15 de janeiro de 2014

AS PRAGAS DIVINAS E AS PROPOSTAS ARDILOSAS DE FARAÓ



AS PRAGAS DIVINAS E AS PROPOSTAS ARDILOSAS DE FARAÓ

TEXTO ÁUREO = “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo”(Ef 6.1 1).

VERDADE PRATICA = Como salvos por Cristo,  podemos pela fé vencer o Diabo em suas investidas contra nos.

LEITURA BIBLICA = Êxodo 3: 19,20; 7:4,5; 8:8,25; 10: 8,11,24

INTRODUÇÃO

Após a chamada de Moisés para ir a Faraó, Deus o instruiu sobre como proceder diante do governante egípcio. Moisés ainda temeu e questionou quanto a sua capacidade (Êx 4.1). Deus fez com que a vara de Moisés se transformasse em cobra (Êx 4.3); prometeu ir com ele (Êx 4.12) e indicou o irmão, Aarão, para ser o seu profeta ou porta-voz (Êx 4.13- 16). Moisés pôs-se a caminho, segundo a Palavra de Deus. Nesta lição, veremos como a vontade de Deus é soberana e dela ninguém pode escapar.

AS PRAGAS ATINGEM O EGITO

1. Um homem no lugar de Deus. “Eis que te tenho posto por Deus sobre Faraó” (Êx 7.1). E o mesmo que dizer que Moisés tinha a autoridade de Deus sobre o rei egípcio. Grande responsabilidade a de Moisés. Hoje, também, Deus põe pessoas no ministério, na Igreja, na família, como seus servos honrados, como seus representantes.

2 A vontade diretiva de Deus. Deus usou sua soberana vontade, no sentido diretivo ou volitivo para impor seus desígnios sobre Faraó. Nesse caso, era impossível Faraó escapar. Jó, o patriarca, discerniu essa vontade, quando indaga: “Se Ele destruir, e encerrar, ou juntar, quem o impedirá?” (Jó 11.10). Usando o profeta Isaías, o Senhor diz: “e ninguém há que possa escapar das minhas mãos: operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13). Essa ação de Deus é diferente da sua vontade permissiva. Por ela, Ele permite que os homens façam o que bem entenderem, até o dia em que disser:

“Basta” e puser fim a todos os remos humanos. Deus resolveu endurecer o coração de Faraó para: a) Multiplicar no Egito os seus sinais e maravilhas (Ex 7.3); b) Mostrar aos egípcios que Ele,

Jeová, é Senhor (Êx 7.5 c) Para mostrar o Seu poder em Faraó (Ex 9.16); d) Para que o Seu nome fosse anunciado em toda a terra (Ex 9.16); e) Trazer juízos sobre todos os deuses do Egito (Êx 12.12); t) tirar os filhos de Israel do Egito com mão forte (Êx 7.5).

OS JUÍZOS DE DEUS SOBRE O EGITO

1. As águas tornam-se em sangue (Êx 7.19-21). (SH) O Rio Nilo era sagrado. Deus tornou o rio e todas as fontes em sangue. Não se tratou, como dizem os céticos, de que as águas se tornaram barrentas(SC). Os magos do Egito fizeram seus truques e conseguiram imitar Moisés (v.22). Faraó não se humilhou (v.23).

2. A praga das rãs (Êx 8.1-15). Ante a recusa de Faraó, Deus feriu todos os termos do Egito com rãs. (SE) Estas estavam sobre as camas, nos fornos, nas amassadeiras, por toda a parte (v.3). Os magos imitaram o milagre (v.7). Satanás é imitador. Faraó começou a sentir a mão de Deus. Chegou até a pedir orações (v.8). Moisés orou. As rãs desapareceram (v.13). Mas Faraó “agravou o seu coração” (v.15).

3. As pragas dos piolhos (Êx 8.16-19). Nesta terceira praga, não houve “aviso prévio” a Faraó. O pó da terra transformou-se em piolhos, que incomodavam a todos (v.17). Os magos tentaram imitar, mas não puderam (v.18). Isso prova que Deus permite o inimigo ir até certo ponto, mas seu poder maligno é limitado. Faraó não libertou o povo, mesmo reconhecendo que era “dedo de Deus” (v.19).

4. A praga das moscas (Êx 8,20- 32). Deus mandou moscas sobre todo o Egito, exceto sobre a terra de Gósen, em que habitava o povo de Israel (v.22). (SG) Faraó sugeriu que o povo sacrificasse a Deus ali mesmo, naquela terra (v.25), e que não fossem longe (v.28). Moisés orou e as moscas desapareceram (v.31). Mas Faraó não cedeu.

5. A praga da peste dos animais (Êx 9.1-7). Com exceção do gado dos hebreus, todos os animais morreram (v.6). Faraó resistiu.

6. A praga das sarnas (Êx 9.8-12). Houve erupção de sarna em todo o Egito. Os magos não podiam parar (v.11). Faraó não cedeu.

7. A praga da saraiva (Êx 9.13-35). Deus mandou trovões, chuvas e fogo que corria pela terra, ferindo animais, homens e árvores (v.23-25). Só não havia saraiva na terra de Gósen (v.26) e no gado dos egípcios que creram em Deus (Êx 9.20). Passada a praga, Faraó não cedeu.

