21 de novembro de 2023

A Igreja e o Sustento Missionário

 

A Igreja e o Sustento Missionário -

TEXTO ÁUREO

“O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.” (Fp 4.19)

Esmiuçando o Texto Áureo

Segundo a sua riqueza - Deus daria o aumento aos filipenses proporcionalmente aos seus infinitos recursos, e não apenas uma pequena porção de suas riquezas; Sua plenitude é infinita; e através de Cristo, cujos seguidores somos, ele dispensará todas as bênçãos necessárias da providência, graça e glória para nós.

Cada uma de vossas necessidades - Paulo abrangeu todas as necessidades materiais dos filipenses, as quais, provavelmente, tinham sido exauridas em certo grau por causa da generosa oferta deles (Pv 3.9).

VERDADE PRÁTICA

O sustento missionário é um investimento espiritual que Deus credita na conta dos doadores.

Esmiuçando a Verdade Prática

Muitos de nós impedimos que Deus nos dê por não praticarmos a lei que Ele mesmo estabeleceu para que Ele pudesse dar a nós. Recusamo-nos a suprir a Casa de Deus e as necessidades de outros, por meio da contribuição, e depois não entendemos porque não somos supridos pela intervenção divina!

LEITURA BÍBLICA = Filipenses 4.10-20

Esmiuçando a Leitura Bíblica em Classe

4.10 - vos faltava oportunidade. Aproximadamente dez anos haviam se passado desde que os filipenses haviam feito a primeira oferta a Paulo a fim de ajudar a suprir suas necessidades, quando ele havia estado em Tessalônica pela primeira vez (vs. 15-16). Paulo estava consciente do desejo deles de continuar a ajudar, mas percebeu, na providência de Deus, que eles não haviam tido "oportunidade" (tempo) para ajudar.

4.11 - contente. O termo grego significa "ser autossuficiente" ou "estar satisfeito". É a mesma palavra traduzida por "suficiência" em 2Co 9.8. Indica independência de qualquer necessidade de ajuda (Lc 3.14; 1Ts 4.12; 1Tm 6.6,8; Hb 13.5).

Em toda e qualquer situação. Paulo definiu as circunstâncias no versículo seguinte.

4.12 - humilhado... honrado. Paulo sabia como passar com recursos modestos (comida, vestimenta, necessidades diárias), bem como viver em prosperidade ("abundância"), de fartura como de fome.

A palavra grega traduzida por "fartura" era usada para a alimentação e engorda dos animais. Paulo sabia como estar contente tanto quando tinha muito para comer quanto quando era privado do suficiente para comer.

4.13 - Tudo posso. Paulo usa um verbo grego que significa "ser forte" ou "ter força" (At 19.16,20; Tg 5.16). Ele tinha forças para suportar "todas as coisas" (vs. 11-12), incluindo a dificuldade e a prosperidade no mundo material; naquele que me fortalece. A palavra grega para fortalecer quer dizer "colocar força em". Porque os cristãos estão em Cristo (Gl 2.20), ele instila neles a sua força, a fim de sustentá-los até que recebam alguma provisão (Ef 3.16-20; 2Co 12.10).

4.14 - Paulo acrescenta uma palavra de esclarecimento aqui, para que os filipenses não pensassem que ele não estava sendo grato pela oferta mais recente deles, por causa do que acabara de escrever (11-13).

4.15 - no início do evangelho. Quando Paulo pregou o evangelho em Filipos pela primeira vez (At 16.13). quando parti. Quando Paulo deixou Filipos pela primeira vez, aproximadamente dez anos antes (At 16.40). Macedônia. Além de Filipos, Paulo também ministrou em duas outras cidades na Macedônia: Tessalônica e Bereia (At 17.1-14). no tocante a dar e receber. Paulo utilizou três termos empresariais. "No tocante" pode ser traduzido por "computando". "Dar e receber" diz respeito a despesas e receitas. Paulo era um fiel mordomo dos recursos de Deus e registrava cuidadosamente tudo o que recebia e gastava; senão unicamente vós. Somente os filipenses enviaram provisões para Paulo afim de suprir suas necessidades.

4.16 - até para Tessalônica. Paulo pregou lá por poucos meses, durante a sua segunda viagem missionária.

4.17 - fruto. A palavra grega pode ser traduzida por "lucro"; aumente o vosso crédito. Os filipenses estavam, de fato, armazenando para si mesmos tesouros no céu (Mt 6.20). As ofertas que eles deram para Paulo estavam acumulando dividendos para crédito espiritual deles (Pv 11.24-25; 19.17; Lc 6.38; 2Co 9.6).

4.18 - Epafrodito. Um filipense nativo sobre quem pouco se sabe. Seu nome era um nome grego comum, tirado de uma palavra familiar que, originalmente, significava "o favorito de Afrodite" (deusa grega do amor). Posteriormente, o nome veio a significar "adorável" ou “amoroso". Ele foi enviado a Paulo com doações (4.18) e deveria permanecer e servir a Paulo como pudesse; aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus. No sistema de sacrifício do AT, todo sacrifício linha de produzir um aroma e ser aceitável a Deus. Somente se fosse; oferecido com a atitude correta seria agradável a ele (Gn 8.20-21; Êx 29.18; Lv 1.9,13,17). A oferta dos filipenses foi um sacrifício espiritual (Rm 12.1; 1Pe 2.5) que agradou a Deus.

