22 de dezembro de 2010

Se o Meu Povo Orar.

Se o Meu Povo Orar.


Texto Áureo: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14).


Verdade Prática: A oração de confissão, acompanhada de temor e humildade, exalta a bondade e a benignidade do Senhor.


Introdução


Finalizando este abençoado trimestre, já no fim deste ano de 2010, temos a oportunidade de estudar, de forma detalhada, a passagem que se encontra no livro de 2 Crônicas, capítulo 7 e versículo 14, acerca da forma correta e sensata de buscarmos a Deus. Este versículo, que embasa a lição ora estudada, nos traz uma relação de causa e consequência, a saber: aquele que orar, humilhando-se e buscando a presença de Deus, convertendo-se dos seus maus caminhos (em arrependimento), alcança como consequência a misericórdia de Deus, que ouve o nosso clamor, perdoa os nossos pecados e sara a nossa terra.


Este versículo nos mostra a forma que devemos entrar na Presença de Deus. Enquanto servos, temos que ter um coração humilde e quebrantado, buscar continuamente a face de Deus e endireitarmos as nossas veredas. Aproveitando o final de ano, época que costumeiramente fazemos um balanço de nossas vidas, devemos observar de que forma estamos buscando ao nosso Deus. Desejamos ver sua face continuamente? Ainda temos um coração humilde? Os nossos caminhos são retos aos olhos de Deus?


Tais questionamentos são fundamentais, porque se ligam diretamente com a eficácia da oração. Se o Senhor impõe estes antecedentes para ouvir nosso clamor e nos estender a Sua misericórdia, por óbvio que se estivermos em falta, nossas orações não terão a eficácia que delas se espera.

Neste estudo, abordar-se-á os principais pontos do versículo transcrito no texto áureo, essenciais ao nosso Ministério de Oração.


Buscar Deus com humildade


Segundo a “Pequena Enciclopédia Bíblica”, de Orlando Boyer, humildade é a “virtude com que manifestamos o sentimento da nossa fraqueza ou de nosso pouco ou nenhum mérito”. Já o Novo Dicionário Aurélio aponta o verbete humildade com sendo “virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza”. Ambos os conceitos, um de natureza bíblica e outro de natureza secular, nos dão a principal natureza da condição de humildade: o reconhecimento da nossa fraqueza.


O crente deve ter um coração humilde como pressuposto da sua condição falha, das suas fraquezas. É um sinal de dependência plena do poder e da força do nosso Deus, em contraposição à autossuficiência reinante no mundo moderno, em que os homens creditam todos os seus êxitos às suas próprias virtudes, julgando-se independentes do poderio de Deus.


Na epístola do apóstolo Tiago, capítulo 4 e versículo 6, está escrito: “Antes, dá maior graça. Portanto, diz: Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes”. De forma semelhante, Pedro, em sua primeira epístola, capítulo 5 e versículo 5, aborda a necessidade de humildade: “Semelhantemente, vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”.


A Bíblia é bastante clara em abordar a resistência de Deus aos soberbos. E se há um sentimento negativo que contamina nossos tempos presentes é a soberba, a falta de humildade, nos corações dos homens. Enquanto o homem depositar a sua confiança somente em suas qualidades pessoais, nas suas relações interpessoais, no seu poder aquisitivo, não haverá espaço para humildade em seu coração, e, consequentemente, não haverá espaço para o agir pleno de Deus em sua vida.


Em Miquéias 6.8, temos a desejo do Nosso Deus consoante à nossa conduta: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com teu Deus?”.

Nosso Senhor requer de nós um coração humilde ante à Sua presença, e mesmo nas nossas relações com nossos irmãos. Muitas porfias poderiam ser evitadas se houvesse mais humildade em nossos corações, em saber ceder no momento certo, em saber que nosso irmão possui falhas assim como nós também possuímos, entre outras coisas. Busquemos a humildade como forma de melhorar nossa relação com Deus e com as outras pessoas.


Conversão e Arrependimento


O primeiro passo para uma relação verdadeira e sincera relação com Deus é o arrependimento, seguido da conversão, que é a mudança de vida (endireitamento de veredas), daquele que abandona o pecado para seguir os preceitos de Deus.

