8 de outubro de 2014

A FIRMEZA DO CARÁTER MORAL E ESPIRITUAL DE DANIEL



A FIRMEZA DO CARÁTER MORAL E ESPIRITUAL DE DANIEL

TEXTO ÁUREO = “E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar” (Dn 1.8).

VERDADE PRÁTICA = A reverência a Deus fez com que Daniel achasse graça aos olhos do chefe dos eunucos, e não se contaminasse com os manjares do rei.

LEITURA EM CLASSE = DANIEL 1.1-8,17-20

INTRODUÇÃO

Os quatro heróis do livro de Daniel se sobressaíram entre todos os vencedores do rigoroso exame. Esses que pertenciam aos filhos de Judá tinham a reputação de serem da linhagem de Davi. Eles eram Daniel, Hananias, Misael e Azarias (6).  Esses quatro jovens de Judá, por intermédio dos seus nomes, testemunhavam do único e verdadeiro Deus. Quaisquer que tivessem sido as limitações do seu ambiente religioso em Judá, seus pais lhes deram nomes que serviam de testemunho ao Deus que serviam. Daniel significava: "Deus é meu juiz"; Hananias significava: "O Senhor tem sido gracioso ou bondoso"; Misael significava: "Ele é alguém que vem de Deus" e Azarias declarava: "O Senhor é meu Ajudador". A continuação da história claramente indica que, embora outros pais em Judá pudessem ter falhado em relação à educação dos seus filhos, os pais desses meninos tinham dado a eles uma base sólida em relação às convicções e responsabilidades dignas do significado dos seus nomes. Seu treinamento piedoso havia cultivado profundas raízes de caráter.

Em consideração ao rei e seus deuses pagãos, o chefe dos eunucos designou novos nomes aos quatro jovens. Beltessazar (7) significava "o tesouro (ou segredos) de Bel". Sadraque significava "a inspiração do sol". Mesaque sugeria: "aquele que pertence à deusa Sesaque". E Abede-Nego significava "servo de Nego (a estrela da manhã)". A pouca importância que esses jovens deram aos seus novos nomes pode ser vista nas narrativas que se seguem.

Com convicção inabalável, ousadia santa e cortesia refinada, Daniel e seus companheiros revelaram seus dons extraordinários de sabedoria e caráter. A decisão de não comer das iguarias do rei era muito mais do que uma questão de conveniência ou saúde. Isso estava relacionado com a integridade dos seus votos de consagração como hebreus ao Deus de Israel. O significado cerimonial do alimento, puro ou impuro, significava tudo para descendentes profundamente comprometidos de Abraão. Ingerir alimentos dedicados a deuses pagãos da Babilônia constituiria uma ruptura de fé com Jeová.
Eles não vêem outra saída senão arriscar o perigo da recusa. Mas eles devem fazer isso de maneira afável e atenciosa com aqueles que são responsáveis em cumprir as ordens do rei. Quando o chefe dos eunucos (8,10) recusou o pedido, uma sugestão sensata dada ao despenseiro (11), encarregado direto dos jovens, tirou a pressão do oficial superior abriu caminho para uma solução. O período de prova de dez dias (12) era justo e suficiente para prover uma demonstração adequada do bom senso higiênico do pedido e de oportunidade a Deus para vindicar seus jovens servos. Legume significa literalmente "sementes", mas incluía vegetais em geral.

  O QUE E CARÁTER

Caráter é um conjunto de hábitos adquiridos ou ao longo do tempo que define quem “é” a pessoa. Reputação é aquilo que as pessoas pensam a seu respeito.

Podemos comparar o caráter ao alicerce ou à fundação de um prédio que, depois de construído, ninguém enxerga, mas é a base de sustentação, é a segurança da construção. Nenhum projeto de vida cristã se sustenta sem uma base (caráter) bem construída ( Mt 7: 24-27): Quanto maior for a altura do prédio, maior deverá ser o investimento na fundação, no alicerce, caso contrário, não será uma construção digna de confiança.

Nada compromete mais a pregação do Evangelho diante do mundo do que a incoerência entre a mensagem que pregamos e a vida que vivemos. Meu pai, de saudosa memória, sempre dizia: “A minha vida precisa falar mais alto que a minha voz”. No Sermão do Monte, Jesus afirmou; “Vocês são o sal para a humanidade; mas se o sal perder o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. E jogado fora e pisado pelos que passam” (Mt 5.13-BLH).

Uma das causas dos escândalos em nossos dias é que o fazer e o ter têm se tomado mais importante do que o ser sal (caráter). Lembre-se: o fazer sem preocupação com o ser (caráter), sempre vai gerar escândalos. Por isso, Jesus falou do que acontecerá no dia do acerto de contas (Mt 7.22,23).

Daniel e três amigos são selecionados para preparação especial, 1: 1-7.

1: 1 - O começo do cativeiro de Daniel é dado como "o terceiro ano" do reinado de Jeoaquim. Os críticos gostam de se referir a esta passagem como prova de contradição, porque Jeremias 25: 1 diz "o quarto ano de Jeoaquim foi o primeiro ano de Nabucodonosor". Porém não ocorre contradição aqui. Jeremias estava falando do ponto de vista hebreu enquanto Daniel estava falando do ponto de vista babilônio. Os babilônios não contavam o ano no qual um homem se tornava rei enquanto um ano inteiro de reinado não era completado, enquanto os hebreus consideravam qualquer parte do ano da ascensão como o primeiro ano. Portanto, o quarto ano hebreu era equivalente ao terceiro ano babilônio.

1:2 - Antes da invasão de Jerusalém, Nabucodonosor tinha derrotado o Egito em Carquêmis, o que provou claramente que a Babilônia era o poder dominante (Jeremias 46:2). Ele perseguiu os egípcios até o sul de Jerusalém onde ele soube da morte de seu pai. Então retomou à Babilônia para assumir o trono, mas levou consigo alguns cativos judeus e tesouros do templo para a terra de Sina r, que é a área da Babilônia também conhecida como Caldéia.

"O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim". Nabucodonosor não teria sucesso se não fosse permitido por Deus (d. Jeremias 27:5-8). Isto dá o tom do tema da profecia de Daniel: "Deus tem domínio sobre o reino dos homens". Não nos é dito quantos cativos foram levados desta vez; somente que Daniel, Hananias, Misael e Azarias estavam entre eles. Lembramos esta data (605 a.C.) como o começo do cativeiro de Judá. Nabucodonosor veio contra Jerusalém mais duas vezes (597 a.C. e 586 a.C.).

