9 de abril de 2013

O CASAMENTO BÍBLICO



 O CASAMENTO BÍBLICO

  Ev. JOSÉ COSTA JUNIOR

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O casamento foi instituído por Deus, na criação. "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra esujeitai-a" (Gn 1.27,28). "Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gn 2.24).

O casamento foi instituído por Deus para a felicidade do ser humano. Por intermédio dele ocorre a "propagação da raça humana por uma sucessão legítima". Mas o seu principal objetivo é o companheirismo entre os cônjuges. A procriação é uma bênção adicional. Aliás, isso deve ficar bem claro. Nicolas Berdyaev, em seu livro The Destiny of Man (O Destino do Homem), afirma "que a união conjugal com o único propósito de procriação deve ser considerada imoral".

O casamento é uma instituição divina, mas a forma como é feita a escolha dos cônjuges e a celebração da cerimónia nupcial não foi determinada na instituição. E, por isso, varia de um povo para outro, de uma época para outra. O primeiro processo de escolha de cônjuge registrado no Antigo Testamento resultou no casamento de Isaque e Rebeca. A história pode ser sintetizada assim: Abraão, já idoso, encarregou seu mais antigo servo da escolha de uma esposa para Isaque. "Tomou o servo dez camelos do seu senhor e, levando consigo de todos os bens dele, levantou-se e partiu, rumo da Mesopotâmia, para a cidade de Naor." (Gn 24.10).

E foi parar na casa de Betuel, onde expôs o motivo da viagem, e conseguiu atrair Rebeca, com o consentimento do pai e do irmão, para dirigir-se a Canaã e ser a esposa de Isaque. "Saíra Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde; erguendo os olhos, viu, e eis que vinham camelos. Também Rebeca levantou os olhos e, vendo a Isaque, apeou do camelo, e perguntou ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? É o meu senhor, respondeu. Então tomou ela o véu e se cobriu. O servo contou a Isaque todos as cousas que havia feito. Isaque conduziu-a até à tenda de Sara, mãe dele, e tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher." (Gn 24.63-67). Os dois nunca se tinham encontrado antes; talvez Isaque nem soubesse da existência de Rebeca. Não foi feita nenhuma cerimónia nupcial. Simplesmente foram viver juntos... Mas estavam casados, segundo os costumes da época.

Esse tipo de casamento tinha tudo para ser um grande fracasso... mas funcionava. E funcionava bem porque era protegido por um compromisso. O amor que unia os cônjuges era fruto desse compromisso.

O casamento de nossos dias é bem diferente. Os pretendentes têm amplas oportunidades de se conhecer antes da decisão final. Teoricamente suas possibilidades de fazer um bom casamento, de estabelecer uma união harmónica e duradoura são bem maiores. Mas isso não tem acontecido porque eles têm feito deste sentimento emocional subjetivo, denominado paixão, a base do seu casamento. E um sentimento, sujeito a muitas vicissitudes, não pode garantir o êxito de uma instituição tão importante.

Para transformar o casamento que você tem no casamento que você quer, o ponto de partida é a conscientização de que o verdadeiro fundamento do matrimónio é o compromisso (amor). O amor é baseado no compromisso. Pois, como disse Erich Fromm: "Amar alguém é uma decisão, um julgamento, uma promessa".

O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão sobre o casamento bíblico. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.

I. O PRINCÍPIO DA MONOGAMIA

A união monogâmica é considerada a forma ideal de vida matrimonial. O principal fundamento é encontrado na própria constituição do casal original: um homem e uma mulher. Deus não fez um Adão e várias Evas. Ele falou que o homem haveria de deixar os pais para se unir à sua mulher, para serem os dois uma só carne. Sendo esse episódio o ponto de partida da instituição matrimonial, encerra, implicitamente, o propósito divino e seu modelo.

A monogamia é encontrada em várias civilizações e em alguns períodos da história de Israel, sendo já prática prevalecente à época de Jesus, como se pode ver pelos relatos referentes ao tema, assim como os exemplos de famílias mencionadas. Paulo usa essa imagem para representar Cristo e a Igreja, como prova do mais perfeito amor. À semelhança do que faz João no Apocalipse: "Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo". Husson aponta, entre outros, os seguintes valores da monogamia: associação permanente responsável, maior valorização da mulher, melhor ambiente para as crianças, maior respeito mútuo, amor mais altruísta. Forel, citando Westermark, "pensa que se o progresso da civilização continuar a tornar-se, como até aqui, cada vez mais altruísta e o amor cada vez mais afinado, os cônjuges tenderão a requintar-se de atenções um para com o outro, acentuando sempre a monogamia". O cristianismo foi, sem dúvida, o grande impulsionador da monogamia entre os povos e culturas onde se fez presente. 

A legislação secular desses povos, mesmo após a diminuição da influência cristã, consagra essa forma de união. Indiscutível que esse seja o alvo pastoral e pedagógico do cristianismo.
A monogamia tem sido defendida por estudiosos, cientistas e pensadores de diversas correntes, assim como recebido apoio dos dois sistemas econômicos contemporâneos: o capitalismo e o socialismo, por permitir uma melhor canalização criativa das energias sexuais do homem, para o crescimento da empresa ou para a edificação da nova sociedade, respectivamente.

II. O CASAMENTO POLIGÂMICO

Em geral, condicionados por costumes presentes, os descrentes costumam querer gozar os colegas crentes fazendo menção à poligamia na Bíblia. Condicionados pelos mesmos costumes, e nem sempre conhecendo suficientemente as Escrituras, os crentes ficam embaraçados, desconversam ou respondem que "aquilo foi um pecado daquele tempo". A necessidade de se estudar o assunto, fazendo justiça ao texto bíblico é inibida pelo temor de um questionamento a valores e práticas sacralizadas pelo Ocidente e por nós internalizadas. Como explicar o pensamento de Halley: "O fato é que muitos santos do Antigo Testamento foram polígamos"?

O primeiro polígamo, nos relatos bíblicos, foi Lameque, bisneto de Adão: "Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá". Essa prática tornou-se comum entre os judeus, tanto na era patriarcal como na dos juízes e dos reis, com variação de incidência. Pode-se dizer que era algo opcional, convivendo, na mesma sociedade, famílias monogâmicas e poligâmicas. Pelo exemplo de outras civilizações, acredita-se que a poligamia era mais comum entre as classes economicamente mais favorecidas, pelos encargos financeiros que isso acarretava. Em um manual de Ética Bíblica, usado em muitos seminários da América Latina, o autor aponta três passagens bíblicas de condenação à poligamia: uma é um texto isolado e duas são incidentes com grandes servos de Deus. Resolvemos estudar os dois incidentes e mais um terceiro, para melhor compreensão do assunto: Abraão, Davi e Salomão, que foram três dos principais dos santos polígamos de que fala Halley. A conclusão é que nos três casos não se encontra o propalado "pecado" da poligamia, mas sim outros problemas.

a) Abraão:
Especialmente para aqueles que acham indigna a atividade sexual para anciãos, Abraão foi pai do filho da escrava aos oitenta e seis anos e um filho da esposa aos cem. Com mais de um século de vida, fica viúvo, casa-se outra vez, gera seis filhos (sem contar os das concubinas) e morre, finalmente, aos cento e setenta e cinco anos. Mas foi esse homem – escolhido pelo autor da carta aos Hebreus como exemplo de fé – que Deus chamou para ser fundador de seu povo escolhido, e de cuja descendência nasceria o Salvador. Com esse homem Deus se comunicou, diretamente ou por meio de seus enviados, os anjos, e com ele estabeleceu concerto perpétuo. Teve sua conduta reprovada por Deus, porque, por duas vezes, em momentos de fraqueza espiritual, negou ser Sara sua esposa, apresentando-a como mera irmã, colocando-a em risco de adultério.
A separação de Agar, por intervenção divina, deveu-se à necessidade de solucionar um problema de relacionamento, e não uma condenação à poligamia em si, que ele haveria de adotar até o fim. A essa Agar Deus protegeu, ouviu a voz de seu filho e prometeu fazer dele uma grande nação. Desse herói da fé disse um comentarista: "Abraão era amigo de Deus, glorioso protótipo de obediência, de justiça, de fé, pai dos fiéis, fundador da raça hebraica, o zeloso protagonista da religião de Jeová".

