22 de maio de 2020

EDIFICADOS SOBRE O FUNDAMENTO DOS APÓSTOLOS E DOS PROFETAS



  EDIFICADOS SOBRE O FUNDAMENTO DOS APÓSTOLOS E DOS PROFETAS

TEXTO AUREO


edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;
Efésios 2.20
edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas.
O que devemos entender neste versículo é que, a “igreja” somente poderá ser genuína se for alicerçada na revelação infalível, transmitida por Cristo aos primeiros apóstolos.
Os apóstolos do NT foram os mensageiros originais, testemunhas e representantes autorizados do Senhor crucificado e ressurreto, foram as pedras fundamentais da “igreja” e sua mensagem encontra-se nos escritos do NT, como o testemunho original e fundamental do Evangelho de Cristo válido para todas as épocas.
Todos os crentes e igrejas locais dependem das palavras, da mensagem e da fé dos primeiros apóstolos conforme estão registradas historicamente em Atos e nos seus escritos. A autoridade dos apóstolos é conservada no NT. As gerações posteriores da “igreja” tem o dever de obedecer a revelação apostólica e dar testemunho de sua verdade.
Rejeitar os ensinos dos apóstolos é rejeitar o próprio Cristo (João 16.13-15; 1 Coríntios 14.36-38; Gálatas 1.9-11).
É interessante notar que o livro de Atos, que conta a história da “igreja” não termina com uma saudação, nem com o sentido de “fim da história”, NÃO. O livro de Atos (o livro da “história da igreja”) continua sendo contado, e hoje, nós somos os personagens principais. Nosso dever é continuar pregando a palavra de Deus, fazendo a Obra do Senhor até a volta do Rei.
Os profetas de Deus anunciaram ao longo da história tudo o que Deus e o seu Cristo fariam (Amós 3.7). Contudo, Efésios 2.20 está falando dos apóstolos e profetas do NT porque o texto não faz referência aos profetas do AT, pois estes nada sabiam acerca da “igreja”.
Tudo o que os apóstolos e profetas testemunharam e ensinaram é fiel ao que Cristo ensinou e praticou.
De que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;

O termo “pedra principal” é derivado de Isaías 28.16. De acordo com os métodos antigos de edificação, a pedra principal ou pedra angular, tinha importância especial como pedra usada pelo arquiteto-edificador para determinar o ângulo ou inclinação de todo o edifício. Assim também Jesus Cristo é o padrão pelo qual a vida e o crescimento de sua igreja são moldados por Deus.


1- Um Edifício Espiritual

1.     O santuário judeu.
O templo em Jerusalém era o símbolo do exclusivismo de Israel como povo de Deus (1 Reis 8.16-20). O fato de os não judeus não poderem acessar o templo era sinal de inimizade entre judeus e não judeus (Efésios 2.14), pois na visão dos judeus de um modo geral, Deus só tinha propósitos com Israel e os não israelitas (gentios) eram vistos com desprezo por estarem fora do pacto de Israel com Deus.
E na visão dos não judeus (gentios) os israelitas eram popularmente vistos como sendo um povo presunçoso.
Esse Templo foi idealizado pelo rei Davi e construído pelo seu filho e sucessor, o rei Salomão (1 Cr 17.1-12). Salomão empenhou-se na construção do Templo do quarto ao décimo primeiro ano do seu reinado (1 Reis 6.37-38).
Em 1 Reis 8.13 Salomão disse a respeito do Templo, que edificou uma casa para morada de Deus.
Podemos entender que o fato de Deus habitar no templo não significava que Ele não habitava em nenhum outro lugar, pois Deus está em todos os lugares (1 Reis 8.27), o significado das palavras de Salomão (1 Reis 8.13), é que a presença e o poder de Deus se manifestariam de modo especial no Templo. Da mesma maneira a presença de Cristo no meio de seu povo manifesta-se de modo especial quando os fiéis se reúnem em seu nome (Mateus 18.20).
Ao reconciliar ambos os povos (judeus e gentios), Cristo aboliu as leis cerimoniais, desfez a inimizade entre eles e formou uma nova humanidade
– a Igreja (Efésios 2.18,19). Assim, o templo judaico perde sua relevância e um novo conceito de santuário é apresentado.