Norman Geisler, em sua “Teologia Sistemática”, citando obra de Jack Cottrell, aponta que: “Especificamente falando, o arrependimento é uma mudança de mente ou atitude com relação ao pecado, particularmente com respeito ao nosso próprio pecado. Ele inclui o remorso. Ele inclui um desejo sincero de se livrar do pecado (o rei Davi expressou esse sentimento no salmo 51), bem como uma determinação de abandonar o pecado e caminhar com Deus”.


O arrependimento é condição necessária não somente à eficácia das nossas orações, mas, em último plano, condiciona a nossa própria salvação. Sem arrependimento, não há conversão, não há mudança de vida, não há abandono do pecado e, por consequência, não há salvação, segundo à palavra de Deus.


Assim, expõe ainda Norman Geisler, acerca das razões pela qual o arrependimento é necessário à salvação: “Antes de tudo, a própria natureza da salvação o requer. A salvação é salvação do pecado, e não podemos ser salvos do nosso pecado enquanto ainda estivermos com o nosso coração agarrado a ele [...]. Em segundo lugar, a própria natureza da fé salvífica requer que ela seja acompanhada pelo arrependimento [...]. A questão é que não podemos aceitar sinceramente o que Jesus fez por nós na cruz sem odiar o pecado que o colocou lá.

O arrependimento e a conversão fazem com que o crente deixe seus maus caminhos, endireite suas veredas, deixando uma vida de pecados e autodestruição para trás, fazendo dos seus caminhos uma nova história (2 Co 5.17).


O senso popular muitas vezes aborda o chavão de que “todos são filhos de Deus”, ou, como a conhecida música de uma apresentadora infantil, extremamente desrespeitosa diga-se de passagem, “tudo o que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar”. Em verdade, à luz da palavra de Deus, nossas orações, petições e súplicas diante de Deus, assim como nossa própria comunhão com Ele, estão condicionadas ao arrependimento dos pecados e a conversão de vida. Nosso Deus é santo (Êx 15.11), e abomina o pecado em todas as suas formas. Nós, portanto, devemos buscar a Deus com o coração sempre arrependido e disposto a pedir perdão pelos nossos erros.

Alguns, erroneamente, julgam que por serem membros de determinada igreja, não precisam mais de um coração arrependido diante de Deus. Esta concepção é falsa, pois a natureza humana nos leva, diuturnamente, a pecarmos, seja em ações, palavras ou mesmo em pensamentos. Devemos ter aversão ao pecado, e sabermos identificá-lo quando o cometemos, para buscarmos a Deus com um coração arrependido.


As respostas de Deus como consequência da humilhação e do arrependimento, aliados à uma busca contínua do Senhor


Para que o Senhor nos ouça no dia da angústia (Sl 20.1), para que o Senhor nos responda antes mesmo de clamarmos (Is 65.24), para que nosso Senhor nos dê a resposta de auxílio em momentos cruciais de nossa vida (Gn 41.16), para que o Senhor nos dê a resposta certa da nossa língua (Pv 16.1), é necessário que o busquemos continuamente, em humildade e arrependimento.


Ressaltando uma das mensagens principais do presente trimestre dominical, a oração na vida do servo de Deus não deve ser um ato isolado, componente de um mero rito ou liturgia religiosa. A oração deve ser um ministério, de comunhão e busca contínua de Deus, por reconhecermos nossa dependência do seu poder.

Em 2 Cr 7.14, quando o Senhor fala acerca dos seus servos buscarem a Sua face, devemos entender não somente uma busca isolada, em determinados momentos, segundo a nossa vontade. Ora, se assim o fizéssemos, estaríamos fazendo como muitos hoje fazem, em tratar a sua relação com Deus como uma relação utilitarista, isto é, não servindo a Deus pela sua misericórdia, amor e justiça, mas simplesmente para adquirir aquilo que almeja.


