14 de outubro de 2011

APREDENDO COM AS PORTAS DE JERUSALEM

APREDENDO COM AS PORTAS DE JERUSALEM

TEXTO ÁUREO: Neemias 4. 6. Assim edificamos o muro; e todo o muro se completou até a metade da sua altura; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar.

VERDADE PRÁTICA - A crise, apesar de seu desconforto, sempre nos abre grandes e oportunas portas.

Leitura Bíblica em Classe: Neemias. 3.1,2,3,6,13-15.

INTRODUÇÃO

A CONSTRUÇÃO EM TEMPOS DE CRISE

Assim, edificamos o muro, e todo o muro se cercou até sua metade; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar (Ne 4.6)

Na obra do Senhor é necessário que haja união, esforço e amor para que a edificação tenha prosperidade. A reconstrução dos muros de Jerusalém foi um grande desafio não só para

Neemias, mas para todos os que desejavam ver o crescimento da Cidade Santa. Graças à bênção de Deus sobre os trabalhos desenvolvidos, com união e amor, foi possível completar a obra, mesmo com a oposição dos inimigos do povo de Deus. Neste capítulo, veremos como os judeus se uniram naquele momento de grande dificuldade.

É uma lição que pode ser aproveitada pelos que amam a obra do Senhor neste tempo de crise espiritual e moral que avassala o mundo. Neste comentário, desejamos aplicar os significados históricos e geográficos aos ensinos espirituais para a Igreja do Senhor, com a edificação das dez portas e das torres da muralha de Jerusalém. Vemos também a execução de um dos conceitos de administração que é a divisão do trabalho.

A união entre os que trabalham na igreja local é fator indispensável para o sucesso da missão profética da Igreja de Cristo. Essa missão foi expressa pelo Senhor na Grande Comissão quando ele disse: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Sempre foi difícil evangelizar, proclamar as Boas Novas de salvação em todos os tempos e em todos os lugares. Para que esse alvo seja alcançado, é indispensável a união entre os líderes e os membros da igreja. A construção dos muros de Jerusalém, sob a liderança dc Neemias, evidenciou uma completa união entre os edificadores.

O esforço dos que trabalham é requisito primordial em qualquer obra que demande a construção, edificação ou o desenvolvimento de qualquer atividade entre o povo de Deus.
Quando Deus chamou Josué para assumir o lugar de Moisés, declarou-lhe: “Esforça-te e tem bom ânimo, porque tu farás a este o povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria. Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares” (Js 1.6,7).

Na reconstrução dos muros de Jerusalém, foi notável o esforço dos que se dispuseram a trabalhar. Além disso, eles o fizeram com muito amor. Não havia o sentimento de individualismo, nem o desejo de mostrar-se e nem o de reclamar posição na obra. Os edifica- dores demonstraram desprendimento, ousadia e dedicação à difícil e penosa tarefa de edificar sobre as cinzas e as ruínas dos muros.
O amor a Jerusalém foi a motivação. Sendo assim, todo o esforço foi recompensado. Hoje, mais do que nunca, a obra do Senhor por meio da igreja exige esforço, união e amor.

A Porta do Gado e a Porta do Peixe

A porta do gado. Na Jerusalém cm construção, essa porta era utilizada para a saída e a entrada dos animais usados na celebração do culto a Deus no grande Templo reconstruído no tempo de Esdras. De acordo com os estudiosos, essa porta situava-se na “entrada mais oriental do lado norte das muralhas da antiga cidade de Jerusalém (Ne 12.3 9; Jo 5.2)”) Por essa porta, que se achava queimada, e o muro destruído, foi que se iniciou e se concluiu o circuito da reconstrução dos muros (Ne 3.1,32) no sentido anti-horário. Em algumas versões bíblicas, no Novo Testamento, é chamada de “Porta das Ovelhas”. Junto a essa porta, no tempo de Jesus, havia o “tanque de Betesda”, onde Jesus curou o paralítico enfermo havia trinta e oito anos (Jo 5.2-9).

Quem a edificou. A porta do gado ou “porta das ovelhas” foi edificada sob a liderança do sumo sacerdote Eliasibe, “com os seus irmãos, os sacerdotes, edificaram a Porta do Gado a qual consagraram e levantaram as suas portas; e até a Torre de Meã consagraram e até a Torre de Hananel” (Ne 3.1). Aqui, percebemos que os sacerdotes deram início à reconstrução dos muros da cidade. É um ótimo modelo a ser seguido pelos “sacerdotes” atuais que são os obreiros do Senhor, os quais devem dar o exemplo na edificação espiritual da Igreja do Senhor Jesus Cristo.

Entretanto, os sacerdotes ou os pastores não devem dispensar o trabalho dos leigos na Casa do Senhor. O texto diz: “E, junto a ele, edificaram os homens de Jericó; também, ao seu lado, edificou Zacur, filho de Inri (Ne. 3.2). Isto é, junto ao sumo sacerdote houve o generoso trabalho de outras pessoas igualmente úteis na edificação dos muros.
Nas igrejas pentecostais históricas se reconhece o valioso esforço e trabalho dos leigos, incluindo homens, mulheres, adultos, pessoas de todas as idades. Desde que sejam convertidos, “os homens de Jericó” são úteis na obra do Senhor.

Aplicação à igreja. Nos dias atuais, nas igrejas cristãs, podemos dizer que a “Porta das Ovelhas” é uma figura de Cristo, ou seja, a “Porta da Salvação”: “Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.7-9).

Quando a “Porta das Ovelhas”, nas igrejas locais, é objeto de zelo e dedicação, o rebanho do Senhor Jesus cresce a cada dia não só em número, mas “na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 3.18).
Essa porta é de fundamental importância, pois toda a vida cristã começa em Cristo e todo o desenvolvimento da construção espiritual tem início no momento da conversão. Essa porta pode ser queimada ou destruída quando a igreja local ou a denominação descuida-se da pregação do evangelho de Cristo de modo genuíno e passa a pregar mensagens heréticas que são comuns neste século. Na porta da salvação o centro é Cristo, não o homem. Quando o homem tem preeminência, tem-se o “evangelho antropocêntrico”, ou seja, o homem é o centro e Jesus fica de fora, como ocorreu com a Igreja de Laodiceia (Ap 3.20). Como toda porta, a porta da salvação precisa de cuidado, de zelo e manutenção.

A porta do peixe (Ne 3.3). Era a porta vizinha à porta do gado. Segundo estudiosos, essa porta ficava na muralha noroeste. Tinha esse nome pelo fato de ser a porta de entrada e saída para os comerciantes que vendiam peixes em um mercado próximo, mas fora da cidade. Essa porta dava acesso pelo muro exterior.2 Em Sofonias 1.10, lê-se que a Porta do Peixe ficava na Cidade Baixa.

Quem a edificou. Foi edificada pelos “filhos de Hassenaá que emadeiraram e levantaram as suas portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos. E, ao seu lado, reparou Meremote, filho de Urias, filho de Coz; e, ao seu lado, reparou Mesulão, filho de Berequias, filho de Mesezabel; e, ao seu lado, reparou Zadoque, filho de Baaná. E, ao seu lado, repararam os tecoítas; porém os seus nobres não meteram o seu pescoço ao serviço de seu senhor” (Ne 3.3-5).

Neste registro, dos edificadores da Porta do Peixe, vemos que o trabalho tinha como cabeça “os filhos de Hassenaá”, mas eles tiveram a cooperação de diversas pessoas. A expressão “ao seu lado, reparou...” indica que houve um trabalho cooperativo em que um grupo de habitantes ajudava o outro na dificil tarefa da reconstrução. interessante é que Mesulão era sogro de Tobias, um dos inimigos de Neemias ao lado de Sambalate e Gesém, mas foi um homem de bem, que não se deixou levar pelos laços de família a fim de fosse contra a obra do Senhor.

Também é digno o registro dos homens de Técoa (tecoítas), que nem faziam parte da lista dos que voltaram do cativeiro, contudo trabalharam na reconstrução dos muros. Certamente eram pessoas que admiravam a obra do Senhor e tinham um apreço pela cidade de Jerusalém. Sem dúvida, não ficarão sem o seu galardão (Mc 9.41).