2.     O santuário Cristão.
Os que pertencem a Cristo são comparados a um edifício onde Deus habita em Espírito (Efésios 2.22). A frase “sois edificados para morada de Deus”, em alusão aos crentes em Cristo, indica um lugar de habitação de caráter inteiramente espiritual, e não físico. O ensino lembra a Salomão quando reconheceu, no dia da inauguração, que o Templo edificado por ele em Jerusalém não poderia conter a Deus: “Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado” (1 Reis 8.27).


Através da obra redentora de Cristo os crentes judeus e não judeus tornaram-se um templo onde Deus habita.

Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?
1 Coríntios 3.16


O crente precisa ter em mente que, como um templo de Deus, ele precisa agir como tal, o “templo de Deus” não pode ser profanado em hipótese alguma. Existem muitos indivíduos que se dizem cristãos que proferem palavrões, riem de piadas sujas, falam coisas que não devem. Aos olhos de Deus, tais indivíduos não são templos de Deus, apenas pensam que são.
A Palavra de Deus nos adverte, mostrando como devemos agir para que possamos realmente ser reconhecidos por Deus como sendo templos de Deus (Hebreus 12.14;1 Pedro 1.15,16).

3.     A pedra angular.
4.     Cristo, a pedra principal
Vamos analisar os subtópicos 3 e 4 juntos para facilitar a nossa compreensão.
A pedra angular era a pedra fundamental utilizada nas antigas construções, caracterizada por ser a primeira a ser assentada na esquina do edifício, formando um ângulo reto entre duas paredes. A partir da pedra angular, eram definidas as colocações das outras pedras, alinhando toda a construção.

Vejamos a imagem abaixo para compreender melhor o sentido de “pedra angular” que os povos dos tempos da “igreja primitiva” tinham:

 


No desenho acima a pedra (maior) é a “pedra angular.
No NT Cristo é a pedra angular (principal) da vida do crente. É impossível um indivíduo ser considerado templo de Deus se Cristo não for pedra angular, pedra principal, ou seja, a base da vida do indivíduo.

2- O Fundamento: Apóstolos e Profetas.

1.     O conceito de apóstolos.

O título “apóstolo” se aplica a certos líderes cristãos do NT. O verbo grego “Apostello” significa enviar alguém em missão especial como mensageiro e representante pessoal de quem o envia. O título (de apóstolo) é usado para Cristo (Hebreus 3.1), os doze discípulos escolhidos por Jesus (Mateus 10.2), o apóstolo Paulo (Romanos 1.1;2 Coríntios 1.1; Gálatas 1.1), e
outros (Atos 14.4,14; Romanos 16.7; Gálatas 1.19, 2.8,9; 1 Tessalonicenses
2.6,7).

O título de “apóstolo” é usado no NT em sentido geral ( ou seja, no sentido de mensageiro, representante) e no sentido especial ( ou seja, em referência aqueles que foram pessoalmente comissionados por Cristo para pregar o Evangelho e estabelecer a “igreja”, isto é, os doze discípulos e Paulo). Os apóstolos originais não tem sucessores.


2.     A doutrina dos apóstolos.

Tenha em mente que, o que constitui o fundamento da “igreja” não são os apóstolos em si, mas sim a doutrina que eles ensinavam, ou seja, as Escrituras (Atos 2.42; 2 Timóteo 3.16). Os apóstolos foram chamados, ensinados e autorizados pelo próprio Cristo, para ensinar sobre Cristo, representando o próprio Cristo.

Cristo é o fundamento da “igreja” , ou seja, seus ensinamentos são a “base da igreja”, seus apóstolos (no sentido especial da palavra) são as autoridades máximas outorgadas por Cristo para ensinar sobre Cristo. Por isso o evangelista Lucas escreveu que a Igreja perseverava na doutrina dos apóstolos (Atos 2.42). A expressão indica que davam atenção constante ao ensino dos apóstolos.
E, assim como não se pode mexer na pedra angular depois de colocado o alicerce, o fundamento da Igreja também não pode ser violado. Cristo deixou isso bem esclarecido ao asseverar Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar (Lucas 21.33).

