28 de dezembro de 2018

A HUMILDADE O E AMOR DESINTERESSADO

A HUMILDADE O E AMOR DESINTERESSADO

(A PARÁBOLA DOS PRIMEIROS ASSENTOS E DOS CONVIDADOS OU DAS BODAS– Lc.14:7- 14)

O amor de Deus é humilde e desinteressado.

INTRODUÇÃO
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-    Completando o estudo das parábolas de Jesus, analisaremos a parábola dos primeiros assentos e dos convidados, também chamada de parábola das bodas, registrada em Lc.14:7-14.

-   O amor de Deus é humilde e desinteressado

I  – AS CIRCUNSTÂNCIAS DA PARÁBOLA E A PARÁBOLA PROPRIAMENTE DITA

-   Estamos chegando ao término de mais um ano letivo da Escola Bíblica Dominical e agradecemos a Deus por mais esta oportunidade que nos concedeu de, com liberdade de culto e crença, podermos crescer espiritualmente e nos santificar, rumando aos céus, mediante o estudo e meditação das Escrituras Sagradas.

-   Completando o estudo das parábolas de Jesus, analisaremos, nesta lição, a parábola dos primeiros assentos e dos convidados, também chamada de parábola das bodas, mais uma das parábolas registradas apenas por Lucas, em Lc.14:7-14.

-   Já temos dito ao longo deste estudo das parábolas, que Lucas é o evangelista que mais parábolas registra precisamente porque, tendo como público alvo os gregos, cuja cultura privilegia a sabedoria (I Co.1:22), mostrava Jesus como o homem perfeito e, como tal, alguém que teria de ter excelente sabedoria e tal sabedoria se demonstra pelo uso do mecanismo das parábolas.

-   A parábola dos primeiros assentos e dos convidados, segundo os cronologistas bíblicos Edward Reese e Frank Klassen, foi proferida entre novembro e dezembro de 28 d.C., quando Jesus estava exercendo o seu ministério na Pereia, quando participava de uma festa (daí o nome “parábola das bodas”), para
o qual foi convidado.

-   Esta festa acontecia num dia de sábado, um jantar, na casa de um dos principais dos fariseus, onde todos iriam a comer pão (Lc.14:1). Estava-se, pois, no início da celebração do sábado, que se iniciava no pôr-do- sol, e, por se tratar de uma casa de um dos principais dos fariseus, ter-se-ia todo um formalismo e toda uma solenidade no início daquela celebração, até porque a tradição judaica exigia e tinha como obrigatórias a participação em três refeições no sábado.
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OBS: “…Mesmo a preparação e o sentar-se para comer três refeições (cada uma das quais era obrigatória) no Sabath eram dotados de significados espirituais. O povo estava convencido de que havia algo de especial que aumentava o prazer de comer naquele dia.
Que algo especial era este? Os rabinos de antigamente, com espírito didático, chamavam-no ‘observância do Sabath’. O místico talmúdico Simão ensinava: ‘Os que comem as três refeições do Sabath num espírito de santidade entram num estado de bem-aventurança’. Tornou-se costume fixo, durante os últimos dias da época do Segundo Templo, o homem da casa também tomar parte, na preparação das três refeições do Sabath. Ele fazia as compras ou cozinha um ou mais pratos. Cumpria essas rarefas ao hóspede ‘real’ – a ‘Rainha Sabath’ – que estava para entrar em sua casa.…” (AUSUBEL, Nathan. Sabath. In: A JUDAICA, v.6, p.739).

-     Nesta festa, ao qual Jesus foi convidado, estava um homem hidrópico e Jesus, após perguntar aos convidados, se era lícito curar no sábado, pergunta que não foi respondida pelos fariseus ali presentes, curou aquele homem e se dirigindo aos convidados, disse-lhes quem deles, caindo um jumento ou boi num poço num dia de sábado, não o tiraria dali, tendo, então, todos se calado, pois não tinham como argumentar em sentido contrário (Lc.14:1-6).

-    O Senhor, então, observando os convidados daquela cerimônia social, percebeu o comportamento dos convidados, que buscavam tomar os primeiros assentos, a fim de poderem ter proeminência no evento. Ante tal observação, o Senhor passou a dizer que, quando alguém for convidado, deve evitar ocupar os primeiros lugares, pois, em o fazendo, não correrá o risco de ter de dar o lugar proeminente que eventualmente escolha a alguém que tenha maior dignidade, mas, pelo contrário, ocupando um lugar derradeiro, seja honrado ao ser convidado para ir a um lugar mais proeminente, pois os que se humilham serão exaltados, mas os que se exaltam, humilhado. Na sequência, o Senhor se dirige ao próprio anfitrião, dizendo-lhe que deveria ele dar um jantar ou uma ceia não para os amigos, irmãos, parentes ou vizinhos ricos, visando ser também convidados por eles em outra oportunidade, mas que convidasse as pessoas que não tivessem como recompensá-lo, pois, assim fazendo, recompensado seria na ressurreição dos justos.

-   Vemos, portanto, que nesta parábola, há dois momentos bem definidos: um, que servia de lição para os convidados, a lição da humildade; outra, que servia de lição para o anfitrião, a lição do desinteresse.

-   Num momento social, Jesus delineia qual deve ser o comportamento dos Seus discípulos, a conduta agradável a Deus em meio à sociedade onde vivemos.

I     – A INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA (I) : OS CONVIDADOS

-   Notemos que a parábola é registrada por Lucas logo após o episódio da cura de um hidrópico em dia de sábado pelo Senhor Jesus, que ocorreu na casa de um dos principais dos fariseus, onde o Senhor estava para comer o pão.

-   Trata-se, portanto, de uma parábola que é dirigida aos fariseus, aos religiosos mais extremados daquela época, e num momento extremamente importante para a religião judaica, que era a celebração do sábado, que a lei de Moisés apresentava como a primeira solenidade a ser observada pelo povo de Israel (Lv.23:2,3).

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-    Com efeito, como afirma Nathan Ausubel, “…do ponto de vista do historiador da religião, esse dia [o sábado, observação nossa] tem representado um dos principais elos de unidade para os judeus através de sua história milenar.(…) No estágio mais avançado de desenvolvimento, o Sabath representa, em seu simbolismo, uma das expressões mais elevadas da ética social entre os judeus.…” (ibid., p.735).
OBS: Ainda hoje, o início do sábado é celebrado com uma refeição festiva, como nos dá conta Benjamin Belch: “…o Shabat começa na tarde da sexta-feira antes do crepúsculo, quando as velas são acesas. Após o serviço religioso na sinagoga, a família se reúne para uma refeição festiva.…” (O mais completo guia sobre judaísmo, p.152).

-    Primeira observação que devemos fazer é que o Senhor Jesus foi convidado para a celebração do sábado. Verdade é que, pelo que se nota do texto, todos estavam curiosos com relação a Jesus, já então famoso em todo Israel, não sendo desarrazoado pensar que muitos dos que ali estavam queriam até, de algum modo, angariar informações para terem de que O acusar, já que é dito que todos O estavam observando (Lc.14:1), sendo também curioso que um homem doente ali estivesse, como se se tratasse de um teste para Jesus.