De igual modo, há também uma referência negativa sobre os “nobres” da cidade que não se dispuseram a ajudar no árduo trabalho, pois diziam que “os seus nobres não meteram o seu pescoço ao serviço de seu senhor”. Os “nobres” constituíam-se de pessoas de maior nível social, talvez fossem intelectuais, ou ocupavam cargos elevados na administração da cidade, mas nada faziam para ajudar na restauração dos muros. Eram acomodados, preguiçosos e indolentes. Esse tipo de gente atrapalha no desenvolvimento da obra, pois cria problemas para os que querem trabalhar. Que Deus os mantenha bem longe de nós.
Na edificação dessa porta, o escritor registrou que, além da parte do madeiramento, as portas tinham fechaduras e ferrolhos. Há uma lição importante aqui. Fechaduras e ferrolhos falam de segurança, de portas seguras que não se abrem de qualquer forma.

Aplicação à igreja. Na igreja atual, a “Porta do Peixe” pode ser figura da “Porta da Evangelização”. Os que evangelizam são comparados a pescadores. “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4.19). A pregação do evangelho é comparada por Jesus a uma grande pescaria. “Igualmente, o Reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar e que apanha toda qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora” (Mt 13.47,48).

Dessa forma, em toda igreja local deve estar sempre aberta a “Porta do Peixe”, ou a “Porta da Evangelização”. Por ela devem passar os pregadores, os evangelizadores que são os pescadores de almas para o Reino de Deus. Por ela devem passar também todos aqueles que querem passar pela “Porta das Ovelhas”. Uma dá sequência a outra na vida cristã. Ao entrar pela “Porta do Peixe”, o pecador chega à “Porta das Ovelhas”, que é Jesus.

Vale a pena ressaltar que a construção de portas com fechaduras e ferrolhos pode representar o cuidado com a sã doutrina. Somente a ministração da palavra, com fidelidade e unção, pode evitar que o mundanismo tome conta da Igreja do Senhor. A “Porta do Peixe” nas igrejas locais aponta para a evangelização, que é a missão precípua da Igreja de Jesus. Apenas com a evangelização eficaz e o discipulado dinâmico pode-se ver a “Porta da Evangelização” ou “do Peixe” sendo utilizada para o crescimento do Reino de Deus.




A Porta Velha e a Porta do Vale

A porta velha. Por que esse nome? Não se sabe ao certo. quem afirme que se tratava de uma velha porta na parte mais antiga da cidade. Sua localização não ficou bem clara no livro de Neemias. Champlin diz que “Seja como for, parece que essa entrada da cidade ficava na esquina noroeste ou próximo a ela”.

Quem a edificou. Diz o livro: “E a Porta Velha repararam-na Joiada, filho de Paseia; e Mesulão, filho de Besodias; estes a emadeiraram e levantaram as suas portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos. E, ao seu lado, repararam Melatias, o gibeonita, e Jadom, meronotita, homens de Gibeão e Mispa, que pertenciam ao domínio do governador daquém do rio. Ao seu lado, reparou Uziel, filho de Haraías, um dos ourives; e, ao seu lado, reparou Hananias, filho de um dos boticários; e fortificaram a Jerusalém até ao Muro Largo. E, ao seu lado, reparou Refaías, filho de Hur, maioral da metade de Jerusalém. E, ao seu lado, reparou Jedaías, filho de Harumafe, e defronte de sua casa; e, ao seu lado, reparou Hatus, filho de Hasabneias” (Ne 3.6-10).
Nada se sabe acerca dos líderes da construção da “Porta Velha”. Nessa edificação, notamos que há funcionários públicos, como Jadom, homens de Gibeão e Mispá que “pertenciam ao domínio do governador daquém do rio”. Havia ourives, como Uziel; um boticário, uma pessoa que manipulava remédios, e até um “maioral da metade de Jerusalém” participou da reconstrução.

Ap1icaço à igreja. A “Porta Velha” pode-se compreender como a “Porta da Doutrina”. Desde que a Igreja existe, a doutrina fundamental, que é a sua base de fé e prática, está firmada na Palavra de Deus. Ela não é nova, não é moderna, nem pós-moderna. É antiga, quando se pensa no tempo de sua existência. Foi o profeta Jeremias quem melhor recebeu de Deus o sentido dos ensinos antigos que haveriam de nortear a vida do povo de Deus.

Diz o texto bíblico: “Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos” (ir 6.16). “Veredas antigas” ou “o bom caminho”, sem dúvida alguma, é uma referência aos fundamentos da doutrina que Deus mandou ensinar ao seu povo, mas por causa da rebeldia disseram “Não andaremos”. No mundo atual, em pleno áeulo 21, há muitos crentes, membros de igrejas locais, que não querem submeter-se à doutrina. Não querem passar por baixo da ‘Porta Velha”.

Preferem as “portas novas” construídas sobre o humanismo e o relativismo, que são parâmetros do pósmodemism0. Em muitas igrejas, os modismos doutrinários têm mais importância do que os antigos ensinos sagrados fundamentados na Palavra de Deus. Muitos querem remover os “limites antigos” (Pv 22.28) que constituem a base espiritual e moral sobre a qual a igreja do Senhor se assenta, ao sabor dos modismos e das inovações dos tempos pósmoderno.
A Igreja não é formada de pedras nem de cimento, mas de pessoas resgatadas do mundo, do pecado e do Diabo para serem “o templo do Deus vivente”, como nos declara a Bíblia: “Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2 Co 6.16).

Como “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15), a Igreja do Senhor Jesus Cristo precisa ser a referência espiritual ética, moral e doutrinária para o mundo. Não pode admitir mudanças e inovações que minem suas bases. Na verdade, a igreja não precisa de inovações, mas, sim, de renovação espiritual a fim de receber o poder, a graça e a unção para manter-se como “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5.27). É um desafio de grande dimensão para os nossos dias, mas podemos confiar em sua vitória, pois Jesus é o responsável por sua edificação, visto que ela é: “a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11.l0).

Os modismos doutrinários, tais como teologia da prosperidade confissão positiva, teísmo aberto, teologia do processo G-12, entre outros, são fruto da mentalidade pós moderna que tem dominado muitos teólogos e ensinadores. É comum ouvirmos desses “mestres” pósmodern05 críticas aos antigos ensinos baseados em argumentos falaciosos, como por exemplo, “não estamos mais nos tempos arcaicos”, “precisamos rever nossos velhos conceitos teológicos”.

Contra tais pseudo-avanços, em termos doutrinários, a Bíblia diz:
“Não removas os limites antigos que fizeram teus pais” (Pv 22.28). Esses limites são fronteiras doutrinárias e ensinos fundamentados na Palavra de Deus. Eles não devem ser ultrapassados sob pena de a Igreja sofrer graves prejuízos espirituais e morais diante do mundo, e perder sua vigorosa e saudável capacidade de ser “sal da terra “e “luz do mundo” (Mt 5.13,14). Se há uma porta que devemos considerar é a “Porta Velha” da doutrina bíblica, consolidada na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.

A porta do vale. Como o nome indica, essa porta dava saída para um vale ao lado oeste de Jerusalém. É mencionada em 2 Crônicas 28.6 e Neemias 2.13,15; 3.13. Foi por ela que Neemias iniciou a sua inspeção para constatar pessoalmente como se encontrava a cidade. Foi também onde ele concluiu sua inspeção ao passar por outras portas da muralha.

Quem a edificou. A parte que incluía a Porta do Vale era de grande extensão. “A Porta do Vale, reparou-a Hanum e os moradores de Zanoa; estes a edificaram e lhe levantaram as portas com fechaduras e os seus ferrolhos, como também mil côvados do muro, até à Porta do Monturo” (Ne 3.13). Para as condições de trabalho à época, era um trecho muito grande, com cerca de quinhentos metros (1.000 côvados). Ao que parece, a reconstrução não foi apenas da parte de alvenaria, mas das portas de madeira. O texto acrescenta: “levantaram as portas (de madeira), com fechaduras e ferrolhos” (parêntese acrescido).