3.     O testemunho dos profetas.
Profeta é o porta-voz de Deus cujo teor da mensagem é de admoestação (advertência, repreensão) ou predição (afirmar o que vai acontecer no futuro). Profeta também pode ser definido como “aquele em cuja boca Deus colocou as suas Palavras. No VT todas as vezes que o povo buscou outros deuses, fez o que é mau aos olhos de Deus, Deus enviou profetas para corrigi-los. Mas no NT nunca houve profeta para repreender a mensagem dos apóstolos, pois a mensagem dos apóstolos é a mensagem de Deus e do seu Cristo.
Em Atos 15.22-35 vemos que os apóstolos estavam em plena comunhão com a “igreja” em entre eles haviam profetas, dentre eles Judas e Silas (Atos 15.32), exortavam (animavam) os irmãos com muitas palavras e os fortaleceram.
Vemos que profetas de Deus estavam entre os irmãos e os apóstolos, um sinal claro de que o testemunho dos profetas do NT também fazem parte da “base da igreja”. Veja também Atos 11.28; 21;9-11.

3- Edificados para Morada de Deus


1.     Edifício bem ajustado.

 no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor,
Efésios 2.21


A expressão “todo o edifício, bem ajustado cresce” indica um processo contínuo de desenvolvimento dos crentes. O crescimento da “igreja” depende de tudo ser bem ajustado em Cristo.

A “igreja” bem firmada e ajustada em Cristo tem 5 bençãos
imprescindíveis.
1-      Unicidade. Mateus 16.18,19
2-      Universalidade. Mateus 28.19, João 10.16
3-      Santidade. 1 Coríntios 6.17

4-      Unidade. Gálatas 3.28
5-      Apostolicidade. Efésios 2.20
Todo crente bem firmado na Palavra, bem ajustado, torna-se templo do Senhor (1 Coríntios 6.19,20; Efésios 2.21).


2.     Templo santo no Senhor.

A analogia que Paulo faz em Efésios 2.21 a respeito de templo santo no Senhor não se refere a uma estrutura material, mas sim ao crente que se tornou templo santo (1 Coríntios 3.16).

Conforme já vimos, o templo de Jerusalém era um edifício exclusivamente judaico, no qual todos os gentios eram proibidos de entrar. Agora, porém, não apenas lhes é permitido a entrada como eles mesmos são partes integrantes do templo de Deus, por assim dizer. E visto que uma das funções da pedra angular era ligar duas paredes, é possível que Paulo esteja empregando esta linguagem figurada para proclamar Cristo como a chave de ligação entre judeus e gentios.
Qual é o propósito do novo templo? Em princípio, é o mesmo que o do velho, ou seja: ser a habitação de Deus (Efésios 2.22).


3.     Morada do Altíssimo.

no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito.
Efésios 2.22
A expressão “morada de Deus” ou “morada do Altíssimo” no AT fazia alusão ao tabernáculo e depois ao templo de Israel. A expressão indicava o “lugar de habitação de Deus” e também era local de culto e adoração ao Senhor.
Na nova aliança, porém, este conceito de morada de Deus mudou, Cristo ao vir a terra tornou obsoleto o tabernáculo, templos feitos por mãos humanas. Ele mesmo (Jesus) tornou-se um lugar de habitação divina entre os homens, uma verdade que é expressa especialmente em João 1.14 e 2.19,21. E este templo já não está mais entre os homens, e agora Deus procura para sua habitação as vidas de homens que o permitiram entrar por seu Espírito.

O crente, por meio da obra de Cristo, tornou-se templo santo no Senhor (Efésios 2.21b). Isso indica que Deus habita em nós por meio do seu Espírito (Efésios 2.22). Essa afirmação ratifica que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens (Atos 17.24). Ele reside dentro de cada cristão individualmente e também no corpo inteiro de crentes, que é a Igreja formada de judeus e gentios (João 14.23; 1 Coríntios 3.16).


Conclusão
A comparação da Igreja como edifício em construção indica que estamos
em processo de aperfeiçoamento até que todos cheguemos à unidade da fé
(Efésios 4.12,13). A pedra angular, que é o próprio Cristo, não pode ser substituída. A doutrina dos apóstolos e o testemunho dos profetas não podem ser revogados.