1 :3-4 - Nabucodonosor comissionou Aspenaz, chefe de seus servos, para selecionar alguns dos jovens judeus nobres para serem preparados na sabedoria e cultura dos caldeus. Sabemos que eram jovens, mas qual exatamente era a idade deles é incerto. Muitos estudiosos pensam que Daniel tinha entre quatorze e vinte anos. Ele era um jovem de estatura elegante e inteligente, e agora é selecionado para um papel honroso no reino de Nabucodonosor. Estas vantagens tentariam a maioria dos jovens a serem orgulhosos e arrogantes, mas Daniel nunca esqueceu que seu primeiro dever era ser um servo de Deus!

1:5 - O rei favoreceu estes jovens com alimento de sua própria mesa. Durante três anos eles deveriam receber provisões reais e educação, de modo que pudessem ser preparados para servir no governo de Nabucodonosor.

1:6-7 - Não somente foram eles iniciados nos costumes babilônios, mas também lhes foram dados nomes babilônios. Tudo isto provavelmente era destinado a ajudá-los a esquecer suas fidelidades judaicas; de fato, os novos nomes parecem referir-se a deuses babilônios.

Daniel ("Deus é meu juiz") ==================Beltessazar ("um servo de Bel")
Hananias ("o Senhor é bondoso") ========= Sadraque ("inspirado pelo deus sol")
Misael ("quem é o que Deus é")=========Mesaque ("quem é o que o deus lua é")
Azarias ("o Senhor ajuda") ====================Abednego ("servo de Nebo")

Daniel se recusa a contaminar-se, 1 :8-16.

1:8 - Eles puderam mudar o nome de Daniel, sua lealdade, não. Eles puderam ensinar-lhe o "conhecimento" babilônio, sua religião, não.
O assunto de comer da mesa do rei envolvia sua relação com Deus. Não nos é dito por que isto "contaminaria" Daniel. Talvez fosse carne que tivesse sido sacrificada aos ídolos e comê-la teria sido visto como adoração ao ídolo (veja 1 Coríntios 10:28). Ou talvez fosse comida proibida aos hebreus como imunda (Levítico 11), ou carne que tivesse sido sangrada inadequadamente (Levítico 17: 14). Qualquer que fosse a razão que a faziam errada, "resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se".

1:9-1 0- Aspenaz, o chefe dos eunucos, gostou de Daniel. Mas sua própria vida correria perigo se fosse descoberto que ele não tinha executado as ordens do rei. Ele argumentou que, se eles não comessem a comida do rei e não bebessem o vinho do rei, sua aparência logo mostraria a diferença, e ele então seria condenado à morte.

1:11-13 - Daniel pediu ao eunuco especialmente encarregado dele e de seus três companheiros hebreus, que lhes desse um período de experiência de dez dias. Ele persuadiu-o a dar-lhes legumes para comer e água para beber.

1:14-16 - No fim deste período experimental, o eunuco encarregado descobriu que eles pareciam melhores e mais cheios de carne do que todos os outros que tinham comido a comida do rei. Portanto lhes foi concedido seu pedido de legumes e água durante todo o período de treinamento.

Deus recompensa seus servos fiéis, 1: 1 7 -21.

1: 17 - O sucesso destes quatro jovens hebreus foi o resultado da bênção especial do Senhor. Deus lhes deu destreza em todo o conhecimento e sabedoria. A Daniel foi dada a capacidade de entender o significado dos sonhos e visões.

1: 18-19 - Eles foram levados diante do rei para serem examinados, depois de completados seus três anos de preparação. Daniel e seus três companheiros hebreus ultrapassaram todos os outros.

1 :20-21 - Eles eram "dez vezes" melhores (um esplêndido grau) do que todos os outros sábios do rei. Foram indicados para a equipe permanente de conselheiros. Daniel continuou ainda "até ao primeiro ano do rei Ciro", o que mostra que sobreviveu em um novo império. Realmente, Daniel 1O: 1 afirma que ele recebeu uma visão no terceiro ano de Ciro; assim, isto não pretende dizer-nos quando ele morreu ou parou de profetizar, mas que seu trabalho abrangeu todo o período babilônio.



Aplicações para os Dias de Hoje:

1. Daniel 1:8 - A obediência fiel deve partir do coração do homem. Nenhum dos servos de Deus ficará sem prova. Aqueles com atitude displicente, que servem só quando convém, cairão na tentação do diabo (Efésios 6: 1 0-18; Romanos 6: 16-18).

2. Daniel 1: 17 - Deus opera em seu povo para cumprir seu propósito. Mesmo no cativeiro babilônio Deus usou seu povo quando preparava uma parte para a vinda do Messias. Ele abençoou os fiéis com o sucesso. Hoje ele continua a recompensar aqueles que, com a coragem da convicção, defendam Jesus Cristo (Marcos 10:29-30; 2 Timóteo 1: 12). 

A Determinação de Manter a Pureza

Jovens longe de casa enfrentam tentações. Se cruzar a linha e violar alguns princípios ensinados pelos pais, quem vai saber? Imagine, então, jovens levados de uma maneira violenta para uma terra estranha. Eles nem sabiam se os pais ainda estavam vivos. Poderiam até duvidar o poder do Deus que serviam, pois ele não protegeu seu povo dos ataques da Babilônia. E agora o imperador mandou que eles fossem preparados para servir no governo dele. Seria grande coisa se submeter às ordens deste rei poderoso?

Daniel percebeu que alguma coisa dos alimentos e bebidas fornecidos pelo rei traria contaminação. É provável que alguns destes alimentos fossem proibidos para os judeus na lei dada no monte Sinai 800 anos antes. Como este jovem reagiu? Poderia ter oferecido desculpas, dizendo que ele não tinha controle da situação e teria que ceder às ordens do rei. Daniel não tinha controle da situação, nem do rei, nem do homem encarregado da responsabilidade de supervisionar os jovens em treinamento. 

Mas ele tinha controle de si, e tomou a sua própria decisão. “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se” (1:8). Deus abençoou esta decisão de Daniel, e o chefe permitiu que ele e os seus companheiros fizessem uma experiência, comendo comidas mais simples durante dez dias. Deus estava com eles, e o chefe viu que progrediram mais do que os jovens que comiam os alimentos do rei.