Aplicação à igreja. Que seria a porta do vale para os dias de hoje? Dentre outras aplicações, podemos dizer que seria “A Porta da Adoração”, ou a “Porta da Oração”, ou ainda “A Porta da Humilhação”. Topograficamente, o vale é uma depressão de terra entre lugares elevados, entre montes ou montanhas. Espiritualmente, existem diversos sentidos para se entender o vale. Significa atitude de descer na presença de Deus. O Senhor queria falar como o profeta Ezequiel. Poderia tê-lo feito onde ele se achava, mas mandou que descesse: “E a mão do Senhor estava sobre mim ali, e ele me disse: Levanta-te e sai ao vale, e ali falarei contigo” (Ez 3.22). Foi uma experiência extraordinária descer ao vale para ouvir Deus falar.

Diz o texto bíblico: “E levantei-me e sai ao vale, e eis que a glória do Senhor estava ali, como a glória que vi junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto. Então, entrou em mim o Espírito, e me pôs em pé, e falou comigo, e me disse: Entra, encerra-te dentro da tua casa” (Ez 3.23).

Descendo ao vale, o profeta viu a glória de Deus; caiu sobre o seu rosto e foi cheio do Espírito de Deus. Muitas vezes o crente está no ápice do ministério, contudo não ouve mais a voz de Deus. Talvez esteja no pedestal do orgulho pessoal da posição social ou financeira, e se esquece de Deus. Assim como Zaqueu, que precisou descer da figueira brava, é necessário descer ao vale da humildade, ao vale da oração e do quebrantamento para sentir a presença de Deus e ouvir a sua voz.
O vale pode ser lugar de lutas e batalhas. No senso comum, muitos irmãos dizem: “Estou atravessando um vale profundo...” referindo-se às tribulações que enfrentam. Gideão enfrentou os midianitas, no vale (Jz 7.1); a batalha contra os filisteus se deu num vale onde Golias foi derrotado por Davi (1 Sm 17.3; 48-5 1). Mas para vencer os vales de lutas, é preciso descer ao vale da oração. “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (SI 5 1.17).

A Porta do Monturo e a Porta da Fonte

A porta do monturo. Esta porta só se abria para fora. Era por ela que os lixeiros ou os moradores jogavam o lixo que era despejado flO Vale de Hinon, por onde atravessava o ribeiro de Cedron. Segundo Champlin, era “uma espécie de esgoto a céu aberto. Cf. Ne 2.l3.6

Quem a edificou. “E a Porta do MontUro, reparou-a Malquias, filho de Recabe, maioral do distrito de Bete-Haquerém este a edificou e lhe levantou as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos” versículo (Ne 3.14). Ao se referir a reparos, o texto sugere que aquela parte do muro não tinha sido destruída, mas necessitava de reparos. Tal como a porta anterior, o versículo em apreço diz que as portas foram levantadas com fechaduras e ferrolhos.
Isso indica que as portas propriamente ditas tinham sido destruídas e queimadas a fogo. O seu edificador foi Malquias, que era uma espécie de governador ou administrador distrital de Bete-Haquerém, que significa “Casa de Vinhedos”.

Aplicação à igreja. Toda a igreja local, em qualquer tempo, precisa ter sua “Porta do Monturo”. Isso porque, em qualquer denominação, no sentido local, há coisas que podem ser comparadas a lixo no sentido espiritual ou moral. Esse “lixo” pode ser pecado, maus procedimentos, mau testemunho, intrigas, invejas, mexericos, fofocas e outros comportamentos que não devem ser tolerados na casa do Senhor. As “obras da carne” (Gi 5.19-2 1) quando surgem na igreja, de uma forma ou de outra, precisam ser despejadas para fora com a autoridade do Espírito Santo.

Inclusive, algumas vezes, o “lixo” é produzido por líderes que ocupam cargos no ministério. Desonestidades, má administração dos recursos financeiros, que incluem os dízimos e as ofertas, muitas vezes, são usados ilicitamente.
Pecados ocultos são lixos guardados nos “depósitos espirituais”, e, quando são expostos, causam grandes prejuízos. Esse é o “lixo” que mais fede. O caminho é a confissão de pecados com o abandono de sua prática (Pv 28.13). Os líderes das igrejas precisam usar a disciplina de modo correto, com justiça, para que a sujeira espiritual não prolifere no meio do povo de Deus.

A porta da fonte. O nome indica que ficava próxima a uma fonte. Seu construtor foi Salum. Os estudos indicam que se tratava da Fonte de Siloé (Selá), pois ficava próxima ao jardim do rei. Em João 9.7, vemos o episódio em que Jesus mandou o cego de nascença ir lavar-se no “Tanque de Siloé”, onde ele foi curado. Ali havia um viveiro de peixes, onde as pessoas se abasteciam do pescado.

Quem a edificou. “E a Porta da Fonte reparou-a Salum, filho de Col-Hozé, maioral do distrito de Mispa; este a edificou, e a cobriu, e lhe levantou as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos, corno também o muro do viveiro de Selá, ao pé do jardim do rei, mesmo até aos degraus que descem da Cidade de Davi” (Ne 3.15). A partir dessa parte da muralha, outros edificadOres foram registrados. Neemias, líder da parte “da metade de Bete-Zur”, também contribuiu com um belo exemplo para seus liderados. Esse Neemias não era o escritor do livro.

Diz o texto: “Depois dele, edificou Neemias, filho de Azbuque, maioral da metade de Bete-Zur, até defronte dos sepulcros de Davi, e até ao viveiro artificial, e até a casa dos varões” (Ne 3.16). Ao que parece, foi extensa a faixa da muralha na qual esse Neemias cooperou. O texto destaca o papel dos sacerdotes levitas que não se limitaram a cuidar do louvor ou dos objetos do santuário, mas puseram “a mão na massa” ajudando seus irmãos no esforço para recuperar a cidade. “Depois dele, repararam os levitas, Reum, filho de Bani, e, ao seu lado, reparou Hasabias, maioral da metade de Queila, no seu distrito” (Ne 3.17).

Aplicação à igreja. A Porta da Fonte tem ligação com a Porta Velha (Porta da Doutrina). Mas podemos dizer que “a Fonte”, propriamente dita, é a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Esta é a fonte da pregação, do ensino, da doutrina, do discipulado e de todas as orientações necessárias à vida saudável da Igreja do Senhor Jesus Cristo.

A Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de ciência e de sabedoria. É dela que emana a luz para os nossos caminhos (SI 119.105). “Porque o mandamento é uma lâmpada, e a lej, uma luz, e as repreensões da correção são o caminho da vida” (Pv 6.23). A Palavra tem a sabedoria do Senhor (Pv 2.6). As palavras do Senhor são fonte de vida espiritual e de saúde para o corpo: “Filho meu, atenta para as minhas palavras; às minhas razões inclina o teu ouvido. Não as deixes apartar- se dos teus olhos; guarda-as no meio do teu coração. Porque são vida para os que as acham e saúde, para o seu corpo” (Pv 4.20-22).

A Palavra de Deus é fonte do saber e do entendimento, pois sua eficácia atinge a parte espiritual, emocional e física do homem. “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão fluas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4.12,13).

A Porta das Águas e a Porta dos Cavalos

A porta das águas (Ne 3.26). Esta porta “ficava ao lado oriental do monte Siló, defronte da Torre de Giom”, junto da “Torre Alta”. Seu nome deve-se, naturalmente, à existência de fontes de águas em suas proximidades.

Quem a edificou. “Palal, filho de Uzai, reparou defronte da esquina e a torre que sai da casa real superior, que está junto ao pátio da prisão; depois dele, reparou Pedalas, filho de Parós, e os netineus, que habitavam em Ofel, até defronte da Porta das Águas, para o oriente, e até à torre alta” (Ne 3.25,26). Os netineus, ou “netinim”, eram serviçais do templo, que cooperavam com os sacerdotes e os levitas (Ed 2.43,58,70). Sua origem remonta aos gibeonitas que enganaram a Josué e foram feitos tiradores de água e rachadores de lenha (Js 9.21). Os que habitavam junto à Porta das Águas, provavelmente, dedicavam-se ao transporte de água para o Templo.

Aplicação à igreja. Em cada igreja local faz-se indispensável ter a “Porta das Águas”. Sem água, é impossível viver. A Terra é formada de 70% de águas. O corpo humano tem a mesma proporção do precioso líquido. No sentido espiritual, águas representam a presença, o enchimento e a unção do Espírito Santo. “E, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba.
Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isso disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (Jo 7.37-39).
Quando os crentes creem Jesus, “como diz as Escrituras, rios de água viva” correm do seu interior. Quando há a “Porta das Águas”, por onde passa esse rio, a unção do Espírito Santo flui do púlpito para a comunidade. O profeta Isaías viu essas águas que saem das fontes divinas: “E vós, com alegria, tirareis águas das fontes da salvação” (Is 12.3).

