10 de fevereiro de 2022

A BÍBLIA TRANSFORMA PESSOAS

 

A BÍBLIA TRANSFORMA PESSOAS

 

1º Trimestre/2022

 

Texto Base: Hebreus 4.11-13; 2 Coríntios 10.4-6

 

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb.4:12).

Hebreus 4:

11.Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.

12.Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

13.E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar.

2 Coríntios 10:

4.Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;

5.Destruindo os conselhos e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;

6.E estando prontos para vingar toda a desobediência, quando for cumprida a vossa obediência.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos do tema: “A Bíblia transforma pessoas”. Embora seja um grande tesouro com respeito à sua contribuição para humanidade em literatura, filosofia e história, o maior valor da Bíblia se encontra na grande influência que ela exerce sobre o caráter das pessoas. Esse é o fator principal que a classifica como o Livro mais singular. Através de suas páginas sagradas o ser humano se vê exposto quanto à sua verdadeira condição diante de Deus. A palavra de Deus é como uma espada que penetra até os pensamentos e propósitos do ser humano e o convence de seus pecados diante de Deus (Hb.4:12). Só a Palavra de Deus pode transformar a vida de um pecador dominado pelos vícios mais profundos da alma. A leitura e a prática dos seus ditames poderão determinar o futuro eterno de uma pessoa. Quando nascemos da Palavra, ouvimos a Palavra, recebemos a Palavra e praticamos a Palavra, podemos ter garantia da salvação. O chamado santo Agostinho era um homem indisciplinado e libertino em sua juventude, porém sua mãe orava por ele enquanto ele crescia. Depois de levar uma vida dissoluta por muitos anos, certo dia, com trinta e um anos de idade, lendo a Bíblia debaixo de uma figueira, chegou num trecho que diz: "Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências" (Rm.13:13-14). Essas palavras o convenceram dos seus pecados e ele se arrependeu diante do Senhor e se tornou um servo de Cristo e um influente teólogo. A Palavra de Deus é ativa e poderosa; ela transforma pessoas.

 I. A BÍBLIA É A PALAVRA VIVA DE DEUS

1. A Palavra de Deus é viva e eficaz

Está escrito em Hebreus 4:12: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz... (Hb.4:12). A Palavra de Deus é viva e tem vida em si mesma. Ela é o sopro do próprio Deus vivo (Hb.3:12; 9:14), e não uma coletânea de doutrinas e preceitos. Ela é ativa e poderosa. Ela fere, corta e mata mais efetivamente que a melhor e mais cortante espada. Atinge onde mais nada consegue atingir. Separa até aquilo que é inseparável. Ela tem vida em si mesmo e age por si mesma. O próprio Jesus disse: “As palavras que vos tenho falado são espírito e vida” (João 6:63). Portanto, ela deve ser obedecida a fim de evitar o juízo e a morte (Dt.32:46,47).

A Palavra de Deus também é eficaz. Neste texto de Hb.4:12, o termo grego traduzido por eficaz, significa poder em ação, em contraste com poder em potencial. A Palavra de Deus é poderosa e sempre cumpre os propósitos para os quais foi designada. Ela é o bisturi de um cirurgião que descobre os mais delicados nervos do corpo humano. Portanto, a Palavra de Deus opera a vontade de Deus, jamais volta vazia e sempre realiza o seu propósito (Is.55:11).

2. A Palavra de Deus é espada penetrante

“...e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas... (Hb.4:12).

A Palavra de Deus é penetrante; ela “penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas” (Hb.4:12c). Significa que ela atinge o âmago de nosso interior, examina os segredos obscuros e revela o nosso verdadeiro caráter; ainda expõe os desejos de nossa alma e os conflitos entre o nosso espírito e a carne (Gl.5:17). Quando a lemos, ela nos lê. Quando a examinamos, ela nos perscruta. Ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas. Ela explora os pensamentos, sonda a vontade e todos os desejos do ser humano. Portanto, não existe nenhuma parte no ser humano que a Palavra de Deus não possa penetrar, seja imaterial, seja física.

A Palavra de Deus é como uma espada de dois gumes - dá vida e mata, salva e condena, traz promessas e juízos. Hernandes Dias Lopes argumenta que a Palavra de Deus corta a nossa dependência do pecado e o nosso apego ao mundo. Ela é arma de ataque e também de defesa. Ela tem resistido aos ataques mais furiosos do inimigo; tem saído vitoriosa das fogueiras da intolerância. O fogo não pode destruir a Verdade. A Palavra de Deus tem saído sobranceira do ataque dos céticos. Nada pode resistir a ela. Nenhuma resistência humana consegue impedir a ação da espada do Espírito (Ef.6:17). A Palavra de Deus não pode falhar; passam o céu e a terra, mas a Palavra de Deus jamais passará (Mt.24:35).

3. A Palavra de Deus é apta para discernir

“...e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb.4:12).