O resultado foi favorável, mas a decisão de Daniel não foi condicionada no resultado. Ele decidiu fazer a coisa certa antes de falar com o chefe. Mesmo se este tivesse recusado o pedido do jovem, Daniel já tinha tomado a decisão. Será que nós temos a mesma convicção?

Nós enfrentamos situações em que temos que insistir em fazer a coisa certa, ou ceder às pressões de outros, até de pessoas que exercem autoridade sobre nós. Um superior no trabalho pode exigir que mintamos para um cliente, para um fornecedor, ou para o próprio governo. Se insistirmos em fazer a coisa certa e falar somente a verdade, poderemos sofrer consequências, talvez até perdendo o emprego. E não temos garantia de intervenção divina, como aconteceu com Daniel. O que faremos? Resolveremos, firmemente, não nos contaminar?
Uma vez que Daniel tomou uma atitude, Deus o usou para revelar algumas das suas mensagens mais importantes da época. Ele revelou e explicou sonhos do rei Nabucodonosor, frisando um ponto central da mensagem divina para todas as épocas – Deus exerce sua autoridade sobre todos os reis. Ele olhou para um tempo, séculos depois, quando Deus estabeleceria “um reino que não será jamais destruído” (2:44), e disse que este reino “será um reino eterno” (7:14,27). Em outra ocasião, ele disse que o rei Nabucodonosor seria humilhado “até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (4:32). Décadas depois, Daniel avisou um descendente do mesmo rei do castigo iminente, porque ele não se humilhou diante do Senhor (5:22-30). Ele transmitiu várias outras profecias importantes, mostrando o domínio total do Senhor.

CONCLUSÃO

Hoje muitos começam bem, mas terminam mal. São crentes fiéis e consagrados até que venha a primeira prova. Depois começam a negociar seus valores, vendem sua consciência e perdem-se em paixões mundanas, afundam na lama do pecado. Muitos nessa corrida ao sucesso e ao fazer apenas o que querem deixam de lado a fé e a obediência, deixam a Cristo e Sua Igreja e se contaminam com o mundo. Daniel continuou servindo a Deus com integridade até o último dia de sua vida. E você? Tem se guardado do mundo? Tem dito um grande “não” aos inúmeros convites do pecado? Tem sido um influenciador (a) pela poder que há no Nome de Jesus? As pessoas ao seu redor são despertadas a conhecer a Deus por intermédio de seu testemunho? Pense nisso!

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus 

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

www.estudosdabiblia.net
Comentário Bíblico Beacon Daniel
Lições Biblicas Editora Central Gospel 2008
LIÇÕES BIBLICAS CPAD 4º TRIMESTRE 1984

30 de setembro de 2014

DANIEL NOSSO CONTEMPORÂNEO



DANIEL NOSSO CONTEMPORÂNEO

TEXTO ÁUREO = “Quando pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, que entenda)”(Mt 24.15).

VERDADE PRÁTICA = Daniel é um exemplo de perseverança na fidelidade a Deus e de integridade moral, estimulando-nos a confiar no projeto divino.

LEITURA BIBLICA = Daniel 1: 1,2; 7: 1; 12:4

Introdução

O livro de Daniel é conhecido como "O Apocalipse do Antigo Testamento". A palavra apocalipse significa um desvendamento, uma manifestação de coisas ocultas, uma revelação de mistérios divinos.

O livro de Daniel e o livro de Apocalipse têm muito em comum, embora em certos aspectos importantes eles sejam diferentes. As crises dramáticas, o choque de forças em uma escala cósmica e a ênfase acerca do fim dos tempos aparecem nos dois livros. Muitas das imagens simbólicas de Daniel estão refletidas no livro de Apocalipse. Os animais com chifres em Daniel, representando poderes terrenos, encontram seu correlativo nos animais do Apocalipse. Nos dois livros encontramos uma visão do Glorioso cuja presença impressiona o espectador. Em ambos os livros lemos a respeito de tronos e do trono em que está assentado o ancião de dias. Ambos retratam o clímax da história, quando os reinos dos homens se submetem ao reino triunfante e eterno de Deus.

Daniel e Apocalipse não são os únicos a tratar de aspectos apocalípticos. Uma série de outros livros, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, contém seções conhecidas como apocalípticas. Isaías 24-27 tem sido chamado de "Apocalipse de Isaías". Zacarias contém elementos apocalípticos distintos, como as visões dos símbolos místicos de cavalos e carruagens, de castiçais e de pergaminhos que voam. A prefiguração do Messias, como Sacerdote e Rei, é deduzida dos dois "ungidos", Josué e Zorobabel. E o julgamento final das nações descrito em Zacarias 14 é mais claramente apocalíptico.

No Novo Testamento, cada um dos três Evangelhos Sinóticos contém seções apocalípticas. Essas são encontradas em Mateus 24.1-25.46, Marcos 13.1-37 e Lucas 21.5-36. A seção em Marcos tem sido chamada "O Pequeno Apocalipse". Um apocalipse paulino é encontrado em 2 Tessalonicenses 1.7-2.12. Cada uma dessas seções claramente reflete elementos encontrados no livro de Daniel.

A literatura apocalíptica tem uma série de características distintas, ilustradas no livro de Daniel. Em primeiro lugar, existe o elemento de mistério manifestado por meio de visões e símbolos singulares. Também há o elemento da revelação. O aspecto apocalíptico está relacionado primariamente com o futuro e com a consumação do plano de Deus. Diferentemente da função da profecia, que proclama a palavra de Deus mais imediata dentro do contexto histórico, o apocalipse ultrapassa a história. Ele descreve acontecimentos do fim dos tempos por meio de cataclismos e julgamentos. O apocalipse revela o propósito final de Deus que se cumpre por meio de uma manifestação divina que rompe a ordem histórica. Mais importante de tudo, o elemento messiânico aparece claramente no apocalipse.

O livro de Daniel tornou-se durante o período intertestamentário, e por mais de um século na era cristã, um modelo e estímulo para um impressionante número de escritos apocalípticos. Nenhum desses escritos foi aceito no cânon das Escrituras, porque deixam de apresentar as marcas essenciais de inspiração que Daniel possui. Mas esses escritos revelam o anelo e a esperança do povo de Deus em tempos de intensa provação.