A porta dos cavalos (Ne 3.28). Corno o nome sugere, por esta porta entravam os cavalos do rei para os estábulos. Situava-se “na extremidade ocidental da ponte que conduzia do monte de Sião ao Templo de Jerusalém (Jr 31 .40)”. Há diversas referências a essa porta no Antigo Testamento. Foi junto a ela que a ímpia rainha, Jezahei, foi morta (2 Rs 11.16; 2 Cr 23.l5).

Quem a edificou. “Desde a Porta dos Cavalos, repararam os sacerdotes, cada um defronte da sua casa. Depois deles, reparou Zadoque, filho de Imer, defronte de sua casa, e, depois dele, reparou Semaias, filho de Secanias, guarda da Porta Oriental” (Ne 3.28,29). Aqui, vemos os sacerdotes que serviam no Templo encarregarem-se de participar da reedificação dos muros e das portas. Interessante é notar que eles cuidaram de edificar “cada um defronte de sua casa”. É uma lição positiva. Não adiantaria edificar em outras partes da muralha e deixar a frente de sua casa arruinada.

Não deveria haver nas igrejas a “Porta dos Cavalos”. Ela ficava próxima às residências dos sacerdotes que se situavam entre o Templo e o palácio. Igreja é lugar de ovelhas, e não lugar de equinos. Ao que tudo indica, os antigos reis demonstravam seu poder e sua vaidade possuindo muitas mulheres e muitos cavalos que eram verdadeiras “armas de guerra” usadas pela maioria dos exércitos antigos.

Salomão, por exemplo, foi o exemplo exagerado dessa vaidade e soberba. Ele reuniu milhares desses animais em suas estrebarias. “Tinha também Salomão quarenta mil estrebarias de cavalos para os seus carros e doze mil cavaleiros” (1 Rs 4.26). Como se não bastasse, o filho de Davi construiu um escandaloso harém, com “setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas e suas mulheres lhe perverteram o coração” (1 Rs 11.3).

Em resumo, no nosso entender, cavalos representam a força e o poder humano. Quando numa igreja local o poder humano tem prevalência, o poder do Espírito Santo se afasta. Infelizmente, o que se vê, em muitas igrejas, e, lamentavelmente, em muitas convenções de pastores. A busca pelo poder humano é tão grande, tão ostensiva e tão descarada, que montados em “seus cavalos” de prestígio, carregados de dinheiro, não medem preço para comprar consciências em campanhas políticas que em nada ficam a desejar em termos de corrupção.
Eles entram e saem, transitando pela “Porta dos Cavalos” com total desenvoltura, atropelando a Palavra de Deus, a ética e a moral que deveriam nortear a conduta dos líderes cristãos. Esquecem-se. Mas haverá um julgamento, “De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.12).

A Porta da Guarda e a Porta Oriental

Porta da guarda (Ne 3.31). Há divergências entre os estudiosos da Bíblia quanto ao significado e a localização dessa porta. Na versão portuguesa, é chamada de porta de Micfade (hb. miphkad). O nome também é controverso, pois micfade significa assembleia ou recenseamento. Ficava na seção nordeste de Jerusalém. Intérpretes entendem que em cima da muralha, junto a essa porta, reuniam-se membros do Sinédrio. A nosso ver, é razoável a tradução por Porta da Guarda.

Quem a edificou. “Depois dele, reparou Malquias, filho de um ourives, até à casa dos netineus e mercadores, defronte da Porta de Mifcade, e até à câmara do canto.  E, entre a câmara do canto e a Porta do Gado, repararam os ourives e os mercadores” (Ne 3.3 1,32). Essa parte da muralha foi edificada por Malquias, ajudado pelos ourives e pelos pescadores.

Aplicação à igreja. A porta da Guarda é indispensável em qualquer igreja local que se preze. A guarda fala dos encarregados da segurança de uma instituição militar, de um quartel, de um acampamento, de um exército. Depois que o homem pecou, nunca mais as pessoas dormiram tranquilas, sem adotar cuidados de segurança, às vezes, até exagerados. Os perigos rondam por toda a parte, a qualquer hora do dia ou da noite.

Nas igrejas, de igual modo, existe a necessidade de segurança continuamente. Os guardas da igreja local são os obreiros que lideram a obra do Senhor sob a direção do pastor, que é o líder do rebanho que o Senhor lhe confiou. Cada membro deve ter a consciência de que precisa zelar pela segurança da casa do Senhor, não apenas em termos humanos, mas, sobretudo, em termos espirituais. Diz Pedro: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8).
O pastor é o atalaia da igreja local. Deus lhe confiou a segurança espiritual de seus servos. “Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte.” (Ez 3.17). É ensinando a palavra, ministrando a sã doutrina, que o obreiro propicia segurança à igreja. Mas se ele for negligente, e houver prejuízo ao rebanho, a cobrança de Deus será terrível.

“Mas, se, quando o atalaia vir que vem a espada, não tocar a trombeta, e não for avisado o povo; se a espada vier e levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniquidade, mas o seu sangue demandarei da mão do atalaia.
A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lha anunciarás da minha parte. Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares, para desviar o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, mas o seu sangue eu o demandarei da tua mão (Ez 33.6-8).

A porta oriental (Ne 3.29). O nome indica que esta porta ficava bem ao lado oriental da cidade. Era a porta do oriente no Templo. Também se chamava a Porta do Rei, depois que os judeus voltaram do exílio (1 Cr 9.17). O profeta Ezequiel teve visões importantes com essa porta. Os querubins postaram-Se junto a ela (Ez 10.19). Ele viu a glória de Deus entrar na casa do Senhor pela porta oriental (Ez 43.14). Ali, segundo a Bíblia, “o príncipe” entrará por ela, para oferecer holocaustos. Os judeus fecharam essa porta esperando que um dia o Messias entrará por ela (cf. Ez 46.12).

Essa porta é tão importante que é também chamada de Porta Formosa, e ainda hoje, permanece fechada. Certamente, Jesus entrará por ela com a sua igreja para implantar o reino milenial com a sua capital em Jerusalém.

Quem a edificou. “Depois deles, reparou Zadoque, filho de Imer, defronte de sua casa, e, depois dele, reparou SemaíaS, filho de SecaniaS, guarda da Porta Oriental. Depois dele, reparou HananiaS, filho de Selemias, e Hanum, filho de Zalafe, o sexto, outra porção; depois deles reparou Mesulão, filho de Berequias, defronte da sua câmara” (Ne 3.29,30). Aqui, o que nos chama a atenção é o fato de Mesulão ter construído “defronte de sua câmara”, ou seja, em frente ao seu quarto de dormir.

Aplicação à igreja. Nas igrejas locais, a Porta Oriental deve ser a mais observada, a mais vista. Ela também é chamada de

“A Porta Formosa”. Podemos dizer que essa porta, espiritualmente, é a Porta da Direção de Deus. O oriente ou o leste sempre foram o ponto cardeal, símbolo da direção divina. E não o Norte. O Éden foi construído da banda do oriente (Gn 2.8). O exército de Judá que dava direção ao deslocamento das tribos, no deserto, ficava no oriente (Nm 2.3). A glória do Senhor apareceu ao oriente (Ez 11.23; 43.4). As águas purificadoras saíam para o oriente (Ez 47.1). Os magos foram guiados a Jesus por uma estrela que viram no oriente (Mt 2.9). Zacarias, pai de João Batista, cantou, dizendo que “o oriente do alto nos visitou” (Lc 1.78).

Em toda a igreja, é indispensável, mais do que nunca, que haja a direção de Deus. Existe uma confusão espiritual e doutrinária tão grande que causa perplexidade até nos mais experientes seguidores de Cristo. Contudo, a Igreja do Senhor alcançará os seus objetivos e será coroada na vinda do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

A análise sucinta a cerca da reparação ou da edificação, das portas do muro de Jerusalém, ao tempo de Neemias, leva-nos a meditar como é importante não só haver uma igreja local bem edificada espiritual e fisicamente, mas é indispensável que haja muros de proteção, que garantam a segurança espiritual e moral dos salvos em Jesus Cristo.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

Livro de Neemias – Integridade e Coragem em Tempo de Crise – Elinaldo Renovato





3 de outubro de 2011

LIDERANÇA EM TEMPO DE CRISE


LIDERANÇA EM TEMPO DE CRISE


TEXTO ÁUREO - “Então, lhes respondi e disse: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos; mas vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém(Ne 2.20).