A busca contínua da face de Deus torna a oração um instrumento de comunhão, e não somente uma lista utilitária de pedidos. A oração é um canal de comunição recíproco, em que os servos de Deus podem a ele direcionar sua adoração e suas súplicas, e ouvir do Senhor aquilo que necessitam, ou o que o Senhor deseja que ouçamos.

Buscar continuamente o nosso Deus, com um coração humilde e arrependido, faz com que as nossas orações sejam ouvidas e respondidas. Então o Senhor (2 Cr 7.14) ouvirá dos céus nossas súplicas, perdoará nossos pecados e sarará nossa terra.


Conclusão


Neste ano que se finda, que possamos, em atenção a este trimestre abençoado, reforçar nosso propósito de oração a Deus, fazendo da oração um Ministério em nossas vidas, para que sejamos servos da mais íntima comunhão com nosso Deus. Que Deus abençoe os amados leitores, e lhes dê um próspero natal e ano novo, repleto de bênçãos.


Elaboração por:- Joseph Bruno

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

15 de dezembro de 2010

Quando o Crente não Ora.

Quando o Crente não Ora.


Texto áureo: “Então, aqueles homens israelitas tomaram sua provisão e não pediram conselho à boca do Senhor”. (Js 9:14)


Verdade Prática: “A falta de oração na vida dos crentes leva-os a decisões precipitadas”.

Introdução


Em meio à vida agitada, muitas vezes não oramos o suficiente. Ou, então, oramos apenas pelas questões mais urgentes. Todavia, muitos são aqueles que não encontram tempo algum para estar na presença do Senhor. Umas das primeiras características que demonstram o esfriamento na fé é o distanciamento do crente da oração diária, contínua e determinada. Deixar de reservar um tempo para nos aproximarmos verdadeiramente de Deus, conhecê-lo melhor e compartilhar com ele os anseios mais profundos de nosso coração, nos leva a errar o alvo e ao fracasso espitirual.

I. Quando o homem ora, mas não obedece.

O exemplo de Jonas deixa claro que a obediência à vontade de Deus é fundamental para a vida daquele que serve ao Senhor. Se nos posicionarmos sob a liderança de Cristo e aprendermos o que ele requer de nós, o fluir do Espírito Santo nos levará para onde precisamos ir. A prova da nossa sinceridade a Deus é fazer a Sua vontade. Nós nos complicamos quando achamos que sabemos o que fazer e paramos de perguntar a Deus se estamos, de fato, fazendo aquilo que deveríamos segundo a Sua vontade.

Muitas pessoas só buscam a Deus quando já estão “no fundo do poço”. Tomam decisões erradas, levados por sua própria vontade e depois, à semelhança de Jonas no ventre do grande peixe, resolvem buscar a misericórdia de Deus. Em verdade, se procurassem seguir a vontade de Deus, poderiam evitar grandes sofrimentos.

A cada passo de obediência à vontade de Deus, experimentamos novas bênçãos para nossas vidas. Nossas orações são ouvidas quando decidimos obedecer a vontade de Deus para nossas vidas. “Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá. Mas, na verdade, o Senhor me ouviu; atendeu à voz da minha oração” (Sl 66. 18-19).

II. Deixando de buscar a direção de Deus

A vontade de Deus é um lugar de segurança. Quando andamos na direção de Deus, encontramos segurança. Quando vivemos fora da direção de Deus, perdemos sua proteção.

Devemos pedir a Deus com frequência que nos mostre qual é a sua vontade e nos guie dentro dela. “Quando te desviardes para a direita e quando te desviares para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: “Este é o caminho, andai por ele” (Is 30:21).

Os exemplos de Josué, Davi e Sara servem para nos orientar a sempre buscarmos orientação divina nas questões de nossas vidas. Seguir a vontade de Deus não significa que jamais teremos problemas, os problemas são parte da vida. Viver na direção de Deus é ter realização e paz em meio aos problemas. Há uma grande segurança em saber que estamos andando na vontade de Deus e fazendo o que ele quer que façamos. Quando estamos na direção de Deus lidamos melhor com o que a vida nos traz.

III. Buscando conselhos em outro lugar.

As pessoas têm, não raras vezes, corrido atrás de soluções para seus problemas erroneamente. Consultam búzios, cartas, tarô, horóscopo, numerologia e tantas outras enganações existentes por este mundo afora.