-   Ainda que não fosse de boa intenção o convite ao Senhor Jesus, o fato é que tendo um dos principais dos fariseus convidado o Mestre para a celebração do sábado, isto nos traz importantes lições que têm relação com a parábola que Cristo haveria de ali contar para aquelas pessoas.

-   A primeira é que o Senhor Jesus Se mostrava como uma pessoa escrupulosa com os deveres religiosos. Se não fosse tida como uma pessoa que levava em conta as coisas concernentes a Deus, um fiel observador da adoração e do culto ao Senhor, jamais seria convidado para uma celebração de sábado na casa de um dos principais dos fariseus, numa localidade que não era grande e que, portanto, era um lugar onde todos se conheciam e sabemos todos como os fariseus eram extremamente cuidadosos com a sua reputação na comunidade.

-    Assim como o Senhor Jesus, temos, também, de ter uma imagem de servos de Deus diante dos homens com quem convivemos. É evidente que não podemos querer viver de aparência, ter uma ostentação de santidade, que nada mais é que santarronice, como soía ocorrer com os fariseus, mas é impensável que um servo de Deus não seja visto perante a sociedade como uma pessoa piedosa. Precisamos ser como o profeta Eliseu, que foi chamado pela sunamita, pelo comportamento que tinha quando passava por Suném, como “um santo homem de Deus” (II Rs.4:8,9).

-   A segunda lição é que Jesus foi convidado para uma celebração religiosa, ou seja, tinha um perfil que animava as pessoas a lhe chamarem para uma festividade sadia, dedicada ao Senhor. Jesus não foi convidado para uma celebração pecaminosa, para uma reunião frequentada por pessoas mundanas ou de reputação duvidosa. Sua conduta representava um freio para que pessoas desta estirpe lhe viessem convidar, algo que, aliás, foi preservado por Seus discípulos, que, pela sua conduta, geravam um distanciamento daqueles que não querem ter qualquer compromisso com Deus (At.5:13).




-   Vejamos que não era Jesus que Se distanciava dos pecadores contumazes e inveterados, pois Ele veio para buscar e salvar os que se haviam perdido (Lc.19:10), mas Seu porte, naturalmente, afastava d’Ele todos aqueles que nada queriam saber da parte de Deus.

-   Como têm sido as nossas companhias? Estamos, assim como Jesus e a igreja primitiva, tendo um porte que afasta naturalmente de nós os escarnecedores, os que não têm respeito algum pelas coisas divinas, ou temos tido uma conduta que nos faz ficar no meio deste tipo de gente? A que festas temos sido convidados e que tipo de festas frequentamos?

-   A terceira lição é que, convidado, o Senhor Jesus, mesmo sabendo haver alguma má intenção da parte de alguém, aceitou o convite, como era seu costume. Jesus era sociável, sempre estava a participar de festas e isto era até alvo de censura por parte de alguns (Mt.11:19; Lc.7:34; 15:2).

-    Devemos ser sociáveis, pois Deus fez o homem um ser social, que não pode viver sozinho, mas, sim, conviver, pois desta convivência até depende a sua sobrevivência. O Senhor foi claríssimo ao dizer, ao ver Adão solitário, que não era bom que o homem vivesse só (Gn.2:18), algo que não se refere apenas ao casamento, mas a toda vida social, que, logicamente, se inicia com a família, mas não se resume a ela.

-    É, aliás, emblemático que o Senhor Jesus vá contar de uma parábola que nos traz lições sobre o relacionamento social precisamente quando está a participar de uma cerimônia social, quando é convidado de uma celebração festiva de natureza religiosa, onde é alvo da observação de todos e onde trará ensinamentos tanto aos convidados quanto ao anfitrião.

-    Depois de ter curado o hidrópico naquela casa, o Senhor Jesus passou a observar os convidados. Certamente, estava ali a nata da sociedade daquela cidade ou aldeia da Pereia, região situada a leste do rio Jordão, onde atualmente é a Jordânia, é que era povoada principalmente por judeus, estando sob o governo de Herodes, o tetrarca da Galileia. A cada era de um dos principais dos fariseus e, portanto, todos aqueles convidados eram escrupulosos religiosos, tidos e havidos, na sociedade, como pessoas de vida exemplar, paradigmas de santidade e piedade.

-   O simples fato de a pessoa ter sido convidada para celebrar o sábado na casa daquele principal dos fariseus já era um motivo de honra e de reconhecimento. Sua simples presença naquele ambiente já seria suficiente para que as pessoas pudessem se apresentar como dignas diante de seus concidadãos.

-   Entretanto, tais pessoas não levaram em consideração este fato, estavam interessadas em escolher os primeiros assentos, a fim de se apresentarem como mais santas, mais honrosas. Os primeiros assentos eram os mais próximos às cabeceiras das mesas. Queriam se sobressair em relação aos demais e isto numa cerimônia onde estavam a celebrar o sábado, onde o alvo deveria ser outro, qual seja, o de adorar a Deus, pois o sábado fora instituído para que o israelita se dedicasse ao Senhor.


-   Nos dias hodiernos, os judeus, antes de comer a refeição festiva do sábado, a primeira das três refeições obrigatórias desse dia, recitam uma oração denominada “Kidush” (santificação), onde se exalta que Deus é o Criador e o Shabat, um dia santo. O sábado é a primeira das solenidades do Senhor mencionada em Lv.23, de modo que tudo deve ser comemorado tendo em vista a Deus, voltando-se para o Senhor.

-    Entretanto, aqueles convidados estavam voltados para si mesmo, queriam “aparecer” diante dos demais, queriam ser o centro das atenções, desvirtuando, por completo, o próprio sentido daquela reunião.

-   Jesus a tudo observava e, como afirma o comentarista bíblico Matthew Henry (1662-1714): “…Note bem que, mesmo nas ações comuns da vida, o olhar de Cristo está sobre nós. E Ele observa o que fazemos, não  só em nossas reuniões religiosas, mas em nossas mesas. E faz observações sobre isso.…” (Comentário bíblico Novo Testamento: Mateus a João edição completa. Trad. Degmar Ribas Júnior, p.642).

-   Tal comportamento não agradou o Senhor Jesus. Havia ali uma demonstração de individualismo, de egocentrismo que não se coaduna com o espírito de adoração a Deus, com o próprio serviço ao  Senhor. Se queremos, realmente, servir ao Senhor, adorá-l’O, devemos nos despir de nós mesmos, renunciar a nós mesmos, pois não podemos ser discípulos de Cristo se não renunciarmos a nós mesmos (Mt.16:24; Lc.14:33), se não se negar a si mesmo (Mc.8:34; Lc.9:23).

-    Negar-se é a palavra grega “aparneomai” (απαρνέομαι), cujo significado é de “negar peremptoriamente, i.e., repudiar, abster-se…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave, verbete 533 do Dicionário do Novo Testamento, p.2077). Trata-se, portanto, de uma atitude de total e completa negação de si próprio, uma recusa a que o ego possa significar algo, possa ter alguma participação na tomada de decisões e de atitudes.