 VERDADE PRÁTICA - Na expansão e consolidação do Reino de Deus, é imprescindível que ajamos com sabedoria, coragem, entusiasmo e fé.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE -- Neemias 2.11-18


ANIMO EM TEMPOS DE CRISE


Então, lhes respondi e disse: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos; mas vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém. (Ne 2.20)

Na edificação da Casa do Senhor, o líder deve ter prudência e entusiasmo para incentivar a cooperação dos liderados. Neemias era um líder que possuía elevado senso de equilíbrio. Ao chegar a Jerusalém, não se precipitou em tomar decisões apressadas. Antes de tudo, fez um levantamento da situação em que se encontrava a cidade. Não declarou sequer às pessoas que acompanhavam os detalhes de sua missão. Só depois, ao estar ciente do que ocorrera, reuniu os líderes da cidade e lhes expôs o que Deus colocara em seu coração, e os convidou a enfrentar a grande obra da restauração. É um dos maiores exemplos de boa administração na Bíblia.


É de vital importância administrar com prudência. Muitos obreiros do Senhor que lideravam ministérios proficuos e reconhecidos, nacional e internacionalmente, são hoje sombras do passado. Vivem no ostracismo eclesiástico porque não foram prudentes. Seus ministérios desabaram sob o peso dos escândalos ou envolvimentos com práticas desabonadoras para a liderança cristã. Neemias é um exemplo notável de como um homem de Deus deve agir diante das crises que surgem no ministério.


Além da prudência, Neemias soube motivar seus liderados. Motivação é o combustível que a maioria dos obreiros precisa para atuar na liderança de uma igreja ou atuar em cargos ou funções ministeriais. A chamada de Deus é o primeiro passo, certamente é o ponto de partida que incentiva o obreiro, contudo somente a chamada não move aquele que é chamado. É necessário que, no seu dia a dia, sinta-se entusiasmado para atender ao chamado de Deus. O personagem desse comentário era um homem cheio de motivação, não era individualista, pois procurou motivar seus liderados.


No meio eclesiástico já se conhecem vários casos de obreiros cônscios do chamado de Deus, que, depois de algum tempo, perdem a motivação diante das lutas e oposições ao seu trabalho. Perder a motivação é perder energia, e sem ela torna-se difícil incentivar os outros a cooperar com o líder. Ao acompanharmos os passos de Neemias, veremos como deve ser um líder eficaz à frente da obra do Senhor, principalmente em tempos de crise.


As Portas se Abrem com a Oração


Parecia tudo tão difícil. Notícias tão perturbadoras a respeito do que acontecia com o povo de Deus. Um simples copeiro, ainda que honrado, preocupou-se em agir. O que fazer? Neemias orou e Deus entrou em ação. O rei percebeu a preocupação de Neemias (Ne 2.1,2) e indagou o motivo de sua tristeza. A partir desse momento, as orações estavam sendo respondidas. Neemias explicou o porquê de sua tristeza, e Deus tocou no coração do rei para enviá-lo a Jerusalém a fim de reconstruir dos muros (Ne 2.3).


Neemias foi agiu com sabedoria ao interceder por seu povo (Ne 2.4-8). Não quis viajar clandestinamente. Pediu cartas que dessem respaldo legal à sua arriscada viagem. Muitas vezes, sob o pretexto de que a obra é de Deus, há crentes que abusam no descumprimento das leis, e por isso são punidos. As autoridades representam a Lei, e, como cidadãos, precisamos dar exemplo na obediência às leis do país. Desde que elas não confrontem com a “Lei Maior”, que é a Palavra de Deus, o cristão deve ser cumpridor das leis de seu país.


Um Líder Prudente


O sigilo necessário (Ne 2.12). No ano 444 a.C, houve o terceiro retorno dos judeus da Babilônia sob a liderança de Neemias, com a missão dc reconstruir e concluir os muros de Jerusalém (Ne 2.1). Neemias tinha todo o apoio do rei para iniciar e prosseguir com a obra da restauração dos muros de Jerusalém. Com aquela delegação, estava na condição de governador nomeado pelo Império Persa. No entanto, não se aproveitou disso, antes, como homem de fé e oração, soube agir com prudência. Durante três dias rodeou os diversos recantos da cidade, e constatou pessoalmente que as informações que lhe chegaram acerca da ruína da terra de seus pais eram verdadeiras e até mais dramáticas.


Pessoas de confiança. Em sua prudência não se fez acompanhar de grande séquito, e, sendo assim, iniciou sua verificação à noite, provavelmente em uma noite enluarada. Apenas convidou poucos homens para acompanhá-lo em sua viagem de inspeção. Na obra do Senhor é sempre interessante desfrutarmos da companhia de pessoas de confiança, a fim de nos acompanhar “à noite”, quando as coisas não estão muito claras. Ainda assim Neemias não declarou a ninguém o que estava em seu coração “para realizar em Jerusalém”.


Em nossos dias é comum o obreiro sentir os efeitos da presença de pessoas desleais que tentam minar o seu ministério. É preferível trabalhar com pessoas de menos competência técnica, mas que sejam sinceras, a ter em volta de si “sumidades” que possuem o espírito de Judas. O obreiro precisa trabalhar com “homens tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza...” (Êx 18.21).


Se Neemias desfrutasse da companhia de homens desonestos e traidores, todos os seus planos seriam prejudicados e os inimigos prevaleceriam. Devemos pedir a Deus que envie homens honestos, a fim de que atendam o que Paulo ensinou ao jovem discípulo Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15).


Um Convite para a Edificação


Revelando os planos no tempo certo. A prudência e a sabedoria de Neemias deram-lhe condições para enfrentar a crise. Sua discrição, silêncio, cuidado e paciência eram qualidades notáveis para que ele obtivesse êxito, naquela situação de instabilidade crítica. Ele só revelou os planos aos demais líderes e aos que trabalhavam na reconstrução da cidade quando já estava ciente acerca da situação crítica da cidade, bem como sobre o que pretendia fazer. Ou seja, soube dizer a coisa certa, no tempo certo e para as pessoas certas. A palavra dita no tempo certo é como “... maçãs de ouro em salvas de prata...” (Pv 25.11).


A exposição do problema. Era gravíssima a situação de Jerusalém. O segundo Templo já estava concluído, mas não havia alegria entre o povo. O culto a Deus fora prejudicado. Pessoas estranhas tinham acesso ao lugar sagrado, pois a cidade estava desprotegida. A segurança das cidades naquela época eram os fortes muros e as portas de madeira maciça, que impediam o avanço dos inimigos. Reunindo os magistrados e outros líderes, Neemias lhes expôs o que vira em sua inspeção: “Então, lhes disse: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada e que as suas portas têm sido queimadas” (Ne 2.1 7a). Era uma situação de miséria espiritual, moral, social, econômica e financeira. Tudo isso era resultado da desobediência e rebeldia contra Deus.


Em muitas igrejas a situação é de miséria, tal como em Jerusalém quando Neemias a visitou. Os líderes vivem no pecado, e os liderados, por sua vez, não se portam conforme a Palavra de Deus. Logo, o resultado é catastrófico. São “Laodiceias” espirituais e ministeriais. Jesus mandou dizer à Igreja em Laodiceia: “Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu)” (Ap 3.15-17).


O convite para o trabalho. “... vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém e não estejamos mais em opróbrio” (Ne 2.17). Aqui, vemos uma lição extraordinária de um líder que tem maturidade e competência. Ao reunir os outros líderes, não foi buscar as razões da situação crítica da cidade, não foi procurar saber quem eram os culpados. Entre os políticos, quando assumem cargos administrativos, a primeira medida é procurar os erros de mjnistraçõe5 anteriores para fazer acusações e buscar punições. Dentro das igrejas, infelizmente, isso também acontece, pois os obreiros procuram as falhas dos antecessores a fim de se promoverem no ministério.


