12 de setembro de 2019

A MORDOMIA DAS OBRAS DE MISERICÓRDIA


A MORDOMIA DAS OBRAS DE MISERICÓRDIA 

Texto Base: Atos 4:32-35; Lucas 10:30,36,37

“Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg.2:13).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Mordomia das obras de Misericórdia. Misericórdia é o amor posto em ação, é a bondade tornada em ação concreta. Como diz o apóstolo Tiago, como podemos dizer que amamos alguém se não suprimos as suas necessidades (Tg.2:14-17), pois o amor não é amor de palavras, mas amor de obras (1João 3:16-18). 

Jesus, num espírito humanitário de misericórdia e compaixão voltado a todos, sempre procurou socorrer os necessitados e tinha Sua atenção voltada para as pessoas, colocando sempre as necessidades espirituais acima das necessidades materiais. A Igreja, portadora do mesmo sentimento de amor, sempre foi voltada para o social, procurando suprir as necessidades e socorrer aqueles que, realmente, são necessitados. Valorizar a alma humana, com um valor maior que o mundo inteiro, sempre foi a filosofia do Divino Mestre, mas não esquecendo das necessidades físicas. 

É perturbador para uma igreja local, que enfatiza a justificação pela fé e tem perdido de vista o fato de que aquilo que praticamos também se reveste de grande importância. A ausência de obras de misericórdia é prova de ausência de fé. A fé sem obras é morta (Tg.2:20). E a melhor caridade é aquela que é feita com seus próprios recursos, dentro das suas possibilidades, pois fazer caridade com riqueza dos outros não é caridade.

Fazer obras de misericórdias era uma prática levada a sério no princípio da Igreja; o seu altruísmo era uma característica marcante. O livro de Atos mostra isso ao narrar a ressurreição de uma mulher chamada Dorcas, que era conhecida pelas suas “boas obras e esmolas que fazia” (Atos 9:36). 

O exercício da misericórdia deve ser feito com alegria. De nada adianta gastarmos todas as nossas finanças em benefício dos pobres ou necessitados ou, mesmo, horas a fio de nosso tempo, para ouvir as pessoas, dar-lhes companhia e conforto, se o fizermos por obrigação, por necessidade, sem alegria. 

Qualquer doação material feita por necessidade é apenas um gasto, uma despesa, sem qualquer valor na dimensão espiritual, como também o uso de horas numa “obra de misericórdia espiritual” nada mais será que perda de tempo. Se, porém, fizermos com alegria, seremos agradáveis ao Senhor, porque Ele ama a quem dá com alegria (2Co.9:7).

I. SIGNIFICADO DE MISERICÓRDIA

1. Definição

Misericórdia é lançar o coração na miséria do outro e estar pronto em qualquer tempo para aliviar a sua dor; é ver uma pessoa sem alimento e lhe dar comida; é ver uma pessoa solitária e lhe fazer companhia; é atender às necessidades e não apenas senti-las. Enfim, misericórdia é mais do que sentir piedade por alguém, é a capacidade de entrar em outra pessoa até que praticamente podemos ver com os seus olhos, pensar com sua mente e sentir com o seu coração.

 “SENHOR, tem misericórdia de nós! Por ti temos esperado; sê tu o nosso braço cada manhã, como também a nossa salvação em tempos de tribulação” (Is.33:2).
As obras de misericórdia, ou obras de caridade, nos mostram a disponibilidade de desprendermo-nos do egoísmo e servir o próximo deliberadamente como fruto do amor cristão. Essa é a vontade de Deus.

2. Misericordioso
É alguém que demonstra misericórdia; que é compassivo, bondoso, misericordioso para seus semelhantes. Essa expressão indica o sentimento que vem do íntimo, “das entranhas”, do “coração”. Por ser um atributo de Deus (Sl.103:8), e por sermos seus filhos, devemos ser também misericordiosos, haja vista que temos o Fruto do Espírito (Gl.5:22). Disse Jesus:
 “bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mt.5:7).
“Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (Lc.6:36).
Quem exerce a misericórdia revela que serve a um Deus misericordioso, longânimo e benigno - “Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade” (Sl.103:8).

II. A MORDOMIA DA MISERICÓRDIA CRISTÃ

A misericórdia é o dom de transformar em ações, em atitudes concretas, o bem que desejamos a alguém; é a bondade tornada em ação concreta. Como diz o apóstolo Tiago, “como podemos dizer que amamos alguém se não suprimos as suas necessidades?” (Tg.2:14-17), pois o amor não é amor de palavras, mas amor de obras (1João 3:16-18).


1. Obras de misericórdia na prática

As “obras de misericórdia” são definidas como sendo ações caritativas mediante as quais ajudamos a nosso próximo em suas necessidades físicas e espirituais (cf. Is.58:6,7; Hb.13:3). No Cristianismo, o ser vem antes do fazer. Quem é, faz. A fé sem obras é morta (Tg.2:17). Veja um exemplo bíblico de misericórdia: a Parábola do bom Samaritano (Lc.10:29-37). Um certo doutor da Lei perguntou a Jesus:

“29. ...E quem é o meu próximo?

30. E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

31. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.

32. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.

33. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.

34. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;

35. E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar”.

36.Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?

37.E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira.

A Parábola descreve tudo o que o samaritano fez para salientar que a prática da misericórdia não tem fronteiras; é a necessidade do outro que diz o que precisa ser feito. Esse samaritano, mesmo sendo odiado pelos judeus, interrompe a sua viagem, chega perto, aplica óleo e vinho nas feridas do semimorto, tira-o do lugar de perigo, leva-o a uma hospedaria segura e ainda paga o seu tratamento. Isto é o que chamamos de misericórdia.

Para os religiosos da parábola (o sacerdote e o levita), era um incômodo a ser evitado, mas, para o Samaritano, era alguém que necessitava de amor e de ajuda, de modo que ele lhe ofereceu cuidado. Esse samaritano quis transmitir a seguinte mensagem: "o que é seu, é seu; mas o que é meu pode ser seu também".

Contudo, exercitar a misericórdia ao próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar esse alguém a Cristo, a uma vida de comunhão com Deus. 
Portanto, o que Jesus disse ao doutor da Lei, ele diz também a nós: “Vai e faz da mesma maneira”. 

Se a Parábola do Bom Samaritano fosse compreendia e praticada, removeria o preconceito racial, o ódio e a inveja entre classes, e o mundo seria extraordinariamente maravilhoso para se viver. Pense nisso!

