deixar o exemplo: “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5.8). Em vários momentos de sua vida tal atitude pode ser evidenciada: (a) em sua encarnação (Fp 2.5-7); (b) em sua vida familiar obedecendo seus pais José e Maria (Lc 2.51); (c) ao ser batizado nas águas por João Batista (Mt 3.13-15); (d) ao fazer e ensinar a vontade de Deus o Pai (Jo 6.38; 8.28); (e) em não revidar as afrontas (1Pd 2.23); e, (f) ao entregar a sua vida pela humanidade (Mt 26.39; Fp 2.8).
 
 
Humilde.
 
Jesus era humilde de coração (Mt 11.29), ele várias vezes lembrou aos seus apóstolos que, mesmo sendo Mestre e Senhor, tinha se tornado servo (Mt 20,25-28; Lc 22.24-27); e, às vésperas de sua crucificação, Jesus deu o maior exemplo de humildade ao lavar os pés dos seus discípulos, um papel destinado ao escravo da casa (Jo 13.1-17). Podemos lembrar especialmente, a dolorosa série de inesquecíveis humilhações que ele sofreu sem queixar-se, mesmo que as tivesse sentido vivamente (Mt 26.55; Mc 14.48; Lc 22.52). A humildade de Jesus também é expressa quando lhe faziam elogios, e ele atribuía toda a glória ao Pai (Mt 19.16-17; Mc 10.17-18; Lc 18.18-19).
 
Carismático.
 
Segundo dicionário da língua portuguesa, uma pessoa carismática é: “alguém que desperta carisma ou admiração dos demais, encantador, simpático, cativante, sedutor, atrativo, querido, atraente, atencioso, influente e agradável”. Em seu ministério Jesus revelou sua simpatia e admiração ao dar atenção especial a várias classes de pessoas (Mc 10.13-16; Jo 3.1-10; 4.7-30). Até mesmo os seus opositores se admiravam e testificavam do seu comportamento e de suas palavras (Jo 7.32,45,46).
 
Manso.
 
É uma virtude que se opõe à rudez (Mt 5.5), e o nosso Senhor Jesus Cristo sempre foi manso e benigno (2Co 10.1; Mt 11.29). Quem é manso é pacificador (Mt 5.9), e por isso, somos conclamados a seguir a paz e, na medida do possível, ter paz com todos os homens (Rm 12.18; 1Co 7.15; Hb 12.14; 1Pd 3.11).
 
Misericordioso.
 
É a compaixão pela necessidade alheia (Mt 5.7); Jesus foi misericordioso com os homens em suas fraquezas e privações (Mc 5.19; Hb 2.17; Tg 5.11; 2Co 1.3 ver Mt 15.22; 17.15). Lembremos, pois, que a misericórdia é um mandamento divino, e que a Bíblia condena a indiferença para com os pobres (Lc 6.36; Mt 12.7). Sejamos misericordiosos assim como Jesus nos ensinou na parábola do samaritano (Lc 10.37).
 
Coração puro.
 
Outro traço do caráter de Jesus é a pureza de coração (1Jo 3.3), e quando olhamos para as Escrituras, vemos que o coração representa a personalidade (Mt 5.8), o centro das emoções humanas (Sl 15.2; 16.9; 51.10; Mc 7.21-23). Ao repreender os fariseus, o Senhor destaca como a pureza interior é necessária, dizendo serem semelhantes aos “sepulcros caiados” (Mt 23.27). Em contraste com a hipocrisia e malícia dos fariseus, Jesus revela a sua pureza de coração, no perdão concedido a mulher apanhada no ato de adultério (Jo 8.3).
O Senhor que conhece os pensamentos (Fp 4.8) e as motivações das ações cotidianas (1Co 4.5), manifestou em seu santo e justo julgamento o pecado dos acusadores (Jo 8.7,9), revelando favor à mulher (Jo 8.10,11).
 
V - O CARÁTER CRISTÃO COMO MODELO DE JESUS A SER SEGUIDO
 
Justo e irrepreensível.
 