b) Davi:
Teve Davi como esposas a Mical, filha de Saul, a Ainoã, Maaca, Hagite, Abital, Eglá, Bate-Seba, além de outras mulheres e concubinas não mencionadas nominalmente. Com esse tipo de vida conjugal, Davi foi escolhido por Deus para ser rei de Israel, livre de seus adversários, vitorioso sobre as nações inimigas e sucesso administrativo. "E Davi ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o Senhor Deus dos exércitos era com ele". Usado por Deus para edificar espiritualmente seu povo na posteridade, ele o inspirou nas sublimes e profundas orações e cânticos dos salmos. "O espírito do Senhor falou por mim e a sua palavra esteve em minha boca". Homem de grandes qualidades pessoais teve Davi sua queda, pecando contra o sexto e o sétimo mandamentos, tomando a mulher de seu fiel Urias e ordenando a sua morte. Homicídio e adultério foram seus delitos. Em nenhum outro episódio bíblico fica tão clara a diferença entre poligamia e adultério. Repreendido por Deus, por meio do profeta Natã, é punido. Amargamente arrependido, é perdoado. Bate-Seba permanece como sua esposa, e um seu filho, Salomão, é escolhido para sucedê-lo no trono.

Quão diferente a nossa maneira condicionada de analisar os homens, e a maneira de Deus! Hoje, seria provável, Davi nunca chegaria a ocupar cargos eclesiásticos. Para Deus, contudo, ele era um seu servo e um seu ungido, um homem segundo seu coração.

c) Salomão:
Com Salomão o reino de Israel atingiu seu apogeu material e espiritual, incluindo a própria construção do templo. Sobre suas convicções espirituais sabemos que "amava o Senhor". Deus por várias vezes se comunicou com ele, e lhe deu o dom da sabedoria. Três dos livros canônicos do Antigo Testamento (Provérbios, Eclesiastes e Cantares) foram escritos por sua instrumentalidade, além de alguns salmos. E Salomão foi o maior polígamo da Bíblia (embora o número de suas mulheres não seja considerado por alguns comentadores como literal, mas sim hiperbólico), sem que isso lhe fosse imputado por mal. E o famoso pecado de Salomão, responsável por sua decadência, não foi esse? Certos pregadores moralistas tomam um texto isolado (I Reis 11:3) e constroem sermões que são verdadeiros libelos contra a poligamia. Eis o texto: "E tinha Salomão setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o seu coração". E o contexto? O versículo 1 diz que muitas dessas mulheres eram de povos adoradores de outros deuses: moabitas, amonitas, edomitas etc., e o versículo 2 lembra a proibição de Deus a essas uniões. O primeiro pecado de Salomão foi o casamento misto.
E a tal perversão de seu coração, não foi a licenciosidade? Será? "Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses..." (v.4) Salomão construiu imagens e sacrificou a vários deuses estranhos: Astarote, Milcam, Quemós e Maloque. O segundo pecado de Salomão foi ter deuses estranhos (primeiro mandamento) e o terceiro, a idolatria (segundo mandamento).

A própria Bíblia confirma essa interpretação. Quando Neemias (13:25-26) repreendeu o povo contra os casamentos mistos, argumentou: "Porventura não pecou nisto Salomão, rei de Israel, não havendo entre muitas gentes rei semelhante a ele, e sendo amado de seu Deus, e pondo-o Deus rei sobre todo o Israel? E contudo as mulheres estranhas o fizeram pecar". Tivesse ele tido por esposas apenas mulheres de seu povo, servas do Deus verdadeiro, é quase certo que nada disso teria acontecido. Se o propósito inicial de Deus foi monogâmico, por que, posteriormente, permitiu a poligamia, inclusive a seu próprio povo, com quem se comunicava, ditava normas e escolhia governantes? Por que ele não condenou explicitamente a poligamia, impondo sanções aos praticantes? O plano de Deus para o homem no Éden era perfeito. Veio a queda, e com ela a corrupção da terra, do homem e das instituições. O homem se tornou de natureza pecaminosa, desencontrado com Deus e sua vontade, impossibilitado de gozar as bênçãos do Éden, ou de viver, em qualquer setor, à maneira original de Deus.

Nesse primeiro sentido, de instituição pós-queda, a poligamia tem a ver com o pecado, com a ruptura: vontade de Deus – vontade do homem. Não é o modelo original. Mas nada, no pós-queda, é fiel ao modelo original. Deus expulsou o homem do Paraíso, e seria irrealista exigir dele o cumprimento dos padrões edênicos. O homem é agora – como degenerado – uma "nova criatura", diferente do estado primitivo de Adão. Para restaurá-lo, parte Deus da situação concreta, de como o homem se encontra, e providencia normas e instituições que tornassem possível a vida em sociedade, que evitassem a destruição da criatura pela criatura. Aí aparecem o Estado, as Leis, as Autoridades; aí se manifesta a Lei Revelada, os profetas, o Salvador e a Igreja. Ele usa o próprio homem a seu serviço, e toma forma de homem na salvação.

No Antigo Testamento, alguns estudiosos entendem que a poligamia foi viável como amparo social para as mulheres economicamente menos favorecidas, para a garantia da sobrevivência social diante dos extermínios das populações masculinas, dizimadas pelas guerras, e outras razões peculiares a cada situação específica. No caso de Israel, o desequilíbrio demográfico (mais mulheres do que homens), por diversas razões, não somente punha em perigo a sobrevivência do povo eleito, a quem Deus tinha reservado um propósito histórico, mas terminaria por levar ao desrespeito da proibição aos casamentos mistos, com conseqüente enfraquecimento da vida religiosa. Além disso, possibilitou, não apenas a reprodução, mas a satisfação das necessidades afetivas e sexuais básicas, já que a mera repressão dessas necessidades, sem uma vocação ou um propósito, nunca foi considerada pelo povo de Deus e por seu Criador como virtude em si mesma. Vale recordar que a dimensão pactual do matrimônio é uma verdade bíblica, representada à semelhança do pacto de Deus com seu povo.
Não obstante, essa mesma imagem – lembram estudiosos – é empregada do profeta Jeremias (cap.3) e pelo profeta Ezequiel (cap.23), no período dos dois reinos (Judá e Israel), com estando ambos os reinos em pacto matrimonial com Deus. São esposas irmãs que se prostituem, adulteram indo atrás de outros maridos (outros deuses), e devem se arrepender e voltar à casa.

III. NO NOVO ISRAEL

À época de Cristo e da igreja primitiva, as condições haviam mudado, não somente em relação ao equilíbrio demográfico, mas em termos culturais. A influência da cultura grega e do direito romano tinha sido fator importante na fixação do modelo monogâmico das civilizações mediterrâneas. Um decréscimo da poligamia já vinha se verificando em Israel desde o período pós-exílico até adquirir um caráter bastante minoritário no início da era cristã.

Nos ensinamentos de Cristo percebe-se a continuidade do pensamento bíblico (que não pode ser contraditório), na colocação da monogamia como modelo ideal, como vemos na citação de Gênesis 2:24 em Marcos 10:7, 8. Paulo se ocupa dos problemas de família, respondendo às situações das igrejas. Usa o modelo monogâmico como exemplo e o requer da liderança (presbíteros e diáconos). A exigência do comportamento dos líderes poderia servir de exemplo para as comunidades.

A expansão das comunidades cristãs, e a posterior transformação do ocidente em uma "cristandade", fizeram desaparecer – ao menos teoricamente – a necessidade da poligamia. O pensamento medieval, que achava o solteiro mais santificado do que o casado, haveria de encarar a distância da santificação pelo número de esposas...

Dentre os Pais, Crisóstomo, Jerônimo e Justino Mártir admitiram, em seus escritos, o fato da presença – excepcional – de polígamos nas igrejas primitivas; Atenágoras e Tertuliano já representavam um período de aberta condenação. Tomás de Aquino a condenou na Summa Teologiae. Entre os judeus na diáspora do Ocidente, a prática subsistiu até o século XI, quando uma reforma levada a cabo pelo rabino Metz passou a admiti-Ia apenas excepcionalmente. Entre os judeus do Oriente a prática continuou até o século atual, sendo ainda encontrada em comunidades que habitam países árabes.