-A prática de Jesus. Jesus estabeleceu uma comunidade de discípulos cujo relacionamento se baseava no amor e na partilha. Ele foi o maior exemplo de misericórdia: Ele curou os doentes, alimentou os famintos, abraçou as crianças, foi amigo dos pecadores, tocou nos leprosos; fez que os solitários se sentissem amados; consolou os aflitos, perdoou os pecadores e restaurou os que haviam caído em opróbrio. Ao multiplicar os pães e peixes (Mc.6:30-44), Jesus se utiliza do pouco que alguém se dispôs a partilhar. Partilhar o que se tem mexe com o nosso egoísmo.  A grande lição que Jesus ensinou é que a disposição para repartir o que se tem promove o 
suprimento de todos.

“O que oprime ao pobre insulta ao seu Criador; mas honra-o aquele que se compadece do necessitado”(Pv.14:31). 

“Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal”(Sl.41:1).

2. Bem-Aventurados são os misericordiosos

No célebre sermão do monte, Jesus disse: “bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mt.5:7). Nessa bem-aventurança, Jesus falou que a misericórdia é tanto um dever como uma recompensa. Os misericordiosos alcançarão misericórdia. 

Os romanos não consideravam a misericórdia uma virtude, mas uma enfermidade da alma. Vivemos num tempo em que a misericórdia parece ter desaparecido da terra. Mas essa não é uma constatação nova. À época de Jesus, os judeus eram tão cruéis quanto os romanos: eram orgulhosos, egocêntricos, hipócritas e acusadores. Hoje, se formos misericordiosos, as pessoas vão nos explorar ou nos perturbar de forma contumaz.

Na verdade, a misericórdia não é uma virtude natural. Por natureza, o homem é mau, cruel, insensível, egoísta, incapaz de exercer a misericórdia. A pessoa precisa de um novo coração, antes de ter um coração misericordioso. 

Deus é o Pai de misericórdias (2Co.1:3); dele procede toda misericórdia. Quando a exercemos, nós o fazemos em seu nome, e por sua força e para a sua glória.

3. Somos criados para as boas obras

Misericórdia não é sentimento nem palavras, mas ação; é atender às necessidades, e não apenas senti-las. O apóstolo Paulo escrevendo à igreja em Éfeso disse: “somos [...] criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef.2:10). 

Escrevendo ao seu cooperador Tito, disse: “[...] os que creem em Deus procurem aplicar-se às boas obras...” (Tt.3:8). Assim, devemos praticar as boas obras porque somos salvos, e fomos alcançados pela graça de Deus. Diante do exposto:

a) Devemos acudir ao necessitado. Davi disse: “Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal. O Senhor o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à discrição dos seus inimigos. O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama” (Sl.4:1-3).

Isaias, inspirado pelo Espírito Santo, disse: “e, se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia” (Is.58:10).

b) Devemos ser liberais na contribuição. Deus diz: ”Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em alguma das tuas portas, na tua terra que o SENHOR, teu Deus, te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre; antes, lhe abrirás de todo a tua mão e livremente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade” (Dt.15:7,8).

Deus providenciou várias leis para cuidar dos pobres: nas colheitas, não se podia apanhar o que caía no chão, era dos pobres. Paulo exorta os ricos: “façam o bem, enriqueçam em boas obras, generosos em dar e pronto em repartir” (1Tm.6:18).

Ajudando aos necessitados, estaremos rompendo com nossos próprios interesses egoístas, para acumular “tesouros no Céu” (Mt.6:19-21; Lc.12:33-34). O maior tesouro é, sem dúvida, a salvação eterna, pela graça de Cristo (Ef.2:8-10), daqueles que são levados a glorificar a Deus por nossas boas obras de generosidade (ver Mt.5:16). 

Lembramos novamente que ter misericórdia é sentir a infelicidade, a miséria do outro e tentar retirá-la ou, pelo menos, minorá-la. Deus não se agrada de quem se alegra no mal do outro, ainda que seja do inimigo, do perverso(Pv.24:17), porque isto é falta de misericórdia - “… o que se alegra da calamidade não ficará impune” (Pv.17:5b) -, enquanto que o que se compadece do necessitado, honra a Deus – “O que oprime ao pobre insulta ao seu Criador; mas honra-o aquele que se compadece do necessitado”(Pv.14:31). 

“Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal”(Sl.41:1).

c) Devemos ter o coração aberto para área da evangelização e das missões. Evangelizar é exercer misericórdia, pois somente o Evangelho tem poder de libertar a pessoa, destituída de Deus, das iguarias de Satanás e levá-la aos pastos verdejantes do redil do Senhor Jesus.
É muito clara a necessidade espiritual do mundo. Infelizmente, o investimento na obra missionária ainda é muito pequeno. De um modo geral, gastamos mais com outros empreendimentos e objetos pessoais do que investimos em missões e na evangelização das almas perdidas.

Jesus, após ter passado quarenta dias dando prova da Sua ressurreição aos discípulos e falado a respeito do reino de Deus (At.1:3), explicitamente determinou qual seria a tarefa principal da Igreja: Evangelizar e ensinar - “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc.16:15). Aqui, o verbo está no modo imperativo, ou seja, trata-se de uma ordem, não de uma recomendação ou de um conselho da parte do Senhor. 

Nota-se que Jesus ordenou que o evangelho fosse pregado por todo o mundo, a toda a criatura; uma ordem que estabeleceu um verdadeiro dever a todo cristão, a ponto de o apóstolo Paulo ter exclamado: “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho!”(2Co.9:16).

A ordem do Senhor de ir por todo o mundo lembra-nos de que a evangelização é feita sem qualquer discriminação, sem qualquer parcialidade ou preferência deste ou daquele lugar, desta ou daquela nacionalidade. 

          Ir: proclamar o Evangelho em palavras e ações a toda criatura.
          Ensinar: tanto aos novos convertidos como aos maturados na fé, tornando-os fiéis seguidores de Cristo.
          Batizar: integrar os novos convertidos na igreja local, a fim de que cresçam na graça e no conhecimento por intermédio da ação do Espírito Santo em sua vida, e desfrute sempre da comunhão dos santos.

A Igreja pode fazer tudo aqui na terra, mas se não fizer missões e evangelismo, não fez nada. Missões é urgente e imprescindível. Sem sombra de dúvidas, é a suprema tarefa da Igreja.