8. A praga dos gafanhotos (Êx 10.1-20). Com essa praga, Faraó quis dar permissão seletiva, indagando sobre quem dentre os israelitas deveria sair para adorar a Deus no deserto (v.8). Ele achava que ainda estava no controle da situação, em condições de dizer quem deveria ou não deveria ir render culto ao Senhor. Ante a indagação de Faraó, Moisés deu uma resposta desconcertante, dizendo-lhe que, para adorar a Deus, fora do Egito, haveriam de ir, para começar, os meninos, depois os mais velhos, as filhas, acompanhados dos animais, pois o povo teria “festa ao Senhor” (v.9). O Diabo não quer que a família inteira busque a Deus. Mas todos deveriam ir render culto ao Senhor.

9. A praga das trevas (Êx 10.21- 29). Para os egípcios, Rã era o deus-sol. Todos os dias, nas casas e nos campos, à margem do Nilo, havia pessoas, desde cedo, em atitude de adoração, voltadas para o nascer-do-sol. Aliás, hoje, há falsas seitas e religiões que cultuam o Sol, numa repetição daqueles cultos falsos. Ali, no Egito, Deus, o criador do Sol, resolveu dar uma lição nos idólatras do astro rei. Foi provocado pelo Senhor o maior eclipse solar de que,o Egito tivera conhecimento. De repente tudo, ficou tão escuro, dentro e fora das casas, e no palácio de Faraó, que tinha-se a impressão de que as trevas eram palpáveis. Enquanto isso, na terra de Gósen, todos tinham luz. Deve ter sido um espetáculo muito estranho.

10. A morte dos primogênitos. (Êx 11.1-10; 12.29-31). Após as nove pragas, Deus não mais se dirigiu a Faraó, pois ele, na sua arrogância, não quis mais sequer ver o rosto de Moisés (Êx 10.28). O Senhor chamou o líder de Israel. e lhe notificou que ainda restava uma praga, a última, ante a qual Faraó não mais teria condições de resistir. O Senhor disseque, à meia noite, sairia pelo meio do Egito, decretando a morte dos primogênitos, quando haveria grande clamor no País (Ex 11.4-6).

 Após instituir a Páscoa, exatamente à meia-noite, conforme prometera, o Senhor feriu todos os primogênitos do Egito, desde o que se assentava no trono, até o primogênito do encarcerado, do que estava atrás do moinho, e até dos animais (Êx 11.5; 12.29). “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).

A PRIMEIRA E SEGUNDA PROPOSTA

A reação e a contraproposta de Faraó (8.25-32). A reação de Faraó a esta praga foi imediata. Ele fez uma contraproposta: Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra (25). Mas Moisés tinha a resposta na ponta da língua. Não conviria aos israelitas sacrificarem no Egito, porque o sacrificio de animais sagrados aos egípcios lhes seria uma abominação (26), levando-os provavelmente a apedrejar os israelitas. Moisés manteve seu pedido de caminho de três dias ao deserto (27). Quando Deus ordena, não há lugar para barganhas com homens perversos.

Faraó reconheceu que Moisés tinha razão. Ele concordou em deixar Israel ir, mas somente a curta distância deserto adentro (28). Moisés acreditou no que Faraó disse (quem sabe entendendo as palavras não vades longe como referência aos três dias de viagem) e prometeu rogar ao SENHOR (29). Mas advertiu: Somente que Faraó não mais me engane. Deus, conforme a palavra de Moisés, retirou as moscas e não ficou uma só (31).

A completa suspensão desta praga fez com que o rei ficasse mais inflexível e não deixou ir o povo (32). Em face de tão grande apresentação da verdade, o próprio Faraó endureceu ainda mais o coração (cf. comentários em 7.13). Sua vontade estava cada vez mais renitente contra Deus e seu povo.

Os versículos 20 a 32 mostram “O Coração Rebelde”. 1) Sofre no julgamento, 20-24; 2) Sugere uma contraproposta, 25,26; 3) Faz fraudulentamente uma concessão, 28; 4) Recebe sinais da misericórdia de Deus, 29-31; 5) Recusa o plano de Deus, 32.

A TERCEIRA PROPOSTA DE FARAÓ

A tentativa de acordo (10.7-11). Os servos de Faraó (7), os funcionários da corte mais próximos ao rei, começaram a argumentar. Primeiro, os magos ficaram impressiona- dos com o poder de Deus (8.19). Segundo, alguns egípcios creram o suficiente para retirar o gado e os escravos do campo quando a praga foi anunciada (9.20). Agora altos funcionários egípcios criam que aconteceria o que Moisés dizia. Suplicaram a Faraó que não permitisse mais que este Moisés lhes fosse por laço (7; ou “cilada”, ARA). A única salvação para o Egito era ceder e deixar o povo israelita ir. A palavra homens aqui (7) se refere a todo o povo. Os servos sabiam, melhor que Faraó, que o Egito estava quase arruinado.