4.19 - segundo a sua riqueza. Deus daria o aumento aos filipenses proporcionalmente aos seus infinitos recursos, e não apenas uma pequena porção de suas riquezas, cada uma de vossas necessidades. Paulo abrangeu todas as necessidades materiais dos filipenses, as quais, provavelmente, tinham sido exauridas em certo grau por causa da generosa oferta deles (Pv 3.9).

4.20 - Essa doxologia é o louvor de Paulo em resposta direta à grande verdade de que Deus supre todas as necessidades dos santos. Num sentido mais geral, esse é o louvor em resposta ao caráter de Deus e à sua fidelidade.

INTRODUÇÃO

Imagine por um momento que você receba um convite para mudar-se com sua família para trabalhar em outro país. Você analisa a oferta e, do seu ponto de vista atual, parece muito boa. O pacote oferecido parece que dará a você condição de cuidar bem da sua família e ainda sobrar. Não existe prazo determinado para você ficar no outro país, mas existem dois detalhes muito importantes. A sua pátria só permite você permanecer em outro país enquanto estiver ativo (trabalhando). Então, ao encerrar sua época de trabalho naquele país, você terá que voltar para a sua pátria.

É proibido retornar à sua pátria com dinheiro em espécie. Então qualquer valor que você queira ter, após encerrar seu tempo no outro país, você terá que enviar para sua pátria antes, através de remessas. Analisando o convite, você chega a algumas conclusões: A vida naquele país será boa. Ao mesmo tempo, você sempre precisará ter em mente que a vida lá é temporária, embora o prazo seja indeterminado. Financeiramente, não fará sentido acumular grandes riquezas naquele país, pois você não conseguirá levar nada com você quando o tempo lá acabar.

Você precisará planejar e ser proativo, pois não dependerá só de você a decisão de quando encerrará o seu trabalho naquele país. Você deverá enviar, antecipadamente, as riquezas para sua pátria. Analisando a história e as conclusões apresentadas, o que você faria? Se fosse sua história, quais decisões tomaria? E se eu lhe falar que esta é a sua história? Embora sua história esteja ainda sendo escrita, você está vivendo em “outro país”, e um dia o seu trabalho terminará. Na história contada acima, o fim do período de trabalho é a morte. No dia da sua morte, você não terá mais como usufruir das riquezas acumuladas nesta vida. Tudo que você acumular aqui, ficará aqui, para que outras pessoas usufruam.

Os cristãos, em sua maioria, vivem esta vida completamente esquecidos de que, embora seja boa a vida aqui, ela é temporária; e que um dia iremos para nossa pátria celestial, deixando para trás não somente tudo que consumimos nesta vida, mas também tudo que acumulamos. Alguns, quando finalmente se dão conta desta realidade, passam a viver uma vida de gastos cada vez maiores e, infelizmente, com cada vez menos contentamento. Mas Jesus estava querendo ensinar aos seus discípulos que existe uma solução para que não sejam desperdiçadas as riquezas nesta vida. A solução de Jesus está registrada no livro de Mateus 6.19-21”. Este é um trecho de: “O princípio do tesouro: uma estratégia de câmbio para a vida e além”, Por Brian Heap, disponível em: ultimato.com.br.

I. A IGREJA DE FILIPOS E O SUSTENTO MISSIONÁRIO

1. Paulo e a igreja de Filipos.  O apóstolo Paulo foi um missionário incrível que dispôs sua vida para ser usado por Deus em contextos transculturais. Saiu da sua zona de conforto e viajou pelo mundo afora conforme o Espírito de Deus o direcionava. Mas Paulo reconhecia uma necessidade vital em seu ministério. O propósito deste texto destacado na leitura Bíblica em Classe é claro: agradecer a dádiva que Epafrodito (2.25-30) trouxe ao apóstolo Paulo em Roma (4.18).

É nesta parte da carta que Paulo chega a uma das principais razões por que está escrevendo: expressar sua gratidão pela oferta que Epafrodito lhe trouxera da igreja de Filipos. O apóstolo a reservou para o fim com o objetivo de dar-lhe ênfase. Paulo não poderia levar a cabo tudo o que fez sem o apoio e a ajuda da igreja de Filipos. Essa igreja deu-lhe suporte financeiro e sustentação espiritual. Aqueles que estão na linha de frente precisam ser encorajados pelos que ficam na retaguarda: “... porque qual é a parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que ficaram com a bagagem; receberão partes iguais” (1Sm 30.24).

Deus chama uns para irem ao campo missionário e aos demais para sustentar aqueles que vão. A obra missionária é um trabalho que exige um esforço conjunto da igreja e dos missionários. Neste texto, vemos claramente como essa parceria funciona.

2. O privilégio de participar do sustento missionário. O momento que vivemos está sendo saturado por temas escatológicos e muitos estão dedicando seu tempo ao escrutínio desse tema. O momento talvez, esteja mais propício ao tema Missões! Incentivarmos a Igreja a a participar e a sustentar missionários. O texto de Atos 1.6-8 nos expõe o princípio da prioridade. O texto mostra que a prioridade de Jesus não era escatológica, mas missiológica. Jesus criou uma igreja funcional e não apenas contemplativa. Criada para espalhar a sua Palavra a todos os povos, em todas as gerações, até a sua volta. E em Atos 13.1-3 nós vemos como se dá o processo de envio do missionário.