Durante a época da Reforma Religiosa do século XVI, vemos uma manifestação isolada no cristianismo ocidental, entre os anabatistas de Munster, onde as condições sociológicas se assemelhavam às de Israel em certo tempo. Entre os teólogos da época Bullinger escreveu fortemente contra, e Teodoro Beza, em seu Tractation de Polygamia, foi o mais extremado opositor, identificando a poligamia como sendo sempre adultério, mesmo no Velho Testamento. Bernardino Ochino terminou sendo expulso do país pela publicação do Diálogo sobre a Poligamia, considerada uma das obras mais bem escritas sobre o assunto, porém igualmente a de posição mais avançada. Ele achava que havia aspectos positivos e negativos tanto na monogamia quanto na poligamia, e que a opção era uma questão de conveniência.

Peter Martyr – dentre outros – ficou em uma posição intermediária: a poligamia não era a mesma coisa que adultério; os convertidos previamente polígamos deveriam continuar nesse estado, pois haviam contraído núpcias de boa fé e tinham compromissos para com as esposas e os filhos; a poligamia foi permitida ao povo eleito para a sua propagação até a vinda de Cristo; sendo a poligamia uma forma inferior de matrimônio, não deveria ser permissível entre os cristãos.
De qualquer maneira, é patente que as condições históricas, nos aspectos sociais, econômicos e culturais, fizeram do casamento monogâmico a forma ideal de vida matrimonial, tanto na doutrina, como na liturgia e na disciplina do protestantismo contemporâneo.

IV. O PRINCÍPIO DA HETEROSEXUALIDADE

               O maior sonho das pessoas é claro e praticamente universal: ter alguém que possa amar e que devolva o amor que lhe foi dedicado na mesma medida. Logo após ser criado pelo Senhor Deus, Adão já sentia queimando dentro de si o desejo de ter uma companheira para dividir os dias e estar nos seus braços durante todas as noites. Ele estava só, e ansiava por uma mulher com quem pudesse compartilhar o que sentia no fundo da alma.

               O próprio Senhor viu essa carência no homem, e disse: “Então o Senhor declarou: ‘Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda’” (Gn 2.18). Adão estava só, e ansiava por uma mulher com quem pudesse compartilhar o que sentia no fundo da alma. Percebemos aqui que DEUS criou homem e mulher para unir-se como uma só carne. A queda trouxe o pecado expressado de diversas formas. Uma delas é a homosexualidade.

               A prática homossexual é muito antiga. Muito se tem, propositadamente, debatido sobre isto de forma condescendente, promovendo a repetição prolongada do assunto, que em pricípio chocava o público em geral, para que, gradualmente, consiga sua aceitação. A contínua repetição é a explicação porque as Marchas do Orgulho Gay estão sendo realizadas nas grandes cidades e, rotineiramente, mostram tanta devassidão em público. É muito previsível que os homossexuais e lésbicas queiram condicionar toda a sociedade a finalmente aceitar o relacionamento sexual entre adultos do mesmo sexo, adolescentes e crianças. Essa não é apenas a extensão lógica dos seus planos, mas o Senhor Jesus Cristo disse que a sociedade nos últimos dias seria "como nos dias de Sodoma". Lc 17:29-30.

               Seja quem for que se interponha entre a liberdade de expressão dos homossexuais, tem sido duramente combatido. Muitos "pastores e líderes" tem feito vista grossa e não combatido esta abominação. É triste ver o pecado ser tolerado abertamente, e muitas vezes defendido com unhas e dentes. Há sérios problemas com a pratica homossexual e sua variantes. Nestes últimos tempos a palavra tolerância tem sido a mais usada na imprensa a cerca do homossexualismo; não havendo o mesmo tratamento de tolerância com os cristãos.

               A Bíblia está cheia de passagens condenando tal prática. Os homens de Sodoma queriam conhecer os anjos que se hospedaram na casa de Ló. Daí vem a palavra "sodomita" que é o homem que procura outro homem para possuí-lo como a uma mulher. Tanto o que faz o papel de homem como o que faz o papel de mulher estão pecando e cometendo uma abominação: "Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel. Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do SENHOR teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao SENHOR teu Deus.... Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é... Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação" Dt 23.17; Lv 18:22; 20:13. Em Gênesis 19:1-3, lemos como os anjos de Deus foram a Sodoma, tendo a forma de homens. Eles entraram na casa de Ló, que imediatamente reconheceu quem de fato eles eram. Ele os instou a fazer uma refeição e passar a noite em sua casa. Logo em seguida, todos os homens de Sodoma cercaram a casa de Ló. Veja o que diz a Bíblia: "Mas antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, assim os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados; e chamaram por Ló, e lhe disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós, para que abusemos deles."

               A população homossexual de Sodoma incluía homens velhos e jovens. Percebemos, horrorizados, que aqueles homens queriam copular com os estrangeiros em público! Eles não tinham receio de serem presos simplesmente porque as leis em Sodoma e Gomorra permitiam sexo em locais públicos! Para isso acontecer, os cidadãos tiveram que aprovar a homossexualidade.

               Você vê isto acontecendo no mundo ocidental hoje? Freqüentemente, lemos nos jornais que homens começam a manter relações homossexuais em locais públicos e a polícia precisa intervir e fechar os parques ou fazer batidas, removendo os travestis das ruas. No entanto, se um dia o sexo em locais públicos for legalizado, então os homossexuais poderão ter sexo em público, sem medo de serem detidos, exatamente como os homens de Sodoma e Gomorra faziam. Considerando-se a liberdade que os homossexuais têm de simular atos sexuais em público durante as Marchas do 'Orgulho Gay', podemos imaginar que acham que essa mudança nas leis, para legalizar a homossexualidade em público, será obtida em breve.

               A Bíblia chama a pratica homossexual de "PAIXÕES INFAMES", ela não diz que é amor, e deixa claro que não pode haver qualquer tipo de amor na pratica homossexual. Aqui vale uma advertência, a Bíblia condena TODO tipo de relacionamento homossexual, seja masculino ou feminino, ou seja entre dois HOMENS, ou entre duas MULHERES, interessante é que não existe identidade homossexual por mais que tentem provar isto. Só existem homens ou mulheres. Deus não criou outro ser de outro sexo a não ser estes dois: HOMEM ou MULHER.
               A bíblia diz que "mudaram o uso natural" portanto Deus diz que o homossexualismo não é natural. Segundo diz que é "contrário a natureza"; ou seja não é correto falando em termos de biologia e sociologia.

Diz que isto é pura "sensualidade", quando falamos sobre não se natural, muitos defensores do comportamento homossexual diz: "mas nós nos satisfazemos muito mais que um casal , um homem e uma mulher"; primeiro, creio que não estejam sendo honestos, mas segundo a Bíblia diz que eles estão se inflamando  em sua sensualidade, assim, compreendemos que eles podem satisfazerem-se com seu pecado, mas não se tornam felizes. A Bíblia deixa claro que este tipo de relacionamento é torpe, distorcido. Ser sodomita é ser contrário a Sã doutrina, ou seja os que aprovam as praticas homossexuais serão julgados por isto. Nós pregamos que Jesus pode salvar e transformar qualquer pessoa, veja:

I Tm 1:15 “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”. Ele faz daquele que o recebe, uma nova Criatura:

2 Co 5:17 “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.

               Homossexualismo é uma prática aprendida e pode ser apagada e a pessoa pode deixar de ser um homossexual, há vários testemunhos de ex-homossexuais. O pecado gera escravidão, mas Jesus quer dar libertação:
Jo 8:36 “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Jo 8:32 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Deus tem um grande e infinito amor e tem o poder de libertar das drogas, dos vícios, do homossexualismo.

V. A INDISSOLUBILIDADE DO CASAMENTO

Uma aliança é um pacto ou acordo entre duas pessoas e faz com que estas fiquem amarradas em um relacionamento profundo e duradouro. Realmente significa que não são mais duas vidas separadas, mas agora compartilham uma vida juntos. Na Bíblia vemos que DEUS fez aliança com várias pessoas, sendo uma das mais notáveis foi a que realizou com Abraão, estabelecendo a nação judaica (Gn 12:1-3).