Referências

Enciclopédia Bíblica R. N. Champlin,
Bíblia de Estudo Pentecostal,
Pequena Enciclopédia Bíblica Orlando Boyer,
Livro de apoio do 2º trimestre de 2020, E-book Subsídios EBD – A Igreja Eleita, A mensagem de Efésios – John Stott,
Bíblia para Pregadores e Líderes – Geziel Gomes,
Apontamentos teológicos Professor José Junior.


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Mateus 10.8b



11 de maio de 2020

CRISTO É A NOSSA RECONCILIAÇÃO COM DEUS


CRISTO É A NOSSA RECONCILIAÇÃO COM DEUS

Texto Áureo

 14. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio,
Efésios 2.14

As palavras “ele é a nossa paz” formam um paralelo com Colossenses 1.20(e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus.), aprendemos que a paz vem através da “obra redentora de Cristo”, através de sua obra redentora Cristo reconciliou todas as coisas consigo mesmo, tanto nos céus como sobre a terra.

As palavras de ambos os povos fez um significa que “harmonia e união” foram conferidas a judeus e gentios que ficaram assim unidos dentro da “igreja cristã”, ficando assim eliminadas as muitas barreiras e preconceitos inerentes ao sistema judaico.

1-     Cristo Desfez a Inimizade Entre os Homens
2-      
1.                 A parede de separação entre os homens.

A “parede da separaçãoé uma referência ao templo físico de Jerusalém que em suas próprias estruturas servia de demonstração da “desunião espiritual” entre judeus e gentios (não judeus).
Pode ser, mais precisamente, uma alusão à divisória que havia na área do templo de Jerusalém e demarcava o limite da distância permitida aos gentios. Paulo usa esse muro como ilustração da separação religiosa que existia entre judeus e gentios.

2.                 A derrubada da parede da separação.

Paulo declara que através da obra redentora de Cristo foi derrubada esta “parede de separação”. O templo de Jerusalém era cercado por uma grande muralha, mas havia um muro mais interior, que separava o pátio dos gentios do recinto mais íntimo (ou santuário). Os judeus podiam entrar no santuário, mas os gentios não.

Além disso, na parte mais interior do santuário, ou santo dos santos, somente o sumo sacerdote podia penetrar, e isso apenas uma vez por ano. Nota-se que vários níveis de exclusivismo estavam incorporados dentro da própria estrutura física do templo de Jerusalém. Mas Paulo parece fazer (especificamente) uma alusão ao muro que separava o átrio (ou pátio) dos gentios do santuário do templo.
  

Vejamos a imagem abaixo com o objetivo de facilitar a nossa compreensão:






A imagem acima é meramente ilustrativa, com o objetivo de facilitar a nossa compreensão, note que havia, depois do primeiro muro, o pátio (ou átrio) que os gentios podiam pisar, e depois havia um outro muro, onde os gentios não podiam pisar. 

Segundo Flávio Josefo havia inscrições bilíngues (em grego e latim) colocadas em intervalos regulares no muro interior avisando aos gentios (não judeus) que eles não podiam entrar para dentro do muro menor (isto é, o muro do santuário do templo).

Jesus através de sua obra redentora, derrubou os muros físicos e espirituais que separavam os judeus e os gentios diante de Deus.

3. O conceito da lei dos mandamentos.

A compreensão desse conceito repousa na visão tripartida da lei mosaica:a moral, a cerimonial e a civil, que na verdade são três esferas da mesma lei.

O fato de os judeus guardarem a lei mosaica e tudo o que a engloba, fazia com que os gentios (não judeus) fossem vistos pelos judeus com “olhos de desprezo”. 

Observemos as três partes da Lei Mosaica. 

A Lei moral, cerimonial e civil, são três partes de uma mesma lei, a Lei Mosaica.

(1) As leis civil ou judicial e cerimonial dizem respeito ao israelita como cidadão. Tais leis não devem ser consideradas como extensões ou aplicações dos Dez Mandamentos; “essas leis específicas foram outorgadas principalmente à nação de Israel da Antiguidade, e a sua aplicação à vida cristã atual deve ser governada pelos princípios básicos estabelecidos no Novo Testamento”.