Até mesmo no meio Cristão, muitas pessoas tem recorrido a práticas antibíblicas, a fim de solucionarem seus problemas. A palavra de Deus nos diz que: “Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios”(Sl 1.1).

A falta de oração leva o crente a perder de vista o conselho do Senhor. Orar alimenta a nossa fé, pois pela oração estendemos nossa mão e tocamos Deus.

A cada dia, torna-se mais essencial buscarmos ao Senhor através da oração. Uma vida de oração faz a diferença entre o sucesso e o fracasso, a vitória e a derrota, a vida e a morte. É por isto que devemos viver constantemente em oração.

A oração nos faz chegar a um ponto em que, qualquer que seja a tribulação ou a tempestade que enfrentemos, conseguimos ficar calmos, em paz, sabendo que só o Senhor é Deus. Quando entramos na presença do Senhor, através da oração, nossa perspectiva muda. Através da oração, tiramos os olhos do problema e os fixamos no Senhor da vitória. “De todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos” (Sl. 119.10).

IV. Conclusão

A falta de oração leva o crente a uma vida espiritual superficial. Leva o Crente para a direção errada. Que Deus nos ajude a termos uma vida de oração, buscando sempre a obediência à Deus, a Sua direção e os Seus conselhos.

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Elaboração por:- Jaquesilene A. Silva Professora da Escola Bíblica Dominical

9 de dezembro de 2010

A Oração que Conduz ao Perdão

A Oração que Conduz ao Perdão


Texto áureo: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto” (Sl 51.10)


I – Introdução


Primeiramente cumprimento a todos os leitores com a Paz do Senhor. Em mais um estudo buscaremos sucintamente aprofundarmos um pouco mais a temática abordada na lição.


Em I Co 6. 12, encontramos:


“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”

Portanto, antes de iniciarmos tal estudo é necessário que fique claro que devemos sempre ter cuidado para não fazermos o que desagrada a Deus, o que não nos convêm, e mesmo que pequemos, não podemos deixar que tal pecado nos domine. Estudemos um pouco sobre o pecado.


II – Consequências do Pecado

O pecado produz das mais variadas consequências, dentre as quais citaremos algumas. Antes, porém, é necessário lembrar que existe uma forma de pecado que possui uma consequência eterna, não havendo perdão para tal ato, conforme se vê em Mc 3. 29:

“Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo”

Dito isto, vejamos agora algumas das principais consequências do pecado.


I. 1 O pecado afronta a Deus


Todas as vezes que pecamos entristecemos a Deus. Quando transgredimos a lei divina, afrontamos a Deus e a sua misericórdia. Se o pecado passa a ser rotina em nossas vidas, fazendo com que passemos a amar o mundo, perdemos o amor de Deus:

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (I Jo 2.15)


I. 2 O pecado entristece o Espírito Santo e nos Separa de Deus


Sempre que pecamos entristecemos também ao Espírito Santo, e isso faz com que nos separemos de Deus.

Nos relatos de Davi, quando pecou contra Deus, e arrependido suplicou por perdão (Sl 51) notamos essas duas consequências citadas, quando ele clama para que Deus não o lance fora de sua presença, nem retire dele o Espírito Santo ( Sl 51.11).

Em Is 59. 2 encontramos:

“Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.”


I. 3 O pecado traz tristeza e angústia


Como grande exemplo disso voltemos a Davi. Quando ele rogava pelo perdão de Deus, grande era sua tristeza e angústia. Ao lermos o Salmo 51 percebemos claramente quão grande era o desespero ao qual ele passava.

Nota-se, entretanto, que tal tristeza e angústia apenas apareceram a partir do momento em que ele reconheceu seu pecado e quando através do profeta Natã Deus mostrou que aquele pecado havia O entristecido. Atualmente é o Espírito Santo que faz o papel do profeta Natã, pois a partir do momento que temos uma verdadeira comunhão com Deus e com Seu Espírito Santo, todas as vezes que pecarmos saberemos que estamos pecando.

