21 de março de 2013

ELISEU E A ESCOLA DOS PROFETAS


ELISEU E A ESCOLA DOS PROFETAS

TEXTO ÁUREO = “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Tm 2.1,2).

VERDADE PRÁTICA = A escola de profetas objetivava a transmissão dos valores morais e espirituais que deus havia entregado a Israel através da sua Palavra.

LEITURA BIBLICA = 2 Reis 6: 1-7

INTRODUÇÃO

Por diversas vezes vemos a expressão “filhos dos profetas (hb. bene
ba-nabiim)” aparecer nos livros de 1 e 2 Reis. Observamos pelas
Escrituras que os filhos dos profetas estavam radicados em locais como Betel, Jericó e Gilgal (1 Rs 20.35; 2 Rs 2.3,5,7,15; 4.1,38; 6.1). O contexto dessas passagens não deixa dúvidas de que esta expressão pode ser entendida como sendo sinônimo para “Escola de Profetas”.

Esse fato serve para nos mostrar que a educação religiosa ou formal já recebia destaque no Antigo Israel. Deve ser lembrado que essas escolas de profetas não tinham como propósito ensinar a profetizar. Isso é uma atribuição divina. Todavia a Escola de Profetas é um testemunho vivo de que o povo de Deus em um passado tão distante se preocupava em passar às gerações posteriores sua herança cultural e espiritual.

Entender os princípios que fundamentavam a Escola de Profetas é de suma importância para a Educação Cristã do século XXI, pois através deles é possível fazer um contraste entre o ensino bíblico e o paradigma educacional emergente.

E fato que o paradigma educacional da cultura ocidental vem sofrendo mudanças radicais nos últimos anos. Esse fato tem provocado o espanto de especialistas que demonstram preocupação diante dos novos desafios impostos por essa reviravolta no mundo dos valores. Mas não é somente a cultura secular que tem refletido os efeitos dessas mudanças de valores na educação. A igreja evangélica como uma instituição formadora de valores também espelha essas mudanças.

O que a igreja deve saber sobre esse novo modelo ou paradigma educacional emergente e como agir diante dele? O que a Escola de Profetas, liderada pelo profeta Eliseu, tem a nos ensinar? E a pergunta que nos proporemos a responder aqui.
Antes de estudarmos a Escola de Profetas como uma entidade dedicada à instrução religiosa, procurarei dar uma visão panorâmica sobre o novo modelo educacional, também denominado de Paradigma Educacional Emergente.

Os valores fundamentais da educação

Em seu livro Os Valores Fundamentais, o teólogo e filósofo italiano Battista Mondin trouxe uma importante reflexão sobre o valor da educação hodierna. Mondim observa que a escola é uma fábrica de cultura e que para ela realizar essa função, deve ter em vista o cultivo do homem, que ele destaca como sendo as exigências fundamentais de cada cultura.

São elas: simbólica, tecnológica, ética e axiológica (porque quatro são os fundamentos da cultura: linguagem, costumes, técnicas e valores). “A escola, como é conhecida e realizada hoje”, destaca Mondim “atua ao máximo somente as duas primeiras tarefas, a simbólica e a tecnológica. Provê a primeira com o estudo da língua, da escrita, da gramática, da história, da geografia, do desenho, da literatura, das ciências, da filosofia.

A segunda, com a aprendizagem do uso de instrumentos e de máquinas. Ela deixa de lado (e nas escolas estatais parece até que isso é dever) tudo o que é mais necessário para a determinação do projeto-homem e de sua realização, isto é, as outras duas tarefas. Descubra, antes de tudo, a tarefa axiológica que é a de fazer a criança, o jovem, conhecer os valores absolutos, perenes, fazê-los conhecer e apreciar o valor absoluto, ajudá-los a descobrir a vocação que o chama à realização de seu projeto, de seu valor.

Consequentemente, deixa de ensinar aos estudantes o caminho para realizar o próprio projeto de humanidade que é o caminho da virtude.” Ele destaca que no campo dos valores a escola anda na direção oposta daquilo que pretende uma instituição que é vista como uma fábrica de cultura, isto é, como uma instituição que cuida da formação do homem em sociedade. Para esse filósofo italiano, a escola age dessa forma quando: “Critica e nega, sistemática e venenosamente, os valores absolutos, espirituais, transcendentes, perenes e favorece nos jovens a máxima libertinagem, ensinando um permissivismo completo. Assim, ela acaba por depauperar aquele tesouro precioso de sentimentos e instintos que a natureza doa à criança, ao invés de canalizá-la, como a água impetuosa de um rio para irrigar o terreno e torná-lo fecundo, permite que escapem livremente e que se transformem (como no caso da violência, da luxúria e da droga) em vícios que bloqueiam o caminho em direção à realização daquele valor absoluto, daquele projeto de humanidade a que somos chamados e destinados”.

Dizendo isso de uma outra forma: a educação contemporânea com sua proposta de total rompimento com os valores tradicionais herdados da cultura judaico-cristã, promove uma educação secularizada onde não existem valores perenes ou absolutos nem tampouco a mais tênue noção de verdade.

Em vez disso, há apenas “verdades”, e valores relativos que devem ser ajustados ao comportamento do educando. Cada um tem a sua verdade, já que não existem mais meta narrativas e a história perdeu o seu sentido. A noção de certo e errado, verdade ou mentira, deixa de ser um fenômeno universal para se ajustar à localidade de cada cultura. Cada cultura tem a sua verdade e, portanto, a sua noção de valores ético-morais.

O relatório da UNESCO para a educação do século XXI

A fim de avaliar o impacto desse novo desafio que a educação do século XXI enfrenta, a UNESCO preparou um relatório minucioso. O relatório que foi presidido pelo educador francês Jacques Delors, aponta os desafios e os caminhos para o fenômeno educacional no mundo do século XXI. A edição brasileira desse relatório foi apresentada pelo ex-ministro da educação Paulo Renato.

Em sua fala, o ex-ministro destaca aquilo que o Relatório Delors sintetiza sobre a realidade educacional global. Ele pôs em evidência esse novo cenário para esse paradigma educacional emergente, conforme demonstrado no Relatório Delors: “Existe hoje uma arena global na qual, gostemos ou não, é até certo ponto jogado o destino de cada indivíduo.

