26 de agosto de 2019

A MORDOMIA DO TRABALHO


A MORDOMIA DO TRABALHO

Texto Base: 2Tessalonicenses 3:6-13

''Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também" (2Ts.3:10).

2 Tessalonicenses 3: 6-13

INTRODUÇÃO
Trataremos nesta Aula da Mordomia do Trabalho. A pessoa se revela através do seu trabalho. O Salmo 19 diz que Deus Se revela ao mundo através da Sua obra. Por meio da revelação natural, a existência de Deus é conhecida por todas as pessoas na Terra. Assim, o trabalho revela algo sobre aquele que o realiza; ele expõe o caráter subjacente, motivações, habilidades e traços da personalidade. Jesus repetiu este princípio em Mateus 7:15-20 quando declarou que as árvores ruins produzem apenas frutos ruins e boas árvores somente bons frutos. Isaías 43:7 indica que Deus criou o homem para a Sua própria glória. Em 1Coríntios 10:31, lemos que tudo o que fazemos deve ser para a Sua glória. O termo glória significa "dar uma representação precisa". Por isso, o trabalho feito por cristãos deve dar ao mundo uma imagem fiel de Deus em sua justiça, fidelidade e excelência. Podemos, então, e devemos, glorificar a Deus com o nosso trabalho.

I. O TRABALHO DE DEUS NA BÍBLIA
É fundamental que se compreenda que a origem do trabalho não começa conosco, começa com Deus. A Bíblia Sagrada é o compêndio apropriado para quem quer saber sobre a origem do Trabalho. O livro de Gênesis inicia a história da salvação revelando o trabalho de Deus na criação do Universo - “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn.1:1). Deus é o mais dedicado trabalhador.
Geralmente, nós consideramos que a história do trabalho tem começo a partir da Queda e termina quando Jesus voltar. De fato, essa história começou no Jardim do Éden, muito antes da Queda, e continuará no Novo Céu e na Nova Terra.

1. O Trabalho de Deus na criação do Universo
Na passagem de abertura das Escrituras Sagradas, Deus é o trabalhador primário, ocupado com a criação do Universo (Gn.1:1-15) - “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn.1:1). A Bíblia diz que Deus trabalhou por seis dias e descansou no sétimo (Êx.20:11; Ne.9:6). Nos primeiros dois capítulos de Gênesis, somos informados sete vezes que Deus criou algo e doze vezes que ele fez alguma coisa. Os atos de criar e de fazer são resumidos como seu trabalho - “No sétimo dia, Deus havia terminado sua obra de criação e descansou de todo o seu trabalho” (Gn.2.2).
Deus foi o primeiro a trabalhar sobre a terra; portanto, o legítimo trabalho reflete a atividade de Deus. Porque Deus é inerentemente bom, o trabalho também é inerentemente bom (Salmos 25:8, Ef.4:28). Além disso, Gênesis 1:31 declara que quando Deus viu o fruto do Seu trabalho, Ele disse que era tudo "muito bom", alegrando-se com o resultado. Por este exemplo é evidente que o trabalho deve ser produtivo e deve ser conduzido de uma maneira que produza um resultado da mais alta qualidade. A sua recompensa é a honra e a satisfação que vêm de um trabalho bem feito.

2. O Trabalho de Deus na criação do homem
O momento supremo do trabalho criativo de Deus não foi a criação de galáxias distantes, da fauna e da flora, mas a criação do homem e da mulher (Gn.1:27). Assim como o resto da criação, somos o produto do trabalho de Deus. No entanto, de forma singular e distinta de todos os outros seres criados, somos feitos à imagem de Deus. De todas as implicações desse fato, isso significa, principalmente, que fomos criados para ser um reflexo de Deus para o mundo, uma reapresentação dele na Terra. Vemos isso, primeiro, em Gênesis 1:28, que diz: 
“Sejam férteis e multipliquem-se. Encham e governem a terra. Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que rastejam pelo chão”.
Até esse ponto da narrativa, tudo o que Deus disse aos pássaros, aos peixes e aos outros animais foi dito também a Adão. Como todas as outras criaturas, estamos destinados a reproduzir. Mas Deus afirma que nós não fomos criados apenas para encher a terra, como os demais animais; nós devemos “governá-la” e “dominá-la” sobre tudo e sobre todos.
Temos trabalho a fazer, e não é qualquer trabalho. Trata-se de refletirmos, através do trabalho, a própria natureza de Deus. Deus é claramente Rei sobre a criação. Ele diz aos seres humanos: governem o mundo como meus representantes, os portadores da minha imagem. E foi só nesse ponto da narrativa que Deus declarou ser sua obra muito boa e depois descansou (confira Gênesis 1:27 – 2:3).

3. O Trabalho continua
Após criar o Universo, todas as criaturas viventes, a natureza, o ser humano, Deus continuou a trabalhar; Ele não se aposentou; não se isolou, fechando-se num céu muito distante e entregando a Terra e o ser humano à sua sorte, como afirmaram, e ainda afirmam alguns adeptos de heresias inspiradas por Satanás. Não! Deus nunca ficou alheio a tudo que acontece na Terra, conforme afirmou o Profeta Hanani: “Porque, quanto ao Senhor, os seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele...” (2Cr.16:9).
“Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Pv.15:3).
Deus, nas Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo, da mesma forma que havia trabalhado na criação de todas as coisas e na reconstrução da Terra, continuou trabalhando, agora, num novo projeto.
O capítulo 2 de Gênesis inicia com Deus trabalhando novamente; só que, agora, não é o trabalho de criar, mas o trabalho de governar e de ordenar tudo o que Ele fez. Deus plantou um Jardim; literalmente, um Paraíso. Você pode imaginar como se fosse uma propriedade rural bem organizada, e lá Ele colocou o primeiro homem. Surge, então, uma pergunta: como Deus criou um Paraíso dentro de um mundo já perfeito? Resposta: Deus criou um lugar perfeitamente adaptado para o florescimento humano. Lá, ele colocou Adão. Está escrito: 
“O SENHOR Deus colocou o homem no jardim do Éden para cultivá-lo e tomar conta dele”(Gn.2:15).
Deus não é inerte, parado; Deus é vida, é ação. Ele trabalhou e continua trabalhando no Seu plano elaborado “desde a fundação do mundo” (Ap.13:8). Sobre o trabalhar contínuo de Deus, declarou o Senhor Jesus, em resposta a alguns acusadores: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (João 5:17). O Deus revelado nas Escrituras, o Criador dos céus e da terra, continua trabalhando em prol de sua criação.
“Tu visitas a terra e a refrescas; tu a enriqueces grandemente com o rio de Deus, que está cheio de água; tu lhe dás o trigo, quando assim a tens preparada; tu enches de água os seus sulcos, regulando a sua altura; tu a amoleces com a muita chuva; tu abençoas as suas novidades” (Sl.65:9,10).
“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para aquele que nele espera” (Is.64:4).
Deus continua trabalhando e o homem deve trabalhar também. O papel dos seres humanos é trabalhar a Terra, tornando-a aquilo que pode sustentar a vida; e o papel de Deus é provê-la de tudo o que é necessária (Gn.8:22).
“Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não Cessarão”.
Esses dois papéis da humanidade e de Deus são os fatores mais fundamentais da existência, cuja ausência significaria o estado do mundo antes da criação: sem forma e vazio.
É claro que, nesta Dispensação, o trabalho prioritário de Deus é, sem dúvidas, a preparação da Igreja. Porém, mesmo depois do Arrebatamento da Igreja, Deus não cessará de trabalhar, e nem nós, conforme nos advertem as Escrituras Sagradas.
“E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão” (Ap.22:3).