Lugar no Cânon

O lugar de Daniel nas Escrituras do Antigo Testamento nunca foi seriamente contestado. Entre os judeus, bem como entre os cristãos ao longo dos séculos, esse livro tem lido altamente estimado. Ele contém as marcas da inspiração divina e as qualidades superiores requeridas dos escritos reconhecidos como Escrituras. Esse livro traz a mensagem de Deus e claramente apresenta a revelação de Deus sobre a vida e a história. Ele traz inculcada a qualidade do eterno e do imutável.

Na Bíblia Hebraica, Daniel não aparece entre os Profetas (Nebhiim), mas entre os Escritos (Kethubhiim). Alguns têm se queixado de que isso foi feito para diminuir a autoridade de Daniel devido ao testemunho claro que o livro dá acerca do Messias. Mas esse motivo não parece plausível em vista do lugar de autoridade que o livro recebe no cânon sagrado. Se, de fato, havia o intento sério de diminuir a autoridade de Daniel, ele teria ficado fora do cânon. Pusey explica que Daniel, na verdade, não era técnica nem profissionalmente um profeta, mas um estadista. Ele não possuía o ofício profético. Por isso ele não constava entre os profetas nas Escrituras hebraicas.  Mas Daniel cumpriu a função profética. Por isso, seu livro está no cânon das Escrituras Sagradas e sua mensagem é reconhecida nas próprias Escrituras como profecia. Young segue uma linha de raciocínio parecida, respeitando a posição de Daniel nas Escrituras hebraicas.



Autoria

Ao longo dos séculos, tanto entre os judeus quanto entre os cristãos, o livro tem sido tradicionalmente atribuído a Daniel. Em diversas seções importantes o texto é atribuído diretamente a Daniel. A primeira pessoa do singular: "Eu, Daniel", é usada repetidas vezes. O capítulo 7 começa da seguinte forma: "teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua cabeça; escreveu logo o sonho e relatou a suma das coisas" (Dn 7.1).

Mas nos últimos cento e cinqüenta anos a autoria do livro de Daniel tem se tornado um grande campo de batalha. Tornou-se um hábito atribuir o livro a um autor desconhecido que viveu na época de Antíoco Epifânio, 175-169 a.C. De acordo com essa posição supõe-se que o livro de Daniel é uma alegoria escrita parcialmente em códigos para encorajar e inspirar os judeus que estavam sofrendo debaixo da tirania e perseguições de Antíoco. As histórias do livro, portanto, não deveriam ser entendidas de forma literal, mas simbolicamente.

O livro, portanto, deveria figurar na categoria de pseudepígrafes (escritos posteriores que adotavam nomes de grandes homens do passado), devido a algumas semelhanças com essa categoria.

Para aqueles que entendem existir uma inspiração divina e, portanto, sobrenatural, não há motivo justificável para rejeitar a fé cristã tradicional acerca da integridade do livro de Daniel. Procurar possíveis motivos para uma outra autoria do livro que leva o seu nome é injustificável. Se levarmos em conta todos os questionamentos que foram levantados contra a sua autoria, concluímos que é necessário mais do que credulidade. É necessário fé. Essa fé busca aquietar-se e ouvir o que Deus tem a nos dizer em nossos dias acerca do firme propósito que Ele estabeleceu para o presente e nas eras futuras.

Daniel não está sozinho e indefeso na Bíblia. Sem dúvida, a referência mais impressionante e de maior autoridade é sobre Daniel 9.27. Jesus faz referência a esse texto na sua mensagem apocalíptica: "Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel..." (Mt 24.15; também cf. Mc 13.14). Jesus parece claramente dar o seu endosso para a legitimidade de Daniel como profeta e para a veracidade da sua mensagem.

Referências relacionadas por dedução à profecia de Daniel são também bastante numerosas nos ensinamentos de Jesus, particularmente em seu uso da expressão "Filho do homem". Em Mateus 24.30, lemos: "verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória".
Essas palavras parecem ecoar o que lemos em Daniel 7.13-14: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem [...] E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino" (cf. Mt 16.27-28).

Quando Paulo escreve sobre o "homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora" (2 Ts 2.3-4), ele está se referindo claramente a Daniel11.36: "e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis".

Referências de Daniel refletidas no livro de Apocalipse são suficientemente numerosas para justificar a inferência de que a autoridade desse livro do Novo Testamento sustenta a integridade do seu correlato do Antigo Testamento.

É interessante notar que os integrantes da comunidade de Qumrã, que produziram os manuscritos bíblicos mais antigos conhecidos atualmente, tinham um interesse especial pelo livro de Daniel. Com base nos fragmentos recuperados das suas cavernas fica claro que possuíam inúmeras cópias desse livro. Devido aos tempos turbulentos em que viviam logo após o reinado de Antíoco até a destruição de Jerusalém em 71 d.C., eles tinham um profundo interesse na esperança apocalíptica.

O Ambiente Histórico

O próprio livro de Daniel descreve de maneira precisa o ambiente histórico e a época quando foi escrito. O cerco e a invasão que levou Daniel e seus companheiros príncipes ao exílio ocorreu no terceiro ano de Joaquim. Isso aconteceu nos primeiros dias da ascensão do império babilônico. Nabopolassar tinha se livrado do jugo da Assíria e, junto com seu filho, Nabucodonosor, estava subjugando todos os países do Oriente Próximo, além do Egito. Judá também caiu debaixo do poder da Babilônia. Desde 606 a.C., o ano do exílio de Daniel, até 536 a.C., o ano da queda da Babilônia diante de Ciro, da Pérsia, o reino babilônico ascendeu e entrou em decadência. Grande parte desse período foi ocupada pelo reinado do poderoso Nabucodonosor (606 até 561 a.C.). Nesse período, e no início do período persa, Daniel viveu e serviu. É provável que ele tenha ultrapassado a idade de noventa anos.  

O período da vida e de serviço de Daniel coincidiu com uma época de muita turbulência internacional. A Assíria, que havia assolado as terras do Oriente Médio durante séculos, foi banida para sempre pelas forças conjuntas dos seus antigos súditos, os babilônios, os medos e os citas. O Egito, que por mil anos havia procurado controlar não somente a África, mas as terras do Mediterrâneo oriental foi reduzido à sujeição.