Neemias agiu de forma competente, cheio da unção de Deus. Expôs a situação da cidade e propôs a solução: “... vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém e não estejamos mais em opróbrio”.  Há pessoas que têm muitos planos, muitas ideias, mas não conseguem colocá-las em prática. Outros só sabem criticar, murmurar e provocar dissensões entre os membros da igreja, gerando contendas e divisões. Esquecem-se de que Deus abomina os contenciosos (Pv 6.16,19).


Uma Direção Sábia


De acordo com Megginson, “a função de direção compreende guiar e orientar os subordinados para que desempenhem os deveres e responsabilidades que lhes foram atribuídos, de modo a serem conseguidos os resultados desejados”.1 Uma boa direção mostra a existência de elementos fundamentais na organização.

A motivação dos liderados. Motivação é a capacidade de incentivar as pessoas a realizar seu trabalho, visando atingir os objetivos desejados. Neemias soube motivar os liderados. Para animar os outros líderes e os liderados a participarem do seu projeto, falou-lhes sobre a chamada de Deus em sua vida. Contou-lhes que orou durante quatro meses e como Deus abrira as portas tocando no coração do rei, e como obteve apoio oficial para a sua missão. Mas acima de tudo, demonstrou como Deus lhe dirigira: “Então, lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito. Então, disseram: Levantemo-nos e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem” (Ne 2.18).


Tudo indica, pelos textos bíblicos, que a construção de Jerusalém na época de Neemias voltava-se primorda1meflte para os muros que estavam fendidos. Decerto, na época de Esdras, os muros tiveram sua construção iniciada, mas fora paralisada à força pelos inimigos (cf Ed4.12,13). Agora, com Neemias, o desafio era completar a construção da cidade de Jerusalém e a restauração de seus elevados muros, que serviriam de proteção contra eventuais invasores, de povos vizinhos ou distantes que se constituíam inimigos do povo hebreu. A visão das ruínas era desoladora. Talvez muitos tenham dito que não haveria mais solução, contudo Neemias soube usar sua liderança para influenciar os seus compatriotas a se lançarem à obra da reconstrução. Eles disseram: “Levantemo-nos e edifiquemos...”.


Liderança. É a capacidade de conduzir pessoas a desenvolver e atingir os objetivos da organização. Neemias era um verdadeiro líder. Um administrador nato. Não era um líder autocrático Não disse “vão”, “façam”, enquanto observo e oro, mas incluiu-se na solução. “Vinde” e “edifiquemos”! Quando o líder dá o exemplo na ação, no interesse, e participa da obra, o povo percebe e se estimula a segui- lo. Líder não é o que manda, mas o que comanda. Líder não é o que diz “façam”, mas o que diz, “façamos”, O líder fraco diz: “Aqui quem manda sou eu!” Não é um líder, mas um “chefe”.


O homem de Deus deve ser líder, ou seja, aquele que orienta as pessoas a quem lidera. O bom líder cristão não deve ser autocrático, do tipo que diz “aqui quem manda sou eu”, nem do tipo permissivo ou “bonzinho”, que deixa os liderados fazerem o que bem entenderem.


O bom líder é participativo. Esse líder é almejado nas igrejas, pois sabe envolver os servos de Deus na missão da Igreja de Cristo Jesus. Assim como Neemias, gostam de envolver os outros nas decisões; estimulam a participação dos liderados; confiam nas pessoas que trabalham com eles; gostam de delegar; preferem ser amigos dos subordinados; gostam de dizer: “Nós precisamos fazer”, “Gostaria de ouvir a opinião de vocês”, O próprio Deus é participativo. Na criação do homem, disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, (Gn 1.26). “Somos cooperadores de Deus” (1 Co 3.9; Fp 4.3; 3 Jo 8; 2 Pe 1.4).


Comunicação com os liderados. Comunicação é o processo pelo qual se cria compreensão entre os dirigentes e os subordinados. Neemias soube comunicar-se com seus liderados. Ele não falou antes do tempo. Na cidade, já havia algumas autoridades que se encarregavam de administrar a vida comunitária dentro das condições e possibilidades de que dispunham. Neemias podia ter-lhes transmitido suas intenções e seus objetivos ao chegar à cidade, mas não o fez. Após um périplo de inspeção, voltou ao lugar de partida, mas manteve o sigilo sobre suas observações. “E não souberam os magistrados aonde eu fui nem o que eu fazia; porque ainda até então nem aos judeus, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra tinha declarado coisa alguma” (Ne 2.16).


Há líderes que se prejudicam, nas igrejas, porque falam demais. O escritor de Eclesiastes 
declara: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; pelo que sejam poucas as tuas palavras” (Ec 5.2). Em se tratando de planos, mesmo na obra do Senhor, só devem ser divulgados quando todos os detalhes estiverem definidos no que diz respeito a objetivos, metas, pessoas envolvidas, recursos necessários e resultados esperados. O exemplo de Neemias nos fala bem sobre a prudência que deve ser adotada na obra do Senhor, especialmente, em tempos de crise, para não despertar os adversários.


Os Inimigos se Levantam


Inimigos da edificação. É uma realidade a ser encarada por qualquer servo de Deus, sobretudo, pelos líderes. Sempre haverá inimigos contra aqueles que querem servir na edificação do Reino de Deus. Um líder jamais satisfará a todos, mesmo na obra do Senhor. Nem mesmo Jesus agradou a todos. O próprio Deus teve de confrontar seu inimigo, o querubim Lúcifer, que tentou usurpar-lhe o trono. Jesus teve tantos inimigos que sentiu de perto a sua opressão, principalmente, no dia de seu julgamento (Mt 26.54-68).


Paulo, o grande apóstolo dos gentios, sofreu oposição de inimigos dentro das igrejas que foram abertas por ele. Teve que alertar o jovem obreiro Timóteo quanto aos inimigos do ministério.  Dentre esses, surgiram Alexandre e Himeneu, que viviam blasfemando no meio da igreja local, O principal era “Alexandre latoeiro”, que perturbava o homem de Deus. Na primeira carta, Paulo diz que os entregou a Satanás (1 Tm 1.20); na segunda carta, o apóstolo diz: “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras. Tu guarda-te também dele, porque resistiu muito às nossas palavras” (2 Tm 4.14,15).
Não é dificil, nas igrejas locais, encontrarmos os “latoeiros” que vivem perturbando os homens de Deus.


Neemias encara os inimigos. Eles não tardaram em aparecer. Enquanto Jerusalém estava em ruínas, e ninguém se interessava por sua reedificação, os inimigos estavam quietos. Certamente, tiravam proveito pessoal da situação. Eram bajuladores do rei, mas inimigos do povo de Deus. Diante do caos, imaginavam que o Deus de Israel nada faria. Mas o Senhor levantou um homem de bem, de dentro da própria corte real, para agir em favor de seu povo. Deus sempre tem um homem para cumprir seus desígnios. Quando Elias pensava que era o único profeta que sobrevivera, Deus lhe disse que ainda tinha sete mil que não se dobraram diante de Baal (1 Rs 19.18).


Ao tomarem conhecimento de que Neemias estava trabalhando pela reedificação dos muros, os inimigos se manifestaram. Ao que parece, eram influentes e tinham relações com o palácio do rei. Diz o texto: “O que ouvindo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o arábio, zombaram de nós, e desprezaram-nos, e disseram: Que é isso que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei?” (Ne 2.19).


Quem eram esses inimigos? Certamente, eram os líderes da oposição aberta contra o homem de Deus. Sambalate, o horonita. “Era nome babilônico. Ao que tudo indica, teria habitado na região de Bete-Horon, ao sul de Efraim (Js 10.10; 2 Cr 8.5), sua cidade natal. A única cosa que sabemos com certeza é de que ele tinha algum tipo de poder civil ou militar em Samaria, no serviço ao rei Artarxexes (Ne 4.2)”.


Tobias, o servo amonita. “Provavelmente um oficial do governo persa”... “era. altamente favorecido pelo sacerdote Eliasibe, que lhe concedeu uma sala para ocupar nas dependências do Templo em Jerusalém”.3 Aqui, vemos como certos relacionamentos, no meio do povo de Deus, podem prejudicar sua obra. Um opositor da edificação tinha apoio do sacerdote do Templo.