O Senhor Jesus foi justo (Mt 5.6), e ordenou aos seus discípulos que priorizassem, acima de todas as coisas, o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33). Em um mundo perverso (At 2.40), onde as pessoas estão mais preocupadas em acumular riquezas (2Tm 3.2) do que socorrer ao aflito e necessitado, o verdadeiro crente deve: (a) refletir o caráter de Cristo através de uma vida de santidade e retidão (Mt 6.25,31,34), (b) ser irrepreensível (Fp 2.15-a), ou seja, alguém cuja moral não pode ser atingida, não tendo do que dizer de mal quanto a sua conduta (Tt 2.8), (c) destacar as características da vida cristã, em meio à corrupção (Fp 2.15-b); (d) possuir as virtudes que o qualifica o para a obra do ministério (1Tm 3.2; Tt 1.6,7); e, (e) ter a marca de quem espera a segunda vinda de Jesus (2Pd 3.14).
 
Submisso.
 
Atitude proveniente de um coração obediente e que reconhece as autoridades constituídas, sejam seculares (Rm 13.1-7; Tt 3.1; 1Pd 2.13), ou espirituais (Hb 13.17), que prioriza tal comportamento com vistas a comunhão fraternal (1Pd 2.18; 5.5), sobretudo à pessoa de Deus (Tg 4.7).
 
Humilde.
 
Jesus foi modesto em toda a sua maneira de viver (Mt 11.29). Ele demonstrou sua humildade ao despojar-se de sua glória (Fp 2.6,7); na irrestrita obediência à vontade do Pai (Jo 5.30; 6.39; Fp 2.8); quando lavou os pés dos discípulos (Jo 13.3-5); e ao relacionar-se com todas as pessoas, independentemente de sua raça ou posição social (Mt 9.11; 11.19; Jo 3.1-5; 4.1-30). A humildade é um aspecto do caráter imprescindível a todos os crentes (Ef 4.1,2; Cl 3.12), pois os humildes sempre alcançam o favor do Senhor (Tg 4.6).
CONCLUSÃO
 
Nos estudos e capítulos sobre alguns pesonagens do Antigo e do Novo Testamento, vimos que não é fácil dissertar sobre suas vidas, testemunho e missão, por causa da escassez de informações e de dados históricos. No caso de Jesus, o maior e mais excelente personagem da História, é mais dificil descrevê-lo, não tanto por falta de dados e informações, mas, sim, por causa de sua grandeza, de sua personalidade singular e de seu caráter inigualável. E não poderia ser diferente. Ele é a “[...] O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.
E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência Cl 15-18”.
 
REFERÊNCIAS
 
· BRUCE, F.F et al. Dicionário Ilustrado da Bíblia. VIDA NOVA.
· DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. VIDA NOVA.
· FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
· GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia. VIDA.
· STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD
· VINE, W.E et al. Dicionário Vine. CPAD.
·        ECOLA DOMINICAL – PORTAL EBD, http://www.portalebd.org.br/
·        EBD LIÇÕES PARA A VIDA ETERNA, http://ebdestudosbiblicos.blogspot.com.br/
·       IEAD em Pernambuco - Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
 

13 de junho de 2017

JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS – UM HOMEM DE CARÁTER


JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS – UM HOMEM DE CARÁTER

TEXTO ÁUREO = “E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher.”

VERDADE PRÁTICA = José, pai de Jesus, nos deixou um exemplo marcante de um caráter humilde, submisso e amoroso.

LEITURA BIBLICA- Mateus 1: 18-25

INTRODUÇÃO

José é um personagem célebre do Novo Testamento bíblico, marido da mãe de Jesus Cristo. Segundo a tradição cristã, nasceu em Belém da Judéia, no século I a.C., era pertencente àtribo de Judá e descendente do rei Davi de Israel. No catolicismo, ele é considerado um santo e chamado de São José.

Segundo a tradição, José foi designado por Deus para se casar com a jovem Maria, mãe de Jesus, que era uma das consagradas do Templo de Jerusalém, e passou a morar com ela e sua família em Nazaré, uma localidade da Galileia. Segundo a Bíblia, era carpinteiro de profissão, ofício que teria ensinado seu filho.