Depois da morte e ressurreição do SENHOR JESUS, aqueles que recebem JESUS como SENHOR e SALVADOR, são parceiros na Nova Aliança com DEUS (Hb 8; 6-13). O amor de aliança é forte. DEUS diz: “Dou a minha vida por você” (I Co 13:1-8). Através das Escrituras vemos que DEUS permaneceu fiel às SUAS promessas de aliança, mesmo quando o homem, SEU parceiro na aliança, falhou em guardar o seu lado do trato. O amor da aliança é fiel a despeito do que o outro parceiro esteja fazendo. A razão para isso é que cada aliança contem dentro de si promessas e termos ou condições. Quando as pessoas entram em aliança, elas prometem certas coisas umas as outras e declaram as condições sob as quais manterão as suas promessas. Se um parceiro da aliança é infiel a sua promessa, isso não força o outro a sê-lo também. Através de todo o Velho Testamento vemos DEUS, fiel parceiro da aliança, chamando Israel, o parceiro infiel da aliança. A infidelidade de Israel não mudou o coração de DEUS em relação a ela. ELE continua sustentando-a, amando-a e chamando-a de volta para ELE até este dia.

A Bíblia trata o casamento como um relacionamento de aliança: “…sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança” (Ml 2:14). O pensamento correto sobre a natureza do casamento dá o alicerce para sabermos o que Deus pensa do divórcio. Se o nosso Deus é um Deus de aliança, e Ele não quebra nem permite quebra de aliança, também não permite que o casamento seja quebrado. Como Deus não se divorcia do seu povo, assim ele não permite que marido e mulher se divorciem. Divorciar-se é quebrar o matrimônio da Aliança - Lemos em Ml 2:16 “Porque o Senhor Deus de Israel diz que odeia o divórcio …” Precisamos compreender o texto de Mt. 19:1-7 em que Jesus diz que o divórcio é proibido, mas que foi permitido por causa da dureza do coração. Deus nunca intencionou o divórcio, pois este contraria a essência do casamento como uma aliança que nunca deverá ser quebrada, anulada. Você então pergunta: Por que foi dada a permissão para o divórcio conforme Mt. 19:7? Não foi dada uma permissão. No verso seis JESUS termina sua explicação sobre o que lhe foi perguntado “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mt 19:3) de forma bem categórica: “Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” Mt 19:6. Quando lhe é questionado sobre a Lei mosaica (Antiga Aliança) Jesus responde em 19:9 - “Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério …“. Note bem que sua explicação é referente à Lei mosaica e diante do que lhe foi perguntado. Nós vivemos sob Nova Aliança, conforme Paulo exorta em sua carta aos Coríntios: “Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.” (1 Co 7:10-11).

Malaquias lembra-nos que a vontade de Deus, a respeito do casamento, sempre foi a mesma.  Enquanto alguns podem procurar justaficativas baseadas nos abusos que eram tolerados durante a era patriarcal, ou sob a lei de Moisés, Jesus nos diz que a vontade básica de Deus sempre foi a mesma:  “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio os fez homem e mulher, e que disse:  Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? . . .  Portanto  o que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mateus 19:4-6).

CONCLUSÃO

 As Escrituras dizem que DEUS projetou e criou o casamento para ser algo bom. Ele é um presente lindo e inestimável. DEUS usa o casamento para nos ajudar a acabar com a solidão, multiplicar nossa eficiência, construir famílias, criar filhos, curtir a vida e nos abençoar com o relacionamento íntimo. Além disso, o casamento também nos mostra a necessidade de crescer e de lidar com nossas próprias dificuldades e com o egocentrismo, através da ajuda de um companheiro para toda a vida. Se somos “ensináveis”, iremos aprender a fazer aquilo que é mais importante no casamento - amar. Esta poderosa união lhe mostra o caminho para amar incondicionalmente outra pessoa imperfeita. Isto é maravilhoso. É difícil. É uma mudança de vida. Gálatas 5:22 descreve a obra do Espírito de Deus na vida do crente. Na medida em que ele se submete ao Espírito Santo, começa a desenvolver, de maneira crescente, amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, fé e domínio próprio.
Jesus salienta o princípio universal de que a pessoa ceifa o que semeia; por conseguinte, o amor (ou qualquer outro atributo) que é dado será constantemente devolvido ao doador. Segue-se, então, que aquele que dá e recebe atributos espirituais terá, sem dúvida, um casamento agradável e satisfatório.

Eu particularmente não acredito que existam casamentos perfeitos, mas, sim, casamentos saudáveis. E para conseguirmos isto, não é fácil. E, nessa busca, o casamento enfrenta, a todo o momento, situações desafiadoras que precisam ser superadas para que ele alcance santificação e vitórias. A verdade é que em direção ao alvo (CRISTO), permeamos um percurso cheio de obstáculo. Mas, com o empenho pessoal, e na força que Deus supre, “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou”. Rm. 8:37.

Na confecção deste pequeno estudo, buscamos consultar literatura que mais se aproxima com o pensamento de nossa denominação, tentando não perder a coerência teológica. Evitamos expressar conceitos e opiniões pessoais sem o devido embasamento na Palavra, pois a finalidade é agregar conhecimentos, enriquecer a aula da escola dominical e proporcionar ao professor domínio sobre a matéria em tela. Caso alcance tais finalidades, agradeço ao meu DEUS por esta grandiosa oportunidade.



 Ev. JOSÉ COSTA JUNIOR



3 de abril de 2013

A FAMÍLIA CRIAÇÃO DE DEUS



A FAMÍLIA CRIAÇÃO DE DEUS

TEXTO ÁUREO = “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a” (Gn 1.28).

VERDADE PRATICA = A família é uma instituição divina. Cada um de seus membros deve fazer a sua parte a fim de promover a felicidade, a integridade e o fortalecimento da união familiar; e desempenhar sua missão bíblica para a glória de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLA$SE: GÊNESIS 1.27,28; 2.7,18,22

INTRODUÇÃO

Com esta lição, damos início a uma série de ensinamentos bíblicos acerca das ameaças à integridade e ao bem-estar da família. Trataremos também de conceitos e padrões bíblicos estabelecidos por Deus para a bênção e felicidade de tal instituição. A família, em síntese, como estrutura social, deve identificar-se e relacionar-se intimamente com a igreja. Na tão conhecida e instrutiva passagem sobre a família (Ef 5.28-33; 6.1-4), a Palavra de Deus cita a igreja seis vezes.

CONCEITO E ATRIBUIÇÕES DA FAMÍLIA

1. Conceito. Família é o sistema social básico, instituído no Éden por Deus, para a constituição da sociedade e prossecução da raça humana. Os primeiros capítulos de Gênesis revelam que a família foi a primeira das instituições divinas na terra.

Jesus utilizou-se da família para ilustrar certos atributos, atos, qualidades e dádivas de Deus, como o amor, o perdão, a longanimidade, a paternidade. Vários dos milagres de Jesus estão relacionados à família, suas necessidades, provações, encargos e responsabilidades (Mt 8.5-15;9.18-26;J02.1-11;4.46-54; 11.1-45).
Isto nos leva a imaginar o grande valor que Deus confere a esta sua primeira e vital instituição humana.

2. Atribuições da família. Dentre as muitas atribuições da família, enumeramos algumas consideradas relevantes:

a. Vida íntima conjugal: Só o casamento justifica e legitima a união sexual marido-mulher. Logo no primeiro capitulo da Bíblia está escrito a respeito do primeiro casal, “Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (v.28).