Gesém, o arábio. “Seu nome figura exclusivamente no livro de Neemias (2.19; 6.1,2,6). Era um árabe, inimigo dos judeus que voltaram do cativeiro babilônico para a Terra Santa. Opunha-se aos desígnios do governo judaico, tomando-o como sedicioso e sujeitando-o ao ridículo. Por essa razão, foique Gesém participou ativamente do conluio de Tobias contra a segurança de Neemias”.


Eles usaram a tática da intimidação, insinuando que Neemias estaria à frente de uma rebelião contra o rei. Essa mesma tática já fora usada pelos inimigos contra o sacerdote Esdras, que antecedera Neemias quando da reconstrução do Templo. A edificação foi perturbada pelo “povo da terra” (Ed 4.4,5); escreveram cartas ao rei, acusando os judeus de estarem se revoltando contra o reino (Ed 4.7 e ss.).


E a obra da construção do templo foi paralisada (Ed 4.24). Certamente, em muitas ocasiões, a obra do Senhor é perturbada e até prejudicada a ponto de não poder prosseguir. Dirá alguém: “Deus não é onipotente? Como não impede a ação dos inimigos?”. De fato, Deus tudo pode fazer, mas segundo seus propósitos. Nem Ele sempre quer realizar tudo o que pode. Se os inimigos prosperam é por sua permissão.


Não é dificil encontrar nos dias atuais esses “Sambalates, Tobias e Geséns” no meio das igrejas locais. São pessoas insatisfeitas com a liderança, com os pastores, dirigentes de congregação ou de departamentos. Elas têm ambições ministeriais, desejo de poder e de liderança. Muitos querem consagrações antes do tempo, e por isso se deixam levar pela carne na busca de posições. E se unem, reunindo pessoas ou grupos para fazerem oposição aos líderes, contudo frequentemente não prosperam. Mas há casos em que fazem grandes estragos, causando inquietação, dissensão e até divisões. Não é raro saírem dessa ou daquela igreja local levando os seus simpatizanteS, e fundam outras igrejas’ou ministérios. Infeliz é a igreja local que é fundada sobre o espírito de dissensão, de soberba e rebeldia.


Resposta aos inimigos. Neemias estava consciente de que a ação intimidativa dos adversários já tivera êxito no tempo de Esdras. Entretanto, estava certo de que Deus ouvira suas orações e as orações dos que amavam Jerusalém (Sl 122) e desejavam a sua reconstrução. A sua resposta foi incisiva, clara e objetiva, demonstrando que não estava ali para se deixar levar pela intimidação dos adversários. Vejamos a resposta do líder da restauração de Jerusalém: “Então, lhes respondi e disse: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos; mas vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém” (Ne 2.20). Que exemplo de confiança em Deus! Neemias, em sua resposta, revelou fé, mas também demonstrou ser homem equilibrado e possuidor de grande senso de humildade. Ele não disse aos adversários que usaria sua capacidade administrativa ou técnica para vencê-los.


Ele usou a fé em primeiro lugar ao dizer: “O Deus dos céus é o que nos fará prosperar”. O verdadeiro líder cristão, antes de confiar em si, em sua competência ministerial, confia em Deus. Ele deu a primazia ao “Deus dos céus”. A Palavra de Deus nos declara: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv 3.5). Muitos ministérios, de fama nacional, e até internacional têm sido destruidos por causa do orgulho de seus lideres. Em vez de darem glória e honra ao “Deus dos céus”, buscam as honrarias para si e para suas igrejas. Isso é caminho certo para o desastre. Pois o Senhor diz: “... Portanto, diz: Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes” (Tg 4.6).


Contudo, Neemias não ficou apenas no âmbito da fé teórica ou subjetiva. Demonstrou sua disposição em agir e trabalhar. Fé sem ação é fé morta (Tg 2.17). É a fé dos orientais, contemplativa, sem ação, na “meditação transcendental”. Não é a fé que agrada a Deus. Neemias, além de reconhecer o poder de Deus para lhe fazer prosperar, disse: “e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos”. Ou seja, Neemias tinha consciência de que Deus faria a sua parte, aquilo que ele e seus cooperadores não poderiam fazer. Entretanto, deveriam fazer a sua parte, isto é, teriam que colocar as “mãos à obra”. Precisariam se levantar da oração e entrar em ação, a fim de executar a edificação dos muros que estavam em ruínas.


A resposta de Neemias aos inimigos não ficou pela metade. Além de mostrar sua fé em seu Deus, e sua disposição firme de trabalhar, fez com que seus adversários os reconhecesse como dignos de participar da grande empreitada na reconstrução da Cidade Santa.
Foi firme e incisivo contra os inimigos da obra: “mas vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém”. Ele sabia que não se deixando intimidar estaria incitando ainda mais ira e oposição contra si. Mas era homem de fé e de coragem. O líder, homem de Deus, não pode ser pusilânime. Diz a Bíblia: “Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena” (Pv 24.10).


Não é fácil ser líder, e muito menos em tempo de crise. Não é fácil realizar a obra do Senhor quando na igreja local levantam-se homens com o espírito de Sambalate, Tobias ou Gesém, ou quando existem os Himeneus e Alexandre latoeiros. No entanto, quando o homem de Deus está no centro de sua vontade, Deus está ao seu lado e diz: “Não temas porque eu sou contigo... Eis que envergonhados e confundidos serão todos os que se irritaram contra ti; tornar-se-ão nada; e os que contenderem contigo perecerão. Buscá-los-áS, mas não os acharás; e os que pelejarem contigo tornar-se-ão nada, e como coisa que não é nada, os que guerrearem contigo. Porque eu, o Senhor, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: não temas, que eu te ajudo” (Is 41.10-13).


Crise: Transição à vista == Texto: Ne 1.1-3


> Nesses dias estive com pessoas que e conversando percebi que muitas delas estavam passando por um acontecimento em comum “Crise”


> Crise (do grego krisis; em português, distinção, decisão, sentença, juízo, separação). Segundo os gregos essa palavra tem como significado o estado das situações e ações quando em mudanças, sendo essas para melhores ou piores, ou seja, estar em crise é quando as coisas estão mudando, de forma que não mudaram ainda, mas Também não estão como antes e com o passar da crise se saberá se mudou para melhor ou mudou para pior.


> Portanto, toda crise é um momento de perigo sim, mas também de oportunidade. Tudo depende da maneira como reagimos ao problema.


> Neemias tomou conhecimento do grande momento de crise que o seu povo estava atravessando. O que fazer? Ceder ao perigo ou aproveitar a oportunidade?


Transição


> Toda grande crise traz consigo grandes oportunidades.

> O texto nos mostra as oportunidades que Neemias encontrou em meio à crise que o seu povo estava atravessando.


A crise é uma oportunidade de nos humilharmos, jejuarmos e orarmos – Ne 1.4


> Toda a solução para qualquer tipo de crise começa por aqui!


> Deus até mesmo permite crises para que nos humilhemos, pois caso contrário ficaríamos orgulhosos!


A crise é uma oportunidade de se dispor como solução para o problema – Ne 2.5,6


> É uma oportunidade de fazer alguma coisa, de se envolver, de se comprometer, de se doar.


> Neemias poderia apenas ter lamentado, murmurado contra os que levaram Jerusalém àquela situação e seguido o seu caminho. Todavia, ele se colocou como uma opção de solução para o problema.


A crise é uma oportunidade para nos unirmos em torno de um mesmo objetivo – Ne 2.17,18


> Não é momento de nos separarmos, de ficarmos expondo nossas diferenças, mas sim momento de união, de nos ajuntarmos, de nos organizarmos para um mesmo ideal.


> No momento de crise, sempre se levanta uma liderança (alguém com iniciativa) para levar as pessoas à mudança, mas todos devem animar uns aos outros!


A crise é uma oportunidade para aprendermos a lidar com a oposição – Ne 2.19,20


> Se não aprendermos a lidar com a oposição jamais chegaremos a lugar nenhum, pois em todos os momentos da vida, com maior ou menor intensidade teremos de enfrentar oposições, principalmente quando estamos envolvidos na obra de Deus, pois sabemos que o nosso adversário não está interessado em que ela vá adiante!


> Só poderemos aprender a lidar com a oposição quando estivermos passando por ela. Assim com aprender a andar de bicicleta e a nadar, aprender a lidar com a oposição não se aprende por curso por correspondência. Aprende-se na prática!