Por esta razão, Moisés e Arão (8) foram levados outra vez à presença do rei. Pela primeira vez, Faraó cedeu antes do início da praga. Deu permissão para os israelitas partirem, mas tentou fazer outro acordo. Ele permitiria a ida dos homens se deixassem suas famílias e rebanhos. Seu objetivo era destruir a totalidade da proposição opondo-se aos detalhes. Moisés deixou claro que todos iriam — os meninos, os velhos, os filhos, as filhas, as ovelhas e os bois (9).

Sempre é bom saber perfeitamente os próprios planos ao lidar com um oponente da verdade. O versículo 10 é mais bem traduzido por um tipo de juramento: “Esteja o Senhor convosco, se algum dia eu vos deixar ir com seus pequeninos! Vede que tendes algum propósito mau em mente” (ATA). O rei considerava a concessão plena do pedido como se fosse uma blasfêmia: “Tão improvável quanto vos deixarei ir com vossos filhos é tão improvável que vós ides em vossa viagem, sendo igualmente tão improvável que Jeová estará convosco”.56 Faraó ficou enfurecido ao sentir a pressão e ver a firmeza de Moisés. Ele poderia chegar a um acordo, mas nunca ceder completamente.

Faraó admitiu o que sabia desde o princípio. Este povo queria a liberdade. Acusou essas pessoas de serem mal-intencionadas (10). Teria a garantia do retorno dessa gente ao Egito retendo os filhos. Os varões (cf. 7) poderiam ir (11); Faraó insinuou que desde o início era isso mesmo que eles queriam. Sentia-se exasperado e imediatamente expulsou Moisés e Arão da sua presença.

A PROPOSTA FINAL DE FARAÓ

A SITUAÇÃO CAÓTICA DO EGITO = Não houve anúncio para esta nona praga. Sob as ordens de Deus, Moisés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias (22), trevas que podiam ser apalpadas (21).

A maioria dos estudiosos concorda que foi o hamsin, uma tempestade de areia tão temida no Oriente, que ocasionou estas trevas. O milagre estava em que veio segundo a palavra de Deus (21) e não ocorreu onde o povo de Deus habitava (23). As trevas eram tão densas que os homens não se viam uns aos outros. Não é necessário supor a inexistência de luz artificial ou o fato de as pessoas não se movimentarem em seus lares.6° Toda a atividade comercial e empresarial cessou e a população egípcia ficou em casa.

Agora Faraó estava pronto para outra contraproposta. Depois de chamá-lo, disse a Moisés: Ide, servi ao SENHOR; somente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas (24). Igual a Satanás! Cede quando é forçado, mas busca uma pequena concessão. Muitas pessoas sucumbem às sugestões malignas e aceitam a proposta. Mas Moisés não! Ele declarou: Nem uma unha ficará (26). Moisés sabia qual era a ordem de Deus, embora ainda não dispusesse de todas as razões. Esperava mais instruções conforme o desdobrar dos acontecimentos.

Os cristãos nunca conseguirão plena vitória enquanto derem lugar ao diabo. Há quem insista que um pequeno pecado não faz mal, ou que sempre fica algum mal no coração. Mas a Palavra de Deus é clara: “Que [...j vos despojeis do velho homem” (Ef 4.22); “Despojai-vos também de tudo” (Cl 3.8); “Não deis lugar ao diabo” (Ef 4.27). Nenhum acordo com Satanás jamais resultará em vitória total ou liberdade completa para o filho de Deus.

O Senhor ainda tinha algo a tratar com Faraó. Deus desejava mostrar o que Ele faz com quem lhe resiste tão cabalmente. Em vez de Faraó permitir a saída de Israel, Deus endureceu ainda mais o coração do monarca (27; cf. comentários sobre 7.13). A raiva deflagrou-se furiosamente sobre Moisés, quando Faraó ordenou que o servo de Deus se afastasse para sempre, ameaçando-o de morte se o visse novamente (28). Pelo menos por uma vez Moisés ouviu a voz da verdade em Faraó, e respondeu: Bem disseste; eu nunca mais verei o teu rosto (29). Faltava pouco para Deus terminar com Faraó. Não havia muita coisa que este tirano pudesse fazer, preso como estava nos laços do seu coração arrogante.

Nos capítulos 8 a 10, vemos “Os Perigos das Concessões ao Pecado”. 1) Permanecendo perto do mundo: Sacrificai nesta terra, 8.25,28; 2) Negligenciando a religião em família: Deixai os varões irem, 10.8-11; 3) Retendo os bens materiais: Deixai as ovelhas e as vacas ficarem, 10.24; 4) Vencendo por total compromisso: Nem uma unha ficará, 10.26.

A QUARTA E ÚLTIMA PROPOSTA

De um lado, os egípcios nas trevas. De outro, na casa dos israelitas, havia luz abundante. Da mesma forma hoje, para o crente, há luz em profusão, pois ele tem Jesus, que é a luz do mundo e quem nEle está não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

Diante de tão grandioso sinal, Faraó, que já tentara reter os meninos e as meninas, sem sucesso, agora, chamou Moisés e disse que saíssem todos, mas que ficassem as ovelhas e as vacas. Estes, porém, faziam parte do culto, pois seriam oferecidos em holocausto ao Senhor. Moisés, o líder, não aceitou tal proposta. Disse que não ficaria “nem urna unha” (Êx 10.26). Tal atitude nos sugere algo muito importante. Quando o crente é liberto do pecado, não deve deixar nada de sua vida espiritual a serviço do mundo, ou seja, do contexto de coisas que envolvem o pecado, sob o maligno.