O texto não nos esclarece como o Espírito Santo se manifestou e falou à igreja, mas toda a ação deixa bem claro que a igreja prontamente ouviu. É interessante notar no texto lido que a maior alegria de Paulo não era receber o donativo enviado pela igreja, mas saber que os dividendos espirituais da igreja aumentaram por conta da sua generosidade. O apóstolo enfatiza que sente gratidão não apenas porque eles lhe enviaram uma oferta, mas, também, porque esse enviar serviu de sinal da graça celestial na vida deles. Financiar a obra missionária, ser generoso com missões, é um sinal claro e evidente da plenitude da graça de Deus na vida da Igreja.

3. Esferas de sustento missionário. O Texto escolhido está cheio de termos comerciais, “...procure o donativo” talvez seja um termo técnico para a exigência de pagamento de juros.

Já a palavra “fruto” é lucro ou juros. A expressão grega pleonazein, “que aumente”, é um termo bancário regular para crescimento financeiro; “vosso crédito” significa conta. Assim, a sentença toda é um jogo de palavras que procura exprimir a esperança de Paulo, num jargão comercial: “aguardo os juros que serão creditados em vossa conta”, de tal forma que Paulo, no último dia, estará satisfeito com os seus investimentos em Filipos.

Quando ofertamos, nos beneficiamos a nós mesmos na mesma medida em que socorremos os necessitados (2Co 9.10-15). Quem dá ao pobre, a Deus empresta. Quem semeia com abundância, com abundância também ceifará (2Co 9.7). O texto bíblico de Hebreus 6.10 diz: “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos”.

O doador enriquece as duas pessoas: a que recebe e a si próprio. O donativo era realmente um investimento que entrava como crédito na conta dos filipenses, um investimento que lhes acresce paulatinamente ricos dividendos. A Palavra de Deus é enfática em afirmar que um donativo feito de modo correto sempre enriquece o doador. “A alma generosa prosperará” (Pv 11.25). “Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta” (Pv 19.17). “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20.35).

II. PRINCÍPIOS BÁSICOS ACERCA DO SUSTENTO MISSIONÁRIO PELA IGREJA

1. O custo do sustento financeiro. Nesse processo de envio e cumplicidade existem várias formas de a igreja participar no projeto de Deus:

 • Orando pelo missionário (2 Co 1.11; Rm 15.30; Cl 4.2-4);

• Apoiando quem está se preparando para missões (At 18.11; At 19.9,10);

• Dando apoio moral e espiritual ao missionário (Fl 1.3-5; At 15.24,25);

• Sendo um missionário em tempo integral (1Co 9.16);

• Enviando o missionário escolhido por Deus (At 13.1-3);

• Possibilitando o envio do missionário ao campo (Rm 15.24), e

• Investindo financeiramente na obra missionária (Lc 8.1-3; Fp 4.10-19).

2. Princípios básicos do sustento missionário. O que está descrito aqui é o ideal do projeto missionário. Fato é, que, pouco ou quase nunca esse esquema é seguido. A realidade missionária é bem diferente do ideário. No campo, o missionário enfrenta muitos problemas como, por exemplo, costumes diferentes, língua, cultura, estresse, depressão, desânimo, além da saudade da família ou país, etc. Sem o devido preparo e sem o apoio necessário, tudo isso será insuportável.

A igreja local deve planejar-se para viabilizar a ida do obreiro ao campo missionário. Um dos mais importantes planejamentos é o financeiro. É preciso calcular os custos da obra missionária, prevendo criteriosamente as diferentes etapas que compreendem o trabalho missionário: a ida, a estada e o regresso do missionário. Deve-se considerar os gastos de transporte com o obreiro e sua família até o campo missionário, sua instalação no país de destino e demais assistências que se fazem necessárias até a estruturação do trabalho.

Feito o planejamento fica mais fácil ter uma visão global do custo que será necessário desembolsar e traçar ações específicas que contribuam com o resultado a ser alcançado.

O que relatamos acima é uma orientação do Senhor Jesus, onde nos adverte em diversas passagens bíblicas a sermos previdentes e providentes (Lc.14, 28:32). Dentre as ações específicas que podem ser empregadas pela igreja local é a organização de eventos que tenham como finalidade contribuir com a obra missionária. A cada evento ou atividade realizada, a liderança deve informar à igreja sobre resultados dessas ações a fim de manter os irmãos estimulados a contribuir. 

É importante também que toda a igreja, inclusive as crianças, se sintam motivados a colaborar e participar no labor missionário.  Muitos entregam esse labor apenas ao missionário e acabam se esquecendo que a missão de pregar o evangelho é uma obra de todo cristão.

Cabe à igreja a responsabilidade de acompanhar o obreiro em toda sua trajetória missionária, em contrapartida, o obreiro tem o dever de manter a igreja sempre bem informada sobre  o andamento do trabalho. O obreiro de missões não deve também assumir compromissos financeiros ou de qualquer ordem para serem saldados pela igreja de origem, uma vez que atitudes como essa influenciarão diretamente no planejamento financeiro da igreja local.

Muitas igrejas têm usado de criatividade para reunir fundos para a manutenção do trabalho de missões, realizando eventos, cantinas missionárias, almoços etc. São igrejas poderosamente abençoadas por Deus. Os resultados dos trabalhos são comprovados com vidas se rendendo aos pés do Senhor Jesus. Investir em Missões é investir em vidas. Vidas sendo salvas pelo Senhor Jesus.

Sem dinheiro não é possível realizar Missões. Contribuir com Missões é ajuntar tesouros no céu. (Mt 6.20). O que você tem feito em favor da obra missionária? Você pode orar, contribuir ou ir.” Uma responsabilidade da igreja enviadora, por: Ingrid Cicca (ingrid@guiame.com.br), disponível em: guiame.com.br.