A Babilônia ascendeu de forma meteórica. Sob o comando de Nabucodonosor, um líder militar, organizador político e construtor cívico, a terra dos caldeus assumiu uma posição de poder, prosperidade e liderança mundial muito além do que se tinha conhecido até então.

Mas, enquanto os antigos impérios estavam desaparecendo e um novo império escrevia sua breve, mas brilhante história, o próprio povo de Daniel, o povo da promessa, estava passando por uma noite escura de provação. Exilados e longe da terra da promessa, servos em uma terra pagã, eles penduravam suas harpas nos salgueiros e aguardavam pelo romper do dia.

Embora o livro de Daniel apresente uma perspectiva mundial em suas implicações e que alcança o fim dos tempos, seu foco principal está nas terras do Oriente Médio e do Mediterrâneo. O livro não menciona os reinos e civilizações que precederam a época de Daniel. Ele não tem nada a dizer acerca de civilizações e da ascensão e queda de dinastias do Extremo Oriente, da China e da Índia. Seu foco principal é a terra onde o drama da redenção deveria ser representado com seu evento-alvo, a vinda do Messias e a consumação do seu Reino.

Mensagem do Livro

O livro de Daniel é o desvendar de um mistério. E, se por um lado desvenda o mistério, por outro, o envolve em surpresa e admiração, deixando grande parte do mistério da revelação em aberto.

Daniel era um homem de extraordinária sabedoria e percepção. Vivendo no meio de grandes e repentinas mudanças mundiais, ele foi capaz de manter seu equilíbrio e sanidade, observando o que estava acontecendo com um olhar atento. Ele serviu a reis. Ele foi um valoroso conselheiro de governantes. Porém, mais importante de tudo, ele tinha um relacionamento íntimo com o Deus dos céus. Ele estava com os seus pés firmemente plantados na terra, entre os acontecimentos terrenos. Mas, a sua cabeça ficava numa atmosfera mais clara; ele vivia diante da realidade de coisas eternas.

Algumas verdades tornam-se claras na mensagem de Daniel, revelando o plano de Deus para a Terra e seus habitantes. Em primeiro lugar, poderes terrenos e circunstâncias são temporários. As tiranias mais poderosas ficam no poder durante um curto período. Em segundo lugar, Deus faz com que a ira do homem acabe se transformando em louvor a Ele e faz com que todo o resto seja impedido. Tanto Nabucodonosor, o déspota enfurecido, quanto Ciro, o soberano sábio e cordial, testificaram dessa verdade. Em terceiro lugar. Deus mantém as suas promessas para o seu povo; Ele não esquece. 

Em quarto lugar, Deus tem seu próprio tempo para realizar a sua obra. Ele nunca se adianta nem se atrasa. Em quinto lugar, os reinos desse mundo são designados para dar lugar ao reino do nosso Senhor e do seu Cristo. Em sexto lugar, embora Deus tenha uma visão eterna e cósmica, Ele tem um interesse amoroso em relação aos afazeres mais insignificantes de um indivíduo.

O livro de Daniel foi um livro para Daniel e para o atribulado povo remanescente Deus dos seus dias. Esse também é um livro para todas as gerações, designado para manter a história em perspectiva. O livro continua sendo relevante para os nossos dias. Certamente, estamos mais próximos do tempo da consumação do Reino de Deus do que qualquer povo que viveu antes de nós. Em dias de profunda escuridão e conflitos cruciais vamos extrair esperança e coragem da mensagem transmitida a Daniel.

A HISTÓRIA POR TRÁS DO LIVRO DE DANIEL

O livro de Daniel é introduzido por um ambiente histórico claramente focado.
Interessantemente, essa breve seção está na língua hebraica, enquanto que a parte seguinte do livro (2.4-7.28) encontra-se na língua aramaica ou na língua dos caldeus Depois, a seção final do livro volta a ser em hebraico. Intérpretes têm diferido em relação aos motivos desse aspecto incomum. A explicação mais plausível para isso é que essa seção e a parte final do livro foram escritas na língua dos judeus, referindo-se especial mente ao povo de Deus no exílio. A parte escrita na língua dos caldeus refere-se às nações gentias, tendo a Babilônio como alvo imediato. As duas línguas eram comuns nos tempos  de Daniel e ambas eram entendidas pelo povo do exílio e dos séculos subseqüentes. O uso dessas duas línguas semelhantes ajudava a manter em relação estreita o ambiente histórico do livro e sua relevância ao povo a quem foi escrito.

O livro de Daniel registra: No ano terceiro do reinado de Joaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou (1; veja Quadro A). Isso seria menos do que três anos após Neco ter indicado Joaquim como rei. Os destinos políticos estavam mudando rapidamente.

Enquanto Nabopolassar era, na verdade, o monarca do novo reino da Babilônia seu vigoroso filho, Nabucodonosor, era seu herdeiro reconhecido e co-regente com ele Nabucodonosor acabara de ajuntar seu despojo e os reféns quando uma chamada emergencial veio da Babilônia. Seu pai havia falecido e ele precisava se apressar para ocupar o trono.  Dessa forma, Daniel e seus três companheiros, com outros jovens príncipes da corte de Judá, foram levados para uma terra estranha a 800 quilômetros de casa. E junto com eles vieram alguns tesouros sagrados da Casa de Deus (2) em Jerusalém para adornar o Templo de Bel na Babilônia. Sinar era a principal planície da Babilônia. 

Ambiente para Estudar o Livro

Daniel, o homem em si

1. O nome "Daniel" significa "Deus é meu juiz".

2. Daniel era um homem de fé profunda e persistente. Quando jovem, "resolveu..., firmemente, não contaminar-se" (1:8), mesmo quando nesse tempo ele estivesse desobedecendo uma ordem do rei sob o qual ele estava cativo. O princípio de obedecer a Deus acima do homem guiou-o através de toda a sua vida e foi exemplificado novamente quando era um velho, talvez perto dos noventa anos, quando ele foi lançado na cova dos leões por recusar uma ordem do rei (Daniel 6).

3. Daniel foi abençoado por Deus por causa desta fé. Ele serviu como estadista, conselheiro e profeta de Deus, aos reis da Babilônia e mais tarde aos reis dos medos e dos persas. Ele anunciou destemidamente aos reis ateus que Deus impera nos reinos dos homens.