CONCLUSÃO

Um dos livros da bíblia que mais fala de batalha espiritual é o livro de Êxodo. Nesse livro, que trata da libertação do povo de Deus do cativeiro egípcio, Faraó é um símbolo do Diabo, e o Egito é um símbolo do mundo. Quando Moisés foi a Faraó, pedindo-lhe que deixasse o povo sair em liberdade, após aqueles sofridos 430 anos de cativeiro, o Faraó tentou impedi-los, usando de astúcia. Diante da palavra de Moisés para que se desse um basta àqueles anos de escravidão e sofrimento, Faraó reage com uma iniciativa dura e depois com 03 propostas sedutoras, a fim de que o povo se mantivesse no seu cabresto e na sua jaula. Notem que a metodologia usada por Faraó é a mesma que o Diabo usa hoje, a fim de manter o povo de Deus longe das bênçãos de Deus e da comunhão com Deus.

À proposta de Faraó, Moisés responde de maneira fantástica, como está escrito em Êxodo 10.26: “E também os nossos rebanhos irão conosco, nem uma unha ficará; porque deles havemos de tomar, para servir ao SENHOR, nosso Deus...”. Que ajamos como Moisés: nem uma unha que é nossa fique nas mãos do Diabo. Tudo que temos e tudo que somos é de Deus, pertence a Deus e deve ser colocado a serviço de Deus. Logo, se porventura tem algo seu que está nas mãos do Diabo, tome de volta. Não deixe nada nas mãos do Diabo. Nem uma unha sequer. Tome de volta tudo que Deus lhe deu.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


BIBLIOGRAFIA

Comentário Bíblico Beacon
www.batistaocaminho.com
Lições bíblicas CPAD 1991

8 de janeiro de 2014

UM LIBERTADOR PARA ISRAEL



UM LIBERTADOR PARA ISRAEL

TEXTO ÁUREO = “E disse Deus a Moisés: EU SOU o QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU 5OU me enviou a vós” (Êx 3.14).

VERDADE PRÁTICA = Assim como Moisés, usado por Deus, libertou Israel do cativeiro, Cristo nos liberta da escravidão do pecado e do mundo.

LEITURA BIBLICA = Exodo 3: 01-09

INTRODUÇÃO

Pode-se dizer que tudo começou em Ur dos caldeus, na Caldéia (Babilônia, onde hoje situa-se o Iraque), com a chamada de um rico cidadão daquela localidade, Abrão, que significa “pai da altura”: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” (Gn 12.1,2). Deus chamou Abraão para ser o fundamento de um plano que tinha por objetivo a recuperação e redenção do gênero humano.

MOISÉS SUA CHAMADA E SEU PREPARO

O Chamado e a Comissão de Moisés (3.1—4.17)

a) A sarça ardente (3.1-6). De acordo com Estevão (At 7.23), Moisés tinha quarenta anos quando matou o egípcio, e, depois de outros quarenta anos, ele encontrou o Senhor na sarça ardente (At 7.30). Depois deste período no deserto, Deus viu que seu povo e Moisés estavam prontos para o milagre de libertação. Aqui, o sogro de Moisés recebe o nome Jetro (1), embora seja possível que Jetro fosse o filho de Reuel e, portanto, cunhado de Moisés. Ainda pastor, Moisés estava nas proximidades de Horebe, o monte de Deus (1), também chamado Sinai (ver Mapa 3). E provável que Horebe fosse o nome dado à cadeia de montanhas, ao passo que Sinai dissesse respeito a um grupo menor ou a um único cume.

Os estudiosos da Bíblia consideram que o anjo do SENHOR (2) na sarça ardente seja Cristo pré-encarnado, embora o Novo Testamento nunca use essa expressão para se referir a ele. Na Bíblia, uma chama de fogo simboliza a presença de Deus (Hb 12.29). Este fato despertou a curiosidade de Moisés, momento em que Deus falou com ele. Então, encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus (6). Ele não podia ficar em pé levianamente na presença de Deus, e aprendeu que a presença divina santifica o lugar onde Ele aparece (5).

Nos versículos 1 a 6, vemos o tema “O Servo de Deus”. 1) O emprego no qual se engajou, 1; 2) A visão que testemunhou, 2; 3) A resolução que fez, 3; 4) A proibição que recebeu, 5; 5) O anúncio que ouviu, 6.18

b) O plano divino (3.7-10). Deus se envolveu na situação difícil do seu povo. Ele disse: Tenho visto atentamente, tenho ouvido e conheci (7). Pode ter esperado muitos anos, mas sabia o tempo todo. Estas palavras garantem que Deus ouve atentamente os clamores de tristeza e conhece os apuros humanos.