II. A BÍBLIA E A MORDOMIA DO TRABALHO
1. O homem foi criado para o Trabalho
O trabalho é dom de Deus, não um castigo pelo pecado. Mesmo anterior à Queda, o homem tinha deveres a cumprir. Deus estabeleceu atividades laborais que fizessem parte de sua vida (Gn.2:5,7,8,15).
5.Toda planta do campo ainda não estava na terra, e toda erva do campo ainda não brotava; porque ainda o SENHOR Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.
7.E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.
8.E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado.
15.E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.
“Deus organizou deliberadamente a vida de tal maneira que ele precisa da cooperação dos seres humanos para o cumprimento dos seus propósitos. Ele não criou o planeta Terra para ser produtivo por si mesmo; os seres humanos têm que subjugá-lo e desenvolvê-lo. Ele não fez um jardim cujas flores se abririam e os frutos amadureceriam por conta própria; Ele designou um jardineiro para cultivar a terra. Chamamos isso de “mandato cultural”, que Deus deu à raça humana. “Natureza” é o que Deus nos dá; “cultura” é o que nós fazemos com ela. Sem um agricultor humano, todo jardim ou campo se degeneraria rapidamente, transformando-se num deserto.
Na verdade, Deus fornece o solo, a semente, o sol e a chuva, mas nós temos que arar, plantar e colher. Deus fornece as árvores frutíferas, mas nós temos que podá-las e apanhar os frutos. Como Lutero disse certa vez num sermão sobre Gênesis, ‘Pois por seu intermédio Deus trabalhará todas as coisas; ele vai ordenhar as vacas e desempenhar as tarefas mais humildes por meio de você, e todas as tarefas, da maior até a menor, serão agradáveis a ele’. De que valeria a provisão que Deus faz para nós de uma vaca cheia de leite se nós não estivéssemos lá para ordenhá-la?
Assim, há cooperação, na qual nós realmente dependemos de Deus, mas na qual ele também depende de nós. Deus é o Criador; o homem é o agricultor. Cada um necessita do outro. No bom propósito de Deus, criação e cultivo, natureza e criação, matéria-prima e perícia profissional humana são indissociáveis. Esse conceito de colaboração divino-humana é aplicável a todas as tarefas honrosas” (John Stott. Os cristãos e os desafios contemporâneos).
Devemos administrar com eficiência os bens do nosso Criador e Senhor. Ele se humilhou e nos honrou ao fazer-se dependente da nossa cooperação. Qualquer que seja nosso trabalho – no ensino, na medicina, nas leis, nos serviços sociais, na arquitetura ou construção, nas políticas nacional ou local, ou no serviço civil, na indústria, no comércio, no cultivo do solo ou na mídia, em pesquisa, na administração, no serviço público, nas artes, em casa, na área de tecnologia, na Igreja – devemos fazê-lo como sendo cooperação com Deus.

2. O Trabalho antes da Queda
Antes da Queda, Deus criou um lindo Jardim para que Adão trabalhasse, cuidasse dele e fosse sua morada. As duas primeiras atividades laborais de Adão, o primeiro homem, foram "lavrar" e "guardar" a terra. A mulher, Eva, é criada como sua ajudante e companheira (Gn.2:18). Assim, Adão e Eva deveriam, literalmente, cultivar o Jardim, fazê-lo crescer e florescer; eles também foram colocados lá para guardá-lo e para protegê-lo de qualquer coisa que pudesse danificá-lo ou prejudicá-lo.
Tudo isso é muito importante porque o trabalho que Deus deu a Adão e Eva é o paradigma para todo trabalho humano. Para entendermos melhor, pense por um momento sobre o Jardim do Éden. Aquele era o lugar que Deus projetou para o florescimento humano. Não há mais nada na Terra para eles fora daquele lugar.
  • O Éden era a casa, onde eles viviam o casamento e criavam a sua família.
  • O Éden era o templo, onde eles se encontravam com Deus.
  • O Éden era o local de trabalho, onde se empregavam produtivamente naquilo que Deus lhes deu para fazer.
Você e eu nunca experimentamos o que eles experimentaram: um mundo no qual as divisões e os conflitos de interesse entre igreja, local de trabalho e família não existiam. Naquele mundo incrível, o trabalho deles era tomar aquele Jardim-Casa-Templo-Local-de-trabalho e protegê-lo, cultivá-lo, fazê-lo florescer e crescer, até que o mundo inteiro, e não apenas aquele pequeno cantinho, tornasse um paraíso. Por que eles deveriam fazer tudo isso? Porque eles foram criados à imagem de Deus.
  • Assim como Deus criou, eles deveriam criar.
  • Assim como Deus governou e tomou conta, eles deveriam governar e cuidar.
  • Assim como Deus criou um mundo frutífero e florescente, eles deveriam proteger e promover esse florescimento e fecundidade.
O trabalho desse primeiro casal, como representante de Deus, era pegar o que Deus tinha começado e levar adiante – para revelar a glória do Criador. O propósito do trabalho não era revelar quem eles eram ou poderiam se tornar através do que faziam; o objetivo era revelar, através do trabalho deles, quem Deus realmente é: Criador, Governador, Protetor e Provedor de todas as coisas. Tendo sido criados à imagem do Criador, o trabalho de Adão e Eva testificaria dEle.
O propósito original do trabalho humano era o avanço do florescimento humano para a glória de Deus. Nosso trabalho, em qualquer esfera que operemos – em casa, na igreja, no local de trabalho – é mostrar a bondade e a magnificência do caráter divino como portadores que somos da imagem de Deus. Fazemos isso enquanto cultivamos o “jardim” que nos foi confiado, para o florescimento dos seres humanos ao nosso redor, para o louvor da glória de Deus.