-   Jesus, então, voltou-se para os convidados, repreendendo aquela atitude, dizendo que, quando fossem convidados às bodas, não se assentassem no primeiro lugar, para que não passassem a vergonha de ter de ceder o seu lugar para outra pessoa considerada mais importante e honrada do que eles, mas que procurasse se assentar nos lugares últimos, para que ocorresse a honra de ser chamado para um lugar mais proeminente, pois quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado.

-   Jesus, por primeiro, mostra-nos que é inevitável que haja diferenciação de honra e de proeminência entre os seres humanos. Haverá, sempre, os lugares primeiros e os lugares derradeiros e, o que é mais importante, pessoas que devam ocupar uns e outros.

-   O Senhor Jesus ensina-nos, assim, que é mentirosa e fantasiosa a doutrina do igualitarismo, que diz que todos os seres humanos são idênticos, que não qualquer diferença entre os indivíduos, pensamento e mentalidade que têm se disseminado nos últimos anos e que, inclusive, já encontrou guarida em muitas mentes daqueles que cristãos se dizem ser.


-     Deus não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:38) e, portanto, a todos trata igualmente. Este tratamento igual, no entanto, não é igualitário, pois não há dois seres humanos idênticos sobre a face da Terra, como estão a provas os métodos de identificação, que demonstram claramente que dois seres

humanos não são iguais, tendo diferentes digitais, diferentes íris, diferentes códigos genéticos. Como disse o pastor norte-americano Rick Warren, Deus, quando cria alguém, lança para trás de si a fôrma utilizada.

-    Por isso até, as pessoas são chamadas de “indivíduos”, palavra cujo significado, segundo o Dicionário Houaiss   da                                      Língua                        Portuguesa                         é qualquer ser concreto, conhecido por meio da experiência, que possui uma unidade de ccaracteres e forma u m todo reconhecível”, palavra que vem do latim “individuus”, que significa “indivisível, uno, que não foi separado”.

-   Como se não bastasse isso, tem-se que o ser humano não pode viver solitariamente, precisa conviver com os demais e, nesta convivência, efetivamente vão exercer funções, tarefas e atividades diferentes, que faz com que haja diversos níveis de importância e de ação, a trazer, assim, maior reconhecimento, honra e posição a uns em detrimento de outros, posições que devem ser tratadas de modo diferenciado, inclusive para que haja justiça, pois, como diz o próprio Senhor Jesus, “…a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado” (Lc.8:18).

-     Este tratamento divino para com os seres humanos, mantendo a igualdade sem confundi-la com o igualitarismo, vemos na distribuição do maná ao povo. Cada um recolhia a sua porção, que era suficiente para o sustento de cada indivíduo, embora não se tivesse a mesma ração para cada um (Ex.16:16-18).

-   Assim, todos nós devemos saber que temos uma posição na sociedade e que devemos corresponder a esta posição, não querendo ser tratados acima desta posição nem admitindo ser tratado abaixo dela, porquanto isto é conforme a vontade do Senhor, até porque, lembremos, nos céus também há posições e de forma até mais rígida, porquanto os anjos são organizados como exércitos (Sl.103:21), expressão que nos indica que há, portanto, uma hierarquia e uma disciplina militares entre as multidões dos seres celestiais.

-   Ora, esta postura deve nos levar a considerar os outros como superiores a nós mesmos (Fp.2:3), pois não devemos nos esquecer que, por amor, o Senhor Jesus, sendo Deus, aniquilou-Se a Si mesmo, tomou a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens e, achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz (Fp.2:7,8).

-   Cada um tem sua posição na sociedade e deve considerar os outros como superiores a si, porquanto devemos sempre nos comportar com humildade, pois, além de termos o amor de Deus, aprendemos com Cristo, que é manso e humilde de coração (Mt.11:29).




-     Aqueles convidados estavam em uma cerimônia social vinculada à guarda do sábado, iniciando um momento de separação para Deus e, como tal, deveriam se posicionar diante do Senhor, reconhecendo serem menos do que nada, pois é assim a nossa posição diante do Todo-Poderoso (Is.40:17; 41:24). No entanto, queriam os primeiros assentos, achando-se mais importantes do que os outros.

-    Devemos ser humildes e a humildade nada mais é que uma virtude onde se tem consciência das próprias limitações, onde se sabe precisamente o que se é, ou seja, “menos do que nada”. A palavra “humildade” vem de “húmus”, que significa terra, lembrando-nos que somos pó (Gn.2:19; Sl.103:14) e que, destarte, não podemos nos achar coisa alguma.

-     Considerando os outros como superiores a nós mesmos, jamais correremos o risco de sermos envergonhados pela presunção. Jesus foi bem claro ao dizer que, se ocuparmos os lugares últimos, poderemos ser honrados sendo conduzidos aos lugares primeiros, mas que o inverso ocorrerá se formos presunçosos, se não levarmos em consideração o outro.

-   Este sentimento de humildade é o sentimento do próprio Jesus, como nos mostra o apóstolo Paulo na passagem já mencionada da epístola aos filipenses e como o próprio Cristo fez questão de ressaltar ao dizer que devemos aprender com Ele o que é humildade.

-    Seu despojamento completo, que O fez deixar a Sua glória para Se humanizar e, na própria sociedade, assumir posição extremamente humilde, pois não veio à Terra como príncipe, mas, mesmo sendo o herdeiro da coroa real da dinastia de Davi, nascendo numa manjedoura em Belém, “adotando” como pais pessoas simples e pobres, como se pode verificar pela oferta apresentada no templo para a purificação de Maria (Lc.2:22-24), é a prova grandiloquente de que Jesus é a própria humildade em pessoa e que, portanto, nós, se somos Seus irmãos (Rm.8:29), outro comportamento não podemos ter senão o de sermos igualmente humildes.

-   Naquela festa, Jesus poderia, humanamente falando, querer tomar os primeiros assentos. Afinal de contas, havia sido convidado para a cerimônia e não era daquela cidade ou aldeia, de modo que, naturalmente, seria a pessoa especial daquela reunião, o convidado diferente, o convidado principal daquela noite.

-   Além disto, era o centro das atenções, todos O estavam observando e, muito provavelmente, aquele homem hidrópico ali havia sido posto de propósito, para testá-l’O. Deste modo, natural que procurasse os primeiros assentos.

-   Mas não é só! Jesus havia acabado de curar o homem hidrópico, demonstrando o Seu poder, o que, com muito mais razão, faria com que buscasse ocupar os primeiros assentos, máxime depois de ter mostrado, nas Escrituras, que não havia quebrantado o sábado com aquela cura, já que todos haveriam de tirar do poço um jumento ou boi que ali caísse. Tinha, dentro da lei, mostrado a correção de sua conduta e, como tal, também poderia pleitear sentar nos primeiros assentos naquela festa, ainda mais que se encontrava na casa de um dos principais dos fariseus, que zelavam pelo estudo e observância rigorosos da Palavra de Deus.