3. Um apoio fiel e permanente. A sustento financeiro é vital para que os missionários possam se dedicar completamente ao trabalho no campo. A Bíblia nos incentiva a contribuir para as missões. Em Filipenses 4.15-16, Paulo agradece aos filipenses pela sua parceria financeira.

Os mandamentos de Deus são dados para serem obedecidos. Deus nunca nos dá uma ordem sem nos dar o poder necessário para cumpri-la. Por isso, os dízimos são um imperativo de Deus que devem ser devidamente obedecidos. Se formos fiéis em nossa contribuição em dízimos e ofertas, não haverá falta na “casa do tesouro” para suprir as demandas missionárias!

A igreja primitiva cresceu graças à fidelidade dos cristãos nos dízimos e ofertas.

Ressalto que, embora a devolução dos dízimos e ofertas seja um princípio bíblico, Deus nos dá liberdade de escolha. Não somos “obrigados” a devolver o dízimo. Porém, quando levamos nosso dízimo à casa do Senhor, estamos demonstrando que confiamos em Suas promessas. É a melhor maneira de dizer: “Ó Deus, confio ao Senhor minha vida, minhas finanças e tudo que sou e tenho.”

III. APRENDENDO A INVESTIR NA OBRA MISSIONÁRIA

1. Igreja de Filipos x Igreja de Corinto. E interessante destacar que Paulo põe toda a ênfase de sua alegria no Senhor, e não na generosidade dos filipenses. Ele sabia que os crentes de Filipos eram apenas os instrumentos, mas que o Senhor era o inspirador. Paulo tinha profunda consciência de que a providência de Deus, às vezes, opera por meio das pessoas. Assim, Deus supriu suas necessidades por intermédio da igreja de Filipos. Ele agradece à igreja a provisão, mas sua alegria está no provedor. Quando ofertamos, nos beneficiamos a nós mesmos na mesma medida em que socorremos os necessitados (2Co 9.10-15). Quem dá ao pobre, a Deus empresta. Quem semeia com abundância, com abundância também ceifará (2Co 9.7).

O texto bíblico de Hebreus 6.10 diz: “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos”. Filipos foi a única igreja que se associou a Paulo desde o início para sustentá-lo (Fp 4.15). Enquanto Paulo esteve em Tessalônica, eles enviaram sustento para ele duas vezes (4.16). Enquanto Paulo esteve em Corinto, a igreja de Filipos o socorreu financeiramente (2Co 11.8,9).

Quando Paulo foi para Jerusalém depois da sua terceira viagem missionária, aquela igreja levantou ofertas generosas e sacrificais para atender os pobres da Judéia (2Co 8.1-5). Quando Paulo esteve preso em Roma, a igreja de Filipos enviou a ele Epafrodito com donativos e para lhe prestar assistência na prisão (4.18).

2. Tendo consciência de nosso dever.  Quando um cristão generoso oferta pela fé e confiança em Deus, com o desejo de produzir a maior bênção possível essa pessoa receberá esse tipo de colheita de bênção (Pv 3.9-10; Ml 3.10). Deus dá um retorno sobre a quantia que alguém investe nele. Se investir pouco, receberá pouco, e vice-versa. O apóstolo Paulo escreve: “Ora, quanto à assistência a favor dos santos, é desnecessário escrever-vos, porque bem reconheço a vossa presteza, da qual me glorio junto aos macedônios, dizendo que a Acaia está preparada desde o ano passado; e o vosso zelo tem estimulado a muitíssimos” (2Co 9.1,2).

Paulo gloriou-se do exemplo dos coríntios junto aos macedônios, e essa atitude inicial dos coríntios despertou muitíssimos irmãos a abraçarem a obra da assistência aos necessitados da Judéia. Um exemplo positivo vale mais do que mil palavras. Quando abraçamos a obra de Deus, outras pessoas são despertadas a fazer o mesmo.

3. Pessoas financiando a obra divina. Em Lucas 8, a citação de algumas mulheres é interessante, isso porque, normalmente os mestres não tinham mulheres entre seus discípulos. Maria, chamada Madalena, seu nome provavelmente deriva da cidade de Magdala, na Galileia. Alguns acreditam que ela é a mulher descrita em Lc 7.37-50, mas parece altamente improvável que Lucas a apresentasse aqui, pelo nome pela primeira vez, se ela fosse a personagem principal do relato que acabou de concluir.

Do mesmo modo, embora esteja claro que ela sofrerá nas mãos de "demônios”, não há qualquer razão para se pensar que fora prostituta. Joana também é mencionada em Lc 24.10, mas em nenhum outro lugar da Escritura. É possível que ela tenha sido a fonte de alguns dos detalhes que Lucas conta sobre Herodes (Lc 23.8,12). Suzana, fora essa referência, ela não é mencionada em nenhum lugar da Escritura.

Ela provavelmente é alguém que Lucas conhecia pessoalmente. Essas mulheres serviam ao Mestre com os seus bens. Era um costume judaico que os discípulos apoiassem os rabis dessa maneira (Lc 10.7; 1Co 9.4-11; Gl 6.6; 1Tm 5.17-18).