[...] Apesar de uma promessa latente, a emergência desse novo mundo, difícil de aprender e ainda mais difícil de prever, está criando um clima de incertezas, para não dizer de apreensão, que torna a busca de um enfoque verdadeiramente global para os problemas ainda mais angustiantes.”

Observa-se que os educadores estão conscientes e preocupados com os novos desafios que a cultura emergente impõe sobre a educação. Da mesma forma a igreja como uma instituição social e formadora de valores não deve fazer vista grossa para esses alertas.

Pressupostos apontados para a educação do século XXI

O ministro da educação indiano, Karan Singh, que também é um dos colaboradores do Relatório Delors, apontou alguns pressupostos de uma filosofia holística para a educação do século XXI.
Devemos ficar atentos a esses pressupostos educacionais, pois serão eles que formarão a cultura das gerações vindouras. De acordo com Singh:

1. O planeta Terra que habitamos e de que todos somos cidadãos é uma entidade única, fervilhante de vida; a espécie humana é, em ultima análise, uma grande família em que todos os membros são solidários; as diferenças de raça e de religião, de nacionalidade e de ideologia, de sexo e de preferências sexuais, de estatuto econômico social — embora em si importantes — devem ser repostas no contexto mais geral desta unidade fundamental.

2. O ódio e o sectarismo, o fundamentalismo e o fanatismo, a inveja e o ciúme, entre pessoas, grupos ou nações, são paixões destruidoras que é preciso vencer agora que nos achamos no limiar de um novo século; o amor e a compaixão, a preocupação pelo outro e a caridade, a amizade e a cooperação devem ser estimuladas, agora que a nossa consciência desperta para a solidariedade planetária.

3. As grandes religiões do mundo na luta pela supremacia devem parar de se combater e cooperar para o bem da humanidade, a fim de reforçar, graças a um diálogo permanente e criativo entre as diferentes confissões, o filão de ouro que são as suas aspirações espirituais comuns, renunciando aos dogmas e anátemas que as dividem.

4. A educação holística deve ter em conta as múltiplas facetas, físicas, intelectuais, estéticas, emocionais e espirituais da personalidade humana e tender, assim, para a realização deste sonho eterno: um ser humano perfeitamente realizado vivendo num mundo em harmonia.

Não há como negar que esses pressupostos educacionais apontados por Singh refletem os princípios de uma educação holística, mística e destituída na sua grande maioria dos valores cristãos. Algo semelhante àquilo que Battista Mondim já havia criticado como princípios que estão na contramão de uma educação verdadeiramente humanística. O relatório, portanto, é bem intencionado, mas utópico na medida em que prega um ecumenismo universal entre todos os povos e religiões. São esses vetores que procuram nortear a educação secular contemporânea. Merece destaque que esses mesmos pressupostos educacionais, vistos por uma outra perspectiva, são defendidos por renomados educadores.

Em seu conceituado livro 0 Novo Paradigma Educacional Emergente, a educadora Maria Cândida resume esse modelo emergente como sendo:

1. Construtivista — o ser humano está em constante processo de transformação diante de sua ação no mundo, em sua relação constante com o objeto. Pensar é resultado de uma construção, da ação do indivíduo sobre o objeto e da transformação desse objeto, que tem o educando como centro gerador em processo constante de construção.

2. Interacionista sujeito e objeto estão em constante interação de forma que um modifica o outro e modificam-se entre si.

3. Sociocultural o homem é um ser relacional que interage constantemente, através do diálogo, com seus pares e com o mundo físico.

4. Transcendente isto quer dizer: ir além, ultrapassar-se, superar-se. O homem é um devir a ser.

Essas são as tendências de uma nova Paideia, de um novo modelo educacional emergente. Embora seja perceptível a roupagem científica com que esse modelo está adornado, todavia é inegável que ele é mais religioso do que científico. Mais espiritual do que racional. O físico nuclear e adepto do misticismo oriental, Fritijof Capra, foi uma das primeiras vozes pós-modernas na defesa desse novo paradigma. Capra afirma:

“Precisamos de um novo paradigma — uma nova visão da realidade, uma mudança fundamental em nossos pensamentos, percepções e valores. Os primórdios dessa mudança, da transferência da concepção mecanicista para a holística da realidade, já são visíveis em todos os campos e suscetíveis de dominar a década atual.”

No livro de minha autoria, intitulado Defendendo o Verdadeiro Evangelho, mostrei as implicações que essa nova ciência tem sobre os valores cristãos, em especial sobre a Educação. Mais uma vez fiz uma análise das palavras de Fritjof Capra, principal guru dessa Nova Era: “Vivemos hoje num mundo globalmente interligado, no qual os fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais são todos interdependentes.

Para descrever esse mundo apropriadamente, necessitamos de uma perspectiva ecológica que a visão do mundo cartesiana não oferece” (O Ponto de Mutação a Ciência, a Sociedade e a Cultura Emergente p.14). Em outro texto, também de sua autoria, ele diz: “Não existe nenhum organismo individual que viva em isolamento.



Os animais dependem da fotossíntese das plantas para terem atendidas as suas necessidades energéticas; as plantas dependem do dióxido de carbono produzido pelos animais, bem como do nitrogênio fixado pelas bactérias em suas raízes, e todos juntos, vegetais, animais e microorganismos, regulam toda a biosfera e mantêm as condições propícias à perspectiva da vida (As Conexões Ocultas a Ciência para uma Vida Sustentável).

O lado espiritual e místico desse novo paradigma fica claro em outro livro de Fritijof Capra, intitulado: 0 Tao da Física um paralelo entre a
Física Moderna e o Misticismo Oriental.

Nessa obra, diz: “Há cinco anos, experimentei algo de muito belo, que me levou a percorrer o caminho que acabaria por resultar neste livro. Eu estava sentado na praia, ao cair de uma tarde de verão, e observava o movimento das ondas, sentindo ao mesmo tempo o ritmo de minha própria respiração. Nesse momento, subitamente, apercebi-me intensamente do ambiente que me cercava: este se me assegurava como se participasse de uma gigantesca dança cósmica (...) senti o seu ritmo e ouvi’o seu som. Nesse momento, compreendi que se tratava da dança de Shiva, o deus dos dançarinos, adorado pelos hindus.”