4. Por que devemos ser misericordiosos?

O Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu livro “Mateus – Jesus, o Rei dos reis”, elenca algumas razões para sermos misericordiosos, como veremos a seguir.

a) porque a prática das boas obras é o grande fim para o qual fomos criados. O apóstolo Paulo diz: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef.2:10). Todas as criaturas cumprem o papel para o qual foram criadas: as estrelas brilham, os pássaros cantam, as plantas produzem segundo a sua espécie. O propósito da vida é servir. Aquele que não cumpre a missão para a qual foi criado é inútil. Diz o adágio: ”quem não vive para servir, não serve para viver”.

b) porque pela prática da misericórdia nós resplandecemos o caráter de Deus, que é misericordioso. Adverte o Senhor Jesus: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai celestial” (Lc.6:36). Deus é o Pai de toda misericórdia (2Co.1:3). Deus se deleita na misericórdia (Mq.7:18). As suas ternas misericórdias estão sobre todas as suas obras (Sl.145:9). Quando você demonstra misericórdia, reflete Deus em sua vida.

c) porque a demonstração de misericórdia é um sacrifício agradável a Deus. A Bíblia diz: “Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz (Hb.13:16). 

Quando você abre a mão para ajudar o necessitado, é como se estivesse adorando a Deus. O anjo do Senhor disse a Cornélio: “Cornélio [...] as tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus (Atos 10:4).

A prática da misericórdia é uma liturgia que agrada o coração de Deus. Dar pão ao que tem fome, vestir o nu, ajudar aqueles que estão enfermos e que são necessitados, é servir ao próprio Senhor Jesus (Mt.25:31-46). Segundo João Batista, repartir pão e vestes é uma maneira concreta de demonstrar o verdadeiro arrependimento – “E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, que reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, que faça da mesma maneira” (Lc.3:11).

d) porque um Dia daremos conta da nossa Mordomia. A Bíblia diz que somos mordomos e vamos um Dia comparecer perante o Tribunal de Cristo para prestar contas de nossa administração (Lc.16:2). É um grande perigo fechar as mãos aos necessitados.

No Dia do Julgamento das nações, as pessoas serão julgadas pelo que deixaram de fazer aos necessitados: “Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão, não me visitastes” (Mt.25:41-43).


5. As recompensas prometidas ao misericordioso

A Palavra de Deus nos fala sobre algumas recompensas que o misericordioso receberá.

a) Ele receberá de Deus o que deu aos outros

Ele será feliz. Jesus disse que “mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20:35). A pessoa feliz não é aquela que quer tudo para si, mas é aquela que distribui e dá aos pobres e necessitados.

Ele receberá de Deus a recompensa. A recompensa da misericórdia não virá daqueles a quem ela foi ministrada, mas de Deus. Jesus Cristo foi a Pessoa mais misericordiosa que já existiu, mas o povo pediu para Ele ser crucificado. Jesus não recebeu misericórdia alguma das pessoas a quem dispensou misericórdia; dois sistemas impiedosos - o romano e o judeu -, uniram-se para matá-lo.

A misericórdia sobre a qual Jesus fala em Mateus 5:7 não é uma virtude humana que traz sua própria recompensa. Não é essa ideia. Então, o que o Senhor está querendo dizer? 

Simplesmente o seguinte: “Sejam misericordiosos com os outros, e Deus será misericordioso com vocês” (Mt.5:7). Deus é o sujeito da segunda parte da frase.

Portanto, não são as pessoas que recompensarão o misericordioso com misericórdia, mas Deus. O Deus misericordioso abre as torneiras celestiais sobre a sua cabeça; Ele abre os celeiros da Céu para abastecer a própria alma.

Ser misericordioso, portanto, não é o meio de ser salvo, mas o meio de demonstrar que se está salvo pela graça. O seu coração é misericordioso? Você sente a dor do outro? Abre-lhe o coração, a mão e o bolso? Você se importa com as almas que perecem? Você tem usado o que Deus lhe deu para abençoar as pessoas? O mundo tem sido melhor porque você existe? Pense nisso!

b) Ele será recompensado nesta vida

Ele será abençoado em sua pessoa – “Bem-aventurado aquele que acode ao necessitado” (Sl.41:1).

Ele será abençoado em seu nome – “Ditoso é o homem que se compadece e empresta…não será jamais abalado; será tido em memória eterna” (Sl.112:5,6).

Ele será abençoado em sua prosperidade – “A alma generosa prosperará e a quem dá a beber será dessedentado” (Pv.11:25).

Ele será abençoado em sua posteridade – “...a sua descendência será uma bênção” (Sl.37:26). Não apenas ele é abençoado, mas seus filhos também serão abençoados.

Ele será abençoado com vida longa – “Bem-aventurado o que acode ao necessitado. O Senhor o livra no dia do mal. O Senhor o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra” (Sl.41:1,2). Ele ajuda os outros a viver e Deus lhe preserva e lhe dilata a vida.

c) Ele será recompensado na vida por vir

Não são as nossas boas obras que nos levam ao Céu, mas nós as levamos para o Céu (Ap.14:13). A salvação é pela fé sem as obras, mas a fé salvadora nunca vem só. A fé nos justifica diante de Deus, e as obras diante dos homens.

Receberemos galardão no Céu até por um copo de água fria que dermos a alguém em nome de Jesus (Mt.10:42).
  
A Bíblia diz: “Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta, e este lhe paga o seu benefício” (Pv.19:17).

Jesus diz: “Daí, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão…” (Lc.6:38).

No dia do julgamento das nações, no final da Grande Tribulação, Jesus dirá aos que estiverem à sua direta: “Vinde benditos de meu Pai, entrai na posse do Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo, porque eu tive fome e me deste de comer…” (Mt.25:34-40).

III. CUIDADOS NA PRÁTICA DAS BOAS OBRAS

A prática da bondade é um elemento indispensável na vida do crente, que deverá fazê-lo não só individualmente, como mostra o testemunho eloquente de Barnabé no livro de Atos dos Apóstolos, como também coletivamente, como dão exemplo robusto as igrejas locais dos tempos apostólicos - seja a igreja de Jerusalém, sejam as igrejas em Corinto, na Acaia, ou na Macedônia. O próprio Jesus, em Seu ministério, tinha um grupo de pessoas que cuidavam dos pobres, tanto que havia uma bolsa, que ficava a cargo de Judas Iscariotes, para esta finalidade (João 12:4-8). 

-Temos uma bolsa para os pobres, ou seja, há, no nosso orçamento doméstico, uma verba para fazermos o bem, ajudarmos os necessitados, ou o consumismo desenfreado, os gastos supérfluos, as vaidades humanas têm devorado esta quantia e, tal como Judas Iscariotes, lançamos mão daquilo que deveria ajudar a quem precisa?

-Nossa igreja local tem uma bolsa para os pobres, ou, também, tem se envolvido em tantas atividades e tantas obras que não resta qualquer ajuda aos necessitados, até mesmo para os crentes, que dirá para os não-crentes da área abrangida por nossa igreja local? 