3. O Trabalho depois da Queda
Antes da Queda, a verdadeira felicidade preenchia todo o Jardim do Éden. Mas, depois da Queda, veio o caos. Não sabemos quanto tempo decorreu entre o dia em que Adão conseguiu seu primeiro emprego e o dia em que tudo deu errado. O que está claro, porém, é que uma maneira de entender o que os teólogos chamam de Queda é entender que Adão e Eva caíram no trabalho. Lembre-se: eles foram colocados no Jardim para cuidar dele; eles eram os mordomos de confiança do Criador e dono da Terra; eles deveriam cuidar dele e guardá-lo. Contudo, em ambos os casos – cuidar e guardar o Jardim -, eles falharam.
Satanás, o inimigo de Deus e dos homens, apareceu no Éden. O primeiro casal, em vez de proteger o Jardim, expulsando de lá o adversário, estenderam-se com ele numa trágica conversa (Gn.3:1-5). Depois, no final da conversa, em vez de administrarem o Jardim, eles tentaram usá-lo para si mesmos (Gn.3:6), abusando de sua própria autoridade e arruinando-a para toda a posteridade. Logo após, Adão e Eva perceberam que puseram tudo a perder (Gn.3:7).
O Senhor do Jardim, Deus, apareceu para inspecionar o trabalho, mas Adão e Eva estavam escondidos em um local qualquer - “entre as árvores do Jardim” (Gn.3:8-9). Todos sabemos como é obter uma avaliação negativa de desempenho no trabalho. Alguns de nós sabem inclusive o que é ser demitido, mas o que Adão e Eva experimentaram foi pior do que qualquer uma das situações que citei. Eles foram expulsos do Jardim, mas eles não foram aliviados de suas responsabilidades; eles ainda eram responsáveis por representar a Deus; eles ainda deviam trabalhar. Mas, as condições de seu trabalho mudaram radicalmente: o mundo onde agora trabalhariam estava amaldiçoado por causa de seus pecados. Em Gênesis 3:17-19 está assim escrito:
“E a Adão disse: Porquanto destes ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás”.
Observe que, por causa da Queda, tudo foi distorcido na vida do ser humano. Três coisas aconteceram com o trabalho de Adão e Eva, e também aconteceriam com a sua posteridade, chegando até nós.
3.1. O trabalho tornou-se infrutuoso e com fadiga. Mesmo que Adão trabalhasse penosamente no solo, durante toda a sua vida, o solo estava amaldiçoado sob seus pés.
“Maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá; e comerás a erva do campo” (Gn.3:17,18).
Há quem pense que o trabalho é parte da maldição, porém a Bíblia não ensina tal coisa; ensina, sim, que a maldição transformou o trabalho bom em algo infrutuoso e com fadiga (Gn.3:17). A maldição está mais ligada à tristeza, à frustração, ao cansaço que acompanham o trabalho.
Por causa da Queda, aspirações vão constantemente ser vencidas pela realidade, e por mais duro que se tente, a realidade nunca vai mudar, pois a Terra foi amaldiçoada. Por mais que se trabalhe duro, por vezes, o que se experimenta é futilidade, penúria, inutilidade, insignificância.
Toda a raça humana e a própria natureza ainda continuam sofrendo como consequência do juízo pronunciado sobre o primeiro pecado. O apóstolo Paulo fala poeticamente de uma criação que "geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Rm.8:22). O que era leve, suave e agradável, por causa do pecado, tornou-se pesado, brutal e desagradável.
Mas, Deus faz uma promessa de um juízo redentivo (Gn.3:15). Ao invés de lançar apenas juízos inclementes e condenatórios sobre o casal, Deus, o Justo Juiz, abriu um espaço para a redenção - “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. É a mais gloriosa promessa de redenção, de soerguimento do homem da condenação e da maldição da Terra.
3.2. O trabalho tornou-se penoso, desgastante - “No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn.3:19). Isso é tão básico para a nossa experiência com o trabalho que é difícil imaginar como o trabalho deve ter sido antes da Queda. Afinal, até mesmo um trabalho que amamos tem pelo menos algum aspecto que é cansativo, tedioso e mesmo doloroso.
No mundo caído, o trabalho é penoso, desgastante. Inúmeras são as pessoas que se encontram mentalmente esgotadas e cansadas por causa de suas atividades profissionais. Os consultórios médicos estão lotados de pessoas com estafa e estresse. Muitos suicídios acontecem por causa do trabalho estafante, penoso. Há textos na Bíblia que nos lembram dessa realidade: "Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os afligir" (Ec.3:10). Jó também declarou: "...o homem nasce para o trabalho, como as faíscas das brasas se levantam para voar" (Jó 5:6,7).
3.3. O trabalho tornou-se um ato compulsório de sobrevivência. O que era um ato livre de adoração agora é um ato compulsório de sobrevivência. Disse Deus: “No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn.3:19). No Jardim, Adão não tinha de trabalhar para comer. Deus tinha plantado um pomar, e tudo o que Adão precisava estava lá para pegar e comer. Mas, agora há uma urgência, uma compulsão, uma ordem para trabalhar. Como Paulo disse: “Quem não quiser trabalhar não deve comer” (2Ts.3:10). Não é que o trabalho tenha, agora, se tornado ruim; não é que o trabalho seja punição pelo pecado; é que, num mundo caído, o trabalho penoso e infrutuoso é também implacável. Gostemos ou não, devemos trabalhar. Nós não podemos escapar dele, exceto na morte.

III. PRINCÍPIOS CRISTÃOS PARA O TRABALHO
1. O homem deve trabalhar "com o suor de seu rosto"
Após a Queda, o trabalho tornou-se difícil. Por causa do pecado as pessoas têm de trabalhar muito para conseguir alcançar os resultados que antes da Queda eram bem mais tranquilos. Lendo o texto de Gênesis 3:19 podemos entender isso: “Terá de trabalhar no pesado e suar para fazer com que a terra pro­duza algum alimento”.
Por causa do pecado do primeiro homem, Adão, temos que trabalhar pesado para conseguirmos os resultados desejados. Apesar disso, Deus é bom o suficiente para fazer com que o nosso trabalho tenha significado e ajude outras pessoas, principalmente quando nós estivermos fazendo a coisa certa, que é aquilo que está ligado à sua missão aqui na terra.
Portanto, todas as pessoas precisam trabalhar, a não ser aquelas que tenham algum impedimento físico ou mental.
O apóstolo Paulo foi enfático com os cristãos da igreja em Tessalônica: “Quando estávamos aí, demos esta regra: Quem não quer trabalhar, que não coma” (2Ts.3:10). Por que ele disse isso? Será que tinha raiva do pessoal de lá? Claro que não. Ele sabia que, segundo o plano de Deus, deve­mos ganhar o nosso pão de cada dia por meio do trabalho.