4. Daniel era um contemporâneo tanto de Jeremias como de Ezequiel, ainda que nenhuma referência indique que estes homens tenham passado tempo juntos ou conferenciado um com o outro. Jeremias tinha provavelmente vinte anos a mais do que Ezequiel e Daniel, que tinham aproximadamente a mesma idade. Os três profetas fizeram sua obra em lugares diferentes:

a. Jeremias permaneceu em Jerusalém (626-586 a.C.)
b. Daniel viveu na cidade capital da Babilônia (605-534 a.C.)
c. Ezequiel estava na Babilônia com os exilados judeus (592-570 a.C.).

5. Nada sabemos sobre a vida pessoal de Daniel além do que é revelado no próprio livro. Em tempos anteriores, o termo "eunuco" era usado para se referir àqueles da nobreza em vez de ter nosso uso comum, portanto, se Daniel era casado ou não, é incerto.

A data da sua obra (605-534 a.C.)

1. Daniel estava entre os primeiros cativos levados de Jerusalém para a Babilônia em 605 a.C. e continuou lá durante o período de setenta anos durante os quais os israelitas estiveram em cativeiro (veja Daniel 1:1,21;10:1; Jeremias 25:11;29:10).

2. Datas importantes a lembrar:

a. 612 a.C. - Queda de Nínive, capital do império assírio.

A Assíria tinha dominado o mundo desde os dias de Tiglate-Pileser em 845 a.C. Nabopalasar subiu ao trono da Babilônia e se rebelou com sucesso contra os assírios em 625 a.C. Nabucodonosor, seu filho, foi o general que conduziu o exército babilônio contra Nínive, derrotando-o em 612 a.C.

b. 605 a.C. - A batalha de Carquêmis provou a supremacia babilônia.

Depois que a Assíria foi vencida, os egípcios se levantaram e o faraó Neco veio com seu exército lutar contra os babilônios em Carquêmis. De novo, Nabucodonosor provou sua astúcia vencendo duramente os egípcios e então perseguiu-os no caminho para o sul, através de Judá. Em Jerusalém, contudo, ele soube da morte de seu pai Nabopalasar. Retomou imediatamente à Babilônia para assumir o trono de seu pai, mas levou consigo alguns reféns dos judeus. Daniel e seus três amigos estavam entre os primeiros cativos levados. Não nos é dito quantos outros foram levados.

c. 597 a.C. - Uma segunda leva foi encaminhada para Babilônia, incluindo Ezequiel.

Joaquim (Jeconias, Conias) tinha sucedido ao reino de seu pai, Jeoaquim. Contudo, durou somente três meses antes que Nabucodonosor viesse para remover seu rei rebelado e 10.000 judeus, entre os quais estava Ezequiel (2 Reis 24:8-16; Ezequiel 1:1-3).

d. 586 a.C. - Jerusalém caiu e o templo foi destruído.

Zedequias tinha sido instalado como governador em Jerusalém, mas foi fraco e vacilante. Finalmente, onze anos depois, o exército babilônio devastou totalmente Jerusalém (2 Reis 25: 1-7). A maioria dos judeus que não foram mortos foram levados cativos para a Babilônia. Jeremias preferiu permanecer atrás com alguns poucos sobreviventes (Jeremias 40-44).

e. 536 a.C. - Babilônia cai, e a primeira leva retoma a Jerusalém.

Ciro, o rei persa, envia de volta a primeira leva para Jerusalém, guiada por Zorobabel (leia os livros de Esdras e Neemias). A fundação do templo foi lançada em 520 a.C. e completada em 516 a.C. (leia Ageu e Zacarias).

f. 457 a.C. - Uma segunda leva retoma com Esdras.

A nação é reorganizada e a palavra de Deus é lida.

g. 444 a.C. - uma terceira leva retoma com Neemias.
O muro é reconstruído em volta de Jerusalém.

Tema do Livro de Daniel: "O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens" ( DanieI 2:21; 4: 17,25,32,34-35; 5:21).

O livro trata do conflito entre o reino de Deus e os reinos do mundo. Naturalmente, por trás disto está o conflito entre Deus e as divindades pagãs. Deus prometeu estabelecer seu próprio reino e defender a causa de seus santos que o serviam naquele reino (Daniel 2:44;7:27). A verdade desta profecia é comprovada pelo fato que Deus é ainda conhecido em todo o mundo, mas todas as divindades pagãs dos dias de Daniel foram esquecidas.

Há Respostas para os Ataques contra sua Autenticidade?

As predições proféticas

1. Objeção: Os teólogos liberais alegam que o livro teria que ser escrito cerca de 165 a.C. porque, dizem eles, era impossível terem sido compostas tão minuciosas predições a respeito dos eventos vindouros. Daniel revelou a Nabucodonosor a história política envolvendo três impérios mundiais que sucederam ao império babilônio.

2. Resposta: A prova da inspiração gira em torno deste argumento central. Se Daniel escrevesse como um historiador ele não seria inspirado, mas a profecia cumprida é uma das provas mais fortes que os homens simplesmente não especularam; em vez disso, Deus revelou coisas antes que elas acontecessem ( Isaías 42:9; 44:7).

a. Daniel foi inspirado (2 Timóteo 3: 16; 2 Pedro 1 :21).
b. Ezequiel, um contemporâneo, referiu-se a ele três vezes (Ezequiel 14: 14,20; 28:3).
c. Jesus confirmou a veracidade de Daniel quando ele o declarou ser um profeta (Mateus 24:15).

Os milagres

1. Objeção: Os teólogos liberais alegam que os milagres da fornalha ardente e da cova dos leões estão ao nível dos contos de fadas infantis.

2. Resposta: Teríamos que jogar fora toda a Bíblia se cada narrativa de milagre tiver que ser rejeitada. Os milagres são atos sobrenaturais (João 3:2).
Se eles tivessem que ser explicados pela lógica humana, nada sobre eles faria com que se honre e reverencie o Pai celestial (veja Juízes 7:2).

A linguagem

1. Objeção: Os teólogos liberais alegam que o uso de três palavras gregas em Daniel 3:5 ("harpa", "saltério" e "cítara") prova que foi escrito num tempo posterior, no período grego.

Resposta: Estas palavras são nomes de instrumentos musicais e, como as palavras italianas "piano" e "viola", estes instrumentos levaram seus nomes originais para onde quer que fossem transportados.