-Temos ajudado as iniciativas de irmãos valorosos e abnegados, que têm procurado minorar a crescente miséria da população que nos cerca, ou temos nos comportado como aqueles descritos em Tg.2:16? - “e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?”.

1. As boas obras devem glorificar a Deus

No Sermão do Monte, Jesus disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt.5:16). Quando a luz da Igreja brilha, as pessoas devem ver não sua pujança, mas suas boas obras. Essas obras não devem ser apenas boas, mas também belas e atraentes. Mas, a Igreja não faz boas obras a fim de atrair a atenção das pessoas para si; ela o faz para levá-las a conhecerem a bondade de Deus e glorificá-lo. Portanto, quando um cristão faz boas obras, ele as realiza pelo poder de Deus e para a glória de Deus.

2. As boas obras não podem ser corrompidas pelas motivações egoístas

Disse Jesus: “Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão” (Mt.6:2). Mesmo as coisas mais sagradas, como a misericórdia, podem ser corrompidas pelas motivações egoístas. Com base nesta advertência de Jesus aos judeus de sua época, podemos afirmar que:

a) A misericórdia é uma expressão legítima da espiritualidade cristã. Em Israel, à época de Jesus, dar dinheiro aos pobres era um dos mais sagrados deveres no judaísmo. O socorro aos necessitados é uma expressão da verdadeira fé. Quem ama a Deus, prova isso amando o próximo. Quem foi alvo da misericórdia divina, é instrumento da misericórdia ao próximo. A pessoa não é salva pelas obras de caridade, mas evidencia sua salvação por meio delas. A salvação não é pelas obras, mas para as boas obras. A graça é a causa da salvação, a fé é o instrumento, e as boas obras, o resultado.

b) A misericórdia é uma prática esperada pelo cristão. Jesus não diz “se deres esmola”, mas “quando deres esmola”. Com isso, Jesus afirma que se espera que o cristão exerça a caridade. Um coração regenerado prova sua transformação em atos de misericórdia. O cristão tem um coração aberto, o bolso aberto, as mãos abertas e a casa aberta.

c) A misericórdia não pode ser ostentatória. A prática da misericórdia não pode ser ostentatória. Não é suficiente fazer a coisa certa: dar esmolas; é preciso também fazer com a motivação certa. Dar esmolas e depois tocar trombeta, chamando atenção para si, é uma espiritualidade farisaica, e não cristã.

d) A misericórdia ostentatória só tem recompensa das pessoas, e não de Deus. O hipócrita é a pessoa que desempenha um papel no palco como se fosse outra pessoa. Alguém disse, e concordo com ela: “é mais fácil alguém fazer de conta que é reto, do que ser reto de verdade”. A recompensa do hipócrita, que faz propaganda de seus próprios feitos, é receber o aplauso das pessoas e nada mais. Jesus disse que o hipócrita já recebeu o recibo de quitação plena de toda recompensa que tinha de receber - “...Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão”.

e) A misericórdia precisa vir de mãos dadas com a discrição (Mt.6:3) – “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”. O cristão não dá ao pobre para ser visto nem para ser exaltado pelas pessoas, nem para receber uma recompensa em alguma dimensão espiritual, mas dá para que o necessitado seja suprido e Deus seja glorificado.

f) A misericórdia exercida com a motivação certa recebe de Deus a recompensa (Mt.6:4) – “para que a tua esmola seja dada ocultamente, e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente”. Aquilo que é feito ao próximo em secreto, longe dos holofotes, recebe de Deus, que vê em secreto, a verdadeira recompensa.

3. As obras de misericórdia são obras de amor ao próximo
Na parábola do bom samaritano (Lc.10:25-27), Jesus mostrou que próximo é qualquer um que esteja em nosso caminho e, em algumas oportunidades, o apóstolo Paulo ensinou que fazer o bem a outrem é uma qualidade que não pode faltar àqueles que dizem servir a Deus (Rm.12:13-21; Cl.3:12-14; 1Ts.4:9-12). O salvo não pode se isentar de toda e qualquer ação que venha promover o bem-estar da coletividade, que venha mitigar o sofrimento daquele que está ao nosso redor.

Portanto, as obras de misericórdia são parte da prática do amor cristão, que, segundo Jesus, deve ser estendido até mesmo ao inimigo (Mt.5:44) – “ Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”. 

Obedecendo esta mesma linha de ensino de Jesus, o apóstolo Paulo assim se expressa: “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça” (Rm.12:20). Isto é fácil? Claro que não! Somente com a graça de Deus, e na força do Espírito Santo, o cristão pode cumprir o mandamento de amar o inimigo.

 4. As obras de misericórdia são atos de benignidade. "Que o teu coração não seja maligno, quando lhe deres"(Dt.15:10a). Pobreza não é maldição, é consequência do sistema controlado por homens gananciosos. Os pobres estão no nosso meio para que tenhamos oportunidade de exercitar amor.


“Livremente lhe darás, e não fique pesaroso o teu coração quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o Senhor teu Deus em toda a tua obra, e em tudo no que puseres a mão"(Dt.15:10).

Não se arrependa de haver dado, nem sinta dor no coração. O apóstolo João é enfático: quem vir a seu irmão padecer necessidade e não suprir essa necessidade não é cristão - “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?”(1João 3:17).

5. As obras de misericórdia são um mandamento divino. Este mandamento é dito tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, ou seja, ele foi dado para Israel e para Igreja.
Deus reconheceu a existência dos pobres no meio do seu povo e ordenou providência a respeito deles - “Pois nunca cessará o pobre do meio da terra”(Dt.15:11a). Esta é a frase que mais contraria a pregação contemporânea da teologia da prosperidade. Pretende-se exterminar a pobreza no meio da igreja, no entanto, o texto declara: "Pois nunca cessará o pobre do meio da terra". E Jesus ratifica: "Porque os pobres sempre os tendes convosco"(João 12:8). O sábio Salomão enfatiza que o pobre foi feito por Deus – “O rico e o pobre se encontram; a um e a outro faz o SENHOR” (Pv.22:2).

Compete àqueles que tem recursos, minimizar a situação dos pobres. Deus não prometeu riquezas para todos, porém, daqueles a quem ele deu e dá riqueza, no exercício da Mordomia Cristã das obras de misericórdia, Ele quer que os pobres não sejam esquecidos, tal como aconteceu na Igreja de Jerusalém - “Não havia entre eles necessitado algum...”(Atos 4:34). Pobres, sim; necessitados, não. Esta é a regra a ser seguida pela Igreja, hoje.