A Palavra de Deus é discernidora; ela é como o raio-X; ela perscruta o que está em nosso íntimo, devassa os corredores escuros da nossa alma e revela os segredos do nosso coração. Ela traz à luz o que está oculto. Nada fica escondido diante de sua sondagem. Coisa alguma pode ser escondida de Deus; toda a verdade é exposta “aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb.4:13). Um dia estaremos face a face com o reto e justo Juiz para prestarmos contas da nossa vida. Deus é inescapável; Ele olha desde os céus e vê todos os filhos dos homens (Sl.139:7-10). No tempo apropriado de Deus, a Sua Palavra julgará, e por fim condenará todos os incrédulos e desobedientes. Portanto, “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (Hb.3:12).

II. A BÍBLIA ANULA OS CONSELHOS DO MUNDO

1. As armas da nossa milícia

A Igreja, desde o seu nascedouro no Pentecostes, está em uma luta renhida, luta esta que não é física, mas espiritual. Nesse campo de guerra, as armas carnais são impróprias e inadequadas. Paulo esclarece aos Coríntios que “as armas da nossa milícia não são carnais” (2Co.10:4a), são espirituais. Aos crentes de Éfeso ele disse: “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef.6:12). Portanto, essa guerra espiritual não é uma ficção; o fato de o nosso inimigo ser invisível não quer dizer que é irreal. Os demônios existem de fato, mas não passam de um inconveniente diante do poder de Jesus Cristo; são entidades destituídas de poder quando estão na presença do Senhor Jesus (Mc.1:23-26; 3:11). Assim sendo, o crente deve revestir-se “de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef.6:11).

Paulo, embora estivesse preso em Roma por instigação dos judeus, por determinação das autoridades romanas, na antessala do martírio, escreveu dizendo que nossa batalha não era contra os seus algozes que o prenderam e que o mantinha preso; era contra forças demoníacas, contra batalhões de anjos caídos, contra espíritos maus, demônios, sob a liderança de Satanás (1Pd.5:8), que pertinaz procura impedir que o Plano de Deus se concretize. Embora não possamos vê-los, estamos cercados constantemente por seres espirituais malignos. Mesmo sendo verdade que eles não podem habitar num crente verdadeiro, podem oprimi-lo e molestá-lo. Portanto, há uma batalha espiritual e, para enfrentá-la, precisamos estar preparados com as armas espirituais. Devemos estar prontos, e armados, a fim de lutarmos e vencermos essa guerra. Nossas armas são poderosas em Deus (2Co.10:4b); são armas que constroem em vez de destruir; são armas que dão vida, em vez de matar.

2. A destruição das fortalezas

As armas espirituais que Deus nos dispõe são poderosas para destruir fortalezas (2Co.10:4c). Essas fortalezas são muralhas que resistem, portas que se fecham e paredes que aprisionam. O inimigo tem suas fortalezas; essas fortalezas parecem inexpugnáveis. Simon Kistemaker diz “que essas fortalezas aparecem em formas múltiplas, mas são essencialmente a mesma: são sistemas, esquemas, estruturas e estratégias que Satanás trama para frustrar e obstruir o progresso do evangelho de Cristo”. Mas as armas que usamos podem detonar essas fortalezas, fazer ruir essas resistências (2Co.10:4c). O evangelho é a dinamite de Deus que quebra pedreiras graníticas, arrebenta rochas sedimentadas e demole toda oposição.

3. A destruição dos falsos argumentos

Paulo afirmou que as armas da nossa milícia são poderosas em Deus para destruir os argumentos que se levantam contra o conhecimento de Deus (2Co.10:5). Paulo se via em uma guerra contra o raciocínio arrogante dos homens, sofismas, isto é, argumentos contrários à verdade. O verdadeiro caráter desses sofismas é descrito na expressão “contra o conhecimento de Deus”. Willian Macdonald afirma que “hoje, poderia ser usado para escrever o raciocínio de cientistas, evolucionistas, filósofos e fanáticos religiosos cujo modo de pensar exclui a soberania de Deus, e até mesmo a sua existência. O apóstolo Paulo não se dispôs a assinar uma trégua com eles; antes, seu compromisso era levar ‘cativo todo pensamento à obediência de Cristo’ (2Co.10:5). Todas as especulações e ensinamentos humanos devem ser julgados à luz dos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. Paulo não condenou a intelectualidade humana em si, mas advertiu contra o exercício intelectual rebelde e desobediente ao Senhor”.

4. A destruição de toda a altivez

No mesmo texto de 2Co.10:5, Paulo também afirma que as armas da nossa milicia são poderosas em Deus para destruir “toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus”. “Altivez” se refere a toda conduta que serve de oposição à fé em Deus (2Tm.3:8). Segundo o pr. Douglas, “aqui está incluso, entre outros, a rebeldia, o orgulho, a jactância e as demais vaidades humanas”. Colim Kruse afirma “que tanto a ‘fortaleza’ (2Co.10:4) quanto a ‘altivez’ (2Co.10:5) simbolizam os argumentos intelectuais, as racionalizações erigidas pelos seres humanos contra o evangelho”. Paulo já havia dito aos coríntios que o evangelho da cruz era considerado tolice e loucura para aqueles que viam o mundo pelas lentes da filosofia grega (1Co.1:19-25). Quando Paulo pregou o evangelho para os filósofos atenienses, eles desprezaram sua menagem. Para os filósofos, o evangelho era pura tolice (Atos 17:32). Entretanto, mediante a proclamação do evangelho, essa argumentação oca é destruída, e os pecadores são salvos.