O lugar que José ocupa no Novo Testamento é discreto: está totalmente em função de Cristo e não por si mesmo. José é um homem silencioso, e pouco aparece na Bíblia. Não se sabe a data aproximada de sua morte, mas ela é presumida como anterior ao início da vida pública de Jesus. Quando este tinha doze anos, de acordo com o Evangelho de Lucas (cap. 2), José ainda era vivo, sendo que em todos os anos a família ia anualmente a Jerusalém para a festa da Páscoa. Na Páscoa desse ano, "o menino Jesus permaneceu em Jerusalém sem que seus pais soubessem", os quais "passaram a procurá-lo entre os parentes e os conhecidos" e, por fim, o reencontraram no Templo da Cidade Santa "assentado entre os mestres, ouvindo-os e interrogando-os, os quais se admiravam de sua inteligência e de suas respostas". "Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados" e Maria, sua mãe, diz-lhe: "Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura", sendo essa sua última referência a José estando vivo.

I – JOSE. O PAI DE JESUS

Uma reflexão a respeito da paternidade de José, que está escondida no coração de todo homem. A Bíblia está cheia de personagens que nos marcam. Marcam por serem pessoas que cometeram erros, mas que ao mesmo tempo eram ousados e cheios de Deus para fazerem o que lhes fora proposto pelo Senhor.

Um desses personagens foi José, descendente de Davi (Mt 1.1-17), carpinteiro, judeu, que respeitava as tradições, noivo de uma menina chamada Maria. Naquela época, o noivado era um casamento, sem de fato o ter consumado. Maria deveria ficar na casa de seus pais por mais um ano após o acordo firmado entre seu pai e José. Nesse tempo, Maria se achou grávida do Espírito.

José, segundo Mateus 1.19, era um homem justo e por sua noiva estar grávida de um filho que não era seu, iria terminar secretamente seu casamento, pois ela deveria ser apedrejada segundo as leis de Moisés. Mas um anjo lhe apareceu em sonho dizendo-o para não temer, pois o que estava sendo gerado no ventre de Maria era o tão esperado Messias, e que o nome da criança deveria ser Jesus.

José, como todos nós que temos a Palavra de Deus, tinha uma escolha: obedecer ou não. Creio que mesmo com medo em seu coração, resolveu assumir os riscos de ter um filho do coração. Pelos cuidados que ele tinha, amou àquela criança desde o primeiro instante. Aos oito dias ele levou Jesus para ser circuncidado e após ter passado o tempo de purificação, consagrou-o ao Senhor (Lc 2.22).

Fico a imaginar toda a paciência e o cuidado que José teve com Maria até ela chegar a ser sua esposa de fato. Sabemos que uma mulher tem todo o processo de resguardo para voltar a ter intimidade com seu cônjuge após o nascimento de uma criança. Imagino também as noites sem dormir preocupado em achar um lugar para ficar, aprender o que significa cada choro da criança, dentre outras coisas mais que um pai presente faz.

Podemos perceber pelos atos de Jesus, que não somente Maria o ensinava as histórias de seu povo, mas tendo em mente que José era um judeu que seguia atentamente os mandamentos de Moisés, penso que ele ensinava a criança ao caminhar, à mesa nas refeições e principalmente sendo um exemplo a ser seguido pelo menino.

Jesus venceu o diabo na tentação no deserto, com a Palavra. Alguém lhe ensinou a Palavra. José escolheu adotar Jesus como filho do coração. Creio que ele sabia que Jesus era uma pessoa especial. Ali estava o filho do próprio Deus, ou melhor dizendo, o próprio Deus encarnado.

José teve que administrar muito bem isso com os seus outros filhos que teve biologicamente com Maria. Podemos enxergar essa mesma qualidade de pai zeloso, pois seus filhos também seguiram e apoiaram o ministério de Jesus.

Na Lei Brasileira, o filho adotivo tem todos os direitos e deveres de um filho biológico. Enxergamos no exemplo de José, o amor de Deus que nos fez adotados em Jesus. Deus deu Jesus de presente para nós, para que houvesse uma reconciliação entre a humanidade e Ele, tornando-nos filhos do coração, com todos os direitos e deveres do Filho “Biológico”.