E como se dá tal multiplicação? Pela união física do casal, que deve decorrer do amor e do consenso mútuo. No capítulo seguinte está também registrado que, após o casamento, homem e mulher “serão ambos uma carne”.

b. Propagação do gênero humano:  Este foi um dos propósitos Deus quando da instituição da família: a geração de filhos, para o povoamento da terra e a prossecução do gênero humano. Deus conferiu esta faculdade ao casal, o que constitui uma elevada responsabilidade (Gn 1.28).

c) Subsistência: Basicamente, a motivação que está subentendida no desempenho diuturno e peno50 do trabalho e igualmente do exercício das profissões é o sustento, o conforto, o bem-estar; enfim, o atendimento suficiente e sensato das necessidades dos membros da família.

d) Educação. Os filhos são herança r (Si 127.3) e não meros acidentes biológicos na vida do casal. Cada filho que nasce ou que é admitido na família importa em cinco principais responsabilidades para os pais: um corpinho para cuidar (vestuário, saúde, etc.); um estômago para alimentar; uma personalidade para formar; uma mente para educar e uma pessoa completa para ser conduzido a Cristo, seu Salvador e Senhor.

e) Proteção. É responsabilidade dos pais proverem no lar paz, harmonia, sossego, união, proteção e amparo. Ver as lições espirituais de Deuteronômio 22.8.

f) Afeto. As relações afetuosas, fraternas e cordiais iniciam-se na família. É nesse ambiente, propício e acolhedor, que a criança recebe afeto, cuidado amoroso dos pais e irmãos mais velhos, e aprende a praticá-lo.

DEUS INSTITUI A FAMÍLIA

1. 0 homem, o ser racional criado por Deus (Gn 2.7; At 17.26). Havendo Deus formado o homem do pó da terra, colocou-o no Éden, onde viveu por algum tempo, cuidando das responsabilidades que o Senhor lhe confiara (Gn 2.8,15). Seu compromisso: cuidar do jardim, pôr nomes no que Deus havia feito, desde as árvores e todos os animais (Gn 2.20).

2. Não é bom que o homem esteja só (Gn 2.18). Foi esta a primeira vez que Deus observou, no homem, a falta de uma companheira, e logo tomou urna decisão em favor dele. Primeiras providências: tirá-lo da solidão (Gn 2.18), promovendo uma relação ou identidade com outro ser racional (não um outro homem) que completasse sua felicidade; realizar o seu piano de multiplicação da raça humana: “...multiplicai-vos, e enchei a terra...” (Gn 1.28).

3. O homem, distinto das outras criaturas (Gn 1.20,22,26). Deus criou todas as coisas, usando as palavras: “Haja”, “Ajuntem-se” e “Produza” (Gn 1.3,7,9,11); mas, para fazer o homem, o Senhor disse: “Façamos o homem...” (Gn 1.26,27).
Observem que as duas pessoas, as quais compõem a primeira família, foram criadas e estabelecidas por Deus, enquanto que as demais coisas foram feitas mediante apalavra expressa pelo Criador.

Isto nos mostra que, para a família, Deus tem um plano diferente das outras coisas criadas por Ele, tanto nesta vida como na futura.

BONS EXEMPLOS DE FAMÍLIA

Da Bíblia podemos extrair bons exemplos de famílias, que devem ser imitados:

1. Noé. Mesmo idoso, com filhos adultos, Noé ainda liderava sua família e tinha dela o respeito e a submissão sem qualquer dificuldade. Seus filhos deixaram suas atividades e atenderam o chamado do pai (Gn 7.1-7; Hb 11.7). Como se vê, eles eram casados, cada um com sua vida doméstica independente, ainda assim, não se recusaram a aceitar os conselhos do pai. O resultado é que esta obediência redundou na benção pessoal da preservação da vida de cada um deles e, mais do que isso, foram instrumentos exclusivos de Deus na preservação da espécie humana. Outrossim, Deus os abençoou na companhia de seu pai (Gn 9.1).

2. Josué. Em seu último ato público, Josué, como chefe de família temente a Deus, lançou ao povo um desafio: “Escolhei hoje a quem sirvais” (Js 24.15). Ele já havia feito sua escolha, por si e por sua família. Certamente assim procedeu Josué pela fé no Senhor, pois era homem de fé como se vê em Hebreus 11.30. A afirmação pública de Josué autentica sua convicção de que, deixando este mundo, sua família sobreviveria estruturada nos princípios decorrentes dos valores que ele lhes havia passado durante toda a sua vida.

3. Filipe. Nas suas incessantes lides em prol da causa do Mestre, Paulo não iria se hospedar com pessoas cujas vidas não demonstrassem um elevado quilate e maturidade espiritual condizente (At 2 1.8,9). O relato de Atos espelha a boa estrutura espiritual existente na família de Filipe, resultante de um investimento espiritual demorado e contínuo. A princípio, como diácono da igreja em Jerusalém (At 6.5), e mais tarde, como evangelista (At 8.4-40). Filipe, apesar de sua intensa atividade ministerial, não se descuidou do exercício sacerdotal no lar. Por isso, teve a grande satisfação de contemplar suas quatro filhas servindo a Deus, sendo portadoras de dons espirituais.

O OBJETIVO DE DEUS, AO CRIAR A FAMÍLIA

1. A procriação (Gn 1.28; Sl 127.3). Por isso, Deus criou “macho e fêmea”. Adão tinha liberdade de comunicar-se verbal, social e fisicamente com sua esposa. A união, portanto, entre marido e mulher foi estabelecida por Deus, para a multiplicação da raça humana. A vida íntima entre os dois deve ser mantida, pois é uma coisa pura e nobre conservar o “leito sem mácula” (Hb 13.4). Sem discussão, sem rivalidade

2. Toda família a seu serviço. Deus quer toda família servindo a Ele e à sua obra (Êx 10.9; Ef 3.15). O Diabo luta para separá-la, mas Deus sempre deseja ajuntá-la. Vivamos, pois, juntos na igreja, na oração, nos cultos, no lar, na escola dominical. Sempre juntos! A família é composta de pai, mãe e filhos. Jamais confundamos a família com grupos de pessoas, ou família no sentido de uma raça. As vezes, o termo família, na Bíblia, significa o que se abriga debaixo de nosso teto (Ex 12.4).

Em outras ocasiões, refere-se a Israel (Is 5.7). Deus ordenou que Noé e seus familiares entrassem na arca (Gn 7.1,7). O carcereiro de Filipos foi batizado com toda a sua casa (At 16.33).

DESAFIOS DA FAMILIA

Um dos maiores desafios da família é preservar a si mesma como principal instituição da sociedade em todos os seus aspectos, pois o processo de modernização trouxe consigo mudanças econômicas, sociais, culturais e psicológicas afetando o conceito e o desenvolvimento familiar. O sistema educacional, a mídia e a promulgação de leis têm trazido desafios à família: a facilidade ao divórcio, o homossexualismo, o aborto, e as drogas são situações que exigem um posicionamento firme da igreja.

Entre tantos desafios vamos destacar apenas três que cercam a família: a) a promiscuidade, como resultado da revolução sexual: o apóstolo Paulo na sua carta aos romanos no capítulo 1.18- 27 relata a promiscuidade existente em sua época e que levou a sociedade a atitudes contrárias ao conceito familiar cristão, tanto  no trato,  quanto nos relacionamentos, desenvolvendo atitudes libertinas de desvio sexual ; tanto dos homens quanto das mulheres. Nos dias atuais assim como na época de Paulo, a promiscuidade se apresenta de forma marcante e explicita, usando os meios de comunicação de massa (rádio, televisão, internet, revistas, outdoors, celulares etc).

O desafio familiar é dizer não a esta corrupção através dos ensinamentos de Cristo no seio da família, (Mt 5.14-16); b) educação dos filhos: algumas famílias têm transferido para a escola e para a igreja a responsabilidade da educação dos filhos. Estas instituições contribuem com a formação deles sem prescindir da participação da família. Os pais devem assumir os seus papéis de educadores do lar, pois a educação transmitida por eles é de primordial importância para formação do caráter de seus filhos (Gn 18.19; Pv 1.8, 9; Ef 6.4).

Em meio ao ativismo da vida pós-moderna, os pais precisam reservar tempo para estarem com seus filhos; c) a promulgação de leis que contrariam a estrutura da família: leis aprovadas e outras que estão em estudo têm em seu conjunto mudado a forma de organização da família.

Leis quanto ao divórcio, quanto à união estável, pesquisas e especulações quanto à legalização do casamento e constituição de família pelos homossexuais, têm tido por parte de alguns políticos, sociólogos e psicólogos o apoio mediante fóruns e debates que a cada dia avançam para gerar novos conceitos de família (lTm 4.1-5). Precisamos fazer valer na sociedade a lei maior estabelecida pela Palavra de Deus, quanto a essas mudanças que ocorrem na sociedade, pois elas não têm a aprovação de Deus (Ef 5.1-21).