Há muitos falsos intelectuais que tentam ridicularizar a verdade de Deus. Há muitos homens soberbos que escarnecem da fé cristã, ostentando do alto de sua prepotência, palavras ácidas contra o conhecimento de Deus. Esses homens soberbos e insolentes escarnecem da inerrância da Bíblia e pisam com escárnio suas doutrinas. William Macdonald diz que “isso pode ser aplicado hoje aos arrazoados dos cientistas, evolucionistas, filósofos e livres pensadores que não têm espaço para Deus em seus esquemas e cosmovisões”. Mas, quando usamos a verdade de Deus, essa “altivez” arrogante cai por terra e cobre-se de pó. Como afirma o pr. Douglas, “pela pregação da Palavra de Deus, o sistema soberbo do mundo é subjugado aos ensinos de Cristo” (2Co.10:5c).

III. A BÍBLIA NOS TORNA HUMILDES

1. Deus aborrece a soberba

“Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes” (Tg.4:6).

O sábio Salomão afirmou: “A soberba precede a ruína, e altivez do espírito precede a queda” (Pv.16:18). Um indivíduo soberbo é aquele que deseja ser mais do que é e ainda se coloca acima dos outros para humilhá-los e envergonhá-los. O soberbo superdimensiona a própria imagem e diminui o valor dos outros; é o narcisista que, ao se olhar no espelho, dá nota máxima e aplaude a si mesmo. É por isso que o sábio diz que, em vindo a soberba, sobrevém a desonra (Pv.11:2). Hernandes Dias Lopes afirma que a soberba é a sala de espera da desonra; é o corredor do vexame; é a porta de entrada da vergonha e da humilhação. A Bíblia diz que Deus resiste ao soberbo (Tg.4:6), declarando guerra contra ele.

A arrogância do ser humano, que o leva a se achar poderoso e a querer a glória para si ao invés de reconhecer a onipotência de Deus e a glória que só a Ele é devida, tem sido a principal causa de derrota e fracasso na vida de tantas pessoas. A soberba transformou um anjo de luz em demônio; por causa da soberba, Deus expulsou Lúcifer do Céu. Deus resiste aos soberbos; Ele declara guerra aos orgulhosos e humilha os altivos de coração.

Veja o exemplo de Nabucodonosor - ele sentia-se senhor de tudo a ponto de se permitir dominar por uma soberba inconcebível; então, Deus o advertiu através de um sonho. Daniel foi convocado para interpretar esse sonho, que era um recado direto ao rei que se arvorava no pedestal da soberba. O texto sagrado mostra que Daniel aconselhou o rei a arrepender-se dos seus maus caminhos – “desfaze os teus pecados pela justiça e as tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres” (Dn.4:27). Mas tudo indica que o rei continuou a sua vida como antes: soberbo e arrogante. A Bíblia diz que a soberba torna os olhos altivos (Pv.21:4).

Quando o homem não escuta a voz da graça de Deus, ouve a trombeta do juízo. Deus abriu para o rei Nabucodonosor a porta da esperança e do arrependimento; ele, porém, não entrou. Então, Deus o empurrou para o corredor do juízo. Deus o humilhou. O orgulho é algo abominável para Deus, pois Ele resiste ao soberbo (1Pd.5:5). Após 12 meses, o sonho se cumpriu literalmente (Dn.4:29-32); Nabucodonosor morou com os animais, comeu erva como boi e seu corpo foi molhado pelo orvalho. Depois de restabelecido, o rei entendeu que tudo aconteceu por causa da soberba. Então, ele declarou:

 Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus; porque todas as suas obras são verdades; e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba”.

Nabucodonosor foi restaurado, tanto da doença mental como da alma. Deus o transformou através das duras provas. Segundo Hernandes Dias Lopes, a conversão de Nabucodonosor pode ser vista por intermédio de quatro evidências:

  • ele glorificou a Deus (Dn.4:34). Agora, ele olha para o céu, para cima. Nossa vida sempre segue a direção de nosso olhar. Até agora ele só olhava para baixo, para a terra. Como aquele rico insensato que construiu só para esta vida, e Deus o chamou de louco. Muitos levantam os olhos tarde demais, como o rico que desprezou Lázaro; ele levantou seus olhos, mas já estava no inferno.
  • ele confessou a soberania de Deus (Dn.4.35).
  • ele testemunhou sua restauração (Dn.4.36).
  • ele adorou a Deus (Dn.4.37).

Não fomos chamados para ser irracionais ou lunáticos no exercício das nossas funções humanas. Por isso, o verdadeiro antídoto contra as ambições das nossas almas é Jesus Cristo, que é "manso e humilde de coração" (Mt.11:29).