Contribuir com o Reino é uma graça! A igreja de Corinto havia perdido o entusiasmo inicial de contribuir para os pobres da Judéia (8.6,7), e Paulo não queria ficar envergonhado diante dos macedônios nem deixar os próprios crentes de Corinto em situação constrangedora. Por isso, enviou-lhes Tito (8.6,7) e também mais dois irmãos (9.3) para ajudá-los a abundar também na graça da contribuição.

Em 1 Coríntios 16.1 Paulo já havia ensinado à igreja de Corinto que a oferta precisa ser periódica (“no primeiro dia da semana”), pessoal (cada um de vós), previdente (“ponha de parte”), proporcional (“conforme a sua prosperidade”) e fiel (“e vá ajuntando para que não façam coletas quando eu for”). Agora, Paulo reforça seu argumento dizendo aos coríntios que eles precisavam se preparar de antemão para essa oferta (9.5a). Se as necessidades são constantes, nossa contribuição não pode ser esporádica.

CONCLUSÃO

Investir em missões é uma expressão tangível do amor e obediência a Cristo. Por isso, ao ensinar, enviar e sustentar missionários, a igreja estará cumprindo sua missão de fazer discípulos em todas as nações, conforme ordenado por Jesus. Que você e sua igreja se comprometam sinceramente a se envolver ativamente nas missões, garantindo assim que a mensagem do evangelho alcance os confins da terra. A Grande Comissão é um chamado para todos nós, e o sustento missionário é uma maneira prática de investir na expansão do Reino de Deus. Deus é generoso em sua dádiva. Ele deu o melhor, deu tudo, deu a si mesmo, deu o seu próprio Filho. Jesus é generoso em sua dádiva. Ele deu sua própria vida. O apóstolo João escreve: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1Jo 3.16).

Porque somos filhos de Deus precisamos expressar o caráter e as ações do nosso Pai na manifestação de nossa generosidade. Deus abençoe a todos!

 FRANCISCO DE ASSIS BARBOSA

Pastor da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB

 

 

 

 

14 de novembro de 2023

Missionários Fazedores de Tendas

 

Missionários Fazedores de Tendas

TEXTO ÁUREO

“Vós mesmos sabeis que, pare que me era necessário, a mim e aos que estão comigo, estas mães me servirem” (At 20.34)

Esmiuçando o Texto Áureo

estas mãos serviram para... necessário a mim. Paulo tinha o direito de receber o seu sustento do trabalho de anunciar o evangelho (1Co 9.3-14)

e algumas vezes aceitou ajuda (2Co 11.8-9; Fp 4.10-19).

No entanto, muitas vezes ele trabalhou para sustentar-se e assim podia anunciar "de graça, o evangelho" (1Co 9.18).

VERDADE PRÁTICA

É possível servir a Deus e aos outros por meio de sua profissão onde quer que você vá.

Esmiuçando a Verdade Prática

-“E, andando junto do mar da Galiléia, viu Simão, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E Jesus lhes disse: Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens” (Mc 1.16,17)

De fato, há pessoas que são chamadas a deixarem tudo e servir a Deus. Mas a maioria é chamada a estar na sua realidade, em suas famílias, em suas profissões e servirem a Deus. O evangelismo era o propósito fundamental para o qual Jesus chamou os apóstolos, e continua sendo a missão central do seu povo (Mt 28.19-20; At 1.8).

LEITURA BÍBLICA = Atos 18.1-5; 1 Tessalonicenses 4.11,12

Esmiuçando a Leitura Bíblica em Classe

Atos 18.1-5:

18.1 - Corinto era o centro de liderança política e centro comercial na Grécia. Localizava-se num ponto estratégico no istmo de Corinto, que ligava a península do Peloponeso ao restante da Grécia. Virtualmente, todo trafego entre o norte e o sul da Grécia tinha que passar pela cidade.

Pelo fato de Corinto ser um centro comercial que recebia todo tipo de viajantes, contava com uma população flutuante que era extremamente libertina.

A cidade também acomodava um templo dedicado a Afrodite, a deusa do amor. Mil sacerdotisas do templo, que eram prostitutas rituais, iam todas as noites a cidade a fim de praticar o seu negócio.

18.2 - Aquila... Priscila. Essa equipe de marido e esposa se tomaria amigo íntimo de Paulo; eles inclusive arriscaram a própria vida em favor de Paulo (Rm 16.3-4).

O nome de Priscila (ou Prisca) e listado quatro vezes na Escritura antes do nome do marido, o que pode indicar que ela ocupava uma posição social mais elevada do que Aquila ou que ela era a pessoa mais proeminente dos dois na igreja.

Eles provavelmente já eram cristãos quando Paulo os encontrou, provenientes de Roma, onde já existia uma igreja (Rm 1.7-8).

Claudio, Imperador de Roma (41-54 d.C). decretado que todos os judeus se retirassem de Roma - Decreto que forçou Aquila e Priscila a deixarem Roma cerca de 49 d.C. O antissemitismo estava vivo já mesmo nesse tempo.

O imperador Cláudio emitiu uma ordem por volta dessa época para expelir os judeus de Roma (At 18.2).

Isso pode explicar por que prenderam apenas Paulo e Silas, pois Lucas era gentio e Timóteo meio-gentio.

18.3 - profissão... fazer tendas. A expressão também pode referir-se a pessoas que trabalhavam com couro.