É lindo pensar que quando Jesus veio ao mundo, veio como unigênito. Mas quando ressuscitou, ressuscitou como primogênito (filho mais velho). Aleluia! Em Jesus, fomos feitos filhos de Deus, o mesmo poder que operou em Jesus, naquela época, continua operando em nós que o recebemos como Salvador e “irmão mais velho”. Cada pessoa pode ser um José na vida de muitas crianças e cada pai pode ter a honra de ser com seus filhos (biológicos ou não) uma referência, um exemplo e um alicerce. No caso de José, primeiro veio o “Filho do coração”, depois vieram alguns biológicos.

Crianças que poderiam ter destinos tão contrários podem ser transformadas pelo poder de Deus por meio da vida dos pais que os criam. Não apenas as mães, mas íntegros pais, homens comuns que se dispõem a cumprir um chamado único: a paternidade. No caso específico dos “filhos de coração”, costumo dizer aos casais cristãos, que vão adotar que eles serão agentes de Deus para transformação de vidas, saqueando o inferno e povoando o Céu.

II – O CARÁTER EXEMPLAR DE JOSÉ

Vamos refletir em algumas características de José:

 1- Temente a Deus: Mateus 1.20 e 2.13,19. A primeira característica que marca a vida de José é o seu temor a Deus. Ser temente a Deus não é ter medo e sim um amor profundo. José tinha uma vida de oração e levava sua família ao templo todos os anos na páscoa (Lucas 2.41).

Por tão temente, o Senhor o visitou em sonho três vezes para orientar o seu futuro. Primeiro sonhou com um anjo lhe dizendo para assumir Maria e a criança (Mateus 1.20). Depois o anjo lhe apareceu novamente em sonho ordenando que fosse para o Egito (Mateus 2.13). Num terceiro sonho o anjo lhe disse que poderiam voltar (Mateus 2.19). Todo este roteiro de sonhos e viagens mostra que era alguém que tinha grande intimidade com Deus.

Ser um pai temente a Deus é ter uma vida de oração, buscar sempre a vontade de Deus em tudo. Viver na presença de Deus é a melhor forma de um pai abençoar sua família como sacerdote do lar (Deuteronômio 6.6-10). Um pai de família precisa buscar “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Provérbios 9.10). Seja exemplo de temor a Deus!

2- Responsável: Lucas 1.27 e 2.4. Outra característica de José é sua responsabilidade que se destaca entre seus adjetivos. Primeiramente se percebe pelo fato de estar desposado com Maria (Lucas 1.27) assumindo seu compromisso de constituir uma família. José cumpriu sua obrigação civil e foi fazer o recenciamento na época e no lugar certo, mesmo diante da dificuldade de ter sua esposa grávida (Lucas 2.4). Além disso, José assumiu a paternidade pública de Jesus recebendo Maria como esposa (Mateus 1.24). Ser conhecido como carpinteiro também denota que era um homem trabalhador e bom profissional (Mateus 13.55) e também ensinou a profissão para seu filho (Marcos 6.33). Deu educação a seus filhos provavelmente em casa (João 7.15-17), pois Jesus sabia ler (Lucas 4.16 e 17) e escrever (João 8.8).

O exemplo de um pai ensina muito mais que suas palavras. Todo filho aprende como seu pai “ensina a criança no caminho em que deve andar” (Provérbios 22.6) e lembra-se de suas atitudes (Lucas 15.17). Quando um pai dá exemplo de responsabilidade, seus filhos o seguem como referencial e mesmo que se desviem um dia se lembrarão. Seja um exemplo de pai responsável!

3- Obediente: Mateus 1.18-25. A terceira característica marcante em José é a sua obediência a Deus, por isso foi chamado de “justo” (Mateus 1.19). Obedeceu à lei levando Jesus para ser circuncidado ao oitavo dia (Lucas 2.22). Não havia coabitado com sua noiva antes do casamento (Mateus 1.18). Somente depois do nascimento de Jesus é que recebeu Maria como sua mulher (Mateus 1.25). Por um instante José foi tentado a deixar Maria (Mateus 1.19), com as melhores intenções de livrar sua noiva de um castigo infame. Contudo, assim que recebeu mensagem do anjo, obedeceu imediatamente recebendo Maria como esposa e o filho como se fosse seu (Mateus 1.24). Até o nome da criança José obedeceu e colocou como mandou o anjo (Mateus 1.21 e 25). Desde os lugares onde morou com sua família até cada detalhe de sua vida foram em obediência à orientação de Deus (Mateus 2.13, 19,20).