Se desejamos viver vitoriosamente, tenhamos muito cuidado, para não sermos contagiados pela soberba, que tem levado muitos à queda, pois Deus resiste e continuará resistindo aos soberbos (Tg.4:6). Todavia, o Pai Celeste dá graças, misericórdia e ajuda em todas as situações da vida, àqueles que têm o coração quebrantado e contrito, que se chega a Ele com humildade.

2. Cristo é nosso exemplo de humildade

Jesus, o Filho de Deus deixou o céu, a glória, o Seu trono, fez-se homem, se encarnou. Ele renunciou a Sua glória celestial. Ele tinha glória com o Pai antes que houvesse mundo (João 17:5). No entanto, voluntariamente deixou a companhia dos anjos e veio para ser perseguido e cuspido pelos homens. Está escrito que Ele “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fp.2:7). Do infinito sideral de eterno deleite, na própria presença do Pai, voluntariamente Ele desceu a este mundo de miséria a fim de armar a Sua tenda com os pecadores. Ele, em cuja presença os serafins cobriam o rosto, o objeto da mais solene adoração, voluntariamente desceu a este mundo, onde foi "... desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer" (Is.53:3).

Quando esteve entre os homens, Jesus deu o maior exemplo de humildade; Ele pensava sempre nos outros. Ele servia aos pecadores, às meretrizes, aos cobradores de impostos, aos doentes, aos famintos, aos tristes e enlutados. Quando os Seus discípulos, no cenáculo, ainda alimentavam pensamentos soberbos, Ele pegou uma toalha e uma bacia e lavou os seus pés (João 13:1-13). Certa feita, ao entrar numa cidade Ele tocou no corpo imundo de um leproso e na língua de um imundo. Ele Se preocupava com as pessoas loucas de quem ninguém mais conseguia se aproximar. Ele aceitava convites para jantar nas casas de pecadores, publicanos, fariseus e hipócritas. Jesus não evitava nenhuma classe de gente. Mulheres de má reputação chegaram a Ele sabendo que encontrariam compreensão, perdão, e também a ordem de se arrependerem do mal. Jesus tirava tempo de sua apertada agenda para falar com todos, respondendo perguntas, tirando dúvidas e mostrando o melhor caminho. Ele visitava as casas do povo, assistia casamentos, pescava com amigos, falava com crianças no Seu colo. Ele sempre parava no caminho para atender um chamado de ajuda. Em Jesus podemos ver todas as atitudes associadas com uma pessoa pobre de espírito: humildade, submissão, serviço e amor. Sem dúvida, Jesus é o modelo ideal de humildade, é o nosso exemplo de humildade. Paulo requer que haja em nós esse mesmo sentimento (Fp.2:5). Precisamos proceder como o apóstolo Paulo: imitar a Cristo (1Co.11:1).

3. A humildade é uma virtude cristã

Acredito que “humildade” é uma das palavras mais mal-entendida na Igreja cristã. Muitos confundem humildade com roupa rasgada, casa velha, falta de comida, ausência de conhecimento etc. Nada disso! Humildade é a renúncia à imposição de interesses pessoais. Humildade é o remédio para os males que atacam a unidade da Igreja Local. Enquanto a ambição e o preconceito arruínam a unidade da Igreja, a genuína humildade a edifica. Cristo ensinou que para entrar no Reino dos Céus a pessoa tem de se portar com humildade (Mt.18:4). Veja que a primeira bem-aventurança cristã é ser humilde de espírito (Mt.5:3).

Para a maioria dos povos pagãos, “humildade” tem um significado negativo; é tratado como fraqueza de caráter e falta de amor-próprio. No império romano, a humildade era desprezada pelos romanos, pois era sinal de fraqueza; tinha o sentido de baixo, vil, desprezível. A megalopsiquia (contrário de humildade) é que era considerada virtude. Mas, em Cristo, a humildade torna-se uma virtude, que ocupa uma parte insubstituível no caráter cristão. Hernandes Dias Lopes afirma que “humildade representa pôr Cristo em primeiro lugar, os outros, em segundo lugar e o eu, em último lugar”. Entre o povo de Deus, a humildade é uma virtude imprescindível para promover a unidade do Corpo de Cristo. O apóstolo Pedro ordena: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Pd.5:5).

A humildade, portanto, deve ser a marca do cristão, pois seu Senhor e Mestre foi “manso e humilde de coração” (Mt.11:29). O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes de Filipos, disse que Jesus aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fp.2:6,7). No Evangelho de João, nosso Senhor lavou os pés dos apóstolos dando o exemplo de humildade (João 13:13-15). Os discípulos de Cristo demoraram entender essa lição e muitas vezes discutiram quem devia ocupar a primazia entre eles. Nessas ocasiões Jesus lhes dizia que maior é o que serve e que Ele mesmo veio não para ser servido, mas para servir (Mc.10:45).

CONCLUSÃO

A Palavra de Deus é poderosa, viva e inspirada pelo Espírito Santo para transformar vidas. Ela transforma pessoas, e ela tem poder para regular a vida do cristão em todos os sentidos. Quando ouvimos a Palavra de Deus, ela vai penetrando o nosso ser, o nosso coração; ela vai transformando os sentimentos da nossa alma e os pensamentos da nossa cabeça. Ela é poderosa para ensinar, para repreender, para corrigir e para instruir na justiça. É pelo poder da Palavra de Deus que o cristão torna-se apto e plenamente preparado para toda boa obra.