18.4 - sinagoga. Paulo linha o costume de pregar primeiramente aos judeus toda vez que entrava numa nova cidade (cf. vs. 14,42; 14.1; 17.1,10,17; 18.4.19.26; 19.8)

Porque dispunha de uma porta aberta, como judeu que era, para falar e apresentar o evangelho. E também, se ele pregasse primeiramente aos gentios, os judeus nunca o escutariam. gregos. Gentios tementes a Deus na sinagoga (Termo técnico usado pelos judeus para se referirem aos gentios que tinham abandonado sua religião paga em favor da adoração de Deus YAWEH. Essa pessoa, conquanto seguisse a ética do AT, não havia se tornado um prosélito pleno do judaísmo por meio da circuncisão).

18.5 - Silas e Timóteo desceram da Macedônia. De acordo com o desejo de Paulo. Silas e Timóteo juntaram-se a ele em Atenas (17.5).

De lá, Paulo mandou Timóteo de volta para Tessalonica (1Ts 3.1-6).

Paulo evidentemente mandou Silas para algum lugar na Macedônia, possivelmente a Filipos (2Co 11.9; Fp 4.15), pois ele retornou dessa província a Corinto.

1 Tessalonicenses 4.11,12

4.11 - viver tranquilamente. Diz respeito àqueles que não apresentam problemas sociais (1Tm 2.2) nem provocam conflito entre as pessoas de seu convívio, e cuja alma descansa sossegada mesmo em meio às dificuldades (1Pe 3.4).

Mais tarde, Paulo lida com aqueles que não "tratam de sua própria vida" em Tessalônica (2Ts 3.6-15).

Trabalhar com as próprias mãos. A cultura helênica menosprezava o trabalho braçal, mas Paulo o exaltava (Ef 4.28).

4.12 - com os de fora. Os não cristãos estão sendo considerados aqui (1Co 5.2; Cl 4.5; 1Tm 3.7).

INTRODUÇÃO

“Um tempo atrás, aconselhando uma jovem garota num congresso de juventude, deparei-me com uma angústia em seu coração “Pena que estou fazendo veterinária, pois uma pessoa me disse que isso não tem nada a ver com missões… mas eu amo ser veterinária!” Ledo engano! Quem disse àquela moça que ela não pode ser uma missionária e veterinária ao mesmo tempo? Há “n” oportunidades em todo o mundo para se atuar nessa área” https://ultimato.com.br/sites/caminhosdamissao/2022/07/12/vocacao-profissao-e-missao/. Talvez tenhamos pensado que a obra missionária estivesse delegada apenas aos vocacionados e enviados, separados para um ministério específico – Missões.

É importante entendermos, e esta lição será vital para isso, que a partir do momento que passamos a seguir a Cristo, todos somos missionários. Esse é um assunto importante, já que muitas vezes temos um conceito de missões que nos trava e engessa. Deus operou milagres e usou a vida de Moisés utilizando suas mãos e um cajado.

Cremos que Ele continua agindo assim, pois temos visto homens e mulheres servirem com tudo o que são e têm na obra missionária. Além dos profissionais que atuam no mercado e são missionários em seus escritórios e em seu dia a dia, há também os que utilizam seus conhecimentos, dons e talentos em algum outro país ou longe de casa, seja à serviço de uma agência missionária ou de sua igreja.

Deus tem levantado uma geração de administradores, engenheiros, veterinários, agrônomos, jornalistas, fotógrafos, advogados, contadores e muitos outros para a Sua obra.

I. A VIDA PROFISSIONAL DE PAULO E SUA VOCAÇÃO MINISTERIAL

1. A profissão do apóstolo Paulo. Aparecem muitas citações nas cartas paulinas e escritos do Novo Testamento que falam do trabalho e profissão do apóstolo Paulo. As tendas eram originalmente feitas de peles; só mais tarde essas foram substituídas por pêlo de cabra. Portanto, o tendeiro era alguém que trabalhava com couro e o nome ficou (At 18.3). Sabemos de antemão que na época de Paulo, no mundo grego, não se concebia ser um missionário e viver com as ofertas dos seguidores. Os evangelhos que falam da realidade do tempo de Jesus, mostra que os apóstolos, comiam e bebiam daquilo que seus ouvintes doavam. Jesus mesmo falava “comei e bebei daquilo que vos derem”.

Mas este pensamento não era aceito no mundo grego. Paulo era um evangelizador e trabalhador. Sabemos que era fabricante de Tendas. Embora Paulo soubesse o direito que o missionário tinha de ser sustentado, Paulo para não dar o mau exemplo sempre trabalhou, com suas próprias mãos. Era um fabricante de tenda, ofício comum naquela época. Paulo mesmo afirma trabalhar dia e noite, para não ser peso para ninguém. O que sabemos que Paulo só aceitou auxílio dos Filipenses, que os considerava como amigos. Paulo estimula aos fiéis seguidores a trabalharem e buscarem seu sustento.

2. Como o apóstolo Paulo conjugava vida profissional e ministerial? Priscila e Áquila eram amigos do apóstolo Paulo. Esse casal é mencionado na Bíblia especialmente no livro de Atos dos Apóstolos. Áquila era um judeu natural do Ponto que trabalhava fabricando tendas (At 18.2). Ele e sua esposa Priscila moravam em Roma quando o imperador Cláudio decretou que todos os judeus fossem expulsos da capital do Império Romano. Esse decreto foi expedido em aproximadamente 49 d.C. são um bom exemplo de um casal atuante na obra de Deus. A fim de fugirem da perseguição, Priscila e Áquila foram para Corinto, onde conheceram Paulo de Tarso. Paulo e o casal tinham a mesma profissão e passaram a trabalhar juntos na fabricação de tendas (At 18.3). Paulo passou a morar com o casal em Corinto – é provável que Priscila e Áquila tenham se convertido nesse período.