CONCLUSÃO

É mister que a Igreja dê o exemplo, que tenha, a partir de sua membresia, ações efetivas que mostrem ao mundo que somos diferentes e que cremos num Deus poderoso, justo e misericordioso. Enquanto nós mesmos nos mantivermos alheios ao sofrimento do irmão, egoístas e sem compaixão, seremos totalmente impotentes com relação ao lamentável estado de coisas que vive a nossa sociedade e, pior do que isto, cúmplices e envolvidos em toda a sorte de desatinos, desvios e corrupções, como, lamentavelmente, têm ocorrido em escândalos cada vez mais frequentes no nosso meio. Que Deus nos desperte e que tenhamos misericórdia, benignidade e bondade em nossas obras. As obras de misericórdias são o testemunho bíblico da nossa fé.

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 79. CPAD.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Pr. Elinaldo Renovato. Tempo, Bens e Talentos – Sendo mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus nos tem dado. CPAD.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. Benignidade e Bondade, o fruto gêmeo.PortalEBD_2005.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Mateus – Jesus, o Rei dos reis.

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4 de setembro de 2019

A MORDOMIA CRISTÃ DAS FINANÇAS


A MORDOMIA CRISTÃ DAS FINANÇAS

TEXTO ÁUREO - “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de male’, nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (I Tm 6.10).

VERDADE PRÁTICA - O dinheiro foi feito para o homem, e não o homem para o dinheiro, por isso, deveu administrá-lo com sabedoria e desprendimento.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - II REIS 12. 4-15

INTRODUÇÃO

Acerca das coisas que movem o mundo, o dinheiro se destaca como algo eticamente difícil de ser administrado. A mordomia cristã das finanças implica instruir o cristão com relação ao modo ético, decente e correto de lidar com o dinheiro. O dinheiro está diretamente ligado aos bens materiais. A mordomia cristã, nesse particular, tem a ver com a administração adequada do dinheiro, como adquiri-lo, posse e a utilização do mesmo nas várias atividades da vida material. A administração do dinheiro, seja pessoal ou público, deve ser feita com critério, honestidade e responsabilidade.

I.                   A MORDOMIA EXEMPLAR DE JOÁS

O rei Joás percebendo que o reino e principalmente a casa de Deus estavam em estado deplorável, necessitando reparos, despertou o coração do povo para contribuir para essa finalidade. O rei organizou um sistema de arrecadação de dinheiro para a reparação do templo. Desse modo, Joás constitui-se num modelo de mordomia cristã na Bíblia. Aqui aprendemos preciosas lições com a mordomia de Joás referente às finanças do povo de Deus.

1. Joás despertou o interesse do povo para contribuir. Joás percebeu que o segredo do sucesso do seu reinado consistia, em cuidar primeiro das coisas de Deus.  O templo precisava de reparos urgentes e, para tal, precisavam de amor, dedicação e cooperação do povo (II Rs 12.4).

2. Joás estabeleceu ordem e organização (II Rs 12.4,5,7). Sem esses elementos não pode haver coordenação nos trabalhos da igreja, mesmo que haja fervor e espiritualidade. Ele deixou com Joiada, o sumo sacerdote, a responsabilidade de coordenar, com os demais sacerdotes, a captação e manuseio do dinheiro. As mensagens inspiradas sobre o propósito das ofertas estimularam o povo a contribuir com espírito voluntário, generoso e alegre.

3. Joás demonstrou responsabilidade na sua administração (II Rs 12.7). Joás estava firme em seu propósito de reconstruir e reparar o templo. Convocaram seus liderados, principalmente Joiada, o sacerdote, e perguntou-lhe: “Por que não reparais os estragos da casa?” Joiada não estava cumprindo sua responsabilidade.

Nossa mordomia requer propósito e fidelidade. Quantos líderes cristãos são honestos quanto ao emprego do dinheiro do Senhor que entra nos cofres das suas igrejas, mas, em vez de o utilizarem na obra de Deus, preferem guardá-lo em bancos.
Com Joás, o dinheiro tinha de ser empregado nas finalidades estabelecidas, para que o povo não perdesse a fé e a confiança nos seus líderes.

4. O povo viu o bom resultado de suas contribuições. Joás determinou que “a obra dos reparos” fosse executada imediatamente. A obra foi dividida em setores de trabalho. Estabeleceu chefes especialistas para cada tipo de trabalho. Havia carpinteiros, pedreiros, cavouqueiros, construtores (II Rs 12.11,12). O dinheiro era separado segundo a necessidade e, cada chefe de serviço administrava o pagamento aos trabalhadores.

O dinheiro da oferta pela culpa e o dinheiro das ofertas pelo pecado eram os únicos separados exclusivamente para o sustento dos sacerdotes (II Rs 12.16).

II.                PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO DO DINHEIRO

1. Avaliação correta do dinheiro. Não é o dinheiro que “é a raiz de toda espécie de males”, mas “o amor do dinheiro” (I Tm 6.10). É esse amor idolatrado que tornam as pessoas vítimas da ganância, da presunção e da avareza, O dinheiro não é mau nem bom em si mesmo. Sua utilização é que deve ser justa, honesta e racional. A parte final do texto de I Timóteo 6.10, assevera: “e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”. É o amor ao dinheiro que é prejudicial, e faz mal à alma. Colocar o dinheiro à frente de todas as coisas na vida, ou acima das prioridades espirituais, é mau e perigoso. A Bíblia condena a avareza porque ela conduz ao egoísmo e ao desamor  (Hb 13.5; 2 Pe 2.3,14).

2. Na mordomia cristã, o dinheiro é um meio e não um fim em si mesmo. A sociedade humana gira em torno do dinheiro e faz do mesmo a razão de tudo na vida, pois o incrédulo, na sua cegueira espiritual não conhece a Deus. A Bíblia adverte: “o que ama o dinheiro nunca se fartará dele” (Ec 5.10).

3. A arte de ganhar dinheiro. Não é pecado ganhar dinheiro de maneira digna, lícita e honesta. Pecado é aplicá-lo mal. Para que ganhemos dinheiro sabiamente, precisamos reconhecer antes de tudo, e em primeiro lugar, o reino de Deus. Isto é, o seu predomínio nas nossas finanças pessoais (Mt 6.33). Todo verdadeiro mordomo cristão, nas suas finanças, faz de Deus o seu sócio- gerente, isto é, seu orientador. Na sua obtenção de dinheiro veja sempre um modo de contribuir para o reino de Deus.

4. O uso racional do dinheiro. João Wesley era muito prático e, por isso, deu três regrinhas sobre o uso correto do dinheiro:

Primeira: “Ganhar o máximo que pudermos”. Isto deve ser feito sem pagarmos demasiado caro pelo dinheiro e sem prejudicarmos o próximo, assim no corpo como na alma. Pagar demasiado caro o dinheiro é ganhá-lo com prejuízo da saúde, da honra, do bom nome; ganhá-lo ilicitamente enfim.