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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD

William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento).

Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Norman L Geisler. Introdução geral à Bíblia. Vida Nova.

Pr. Douglas Baptista. A Supremacia das Escrituras – A inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. CPAD.

Pr. Hernandes Dias Lopes. Efésios - Igreja, a noiva gloriosa de Cristo.

Pr. Hernandes Dias Lopes. 2Corintios - O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldades.

Pr. Hernandes Dias Lopes. Hebreus. A superioridade de Cristo.

 

3 de fevereiro de 2022

A BÍBLIA COMO UM GUIA PARA A VIDA

 

A BÍBLIA COMO UM GUIA PARA A VIDA

 

Texto Áureo:

Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho.(A Palavra de Deus é chamada de lâmpada e luz porque nos mostra onde estamos agora, guia nos no próximo passo e impede nos de cair. Veja Salmo119.105; Provérbios 6.23; 2 Pedro 1.19).

 

Salmo 119.105

Sobre este versículo Jeremiah Burroughs (pregador puritano inglês) disse; “Eu considerei a tua palavra como uma lâmpada para os meus pés, como algo que me interessava intimamente, e então jurei, e cumprirei, que guardarei os teus justos juízos. É uma maneira poderosa de despertar o espírito de um homem e incitá-lo à obediência, considerar a palavra como escrita para ele, como uma lâmpada e uma luz para ele. Quando você consegue ouvir a palavra de Deus, e Deus conduz o ministro para que você aprenda a palavra que é dita, ela lhe incitará e despertará, e você dirá, “Oh, eu senti que hoje cada palavra que o ministro dizia era dirigida a mim; eu preciso dar ouvidos a ela”. E, assim, saiba que cada palavra nas Escrituras que diz respeito a você, foi escrita por Deus para você; e se você assim entender, este será um meio poderoso de incitá-lo à obediência”.

Philip Doddridge (educador, hinógrafo e pregador inglês) disse; “Você deve se entregar a Deus de uma maneira completa (aprendendo sobre e obedecendo sua palavra), jamais pretendendo pertencer a si mesmo. Pois os direitos de Deus são, como a sua natureza, eternos e imutáveis; e com relação às suas criaturas racionais, são os mesmos, ontem, hoje e para sempre. Eu desejo ainda aconselhar e insistir que esta dedicação ou consagração seja feita com toda solenidade possível”. - grifo pessoal.

 

1– A Bíblia é Um Alicerce Para a Vida

 

1.  A Palavra de Deus é alicerce.

Alicerce: Base sobre a qual se assentam as estruturas externas de uma construção.

Se a Base não for bem construída (firme), toda a contrução estará em perigo.

 

A Palavra de Deus deve ser o alicerce (a base) sobre a qual nossa vida está firmada. Jesus falou sobre isso em Mateus 7.24-27:

24Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha (a casa representa nossa vida, a Rocha representa a Palavra de Deus, os ensinamentos de Cristo).

25E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha (a chuva, os rios e os ventos representam as lutas da vida, as investidas de satanás).

26E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia (a areia representa tudo aquilo que não tem aprovação de Deus).

27E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda (aqueles que não estão firmados na palavra, nos ensinamentos da Palavra de Deus, sofrem e sofrerão terríveis consequências).

Mateus 7.24-27

Estas palavras de Jesus mostram que nossa vida deve estar alicerçada (firmada) na Palavra de Deus, pois a Palavra de Deus é o alicerçe que nos sustenta neste mundo. Infelizmente muitas pessoas edificam suas vidas sobre a areia, ou seja, sobre aquilo que não tem a aprovação de Deus.

 

2.  A Palavra de Deus é luz.

A palavra de Deus é Luz para guiar nossas vidas. Gosto bastante da ilustração do

American Messenger 1881 (um jornal publicado uma vez por mês na Filadéfia, EUA) que dizia;

“Tendo andado cerca de três quilômetros para chegar a um local onde muito poucos sabiam ler, para passar uma noite de leitura com um grupo que se reuniu para ouvir, e prestes a retornar por uma estreita trilha em meio às árvores, onde as trilhas se confundiam, eu recebi uma tocha de pinheiro. Eu objetei: era muito pequena, não pesava mais que 250 gramas. “Isto iluminará o seu caminho para casa”, respondeu meu anfitrião. Eu disse, “O vento poderá apagá-la”. Ele disse, “Isto iluminará o seu caminho para casa” . “Mas, e se chover?” Novamente objetei. “Isto iluminará o seu caminho para casa” , insistiu ele. Contrariamente aos meus temores, a tocha forneceu luz abundante e iluminou todo o meu caminho de volta para casa, propiciando um excelente exemplo, como frequentemente penso, da maneira como os corações duvidosos serão conduzidos ao longo do “caminho estreito”. Se eles levarem a Bíblia como seu guia, ela será uma lâmpada para seus pés, e os conduzirá ao lar celestial”.