> Ver também Ler Ne 2.10; 4.7-9, 21-23; 6.2-4, 8, 12.


A crise é uma oportunidade de reconstruir o que precisa ser reconstruído – Ne 3.1-32


> Neste capítulo vemos alguns princípios a serem seguidos em momentos de crise e no processo de reconstrução:


> Coordenação: Cada pessoa sabia onde devia estar, qual era a sua responsabilidade e o que se esperava dela.


> Cooperação: Homens de lugares diferentes e de diferentes ocupações trabalharam juntos no muro: sacerdotes (v. 1), ourives e perfumistas (v. 8), regentes dos dois distritos (v. 9, 12) um deles auxiliado por suas filhas. Ver ainda versos 20, 31, 32.


> Vale destacar que Neemias não conseguiu sucesso total (v. 5). Todavia, ele não permitiu que isso diminuísse seu otimismo. Trabalhou com os que estavam dispostos a trabalhar e conseguiu realizar o que muitos consideram impossível!


> Aprovação: Neemias se interessou pessoalmente por cada pessoa que trabalhava; conhecia seus nomes, sabia o que estavam fazendo, tratou-os como pessoas e não como objetos, como um meio para se chegar a um fim! O que precisa ser reconstruído em sua vida?


AS MARCAS DE UM VERDADEIRO LÍDER (11.2-15)


 1. O compromisso de Paulo diante da igreja e de Deus (vv.2-4). Paulo deixa claro que recebeu do próprio Deus sua autoridade apostólica, a fim de edificar, e não dominar, a Igreja de Cristo. Entretanto, os coríntios, influenciados pelos falsos apóstolos, que agiam na ausência de Paulo, demonstravam superficialidade no conhecimento das coisas espirituais (v.4). O fato decepcionou o apóstolo, pois ele tinha por objetivo prepará-los para apresentá-los “como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (v.2).


2. Paulo se interessa, antes de tudo, pelo bem-estar espiritual da igreja (vv.5-15). A postura de Paulo de não depender financeiramente da igreja de Corinto, foi utilizada injustamente pelos falsos apóstolos para acusá-lo de não ser ele um apóstolo verdadeiro (vv.5-11). Por sua vez, Paulo afirma que os irmãos da Macedônia (e outras igrejas) haviam-no socorrido em suas necessidades (vv.8,9). O apóstolo dos gentios assim procedeu, a fim de não dar ainda mais ocasião para os seus oponentes o acusarem (v.12).


Naturalmente, é responsabilidade das igrejas sustentar seus pastores. Aquelas congregações, contudo, ainda não tinham condições de assumir tal responsabilidade. Nos versículos 13 e 15, Paulo fica tão irritado com os falsos apóstolos que, para desmascarar-lhes a dissimulação, utilizou a figura de Satanás que, conforme reafirma, disfarça-se até de anjo de luz. É o que faziam os falsos apóstolos.


3. Paulo colocou o ato de servir acima dos interesses pessoais (vv.16-33). Paulo expõe, agora, todos os seus sofrimentos físicos e emocionais por amor a Cristo: fome, sede, nudez, açoites, prisões, naufrágios, ameaças e perigos incontáveis. Ele não somente se identificava com aqueles a quem servia, como também por estes interessava-se, a fim de que fossem beneficiados com o Evangelho. Seu amor pelas igrejas de Cristo dava-lhe forças para seguir em sua missão apostólica (v.28). Era um homem de Deus que se identificava com o rebanho de Cristo em todas as situações (v.29).


PAULO, UM LÍDER SEGUNDO A VONTADE DE DEUS
 Indiscutivelmente, Paulo foi um líder que demonstrou ampla competência para o exercício do seu ministério. Cada igreja, estabelecida por ele, tinha características próprias e exigia dele habilidades específicas, a fim de lidar com situações bastante particulares.
Foi o que o apóstolo demonstrou no trato com os coríntios. Servindo-os humildemente, como fez o Senhor Jesus durante o seu ministério terreno, e externando-lhes um amor que só o verdadeiro líder chamado por Deus possui, demonstrou-lhes ser, realmente, um apóstolo chamado por Cristo Jesus, a fim de levar o Evangelho aos gentios até aos confins da terra.
Paulo aprendera com Jesus: o servir é uma das características mais marcantes de um obreiro. O servir, aliás, é o verdadeiro padrão de liderança neotestamentária. É hora de nos apresentarmos como leais servidores a serviço do Rei. Quem não está pronto a servir jamais estará apto para o Reino de Deus.


 NEEMIAS O LÍDER DESTEMIDO



OS PASSOS DE NEEMIAS NO CAMINHO DA LIDERANÇA


1. A elevada posição de Neemias diante do Rei. Antes de Neemias chegar a Jerusalém, convém observar que ele recebera de Deus sabedoria para construir a sua plataforma sustentada pelos pilares da lealdade e da firmeza de caráter.


2. Neemias toma conhecimento da situação na Palestina e vai a Jerusalém. Ao receber as informações trazidas por seu irmão Hanani, acerca do deprimente estado da cidade eleita, o desalento tomou conta de Neemias.


3. Neemias assume a liderança da reconstrução dos muros da cidade. Após dirigir-se aos governadores da região dalém do Eufrates, para apresentar-lhes as suas credenciais, Neemias chegou a Jerusalém e começou a fazer o levantamento real da situação da cidade.


A LIDERANÇA DE NEEMIAS É QUESTIONADA


1. O questionamento de Sambalate e seus companheiros. Com a reedificação de Jerusalém, Samba- lá, governador da província de Samaria, via ruir por terra toda a estrutura comercial de sua cidade. Os judeus passariam, agora, a ocupar o centro das atenções, com Neemias na liderança, e ele ficaria no obscurantismo.


2. A reação equilibrada e coerente de Neemias. Há um provérbio popular que afirma: “Toda ação provoca uma reação.” Todavia, no que tange à liderança cristã, quando ocorrem fatos semelhantes aos que foram acima descritos, não pode haver nenhuma atividade de comprometimento, de indiferença ou de covardia. Observemos que Neemias não aceitou nenhuma das provocações contra ele levantadas, mas também não se deixou levar por nenhuma delas.


IV. OS EFEITOS DA LIDERANÇA DE NEEMIAS


1. Os efeitos civis. O povo passou a ter um sistema de governo constituído em bases sólidas, não obstante estar ainda sob o domínio do Império Medo-Persa.
O casamento misto não foi mais tolerado (Ne 13.23-28) e, com isso, preservou-se a cultura judaica, o que contribuiu para o aprofundamento das raízes históricas do povo.


2. Os efeitos morais. Durante o breve espaço de tempo em que Neemias esteve na Corte, em Susã, Tobias investiu com seu espírito malicioso e conseguiu entronizar-se numa das câmaras do templo. Todavia, com o retorno do líder, o intruso foi expulso (Ne 13.4-9) e o exemplo serviu para soerguer a vida moral dos judeus, já que outras medidas saneadoras foram também tomadas.


3. Os efeitos espirituais. Todavia, os efeitos mais profundos se verificaram na vida espiritual, isto porque a reforma religiosa tão pretendida por Esdras, alcançou o seu ápice sob a liderança de Neemias. O povo foi chamado ao arrependimento, as festas previstas no Pentateuco foram restauradas e um novo sopro do Espírito veio sobre aqueles corações endurecidos.


CONCLUSÃO


Um dos principais motivos pelos quais havia crise entre os judeus foi removido! Os muros foram reconstruídos! Ver Ne 6.15,16 -- Que exemplo nos deixou o apóstolo Paulo! Sua liderança não foi estabelecida por homem algum, mas por Deus. Portanto, ele sabia que no Reino de Deus só há uma alternativa para aqueles que amam a Cristo e a sua Igreja: servir, servir e servir. Não foi exatamente isso que fez o Senhor durante o seu ministério terreno? Por que agiríamos de forma diferente?


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus


Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS



BIBLIOGRAFIA

Lições bíblicas CPAD 1984

boladenevegoiania.com.br

Livro de Neemias – Integridade e Coragem em Tempo de Crise – Elinaldo Renovato

(HORTON, S. M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas Soluções. RJ: CPAD, 2003, pp.240-41)
(GETZ, G. A. Pastores e Líderes: O Plano de Deus Para a Liderança da Igreja. RJ: CPAD, 2004, pp.105-6)