Segunda: “Economizar o máximo que pudermos”. Isto significa que devemos cortar as despesas que apenas visam dar satisfação aos loucos desejos da carne, à vaidade e à cobiça dos olhos.

Não se deve desperdiçá-lo em pecados e loucuras durante a nossa existência, e providenciar para que nossos filhos não o desperdicem depois da morte. Terceira: “Doarmos o máximo que pudermos.”

III.             A MORDOMIA DA PROSPERIDADE

1. Prosperidade e espiritualidade. Há um falso conceito de que a pobreza material é o caminho para a verdadeira espiritualidade. Há quem pense que a prosperidade financeira rouba a humildade do crente e o afasta de Deus. Aqueles que querem prosperar segundo o sistema do mundo, realmente correm esse risco, mas quem coloca sua prosperidade material sob a égide de Deus, certamente será abençoado.

2. A prosperidade de Abraão. Abraão foi um homem próspero em sua vida material porque era obediente às leis divinas da prosperidade. Ele teve uma vida frutífera e próspera. “E Abraão era muito rico em gado, prata e ouro” (Gn 13.2). Ora, temos direito, também, à mesma bênção de Abraão, por Jesus Cristo; e a bênção de Abraão chegou aos gentios através de Cristo”  (Gl 3.14).

E diz mais: “E se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (Gl 3.29).

CONCLUSÃO

Aprendemos que o dinheiro não é fim primordial da vida humana. O cristão que ama a Deus sobre todas as coisas, fará com que a arte de ganhar dinheiro se constitua numa fonte de bênçãos para si mesmo, para sua família e, acima de tudo, para o reino de Deus, representado pela igreja de Cristo.

Amém

Por:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lições bíblicas CPAD 2003

   
A MORDOMIA DO DINHEIRO

TEXTO ÁUREO - “Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se transpassaram a si mesmos com muitas dores” (I Tm 6.10.

VERDADE PRÁTICA - O dinheiro foi feito para o homem, e não o homem para o dinheiro. Administremo-lo com sabedoria.

TEXTO BÍBLICO BÁSICO II Rs 12.4-15

INTRODUÇÃO

O dinheiro está diretamente ligado aos bens materiais. A mordomia cristã implica na administração adequada do dinheiro, seu método de aquisição, posse e utilização do mesmo nas várias atividades da vida material. Nesta lição procuraremos desfazer a interpretação errada acerca do dinheiro, pois o mesmo é de vital importância para o sustento das pessoas que o ganham honestamente e, também, para a manutenção da obra de Deus na terra.

I.                   A MORDOMIA EXEMPLAR DE JOÁS (II Rs 12.4-15)

Quando Joás assumiu o reino de Israel teve a preocupação de administrar bem e ordenar as entradas e as saídas do dinheiro que vinha à casa do Senhor. O rei percebeu que o templo estava em estado deplorável. As paredes estavam caindo, e ninguém, até então, se preocupava com o reparo do templo. Foi ai que o rei sabiamente, procurou levantar os recursos financeiros para a tarefa de reparar o templo.  Organizou o levantamento dos recursos, estabelecendo urna determinada ordem, O dinheiro consagrado à casa do Senhor que consistia:

1) nas coisas que as pessoas consagravam para o serviço da casa de Deus

2) nas ofertas de boa vontade que os estrangeiros visitantes em Jerusalém doavam;

3) no dinheiro equivalente à taxa pessoal que cada jovem começava a pagar aos vinte anos de idade (Êx 30.12), que era o dinheiro do resgate de cada pessoa. Com esse dinheiro, Joás dedicou-se ao trabalho de reparar a casa do Senhor.
Aprendemos as seguintes lições com a mordomia de •Joás:

1. Joás despertou o interesse do povo para contribuir. Joás percebeu que o segredo para o sucesso do seu reinado era, antes de tudo, zelar pelas coisas de Deus
O templo precisava de reparos urgentes e, para tal, precisava do amor e da cooperação do povo (II Rs 12.4).

O povo percebeu no seu novo rei urna liderança capaz e merecedora de inteira confiança. Ele motivou a todos para a realização da tarefa, e despertou coragem e segurança no plano.

2. Joás baseou sua administração numa realidade de vida. Joás não agiu como um sonhador, mas sua avaliação foi feita na realidade da vida religiosa de seu povo.

O templo representava o nível de fé do povo. Para tal, ele levantou o problema a nível dessa fé; mostrou firmeza e inteligência. O povo podia confiar na sua administração. O dinheiro arrecadado seria bem administrado.

3. Joás demonstrou o seu senso de organização (II Rs 12.4,5,7). O segredo do sucesso da mordomia aplicada no seu reino estava na coordenação. Joás, primeiro organizou a aquisição do dinheiro para os fins estabelecidos. Ele deixou com Jeotada o sumo sacerdote, a responsabilidade de coordenar com os demais sacerdotes a recepção do dinheiro, segundo a sua ordem. O povo foi estimulado a contribuir e o fez voluntariamente e com alegria.

4. Joás demonstrou responsabilidade com sua administração (II Rs 12.7). Joás não se descuidou, nem se esqueceu da finalidade de seu propósito - reparar o templo! Chamou seus liderados, principalmente a Jeoiada, e perguntou-lhes: “Por que não reparais as fendas da casa?”

Aprendemos aqui que devemos ter finalidade na nossa mordomia! De que adianta juntar dinheiro em bancos quando a obra de Deus tem finalidade a merecer atenção? Joás não estava interessado em juntar dinheiro, mas, sim, em utilizá-lo para alcançar uma finalidade. O objetivo da arrecadação era o de reparar a casa do Senhor, e isso deveria ser feito.

Quantas campanhas são iniciadas em nossas igrejas para certos projetos, e apesar de tais campanhas atingirem o sucesso arrecadador esperado, os referidos projetos permanecem no papel! Parece que ter dinheiro em bancos é mais importante do que atender às reais necessidades da obra de Deus!

5. Joás destinou o dinheiro arrecadado para as suas finalidades. Ele ordenou que “a obra dos reparos” fosse executada imediatamente. A ordem foi dividida por setores de trabalho. Havia um chefe para os ‘‘carpinteiros’’ (II Rs 12.11); outro chefe para os ‘‘pedreiros” e ‘‘cabouqueiros’’ (II Rs 12.12); outro chefe para os “edificadores”, etc.

O dinheiro era separado segundo a necessidade, e cada chefe de serviço administrava o pagamento aos trabalhadores (II Rs 12.12).