Dessa forma, tendo uma relação íntima com Deus, todas as vezes que pecarmos nos entristeceremos e angustiaremos, pois pelo Espírito Santo de Deus sempre saberemos de nosso pecado.

No alto de sua angústia e desespero Davi assim rogou (e nós também poderemos assim rogar):

“Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário.” (Sl 51.12)


I.4 Lei da Semeadura


Além das consequências já citadas, há ainda várias outras. Para essas todas, há o perdão de Deus que as retira. A partir do momento que somos perdoados e mudamos de atitude deixamos de afrontar a Deus, de entristecer o Espírito Santo, nos reaproximamos de Deus e deixamos de estar tristes e angustiados.

Todavia, mesmo quando perdoados, existem consequências que ocorrem em decorrência do ato praticado, sendo que o perdão de Deus muitas vezes não exclui tais consequências. É o que nos mostra a Lei da Semeadura:

7Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. 8Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna.” (Gl 6. 7-8)

Portanto, todas as vezes que pecar, mesmo sendo perdoado, os atos praticados terão suas consequências. O maior exemplo disso, mais uma vez, é o rei Davi. Quando pecou, rogou grandemente pelo perdão de Deus, e Este o perdoou. Todavia, por causa de seus atos, mesmo tendo sido perdoado, ainda sofreu por 25 anos consequências de seu pecado, vendo sua família inteira se desestruturar.


III – Reconhecimento do pecado


O pecado é algo que sempre está a nossa volta. Muitas e muitas vezes somos colocados em situações em que devemos resistir a ele, mas nem sempre conseguimos. É por isso que nós temos um redentor que nos perdoa de nossos pecados, dada a nossa natureza humana pecadora.

Para que Deus nos perdoe, porém, há alguns passos que devem ser seguidos. Não necessariamente de forma sucessiva, sendo que alguns desses passos podem ocorrer concomitantemente.

O primeiro desses passos é o reconhecimento do pecado. Devemos reconhecer que pecamos, identificar nosso pecado. Tal reconhecimento muitas das vezes é acompanhado de arrependimento e confissão, temas que posteriormente serão pormenorizados.

Em Pv 28. 13 temos:

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”

Prendendo-nos à primeira parte deste versículo vemos que, se encobrirmos nossas transgressões não prosperaremos. Por isso, reconhecer o pecado é essencial para se conseguir perdão. O mesmo versículo ainda diz que aquele que confessa e deixa o pecado alcança misericórdia. Nessa confissão (tema que será abordado mais para frente, como já dito) há implícito o reconhecimento do pecado, estágio anterior à confissão.

A Bíblia ainda nos mostra, no Evangelho segundo escreveu Lucas, em seu capítulo 12, versículo 2:

“Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido.”

Portanto, Deus sempre sabe de nosso pecado, não adiantando que tentemos disfarçá-lo. Reconhecer que pecamos é preceito necessário para o arrependimento, é a umas das formas de nos humilharmos a Deus em busca de perdão, já que independentemente de nosso reconhecimento Deus sempre saberá que pecamos.


IV – Arrependimento e contrição


Arrependimento quer dizer voltar-se ao contrário, dar uma volta completa. É quando, após reconhecermos o pecado, começamos a agir de outra maneira, em direção contrária ao pecado. Segundo a “Pequena Enciclopédia Bíblica” de Orlando Boyer, pode ser ainda um pesar sincero de algum ato ou omissão, desistência de causa feita ou empreendida, sentimento de pesar por faltas cometidas, ou por um ato praticado.

Como já anteriormente dito, reconhecer o pecado é o primeiro passo para o arrependimento. Só nos arrependemos daquilo que reconhecemos ser errado. O arrependimento é ainda um dos principais, se não o principal passo para recebermos o perdão de Deus.

Em At 3. 19:

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor”

Fica claro, por tal passagem, que o arrependimento é absolutamente necessário para que sejam apagados os nossos pecados.

O arrependimento, portanto, pelo próprio significado da palavra, não é tão somente angustiar-se por um pecado cometido, mas a partir daí começar a fugir e evitar o pecado cometido, agindo de maneira diferente. Exige uma mudança de comportamento.