-    Jesus, porém, não fez isto, mas apenas observou como os convidados ansiavam por ocupar os primeiros assentos, demonstrando soberba, arrogância e presunção. O Senhor foi bem prático no ensinamento dado, sem sair da própria mentalidade de ostentação de santidade reinante naquele meio: a pessoa presunçosa, em vez de honra, passaria vergonha se fosse mandada sair dos primeiros assentos para dar lugar a pessoas mais importantes, enquanto que poderia ser alvo de duplicada honra se aguardasse nos lugares derradeiros ser chamado para os primeiros assentos, o que lhe traria muito maior prestígio perante a coletividade.

-   Jesus ensina-nos que a melhor maneira de nos comportarmos na convivência social, nos relacionamentos interpessoais é seguindo o Seu exemplo, o Seu modelo. Ele conviveu entre nós e, portanto, mister se faz que Lhe sigamos as pisadas também neste aspecto da vida.

-    Neste mundo, tudo fazemos para a glória de Deus (I Co.10:31), estamos aqui neste mundo não só para glorificar ao Senhor, mas para que, por nossas atitudes, os homens também glorifiquem a Deus (Mt.5:16). Assim, em todo lugar que estivermos, lembremos que estamos a levar o nome de Cristo conosco e não podemos tomar o nome de Deus em vão (Ex.20:7; Dt.5:11), jamais podemos dar margem a escândalos (I Co.10:32; Mt.18:6,7), ou seja, a decepções e censuras ao Senhor e à fé por causa de nossa conduta.

-   Sendo esta a realidade, torna-se absolutamente necessário que, na nossa convivência com as pessoas, não sejamos presunçosos, mas ajamos com humildade, não querendo posições que não são as nossas e sempre nos posicionando considerando os outros superiores a nós, pois, se for o caso, seremos honrados, e o nome do Senhor, glorificado, jamais sendo envergonhados e, com isto, dando margem a que o nome do Senhor seja tomado em vão.

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-   Em nossos relacionamentos, devemos nos comportar com humildade, pois, humilhando-nos, seremos exaltados pelo Senhor, ao passo que todos os que se exaltam, serão inevitavelmente humilhados, pois a autoexaltação é, antes de tudo, uma desconsideração da soberania divina e de que devemos nos negar a nós mesmos.

II     – A INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA (II) : O ANFITRIÃO

-   Mas Jesus não faz observação apenas aos convidados. Ele também se dirige ao anfitrião, que era um dos principais dos fariseus naquela cidade ou aldeia da Pereia.

-     O texto permite-nos inferir que Jesus foi chamado, como era esperado, a se assentar nos primeiros assentos, estando, assim, próximo ao anfitrião, de modo que pôde lhe dirigir palavras, conversar com ele, já que dele próximo estava.

-   Aquele principal dos fariseus havia convidado Jesus para aquela festividade porque o Senhor era famoso, havia se tornado uma “celebridade” naquele tempo. Passando pela Pereia, com destino a Jerusalém (Lc.9:51), o Senhor é, então, convidado por esta pessoa importante daquela localidade, para que, com ele, celebrasse a chegada do sábado.

-    Aquele homem, como já visto, não estava apenas convidando Jesus, diante da Sua fama, mas também queria testar o Senhor, tanto que a presença daquele hidrópico o confirma, pois queria saber se Jesus era, mesmo, aquela pessoa de se que se falava.

-   Jesus curou aquele homem hidrópico, fazendo, pois, um milagre na casa daquele homem, que, assim, tinha até que satisfeita a sua curiosidade, tendo, também, o Mestre mostrado o Seu conhecimento da lei, dando uma aula a respeito da guarda do sábado. Parecia, pois, que o anfitrião havia sido muito feliz na escolha do convidado daquela noite e que, portanto, a cerimônia tinha sido um “sucesso”.

-   Porém, o Senhor Jesus queria aprofundar o pensamento e as convicções daquele homem. Dirigiu-se a ele e lhe disse que ele, quando desse um jantar, não deveria chamar os amigos, os irmãos nem tampouco os parentes e vizinhos ricos, visando, com isso, também ser convidado por eles em outras oportunidades, querendo, com tais convites, conseguir alguma recompensa, alguma compensação, mas que que chamasse os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos, pessoas que não tinham como recompensá-lo, pois, fazendo isto, ele seria recompensado na ressurreição dos justos.

-   Aquele principal dos fariseus era, sem dúvida, um religioso escrupuloso e o convite a várias pessoas para participar com ele da celebração do sábado era uma prova deste seu zelo religioso. Tinha também tomado o cuidado de convidar Jesus para as bodas, o que não deixa de ser um gesto nobre e sábio.

-   Todavia, o que o motivava para a realização de tais cerimônias era o interesse próprio, que é irmão da presunção e soberba denunciados por Cristo aos convidados. O interesse próprio é nascido também do egoísmo, do individualismo e era também uma conduta que não se poderia esperar de quem estava disposto a adorar a Deus, a agradar o Senhor.

-    Em vez de se voltar para Deus, a quem se devia dedicar o tempo do sábado, o anfitrião dedicava-se a defender e a proteger os seus próprios interesses, convidando pessoas que, de alguma maneira, poderiam lhe beneficiar e lhe favorecer. O próprio convite a Jesus tinha sido feito com base neste interesse, pois, além de um certo prestígio diante de todos, o anfitrião poderia receber alguma benesse, fosse em conhecimentos e ensinamentos do Senhor, fosse na realização de algum sinal, como aliás, acabou ocorrendo.

-     No entanto, o Senhor Jesus quis ensinar aquele anfitrião que não podemos nos guiar pelos nossos interesses, não devemos buscar a satisfação daquilo que nos beneficia, daquilo que nos favorece, porque devemos agir desinteressadamente.

-   O servo de Deus recebe o amor de Deus em seu coração pelo Espírito Santo (Rm.5:5) e, por conta disso, age desinteressadamente, pois o amor divino não busca os seus próprios interesses (I Co.13:5).


-   Que interesse próprio Jesus defendeu ao Se despojar da Sua glória e vir a este mundo para nos salvar? Que interesse próprio, enquanto homem, defendeu ou buscou durante a Sua peregrinação terrena? Absolutamente nenhum!

-    Esta verdade espiritual trazida pelo Senhor àquele anfitrião precisa ser claramente entendida por nós. Aquele homem havia levado Jesus para a sua adoração a Deus, propusera ter, como vantagem, a realização de algum sinal e a ministração de algum ensinamento, tendo obtido ambas as coisas, mas Cristo fez questão de lhe dizer que ele não poderia mais agir daquela forma, mas, sim, agir desinteressadamente.

-   O anfitrião somente havia convidado pessoas ricas, que era seus amigos, irmãos, parentes e vizinhos, além de Jesus, mas visava, com isso, ser também convidado por eles para outras festividades, de modo a que se mantivesse nas “colunas sociais” da sua localidade. Agia por interesse próprio e isto, disse Jesus, não era correto nem bom.

-      Em nossos relacionamentos sociais, não podemos agir interessadamente, não podemos ser interesseiros. Não devemos criar, manter e sustentar relacionamentos em que tudo o que se objetiva é a vantagem própria, o crescimento individual.