Desafios à educação contemporânea

É, pois, possível percebermos que o conflito existente entre a cultura moderna, fundamentada no modelo cartesiano, e a pós-moderna, fincada na física quântica e em princípios holísticos, está na desconstrução dos valores tradicionais da educação que esta última produz. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos maiores analistas do impacto que a cultura pós-moderna causa na educação contemporânea, escreveu sobre as dimensões desse conflito:

“A história da educação conheceu muitos momentos críticos nos quais ficava evidente que premissas e estratégias já testadas e aparentemente confiáveis não davam mais conta da realidade e exigiam revisões e reformas. Contudo, a crise atual parece ser diferente daquelas do passado.

Os desafios do presente desferem duros golpes contra a própria essência da ideia de educação, tal como ela se formou nos primórdios da longa história da civilização: eles questionam as invariantes dessa ideia, as características constitutivas da educação que resistiram a todos os desafios passados e emergiram intactas de todas as crises anteriores; os pressupostos que antes nunca haviam sido colocados em questão e menos ainda encarados como se já tivessem cumprido sua missão e necessitassem de substituição.

Vejamos, portanto, como esse sociólogo polonês analisa esse novo paradigma educacional:

1. Um produto descartável = Bauman chama a atenção que para esse modelo emergente de educação, a simples “ideia de que a educação pode constituir em ‘produto’feito para ser apropriado e conservado é desconcertante, e sem dúvida não depõe a favor da educação institucionalizada”.

Bauman diz acertadamente que, visto desta forma, a educação é um produto descartável, “um pacote de conhecimento criado para usar e jogar fora.
A justificativa que os pais davam para convencer os filhos a estudarem: aquilo que você aprendeu ninguém vai poder tirar,’perde sua razão de ser.”

2. Uma realidade instável = “Em todas as épocas”, observa Bauman, “o conhecimento foi avaliado com base em sua capacidade de representar fielmente o mundo. Mas como fazer quando o mundo muda de uma forma que desafia constantemente a verdade do saber existente, pegando de surpresa até os mais ‘bem-informados?’”

Ainda segundo ele, Werner Jaeger, que sem dúvidas foi um dos  maiores pesquisadores e teóricos da Educação, destacava que os fundamentos da pedagogia e da aprendizagem se fundamentavam em dois pressupostos básicos, quais sejam: a ordem imutável do mundo e a natureza igualmente eterna das leis que governam a natureza humana.
Bauman destaca que o “primeiro pressuposto justificava a necessidade e os benefícios da transmissão do conhecimento dos professores aos alunos.

O segundo infundia nos professores a autoconfiança necessária para esculpir na personalidade dos alunos, como fazem os escultores com o mármore, a forma que se presumia sempre justa, bela, boa e, portanto, virtuosa e nobre”.

A relação professor e aluno = Igualmente pertinente é o que Bauman chama de cultura off-line e on-line:

 “Para os jovens”, destaca Bauman, “a principal atração do mundo virtual deriva da ausência de contradições e objetivos contrastantes que infestam a vida off-line. O mundo on-line, ao contrário de sua alternativa off-line, torna possível pensar na infinita multiplicação de contatos como algo plausível e factível.

Isso acontece pelo enfraquecimento dos laços — em nítido contraste com o mundo off-line, orientado para a tentativa constante de reforçar os laços, limitando muito o número de contatos e aprofundando cada um deles.
Depois dessa visão geral do novo paradigma educacional emergente e suas implicações na cultura judaico-cristã, voltemos, pois, à Escola de
Profetas para uma avaliação dos seus fundamentos: Disseram os discípulos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos contigo é estreito demais para nós.

Vamos, pois, até ao Jordão, tomemos de lá, cada um de nós uma viga, e construamos um lugar em que habitemos. Respondeu ele: Ide. Disse um: Serve-te de ires com os teus servos. Ele tornou: Eu irei. E foi com eles. Chegados ao Jordão, cortaram madeira.

Sucedeu que, enquanto um deles derribava um tronco, o machado caiu na água; ele gritou e disse: Ai! Meu senhor! Porque era emprestado. Perguntou o homem de Deus: Onde caiu? Mostrou-lhe ele o lugar. Então, Eliseu cortou um pau, e lançou-o ali, e fez flutuar o ferro, e disse: Levanta-o. Estendeu ele a mão e o tomou” (2 Rs 6.1-7)

Em primeiro lugar; a Escola de Profetas deve ser vista sob a perspectiva institucional ou estrutural.

1. Noção de organização e forma = O texto de 2 Reis 6.1, mostra o lado institucional da Escola de Profeta. Eles viviam em comunidade e, portanto, careciam de um espaço físico não somente para habitar, mas onde pudessem ser instruídos: “Disseram os discípulos dos profetas a Eliseu:

Eis que o lugar em que habitamos contigo é estreito demais para nós. Vamos, pois, até ao Jordão, tomemos de lá, cada um de nós uma viga, e construamos um lugar em que habitemos.

Observa-se nesse texto que a estrutura acabou ficando inadequada e um espaço maior foi reclamado. Para que se tenha uma educação de qualidade necessita-se de uma estrutura adequada. Não podemos educar sem primeiro estruturar!

2. Noção de organismo e função = Essa Escola de Profetas estava sob uma supervisão e, portanto, possuíam um líder espiritual que lhes dava orientação. Os estudiosos acreditam que as Escolas de Profetas surgiram com Samuel (1 Sm 10.5,10; 19.20) e posteriormente se consolidou com a monarquia nos ministérios de Elias e Eliseu. No texto de 2 Reis 6.1, verificamos que esses discípulos dos profetas estavam sob a orientação do profeta Eliseu e era com o profeta de Abel-meolá que eles buscavam instrução.
Eliseu não era apenas um homem com dons carismáticos capaz de prever o futuro ou operar milagres poderosos, mas também um profeta que possuía uma missão pedagógica. Nesse contexto a unção vem junto com a educação.

Em segundo lugar; a Escola de Profetas deve ser vista sob a perspectiva teleológica, dos fins, dos objetivos.