2. Trabalhar sem ansiedade
Ansiedade é desejo veemente e impaciente, é aflição, agonia, é falta de tranquilidade, é receio. É possível trabalhar sem ansiedades quando se tem Fé e quando se tem Paz. A Fé funciona como antídoto, ou agente neutralizador da ansiedade. Quem tem Fé não se desespera. Davi tinha Fé, por isto afirmou: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Salmos 40:1). Quem tem Fé para esperar com paciência não pode padecer de ansiedades. Você é uma pessoa de Fé? Se sua resposta for afirmativa, então, a ansiedade não poderá nunca encontrar guarida em seu coração, pois, pela fé, você tem “a prova das coisas que se não veem”. Consola-nos o apóstolo Pedro: “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pd.5:7).
Ansiedade contrasta, também, com a Paz; são duas virtudes antagônicas. Onde existe uma, não pode existir a outra. No coração do homem que tem paz, não pode haver ansiedade. A paz é uma herança que o Senhor Jesus deixou aos seus discípulos (João 14:27). Você é um discípulo de Jesus? Se sua resposta for afirmativa, então, descanse na sua Paz!
2.1. É possível trabalhar sem ansiedade quando se sabe estar realizando a vontade de Deus.  Para o homem sem Deus, ou até para aquele que se diz “crente”, mas não conhece a Palavra de Deus, trabalhar se torna uma obrigação, um agente gerador de ansiedade. Trabalham, mas, trabalham de mal com o trabalho, vendo na pessoa do patrão, um agente escravizador. Isto não pode acontecer com aquele que conhece a Palavra de Deus.
O trabalho foi instituído por Deus, mesmo antes da Queda do homem; trabalhar, portanto, significa cumprir a vontade de Deus. Para um filho de Deus ter um trabalho e poder tirar dele sua subsistência, deve ser considerado como uma bênção, não como um sacrifício. Você já agradeceu a Deus, hoje, pelo seu emprego, ou pela sua profissão?
2.2. É possível trabalhar sem ansiedade quando aprendemos a contentar com o que temos. A ganância, o desejo incontido de ter aquilo que não se pode ter em consequência do pouco que ganha, é motivo que leva a pessoa a trabalhar com ansiedade. Paulo não tinha este problema, pois, podia dizer: “já aprendi a contentar-me com o que tenho” (Fp.4:11). Esta é uma receita capaz de neutralizar o desejo incontido, a cobiça, a ambição, que são agentes geradores de ansiedades.
  • É por não saber contentar com o que tem, que alguns, crentes e não crentes, afundam no crediário, contraindo dívidas sem planejamentos.
  • É por não saber contentar com o que tem que muitos abusam dos cartões de crédito e dos cheques pré-datados.
  • É por não saber contentar com o que tem que muitos insistem em viver de aparência, tentando manter um “status” artificial, não concordando em ser o que realmente são. Um homem de Deus não pode viver de aparência, precisa ser o que realmente é.
Uma má administração financeira, pessoal, ou familiar, leva ao desequilíbrio entre receita e despesa, ou entre o que se ganha e o que se gasta. Isto acontece, muitas vezes, por não saber contentar-se com o que tem.
Trabalhar sabendo que não terá o suficiente para cobrir os compromissos assumidos, pode ser motivo para trabalhar com ansiedades.
3. Trabalhar para não ser pesado a ninguém
Este é um princípio ensinado pelo apóstolo Paulo aos cristãos de Tessalônica, e que se aplica a todos nós. Ele mesmo se dispôs a trabalhar, “noite e dia”, para não dar despesas aos cristãos daquela igreja, para não se aproveitar da bondade deles (cf. 2Ts.3:8).
O apóstolo Paulo é enfático na sua advertência quanto ao dever de trabalhar (2Ts.3:10), e que o trabalho é a forma corriqueira de aquisição de bens materiais de acordo com a Palavra de Deus. Mas, também, nos mostra que deve ser privado de ajuda aquele que não quer trabalhar, ou seja, aquele que, deliberadamente, prefere o ócio ao trabalho, sendo, assim, rebelde à ordenança do Senhor.
Há muitas pessoas, nos nossos dias, que passam por sérias necessidades econômico-financeiras, estão na miséria, mas não em razão da desigualdade social ou do desemprego, mas por não quererem trabalhar, por recusarem seguir a ordem divina do trabalho. Muitos dizem: para que trabalhar, se a vida é tão efêmera, passageira, e que Jesus já está às portas? A consciência da transitoriedade da “figura deste mundo” (cf. 1Co.7:31) não isenta ninguém de trabalhar (cf. 2Ts.3:7-15), pois o trabalho é parte integrante do ser humano, mesmo não sendo a única razão desta vida.
Nenhum cristão deve sentir-se no direito de não trabalhar e de viver às custas dos outros (cf. 2Ts.3:6-12); todos são exortados pelo apóstolo Paulo a tomar como um ponto de “honra” o trabalhar com as próprias mãos de modo a não ter “necessidade de ninguém” (1Ts.4:11,12), e a praticar uma solidariedade também material, compartilhando os frutos do trabalho com “os necessitados” (Ef.4:28).
“e procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado; para que andeis honestamente para com os que estão de fora e não necessiteis de coisa alguma” (1Ts.4:11,12).
“Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade” (Ef.4:28).
4. A Bíblia condena expressamente a preguiça (Pv.6:6,9; 13:4; 19:24)
Conhecida é a passagem em que Salomão manda o preguiçoso observar a formiga, e manda que observe os caminhos dela e seja sábio, passando a trabalhar (Pv.6:6); como também o provérbio em que considera o preguiçoso como o filho que envergonha (Pv.10:5), o falta de juízo (Pv.12:11) e um candidato à pobreza (Pv.20:13). Uma das características da mulher virtuosa é o fato de não ser preguiçosa, mas trabalhadora (Pv.31:13). Assim, como podemos ter alguém que se diz servo de Deus e é preguiçoso?
As palavras do apóstolo Paulo foram muito claras e incisivas: “se alguém não quiser trabalhar, que não coma também” (2Ts.3:10b). Lamentavelmente, muitas igrejas locais têm deixado de lado este ensino bíblico, o que tem gerado um sem-número de distorções, em prejuízo dos mais necessitados.
Porém, se o problema não for preguiça, mas uma involuntária causa que impeça a pessoa de trabalhar, como é o caso dos inválidos, dos idosos e demais incapacitados para o trabalho, aí, sim, deve atuar um serviço de ação social, de assistência social, a fim de suprir as necessidades básicas dessa pessoa, que não pode trabalhar, embora o queira. Aliás, é este o limite que deve discernir quem deve e quem não deve ser ajudado pela assistência social de uma Igreja Local.
Mesmo no caso de estarmos desempregados, não temos desculpa para ficar ociosos. Enquanto estivermos sem trabalho remunerado devemos: gastar tempo à procura do trabalho digno; trabalhar no que vier à mão para fazer, pois todo trabalho dignifica a pessoa. A prática da parábola dos talentos (Mt.25:14-30), como ensino sobre nosso empenho no reino de Deus, também pode ser aplicado no cotidiano: fiéis no pouco, sobre muito serão colocados. Não comamos o pão da preguiça, jamais!
5. A relação de empregados e empregadores
Nas relações de trabalho, os empregadores e os empregados cristãos devem manifestar os valores da Palavra de Deus. A visão bíblica com relação a este aspecto é que deve haver responsabilidades entre o empregador e o empregado.
O empregador deve glorificar a Deus honrando os seus empregados, e o empregado deve honrar o seu patrão sendo honesto com ele e dedicado nas tarefas e atividades. Quando uma das partes quebra esse compromisso cristão está instalado a desonra a Deus (Ef.6:5-9).
Os empregados cristãos não devem fugir ao seu compromisso de trabalho; antes, devem executá-lo como se fosse ao Senhor.
“Vós, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre”(Ef.6:5-8).
Os patrões cristãos têm o dever de zelar pelos direitos trabalhistas de seus empregados, sob pena de serem condenados por Deus (Tg.5:4).
“Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos” (Tg.6:5-8).
“E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu e que para com ele não há acepção de pessoas” (Ef.6:9).
CONCLUSÃO
O Trabalho não é fruto do pecado, mas da Criação e é dádiva de Deus; é uma vocação de Deus para o ser humano, que, em sua natureza, não pode viver sem o trabalho. Quando isso ocorre, ele viola a sua própria natureza e a diretriz que o Criador lhe deu. É vergonhoso que, em nome de qualquer coisa, o ser humano venha a recusar-se de trabalhar. Deus espera que seus filhos trabalhem, glorificando a Deus e abençoando o próximo. É dessa perspectiva que devemos exercer a nossa Mordomia no Trabalho.

Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 79. CPAD.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Dr. Caramuru Afonso Francisco. Trabalhando sem ansiedade. Portal-EBD_2005.
Pr. Elinaldo Renovato. Tempo, Bens e Talentos – Sendo mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus nos tem dado. CPAD.
John Stott. Os cristãos e os desafios contemporâneos.

23 de agosto de 2019

A MORDOMIA DO TEMPO


A MORDOMIA DO TEMPO

TEXTO ÁUREO

“Remindo o tempo; porquanto os dias são maus” (Ef 5.16).

VERDADE PRÁTICA

O tempo deve ser vivido racionalmente, de modo a promover o bem-estar tanto individual quanto do próximo e, acima de tudo, permitir a glorificação daquele que nos deu o tempo.

TEXTO BÍBLICO = Ec 3.1-8

INTRODUÇÃO

Duas idéias são fornecidas pela leitura de nosso texto de Eclesiastes. Primeira, a questão do tempo relaciona-se com o tempo de Deus, do qual somos mordomos; segunda, refere-se à organização do nosso tempo em relação ao trabalho, à família, ao lazer, à igreja etc.

1. DEUS, O SENHOR DO TEMPO

O primeiro grande princípio da mordomia cristã relativo ao tempo é o reconhecimento de que Deus é o Senhor do tempo, e que a sua administração se torna para nós a administração do tempo de Deus (SI 31,15; At 17.26). Administramos o tempo de Deus à meçliia que somos administrados por Ele. As vezes. quando o espaço dentro do tempo parece não ser suficiente, as horas se desarticulam, os trabalhos se amontoam e as coisas saem erradas. e perguntamos a nós mesmos onde foi que erramos. Outras vezes perguntamos a Deus se estamos fazendo aquilo que Ele quer que façamos.

lI. CONCEITOS ACERCA DO TEMPO

Certo sociólogo, observa que “o tempo, à semelhança do espaço, é uma dimensão e não uma força”. O mesmo autor apresenta uma diferença entre o “tempo medido” e o “tempo vivido”. Naturalmente, os que vivem dentro do “tempo medido” são escravos das coisas que fazem dentro desse tempo. Deus quer que aprendamos “a contar os nossos dias”, isto é, que administremos o nosso tempo, de tal forma que nos faça bem e que glorifique a Deus.

1. Conceitos errôneos acerca do tempo. Existem falsos e errados conceitos sobre o uso do tempo, e até mesmo algumas expressões populares que nos dão idéia de como muitos encaram o assunto:

a. “Para onde foi o tempo?” Ora, se o tempo é uma dimensão e não uma força, entende-se que quando não conseguimos fazer todas as coisas desejadas no tempo disponível, o problema não está no tempo, mas sim no uso do tempo. O tempo não pode fugir de nós. Na verdade, somos nós que sufocamos o tempo com tantas atividades as quais não permitem alternativas. “Contar os dias” equivale a contar o tempo, isto é, planejar todas as atividades possíveis dentro do tempo disponível.

b. “Tempo é dinheiro e devemos gastá-lo sabiamente”. E uma expressão bem utilizada pelo povo. O dinheiro não é tudo dentro do tempo que Deus nos dá. Podemos gastá-lo ou não. E questão de opção de quem o possui. Normalmente, os adeptos desta frase são amantes do dinheiro, e por isso desconhecem tantas coisas boas que se podem fazer dentro do tempo, Os crentes em Cristo devem trabalhar, mas não devem ser escravos do trabalho.

c. “O tempo voa”. E outra expressão comum aos que realizam algum trabalho e não conseguem executá-lo completamente no tempo - disponível.

d. “O tempo cuidará do caso”. Esta frase é sempre usada quando não se consegue resolver um certo problema. Dá a idéia de que algum fato esporádico dentro do tempo venha resolver aquele caso. ‘Até certo ponto parece válida a idéia. Entretanto, como crentes em Cristo, devemos entender que não é o tempo que trará solução a um problema, mas sim o fato de que “devemos dar o devido tempo” para que se cuide do caso.

c. “Não tenho tempo”. Expressão fatídica na experiência cotidiana de todos nós. A questão toda não é a falta de tempo, e, sim, nosso critério de prioridades no tempo que dispomos. Algumas ocasiões podem causar a expressão “Não tenho tempo”. Primeiro, a sobrecarga de atividades. Segundo, as coisas que fazemos dentro desse tempo, são elas prioritárias, ou são secundárias? Terceiro, qual é o critério de prioridades que usamos na escolha das coisas que vamos fazer? Na vida do serviço cristão devemos dar prioridades ao “Reino de Deus’ (Mt 6.33).

f. “Estou matando o tempo”. Esta é uma expressão bem comum entre os que não estão fazendo nada em certos momentos. Entretanto, se analisarmos profundamente esse conceito, percebemos que se trata de um crime que se comete contra Deus, contra si mesmo e contra o próximo. Matar o tempo significa não utilizá-lo convenientemente, isto é, não administrá-lo com aproveitamento real.

2. Conceitos bíblicos acerca do tempo. O conceito bíblico acerca do tempo relaciona-se com aspectos temporais e eternos da vida humana.

a. A vida humana é temporal, isto é, limitada ao tempo (Sl 90.3- 6,8,10). A vida física do homem é passageira, por isso o tempo de sua vida é precioso e precisa ser administrado de forma a aproveitá-lo bem.

b. O aspecto eterno da vida do homem. Um é o tempo de sua vida física, outro é o tempo depois da morte. A garantia de uma eternidade feliz está na mordomia sábia e temente a Deus do tempo de agora.

c. A importância do Lida. A vida é mais que respirar, comer, beber, dormir, trabalhar e se mover sobre a terra. Há algo além dessa vida física e material que deve estar na nossa consciência. .JCSLIS disse: “Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestido? (Mt 6.25).

III. A ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO

Neste ponto destacaremos a nossa mordomia do tempo em relação ao trabalho, à família, ao lazer, à vida cristã e a nós mesmos.

1. Em relação ao trabalho. Tempo e trabalho são inseparáveis; sempre estiveram na vida do homem. No primeiro estado, antes do pecado, o homem recebeu o trabalho de governar o mundo físico e material (Gn 1.26,27,28). Sua tarefa era, essencialmente, governar a terra. Parece-nos que não trabalhava para comer, porque Deus plantou um jardim com toda a espécie de árvore frutífera para a subsistência do homem (Gn 2.8,9). 