II.                IMPLICAÇÕES DA MORDOMIA CRISTÃ DO DINHEIRO

1. Avaliação correta do dinheiro. Muitos crentes crêem que “o dinheiro é a raiz de todos os males”, mas esta é uma interpretação incorreta do que a Bíblia diz.

O dinheiro, em si mesmo, não é mau, pois com ele construímos templos, escolas, hospitais, nossas próprias casas. Com ele enviamos missionários, sustentamos nossos pastore. Com ele produzimos livros de edificação e tantas outras coisas úteis.  Não, o dinheiro não é mau. Com ele compramos roupas, alimentos e toda a sorte de utensílios.

A Bíblia ensina o seguinte:  ‘‘Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmo com muitas dores” (1 Tm 6.10).

Aprendemos então que o amor ao dinheiro é prejudicial, é mau. Colocar o dinheiro á frente de todas as coisas na vida, ou acima das prioridades espirituais, é mau e perigoso. A Bíblia condena a avareza porque ela traz a tristeza e o desamor.

2. A mordomia dos recursos materiais. O homem dispõe de fontes de recursos materiais as quais foram criadas por Deus. Essas fontes de recursos são, antes de tudo, para os que temem a Deus e reconhecem a sua soberania sobre todas as coisas.

Esses recursos, Deus os criou para uma utilização adequada sobre a face da terra. O homem que teme a Deus nunca deverá agir com monopólio, mas deve lembrar-se de que são bênçãos de Deus. Aprendemos aqui que a mordomia cristã nos ensina a usar recursos naturais na medida do necessário controlando-os e conservando-os, afim de que possa tirar o melhor proveito possível para si próprio e também para os demais.

Deverá também zelar para que esses recursos naturais não se esgotem de uma vez só.  Muitas vezes as devastações inconscientes das matas, empobrecem a terra, e a exploração desordenada dos recursos minerais trazem consequências drásticas aos que precisam dos mesmos, posteriormente.

3. O dinheiro é um meio, não um fim. E preciso saber que a despeito de nossa sociedade girar em torno do dinheiro e fazer do mesmo o fim para todas as suas atividades a Bíblia ensina diferente. O dinheiro, hoje, representa o resultado de parte de energia física e mental dispendida. O fruto do seu trabalho é transformado em dinheiro o qual você usará para sua subsistência.

Você trabalha determinado número de horas para ter direito ao seu ‘‘pão de cada dia’’. O Rev. Valter Kaschel disse: ‘‘Não exageramos, portanto, quando dizemos que o dinheiro é a personalidade armazenada, ou, por assim dizer, parte

4. A arte de ganhar dinheiro. Não é pecado ganhar dinheiro. Pecado é aplicá-lo mal. Deus quer que ganhemos dinheiro, de modo a glorificar o seu nome. A arte de ganhar dinheiro implica na capacidade de desenvolver o poder aquisitivo. Para que ganhemos dinheiro sabiamente precisamos reconhecer, antes de tudo e em primeiro lugar, o reino de Deus nas nossas finanças pessoais (Mt 6.33).

A aquisição de dinheiro deve ser feita em oração, com joelhos em terra e olhos no céu.
Todo verdadeiro mordomo cristão faz de Deus o seu sócio gerente, isto é, o orientador.
Faça da arte de ganhar dinheiro um modo de contribuir para o reino de Deus.

III.             A MORDOMIA DA PROSPERIDADE

1. Prosperidade e Espiritualidade. Há um falso conceito de que a pobreza material é o caminho para a verdadeira espiritualidade. Parece-nos, isto sim, que é do modo inverso desse conceito que se mede a espiritualidade de um cristão autêntico. A prosperidade material e espiritual é uma boa medida para a verdadeira espiritualidade. Outro falso conceito sobre prosperidade material é o de que o crente não deve ter dinheiro guardado em banco, nem fazer investimento. Esse conceito não condiz com o próprio testemunho da Bíblia quando fala de Abraão. Isaque, Jacó, Davi, Salomão, José de Arimatéia e outros.

Alguns crentes acreditam que a prosperidade financeira rouba a humildade e afasta-nos de Deus. Na verdade, quando o crente deseja prosperar segundo o sistema do mundo, corre esse risco; mas se ele coloca sua prosperidade material sob a égide de Deus, certamente será abençoado.

2. A Prosperidade de Abraão. Abraão foi homem próspero em sua vida material, porque era obediente às leis da prosperidade divina. Ele teve uma vida frutífera e próspera. “E ia Abraão muito rico em gado, em prata, e em ouro” (Gn 13.2).

“Ora, temos direito, também, a mesma bênção de Abraão, por Jesus Cristo; para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo”. (GI 3.14).

E diz mais: “E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (GI 3.29).

Entende-se aqui que se formos obedientes ás leis divinas instituídas para prosperidade, seremos herdeiros de Abraão, isto é, teremos direito à mesma prosperidade material e espiritual.

3. Prosperidade e Honestidade. Não há nada errado ou pecaminoso quanto a sermos prósperos na vida material. Seria errado, sim, se essa prosperidade fosse desonesta para com Deus e para com o próximo. O segredo da prosperidade está em obedecer às leis divinas. Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor, que em seus mandamentos tem grande prazer. E sua descendência será poderosa na terra; a geração dos justos será abençoada.  Fazenda e riquezas haverá na sua casa...” (Sl 112.1-3).

Amém


Por:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lições bíblicas CPAD 1987


ADMINISTRANDO O DINHEIRO COM JUSTIÇA

TEXTO ÁUREO

“Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade”. Ec 5.10

VERDADE APLICADA

O dinheiro jamais deve ocupar o primeiro lugar em nossas vidas, mas ser uma bênção para nós e para o reino de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – II Cro. 9.6-12

INTRODUÇÃO

O dinheiro faz parte desses recursos divinos para que, através dele possamos ser abençoados e também abençoar a outros. Feliz o crente que entende que todas as coisas vêm das mãos de Deus, pois dessa maneira jamais agirá com monopólio, mas será um mordomo fiel das riquezas advindas das mãos do Criador. Saber possuir o dinheiro é um dom que poucos têm, pois infelizmente alguns têm feito do dinheiro o senhor absoluto.


I.                   O DINHEIRO É UMA BÊNÇÃO DE DEUS


Desde o princípio, o homem lida com o dinheiro (Gn 23.16) que nos foi dado por Deus para ser bênção em nossa vida: “A bênção do Senhor enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto” (Pv 10.22). Através do dinheiro podemos cuidar de nossa família:

“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (I Tm 5.8), adquirir bens: “Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra” (Jó 1.10), abençoar alguém que necessite (At 4.34) e ainda investir no reino de Deus (Mt 6.20).

a) Dinheiro, um recurso material. O crente deve saber que o dinheiro é apenas um recurso material, que precisa ser aplicado com sabedoria para que não traga prejuízos espirituais (I Tm 6.10).