1. Treinamento = O texto de 2 Reis 2.15,16, mostra que fazia parte desse treinamento trabalhar sob as ordens do líder, obtendo assim permissão para a execução de determinadas tarefas: “Vieram-lhe [os filhos dos profetas] ao encontro e se prostraram diante dele em terra. E lhe disseram: Eis que entre os teus servos há cinqüenta homens valentes; ora, deixa-os ir em procura do teu senhor; pode ser que o Espírito do S e n h o r  o tenha levado e lançado nalgum dos montes ou nalgum dos vales. Porém ele respondeu:

Não os envieis.” Esse processo interativo entre o líder e o liderado, entre o educador e o educando, é vital para a produção do conhecimento. Em outras situações observamos que os filhos dos profetas, quando já treinados, podiam agir por conta própria em determinadas situações (1 Rs 20.35). O discipulado ocorre quando aquele que foi instruído é capaz de repetir com outros o processo do seu aprendizado.

2. Encorajamento = Os expositores bíblicos observam que o profeta Eliseu não limitava o seu ministério à pregação itinerante e à operação de milagres, mas agia também como um supervisor de várias escolas de profetas nos seus dias. Nessas escolas ele fornecia instrução e encorajamento aos jovens que ali chegavam. O contexto dos livros de 1 e 2 Reis não deixam dúvidas de que esses dois profetas se preocupavam em transmitir à geração mais nova aquilo que aprenderam do Senhor. Nessas escolas, portanto, esses alunos eram encorajados a buscarem uma melhor compreensão da Palavra de Deus. Não há objetivo maior para um educador do que encorajar o educando a buscar a excelência no ensino.

Em terceiro lugar; a Escola de Profetas deve ser vista sob a perspectiva curricular, dos conteúdos.

1. A Escritura = Quando fazemos um acompanhamento do ministério do profeta Elias, vemos que a Palavra de Deus fazia parte do conteúdo ensinado nas Escolas de Profetas. Eliseu recebeu essa herança.

Quando se encontrava no monte Sinai, Elias se queixou que os israelitas haviam abandonado a Aliança com Deus, destruíram os locais de cultos e exterminaram os profetas (1 Rs 19.10).
A Palavra de Deus, em especial o livro de Deuteronômio, especificava que princípios e preceitos regiam a Aliança de Deus com seu povo. A Palavra de Deus era essa aliança! Assim como Elias, Eliseu também estava familiarizado com as implicações dessa Aliança. Era essa palavra que ele ensinava aos seus discípulos. E essa palavra que devemos ensinar hoje.

2. A Experiência = Tanto Elias como Eliseu eram homens experientes e compartilhavam com os outros aquilo que haviam aprendido (2 Rs 2.15; 2.19-22; 4.1-7,42-44). No entanto, no contexto bíblico, a experiência não está acima da revelação de Deus conforme se encontra escrita na Bíblia. A Palavra de Deus é quem julga a experiência e não o contrário. Elias, por exemplo, afirmou que suas experiências tiveram como fundamento a Palavra de Deus (1 Rs 18.36).

Os mais jovens devem ter a humildade de aprender com os mais experientes e os mais experientes não devem desprezar os saberes dos mais jovens. O aprendizado se dá através do processo de interação e a experiência faz parte desse processo.

Em quarto lugar, a Escola de Profetas deve ser vista sob a
perspectiva metodológica.

1. Ensino através do exemplo = Os estudiosos estão de acordo que essas Escolas de Profetas seguiam o idealismo hebreu concernente à educação. Havia uma relação entre professor e aluno na comunidade onde viviam. A educação acontecia também na sua forma oral e o exemplo era um desses métodos adotados no processo educativo. Não há como negar que Eliseu ensinava através do exemplo.

Há vários relatos sobre os milagres de Eliseu onde se percebe que o aprendizado acontecia através da observação das ações do profeta de Abel-meolá. Geazi, moço de Eliseu, sabia que seu mestre era um exemplo de honestidade. No Novo Testamento, Jesus Cristo se colocou como o exemplo máximo a ser seguido e Paulo também se pôs como um modelo a ser imitado (Mt 9.9; 1 Co 11.1).

2. Ensino através da palavra = Eliseu não deixou nada escrito. O que sabemos dele é através do cronista bíblico. Mas esse fato não significa que esse profeta não usasse a Palavra de Deus em sua vida devocional e também como instrumento de instrução na Escola de Profetas. A forma como esses homens julgavam o comportamento dos reis, aprovando-os ou reprovando-os não deixa dúvidas de que eles usam a Palavra de Deus escrita para discipular seus alunos. Eliseu, por exemplo, mediu a iniquidade de Acabe através da piedade de Josafá. 

Acabe era um rei mal por que não andava conforme a Palavra de Deus enquanto Josafá era estimado por fazer o caminho inverso.
Observamos através do ministério do profeta Eliseu que os filhos dos profetas pertenciam a uma escola dedicada ao ensino formal. Ali era ensinado a Palavra de Deus tanto na sua forma oral como escrita.

Esse fato é por si só de grande relevância para nós porque demonstra a preocupação desse homem de Deus em passar a outros o conhecimento correto sobre Deus.

Os tempos mudam e a cultura também. Hoje sabemos que a educação secular possui grande importância e infelizmente para muitos é a única forma de educação existente. Não podemos negligenciar a educação humanista, mas não podemos de forma alguma perder de vista a dimensão espiritual do conhecimento.

Um ensino fundamentado na Bíblia, mesmo sem se tornar místico, atende aos propósitos de uma educação humanitária, conforme pretendido pelos educadores da UNESCO, que são:

1. Aprender a conhecer aprender a conhecer é algo que se refere não somente à aquisição de conhecimento, mas também à forma como o indivíduo lida com o conhecimento no desenvolvimento do seu cotidiano.

2. Aprender a fazer — as aprendizagens devem evoluir e não podem mais ser consideradas como simples transmissão de práticas mais ou menos rotineiras.

3. Aprender a conviver — Num primeiro nível, a descoberta progressiva do outro. Num segundo nível, e ao lado dc toda a vida, a participação em projetos comuns. O outro aqui não se limita apenas ao indivíduo, mas a outros povos também.

4. Aprender a ser — um sujeito capaz de tomar decisões na vida, dirigido por valores próprios e de maneira crítica.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
BIBLIOGRAFIA


1 - MONDIN, Battista. Os Valores Fundamentais. Ed. Edusc, 2005.

2 - MONDIN, Battista. idem.

3 - DELORS, Jacques. Educação: um tesouros a descobrir: relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Editora Cortez/UNESCO/MEC. 10a Edição, 2006.