-   Agir interessadamente é demonstrar um amor egoísta, em que se ama somente a si mesmo e onde se menospreza ou despreza o próximo, que é tratado como mero objeto ou simples instrumento do crescimento individual. Rebaixa-se o próximo, que é um ser humano e, como tal, imagem e semelhança de Deus, como se fosse uma coisa que está a nossa disposição para o nosso bem, como algo que pode ser usado e, posteriormente, descartado.

-   Este comportamento interesseiro não é, lamentavelmente, ausente das igrejas locais e dos ambientes frequentados pelos que cristãos se dizem ser. O apóstolo Paulo já denunciara aos filipenses a existência de pessoas quetais no meio dos salvos, ressaltando que seu filho na fé, Timóteo, não era deste naipe (Fp.2:19- 21).

-    Interesse, diz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, significa “aquilo que é importante, útil ou vantajoso, moral, social ou materialmente”. Assim, o interesse é aquilo que achamos relevante, a que damos valor. Ao procurar convidar pessoas que lhe pudessem retribuir o convite, o anfitrião estava se considerando mais importante do que o próprio Deus que, em última análise, estava sendo adorado naquela cerimônia e, desta maneira, estava na mesma vala dos convidados que, também, se acham mais importantes ao buscar ocupar os primeiros assentos.

-   Se o anfitrião queria demonstrar seu zelo e piedade para com Deus, deveria convidar pessoas que não lhe poderiam retribuir, que não lhe dessem vantagem alguma, pois, aí, sim, estaria achando importante que todos adorassem ao Senhor, que a lei fosse observada, que o nome do Senhor fosse glorificado e, em virtude disto, seria, sim, recompensado por Deus quando viesse a ressurreição dos justos.

-    A menção que Jesus faz da recompensa na ressurreição dos justos não é à toa nem aleatória. O Senhor estava na casa de um fariseu e uma das doutrinas características do farisaísmo era a crença na ressurreição dos justos, o que os diferenciava dos saduceus (At.23:8).

-   Os fariseus criam na ressurreição dos justos, que chamavam de “ressurreição do último dia” (Jo.11:24) e procuravam observar a lei com todo zelo e rigor para poderem alcançá-la e ter a vida eterna (Dn.12:2).

-    Jesus mostra, então, àquele anfitrião que muito mais importante do que ter os favores de amigos, vizinhos, parentes e irmãos ricos, de ter uma notória posição social na localidade onde vivia, era alcançar esta ressurreição dos justos e, nela, ser devidamente recompensado pelo Senhor. Tal recompensa somente viria se ele não buscasse os seus interesses, mas, sim, satisfazer os interesses divinos, entre os quais, estava o bem-estar dos desvalidos, daqueles que nada tinham e que não podiam a ninguém convidar para, com eles, adorarem ao Senhor.

-    Isto porque estas pessoas completamente desamparadas mencionadas por Jesus eram o alvo do Senhor, eram cuidadas pelo próprio Deus (Dt.10:18; Sl.68:5), que, inclusive, havia criado institutos na lei de Moisés para suprir-lhes o necessário para sua sobrevivência, como a lei da respiga da colheita (Dt.24:19-21) e a lei dos dízimos do terceiro ano (Dt.26:12,13), entre outros.

-   Em nossos relacionamentos sociais, não devemos buscar os nossos interesses, mas, sim, os de Cristo Jesus. Devemos tudo fazer para a glória de Deus e agir de tal maneira que façamos o bem sem buscar, com este bem, tirar qualquer vantagem, seja de que ordem for, moral, social ou material.

-   Se somos realmente salvos, se somos movidos pelo amor de Deus, o amor “agape”, não podemos agir para ter vantagem, mas única e exclusivamente porque queremos o bem do outro e a supressão de suas necessidades, sabendo que, ao atuar desta maneira, Deus, que é o justo juiz de toda a Terra (Gn.18:25), saberá recompensar todos quantos realizaram boas obras neste mundo (Hb.6:10), pois o próprio Cristo disse estar com o Seu galardão para dar a cada um conforme a Sua obra (Ap.22:12).

III   – OS ENSINAMENTOS DA PARÁBOLA

-   Esta parábola é até um tanto quanto diferenciada da maioria das parábolas de Jesus, pois, em seu registro, Lucas prioriza mais os ensinamentos do que a própria narrativa, de forma que, ao longo da exposição da parábola, já apresentamos os ensinamentos dela, de forma que seremos bem sucintos neste ponto.

-    Jesus ensina-nos que devemos agir, nos relacionamentos sociais, que são necessários e inevitáveis, como Ele agiu em Sua peregrinação terrena: com humildade e com desinteresse.

-     Quem tem o amor de Deus em seu coração, por ter crido em Cristo Jesus, somente pode atuar humildemente, pois aprende com o Senhor, que é manso e humilde de coração, considerando, assim, todos os outros como superiores a si e, deste modo, jamais será instrumento de escândalo e contribuirá para que o nome do Senhor seja glorificado.

-     Quem tem o amor de Deus em seu coração, por ter crido em Cristo Jesus, somente pode atuar desinteressadamente, pois sabe que o que realmente é importante nesta vida é agradar a Deus e, desta maneira, não busca tirar proveito em suas ações, mas, sim, fazer bem precisamente a quem nada lhe pode favorecer, sabendo que, ao agir assim, receberá o devido galardão do Senhor.


FELIZ 2019

Colaboração para o Portal Escola Dominical – Ev. Caramuru Afonso Francisco

19 de dezembro de 2018

ESPERANDO MAS TRABALHANDO NO REINO DE DEUS


ESPERANDO MAS TRABALHANDO NO REINO DE DEUS

Texto Base: Mateus 25:14-30

”Cada um administre aos outros o dom com o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus" (1Pd.4:10).

INTRODUÇÃO

Trataremos nesta Aula da Parábola dos Talentos. Ela é uma das mais ricas ilustrações a respeito do sentido da mordomia do homem em relação a Deus. Nela, Jesus mostra-nos, com clareza meridiana, o papel e o lugar do homem no seu relacionamento com Deus. Esta Parábola é mencionada apenas por Mateus e incluída no sermão escatológico de Jesus.
Ela encontra-se inserida nos ensinos de Jesus a respeito da sua vinda, tendo o objetivo de mostrar aos seus discípulos a necessidade da fidelidade e da diligência na obra de Deus como aspectos da vigilância exigida para o seu retorno. Ela foi proferida alguns dias depois da chegada de Jesus em Jerusalém. Foi a última que ele proferiu, talvez no dia em que foi preso, à noite. O Senhor Jesus não proferiu esta Parábola com o objetivo de ensinar sobre a Salvação, mas, sobre a fidelidade dos salvos na administração dos Talentos, ou dos Dons recebidos.

I. INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DOS DEZ TALENTOS

Na Parábola dos Talentos, Jesus conta a história de um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. Para um servo deu cinco talentos, a outro, dois e ao terceiro, um. Vejamos a interpretação de alguns itens da Parábola.