Deus sempre está agindo no mundo, “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17.28). Interfere na história em ocasiões especiais para se revelar e realizar sua vontade. Ele disse a Moisés que desceu para livrar seu povo do Egito (8). Havia um lugar preparado para eles numa terra boa, larga e que mana leite e mel. Esta descrição não significa que Canaã era mais fértil que o Egito, mas que era uma terra boa, frutífera e suficientemente espaçosa para Israel. Tratava-se de uma terra identificada pelos nomes dos povos cuja iniqüidade estava cheia, tendo de renunciar a terra a favor dos escolhidos de Deus (Gn 15.16-21).’

Embora Deus pudesse ter livrado Israel diretamente por uma palavra, preferiu fazer sua obra por seu servo. Disse Deus a Moisés: Eu te enviarei a Faraó (10). Este homem, outrora autodesignado libertador, tinha de ir à presença do orgulhoso rei e tirar Israel do Egito sob a direção de Deus.

Identificamos “O Envolvimento de Deus com o seu Povo” em cinco declarações: 1) Tenho visto atentamente, 7; 2) Tenho ouvido, 7; 3) Conheci, 7; 4) Desci, 8; 5) Eu te enviarei, 10.

c) As instruções divinas (3.11-22). A princípio, Moisés contestou o plano de Deus usá-lo. Viu: a) sua incapacidade: Quem sou eu?; e b) a impossibilidade da tarefa: E tire do Egito os filhos de Israel? (11). O príncipe que há quarenta anos era confiante em si mesmo agora temia a tarefa. Era mais sábio no que concerne à capacidade humana de ocasionar a libertação, mas ainda tinha de aprender o poder de Deus. Como é freqüente hesitarmos quando olhamos para nós mesmos — ato que devemos fazer —; mas não precisamos ter medo quando olhamos para Deus!

Certamente eu serei contigo (12) sugere que quando Deus escolhe um mensageiro, Ele não se baseia na habilidade do indivíduo, mas na submissão deste à vontade de Deus. Deus assegurou a Moisés que ele e o povo serviriam a Deus neste monte depois que Israel fosse libertado do Egito. A expressão: Isto te será por sinal, está corretamente traduzida.

Moisés percebeu que, como porta-voz de Deus, ele tinha de convencer o povo. As pessoas perguntariam: Quem é este Deus que está te enviando? Qual é o seu nome? (13). Os deuses egípcios tinham nomes, e as pessoas iam querer saber o nome do Deus delas.

Aqui em Horebe, Deus disse: EU SOU O QUE SOU (14). O original hebraico é uma forma da palavra Yahweh (Jeová).

O tempo é indefinido, podendo significar igualmente o passado, o presente ou o futuro.2° Deus “se revelou a Moisés não como o Criador — o Deus de poder — Elohim, mas como o Deus pessoal de Salvação, e tudo o que contém o ‘eu sou’ será manifestado pelos séculos por vir”. Este nome também revelou sua eternidade — Ele era o Deus de vossos pais e este seria seu nome eternamente: Seu memorial de geração em geração (15).

Mais tarde, este Ser divino disse que seria ele aquele “que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). E evidente por Gênesis 4.26 (onde Yahweh é traduzido por “o SENHOR”) que aqui Moisés recebeu uma explicação de um nome há muito conhecido (cf. tb. 6.3 e os comentários feitos ali).

Moisés foi comissionado a reunir os anciãos de Israel (16), informá-los quem era Deus e que Ele ouvira os clamores do povo. Ele falaria que Deus prometeu libertar os israelitas do Egito e lhes dar por herança a terra de Canaã (17; cf. CBB, vol. II). Deus disse a Moisés que o povo lhe daria ouvidos (18). As pessoas concordariam em levar a petição ao rei.

Pedir uma viagem de três dias para sacrificar ao SENHOR (18) era um teste da disposição de Faraó em cooperar com Deus. “E indubitável que havia reticência [retenção de informação] aqui, mas não falsidade.”Deus deu a Faraó todas as chances para cooperar com Ele. Mas Ele sabia que o rei não concordaria, nem mesmo por uma mão forte (19). Deus sabe tudo, até o que Ele não faz por decreto.

Deus prometeu fazer grandes maravilhas no Egito, para que, no fim, Israel tivesse permissão de sair (20). Quando saíssem, cada mulher deveria pedir haveres dos egípcios (22), que mostrariam graça a estas pessoas (21) dando dos seus tesouros. Considerando que estavam escravizados por longo tempo, os israelitas tinham direitos a esta remuneração. Desta forma, Israel despojaria o Egito (22).

Nos versículos 14 a 22, há uma revelação de “O Deus Eterno”: 1) Ele revela seu nome, 14-16; 2) Ele mostra seu plano, 17,18; 3) Ele assegura seu poder, 19-22.

d) Os sinais divinos (4.1-9). Moisés era muito humano, e sua fé ainda estava fraca. Ele disse acerca dos hebreus: Eis que me não crerão (1). Deus então pacientemente lhe deu mais garantias. Usando o cajado comum de pastor, Deus deu provas do seu poder sobrenatural (2,3) transformando a vara em cobra.

O segundo sinal para Moisés foi a mão que ficou leprosa (6,7). Se as pessoas não cressem no primeiro nem no segundo sinal, creriam no terceiro: a transformação das águas do rio em sangue quando fossem despejadas em terra seca (9).