 

3.  A Palavra de Deus é imutável.

Para falar da imutabilidade da Palavra de Deus, vou falar primeiro sobre a imutabilidade de Deus.

1. Deus é imutável.

A imutabilidade de Deus (a sua qualidade de nunca mudar) é claramente ensinada em toda a Escritura. Por exemplo, em Malaquias 3:6 Deus afirma: “Porque eu, o SENHOR, não mudo” (Ver também Números 23:19; 1 Samuel 15:29; Isaías 46:9-11 e Ezequiel 24:14).

Deus é perfeitamente completo em si mesmo. Consequentemente, Ele não é passível de mudança. Seu “Ser” é imutável porque Ele não tem progresso nem retrocesso algum. Deus não pode ser aumentado nem diminuído em suas capacidades essenciais. De um modo simples, mas claro, diz o salmista:

26. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como uma veste, envelhecerão; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.

27. Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim.

Salmo 102.26,27

 

Porque Ele (Deus) não depende das coisas criadas e porque a sua essência é eterna, Ele não muda. As Escrituras apresentam a Deus como quem existia eternamente, quando ainda nada existia, e isso o faz imutável em seu “Ser” e Aquele de quem provém todas as coisas. Tudo o que é criado não é eterno e, por isso, está sujeito a mudança. Mas Deus é eterno, imutável, sem as dificuldades da temporalidade e da finitude. Por causa deste atributo, Deus está livre de qualquer aumento, diminuição, crescimento ou decadência. É impossível para Deus mudar para melhor ou para pior, porque ele é autossuficiente em tudo. Suas prescrições e decretos não variam nunca. Por essa razão podemos confiar nele inteiramente. Ele não muda. Se Deus não fosse imutável ele não seria Deus. Qualquer coisa que muda deixa de ser o que é. Mas Deus não altera em nada o seu “Ser”.

A razão nos ensina que nenhuma mudança pode ocorrer em Deus, porque isto implicaria mudança para melhor ou para pior. Mas essas coisas são impossíveis em Deus, porque ele é perfeito em tudo o que faz e é.

Os homens mudam os seus planos, mas Deus não. Há duas razões pelas quais os planos dos homens mudam:

1-A falta de previsão para antecipar-se aos acontecimentos.

2-A falta de poder para levá-los a cabo. Mas estas coisas não podem acontecer com Deus, de forma alguma. Ele é onisciente e onipotente. Não está, portanto, sujeito a mudança (Salmo 33.11).

Preste muita atenção

Deus é imutável, mas não imóvel.

A despeito de não haver nenhuma mudança na sua natureza, nos seus atributos, nos seus decretos e nas suas promessas, não podemos dizer que Deus é inamovível (isto é, que não se move) em tudo o que faz. Deus tem movimentos no seu “Ser” e no seu modo de agir, que não o tornam um ser estático. Deus muda de atitude quando as suas promessas, por exemplo, são condicionadas à obediência dos seres humanos. Portanto, se quisermos dar uma definição ainda melhor da imutabilidade de Deus, teremos que dividi-la em duas partes, como fez o teólogo Wayne Grudem:

“Deus é imutável em seu ser, suas perfeições, seus propósitos e suas promessas; todavia, Deus age, e ele o faz de modo diferente em resposta a diferentes situações”.

Essa segunda parte da definição diz respeito às aparentes mudanças que as Escrituras atribuem a Deus e nos guarda contra a ideia da imobilidade em Deus.

Analisemos agora algumas mudanças aparentes no “Ser” de Deus, que devem ser devidamente entendidas sem que tornemos Deus parecido com os seres criados, isto é, mutável.

As Escrituras mostram as muitas vezes em que Deus muda de atitude para com o homem. Essas mudanças estão relacionadas com as suas bênçãos ou maldições condicionais. O Salmo 78 é um exemplo típico dessas mudanças em Deus. Deus muda de atitude no seu relacionamento com os seres humanos dependendo da atitude que eles têm para com seus mandamentos. Então, Deus age de acordo com os padrões e exigências de sua natureza moral. É o caso do rei Ezequias (Isaías 38.1- 8). Deus não alterou os seus planos quanto à duração da vida do rei, mas simplesmente afirmou que ele morreria de uma doença mortal, se não houvesse uma intervenção divina. Quando o rei se arrependeu dos seus pecados e suplicou pela misericórdia divina, Deus ouviu as suas orações e lhe deu a sobrevida. Essa sobrevida de 15 anos estava nos planos de Deus, que também incluem o arrependimento dos seus filhos. Portanto, seria tolice pensar em Deus como alguém que altera os seus decretos por causa da atitude dos homens. Deus se move de acordo com os planos que estabeleceu, que incluem as bênçãos condicionais. Quando o estado moral dos homens muda, isto é, quando os homens se arrependem do mal praticado, Deus também muda de atitude para com eles, sendo-lhes misericordioso. Essa mudança de atitude em Deus de forma alguma indica que ele mudou qualquer coisa em sua natureza ou em seus atributos ou promessas. Deus muda de ira para misericórdia, de maldição para bênção, de rejeição para aceitação. Essa atitude relacional de Deus não provoca Nele nenhuma melhora ou piora. Ele apenas age de acordo com a sua natureza. Uma hora Ele age de acordo com o seu amor, outra hora de acordo com a sua justiça, sua soberania. etc. Foi assim que aconteceu com o rei Ezequias e com todos nós que estamos debaixo das suas bênçãos condicionais.