1. O Homem da Parábola (Mt.25:14). A parábola começa dizendo: ”Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens”(Mt.25:14). É claro que este homem da parábola representa o próprio Senhor Jesus. Este homem após passar aqui na Terra um período de 33 anos, fez sua viagem de volta à Casa de seu Pai. Porém, antes de partir, como bom Senhor, ele não deixou seus servos ociosos e nem desamparados. Antes “...chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens”.

2. Este Homem tem Servos, ou seja, ele é Senhor (Mt.25:14). Isto nos mostra bem que a nossa condição diante de Cristo, mesmo após a salvação, é uma condição de servos, de mordomos.

Isto é deveras importante afirmar num instante em que muitos são os que pregam um evangelho diferente, que reduz o Senhor Jesus à inadmissível condição de empregado qualificado, pronto e obrigado a atender a todos os caprichos dos crentes, em nome de uma “confissão positiva” sem fundamento. Só Deus é o dono, portanto, só a sua vontade deve prevalecer, não a dos servos. É por não compreenderem esta realidade bíblica, tão importante que constou das “últimas instruções” do Senhor, que muitos têm se deixado envolver por ventos de doutrina sem respaldo bíblico, como são a doutrina da confissão positiva e da teologia da prosperidade.

3. Quem eram os Servos. Certamente que estes servos não eram os anjos, embora eles também sejam servos (Mt.4:11; Hb.1:14). Aqui, nesta Parábola, o dono dos talentos chamou “os seus servos”. Desta feita, não se tratava de pessoas estranhas, desconhecidas, mas, os que viviam na sua casa. Portanto, os servos somos nós. Ser crente significa ser servo, e isto não implica em algo depreciativo, mas, honroso, considerando que somos servos daquele que a Bíblia denomina de “...Rei dos reis e Senhor dos senhores”(Ap.19:16). 

Ser servo do Rei dos reis e do Senhor dos senhores, ser servo daquele que disse: “toda a terra é minha”, “minha é a prata e meu é o ouro”; daquele do qual a sua Palavra diz, que “do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”; daquele que nos amou “e se entregou a si mesmo por nós”(Gl.2:20), é uma coisa que nos enche de júbilo.

4. Este Homem partiu para fora da terra (Mt.25:14). Isto nos indica que haveria uma ausência física do dono dos bens. Os servos, então, durante esta ausência física do seu senhor, deveriam tomar conta do bem-estar do seu patrimônio, até que ele voltasse. É precisamente o que significa a vida do crente enquanto estamos aqui nesta Terra. 

Nosso trabalho é realizar as obras do dono que se ausentou fisicamente. Desde o momento em que Jesus foi ocultado da visão física dos discípulos (At.1:9), eles não podiam ficar inertes ou perplexos, mas deviam fazer o que o Senhor estava acostumando fazer até a sua volta (At.1:11-14; 20:24).

Este período de ausência física do dono é o período da dispensação da graça (Ef.3:2,9-11), o período em que cabe à Igreja fazer aquilo que Jesus fazia, ter as mesmas atitudes que Jesus tinha enquanto esteve entre nós, isto é, anunciar o evangelho da Salvação da graça.

5. O trabalho dos Servos (Mt.25:15-18). Na Parábola está bem claro que não houve doação. Os bens continuaram sendo do dono da casa, ou seja, do homem que partiu “para fora da terra”, o qual “muito tempo depois, veio o Senhor daqueles servos, e ajustou contas com eles”. Perceba que “muito tempo depois”, quando ele retornou, ele continuava sendo o Senhor e continuava sendo o dono dos bens “entregues” aos seus servos. Também os servos tinham consciência de que não eram donos daqueles bens. Servo não pode considerar nada como sendo seu. Tudo que estiver em seu poder é propriedade de seu Senhor, até mesmo seus filhos, aliás, até ele próprio. Pelo exposto na Parábola, os servos entenderam que os talentos recebidos eram bens do seu Senhor. Como servos fiéis que eram, procuraram trabalhar da melhor maneira, possível. É assim que fazem os servos fiéis, ainda hoje. 

Quanto ao servo negligente, ou o “mau servo”, também tinha consciência de que aquele talento não era seu, e que, no futuro, teria que prestar contas ao seu Senhor. Por isto, “cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor”.
Nenhum deles entendeu que tinha recebido um prêmio pelos serviços prestados, ou um presente pessoal. Sabiam ter recebido os talentos para trabalharem com eles; sabiam ter em mãos um instrumento de trabalho que lhes fora entregue por seu senhor.

6. A prestação de contas (Mt.25:19) – “E, muito tempo depois, veio o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles”. Aqui, Jesus nos ensina que teremos de prestar contas quando o Senhor voltar. Sua volta é certa, demorará, conforme se depreende da Parábola, mas acontecerá de forma inevitável. Quando o Senhor chegar, deveremos nos apresentar com os talentos que nos foram confiados, pois, na eternidade, apenas as nossas obras nos seguirão (Ap.14:13). Estas obras serão manifestadas a todos e, no Tribunal de Cristo, passarão pelo teste do fogo, pela prova divina e, então, o trabalho que cada um fez por meio do corpo se revelará de forma inapelável diante daquele em que tudo está nu e patente (Hb.4:13). 

II. USANDO A NOSSA CAPACIDADE PARA O REINO DE DEUS

1. O Senhor reparte seus talentos segundo a nossa capacidade (Mt.25:15). O Homem da Parábola é um Homem sábio, pois antes de entregar “os seus bens”, procurou conhecer os seus servos e determinou a capacidade de cada um. Para este conhecimento ele não necessitou de informações de terceiros; não mandou “grampear” o telefone de ninguém; não espalhou “espiões”, ou agentes secretos no meio do povo; não incentivou e não apoiou o dedurismo.

Ele era um homem sábio. Sobre “este homem”, declarou Davi: “... tu me sondas, e me conheces. Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento”(Salmo 139:1,2). Podemos afirmar que Deus quer intercessores, não “informantes”. Ele sabe e conhece tudo sobre cada um dos seus servos, por isto pode dar “a cada um segundo a sua capacidade”.

a) O que recebeu cinco talentos (Mt.25:16,19-21). Este foi o que recebeu mais talentos, dentre os três. Nota-se que era o mais capacitado, tanto que logo após a saída do seu senhor, foi imediatamente aplicar os talentos que recebera, sabendo que o tempo é curto e não sabia quando o seu senhor voltaria. O seu esforço foi 100% recompensador, pois produziu mais 05(cinco) talentos (Mt.25:16,20). Isto significa que o verdadeiro cristão esmera-se em aplicar os seus talentos, procurando produzir o máximo que puder para o Senhor Jesus, sabendo que o seu galardão é certo (1Co.15:10).

b) O que recebeu dois talentos (Mt.25:17,22,23). Este servo recebeu com bom grado os dois talentos, e não demonstrou nenhuma inveja ou ciúmes do que recebera cinco, pois sabia de sua capacidade de produção. O Senhor sabe perfeitamente quantos talentos ou dons podemos administrar. Ele conhece a estrutura de cada indivíduo (Sl.103:14), pois Ele fez a cada um de nós e nos acompanhou desde a nossa geração (Sl.139:13-16). Sendo assim, tem condições plenas para dar os talentos segundo a capacidade de cada um, sem qualquer condição de errar, pois é o único que nos conhece perfeitamente. Este servo não quis saber por que recebeu apenas dois talentos, pelo contrário, trabalhou com máxima dedicação e o incremento foi igual ao do primeiro servo, ou seja, 100%.

c) O que recebeu apenas um talento (Mt.25:18,24,25). Esse servo, que na Parábola é chamado de servo mau, recebeu um talento apenas; mas, não é por isso que foi considerado mau. Ele gozava da plena confiança do seu senhor, tanto quanto os outros dois, a ponto de também lhe ser confiado um talento. A confiança do senhor era igual para todos os servos. O servo que recebeu um talento só tinha recebido um talento em virtude de sua capacidade, de sua aptidão. Portanto, em nada era diferente dos demais servos. Isto é importante deixar bem claro: o senhor não fez acepção de pessoas, mas foi justo na distribuição. 