Além do caráter miraculoso, estes sinais ensinavam lições importantes. Avara, símbolo do pastor ou trabalhador comum, quando entregue a Deus se torna maravilha e poder.

A lepra, símbolo do pecado e corrupção no Egito, pode ser curada imediatamente pelo poder de Deus. O sangue, sinal de guerra e julgamento, garantia vingança pela maldade dos egípcios.23

e) O método divino (4.10-17). Depois de receber estes sinais, Moisés tinha todos os motivos para aceitar a tarefa de Deus e crer em sua palavra. Mas ainda não estava propenso a obedecer, dando mais uma desculpa: Sou pesado de boca e pesado de língua (10). Moisés não sentiu mudança alguma embora tivesse falado com Deus; ainda se sentia pesado de boca. Mas Deus lhe assegurou que a vitória seria dada por meio de Moisés (11,12), mesmo quando prometeu vencer o problema da incredulidade do povo. Moisés, porém, não estava convencido; a verdade é que ele não queria ir para o Egito. O significado do versículo 13 é: “Ah! Senhor! Envia outra pessoa” (cf. ARA).

Por causa disso, se acendeu a ira do SENHOR contra Moisés (14). Mas, o único castigo dado a Moisés foi o compartilhamento de liderança com Arão, seu irmão. Arão seria a boca (16), ou o porta-voz, e Moisés seria Deus, ou o profeta. Moisés parece que concordou com este arranjo, pois suas objeções cessaram. Deus respondeu a todos os receios deste homem.

Mas o arranjo foi secundário em termos de qualidade e perfeição. Arão mostrou-se ser muito mais um obstáculo que uma ajuda (e.g., 32.1-25; Nm 12.1,2).

O segredo do sucesso de Moisés foi levar esta vara na mão (17). Neste capítulo, levar “A Vara de Deus” significa: 1) A rendição completa de si mesmo a Deus, 2-4; 2) O meio pelo qual as pessoas reconheceriam a presença de Deus, 5; 3) O canal pelo qual Deus mostraria seu poder, 17.

AS DESCULPAS DE MOISÉS E A SUA VOLTA AO EGITO

a) A prestação de contas (4.18-20). Moisés, agora submisso ao plano de Deus, primeiramente foi obter permissão de Jetro para ir embora e voltar ao Egito (18). Não lhe apresentou todas as razões para a mudança, mas o motivo que deu foi suficiente para obter aprovação. Seus irmãos eram as pessoas de sua nação, os israelitas. Jetro disse: Vai em paz. Deu liberdade a Moisés e, assim, não pôs impedimento ao plano de Deus.

Deus garantiu que as pessoas que procuravam a vida de Moisés estavam mortas (19). Moisés começou a viagem com sua mulher e dois filhos (20; cf. 18.3,4), embora pareça que depois do episódio da circuncisão (24-26), ele os tenha mandado de volta a Jetro (18.2) e prosseguido sozinho com Arão (29). E lógico que as palavras tornou à terra do Egito (20) é uma declaração geral que teve cumprimento no versículo 29. Pode ser traduzida por: “Pôs-se a voltar para a terra do Egito”.

b) A repetição da mensagem (4.21-23). Deus instruiu Moisés mais uma vez que, quando chegasse ao Egito, executasse as maravilhas diante de Faraó. Deus também lhe disse que endureceria o coração de Faraó para que o rei não deixasse o povo ir (21; ver comentários em 7.13 acerca do endurecimento do coração de Faraó). A vitória de Deus sobre este tirano não seria rápida, mas a vitória final seria do Senhor (cf. 3.20). Deus deu todas as oportunidades para Faraó obedecer. Logo o Senhor lhe avisaria que, visto que Israel era o primogênito (22) de Deus, a recusa em obedecer significaria morte aos primogênitos do rei (23). Pouco a pouco ficaria claro para Faraó que ele estava oprimindo o povo de Deus e a recusa era rebelião contra o Deus Todo-Poderoso.

c) A disciplina para Moisés (4.24-26). Estes três versículos são difíceis de interpretar. Embora Moisés estivesse obedecendo a Deus ao voltar para o Egito, algo estava errado. Deus instituíra o rito da circuncisão para todos os filhos de Israel. Parece que Moisés se circuncidou e executou o rito em seu primeiro filho. A reação de Zípora (25,26) indica forte desaprovação do ato e sugere que Moisés havia concordado em não circuncidar o segundo filho a fim de agradar a esposa. Mas Deus exigia obediência, e forçou Zípora a aceitar o que parece ter sido extrema aflição para o marido (24). A obediência trouxe cura para Moisés (26), mas o incidente ocasionou a volta de Zípora para a casa do pai (18.2).

d) O relato a Arão (4.27,28). O Senhor instruiu Arão para que fosse ao encontro de Moisés, ao deserto (27). Deus fez o trabalho preparatório em ambos os irmãos. Talvez tenham se encontrado no monte Sinai depois da volta de Zípora para casa.