Deus não mente e nem se arrepende (Números 23.19). Alguns trechos bíblicos que falam sobre arrependimento de Deus, mesmo sendo divinamente inspirados, foram escritos de forma que facilitassem a compreensão humana sobre o agir de Deus, é claro que Deus não tem o arrependimento que o homem tem. Deus não é homem para se arrepender. É óbvio que o arrependimento, que conota erro, falta de planejamento, impotência, etc., não pode ser atribuído a Deus. Essas coisas são próprias de seres criados e não do Criador.

 

2. A Palavra de Deus é imutável.

Toda a Palavra de Deus escrita e inspirada de Gênesis a Apocalipse é imutável, Deus sabe tudo o que está escrito (Ele é o autor), não há nenhuma possibilidade de Deus mudar o que está escrito na Bíblia. Pois a Palavra de Deus é imutável, assim como Deus é imutável.

2– A Bíblia nos Torna Pessoas Sábias

 

1.  O conceito de sabedoria.

Sabedoria: do hebraico “Hokmãh” e do grego “Sophia”.

 

No grego era um termo usado para se referir a uma reflexão (ou exposição) sobre a verdadeira natureza das coisas. No Novo Testamento a palavra “Sophia” é usada para se referir a Deus, Jesus e a sabedoria personificada. Esta palavra (Sophia) também é usada com referência a sabedoria humana, nas coisas espirituais, na esfera natural e em sua forma mais degradante, que é a sabedoria terrena, animal e diabólica (Tiago 3.15). Há muitas passagens no Novo Testamento onde a “Sabedoria” é mencionada, mas talvez a mais completa de todas esteja em Tiago 3.13-17:

13Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria.

14Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade.

15Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.

16Porque, onde inveja e espírito faccioso, perturbação e toda obra perversa.

17Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia.

Tiago 3.13-17

 

A verdadeira “Sabedoria” é demonstrada através de atitudes sinceras, humildes e cheias de amor. É perfeitamente possível ter muito estudo e inteligência acima da média e mesmo assim não ser sábio. Pois o coração pode estar contaminado com inveja e egoísmo, distorcendo assim a relidade e levando a mente a não funcionar corretamente, o que faz a pessoa ter um comportamente irracional, materialista e até demoníaco.

Deus deseja que todos sejam sábios, quanto aqueles que não tem a “Sabedoria que vem de Deus”, a Palavra de Deus diz;

5E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada.

6Peça-a, porém, com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte.

Tiago 1.5,6

 

2.  Deus é a fonte de sabedoria.

3.  O temor é o princípio da sabedoria.

4.  Os benefícios da sabedoria.

Em última instância toda sabedoria está enraizada e fundamentada em DEUS. A sabedoria forma uma parte central da natureza de DEUS. Com sabedoria, DEUS criou o universo (Provérbios 3.19) e os seres humanos (Salmo 104.24). Assim, a sabedoria, em sua conotação positiva, é algo inerente a DEUS, refletida na criação e uma parte da razão para a existência do homem.

A sabedoria de DEUS expressa na criação da humanidade quer dizer que a vida humana também pode ser marcada pela forma e pela ordem, e esse sentido na vida pode ser encontrado no mundo criado, que contem sinais da sabedoria divina. A sabedoria de DEUS é criativa, intencional e boa; ela não é meramente a atividade intelectual de DEUS. O potencial da sabedoria humana fundamenta-se na criação da humanidade. Os seres humanos, criados pela sabedoria divina, tem em seu interior a capacidade para a sabedoria concedida por DEUS. Por isso, é impossível entender a sabedoria do homem sem primeiro aprender seu necessário antecedente, a sabedoria divina.

A sabedoria de DEUS pode ser concebida como sendo um aspecto particular do seu conhecimento. Stephen Charnock (teólogo inglês) disse que “DEUS deve ter conhecimento, ou ele não poderia ser sábio; a sabedoria é a flor do conhecimento, e o conhecimento é a raiz da sabedoria”. Em DEUS o conhecimento é a causa e a sabedoria é o efeito. É evidente que conhecimento e sabedoria não são a mesma coisa, ainda que estejam intimamente ligados. Vemos exemplo disso nos dons que DEUS dá aos homens, pois DEUS fala do conhecimento e da sabedoria como dons diferentes, mas muito relacionados (1 Coríntios 12.8; ver Daniel 5.14; Isaías 11.2). Nem sempre esses dons se encontram, juntos, numa só pessoa. Um homem inculto pode sobrepujar em sabedoria a um erudito. Os homens adquirem conhecimento por meio de estudo, mas a sabedoria é o resultado do conhecimento intuitivo das coisas. O primeiro é teórico, e o segundo é prático. Normalmente a sabedoria usa o conhecimento para servir a alguns propósitos determinados. O conhecimento é o entendimento das regras gerais, enquanto a sabedoria é o extrair conclusões de regras particulares para um propósito definido. A sabedoria é o conhecimento intuitivo aplicado.