Porém, após a queda, uma vez expulso do jardim, o homem teve que mudar de atividade, passando do privilegiado trabalho de governador para o pesado trabalho de lavrar a terra para colher o seu alimento e o de sua família ( Gn 3.17-19). Os filhos de Adão, Caim e Abel aprenderam a trabalhar. Caim tornou-se lavrador (Gn 4.4) e Abel foi pastor de ovelhas. Em toda a Bíblia destaca-se o trabalho. Por exemplo: Noé era lavrador; Abraão foi fazendeiro; Davi foi pastor de ovelhas e depois rei de Israel.

O tempo será proveitoso quando o trabalho corresponder à vocação natural. Qualquer pessoa pode aprender uma profissão que não corresponda à sua vocação profissional. Com isto, a disposição na execução do trabalho será sofrível. Mas quando a pessoa faz algum trabalho para o qual tem vocação, a disposição e prazer se aliam e o trabalho sai bem feito porque produz deleite. Devemos orientar flo5sos filhos a desenvolver e descobrir suas habilidades naturais, ou seja, suas tendências para certas atividades da vida profissional.

2. Em relação à família. Tem sido um sério problema de nossa sociedade o relacionamento familiar. Na falta de uma perspectiva correta sobre o tempo e a família, muitos cristãos estão incorrendo em grave pecado contra suas famílias não lhes dando a devida prioridade dentro do tempo disponível. Há chefes de família cujo tempo é todo tomado pelo trabalho e até mesmo pequenos afazeres ocupam o tempo necessário à família. 

3. Em relação ao lazer. John Ruskin disse: “não há música em uma pausa, porém a pausa entra na composição da música. E as pessoas estão sempre omitindo essa parte da melodia da vida”. Há conceitos errados acerca do lazer na vida do crente. Há aqueles que são frontalmente contrários a qualquer tipo de lazer, como se fora algum pecado, quando na verdade, o pecado maior está em tornar a vida opaca e cansativa. E preciso haver “tempo de lazer” na mordomia do tempo. O crente em Cristo não é mais escravo d(i pecado. Ele é livre para viver; não só livre para a vida espiritual, mas também para o trabalho, para gozar os benefícios da natureza criada, para compartilhar horas felizes com seus familiares e assim tornar- se mais agradável para o próximo e para si mesmo.

4. Em relação à vida espiritual. A Bíblia nos aconselha a que cresçamos “na graça e no conhecimento” (2 Pe 3.18). A robustez da nossa vida espiritual está em separarmos o tempo para tal. Dedicamos a maior parte da nossa vida ao desenvolvimento físico e mental, quase que não restando nada para a vida espiritual, que deveria estar em primeiro lugar na administração do tempo. E preciso tempo para a oração, meio pelo qual mantemos comunhão com Deus. Davi orava três vezes ao dia (SI 55.17). Daniel também orava três vezes ao dia (Dn 6.10). .Jesus ensinava a orar e a dispensar tempo e espaço especial para a oração (Mt 6.9; 14.23). Paulo deu ênfase à oração (1 Ts 5.17; 1 Tm 2.8).

IV. COMO USAR O TEMPO SABIAMENTE

Em primeiro lugar. para que a mordomia do tempo seja proveitosa e usada dentro dos princípios da mordomia cristã, devemos analisar os aspectos negativos e positivos da mordomia do tempo.

1. Aspectos negativos do tempo.

a. Desperdiçar o tempo empregando-o mal. O uso do tempo não é o mesmo que o uso do dinheiro que se pode acumular, caso não se gaste. O tempo não pode ser acumulado e posto em disponibilidade. Tem que ser usado à medida que o temos à nossa frente. Uma vez que se deixe de usá-lo, não se pode recuperá-lo mais. Cada segundo de tempo é precioso. Por isso, desperdiçar o tempo significa perdê-lo irrecuperavelmente.

b. Desperdiçar o tempo com coisas fúteis. Quantas vezes perdemos tempo em conversas fúteis, sem edificação algum, quer para a alma. quer para a mente (2 Tm 2.16). O apóstolo Tiago mostrou o cuidado que se deve ter com a língua (Tg :1.13,10). Paulo ensinou que não deve sair de nossa boca nenhuma palavra torpe (Ef 4.29).

c. Desperdiçar em atividades prejudiciais. Existem atividades que prejudicam a alma e o corpo. São atividades que afetam a consciência e entristecem o Espírito Santo (Ef 4.30.31).

2. O aspecto positivo do uso do tempo.

a. Planeje seu tempo. “Tudo tem o seu tempo determinado” (Ec 3.1). Nesta expressão bíblica entendemos, não só que o nosso tempo é predeterminado por Deus. mas que devemos ser metódicos quanto ao uso do tempo. Devemos planejar todas as nossas atividades de forma a preencher o tempo disponível. Qualquer atividade nossa sem planejamento, corre o risco de não ser executada. A administração do tempo requer inteligência, por isso nesse planejamento deve haver precisão, objetivos e programação. A previsão visa estimar o futuro de nossas atividades. Com os objetivos estabelecidos podemos determinar os resultados a serem alcançados.

b. Cultive a pontualidade. “Não sejais vagarosos no cuidado” (Rm 12.11). Chegar tarde é outro mau hábito que deve ser abandonado, pois revela a falta de mordomia para com as obrigações da vida. Há uma justificativa, nem sempre válida. sobre a pontualidade, através da velha frase: “Antes tarde do que nunca”. Todas as nossas atividades. sejam materiais, físicas, sociais ou espirituais, merecem o devido respeito. O tempo é precioso. por isso devemos aproveitá-lo bem, sem. Contudo nos escravizarmos ao relógio.

c. Mantenho-se equilibrado no uso do tempo. A idéia da palavra equilíbrio nasceu numa balança de dois pratos. O desequilíbrio do tempo está em dar mais peso para um lado da balança que o necessário. A Bíblia fala de equilíbrio quando diz:
“Andeis como é digno da vocação com que fostes chamados’’ (Ef 4.1). A palavra “digno” tem na sua raiz o sentido de equilíbrio.

Lições Bíblicas CPAD 2º. Trimestre 1987


A MORDOMIA CRISTÃ DO TEMPO

TEXTO AUREO

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9.8).

VERDADE PRÁTICA

A mordomia do tempo requer que saibamos aproveitar bem a vida que temos, vivendo para Deus, com temor, sabedoria e paciência.
LEITURA BIBLICA = ECLESIASTES 31-8

INTRODUÇÃO

O texto básico de nosso estudo nos ensina que tudo que fazemos nesta vida tem o seu tempo determinado. Nada deve ser deixado ao acaso. Tudo quanto fazemos deve obedecer a um princípio de harmonia. O saber aproveitar o tempo implica discernimento e diligência quanto às oportunidades que Deus nos dá:tuas idéias ex- traímos da leitura bíblica em classe. A primeira é que Deus nos dá o tempo e dele somos administradores bons, medíocres ou maus. E a segunda, diz respeito à organização do nosso tempo em relação ao trabalho, à família, ao lazer, à igreja etc. Esta lição tem, pois, a ver com a administração do nosso tempo em todas as nossas atividades.