A Bíblia assim nos recomenda:

“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3. 8)

Assim, o arrependimento verdadeiro, genuíno, será acompanhado pelo fruto da justiça. A partir do momento em que nos arrependemos e rogamos pelo perdão de Deus, tal arrependimento deve ser evidenciado por meio de vidas que deixam o pecado e dão frutos agradáveis a Deus.


V - Confissão dos Pecados


Após cometermos o pecado, reconhecermos que o cometemos e nos arrependermos de tê-lo cometido, devemos confessá-lo. Esta confissão deve ser feito ao pastor da igreja e, sobretudo, a Deus.

A confissão feita ao pastor é deveras importante, pois a Bíblia ensina que aqueles que cometem erros devem ser repreendidos, muitas vezes perante toda a igreja. Dependendo do erro cometido o crente é, inclusive, disciplinado, por vezes com a exclusão. Porém o presente estudo tem como foco o perdão dos nossos pecados, e este só vem de Deus. Assim, o presente tópico se prenderá à confissão que deve ser feita a Deus, através da oração.

Todos sabemos que Deus é onisciente, ou seja, que ele sabe de todas as coisas. Com isso é fácil saber que quando cometemos um pecado Deus nos viu cometendo. Assim, pergunta-se, por que é necessário confessarmos nosso pecado a Deus se ele já sabe que o cometemos?

A resposta é bastante simples: a confissão deve ser feita como uma forma de demonstrarmos a Deus o nosso real arrependimento, nos humilharmos perante Ele e clamarmos por sua misericórdia.

Em vários Salmos de Davi o vemos confessando seus pecados em oração a Deus, para que, assim, consiga o perdão Divino. Assim vemos em Salmos 32.5:

“Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri; dizia eu: Confessei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado”.

Nessa passagem Davi coloca em uma relação de causa/efeito a confissão do pecado e o perdão de Deus. Sem a confissão Deus não perdoa nossos pecados, pois é ela que demonstra a nossa vontade de termos nossos pecados perdoados e nosso arrependimento sincero.

Como já transcrito anteriormente, Provérbios 8.13 também nos ensina que o que confessa as transgressões alcança misericórdia, mas quem as encobre nunca prosperará.

Nesse mesmo sentido está escrito em 1 João 1. 8 e 9:

8Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. 9Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.

Nessas duas últimas passagens vemos a diferença entre aquele que tenta esconder seus pecados e aquele que as confessa. Logicamente nada fica encoberto a Deus, mesmo assim, como já dito, é essencial que nos humilhemos e clamemos a Deus pelo perdão.


VI - Oração


Como já mencionado, é através da oração que confessamos a Deus nossas iniquidades e pedimos a ele que nos perdoe. Pela oração podemos ter uma conversa com Deus e dizer a Ele quanto estamos arrependidos, que queremos ser perdoados e não mais queremos incorrer no mesmo erro. Se dissermos isso tudo com muita sinceridade no coração, Deus, com sua imensa misericórdia, não tardará em nos perdoar.

No Salmo 51 encontramos uma das orações mais belas da Bíblia, onde vemos Davi totalmente arrependido de seus pecados, demonstrando todo o sofrimento que está padecendo, confessando o que fez e clamando pela misericórdia de Deus. Encontramos na Bíblia de Estudo Pentecostal, um esclarecedor comentário em relação ao conteúdo do Salmo mencionado:

“Todos que pecaram gravemente e que estão opressos por sentimentos de culpa podem obter o perdão, a purificação do pecado e a restauração diante de Deus, se o buscarem conforme a natureza e a mensagem deste salmo. A súplica de Davi, por perdão e restauração, baseia-se na graça, misericórdia, benignidade e compaixão de Deus (v. 1), num coração verdadeiramente quebrantado e arrependido (v. 17) e, em sentido pleno, na morte vicária de Cristo pelos nossos pecados (1 Jo 2.1, 2)”


No Salmo 25 encontramos uma oração de Davi, onde ele faz diversas petições, entre as quais, no versículo 11, um pedido de perdão:

“Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande”.