2. Objeção: Os teólogos liberais alegam que o uso de quinze antigas palavras persas tais como "príncipes" (1:3) e "manjar do rei" (1:5) indicam uma data posterior.

Resposta: O uso destas palavras somente demonstra que a vida de Daniel tocou não somente a corte babilônia como também a persa.

3. Objeção: Os teólogos liberais alegam que dois autores escreveram o livro, baseados no fato que Daniel 2:4 - 7:28 está escrito em aramaico, enquanto o resto está em hebraico. (Eles afirmavam que era "aramaico tardio" até que os rolos do Mar Morto foram descobertos que continham partes de Daniel escritas em aramaico do 2° século que não era nada semelhante ao aramaico de Daniel, provando que era uma composição do 6° século).

Resposta: O aramaico era a língua oficial do império babilônio e se tornou língua internacional, como o inglês é hoje. As línguas semitas hebraica e aramaica têm qualidades semelhantes às das línguas românicas do francês e do italiano. Mas, assim como os franceses não entendem os italianos, os hebreus não entendiam o aramaico dos funcionários assírios e, mais tarde, dos babilônios. Durante o exílio, ocorreu uma mudança nos hábitos do falar dos judeus. Eles começaram a falar o aramaico, que finalmente afastou o hebraico e se tornou a língua falada e escrita da Palestina.

a. O fato que o livro de Daniel usa ambas as línguas não prova que é obra de dois autores diferentes, mas que o único autor usou dois estilos distintos (capítulos 1-6 e capítulos 7 -12). Se estas duas partes também tivessem sido separadas pelas duas línguas existiria  um caso mais forte. Contudo, O tanto o aramaico como o hebraico são encontrados em cada parte e, f) o aramaico se sobrepõe em ambas as partes, ligando-as. Portanto, estes fatos servem como uma forte confirmação de que um só autor seguiu um modelo consistente. 

b. Não sabemos por que a língua muda nestes lugares a não ser que ambas as línguas fossem entendidas comum ente pelos judeus nos dias de Daniel.

Afirmações históricas

1. Objeção: Teólogos liberais têm contestado muitas afirmações como sendo historicamente inexatas.

2. Resposta: A maioria dos argumentos que são apresentados atualmente será discutida quando estudarmos o texto. Contudo, esteja certo de que o arqueólogo fez o máximo para silenciar esta objeção. Vezes e mais vezes os arqueólogos têm verificado a exatidão das afirmações de Daniel. 

Conclusão

O exemplo de Daniel, um homem fiel da juventude à velhice, desafia e motiva cada um de nós na nossa busca da vida eterna na presença de Deus. Nossas circunstâncias são diferentes, mas a mesma base de fé em Deus que guiou o profeta na Babilônia 2.600 anos atrás nos levará à comunhão eterna com Deus.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
BIBLIOGRAFIA
Comentário Bíblico Beacon Daniel


O LIVRO DE DANIEL E SEU AUTOR

Neste trimestre, estudaremos Daniel, livro maravilhoso, cheio de revelações sobre “as coisas que estão por vir”. Nesta primeira lição, veremos como ele está estruturado, e aprenderemos a respeito da pessoa de seu autor.

O LIVRO DE DANIEL

1. Estrutura do livro. Este livro contém 12 capítulos e 357 versículos. Ele pode ser dividido em duas partes:

a. Parte histórica, que compreende os capítulos 1 a 6, registra acontecimentos presenciados por Daniel na Babilônia, inicialmente, sob o reinado de Nabucodonosor (cap. 1 a 4), depois, no governo de Belsazar (cap.5), e, finalmente, seu milagroso livramento nos dias de Dano, o medo (cap.6).

b. Parte profética, que compreende os capítulos 7 a 12, registra as visões que Daniel recebeu de Deus acerca da elevação e queda dos governos humanos, sobre o destino do povo de Israel, em relação à dominação das nações gentílicas, e o futuro dos judeus no plano de Deus. “O Altíssimo tem domínio sobre os remos dos homens, e os dá a quem quer” (Dn 4.32b). O livro de Daniel é chamado de o “Apocalipse do Antigo Testamento”.

Esta divisão é meramente didática, uma vez que, na chamada parte histórica, estão registrados episódios nos quais Daniel interpreta sonhos e visões de conteúdo eminentemente profético.

2. Autoria do livro. O autor do livro é o profeta Daniel. A moderna crítica teológica rejeita unanimemente esta autoria, apesar da informação contida no próprio texto (Dn 7.1; 8.2; 9.2), e da informação de Jesus, sem dúvida, o maior teólogo de todos os tempos. Ele citou em seu sermão escatológico o profeta Daniel (Mt 24.15).

Esta “moderna” teologia, que não acredita na existência da revelação profética pelo Espírito Santo, atribui a autoria do livro a um autor desconhecido que teria vivido por volta de 163 a.C. O espaço desta revista não nos permite analisar detalhadamente todos os argumentos que estes teólogos apresentam, e ficamos com o testemunho do próprio livro e com a sanção do Senhor Jesus, de que o profeta Daniel é o autor deste livro.

O livro foi escrito na Babilônia, durante o período da vigência do cativeiro babilônico.

DANIEL, O AUTOR DO LIVRO

1. Quem foi Daniel? Sobre o autor do livro, o profeta Daniel, sabe- se apenas aquilo que está relatado no livro por ele escrito. A Bíblia não registra o nome de seus pais, mas diz que pertencia à nobreza, era da linhagem real (Dn 1.3). Ele e seus três amigos, Hananias, Misael e Azarias, eram jovens de boa aparência, instruídos, bem educados (Dn 1.4), mas, sobretudo, servos de Deus, com profundas convicções (Dn 1.8). Daniel foi contemporâneo dos profetas Jeremias e Ezequiel.

2. O cativeiro babilônico. No ano de 605 a.C., no terceiro ano do reinado de Jeoiaquim sobre Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, fez o seu primeiro ataque a Jerusalém. Sitiou a cidade e levou para a Babilônia vasos sagrados da casa do Senhor (Dn 1.1,2; 2 Cr 36.4-7). 