A MARCA DO PECADO NO INICIO DA HUMANIDADE

A sociedade tem o seu referencial no seio familiar. Desde o princípio, Deus ordenou ao primeiro casal, Adão e Eva, que se multiplicassem e que povoassem a terra, o que demonstra o desígnio de Deus de tornar o mundo plenamente habitado (Gn 1.28a). Sendo assim, um casal constitui uma família, gera filhos e filhas e constrói um grupo social que somado com outras famílias, que partiram deste mesmo princípio, dão forma a sociedade. O que encontramos a partir de Gênesis é que o propósito primário descrito por Deus tem o seu desfecho marcado com a mancha do pecado, devido à transgressão humana pelos primeiros pais (Gn 3). A sociedade desde sua formação carrega em si a mancha do pecado (Rm 3.23; 5.12).

OS ATAQUES CONTRA A FAMÍLIA

 1. O primeiro ataque da serpente à instituição familiar. No Éden, o Diabo atacou frontalmente o casamento e a família. Por causa do pecado, o primeiro casal foi expulso do jardim (Gn 3.23,24), gerando uma série de males entre os quais o assassinato de Abel (Gn 4.2-8). O pecado transtornou, profanou e perverteu o ser humano (Rm 7.8-24).

2. Ataques à família. Ao longo dos tempos, o inimigo vem atacando continuamente à família de diversas maneiras:

a) Infidelidade conjugal. A vontade de Deus é que os cônjuges se amem mutuamente (Ef 5.25; Tt 2.4). Temos de fugir da infidelidade (I Co 6.18a). O começo pode ser um olhar, uma conversa, levando em seguida à consumação do pecado. Para evitar a infidelidade conjugal, os cônjuges podem adotar medidas simples, mas eficazes, sempre com a graça de Deus:

 •   Buscar a Deus em oração. Orando juntos, diária e constantemente, o casal fortalece os laços espirituais e conjugais (Mt 26.41);

 •   Ler a Bíblia diariamente. É indispensável ao casal ler a Bíblia todos os dias. Alguns dizem que não há tempo, mas a verdade inconteste é que “há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ec 3.1);

 •   O esposo deve dar prioridade à sua esposa. Volte a cultivar o carinho, o afeto, e a expressão do amor conjugal para com a mulher de sua mocidade (Ef 5.25-28).

 •   A esposa deve dar prioridade a seu esposo (Ef 5.33). A mulher cristã, com prudência e amor, torna-se um esteio contra a infidelidade conjugal. Buscando a sabedoria divina, ela haverá de preencher as necessidades emocionais e afetivas de seu cônjuge.

b) A ausência de Deus no lar. Nada pode preencher a falta de Deus no lar, a não ser o próprio Deus. A ausência de Deus no lar é a causa de alguns problemas que afetam o casamento e a família como um todo. Como vencer esse terrível inimigo?

 •   Cada membro da família, a partir do casal, deve tomar a decisão de servirão Senhor, sem nunca descuidar-se do culto doméstico.
Faça como Josué: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). Além disso, freqüente a igreja juntamente com o seu cônjuge e filhos.

 •   Levar a família a valorizar a igreja local (Sl 122.1; 27.4; 84.10; Ec 5.1). É importante que os pais dêem exemplo aos filhos, não apenas mandando-os para a igreja, mas indo com eles à casa do Senhor. Incentive-os a tomar parte nas atividades da igreja local.

FORTALECENDO A FAMILIA CONTRA OS ATAQUES DO MAL

 1. Os ataques modernos à família e como vencê-los. Conforme já dissemos, são muitos os ataques à família nos dias atuais.

a) A inversão de valores. A família está sendo destruída por novelas iníquas, escritas e produzidas por pessoas distanciadas dos valores legitimamente cristãos, e pelas publicações que zombam da Palavra de Deus (Is 5.20).

b) A tecnologia como instrumento do mal. A televisão e a internet, por exemplo, vêm sendo traiçoeiramente usados pelo Diabo para contaminar preciosas vidas. A Igreja do Senhor Jesus precisa, no poder do Espírito Santo, reagir contra o uso inadequado e pecaminoso desses meios de comunicação em massa. Se não reagirmos, a família cristã sofrerá pesadas conseqüências.

2. É necessário tomar posição. Josué afirmou: “... porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). A maior parte dos ataques contra a família tem sucesso, porque os responsáveis pelos lares cristãos não tomam diante de Deus, uma posição firme e corajosa contra essa perversa inversão de valores (Ef 6.4b; Dt 22.8).

3. É necessário temer a Deus e andar nos seus caminhos. “Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos!” (Sl 128.1). As promessas de que trata o salmo são bênçãos extraordinárias sobre a família, incluindo o líder, a esposa, os filhos e os filhos destes conforme promete Deus. Mas há um preço a pagar: Deus exige santidade no lar de quem lhe professa o nome (Hb 12.14; I Pe 1.15).

4. É necessário edificar a casa sobre a Rocha (Mt 7.24; Sl 127.1). Edificar a casa “sobre a rocha” é edificar o casamento, o lar e a família, sobre Cristo Jesus, que é a “a pedra”, ou a rocha dos séculos (Mt 21.42; Lc 20.17; I Pe 2.7). Muitos crentes edificam sua casa sobre a areia (Mt 7.27), e amargam as conseqüências. Como está você construindo o seu lar?

CONCLUSÃO

A Bíblia é clara quando afirma que sem Cristo nada podemos fazer (Jo 15.15). Isto também é verdade no relacionamento familiar. O Senhor, sendo o centro do lar em tudo, concederá a sua bênção no sentido de que cada membro da família dê sua contribuição para que o relacionamento cristão ideal seja uma realidade no lar, a fim de honrar o nome do Senhor. A Palavra de Deus é um guia para tudo na nossa vida. É dela que vamos extrair o padrão de comportamento que cada membro da família deve ter, a partir da mais tenra infância. Procedendo assim, a vida de cada um de nós se aproximará bastante do ideal estabelecido por Deus.

A família é o principio norteador da sociedade a igreja opera pelo equilíbrio espiritual sendo fonte para a família e referencial para a sociedade. Entendemos que a comunidade cristã tem tarefas que ultrapassam as fronteiras das famílias que a compõem. Por isso estas famílias são chamadas a vivenciar sua vocação cristã e influenciar a sociedade. A família está sendo desafiada nos dias atuais para ser igreja e viver as funções básicas da vida comunitária entre si, crescer espiritualmente, ou ouvir a palavra bíblica orar e cantar, bem como apoiar-se, ajudar-se, aconselhar-se e com isso alcançar o crescimento que é proposto pelo exercício da fé em amor no meio a uma geração corrompida.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

BIBLIOGRAFIA

LIÇÕES BIBLICAS CPAD 1993
LIÇÕES BIBLICAS CPAD 2004
LIÇÕES BIBLICAS CPAD 2007
LIÇÕERS BIBLICAS BETEL 2010

(BENTHO, E. C. A família no Antigo Testamento: história e sociologia. RJ: CPAD, 2006, p.24-5.)


A PRIMEIRA FAMILIA DA TERRA

TEXTO ÁUREO = “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a” (Gn 1.28).

VERDADE PRATICA = A família foi constituída por Deus como elo de ligação entre a criatura e o Criador.

TEXTO BIBLICO = Gn 2.18-25; 1.27,28

INTRODUÇÃO

A primeira família da terra, logo no início da vida, sofreu as primei.. ras investidas de Satanás. Pela bondade de Deus experimentou também a paz e a alegria.
Sendo tentados, desobedeceram a Deus, pecaram e ficaram sujeitos a tristezas, sofrimentos e morte.

A despeito da desobediência de Adão e Eva, Deus não mudou o seu plano quanto à instituição da família, por ser o meio lícito e puro para perpetuar a raça humana. Antes, portanto, de expulsar o primeiro casal do Eden, Deus deu-lhe o sinal de sua graça e a promessa de redenção (Gn 3.21).