Eu particularmente gosto da definição que Edward Percy Ellis (teólogo e professor de EBD) dá a respeito de conhecimento e sabedoria. Percy Ellis diz que;

“Conhecimento (ou ciência) são informações sobre pessoas, animais, lugares, DEUS, e Sabedoria é o modo conveniente de usar estas informações”.

Não pode haver sabedoria sem algum tipo de conhecimento. Toda manifestação de sabedoria é derivada de um conhecimento adquirido ou intuitivo. Muito embora a sabedoria e o conhecimento não sejam a mesma coisa, eles não podem estar dissociados. No caso de DEUS, em quem a sabedoria é infinita, está pressuposto um conhecimento também infinito. Em DEUS a sabedoria não pode existir sem o conhecimento de todos os fatos pertinentes ao seu propósito. Tanto a sabedoria como o conhecimento são imperfeitos no homem, mas em DEUS eles se caracterizam por sua perfeição e infinitude. A sabedoria de DEUS é sua inteligência manifesta na adaptação dos meios aos fins. Louis Berkhof (teólogo holandês) descreve a sabedoria da seguinte forma:

“É aquele atributo de DEUS por meio do qual o próprio DEUS produz os melhores resultados possíveis com os melhores meios possíveis”.

Uma outra definição melhorada é:

 

“Aquela perfeição de DEUS por meio da qual Ele aplica seu conhecimento para a obtenção de Seus fins conforme a maneira que mais o glorifique”.

O homem tem sabedoria, mas essa sabedoria humana foi colocada nele, ele a teve acrescida por alguém de fora. Todavia, a sabedoria não é algo acrescido a DEUS e que veio a pertencer a DEUS. Os homens possuem sabedoria e DEUS é sabedoria. Como o esplendor do sol e o sol são uma coisa só, assim DEUS é a sua sabedoria. Os dois vêm sempre juntos. Ao mesmo tempo que a sabedoria é um atributo de DEUS, DEUS é a própria sabedoria. Portanto, a sabedoria é um atributo essencial de DEUS sem o qual ele não poder ser o que é e nunca os dois andam separados.

A sabedoria é propriedade de DEUS, é originária em DEUS, a sabedoria de DEUS é incompreensível, é eterna e é revelada em Cristo JESUS.

O ser humano deve ter também em mente que:

  A verdadeira sabedoria deve ser buscada (Provérbios 2.1-4)

  A verdadeira sabedoria é encontrada em DEUS (Provérbios 2.6; 3.5-7)

  A verdadeira sabedoria os retos possuem (Provérbios 2.7)

  A verdadeira sabedoria é internalizada (Provérbios 2.10)

  A verdadeira sabedoria provém do temor do SENHOR

  A verdadeira sabedoria associa-se com a guarda dos mandamentos (Provérbios 3.1)

  A verdadeira sabedoria faz com que o ser humano não confie em si mesmo (Provérbios 3.5-8)

  A verdadeira sabedoria inclui a disciplina como prova de amor (Provérbios 3.9-12)

  A verdadeira sabedoria é de alto valor (Provérbios 3.13-17)

  A verdadeira sabedoria é vida (Provérbios 3.18)

  A verdadeira sabedoria está evidente na criação (Provérbios 3.19)

 

3- A Bíblia e a Prudência

1.  O conceito de prudência.

Prudência: é prever o que pode acontecer através de, reflexão usando o conhecimento e sabedoria adquiridos, cautela, precaução, procurar evitar inconveniências e perigos.

2.  A prudência dos justos.

3.  Os benefícios da prudência.

É impossível ser um cristão verdadeiro sem ser prudente, pois a a prudência nos faz ler a Bíblia, orar, jejuar, ir a “igreja”, respeitar as lideranças aprovadas por Deus, fazer a obra de Deus, ajudar os necessitados, ser um bom filho, um bom pai, um bom obreiro, um bom menbro da “igreja” e etc..

Conclusão:

A Bíblia é um guia seguro para a nossa caminhada cristã. A Bíblia é o “mapa” do cristão, o “manual de sobrevivência do cristão neste mundo”.

 

 

Fontes:

 

Bíblia de Estudo Pentecostal,

Bíblia de Estudo Arqueológica,

A Bíblia Interpretada Versículo por Versículo Russel Norman Champlin,

Tesouros de Davi Charles Haddon Spurgeon,

Revista Cristão Alerta Trimestre de 2022,

Comentários Expositivos Hagnos – Hernandes Dias Lopes,

Livro de Apoio 1º Trimestre de 2022,

A Interpretação Bíblica - Roy B. Zuck,

 Interpretacao Biblica_ Como Ler - Welfany Nolasco Rodrigues,

Comentário Bíblico A. T. Robertson,

Apontamentos teológicos professor José Junior.