(2) Lei Moral (Êxodo 20.1-17) - exceto o rito da guarda do sábado (Colossenses 1.16,17), permanece em vigor como padrão de conduta, mas não como meio de salvação, pois a salvação não vem pelas obras (Efésios 2.8,9). 

Ninguém pode ser salvo apenas obedecendo aos Dez Mandamentos (Atos 13.39; Romanos 3.20, Gálatas 2.16), entretanto, esses mandamentos ainda estão válidos por que levam o cristão a descobrir a natureza e o poder do pecado. Essa verdade é ensinada por Paulo (Romanos 3.20; 5.20; 7.7; Gálatas 3.19). 

A abordagem da lei moral ainda válida para o cristão de nossos dias é magnificamente descrita no salmo 119.97.

4. A revogação da lei dos mandamentos.

Por meio de sua morte, Cristo aboliu a inimizade (isto é a desunião entre judeus e não judeus), a lei dos mandamentos, as festas e os sacrifícios cerimoniais do Antigo Testamento, que separavam, especificamente, os judeus dos gentios (Colossenses 2.11,16,17).
Veja:
15na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,
Efésios 2.15

A lei moral de Deus (conforme resumida nos Dez Mandamentos é escrita no coração de todos os homens, Romanos 2.15) não foi abolida, mas incluída na nova aliança, porque ela reflete a sua própria natureza santa (Mateus 5.17-19).

2       – Pela Paz Cristo fez um Novo Homem


1. O conceito Bíblico de paz.

O conceito Bíblico de paz não é o mesmo conceito humano de Paz.
O conceito humano de paz é não ter inimizades, ter dinheiro guardado, não ter dores de cabeça nem no sentido físico e nem no sentido metafórico, ter descanso. Em resumo, este é o conceito humano de paz.

Mas é perfeitamente possível ter a “paz no conceito humano de ver as coisas” e não ter a paz no “conceito Bíblico”.

Paz, no conceito bíblico é: Estar na direção de Deus, andar como Deus requer que andemos, isto faz com que desfrutemos do verdadeiro descanso.

Paz no conceito Bíblico é o ser humano saber que está agradando a Deus, só assim o ser humano desfruta do verdadeiro descanso.

2. Cristo é o motivo da nossa paz.

Cristo é o motivo de nossa paz. É impossível uma vida sem Cristo estar em paz consigo mesma e com os homens. Cristo sempre cuidou para que a paz estivesse no meio dos seus.
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.
João 14.27

O próprio Cristo nos ensinou que a sua paz (o verdadeiro descanso) não é igual a paz secular, isto é, a paz de Cristo é diferente da paz do mundo (sem Cristo), porque não há verdadeira paz longe de Cristo. Inúmeras pessoas têm fama, riqueza, reconhecimento humano, mas no fundo há um vazio em suas almas, pois a verdadeira paz só existe em Cristo. Ele é o príncipe da paz (Isaías 9.6).

3. A nova humanidade formada pela paz.

É interessante notar que desde os primórdios da humanidade (desde a queda do homem) houveram várias tentativas humanas de alcançar Deus (ou deuses) e várias tentativas de promover a paz entre os homens, mas, todas estas tentativas falharam. E toda e qualquer tentativa humana de promover a paz continuará falhando, apenas Cristo através de sua obra redentora promove a paz entre todos aqueles que o recebem como Senhor e salvador. Não há divisão no reino de Deus, não pode haver divisão no meio da “igreja” de Cristo.

Cristo uniu os povos que outrora se hostilizavam, para criar “em si mesmo,dos dois povos, um novo homem, fazendo a paz”(Efésios 2.15c). Essa unidade não foi o resultado de algum acordo firmado entre os homens.Ela foi realizada “em si mesmo”, ou seja, o único modo possível era “em Cristo” e “por meio de Cristo”. A partir desse ato surge uma nova humanidade: a Igreja, “onde não há circuncisão e nem incircuncisão”(Colossenses 3.11).

Cristo através de sua obra redentora, trouxe a paz entre judeus e gentios (ou seja, os não judeus), a desunião entre judeus e gentios era tão séria que se um rapaz judeu se casasse com uma moça gentia ou uma moça judia se casasse com um rapaz não judeu, era realizado o “enterro simbólico” da moça ou do rapaz judeu.