I. DEUS, O SENHOR DO TEMPO

1. Administrando o tempo que Deus nos dá. O primeiro grande princípio da nossa mordomia do tempo é o fato de que Deus é o Senhor do tempo e, que a sua administração torna-se para nós, o exemplo nesse sentido (Sl 31.15; At 17.26).

2. O tempo é dádiva de Deus. Ora, o tempo é uma dádiva divina que devemos utilizar sabiamente (Si 90.12). Quando o salmista ora dizendo: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios”, somos por Deus advertidos e conscientizados acerca da administração do tempo. A expressão “contar os nossos dias” dá a idéia da preciosidade do tempo e também da brevidade da nossa vida nesta existência temporal. Cada minuto nosso é precioso e indispensável. E o seu correto e oportuno aproveitamento é que nos torna sábios, isto é, capazes de vivê-los bem.

II. CONCEITOS ACERCA DO TEMPO

Deus não quer que sejamos escravos cegos do tempo; ele quer que aprendamos “a contar nossos dias”, isto é, que administremos nosso tempo, de tal forma, que isso redunde em nosso bem tanto nas casas temporais como nas espirituais.

1. Conceitos errôneos acerca do tempo. Eis alguns erros que devem ser evitados na administração do nosso tempo.

a) Para onde foi o tempo? Quando não conseguimos fazer todas as coisas necessárias no tempo disponível, o problema não está no tempo, mas sim no seu uso. O tempo sempre está disponível; nós é que o sufocamos com atividades em demasia e sem priorização, num determinado momento. “Contar os dias” também significa contar o tempo, isto é, planejar todas as atividades possíveis dentro do tempo disponível, dentro de um critério de prioridade, conforme a importância das coisas.

b) O tempo voa. É outra expressão comum dos que trabalham, porém, não conseguem executar as tarefas no tempo disponível.

c) O tempo cuidará do caso. Esta frase é usada por quem não consegue resolver um certo problema no tempo desejado. Como crentes em Cristo, devemos entender que não é o tempo que trará solução a um problema, mas sim que “devemos dar o devido tempo” para cuidar do caso.

d) Não tenho tempo. A questão toda não é a nossa falta de tempo, e sim, nossos critérios de prioridades no tempo que dispomos. A má administração do tempo provoca confusão e desorganização. Na vida de serviço cristão, a prioridade é do Reino de Deus (Mt 6.3 3).

e) Matar o tempo. Esta é uma expressão comum dos que não estão fazendo nada em certo momento. Matar o tempo é destruí-lo, não aproveitá-lo, não administrá-lo para o que for útil. Quem assim faz peca contra Deus, contra si mesmo e contra o próximo.

2. Conceitos bíblicos acerca do tempo. Do ponto de vista bíblico, o tempo relaciona-se com aspectos “temporais e eternos” da vida humana.

a) A vida humana neste mundo é temporária, isto é, limitada ao tempo (SI 90.3-6; 8,10). A nossa vida-física aqui é passageira, por isso, o tempo é precioso e precisa ser sabiamente administrado.

b) O homem tem um elemento eterno dentro de si. Sim, alma e espírito são imortais. Uma coisa é o tempo da vida física; outra, é o tempo do homem depois da morte. A garantia de uma eternidade feliz está em seguir fielmente ao Senhor, agora.

III. COMO USAR O TEMPO SABIAMENTE

1. O uso negativo do tempo.

a) O desperdício do tempo. O tempo deve ser usado à medida que o temos em nossa frente. Uma vez que se deixe de usá-lo não se pode mais reavê-lo. Cada segundo é precioso. Por isso, desperdiçá-lo significa perdê-lo irrecuperavelmente.
Deus nos deu tempo para que usemo-lo sabiamente, em proveito próprio, para o próximo e para glória de Deus.

b) Desperdiçar o tempo com coisas fúteis. Quantas vezes perdemos tempo em conversas fúteis, sem edificação alguma, nem para a alma, nem para a mente, nem para ninguém (2 Tm 2.16). O cuidado com a língua não pode ser negligenciado (Tg 3.6,10). Não deve sair da nossa boca nenhuma palavra torpe (Ef 4.29), isso o que a Bíblia ensina.

2. O uso positivo do tempo.

a) Planeje seu tempo. “Tudo tem seu tempo determinado” (Ec 3.1). Nesta expressão bíblica, entendemos, não só que o nosso tempo é predeterminado por Deus, mas que nós devemos ser metódicos quanto ao seu uso.

b) Cultive a pontualidade. “Não sejais vagarosos no cuidado” (Rm 12.11). Há uma justificativa falida contra a pontualidade que muito prejudica e que ouvimos sempre:
“Antes tarde do que nunca”. A pontualidade faz parte do caráter cristão.

c) Procure remir o tempo. Não significa diminuí-lo, nem aumentá-lo. Significa aproveitar ao máximo (Ef 5.16; Cl 4.5). (No original, a frase literalmente significa aquisição; adquirir; comprar em relação ao tempo). Devemos também, remir o tempo na esfera espiritual, no sentido de dar prioridade às coisas espirituais como, evangelização, cultos de doutrina, meditação bíblica individual, culto doméstico etc
.
CONCLUSÃO

A mordomia cristã do tempo é a base para o êxito administrativo de todas as esferas da vida do cristão. Por isso, o tempo deve ser santificado ao Senhor.

Lições Bíblicas CPAD 4º. Trimestre 2003

Cuidando melhor do tempo

TEXTO ÁUREO

“Remindo o tempo; porquanto os dias são maus”. Ef 5.16

VERDADE APLICADA

Diante da realidade do mundo, o crente precisa saber melhor utilizar o seu tempo para consigo e Deus.
LEITURA BIBLICA – ECLESIASTES 3: 1-8

INTRODUÇÃO

O tempo passou a fazer parte da história do homem após sua queda, quando o Senhor determinou o fim dos seus dias. A partir daí o homem vive contando os seus dias e aguardando o seu fim. Nessa contagem regressiva, não damos conta de que o tempo está diante de nós e de que devemos aproveitá-lo de maneira sábia e prudente. Saber fazer bom uso do tempo faz parte da nossa mordomia enquanto aqui vivermos, pois um dia, diante do Senhor iremos prestar contas do tempo que Ele nos deu e nada fizemos.