Moisés contou a Arão tudo que Deus lhe dissera, e também lhe falou sobre os sinais (28). O relato é breve, mas obviamente Arão aceitou a revelação que Deus dera a Moisés sem colocar nada em dúvida.

e) O relato para o povo (4.29-3 1). Os dois irmãos voltaram para o Egito e conclamaram uma reunião com os anciãos (os homens de liderança) dos filhos de Israel (29). Tendo Moisés contado a Arão as palavras de Deus no encontro que tiveram (28), foi Arão que falou todas as palavras e fez os sinais perante os olhos do povo (30). Como Deus prometera (3.18), o povo creu nas palavras e nos sinais (31). Era ocasião de alegria, quando estes hebreus oprimidos ficaram sabendo que Deus ouvira seus clamores e estava pronto para agir; eles inclinaram-se e adoraram.

MOISÉS SE APRESENTA A FARAÓ

A Primeira Visita a Faraó (5.1-23)

Chegou o momento da prova. Moisés e Arão estavam equipados e instruídos. O povo estava informado e parecia preparado para seguir a Deus. Estava na hora de confrontar o tirano.

a) A recusa do rei (5.1-5). Ao homem que mantinha Israel em seu poder, Moisés e Arão proferiram a palavra de Deus: Deixa ir o meu povo (1). Não há que duvidar que Faraó ficou surpreso, porque ele considerava que Israel era seu povo. Fazia mais de quatro séculos que os hebreus estavam no Egito. Como alguém poderia pedir a lealdade destes escravos e exigir que fizessem uma festa de sacrifício?

Além disso, Faraó não reconhecia autoridade senão a si próprio. Ele perguntou:
Quem é o SENHOR, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? (2). Havia muitos deuses no Egito, e este rei conhecia todos. Para ele, as pessoas tinham de manipular os deuses e não lhes obedecer. Seu ultimato foi: Não conheço o SENHOR, nem tampouco deixarei ir Israel.

Moisés e Arão mantiveram-se firmes na petição. Disseram ao rei: O Deus dos hebreus nos encontrou (3). Pediram permissão para fazer uma viagem de três dias a fim de sacrificar ao Deus que serviam. No único tipo de linguagem que Faraó entendia, avisaram que, caso o pedido fosse negado, o Senhor o julgaria: E ele não venha sobre nós com pestilência ou com espada. Mas o rei recusou assim mesmo.

Faraó os acusou de preguiçosos, indivíduos que procuram fugir da responsabilidade apelando para a religião. Por que fazeis cessar o povo das suas obras? (4).
Para ele, tratava-se de preguiça e afronta. Em outras palavras: “Por que afastar as pessoas do trabalho?” Os déspotas sempre acham difícil acreditar que os súditos tenham uma causa justa.

b) O aumento de trabalho (5.6-14). O rei, furioso, ordenou imediatamente que os exatores do povo e os oficiais (6)25 israelitas aumentassem o trabalho dos escravos. Em vez de fornecer a palha dos campos já cortadas e prontas para uso, os exatores do povo exigiram que as pessoas mesmas colhessem palha para si (7). A palha era misturada com barro para deixar mais forte os tijolos secos ao sol. O restolho era a parte inferior do talo das gramíneas. Embora houvesse o trabalho extra de juntar a palha, a conta (o número) dos tijolos fabricados devia permanecer a mesma (8). Este tirano, insensível ao bom senso, estava determinado a minar a vontade do povo. Nem se dava conta de que não podia ir contra Deus. Ele poderia ser cruel com o povo de Deus, mas as palavras que ouvira não eram palavras de mentira (9).

Os exatores do povo e seus oficiais executaram as ordens de Faraó (10,11). Os escravos se espalharam por toda a terra do Egito a colher restolho (12). Os exatores (13), com medo de perderem o emprego, pressionavam duramente os oficiais hebreus.

Quando a cota de tijolos não foi atingida, açoitaram os oficiais dos filhos de Israel (14). Os esforços de Moisés e Arão tiveram efeito oposto ao esperado.


c) Os três apelos (5.15-23). Os oficiais dos filhos de Israel (15) achavam que tinham feito algo de errado. E lógico que Faraó não exigiria que estes escravos cumprissem tarefas descabidas. Foram diretamente à presença do rei para pedir explicações:

Por que fazes assim a teus servos? Pensaram que a falha estava no povo do rei (16). Mas estes oficiais hebreus ficaram sabendo da verdade. Fora o próprio rei que fizera a exigência. Ele afirmou que os hebreus eram ociosos (“preguiçosos”), porque queriam sacrificar ao SENHOR (17). Desumanamente renovou a demanda do trabalho (18).

O segundo apelo foi feito pelos oficiais a Moisés e Arão (20). Viram que, com Faraó, a porta estava fechada e que estavam em situação ruim. Em aflição (19) significa “em extrema dificuldade”. Botaram a culpa em Moisés e Arão (20), afirmando que eles tornaram os israelitas (não o nosso cheiro, mas simplesmente “nos”, ARA) repelentes diante de Faraó e diante de seus servos e deram a eles a espada nas mãos (21), ou seja, puseram em perigo a vida dos hebreus.

As vezes, a fé iniciante é fraca. No princípio, estes homens tinham crido em Moisés, mas esta prova severa levou-os a duvidar. Moisés logicamente estava errado! Como Deus poderia estar em ação quando as coisas ficaram piores?