1. ADÃO E EVA, CRIADOS POR DEUS

A primeira família da terra foi constituída de um homem e uma mulher, criados diretamente por Deus. Lucas, ao encerrar a genealogia de Jesus, contida no Evangelho que tem o seu nome, identifica o Senhor Jesus com toda a raça humana, dizendo: “Cainã filho de Enos, Enos filho de Sete, e este filho de Adão, filho de Deus” (Lc 3.38, ARA).

1. O primeiro homem criado por Deus. A criação do homem é ato imediato da sabedoria e do poder de Deus, e também a obra mais sublime de todos os seres criados.
Deus disse: “Haja luz”, “haja uma expansão no meio das águas”, “Produza a terra erva verde que dê semente”, e assim por diante. Mas, na criação do homem, aconteceu diferente; como convocando a trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26).

2. Eva, a primeira mulher, foi tirada de Adão. Deus, na sua sabedoria, não fez a mulher do pó da terra, mas tirou-a de Adão. Na Bíblia lemos: “Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu: e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão.

E disse Adão: Esta é agora ossos dos meus ossos, e carne da minha carne (Gn 2.21-23). Era assim, cio mesmo sangue e da mesma carne de Adão. Podiam, portanto, se amar profundamente e viver na mais perfeita intimidade, em condições de servirem de modelo para todos os casais, em todas as épocas.

3. A mulher dada como auxiliadora. Disse mais o Senhor Deus: “Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gn 2.18).
Nota-se que Adão tinha a companhia dos animais, e até lhes deu nomes. Mesmo assim ele se sentia solitário porque nessa associação não havia igualdade e entendimento, pois nenhum dos animais criados podia nivelar-se ao homem. Adão precisava de alguém de sua própria espécie para servir-lhe de companhia e propiciar-lhe condições para o estabelecimento de diálogo, troca de idéias, permanente comunicação e perfeita comunhão, tanto no amor como nas realizações.

Para tanto, era necessário que essa companheira fosse também possuída de grandes virtudes. Foi o que Deus fez, deu a Adão..uma valorosa mulher — Eva.

a. Em relação à casa. A mulher cristã, que tem sua vida moldada na Palavra de Deus, não é, na realidade, uma mulher qualquer, mas alguém que possui as melhores qualificações e virtudes. Ela prima pelo rigoroso asseio de sua casa e procura mantê-la em boa ordem. Trata a todos, de modo atencioso e cordial, deixando aos visitantes as belas impressões de seu zelo e cuidado.

A esposa crente faz do seu lar um lugar agradável e feliz.

b. Em relação aos filhos. A mulher virtuosa não deixa de ser, concomitantemente, uma boa ma., Não só cuida da educação dos filhos infundindo neles boas maneiras, auxiliando, com isto, ao marido, como também dá-lhes assistência, seja zelando pelo seu vestuário, seja cuidando de sua higiene corporal ou orientando-os moral, social à espiritualmente.

II. ADÃO E EVA, O PRIMEIRO CASAL

1. O primeiro casamento foi feito por Deus (Gn 2.21-23). Deus fez Eva para ser companheira de Adão, antes da entrada do pecado no mundo. Assim, podemos crer que foi Deus mesmo quem deu ao homem e à mulher o relacionamento e a liberdade conjugais necessários, com base em princípios santos e puros, como parte do Seu propósito para com eles. Ao trazer a mulher a Adão, Deus estabeleceu as normas para o casamento. O Senhor Jesus ratificou este conceito quando, falando do casamento, disse: “O que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mt 19.6).


2. Deus fez uma mulher para um homem. Adão ficou preso a uma pessoa. Se ele a deixasse, não teria outra com quem casar-se, o que revela o seguinte:

a) o casamento não é para ser desfeito;
b) a bigamia e a poligamia não têm base nos princípios divinos.

O fato de haver Deus trazido a Adão uma só mulher ensina-nos uma lição de amor, respeito, união e companheirismo. E neste sentido que Paulo se refere ao casamento, dizendo: “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne” (Ef 5.31).

3. Deus proveu alimento para a primeira família (Gn 1.29). Na segunda parte do sexto dia, Deus criou o homem e logo proveu-lhe do necessário para a sua alimentação. Em Gênesis 1.29, lemos: “E disse Deus: eis que vos tenho dado toda a erva que dá semente, que está sobre a face de toda a terra, e toda a árvore em que há fruto de árvore que dá semente, ser-vos-á para mantimento”. A provisão de Deus, para com a primeira família, revela o seu cuidado para com as demais famílias, em todos os tempos, como está escrito: “porque ele disse: não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13.5). Leia mais Mt 6.25-34.

4. Deus determinou o trabalho para o homem (Gn 2.8,15). Com base em Gênesis 3.17, alguns julgam que só depois de pecar, o homem ficou obrigado a trabalhar. Ao contrário, Deus determinou o trabalho para o homem antes da queda. E o que aprendemos de Gênesis 2.8,15. O trabalho tanto é indispensável para a manutenção da família como também contribui para o viver condigno e, conseqüentemente, para a paz, a harmonia e conforto da mesma.
Toda a Bíblia faz referência ao trabalho considerando-o uma das maiores virtudes da vida. ,Jesus fez uma significativa menção ao trabalho, ao dizer: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5.17).

III. A PROSPERIDADE DA PRIMEIRA FAMILIA

1. O significado do nome Eva. “E chamou Adão o nome de sua mulher, Eva; porquanto ela era a mãe de todos os viventes” (Gn 3.20).
No texto de nossa lição, lemos que Deus abençoou o homem e sua mulher, e disse: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn 1.28). Isto concorda com a palavra de Paulo, no areópago de Atenas. “De um só fez (Deus) toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra” (At 17.26).

Nestes trechos bíblicos, temos base para crer que toda a raça humana procede de Adão e Eva, constituídos por Deus como a primeira família da terra. E mais seguro e mais fácil crer na infalível Palavra de Deus, em suas afirmações expressas e prováveis, do que crer na teoria da evolução que tem muito mais de ilógico que de biológico.

2. Adão teve filhos e filhas (Gn 5.4). Admitindo-se que Adão e Eva foram criados adultos, Caim deveria ter 129 anos quando matou Abel, porque Sete nasceu logo depois, quando Adão tinha 130 anos (Gn 5.3),
Provavelmente Adão teve outros filhos, cujos nomes não são mencionados. Diz uma tradição que ele teve 23 filhos e 27 filhas. Em Gênesis 4.14, Caim expressa forte receio de ser morto, dizendo: E será que todo aquele que me achar me matará. A quem Caim poderia temer se ele e Abel fossem os únicos filhos de Adão?

3. A numerosa família de Adão. Adão viveu 930 anos (Gn 5.5). Ao morrer, entre filhos, netos, bisnetos e outros descendentes, já possuía família numerosíssima, em cumprimento à ordem divina  multiplicai-vos, e enchei a terra.

IV. EXPERIÊNCIAS DA PRIMEIRA FAMÍLIA

Desde que o pecado entrou no mundo através de Adão e Eva, a vida tornou-se tal como a conhecemos hoje — começa com choro e termina com gemidos. Só a graça de Deus pode amenizar os sofrimentos causados pelo pecado e reconduzir o homem à felicidade perdida (Rm 6.20-23).

1. A alegria do primeiro casal (Gn 4.1,2). Os filhos são motivo de alegria e esperança. É plano de Deus que o casal tenha filhos. Adão e Eva estavam em um mundo desabitado. Tiveram grande alegria com o nascimento de Caim e Abel. Certamente nasceram também outros filhos e filhas e estava começando o povoamento do planeta terra. Mesmo fora do paraíso, obtendo seu pão com o suor do seu rosto (Gn 3.17- 19), o primeiro casal deleitava-se com a presença dos preciosos filhos.
Apesar de, numa família, cada cônjuge fazer companhia ao outro, é fato notório que a falta de filhos a um casal pode gerar solidão e, conforme o caso, dificuldades e apreensões.

2. O combate de Satanás à família. Por ser a família instituída por Deus com o propósito de encher a terra de seres inteligentes e ordeiros, capazes de exercer domínio sobre toda a criação e de ter comunhão com Deus, e por ser o elemento básico da fraternidade e da moral, logo cedo tornou-se alvo do combate de Satanás. Caim e sua linhagem foram os elementos que Satanás usou para, de modo estratégico, contrariar o plano de Deus.