4 - SOUZA, Paulo Renato. Educação: um tesouro a descobrir. Ed. Cortez, 10a edição, 2006.

5 - Veja um estudo mais aprofundado sobre o assunto no livro de Jacques Delors: A Educação para o Século XXI: questões e perspectivas. Editora Artmed, Porto Alegre, 2005.

6 - Educação: um tesouro a descobrir.

7 - MORAES, Maria Cândida. O Novo Paradigma Educacional Emergente. Editora Papirus.

8 - CAPRA, Fritijof. O Ponto de Mutação - A Ciência, a Sociedade e a Cultura Emergente. Editora Cultrix , 1999.

9 - GONÇALVES, José. Defendendo o Verdadeiro Evangelho. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

10 - CAPRA, Fritjof. O Tao da Física: um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental. Ed Cultrix.

11 - BAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário.ed. Jorge Zahar.

12 - JAERGER, Werner. Paideia: a formação do homem grego. Editora Martins Fontes.

13 - BAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário. Idem.

14 - DELORS, Jacques. Educação: Um Tesouro a Descobrir. Op. cit.

15 - Livro Porção Dobrada - Casa Publicadora das Assembleias de Deus - José Gonçalves – 2012

13 de março de 2013

OS MILAGRES DE ELISEU


OS MILAGRES DE ELISEU

TEXTO ÁUREO = “Ora, o rei falava a Geazi, moço do homem de Deus, dizendo: Conta-me, peço-te, todas as grandes obras que Eliseu tem feito” (2 Rs 8.4).

VERDADE PRÁTICA = Os milagres realizados por Eliseu não visaram à glorificação pessoal do profeta, mas demonstraram o amor e a graça de Deus. 

LEITURA BIBLICA = 2 Reis 2: 9-14


..disse Eliseu: Distribui-os aos homens para que comam! Seu ajudante replicou: Como poderia eu distribuí-los para cem pessoas? Eliseu repetiu: Distribui-os aos homens para que comam! Assim fala o Senhor: Comerão e ainda há de sobrar. O ajudante distribuiu os pães em presença do povo. Eles comeram, e ainda houve sobra, de acordo com a palavra do Senhor (2 Rs 4.42-44).

 A atitude de Eliseu, o homem de Deus, está diretamente ligada a atitude de Jesus, o filho do Homem, que nos evangelhos, com olhos de compaixão, vê a multidão faminta: Dai-lhes vós mesmos de comer... (Marcos 6.37). A voz profética é inconfundível: distribui-os aos homens para que comam... Interessante notar, contudo, em nossas bíblias, que quase todas as passagens, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, que relatam esta atitude de compaixão de alimentar multidões recebem o título de "a multiplicação dos pães". E é realmente difícil "escapar" desta interpretação que se cristalizou nos inúmeros sermões e publicações. 

Entretanto, temos visto outro caminho que o da multiplicação milagrosa: o da partilha responsável. Em nenhuma das passagens bíblicas onde a multidão é alimentada (2 Reis 4.42-44; Mateus 14.13-21; 15.32-39; Marcos 6.30-44; 8.1-9; Lucas 9.10-17; João 6.1-14) aparece o termo: multiplicação. Com isto não estamos negando as incontáveis pregações que falaram, e falam, da multiplicação dos pães; mas devemos considerar que idéia da multiplicação milagrosa não faz parte da preocupação primeira daqueles que relataram a ação divina nestes casos. 

A palavra comum é justamente a distribuição. Pessoas em trânsito tinham garantido, por lei, o direito de colher espigas, de alimentar seu rebanho, de apanhar os grãos caídos durante a vindima; a esmola, recomendada aos pobres destinava-se, em especial, àqueles que caminhavam à Jerusalém. Mesmo assim, havia pessoas famintas, sem ter o que comer... A distribuição do pão preservou, através dos evangelhos principalmente, a compaixão do Reino de Deus: Deus se preocupa com os fracos, famintos e peregrinos.

Como símbolo de fé, o alimento partilhado, revela o padrão do Reino de Jesus quanto a justiça social: todos comem e são saciados! Não há distinção! Não há sectarismo! Não há contendas! Não há privilégios... Na distribuição dos alimentos há harmonia fraterna (o cerne do Reino que "criará novos céus e nova terra" reúne o novo povo) que nasce da presença do Reino. Uma presença abençoadora: "tomou os pães e, após ter dado graças, partiu-os e os distribuiu..." A atmosfera de bênção faz de qualquer deserto um lugar de aproximação e de reconciliação. Que haja hoje a mesma voz profética, o mesmo coração de compaixão, que crê na providencia divina e que diz: "Comerão e ainda há de sobrar!"

Abundância de Víveres

"Aconteceu conforme o homem de Deus dissera ao rei: 'Amanhã, por volta desta hora, na porta de Samaria, tanto uma medida de farinha como duas medidas de cevada serão vendidas por uma peça de prata'. O oficial tinha contestado o homem de Deus perguntando: 'Ainda que o Senhor abrisse as comportas do céu, será que isso poderia acontecer?' O homem de Deus havia respondido: 'Você verá com os próprios olhos, mas não comerá coisa alguma!' E foi exatamente isso que lhe aconteceu, pois o povo o pisoteou junto à porta da cidade, e ele morreu." 2 Reis 7:18-20

      





A nação de Israel estava em mais uma de suas guerras contra a Síria. O rei deste país, junto com seu exército, havia sitiado a cidade de Samaria, sede do governo de Israel. O povo daquela cidade, sem conseguir sair para comerciar mantimentos para sua sobrevivência, estava vivendo uma das maiores crises de abastecimento da sua história.
A falta de alimento e a carestia eram tamanhas, que uma cabeça de jumento era vendida por oitenta siclos de prata, quase 1 quilo desse metal (cada siclo pesava 12 gramas). A fome era tanta que muitos estavam comprando esterco de pomba para comer. E, pior do que isso, alguns chegaram ao ponto de matar e comer os próprios filhos pequenos.

Diante desse quadro chocante de miséria e barbárie, o rei de Israel voltou-se contra o profeta Eliseu e declarou que Deus era o culpado daquela tragédia social. Indignado, ele ainda perguntou se valia a pena continuar tendo esperança em Deus (2 Reis 6:24-33). Que tristeza ver que naqueles dias o povo de Deus havia caído em tamanha assolação e desgraça.