Ainda tinham de aprender que fica mais escuro justamente antes do raiar do dia, que todas as coisas devem ser contadas como perda (Fp 3.8) para que Deus se torne tudo e que Deus liberta quando a pessoa chega ao fim de si mesma.

O terceiro apelo foi feito por Moisés ao SENHOR (22). Em vez de dar uma resposta aos oficiais, ele foi diretamente a Deus. Muitas vezes é fútil fazer o contrário, sobretudo quando a mente está confusa. Era nitidamente claro que a situação piorara. Não havia sinal externo de que Deus começara uma libertação. Moisés perguntou: Por que me enviaste? (22).

O Senhor se agrada quando vamos à sua presença com nossos “por quês?” e “para quês?” Quando a fé está em crescimento sempre há retrocessos. Deus freqüentemente nos humilha antes de mostrar seu braço forte. Muitos santos clamaram: “Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador?” (Ap 6.10), mas Deus cuida de cada movimento dos seus filhos sofredores.

Deus não deixou Moisés na mão. A demora na libertação não significava renúncia da promessa. Deus estava trabalhando em seus propósitos. Smith-Goodspeed traduz o versículo 1 assim: “Agora verás o que farei a Faraó; forçado por um grandioso poder ele não só os deixará ir, mas os expulsará da terra”. Outras dificuldades tinham de vir sobre Israel (5.19), mas a promessa de Deus ainda era certa.

O valor da promessa estava no fato de Deus endossá-la: Eu sou o SENHOR (2). Os antepassados de Israel conheciam o Deus Todo-Poderoso (3), o Deus de poder e “força dominante”. “Aqui a idéia primária de Jeová concentra-se, pelo contrário, em sua existência absoluta, eterna, incondicional e independente.” Ambos os nomes eram muito antigos e amplamente conhecidos (Gn 4.26; 12.8; 17.1; 28.3), mas Deus se manifestou principalmente pelo nome de El Shaddai, Deus Todo-Poderoso. Para este grande livramento, o próprio Deus revelou o pleno significado de Yahweh, “o Senhor”. Esta não é outra narrativa do chamado de Moisés, diferente da anterior, como advogam muitos estudiosos liberais,27 mas trata-se de uma renovação das promessas a Moisés com maior destaque a um povo desanimado.

A nova revelação neste nome retratava que Deus se ligara com seu povo por concerto (4). Este concerto começou com os patriarcas e incluía a promessa da terra de Canaã, por onde, durante muitos anos, vaguearam como peregrinos e estrangeiros (Gn 15.18). Deus se lembrou do concerto quando ouviu o gemido dos filhos de Israel por causa da escravidão (5). Ele não esqueceu; somente esperara até que os filhos estivessem prontos para cumprir sua parte no concerto.

DEUS PROMETE LIVRAR SEU POVO

Deus ordenou que Moisés renovasse a confiança dos israelitas. Ele tinha de lhes dizer que seriam libertos da servidão egípcia, que Deus os resgataria com braço estendido (“ação especial e vigorosa”,ATA) e com juízos grandes (6) sobre os opressores. Israel seria o povo especial de Deus e lhe daria a terra da promessa por herança (7,8). Estas palavras tranqüilizadoras foram apoiadas pela declaração: Eu, o SENHOR.

Embora a promessa fosse feita com firmeza, os líderes de Israel não ouviram a Moisés, por causa da ânsia do espírito e da dura servidão (9). Embora tivessem crido antes (4.3 1), o aumento da crueldade os abatera tanto que meras palavras de promessa não bastariam. As vezes Deus tem de operar para que creiamos em suas promessas. Mais tarde, nos lembraremos das palavras da promessa.

Quando Moisés (10) não pôde convencer Israel, duvidou que pudesse convencer Faraó (11), a quem agora Deus o dirigia. Se Israel não lhe dava ouvidos, por que Faraó escutaria? Incircunciso de lábios (12), de acordo com a expressão idiomática em hebraico, seria um defeito que interfere com a eficiência. O ouvido incircunciso era um ouvido que não ouvia (Jr 6.10), e o coração incircunciso era um coração que não entendia. A boca de Moisés não podia falar com clareza. Mas a despeito da debilidade humana, Deus falaria. Ele daria mandamento para os filhos de Israel e para Faraó, e o assunto seria resolvido (13).

Encontramos em 5.22 a 6.13, certos “Problemas para a Fé”: 1) A demora de Deus em agir, 22,23; 2) Espíritos desanimados e abatidos, 9; 3) Pessoas indiferentes, 12; 4) Enfermidades físicas, 9.
Nos versículos 1 a 8, temos estas “Garantias para a Fé”: 1) O poder de Deus, 1; 2) O nome de Deus, 3; 3) A resposta de Deus, 5; 4)0 relacionamento de Deus, 7; 5) A promessa de Deus, 8.

CONCLUSÃO

Lembremo-nos de que a chamada que Deus tem para cada um deve ser obedecida, e que no devido tempo, Deus cumpre suas promessas e honra a fé daqueles que confiaram nEle.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


BIBLIOGRAFIA


Comentário Bíblico Beacon
Livro Uma Jornada de Fé = PAD = Alexandre Coelho e Silas Daniel