3. A amargura do primeiro casal. Foi mui amarga a experiência de Adão e Eva, ao contemplarem o que nunca tinha sido visto na terra: uma pessoa morta. Era tão difícil entender, como tão difícil era suportar um filho assassino e um filho assassinado!

4. A primeira família e o culto a Deus (Gn 4.25,26). A aproximação de Deus é o meio mais seguro para afastar a ação destruidora de Satanás. Por outro lado, à medida que permanecemos distanciados de Deus, aumentam os insucessos e as aflições. As maiores tragédias podem vir à família por causa do descuido em buscar a Deus e adorá-lo.

LIÇÕES BIBLICAS CPAD 1987


O PLANO DIVINO PARA A FAMÍLIA

TEXTO ÁUREO = Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (da 24.15).

VERDADE PRÁTICA = A família que adora a Deus é base segura para a vida moral e espiritual do mundo.

TEXTO BIBLICO = 1 Sm 1.19-28

INTRODUÇÃO

Cerca de 474 vezes, na Bíblia, é mencionada a família, quase sempre relacionada como chefe da mesma, por exemplo: a família de Rúben, a família de Elimeleque, etc. Além destes destaques, em muitas outras ocasiões ocorrem referências à família designada por casa ou geração — a casa de José (Gn 50.8), a geração de Terá (Gn 11.27).

I. A IMPORTÂNCIA DA FAMILIA NO PLANO DE DEUS

1. Definição de família. O que é a família? A família não é um grupo de pessoas rivais, alheias aos interesses umas das outras. Em termo de unidade, é o conjunto de todas as pessoas presentes, que vivem sob o mesmo teto, sob a proteção ou dependência do dono e casa ou chefe da família, que vivem na intimidade do lar, que se comunicam, que se amam e se ajudam reciprocamente.

2. A fecundidade é bênção de Deus (Sl 105.24). Na prática, em nossos dias, a maioria das criaturas humanas discorda desta afirmativa e de tantos outros preceitos expressos por Deus.
A luz da Bíblia, os filhos são considerados bênçãos de Deus à família. Leia Gênesis 1.28; 9.1; 17.6; 22.17. Por outro lado, a esterilidade, nos tempos bíblicos, era motivo de tristeza. Ana se sentia infeliz por ser estéril e buscava em Deus a solução do problema (1 Sm 1.10). Raquel era estéril e, em desespero, clamou a Jacó, seu marido: “Dá-me filhos, senão morrerei” (Gn 29.31). A mais disto, a bênção de Deus “faz com que a mulher estéril habite em família, e seja alegre mãe de filhos” (Si 113.9). Os conceitos humanos sobre a procriação têm mudado, mas nós nos firmamos no que diz a Palavra de Deus, que permanece para sempre (Mt 24.35).

3. Os filhos são herança do Senhor (Sl 127.3a). Os filhos são dados por Deus. Os pais devem esperá-los na expectativa de conforto, e não de cruzes; de bênçãos, e não de peso. Satanás tem ganho terreno na guerra contra a família. A ingratidão e rebelião dos filhos têm resultado na desafeição dos pais, a ponto de tentarem evitar filhos por meios à saúde, ou mesmo criminosos, o aborto e outros. Os crentes em Cristo, ao contrário, devem ter consciência de que os filhos não só lhes pertencem, mas são também filhos de Deus.

II. CONSTITUIÇÃO DA FAMILIA COM A BÊNÇÃO DE DEUS

A constituição da família não deve ocorrer por mera volúpia e, sim, por sincero respeito ao que Deus instituiu, valendo como fruto da oração, da fé e de um sagrado propósito para com Deus.

1. A importância da adoração a Deus (1 Sm 1.19). Merece atenção este detalhe: “Levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o Senhor”. Feliz a família que tem hora apropriada para adorar a Deus. A adoração a Deus é importante:

a. Como fator de progresso e vitória. Elcana e Ana tinham pela frente uma longa jornada, mas antes de iniciá-la foram à presença de Deus. Nenhuma ocupação deve ser considerada tão importante, a ponto de privar-nos da oportunidade para o culto a Deus.

b. Como base da vida moral. Se não houvesse famílias tementes a Deus, a humanidade já não existiria. Já teria sido varrida da face da terra pelas desastrosas conseqüências da imoralidade. A prova disto são as terríveis moléstias que são contraídas como decorrência dos desregramentos e atos imorais praticados pelos homens.

2. A oração da família altera’‘as circunstâncias (v. 20). Render-se diante dos problemas é tão mal quanto murmurar ou praguejar. A aproximação decidida de Deus é o caminho certo para a solução dos problemas familiares, e até mesmo dos mais cruciantes.

3. Toda a família na casa de Deus. O v. 21 registra: “Subiu aquele homem, Elcana, com toda a sua casa, a sacrificar ao Senhor o sacrifício anual e a cumprir o seu voto”. Compare Ec 5.4. Deus tem planejado a salvação para toda a família. A promessa de Deus é: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16.31).

III. A FAMILIA E A CONTINUAÇÃO DA OBRA DE DEUS

O plano de Deus para a família, como coisa divina, tem relação com grandes benefícios dirigidos a uma nação ou ao mundo inteiro, durante as gerações e a eternidade.

1. O nascimento do filho desejado (1 Sm 1.19,20). O nome Samuel significa “Ouvir de Deus, ou Nome de Deus”. Para Ana, o nome do seu primogênito recordava a gratidão que se tornara uma dívida sua para com Deus, por toda a sua vida. Disto aprendemos que as misericórdias com que Deus responde as nossas orações são para recordarmos com peculiar agradecimento. Nada há mais importante do que a vida. Cada filho que Deus nos dá é uma vida pela qual devemos agradecer ao Criador, na esperança de que viva eternamente.

2. O cumprimento de um voto (vv. 27,28). Samuel foi entregue ao Senhor por sua própria mãe que tanto o desejara. Ana disse a Eli: “por este menino orava eu; e o Senhor me concedeu a minha petição, que eu lhe tinha pedido. Pelo que também ao Senhor eu o entreguei, por todos os dias que viver”. Esta concepção corresponde corretamente ao propósito de Deus quanto aos filhos. Eles vêm de Deus e para Deus devem ser criados, tendo uma vida dedicada ao Seu trabalho até que sejam a Ele devolvidos, para servir-lhe no gozo da vida eterna!

3. A entrada solene de Samuel no serviço do santuário (vv. 24,28). Provavelmente, Samuel tinha três anos de idade quando foi trazido à casa de Deus. Observemos como foi a criança apresentada no templo:

a) com sacrifício, indicando que a genuína devoção a Deus exige sacrifício (Lc 9.23,24);

b) com profundo agradecimento, pela bondade de Deus em responder a sua oração. Isto Ana 
demonstrou a Eli, que a encorajara a esperar a resposta de paz, (1 Sm 1.17);

c) com total renúncia a todos os seus interesses na criança perante Deus. Leia Salmo 103.1,2.

4. Aspectos do plano divino para a família. Deus honra a nossa fé e o nosso ardente desejo de ver nossos filhos dedicados à Sua obra. Consideremos o seguinte:

a) deve ser do nosso reconhecimento que os filhos são rebentos dedicados a Deus, porque dele os recebemos. Também recordemo-nos de que estes pertencem ao Senhor por direito soberano, embora permaneçam co- fosco, para nossa alegria;

b) os filhos que entregamos a Deus podem ser considerados como a Ele emprestados. A isto Deus retribuirá com abundantes bênçãos. A mais disto, o êxito dos nossos filhos ao permanecerem firmes na fé e trilharem junto conosco os retos caminhos do Senhor, é sobremodo gratificante;

c) os filhos educados nos caminhos do Senhor podem aprender a adorar a Deus desde a infância, pois lemos: “Samuel ministrava perante o Senhor, sendo ainda mancebo” (1 Sm 2.18). Veja Pv 22.6;

d) o ambiente da família é o mais apropriado para a adoração a Deus.


LIÇÕES BIBLICAS CPAD 1987