Eliseu então se levanta e profetisa que o socorro de Deus chegaria rapidamente; que naquela mesma hora, no dia seguinte, haveria abundância de víveres. Uma medida de farinha (algo em torno de 9 litros) e duas de cevada (aproximadamente 18 litros) custaria apenas 1 siclo de prata. Que milagre poderoso estava para acontecer!

Todavia, o capitão da guarda real duvidou que Deus pudesse realizar tal façanha. Eliseu respondeu que ele veria isso acontecer, mas não participaria do milagre (2 Reis 7.1-2). E lemos no texto citado acima que foi exatamente o que ocorreu. 

De modo sobrenatural, os inimigos sírios foram desbaratados e fugiram, deixando tudo que tinham e todo suprimento para trás. A profecia de Eliseu cumpriu-se e a provisão de Deus chegou! Porém o capitão, que havia duvidado, foi atropelado pelo povo e morreu à porta da cidade.

E hoje, como as pessoas estão vivendo? Não é a mesma situação que acabamos de ver? Atualmente só se houve falar em crise financeira nos noticiários da TV e nos jornais. Países europeus antes tão prósperos agora estão endividados. Nunca se viu tanta fome e miséria como neste século. E esse fantasma da crise vive assombrando a todos, homens e mulheres, pobres e ricos, famílias e empresas. Como então viver seguro nas abundâncias de Deus?

O milagre da abundância é para aquele que crê!

Temos aprendido nesta sequência de estudos sobre finanças que Deus tem projetado uma vida próspera para seus filhos. Uma vida abundante no corpo, na alma e no espírito. Mas isso é para todo aquele que crê. Pois a fé vê o amanhã e enxerga o que Deus está para fazer logo adiante. Deus se move em favor daqueles que O buscam e acreditam em Suas promessas. Eliseu creu e experimentou o milagre de Deus. Mas aquele capitão não creu, e perdeu até a vida.

O milagre da abundância é para aquele que glorifica a Deus!

Deus opera na vida daqueles que reconhecem que tudo vem dele. Quando as coisas acontecem pelo agir de Deus, e não pelo nosso próprio braço, temos a certeza de que é Ele quem nos abençoa; é Ele quem libera nossa prosperidade. E assim Deus é glorificado através da nossa vida e testemunho. Então, no meio das crises, podemos crer e declarar como o salmista "Não morrerei, mas viverei; e contarei as obras do Senhor." Salmo 118:17.

O milagre da abundância não cai do céu, é provocado!

Uma coisa que precisamos entender é que tanto a abundância quanto a necessidade tem uma causa. Deus não havia planejado aquele cerco à cidade de Samaria. Aquilo era o resultado do pecado do próprio povo e dos seus reis que faziam o que era mau aos olhos de Deus. Os erros de ontem projetam as desgraças de hoje.

Mas graças a Deus que já nos tem preparado o escape. Não precisamos viver debaixo de maldição. Em Cristo fomos libertados de toda miséria. Pecado confessado é pecado perdoado. Portanto, devemos acertar nosso passado, nos arrependendo de termos andado longe de Deus, e tomar posse de todas as bênçãos que Ele nos deu em Cristo Jesus. É preciso corrigir o que está errado, pagar as dívidas, organizar as contas, entregar a Deus o que lhe pertence (dízimos e ofertas), fazer uma reserva financeira, repartir com os mais necessitados etc. Isso prepara o caminho para a chegada das abundâncias de Deus em nossa vida.

"E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra." 2 Crônicas 7:14

Certamente, há um tempo de muita abundância reservado para o povo de Deus. O Pai de toda provisão não planejou miséria para os seus filhos. Creia nisso. Hoje, podemos até não ter, podemos até estar enfrentando uma dificuldade, mas amanhã Deus trará Suas abundâncias para as nossas mãos. E o que Deus faz durará para sempre. Toda glória pois a Ele!

OS MILAGRES DE RESTAURAÇÃO

A Cura de Naamã = 2 Reis 5:1-19

Você confia em Deus? Alguma vez desconfiou ao confiar em Deus? Quando você pediu ajuda, a resposta de Deus lhe pareceu simples, ou até mesmo infantil? Você achou mesmo que foi fácil demais? É possível ver o poder de Deus mesmo nas coisas simples da nossa vida?
Na Bíblia, encontramos milagres grandiosos de Deus que foram executados de uma maneira bem simples. E um destes milagres queridos está relatado em 2 Reis no capítulo 5.

Como diz o próprio texto, Naamã era um grande homem diante do seu senhor (rei da Síria), e de muito respeito, era um homem valente, poderoso, muito orgulhoso, porém leproso.
A Síria vivia em constante guerrilha contra Israel, e com os confrontos diretos, uma menina hebréia foi feita prisioneira e se tornou serva da mulher de Naamã. A menina via o sofrimento de seu senhor Naamã, e a tristeza de sua esposa, enquanto a doença proliferava. Lembrou-se do profeta Eliseu, que fazia milagres em nome de Deus, e creu que ele poderia curar o seu senhor, trazendo alegria de volta àquela casa.

A menina chegou até a sua senhora e disse: “Oxalá que o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria! Ele o restauraria de sua lepra”. 2 Reis 5:3 a esposa fala a Naamã que ainda havia uma chance de ele ser curado.Logo Naamã resolve procurar o Profeta Eliseu para ser curado leva consigo dez talentos de prata, seis mil ciclos de ouro e dez mudas de vestidos. Naamã foi então até a casa de Eliseu. Chegou com seus carros e seus cavalos à porta de Eliseu. Eliseu apenas enviou uma mensagem através de seu servo a Naamã: Vai e lava-te sete vezes no rio Jordão e serás purificado. O rio Jordão é um rio barrento e caudaloso. . Naamã ficou furioso, pois o profeta nem foi vê-lo. Enviou um servo e nem se sujeitou à sua presença, e ainda por cima o mandou que se lavasse no rio Jordão.

Observamos nesta narrativa que o orgulho Naamã foi ferido por duas vezes:

1. A primeira vez por causa do profeta que desprezou vê-lo;
2. A segunda é quando o Profeta manda-o mergulhar por sete vezes no rio Jordão.
Mas quero tratar especificamente nesta oportunidade sobre o que o ORGULHO causa na vida de todo aquele que se deixa controlar por ele.
De acordo com Aurélio ORGULHO é: conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor próprio demasiado; soberba. Também pode ser uma palavra sinônima de presunção, vaidade e por ai vai...