O profeta Daniel também, em oração, confessa seus pecados e do povo de Israel (v. 4,5), e também clama a Deus que Ele os perdoe (vv. 18,19):

4 E orei ao Senhor, meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas o concerto e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos; 5 pecamos, e cometemos iniquidade, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos

(...)

18 Inclina, ó Deus meu, os teus ouvidos e ouve; abre os teus olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias. 19 Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e opera sem tardar; por amor de ti mesmo, ó Deus meu, porque a tua cidade e o teu povo se chamam pelo teu nome”.

Encontramos na oração trazida em Matheus 6.9-13, considerada por muitos como um modelo de oração para todos nós seguirmos, também um pedido de perdão no versículo 12:

“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores”.

A oração é a nossa forma de nos comunicar com Deus e é por ela que devemos elevar nosso clamor a Deus quando praticarmos alguma iniquidade. Nosso Pai, por sua imensa misericórdia, nos concede perdão e nos ajuda a nos regenerar.


VII - Perdão


“Por que o Senhor é bom, e eterna, a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração a geração” (Sl 100.5).

“Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade” (Sl 103.8).

Nosso Deus é misericordioso e somente por isso conseguimos o perdão de nossos pecados. O perdão é uma bênção que Ele nos concede, pela qual podemos alcançar a salvação.

Por sua imensa misericórdia Deus entregou seu filho Jesus para morrer na cruz e nos limpar de todo pecado. Com a morte de Jesus, também, o véu do templo foi rasgado, o que nos deu contato direto com Deus para fazermos nossas petições. Jesus veio ao mundo para que não fôssemos culpados por nossas transgressões, trazendo para si toda culpa.

A remissão de nossos pecados é essencial para mantermos nossa comunhão com Deus, para termos paz no coração. Já vimos as consequências que o pecado pode trazer para nossas vidas. Somente através do perdão é que podemos deixar de sofrer com tudo o que foi exposto.

Fazendo uma alusão ao caráter da morte de Cristo o apóstolo João chamou-o de “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Isso porque antes da vinda de Jesus, para alguém ter seus pecados perdoados teria que dar um cordeiro para ser sacrificado, sendo o sacrifício feito por um sacerdote. Jesus foi mandado ao mundo para ser um sacrifício vivo, para que por ele todos os pecados pudessem ser perdoados. Assim, como já dito, todos alcançamos a possibilidade de clamar a Deus diretamente e pedir que nos perdoe e nos ajude a abandonar o pecado.


1 Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. 2 E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelo de todo o mundo”.

Jesus é o nosso Advogado, o que quer dizer que ele fará a nossa defesa para que o Pai perdoe os nossos pecados. Isso se, como já frisado, nos arrependermos verdadeiramente e clamarmos a Ele. Quanto a Jesus ser a propiciação pelos nossos pecados, faz-se de grande valia transcrever o comentário que há na Bíblia de Estudo Pentecostal em relação a este versículo:

“Jesus como nossa ‘propiciação’ significa que Ele tomou sobre si o sacrifício dos nossos pecados e satisfez o justo juízo de Deus contra o pecado.O perdão agora é oferecido a todos, no mundo inteiro, e é recebido pelos que vêm a Cristo, com arrependimento e fé (...)”.

Em suma, o perdão de nossos pecados é dado por Deus e por Jesus, mas só o conseguimos por causa da morte vicária de Cristo, que com seu sangue derramado na cruz limpou a humanidade de toda culpa do pecado.


VIII - Restauração do Pecador

Após termos nos arrependido e confessado nosso pecado, devemos abandoná-lo, não mais cometê-lo. Recorrendo novamente a Provérbios 28.13, na parte final deste versículo há uma palavra que demonstra o nosso dever em abandonar o pecado, qual seja, “deixa”. O Rei Salomão, com sua imensa sabedoria, nos aconselha a confessarmos e deixarmos o nosso pecado, para assim alcançarmos misericórdia.