Quando o pai é obediente a Deus, os filhos são obedientes ao pai. Se o pai não obedecer a sua liderança, os filhos não saberão obedecê-lo. Muitos pais sacrificam seus filhos por não ensinar obediência, pois “obedecer é melhor que sacrificar” (I Samuel 15.22).

Por isso é importante buscar em tudo a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2). Um pai sabe o que é melhor para o filho (Mateus 7.9-12) e precisa ensinar a ser obediente em tudo. Seja um exemplo de obediência a Deus!

III - A NOBRE MISSÃO DE JOSE

1. Assegurar a Ascendência Real de Jesus. Como visto no item 1.2, José, perante a lei, era o pai de Jesus, incluindo-o na ascendência de sua família e também na ascendência de Maria, conforme o registro de Lucas (3.23-3 8).

Dessa forma, ele garantiu a confirmação de Jesus na descendência real de Davi, pela tribo de Judá: “E Davi era filho de um homem, efrateu, de Belém de Judá, cujo nome era Jessé [...]“ (1 Sm 17.12). Jesus é descrito no livro de Apocalipse como “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi”, o único capaz de abrir o livro selado com sete selos (Ap 5.5). Mateus registra a árvore genealógica de Jesus a partir da descendência de Davi, por meio de Natã, seu terceiro filho (Lc 3.3 1; 2 Sm 5.14), visto que o penúltimo rei da casa de Davi, em Judá, Joaquim (ou Jeconias), sofreu terrível maldição: nenhum descendente dele se assentaria no trono de Davi por causa da pecaminosidade em seu reinado (ver Jr 22.28-30)”. Esses fatos negativos provocaram um rompimento da linhagem davídica, mas Jesus foi adotado por José, que era da tribo de Judá. Quando uma criança era adotada como primogênito passava a pertencer à tribo do pai adotivo.

2. Proteger Jesus em seus primeiros Anos. A sociedade judaica era eminentemente patriarca1. Ela requeria que uma família tivesse o pai como líder espiritual e humano da família, ao lado de sua esposa. Jamais se imaginaria uma mulher dizer que tivera um filho, sem que a presença do pai fosse notória. Mesmo em se tratando da concepção virginal de Jesus, pelo Espírito Santo, Maria não teria condições de criá-lo humanamente sem o apoio da figura paterna.

A contribuição de José à formação espiritual, moral e social de Jesus ao lado de Maria foi inestimável. Ele prestou um serviço de alta relevância perante Deus, como pai adotivo e guardião de Jesus em sua infância e adolescência. Alguns fatos sobre a vida de Jesus comprovam o amor e o zelo de José pelo menino que não era seu filho, e sim filho de Maria pela intervenção divina.

1) No nascimento de Jesus. Ao chegar a Belém para o alistamento determinado pelo governo, José e Maria, com o menino em seu ventre, não tiveram lugar para se hospedar e tiveram que aceitar recolher-se, no meio da noite, numa estrebaria. Ali, as dores do parto foram intensas e, em meio ao silêncio noturno, Maria deu à luz a Jesus, na companhia de José:

“E subiu da Galiléia também José, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2.4-7).

Maria, na sua condição social, não tinha uma serva a seu serviço. Naquela situação, sem dúvida, José participou dos procedimentos no parto de Jesus, ajudando Maria em todos os detalhes, amparando o bebê na saída do útero materno, no corte do cordão umbilical, em sua limpeza pós-parto, no envolvimento em panos e na colocação da criança na manjedoura.

2) Nas cerimônias exigidas pela Lei. Na circuncisão de Jesus ao oitavo dia de nascido e também na apresentação no templo, José estava ao lado de Maria: “E, quando os oito dias foram cumpridos para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. E, cumprindo_se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor” (Lc 2.2 1,22).