Este sentimento causa nas pessoas o seguinte:

1. Deixa as pessoas poderosas de mais para se entregar ao que Deus pede ou manda; AUTOSUFICIÊNCIA (ver 2 Reis 5:11 e 12);

As pessoas muitas vezes se acham poderosas demais para se entregar ao que Deus pede ou manda. Muitas vezes é algo tão simples e visto como insignificante perante os homens, no entanto Deus tem os Seus propósitos.
Os desígnios de Deus têm um fundamento simples: Aceitação da Sua Vontade. Muitas vezes Deus testa nossa confiança e em nossa desconfiança mostramos realmente o que somos, orgulhosos.
Certamente os rios mencionados por Naamã eram muito lindos, circundados por bosques de raríssima beleza. Suas águas eram cristalinas, diferente das águas do rio Jordão que era imundo.

2. Deixa as pessoas incrédulas àquilo que Deus pode operar em suas vidas. (ver 2 Reis 5:10-14).

“Muitas vezes Deus testa nossa confiança e em nossa desconfiança mostrando o quanto realmente somos orgulhosos.'"

Muitas vezes somos como Naamã. Não cremos em muitas coisas, e quando teantamos crer, nosso orgulho é ferido, e achamos que as pequenas coisas que Deus nos pede são insignificantes demais para obtermos qualquer resultado.
As coisas que Deus nos pede são apenas pequenas provas de amor que podemos dar a Ele por tudo que nos fez, faz e ainda fará. Devemos confiar mesmo nas pequenas coisas, pois o amor de Deus é revelado tanto nas pequenas como nas grandes coisas.  Se alguma vez você duvidar da vontade de Deus, lembre-se da história de Naamã. As pequenas coisas são grandes aos olhos de Deus. As coisas insignificantes são de extrema importância para Deus.

AS ÁGUAS DE JERICO = “Os homens daquela cidade disseram a Elizeu: Eis que é bem situada esta cidade, como vê o senhor, porém as águas são más, e a terra estéril. Ele disse: trazei-me um prato novo e ponde nele sal. E lho trouxeram. Então ele saiu ao manancial das águas e deitou o sal nele e disse: Assim diz o SENHOR: Tornei saudáveis estas águas; já não procederá daí morte e nem esterilidade”. 2 Rs 2.19-21

Sabemos que o sal tem duas prioridades, são elas: CONSERVAR e SALGAR e não tornar água amarga em doce e nem tirar a esterilidade da terra, entretanto, o que aconteceu foi um milagre que não sabemos explicar porque é uma realização sobrenatural, cuja dimensão só Deus sabe como funciona. Existem textos bíblicos que fala sobre o sal em alguns sentidos, no antigo testamento e novo. Discorreremos de forma simples sobre esse milagre. A cidade de Jericó era boa a vista do profeta Elizeu, isso fora confirmado pelos próprios moradores, porém existiam dois problemas que eles consideravam graves:

1. A água era ruim;
2. A terra era estéril.

Não há nada tão belo que seja totalmente completo, a Cidade de Jericó era bem situada, porém duas coisas eram imprescindíveis para a sobrevivência água para beber e a terra para produzir frutos, mas para que a água e a terra sarassem seria necessário um milagre da parte de Deus, era preciso que alguém fosse usado por ele.

Deus sempre se utilizou de métodos simples para realizar milagres, podemos ver em toda trajetória do povo de Deus na terra. Nesses episódios homens estavam envolvidos, é claro que não era qualquer um, mas os escolhidos por Deus para realizar a sua obra. A presença deles fazia toda a diferença, aonde quer que fossem; em Jericó ou em qualquer outro lugar do mundo. Águas amargas se tornaram doces (Ex 15.22-25); O azeite da viúva (2 Rs 4.1-7); O filho da sunamita (2 Rs 4.8-37); A morte que havia na panela (2 Rs 4.38-41); Vinte pães satisfazem cem homens (2 Rs 4.42-44; Naamã é curado da lepra (2 Rs 5.1-14); o flutuar do machado (2 Rs 6.1-6); às águas do mar (2 Rs 2.19-21). Em cada milagre algo era utilizado. Jesus também realizou milagres com as mesmas características (Jo 2.6-7; 9.6,7; Mc 8.22).

O maior milagre da contemporaneidade = O milagre da atualidade é a igreja ser o sal da terra “Vós sois o sal da terra” (Mt 5.13,14), o sal em ação dá gosto e conserva, se ele for insípido com que há de salgar e conservar. A Igreja tem um papel fundamental e importante no mundo, ela é o sal em ação.

Deus ainda continua a realizar milagres por toda terra através do seu evangelho, não há milagre da salvação sem evangelho. Também muitas vezes nos encontramos em situações que parecem sem soluções, mas quando acreditamos no SENHOR geralmente os milagres acontecem. Ele ainda é o mesmo. A terra de Jericó era estéril e a água ruim, mas o Senhor mudou e ainda muda situações, acreditem.

OS MILAGRES DE JULGAMENTO

Eliseu Amaldiçoou os Jovens Para Que Morressem? “Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos”.  2 Reis 2.23,24

O fato de aquele grupo não estar acompanhado pelos pais, denota, em primeiro plano, não se tratar de crianças, mas de jovens com idades entre 12 e 16 anos. O escárnio promovido contra o profeta parece ter tido um fundo espiritual blasfemo, a começar pela expressão “sobe”, que se referia ao altar mais alto de Betel, destinado aos sacrifícios idólatras (1Rs 13).

Os jovens, ainda, chamaram o profeta de “calvo”, palavra que, na verdade, identificava a pessoa enlutada. Mas, no caso de Eliseu, talvez estivesse sendo acusado da morte de seu irmão de ministério, Elias. Assim, o que esperava por Eliseu em Betel não seria uma recepção digna de um profeta de Deus, mas a execução de um criminoso. E, pelo fato de Eliseu ter sido comissionado pelo próprio Deus, o qual lhe atribuiu poderes espirituais, a rejeição advinda da rebeldia daqueles jovens não lançava o profeta apenas na desonra, mas, também, classificava seus poderes como “malignos”, o que era uma clara e intensa blasfêmia contra o Espírito de Deus. Por derradeiro, o texto bíblico declara que Eliseu apenas amaldiçoou aqueles jovens pela blasfêmia proferida. Foi a providência divina que estabeleceu um desagravo mais rigoroso.