I - DEUS É O SENHOR D0 TEMPO

Deus é o Senhor do tempo (Dn 2.2 1) e através de sua soberania Ele faz como quer. O salmista afirma, dizendo: “Os meus tempos estão em tuas mãos” (Si 31.15a), ensinando- nos que o nosso tempo pertence a Deus e que apenas somos mordomos dessa dádiva divina.

a) Deus, o criador do tempo — Em sua criação o Senhor Deus determinou luminares na expansão dos céus a fim de nos conduzir no tempo: “... e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos” (Gn 1.14b). Ele criou meios para o homem contar os seus dias (Jó 8.9; Si 90.12) e gasta-los, principalmente em sua presença (Sl 90.14).

b) O tempo pertence a todos. Deus em sua sabedoria determinou que o tempo e a sorte pertencessem a todos (Ec 9.11). Nesse versículo Salomão adverte que o tempo não é apenas privilégio de alguns, mas de todos os que dele se apropriam com sabedoria. Por isso Paulo nos ensina que devemos remir o tempo, isto é, comprá-lo, resgatá-lo, porquanto os dias são maus (Ef 5.16).

c) Tempo, uma dádiva divina — Conhecendo a dificuldade de lidarmos com o tempo, o Senhor dividiu o nosso tempo em etapas importantes de nossa vida (Ec 3.1). Nos versículos seguintes encontramos as mais diversas formas de tempo para aplicarmos segundo as nossas necessidades:
Tempo de nascer, tempo de morrer; tempo de chorar, tempo de rir; tempo de buscar, tempo de perder; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz (Ec 3.2-8). Que tempo de sua vida você está vivendo hoje? Aproveite-o na presença de Deus.

II - A NECESSIDADE DE SE CONHECER O TEMPO

O homem tem dividido o seu tempo em anos, meses, dias, horas, minutos e segundos na tentativa de manejá-lo da melhor forma possível. Como mordomos das coisas espirituais somos também mordomos das coisas temporais, passageiras, entre elas o tempo (Jó 32.7; Sl 90.9).

a) Jesus conhecia o seu tempo — Durante seu ministério terreno Jesus, muitas vezes, foi impelido a agir antes do tempo (Jo 2.4). Entretanto Ele conhecia bem o seu tempo: “O meu tempo está próximo ...“ (Mt 26.18) e sabia do momento certo de agir dentro do propósito divino (Lc 22.14; Mc 14.4 1; Jo 7.30). No momento certo, Ele exclamou: “Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti” (Jo 17.1).

b) O homem não conhece o seu tempo — A Bíblia afirma que para todo o propósito há tempo e modo (Ec 8.6). Isto ensina que devemos compreender o nosso tempo e o modo de fazê-lo para que não nos atrapalhemos na vida. Muitas vezes as coisas sucedem erradas porque não conhecemos o nosso tempo: “... o homem não conhece o seu tempo assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo ...“ (Ec 9.12). Somente através da sabedoria divina conseguiremos entender o tempo e os propósitos de Deus para nossa vida (Pv 14.8a).

e) O tempo na vida do crente — Desde que aceitou a Jesus como seu Salvador pessoal, o crente passou a entender “os tempos de Deus” em sua vida (Is 55.8,9). Ele, agora, compreende que é um mordomo cuidadoso no dispêndio do seu tempo:

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios” (Ef 5.15). O crente vive agora o seu tempo procurando entender a vontade de Deus (1 Pe 4.2), se exercitando em boas obras (GI 6.9) e edificando sua vida na Palavra de Deus: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo” (Ap 1.3).

III - O DEVER DE ADMINISTRAR O TEMPO

O tempo nos foi dado por Deus para que seja gasto de maneira sábia e ordenada (Sl 143.10). O tempo deve ser usado para ganharmos o nosso sustento (Ef 4.28), para nosso descanso e para todas as boas atividades da vida. Tão acostumados estamos a usar desse tempo, que com facilidade nos esquecemos de que ele não é nosso e, sim, um depósito sagrado.

a) Planejando o tempo — Devemos planejar todas as nossas atividades de forma a preencher o tempo disponível, seguindo o exemplo de Jesus (Lc 13.33). A administração do tempo requer inteligência, por isso nesse planejamento deve haver previsão, objetivos e programação, conforme nos ensina Paulo (Rm 15.23-25). O planejamento visa estimar o futuro de nossas atividades.

b) Mantendo a pontualidade — Todas as nossas atividades, sejam materiais, físicas, sociais ou espirituais merecem respeito quanto ao horário. Paulo nos ensina, dizendo: “Não sejais vagarosos no cuidado ...“ (Rm 12.11). A falta de mordomia se revela nas obrigações da vida e passamos a viver cheios de ‘justificativas” (Mt 5.37).

c) Use bem o seu tempo — A mordomia cristã nos ensina a fazer bom uso do nosso tempo (Sl 90.9,10). A vida física do homem é passageira (Tg 4.14), por isso o tempo de sua vida é precioso e deve ser aproveitado para sua felicidade (Ec 9.9) e para salvação de sua família (Hb 11.7). Todas as coisas nos são importantes na vida, mas a prioridade é para o reino de Deus (Mt 6.33).

IV - OS PERIGOS NO MAU USO DO TEMPO

Infelizmente, o mau uso do tempo está presente em muitas vidas que não observaram a “mordomia cristã” como algo divino. Quantos estão deixando o tempo da oportunidade passar: “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos” (Jr 8.20), quando virão os maus dias e chegarão os anos do descontentamento: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer”(Ec 12.1). 

Nunca é tarde para se começar um novo propósito com Deus, pois se não, Ele um dia nos pedirá contas do que passou: “O que é já foi, e o que há de ser também já foi; Deus fará renovar-se o que se passou” (Ec 3.15).

a) Desperdiçando o tempo — E lamentável como a maioria das pessoas desperdiça o seu tempo empregando-o mal. O desperdício não faz parte do plano de Deus para as nossas vidas, mas sim a sabedoria e o bom aproveitamento dele (Ci 4.5). Quem desperdiça o tempo, prejudica-se a si mesmo e aos demais à sua volta. Bem-aventurado o que usa seu tempo nas coisas do Senhor (Sl 1.1,2).

b) O perigo das futilidades — Quantas vezes perdemos tempo em conversas fúteis. Paulo chama nossa atenção para o perigo das futilidades (2 Tm 2.16; Tt 3.9), ele ainda diz que tais “conversas” corrompem os “bons costumes” (1 Co 15.33). O crente deve ocupar-se nas coisas do Senhor e proferir palavras que venham “promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef 4.29).

c) Desprezando o dia do Senhor— Diante da realidade que o tempo não é nosso, devemos atentar para um dia especial, o “domingo”, que é o “Dia do Senhor” (Mc 16.9). Este dia não nos pertence, é o dia de estarmos na Casa de Deus (At 20.7) para “contemplar a formosura do Senhor e aprender no seu templo” (Sl 27.4). Ao usarmos o domingo para nosso deleite estamos desprezando o “dia do Senhor” e seremos cobrados por nossa má mordomia: “Então, mandando-o chamar, lhe disse: Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela” (Lc 16.2).

CONCLUSÃO

A mordomia do tempo nos leva a compreender que as horas mais bem empregadas são aquelas que gastamos em favor de outrem. Cada minuto usado em socorrer um necessitado, em apontar o caminho da vida eterna ao desanimado, em levantar alguém caído, é um tempo aprazível diante de Deus. Enquanto alguns dizem: tempo é dinheiro, para o salvo tempo é uma dádiva divina que deve ser aproveitado para nossa edificação espiritual e, conseqüentemente, para divulgação do reino dos céus.

Lições Bíblicas Betel 4º. Trimestre 2002