A barreira social entre judeus e gentios, por assim dizer, era tão grande que, nota-se a dificuldade que os judeus tiveram em ouvir Jesus falar sobre a parábola do bom samaritano (Lucas 10.25-37), o samaritano da parábola era considerado um gentio, na interpretação dos judeus.

Mas Cristo, por meio de sua obra redentora, trouxe a paz, derrubando as várias barreiras sociais e espirituais, formando um só povo para Deus.

26. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus;
27. porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo.
28. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.
29. E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa.
Gálatas 3.26-29

3-     Pela Cruz, Reconciliados com Deus Num Corpo

1. Cristo se fez maldição por nós.

Ser condenado à morte de cruz era um sinal de maldição e de profunda humilhação (Hebreus 12.2). Foi a partir da época das guerras púnicas (guerra entre Roma e Cartago em cerca de 240 a 140 a.C.) que os romanos passaram a empregar a crucificação como punição aos rebeldes, aos escravos e aos criminosos da parte mais baixa. A crucificação era a morte por tortura, o objetivo da crucificação não era apenas matar, mas matar torturando, com extrema crueldade, o açoite fazia parte da crucificação. Os cidadãos romanos não eram em hipótese alguma, condenados a crucificação, mesmo se cometessem atos dignos de crucificação, mas qualquer homem não romano, seria crucificado se seus atos fossem considerados dignos de crucificação. Apesar de tanto sofrimento, Cristo suportou a afronta, levou a nossa culpa, entregou seu corpo para a crucificação e se fez maldição em nosso lugar (Gálatas 3.13).

2. Reconciliados pela cruz de Cristo.

Foi o sacrifício vicário de Cristo na cruze sua consequente vitória sobre a morte que possibilitaram nossa reconciliação com Deus e com os homens (Colossenses 1.20).
Cristo, através de sua obra redentora, fez pela humanidade aquilo que a humanidade não poderia fazer por si mesma. 

Nós podemos estender as mãos para Deus e nos reconciliarmos com Ele, ter paz com Ele, porque Ele, através da obra redentora de Cristo, nos estendeu a mão primeiro. Nós, reconciliados com Deus pela “cruz de Cristo”, recebemos de Deus Graça e Misericórdia constantemente.

Podemos dizer que, Graça é quando Deus nos dá coisas boas que não merecemos, e Misericórdia é quando Deus nos poupa de coisas ruins que nós merecemos. Realmente nunca conseguiremos retribuir o que Deus e o seu Cristo fizeram e fazem por nós constantemente.

3. Reconciliados na cruz em um corpo.

O apóstolo Paulo reforça que o propósito de Cristo foi o de “reconciliar ambos (judeus e gentios) com Deus em um corpo” (Efésios 2.16b).

Cristo derrubou com seu corpo glorificado a barreira que antes separava os judeus dos gentios. De membros dispersos fez “um corpo”, de estrangeiros e nativos fez uma cidade e família, de pedras heterogêneas (desiguais) fez um “edifício”. Realizou a grande pacificação: dos homens com Deus, abrindo-lhes “acesso ao Pai”,dos homens entre si, “criando uma nova humanidade (Salmo 133).

Cristo através de sua obra, destrói a barreira interior, que era a hostilidade, por assim dizer, e a barreira exterior, que era a lei, por assim dizer. 

Conclusão:

Em obediência ao plano divino, Cristo cumpriu as demandas da lei na cruz. Em seu sacrifício derrubou as barreiras e aboliu as ordenanças cerimoniais que serviam de divisão. Por meio da paz conquistada no madeiro desfez a inimizade, criou uma nova humanidade e a reconciliou com Deus. A partir dela, formou um novo povo:a Igreja, o Corpo de Cristo.

Por – Prof. Jose Junior

Referências

Enciclopédia Bíblica R. N. Champlin,
Livro de Apoio 2º Trimestre de 2020 – Adultos,
A mensagem de Efésios- John Stott,
Comentário Bíblico Efésios- Elienai Cabral,
Bíblia do Peregrino NT,
E-book Subsídios EBD- A Igreja Eleita,
Apontamentos teológicos professor José Junior

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