A DOENÇA DE GEAZI =  Geazi foi arruinado pela ganância

VOCÊ já quis muito ter uma coisa? — * Se já, você não é diferente da maioria das pessoas. Mas será que você deveria tentar conseguir o que quer a todo custo, até contando uma mentira? — Não, não deveria. Uma pessoa que faz isso é gananciosa. Vamos ver como um homem chamado Geazi foi arruinado pela ganância. Ele era ajudante de Eliseu, um profeta do Deus verdadeiro, Jeová.

Eliseu e Geazi viveram há muito tempo, uns mil anos antes de Jesus, o Filho de Deus, nascer na Terra. Jeová usou Eliseu para fazer coisas maravilhosas — realizar milagres! Por exemplo, a Bíblia fala de um homem importante do exército sírio que tinha uma doença terrível chamada lepra. Ninguém era capaz de curá-lo, mas Eliseu era.

Quando Eliseu era usado por Deus para ajudar as pessoas a ficarem boas, ele nunca aceitava dinheiro. Sabe por quê? — Porque Eliseu sabia que aqueles milagres vinham de Jeová, não dele mesmo. Quando Naamã foi curado, ele ficou tão feliz que quis dar ouro, prata e roupas de excelente qualidade a Eliseu. O profeta não quis ficar com nada, mas Geazi queria muito aqueles presentes.

Depois de Naamã ter ido embora, Geazi correu atrás dele sem Eliseu saber. Quando alcançou Naamã, sabe o que Geazi disse? — ‘Eliseu me mandou dizer que dois visitantes acabaram de chegar. Ele gostaria que o senhor lhe entregasse duas peças de roupa para ele dar a esses homens.’

 Mas isso era mentira! Geazi inventou essa história sobre os dois visitantes. Ele fez isso porque desejava muito aquelas roupas que Naamã queria dar a Eliseu. Claro que Naamã não sabia de nada. Por isso ele ficou feliz em entregar os presentes a Geazi. Naamã até mesmo deu a Geazi mais do ele pediu. Sabe o que aconteceu depois? 

Quando Geazi voltou para casa, Eliseu perguntou: ‘Aonde você foi?’
‘Ah, eu não fui a lugar nenhum’, respondeu Geazi. Mas Jeová revelou a Eliseu o que Geazi tinha feito. Assim, Eliseu disse: ‘Este não é o momento de aceitar dinheiro e roupas!’
Geazi pegou dinheiro e roupas que não pertenciam a ele. Assim, Deus fez com que a lepra de Naamã passasse para Geazi. O que você acha que podemos aprender disso? — Uma coisa que aprendemos é que não devemos inventar nem contar histórias que não são verdade.


Por que Geazi inventou aquela história? — Porque ele era ganancioso. Ele queria ter o que não lhe pertencia, e assim tentou conseguir essas coisas mentindo. Por causa disso, ele sofreu com uma doença terrível pelo resto da vida.
Na verdade, Geazi perdeu algo ainda mais valioso do que a saúde. Você sabe o que foi? — Ele perdeu o favor de Deus, perdeu seu amor. Nenhum de nós gostaria de perder isso, não é mesmo? Então, precisamos ser bondosos e estar sempre prontos para dividir nossas coisas com os outros.

CONCLUSÃO

As Escrituras não têm apenas uma palavra para expressar a noção de milagre. O conceito inclui pensamentos expressos por vários termos: “maravilha”, “obra poderosa” e “sinal”. O termo “maravilha” chama a atenção para a impressão causada pelos milagres. “Milagre”, do latim miraculum, significa algo que evoca maravilha. Um milagre é um acontecimento além do normal, que evoca a consciência da presença e do poder de Deus. Surpreendentes providências e coincidências, tanto quanto fenômenos da natureza, podem provocar admiração semelhante, quando evidenciam o eterno poder e a divindade de Deus (Rm 1.20).
“Obra poderosa”, na história bíblica, aponta para a presença de atos sobrenaturais de Deus, envolvendo o poder que criou o mundo do nada. Trazer um morto à vida, obra que Jesus fez mais de uma vez (Lc 7.11-17; 8.49-56; Jo 11.38-44), obra que Elias, Eliseu, Pedro e Paulo também fizeram (1 Rs 17.17-24; 2Rs 4.18-37; At 9.36.41; 20.9-12), é uma obra de tal poder criador; não acontece por acaso ou coincidência e não pode ser explicada a partir do curso natural das coisas.

“Sinal” é um termo regularmente usado para milagres no Evangelho de João, onde sete milagres-chave são registrados, indicando que os milagres apontam para algo; são portadores de uma mensagem. Os milagres, nas Escrituras, estão quase todos agrupados no tempo do êxodo, de Elias e Eliseu, ede Cristo e seus apóstolos. Eles dão autenticidade aos que os operaram como representantes e mensageiros de Deus (cf. Ex 4.1-9; 1 Rs 17.24; J0 10.38; 14.11; 2Co 12.22; Hb 2.34) e, além disso, mostram o poder de Deus trazendo a salvação e executando o seu juízo, apesar de toda oposição. Os milagres da Bíblia não são absurdos ou irracionais.

Também não são meras demonstrações de poder, cuja única finalidade seria demonstrar esse poder. Os milagres cumprem diretamente os propósitos de Deus e são condizentes com sua majestade e santidade.
A crença no miraculoso é essencial no Cristianismo. A encarnação e a ressurreição de Jesus são os dois supremos milagres das Escrituras, definindo a fé crist& Ninguém pode rejeitar a vida de Jesus ou a sua ressurreição sem rejeitar a própria fé. Não há nada de irracional na crença deque o Deus que criou o mundo pode intervir nele criativamente em qualquer tempo; na verdade, seria irracional crer em qualquer outro Deus. Finalmente, o irracional não á a fé nos milagres bíblicos, mas a dúvida a respeito deles.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

BIBLIOGRAFIA

Biblia de Estudo Genebra
Comentário Bíblico Beacon
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