Entretanto, ao contrário dos outros dois servos, este, ao receber o talento, traiu a confiança do seu senhor, não negociando. Isto caracteriza desobediência ao mandamento do senhor, pois, a ordem de negociar, embora não tenha sido explícita por Jesus na Parábola, está inferida, na medida em que o senhor, na prestação de contas, chama o servo de infiel. 

A infidelidade é consequência da desobediência. O senhor havia se ausentado, mas continuava sendo o senhor, e o servo, mesmo tendo recebido o talento, continuava sendo servo e, portanto, lhe era necessário a obediência. 

A manutenção de nossa comunhão com o Senhor, mesmo estando ele ausente, depende da obediência. Obedecer é se manter em posição de vigilância, é se credenciar para o reino dos céus.

2. O Senhor confia nos seus Servos. Na Parábola, o homem é capaz de confiar nos seus servos.

“... chamou os seus servos, entregou-lhes os seus bens... e ausentou-se logo para longe” (Mt.25:4,15). 

Para agir desta maneira é preciso ter confiança. O Senhor confiava e continua confiando nos seus servos. Não se diz que ele chamou os parentes, ou mesmo os amigos mais chegados, mas que “chamou os seus servos”. 

Consideremos ainda que ele entregou bens de grande valor. Não exigiu qualquer garantia. Não determinou como deveriam aplicar “os seus bens”. Não contratou “fiscais” para vigiar os passos dos seus servos e estarem atentos para que não houvesse má administração de seus talentos. Não fez qualquer tipo de ameaça. Ao partir, não marcou a data de seu retorno.
Para fazer o que ele fez era preciso confiar, e ele confiou. Com esse procedimento ímpar ele estabeleceu aos seus servos, como forma de servi-lo, o principio da responsabilidade pessoal.
Ele concedeu-lhes plena liberdade de ação. Ele quer ser servido com temor, nunca por medo; com alegria, e não com tristeza; de forma voluntária, nunca como que por obrigação. Ele ama seus servos e quer ser amado por eles. É assim que ele quer ser servido. 

Todos nós conhecemos este Homem; seu nome é Jesus. Com efeito, “este homem” tratava seus servos de uma forma diferente de todos os demais senhores. Certa feita Ele disse aos seus servos: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos”(João 15:15). 

3. O acerto de contas (Mt.25:19) – “E, muito tempo depois, veio o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles”. 

É interessante notar, em primeiro lugar, que Jesus fala em “muito tempo depois”. A Parábola, portanto, indica que a dispensação da graça, o tempo destinado para os servos negociarem, seria extenso. 

Tudo parecia indicar que nada aconteceria, que a desobediência ficaria impune e que o labor dos servos obedientes tinha sido em vão, um zelo dispensável e desnecessário. Mas, sem que alguém esperasse, chegou o dia do retorno do senhor e, com ele, a prestação de contas. Mais uma vez, Jesus mostra que chegará o Dia em que prestaremos contas pelos nossos atos – “Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus”(Rm.14:12). 

a) O acerto de contas dos Servos Fiéis (Mt.25:20-23). Os servos apresentaram as suas obras e, em tendo sido elas aprovadas, tiveram a oportunidade de serem reconhecidos pelo senhor e de serem convidados a entrar no seu gozo. Este julgamento mostra-nos a realidade do Tribunal de Cristo, o local onde os servos do Senhor serão julgados pelas suas obras. O Tribunal de Cristo é exclusivo para os servos bons e fiéis e terá lugar depois do arrebatamento da Igreja e antes da Ceia das Bodas do Cordeiro. Nele, os salvos serão julgados pelo que tiverem feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (2 Co.5:10). O Senhor, ali, verificará o que foi dado ao servo e o que ele granjeou com o que lhe foi dado. 

A mensagem dada ao servo que recebeu cinco talentos é absolutamente idêntica ao que recebeu dois talentos, uma vez que o trabalho de ambos foi, também, igual - “Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt.25:21,23).

Ambos os servos duplicaram os talentos que receberam, ambos exerceram a plenitude de sua capacidade na obra do Senhor, ambos tiveram dedicação integral, de sorte que ambos tiveram o mesmo galardão. Não foi, porém, pelas obras que cada um chegou ao gozo do Senhor, mas pela sua fidelidade e obediência. 

b) O acerto de contas do Servo Mau (Mt.25:24-30). O julgamento do Servo Mau não será realizado no Tribunal de Cristo. Refere-se o Senhor, aqui, ao Juízo Final ou Juízo do Trono Branco, já que os ímpios serão julgados nesta oportunidade, onde haverá, sim, condenação, ao contrário do Tribunal de Cristo, onde os que forem julgados jamais perderão a salvação, ainda que sejam salvos como que pelo fogo (1Co.3:15). 

O Servo Mau surge com desculpas, num comportamento bem diferente daquele que foi apresentado pelos servos fiéis. Assim procede o homem no pecado: tenta sempre encontrar uma justificativa para o seu erro, mas a Bíblia diz que os pecadores são inescusáveis, ou seja, não têm quaisquer desculpas diante de Deus (Rm.1:20).

Veja algumas particularidades desse Servo Mau:

        Em primeiro lugar, ele mentiu, pois alegou que conhecia o senhor (Mt.25:24). Se conhecesse mesmo o senhor, teria se empenhado em negociar os talentos.
Quem o diz é o próprio senhor, na parábola, que afirma que, pelo menos, o Servo Mau deveria ter se preocupado em não causar a perda do poder aquisitivo do patrimônio que lhe fora confiado (Mt.25:26).

        Em segundo lugar, ele acusou o senhor de “homem duro”, que ceifava onde não semeara e ajuntava onde não espalhara (Mt.25:24). 

Vemos, aqui, a segunda particularidade do pecador: ele sempre culpa Deus pelas suas próprias faltas. Quantos, nos nossos dias, não têm culpado Deus, negado até a existência de Deus? Quantos não acusam Deus de ser impiedoso e cruel porque mandará pessoas à perdição eterna? Ao mesmo tempo em que vociferam palavras de acusação contra Deus, pecam desmedidamente, escandalizam o evangelho, muitas vezes até, sob a paciência deste mesmo Deus injustamente acusado. 