Nessa ocasião, levou alguns judeus cativos, entre os quais, Daniel e seus três amigos (Do 1.3). Estes foram, por ordem do soberano, escolhidos, para viverem no palácio, a fim de que fossem ensinados nas letras e na língua dos caldeus, para que, posteriormente. pudessem estar diante do rei, a seu serviço (Dn 1.4,5). Posteriormente, Nabucodonosor atacou Judá mais duas vezes.

3. A cidade de Babilônia. Foi propósito do rei Nabucodonosor fazer da cidade um monumento de beleza. Ficaram famosos os seus jardins suspensos. Ao Admirar o esplendor de sua cidade, um dia, Nabucodonosor exclamou: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?” (Dn 4.30). E, por causa de sua soberba, foi castigado por Deus.

Babilônia era um grande centro de idolatria. Havia na cidade mais de 2.000 deuses. O principal era Merodaque, contra o qual profetizou Jeremias (Jr 50.2). Havia na cidade 55 templos dedicados a este deus.

Neste ambiente idolátrico, longe de sua pátria, os judeus, chorando de saudade de Sião, penduraram nos salgueiros as suas harpas (SI 137. 1,2). Veremos, a seguir como Daniel conseguiu manter-se fiel a Deus.

DANIEL, EXEMPLO PARA OS CRISTÃOS

1. Deus nos ensina, através do exemplo de seus servos. Deus ensina aos homens de muitas formas. Uma delas é através da maneira de quem vive uma vida de acordo com a sua vontade, O maior de todos os exemplos é o de Jesus, a expressa imagem da pessoa de Deus (Hb 1.3), que viveu entre nós uma vida modelo, cujo modelo devemos seguir. Ele mesmo disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15). Ver, ainda, 1 Pedro 2.21; 1 João 2.6. Paulo escreveu: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (1 Co 11.1). Ao escrever a Timóteo, ele diz que aquilo o qual lhe havia sucedido, tinha acontecido para exemplo dos que haviam de crer em Jesus, para o vida eterna (1 Tm 1.16). Também Daniel viveu uma vida exemplar, digna de ser imitada. Veremos isso em três diferentes contextos.

2. Daniel, um exemplo para os jovens. A Bíblia nada informa sobre quando e como se deu a conversão de Daniel. Mas quando, muito jovem, foi levado cativo para a Babilônia, era já um crente maduro.

a) Daniel é um exemplo, por ter buscado a Deus muito cedo na vida. “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade” (Ec 12.1). Quem se entrega a Jesus na sua juventude, ganha a salvação, mas também o privilégio de viver toda a sua vida para Cristo! Jovem, faça de Daniel o seu ideal! Entregue a sua vida a Jesus cedo! Outros exemplos de pessoas que começaram cedo a servir a Deus são Samuel (1 Sm 3.1-11), José (Gn 39.2), Davi (1 Sm 16.12), e Timóteo, o cooperador de Paulo (2 Tm 3.15).

b) Daniel é um exemplo, por ter cultivado uma vida de oração. Isto deu-lhe condições de conservar a sua identidade de servo de Deus, mesmo em uma sociedade pagã. O segredo da vitória de Daniel era o hábito de orar todos os dias três vezes (Dn 6.10), e, assim, quando influências e costumes idolátricos queriam AGIR, para envolvê-lo, tinha poder para REAGIR e manter-se vitorioso. Jovem, faça o mesmo! O segredo da vitória para todos nós é permanecermos aos pés daquele que nos amou! (Rm 8.37).

c) Daniel é um exemplo, por ter mantido firme o propósito de em tudo obedecer à Palavra de Deus. Quando entrou na escola palaciana, e viu que o cardápio, determinado para ele, entrava em colisão com os preceitos da Lei de Deus, “Daniel assentou em seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei” (Dn 1.8). Com a ajuda de Deus, conseguiu alimentar-se de acordo com a sua consciência. E Jeová o recompensou por sua fidelidade, ao dar-lhe conhecimento e inteligência, em todas as letras; e sabedoria e entendimento, em toda visão e sonhos (Dn 1.17). E, por causa da diferenciada capacidade que Deus lhe deu, Daniel permaneceu diante do rei, para servi-lo (Dn 1.19).

3. Daniel, um exemplo para todos os obreiros. Daniel ocupou um elevado cargo, tanto no reino da Babilônia (Dn 2.49; 5.29) como no império persa (Dn 6.1-3). Meu caro irmão, que ocupa uma função de responsabilidade na sociedade, seja em um cargo público, ou em uma empresa privada, tome Daniel como exemplo pessoal.
O que caracterizou Daniel enquanto era alto funcionário?

a) Daniel era FIEL (Dn 6.4). A fidelidade é um adorno que dignifica qualquer servidor, seja em que posição for. O crente deve ser fiel a seus superiores, estejam eles presentes ou ausentes. O cristão precisa ser sincero a seus colegas, e também a seus subordinados. Necessita cumprir os deveres assumidos, e ter firmeza em suas palavras, que devem ser sim, sim, e não, não (Mt 5.37).

b) Daniel não tinha VÍCIO (Dn 6.4). O vício mais comum é a prática da mentira. O crente não pode mentir (Is. 63.8; Ef 4.25). A Bíblia diz que os mentirosos não serão salvos (Ap 21.27). Outro vício é a desonestidade. O crente deve ser honesto a toda prova (Rm 12.17; 1 Ts 4.12). Neemias foi governador em Jerusalém algum tempo. Ele disse que os seus antecessores haviam-se beneficiado a si mesmos, mas ele podia dizer: “eu assim não fiz, por causa do temor de Deus” (Ne 5.15).



4.  Daniel, um exemplo para os idosos. Mesmo em idade avançada, Daniel deu bom exemplo. Tinha mais de 80 anos, quando foi convocado para interpretar a escrita na parede cio palácio, e estava em condições espirituais de fazê-lo (Dn 5.13). Pouco tempo depois, no reinado de Dano, orava três vezes ao dia (Dn 6.10).

CONCLUSÃO

A maior bênção na velhice é se poder receber a mensagem que Daniel obteve no final de seus dias: “Vai até o fim, porque repousarás, e estarás na tua sorte no fim dos dias” (Dn 12.13). No envelhecimento, estaremos mais perto de alcançar o alvo de todo crente: ESTAR PARA SEMPRE COM O SENHOR (1 Ts 4.17). E isto é uma CONSOLAÇÃO (1 Ts 4.18).

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lições bíblicas Terceiro Trimestre CPAD 1995