Tais recursos não devem nos tornar gananciosos (Lc 12.16-19), pois a nossa vida não consiste na abundância do que possuímos (Lc 12.15).

b) Um meio para sermos abençoados. O dinheiro é apenas um meio em si, e não o fim, por isso o conselho de Deus: “... se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o vosso coração” (Sl 62. 10b).

Lembremo-nos que o dinheiro é apenas uma “sombra” (Ec 7.12), e não o principal em nossas vidas (I Tm 6.8); um meio para sermos abençoados (Jz 1.15).

c) Uma bênção para a igreja. A casa do Senhor é abençoada com o dinheiro do povo de Deus (II Rs 12.9).

Nossa contribuição é empregada nas mais diversas necessidades da obra e na expansão do reino de Deus (Fp 4.15,16).

Qualquer que sejam os recursos eles devem ser aplicados com sabedoria                                       (II Rs 12.11,12), para que o nome do Senhor seja glorificado.

II.                USANDO O DINHEIRO COM SABEDORIA

O dinheiro está diretamente ligado aos bens materiais, e precisamos de sabedoria no seu uso para não sermos sufocados por ele (Pv 30.7,8; Mt 13.22).

Devemos atentar para a palavra de Paulo, quando disse: “... porque já aprendi a contentar-me com o que tenho” (Fp 4.11).

Precisamos aprender a viver com modéstia para que não sejamos escravizados pelo dinheiro (Fp 4.12,13).

a) Não gastá-lo inutilmente. O profeta de Deus brada ainda hoje, dizendo: “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer?”(Is 55.2). Quantas pessoas vivem a gastar dissolutamente o que tem recebido como “produto do seu trabalho” (Lc 15.13,14).

Lembre-se, não podemos gastar “tudo o que ganhamos”, mas fazer um depósito para o dia da necessidade (Pv 10.5).

b) Não acumular dívidas. A Bíblia é enfática, quando diz: “Ai daquele que se carrega a si mesmo de dívidas!” (Hc 2.6).

As dívidas são o resultado da má administração do dinheiro; compramos além das nossas possibilidades. Por isso a Bíblia ensina: “... não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes...” (Rm 12.16). E preciso vigiar para que também não sejamos fiadores de dívidas (Pv 22.26).

c) Não viver em função do dinheiro. Infelizmente, muitas pessoas vivem em função do dinheiro, mas veja o que diz a Bíblia:  “O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda...“ (Ec 5.10).

Paulo ensina que “o amor do dinheiro” é a raiz de todos os males (I Tm 6.10), enfatiza ainda que “nessa cobiça”, vêm os desvios da fé e muitas dores. Devemos, portanto, viver em função da bênção de Deus: “A bênção do Senhor enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto” (Pv 10.22).

III.             USANDO O DINHEIRO COM GENEROSIDADE

O crente, como bom mordomo do seu dinheiro, atenta para a bênção da generosidade: “A alma generosa prosperará, e o que regar também será regado” (Pv 11.25).

Aqui está o segredo para que recebamos todas as bênçãos de Deus: “Dai e servos-á dado...“ (Lc 6.38).

a) Generosidade, um princípio divino. O apóstolo Paulo nos ensina através da igreja de Corinto que a generosidade é um princípio divino para que haja “igualdade”: “suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade” (II Co 8.14).

As desigualdades sociais são fruto da falta de generosidade dos ricos para com os pobres, o que não havia na Igreja Primitiva (At 4.34,35). Que possamos seguir-lhes o exemplo de generosidade.

b) A generosidade em repartir. Repartir é um dom divino, e precisamos alcançar essa graça: “Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?” (Is 58.7).

A ordem bíblica para nós, é repartir: “Repartes com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra” (Ec 11.2).

Isto significa ser verdadeiros mordomos daquilo que temos recebido do Senhor, através do nosso trabalho: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28).

c) A generosidade se prova com amor. O crente que compreende o que significa ser “mordomo”, prova sua generosidade através do amor ao próximo: “Quem, pois tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as sua entranhas, como estará nele o amor de Deus?” (I Jo 3.17).

A generosidade é prova de nossa fé e do nosso amor ao próximo (Tg 2.14-16).

IV.             A PROSPERIDADE É UMA BÊNÇÃO DIVINA

A prosperidade é derramada sobre a casa do justo (Sl 112.1,2), e a Bíblia complementa dizendo:  “Fazenda e riquezas haverá na sua casa, e a sua justiça permanece para sempre” (Sl 112.3).

Isto nos faz entender claramente que a prosperidade é uma bênção divina: “Cantem de júbilo e se alegrem os que têm prazer na minha retidão; e digam sempre: Glorificado seja o Senhor, que se compraz na prosperidade do seu servo” (Sl 35.27).

a) O exemplo de Abraão. A Bíblia dá testemunho de Abraão como um homem de fé (Gn 12.1,5).

Ele peregrinou por Canaã como um homem rico e próspero: “Era Abrão muito rico; possuía gado, prata e ouro” (Gn 13.2), pois tinha a bênção de Deus.  Paulo diz que a bênção de Abraão tem chegado até nós por Jesus Cristo (Gl 3.14), de maneira que podemos hoje também desfrutar da mesma prosperidade (II Co 8.9).

b) A honestidade na prosperidade. Não há nada de errado ou pecaminoso em sermos prósperos materialmente, desde que sejamos honestos em nossa prosperidade:  “Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos, para pôr em lugar alto o seu ninho, a fim de livrar-se das garras do mal” (Hc 2.9).

Devemos crescer com o fruto do nosso trabalho (Pv 13.11), para que possamos ser exemplos para as gerações futuras (Gn 39.2).

c) A prosperidade aplicada no reino dos céus. Sendo a prosperidade resultado da bênção de Deus em nossa vida, devemos aplicar também parte dessa “bênção” no reino de Deus: “Mas ajuntai tesouros no céu ...“ (Mt 6.20).

Jesus falou sobre isso alertando que, “onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt 6.2 1). Se as nossas riquezas estiverem no céu, o nosso coração estará lá também.

CONCLUSÃO

Alguns crentes acham que a prosperidade financeira rouba-nos a comunhão com Deus.  Isto acontece quando o crente põe o seu coração no dinheiro como acontece com pessoas mundanas que não conhecem a Palavra de Deus. O verdadeiro cidadão do céu está preocupado com sua vida espiritual e de maneira nenhuma se atrapalhará com negócios “impróprios” dessa vida, pois ele vive para agradar aquele que o salvou.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lições bíblicas BETEL 2002