        Em terceiro lugar, o servo negligente chama o Senhor de Ladrão (Mt.25:24) – “...que ceifas onde não semeaste...”. Ceifar onde não se semeou é invadir terreno alheio, é apropriar-se do alheio, é chamar o Senhor de ladrão.

        Em quarto lugar, o servo mau chama o senhor de cobiçoso (Mt.25:24) - “que ajuntas onde não espalhaste”. Ajuntar onde não se espalhou é uma expressão proverbial que indica um desejo ilegítimo de crescimento, uma ganância. O Servo Mau, entretanto, ao assim se referir ao senhor, denuncia a sua própria ganância. Ele havia se apropriado indevidamente do talento recebido e o enterrara porque sabia que tudo que granjeasse seria do senhor e não dele. 

        Em quinto lugar, o servo mau diz que teve medo do Senhor (Mt.25:25) - 
“atemorizado, escondi na terra o teu talento...”. Não adianta ter medo de Deus. É preciso ter respeito, reverência, não medo. O servo mau alegou ter medo de Deus, por isso não lhe obedeceu. É assim mesmo: quem tem medo, não obedece. Pode até fazer o que se manda, mas isto não é obedecer, pois a obediência é uma ação voluntária, não forçada.
Não podemos mostrar aos homens um Deus irado, cruel e pronto a castigar. O medo de Deus não resolve. Na Grande Tribulação, os homens terão medo de Deus, que estará derramando terríveis juízos sobre a Terra, mas não se arrependerão de seus pecados, pois medo não transforma, não torna ninguém obediente. 

        Em sexto lugar, o servo mau não devolveu corretamente o que havia recebido do Senhor (Mt.25:25) – “...aqui tens o que é teu”. Ele mentiu mais uma vez, ao dizer ao senhor: “aqui tens o que é teu”. Diante do longo tempo decorrido, o talento devolvido não tinha o mesmo valor do talento que havia sido entregue. O tempo passou e, como a vida é dinâmica, o patrimônio recebido se desvalorizou, tanto que o senhor diz que, se o servo mau quisesse mesmo apenas devolver o que lhe havia sido dado, teria entregado o talento ao banqueiro para que este o negociasse e, assim, não haveria perda de valor. O servo mau se apropriou de parte do valor do talento ilegitimamente. 

Assim ocorre com aquele que não usa o Dom que Deus lhe deu. Ele retém ilegitimamente e o Dom não será simplesmente devolvido ao Senhor, pois haverá um prejuízo irreparável, pois o bem que deveria ter sido feito com aquele Dom, a glória que deveria ter sido dada a Deus através daquele Dom nunca terá sido concretizada e, como sabemos, quatro coisas não voltam atrás: o tempo passado, a oportunidade perdida, a palavra dita e a pedra atirada. 

O Servo Mau, portanto, não teria mais condições de repor o valor perdido e, por isso, era praticante de uma injustiça, de uma iniquidade.

Que possamos, no momento da prestação de contas, sermos achados fiéis e diligentes, e não servos negligentes - “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim” (Mt.24:46).

III.TRABALHANDO ATÉ O SENHOR VOLTAR

“E, muito tempo depois, veio o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles” (Mt.25:19).

Todos os salvos são chamados para fazer a Obra de Deus - “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real...” (1Pd.2:9). Segundo a Bíblia, nesta Dispensação da Graça, cada crente é um sacerdote. No Antigo Testamento nenhum Sacerdote era constituído para não fazer nada. Todo Sacerdote tinha um trabalho para fazer.

Jesus Cristo, na conclusão do Seu Ministério aqui na Terra, sabendo que o tempo de partir “para fora da Terra” era chegado, Ele proferiu esta que foi sua última Parábola, deixando claro que todos os seus servos deveriam se empenhar em fazer a Sua Obra. 

Ao não deixar nenhum dos servos sem Talento, e ao fazer a distribuição segundo a capacidade de cada um, o Senhor Jesus confirmou a grande chamada:
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo...” (Mc.16:15,16). 

“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mt.28:19,20).
Jesus não exigiu uma produção igual para todos os seus servos, ele respeitou a capacidade de cada um. Todavia, ninguém poderia alegar que não podia fazer nada, porque todos receberiam dos “bens” do Senhor, na forma de Dons, ou Talentos, os quais seriam seus instrumentos de trabalho. 

Os seus servos teriam ampla liberdade para usarem os Talentos, mas que era necessário usá-los. Uma coisa eles deveriam estar cônscios: o Senhor voltaria e que, no Dia de Sua Vinda, haveria um ajuste de contas com cada um, e cada um seria, como de fato será, recompensado não pela quantidade das obras, mas, pela fidelidade na forma em que elas seriam realizadas.
Deus não pede o que não temos para dar. Deus não exige o que não podemos fazer. Deus conhece as limitações de cada um, e só exige conforme a capacidade daquele que recebeu os Seus bens. Não somos iguais, Deus sabe disto. Somos membros de um Corpo, o Corpo de Cristo. Seja qual for nossa capacidade, somos necessários nesse Corpo.

Portanto, se você recebeu cinco talentos, dê glórias a Deus, negocie com eles e ganhe outros cinco. Se você recebeu dois talentos, dê glórias a Deus negocie com eles e ganhe outros dois.
Se você recebeu apenas um talento, dê glórias a Deus, negocie com ele e ganhe outro talento. Alegre-se, porque na verdade nós não merecíamos receber nada. Tudo o que temos e tudo o que somos é pela misericórdia de Deus. 

Devemos estar cônscios de que um Dia prestaremos contas. No Tribunal de Cristo, receberemos do Senhor a recompensa pelo trabalho que fizermos para Ele (ler 1Co.3:12-15 cf. 2Co.5:10). Alegremo-nos com essa verdade. O que precisamos ter cuidado é não fazer a Obra do Senhor relaxadamente, como fez o Servo Mau da Parábola. É necessário fazer a Obra do Senhor com zelo, porque fazer a Obra de Deus relaxadamente é apropriar-se de maldição. Está escrito: “Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR relaxadamente...” (Jr.48:10).


CONCLUSÃO

Se por um lado devemos esperar, ou aguardar a Vinda do Senhor, por outro lado, enquanto isso não acontece, é nosso dever trabalhar na causa do Mestre, levando a Palavra do Evangelho a todo o mundo (Mt.28:19,20). É justamente isso que o Senhor Jesus Cristo ensinou com a Parábola dos Talentos. 

Vimos que fazer tal trabalho não se trata de uma opção, mas de algo obrigatório, posto que tal ordem foi dada pelo Senhor. Precisamos desenvolver os talentos que recebemos de Deus, e precisamos estar cônscios de que Jesus pode vir a qualquer momento para prestar contas dos talentos ou do talento que Ele nos confiou (Mt.24:36; Mc.13:32; At.1:7). Portanto, cada "um" deve administrar "aos outros o dom como recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus" (1Pd.4:10).

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 76. CPAD.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Dr. Caramuru Afonso Francisco. Fidelidade e Diligência na Obra de Deus. PortalEBD_2005.