Depois que Paulo passou a se dedicar totalmente à pregação, o casal navegou com o apóstolo para Éfeso. Em seguida, estabeleceram-se na cidade, e o apóstolo continuou sua viagem missionária (At 18.18-21). Essa equipe de marido e esposa se tornaria amigos íntimos de Paulo; eles inclusive arriscaram a própria vida em favor de Paulo (Rm 16.3-4). O nome de Priscila (ou Prisca) é listado quatro vezes na Escritura antes do nome do marido, o que pode indicar que ela ocupava uma posição social mais elevada do que Aquila ou que ela era a pessoa mais proeminente dos dois na igreja. Eles provavelmente já eram cristãos quando Paulo os encontrou, provenientes de Roma, onde já existia uma igreja (Rm 1.7-8).

3. A ética financeira na atividade missionária de Paulo. Paulo não recebeu salário de algumas igrejas para proteger-se dos críticos de plantão que tentavam distorcer suas motivações e atacar seu apostolado. Por outro lado, algumas igrejas, como a igreja de Corinto, deixaram de pagar o que lhe era devido, precisando das igrejas da Macedônia, inclusive da igreja de Filipos, enviar-lhe sustento enquanto ele trabalhava em Corinto (2Co 8.8,9; 12.13). De forma particular a igreja de Filipos deu suporte financeiro a Paulo, mesmo quando estava ainda na região da Macedônia, no início do processo de evangelização da Europa (4.16).

A igreja de Filipos jamais teve falta de interesse de ajudar o apóstolo; teve sim, circunstâncias desfavoráveis para fazê-lo. Hoje, muitas igrejas têm oportunidade para ajudar os missionários, mas falta-lhes interesse. A sustentação financeira aos missionários precisa ser sistemática, pois as necessidades dos obreiros são diárias. Não é suficiente enviar ofertas esporádicas.

A contribuição precisa ser metódica, suficiente e contínua. Paulo não poderia levar a cabo tudo o que fez sem o apoio e a ajuda da igreja de Filipos. Essa igreja deu-lhe suporte financeiro e sustentação espiritual. Aqueles que estão na linha de frente precisam ser encorajados por aqueles que ficam na retaguarda. “… porque qual é a parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que ficaram com a bagagem; receberão partes iguais” (1Sm 30.24). Deus chama uns para irem ao campo missionário e aos demais para sustentar aqueles que vão. A obra missionária é um trabalho que exige um esforço conjunto da igreja e dos missionários.

II. MISSIONÁRIOS FAZEDORES DE TENDAS

1. Fazedores de tendas. Não há profissão com a qual não se possa servir em missões! Professores, Farmacêuticos, Advogados, Físicos, Construtor, Técnico...

Se somos cristãos, novas criaturas que seguem rumo ao prêmio da soberana vocação, e cremos, inequivocamente, na soberania de Deus, devemos estar certos que foi Ele quem governou a nossa vida, dirigiu nossos passos e nos proporcionou a formação que tivemos.

Se isso foi antes da nossa conversão, ainda assim Ele foi soberano! Tudo que precisamos é nos dispor em suas santas mãos, em humildade, submissão e total dependência, e buscar n’Ele como podemos servi-Lo com a nossa profissão.

2. A força missionária no mundo. Deus, em sua imensa sabedoria, escolheu que os seus filhos participassem da missão de espalhar as boas novas do evangelho. Em outras palavras, Deus não precisa de nós, mas mesmo assim nos escolheu para sermos seus servos na Sua missão de redimir o mundo.

Tanto o missionário tradicional quanto o missionário dito “fazedor de tendas” estão empenhados nessa mesma tarefa, sendo a única diferença entre os dois o fato de que o fazedor de tendas irá se empenhar em algum trabalho/profissão ao mesmo tempo que proclama as boas novas. A profissão do fazedor de tendas é, no final das contas, apenas uma plataforma para a sua presença no campo missionário. A função desta plataforma será permitir que ele tenha oportunidades de entregar a mensagem que lhe foi confiada.

3. O preparo dos fazedores de tendas. Enviar um “fazedor de tendas”, profissional cristão, para desenvolver uma missão transcultural sem nenhum treinamento, é uma receita para o fracasso – talvez até mesmo uma receita para uma tragédia. Neste caso, talvez anos de treinamento serão necessários para equipar um profissional a ser um missionário.

Da mesma forma, anos de formação profissional podem ser necessários para equipar um missionário a estar apto para um campo fechado no qual a figura do teólogo tradicional é proibida. Vale dizer que é triste ver missionários se sentirem mentirosos no campo dizendo que são técnicos em uma determinada área, mas na verdade não têm experiência nenhuma, e só fizeram um cursinho pela internet antes de partirem para a missão.

Cogitar que a formação profissional do missionário é apenas um detalhe para estar em um país pode ser perigoso e um péssimo testemunho cristão se a pessoa não souber desempenhar a função para qual ela conseguiu o visto de trabalho. O campo missionário precisa de bons “fazedores de tenda” e não de fazedores de fiasco.