Se estamos realmente arrependidos será uma consequência natural abandonarmos o pecado cometido. Porém, se voltarmos a cometer o mesmo pecado, mesmo tendo sido sinceros no arrependimento anterior, Deus é misericordioso para novamente nos perdoar. Nunca devemos perder de vista, porém, que Deus conhece o que pensamos e o que sentimos, o que quer dizer que Ele sabe muito bem quando estamos sendo sinceros.

A nossa vida tem que ser santa, devemos fugir do pecado com todas as nossas forças. Nesse ponto entra outro importante pedido que devemos sempre fazer a Deus em oração: devemos clamar sempre que nos dê sabedoria para que escapar das tentações e pedir força para resistir a elas quando não conseguirmos escapar antes.


O Apóstolo Paulo dá uma importante lição aos Romanos, no capítulo 6, versículos 12 a 14:

12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; 13 nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. 14 Porque o pecado não terá o domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça”.

Conforme ensinou o apóstolo, o pecado não pode reinar em nós, devemos reconhecer que pecamos, nos arrepender, confessar a Deus e deixá-lo.

No evangelho de Cristo segundo escreveu João, no capítulo 8, do versículo primeiro ao 11, narra-se o episódio de uma mulher adúltera que seria apedrejada pelo seu pecado. Porém Jesus estava perto e sabiamente falou para aquele que não tivesse pecado atirar a primeira pedra. Com estas palavras as pessoas foram saindo de um em um. Jesus fala, então, com aquela mulher:

10 E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles seus acusadores? Ninguém te condenou? 11 E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais”.

Nesta passagem Jesus fala com uma pecadora, porém não a condena, pois ele não veio ao mundo para condenar, mas sim para perdoar os pecados de todos nós. Não se pode achar que Jesus considera o adultério um pecado sem importância. O que Ele fez foi proporcionar a oportunidade para que aquela mulher passasse a ter uma nova vida, livre do pecado.

Jesus veio ao mundo cem por cento homem e cem por cento Deus. Isso quer dizer que ele era onisciente na Terra e com certeza sabia se aquela mulher estava arrependida ou não e se ela tinha intenção de voltar a cometer o mesmo pecado ou não. Se Ele tivesse visto que a mulher não se endireitaria, com certeza não teria simplesmente falado estas palavras e a deixado ir. Jesus viu arrependimento sincero na mulher e por isso perdoou o seu pecado.

Ele, porém, deu uma última instrução: que ela não pecasse mais. E é este o mandamento que ele nos dá toda vez que perdoa nossos pecados, ou como condição para que os perdoe. Este é o último passo para termos nossos pecados perdoados, devemos mudar de atitude, no regenerar.


IX - Conclusão


Encontramos em Lucas 15.11-32 uma parábola de Jesus que sintetiza bem tudo o que foi estuda neste singelo comentário bíblico, qual seja, a parábola do filho pródigo. Esta parábola contada por Jesus diz que um rapaz, certo dia, pediu a seu pai a sua parte da herança e saiu pelo mundo.

No mundo gastou o seu dinheiro com diversas coisas, e quando não tinha nada passou a trabalhar cuidando de porcos. No momento em que, com muita fome, o filho pródigo cogitou comer as bolotas dadas aos porcos, ele caiu em si e resolveu ir atrás de seu pai, admitir o seu erro e humilhar-se perante ele pedindo perdão.

A parábola mostra que o rapaz praticou o pecado, sofreu as consequências dele, admitiu seu erro, arrependeu-se sinceramente, mudou de atitude, confessou seu pecado, humilhou-se perante seu pai e pediu-lhe perdão. Este é o caminho que cada um de nós tem que trilhar para termos nossos pecados perdoados por Deus. Todos os passos a partir da confissão possuem como meio de praticar a oração. A confissão é feita em oração, o pedido de perdão da mesma forma, e para que mudemos de atitude devemos sempre pedir a Deus, também em oração, força e sabedoria.

Deus é misericordioso, e por isso deu seu filho unigênito para morrer na cruz e nos remir de todo pecado e nos conceder pleno acesso à Salvação. Porém devemos fazer a nossa parte para recebermos o perdão de nosso Pai Celestial.


Elaboração por:- Jimmy Bruno dos Santos Silva e Jonathan Bruno dos Santos Silva