3) Na fuga para o Egito. Diante da ameaça de Herodes de matar o menino Jesus, Deus determinou que José tomasse Maria e o menino e todos fugissem para o Egito, até que o rei homicida tivesse morrido. Quase 500 quilômetros de viagem, em meio a estradas desertas, com risco de assaltos e intempéries, José conduziu a esposa e seu filho para um lugar seguro e só voltou de lá por revelação de Deus, quando Herodes havia morrido. E os três foram morar em Nazaré (Mt 2.13-23).

3. Zelar pela Formação Espiritual de Jesus. Como criança normal, saudável, inteligente e de família judaica, Jesus foi criado conforme os ditames da Lei de Moisés. Certamente, seus pais cumpriam o que fora determinado quanto à educação dos filhos, com o ensino sistemático e diário das palavras de Deus (cf. Dt 11.18-21). Fazia parte de sua educação conhecer e participar das festas anuais de Israel, das quais a Páscoa era a mais impactante por seu significado histórico e espiritual.

José e Maria levavam o menino a Jerusalém para essa festividade nacional: “Ora, todos os anos, iam seus pais a Jerusalém, à Festa da Páscoa. E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa” (Lc 2.4 1,42).

Embora os relatos sobre a vida desse personagem bíblico sejam escassas, o que se conhece dele é suficiente para se demonstrar que se trata de um servo de Deus, que cumpriu uma missão importantíssima no projeto de Deus para a redenção da humanidade. Seu papel coadjuvante não deve ser menosprezado nem diminuído. Maria foi a escolhida para acolher a encarnação de Jesus, o Verbo que “se fez carne, e habitou entre nós” Uo 1.14).

José, porém, foi escolhido por Deus para ser parte integrante da sagrada família, cuidando de Maria, como esposo humilde e amoroso, e de Jesus, como pai terreno, zelando pela integridade física, emocional e espiritual de Jesus, notadamente nos anos da infância e da adolescência. Um exemplo eloquente de um verdadeiro pai, que se faz presente na vida do filho, e não apenas um genitor, que gera e descuida-se da vida do filho.

A igreja católica criou uma imagem de José repleta de piedade e devoção e que ultrapassa a verdade esposada na Bíblia acerca desse servo de Deus. Durante os primeiros 500 anos do cristianismo, José nunca foi venerado ou exaltado, muito menos cultuado. “Mas, somente no século XV d.C. é que começaram a aparecer na Europa as primeiras missas e ofícios em honra a São José. Em 1479, Pio IV introduziu a festa a São José, em Roma. Pio IX, em 1870, declarou que José era o patrono da Igreja Universal”.

Assim como foi feito com Maria, exaltada à condição de mãe de Deus, “Rainha do Céu”, mediadora entre Jesus e os homens, José também recebeu honras e veneração que ele próprio jamais aceitaria por causa de seu caráter santo e humilde. Devemos ficar com o que a Palavra de Deus diz sobre os personagens da história sagrada.

CONCLUSÃO

Não sabemos como foi o fim da vida de José. Muitos historiadores acreditam que morreu antes de Jesus, por isso Cristo demonstrou ser o responsável por sua mãe quando estava na cruz (João 19.26).

 

Mas o exemplo de sua vida tem muito a nos ensinar, pois viveu com um propósito de preparar seus filhos. Nós também não sabemos como será o fim de nossa vida e devemos viver para Deus cada minuto do nosso viver estando prontos para deixar os filhos preparados para a vida. Talvez Deus tenha permitido que soubéssemos o fim da história de José para mostrar que a paternidade é uma 'história sem fim', mas que os filhos educados para Deus dão continuidade eternamente.

Se você soubesse que há um grande propósito de Deus para seu filho, como você o educaria? Com certeza da melhor forma possível. Então é o que deve fazer porque assim como José sabia que Jesus é especial, cada criança também é importante para Deus e para eles reservou o seu Reino (Mateus 19.14). Não seja um pai como o mundo quer e sim como Deus ensina. Seus filhos também não são seus e sim de Deus. Se você pensar que seus filhos pertencem a Deus e que o Senhor os confiou a você para cuidar, certamente fará o melhor para eles

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Bibliografia



Citações Bíblicas: Bíblia Revista e Atualizada, Sociedade Bíblica do Brasil

Livro O Caráter do Cristão –Elinaldo Renovato de Lima –CPAD 1º. Edição 2017