III. VOCAÇÃO, PROFISSÃO E MISSÕES

1. Deus é quem chama. “não tenho de que me gloriar” (1Co 9.16), isso é para dizer que a sua glória não era pessoal. Ele não estava orgulhoso como se fosse seu evangelho, tampouco se orgulhava da maneira como o pregava, como se fosse habilidade dele. Paulo não pregava por orgulho próprio, mas por obrigação divina. Ele não tinha outra escolha, porque Deus, de modo soberano, o havia separado para a obra (At 9.3-6,15; 26.13-19; Gl 1.15; Cl 1.25). Não é à toa que ele “grita” “Ai”, o castigo mais severo de Deus está reservado para os ministros infiéis (Hb 13.17; Tg 3.1).

2. Exercendo a vocação. Paulo permanecia fiel às suas convicções, não importava o custo. Não era um pragmático que modificaria a sua mensagem para ajustá-la aos seus ouvintes. Ele estava convencido do poder de Deus de agir por meio da mensagem que ele pregava.

“Quando lemos em 1 Coríntios 7: “Foi alguém chamado sendo solteiro? Permaneça solteiro. Se é casado, não se separe, mantenha-se casado. Foi alguém chamado sendo incircunciso? Não se faça circuncidar”, e assim por diante. Por três vezes Paulo diz: “Cada um permaneça na vocação a que foi chamado” (v. 17, 20, 24). O que o apóstolo entende por vocação é aquilo que nós somos chamados a fazer em Cristo Jesus: sermos filhos e filhas de Deus, povo de Deus, discípulos de Jesus, servos uns dos outros.

Esse é o nosso chamado! E nós servimos a Deus a partir desse chamado onde quer que estejamos. Hoje, eu sirvo a Deus como pastor, mas poderia fazê-lo com a mesma dignidade sendo faxineiro. Não me torno uma pessoa mais vocacionada do que alguém que exerce uma atividade lá embaixo na nossa pirâmide social. Este é um conceito pagão, não bíblico! O conceito paulino de vocação tem a ver com aquilo que nós somos em Cristo e com a nossa resposta ao mundo em que vivemos, a partir dessa identidade. Todos nós somos chamados para essa mesma realidade e, quando entendemos o nosso chamado, procuramos encontrar a melhor maneira de servir a Deus no mundo.

Não importa se nós gostamos ou se não gostamos. É necessário? Precisa ser feito? Então iremos fazer! Não se trata de prazer, de satisfação, trata-se de ser povo de Deus atuando no mundo em serviço, promovendo o bem, a paz, a salvação, a reconciliação, levando homens e mulheres ao arrependimento, abençoando todas as famílias da Terra. Logo, o chamado é um convite, uma eleição, uma convocação. Para quê? Para sermos povo de Deus. E quando respondemos a uma vocação passamos a viver como pessoas convidadas, convocadas, eleitas.

De preferência, devemos viver de modo digno de quem nos chamou, para sermos aquilo pelo qual ele se deu por nós. A vocação nos dá uma identidade, nos oferece um destino. Deus nos chama e nossa resposta – quando damos o “sim” – nos coloca dentro de uma nova realidade, o mundo do povo de Deus, onde Jesus Cristo é o Senhor. Nós começamos a viver de um modo adequado a essa nova realidade. O chamado, portanto, não apenas nos dá uma identidade, mas define o que iremos fazer.”

3. Minha profissão, meu campo missionário. Normalmente as pessoas separam as coisas da sua vida, denominando que estas pertencem a Deus e estas outras não. Muitos são os que crêem que algumas coisas podem ser vistas e ouvidas por Deus e outras não. A vontade de Deus é que você sirva a ele e abençoe as famílias da Terra! A vontade de Deus não é que você seja engenheiro, ou advogado, ou professor, ou isto, ou aquilo. Não! A vontade de Deus é que você tome a decisão correta a partir daquilo que você foi chamado para ser. Você acredita que ser um advogado, ou uma dona de casa, ou uma secretária é a forma de você servir a Deus? Ou você tem de escolher uma dessas ocupações por outras contingências e encontra uma maneira de servir a Deus a partir daquela realidade, vivendo como povo de Deus ali naquele lugar, como secretária, como telefonista, como doutor, como professor, ou o que for? Seja povo de Deus onde você estiver e isso vai ajudá-lo a definir como você vai andar, viver, se comportar. O chamado molda nosso comportamento, define nossa ética, explica quem nós somos nos nossos relacionamentos. Nossa vocação nos dá condições de viver uma vida coerente, integral e íntegra quando vivemos a partir da consciência de quem somos.

CONCLUSÃO

Desde os tempos do apóstolo Paulo que a relação entre fé cristã e cultura tem sido motivo de dificuldades e debates, especialmente quando o assunto é missões transculturais. Em suas viagens missionárias, e mesmo em suas cartas, Paulo lidou com esta questão. Na Epístola a Tito, por exemplo, o apóstolo chamou a atenção para aspectos singulares da cultura cretense, na qual Tito trabalhava e estava inserido, reconhecendo que existiam nela elementos que não deveriam ser compartilhados pela igreja cristã local; ao contrário, os cristãos precisariam confrontá-los e buscar a sua transformação. Em sua vocação missionária, a Igreja não deveria, portanto, simplesmente absorver ou submeter-se a uma cultura assim como esta se apresenta, postando-se passivamente diante dela.

Daí, a importância do trabalho da igreja local na descoberta de vocações e no preparo ministerial do vocacionado! Identificar, envolver, treinar, são requisitos básicos do envio. No entanto, independente de ser identificado e ou enviado por uma igreja/entidade evangelística, o profissional cristão deve ter sempre em mente que ele é um vocacionado para missões, e deve compartilhar a sua fé.

FRANCISCO DE ASSIS BARBOSA

Pastor da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB