19 de janeiro de 2017

ALEGRIA, FRUTO DO ESPÍRITO; INVEJA, HÁBITO DA VELHA


LIÇÃO 04 – ALEGRIA, FRUTO DO ESPÍRITO; INVEJA, HÁBITO DA VELHA

 

NATUREZA - 1º TRIMESTRE 2017 (Jo 16.20-24)

 

Texto Áureo

Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos

Fp 4.4

 

Verdade prática

A Alegria, fruto do Espírito não depende de circunstâncias

 

Leitura bíblica

 

 20. Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria.

21 A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.

22. Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.

23 E naquele dia nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.

24. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra.

 

Introdução

 

Na lição de hoje estudaremos sobre a alegria e a inveja.A alegria é um atributo do fruto do Espírito e esta não depende de circunstancias enquanto que a inveja faz parte da obra da carne não podendo agradar a Deus (Rm 8.8) e prejudicando ao próximo com suas consequências.

 

I – A Alegria

 

No hebraico a palavra alegria é sãmah e segundo o dicionário Vine, significa uma emoção espontânea ou felicidade extrema. No grego a palavra é euphrainõ e significa estar feliz, regozijar-se, tornar-se alegre.

 

·         Fonte de Alegria

 

É importante ressaltar que esta felicidade não é uma emoção passageira, resultado de um aumento de salário, uma premiação, a compra da casa própria, a posse de bens materiais ou do uso de alguma medicação. Essa alegria é produzida pelo Espírito Santo em nosso interior e vem diretamente de Deus, pois somente Ele é a fonte e a origem do verdadeiro contentamento.

Em Gálatas 5.22 a palavra “Gozo” (gr. Chara), é a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que creem em Cristo (Sl 119.16; 2Co 6.10; 12.9; 1 Pe 1.8; Fp 1.4).

A alegria é parte integrante da nossa salvação em Cristo. É paz e prazer interiores em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e na benção que flui de nosso relacionamento com Eles (1Co 13.14). Os ensinos bíblicos a respeito da alegria incluem:

 

A alegria está associada à salvação que Deus concede em Cristo (1Pe 1.3-6) e com a Palavra de Deus (Jr 15.16).

 

A alegria flui de Deus como um dos aspectos do fruto do Espírito (Sl 16.11; Rm 15.13; Gl 5.22).

 

Nós a experimentos somente à medida que permanecemos em Cristo (Jo 15.1-11).

 

Nossa alegria se torna maior quando o Espírito Santo nos transmite um profundo senso da presença e do contato com Deus em nossa vida (Jo 14.15-21).

 

Jesus ensinou que a plenitude da alegria está intimamente ligada à nossa permanência na sua Palavra, à obediência aso seus mandamentos ( Jo 15.7,10,11) e a separação do mundo (Jo 17.13-17).

 

A alegria como deleite na presença de Deus e nas bênçãos da redenção, não pode ser destruída pela dor, pelo sofrimento, pela fraqueza nem por circunstancias difíceis (Mt 5.12; At 16.23-25; 2Co 12.9).

 

·         Jesus Consola seus Discípulos e os Instrui

 

O texto utilizado na Leitura Bíblica em Classe da lição (Jo 16.20-24) é parte de um diálogo entre Jesus e seus discípulos. Parece que a fala do Mestre nos versículos 17 e 18 deixam os discípulos confusos. Então, Jesus explica que ao presenciar a sua morte, eles ficariam tristes e desolados enquanto o mundo (os pecadores sobre o engano de Satanás) se alegraria. Mas, a tristeza dos discípulos seria momentânea e iria durar somente até a sua ressurreição, que ocorreu no terceiro dia.

 

Nos versículos 21 e 22 Jesus se utiliza de uma ilustração, bem conhecida de todos, a respeito de dor e alegria para que não houvesse mais dúvidas a respeito do que estava sendo ensinando. Continuando com o diálogo e ensino, nos versículos 23 e 24, o Mestre instrui a respeito do orar em seu nome ao Pai. Os discípulos ainda não tinham ouvido nada a esse respeito, e nem mesmo orado a Deus em nome do Filho. Jesus esclarece que as orações em seu nome seriam ouvidas e atendidas: “tudo o que pedirdes em meu nome”. Contudo, segundo o Comentário Bíblico Pentecostal1, ‘“tudo” não é um cheque em branco. Jesus está exortando-os a pedir o Espírito; é Ele quem trará alegria. Jesus dará o Espírito, e eles o receberão”.


II - CARACTERÍSTICA DA ALEGRIA COMO FRUTO DO ESPÍRITO

 

Alegria espiritual.

 

A alegria do Espírito contrasta com a alegria natural. Portanto, é uma alegria decorrente das coisas espirituais, não materiais. A Bíblia mostra que essa alegria é:

 

(a) fruto da salvação (Sl 51.12; Is 12.3; 61.10; Lc 1.47);

(b) da esperança da ressurreição (Sl 16.9);

(c) de possuir o nome escrito no Livro da Vida (Lc 10.20);

(d) por sofrer pelo nome de Cristo (I Pe 4.13);

(e) pelo retorno de Cristo (Ap 19.7).

 

Alegria constante.

 

Diferente da alegria natural, a alegria como fruto do Espírito é permanente, duradoura, não circunstancial. Jesus disse isso aos seus discípulos: “[...] vossa alegria ninguém vo-la tirará” (Jo 16.20-22). O apóstolo Paulo que enfrentou diversas dificuldades durante o exercício do seu ministério asseverou: “como contristados, mas sempre alegres” (II Co 6.10). Por isso, mesmo tendo sido açoitado e aprisionado junto com Silas em Filipos, o apóstolo orava e louvava ao Senhor (At 16.22-25). Estando também encarcerado em Roma, Paulo exortou aos cristãos filipenses:“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo,regozijai-vos” (Fp 4.4). Paulo estava cheio de alegria por saber que, a despeito daquilo que lhe viesse acontecer, Jesus Cristo estava ao seu lado (Fp 4.11-13).

 

Alegria abundante.

 

A alegria como fruto além de ser espiritual e constante é também abundante. O Espírito Santo produz alegria abundante no coração do salvo. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos Lucas descrevendo que os convertidos gentios alegram-se grandemente (At 13.52), a mesma intensidade de alegria sentiram os que ouviram a notícia da conversão dos gentios (At 15.3). Paulo diz que os cristãos da Macedônia: “no meio de muita prova de tribulação,manifestaram abundância de alegria” (II Co 8.2). Isto se deu quando os macedônios desejaram contribuir na assistência aos santos de Jerusalém (II Co 8.3-5).

 

III - A INVEJA

 

·         Definição

 

Segundo o Dicionario bíblico Wycliffe “a palavra grega phthonos, que designa inveja” é utilizada em todo o Novo Testamento. A inveja é uma dor intensa (interior), diante do sucesso do próximo. Dor diante daquilo que é bom para o outro, por isso Provérbios 14.30 diz “a inveja é a podridão dos ossos”. O invejoso se amargura e adoece emocionalmente pelo fato de ele não ter o que a outra pessoas tem. A inveja faz com que as pessoas se utilizem de atitudes mesquinhas e malévolas para prejudicar o outro. Definitivamente, a inveja é um sentimento negativo que pertence à natureza adâmica. Esse sentimento perverso tem sua origem em Satanás, pois ele tentou ser semelhante a Deus (Is 14.12-20).Segundo Champlin (2004, p. 355), a palavra portuguesa “inveja” vem do latim, “invidere”, que significa “em”(contra) e “olhar para”, ou seja, olhar para alguém com maus olhos, de modo contrário, com base no ódio sentido contra esse alguém. O Dicionário Vine a define como sendo: "um princípio ativo de hostilidade dirigido maliciosamente a outra pessoa". Inveja é um misto de ódio, desgosto e pesar pelo bem e felicidade de outrem; é o desejo violento de possuir obem do próximo. No hebraico a palavra “qinah” significa “inveja”. Essa expressão é aplicada por quarenta e duas vezes no AT (Jó 5.2; Pv 14.30; Ec 4.4; Is 11.13; Ez 35.11). No grego é a palavra “phithónos”. Esse vocábulo ocorre por nove vezes(Mt 27.18; Mc 15.10; Rm 1.29; Gl 5.21; Fl 1.15; 1Tm 6.4; Tt 3.3; Tg 4.5; 1 Pe 2.1).

 

IV - OS EFEITOS DA INVEJA

 

Nos Dez Mandamentos, a Bíblia usa o termo "cobiçar", que é um sinônimo para "invejar" (Êx 20.17). Deus elencou a inveja como um dos pecados mais graves por saber do seu efeito destrutivo (Dt 5.21). A inveja está entre as obras da carne que atingem o nosso próximo (Gl 5.22). Segundo Champlin, (2004, p. 355) "a inveja é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana, causada pela queda no pecado. Os invejosos chegam a fazer campanhas de perseguição contra suas vítimas, as quais, na maioria das vezes,

 

não têm qualquer culpa por haverem despertado tal sentimento nos invejosos. Geralmente os mal-sucedidos têm inveja dos bem-sucedidos. Essa é uma tentativa distorcida para compensar pelo fracasso, glorificando ao próprio "eu" e procurando enxovalhar a pessoa invejada". Analisemos alguns efeitos destruidores deste maligno sentimento:

 

A inveja pode adoecer.

 

A respeito da inveja, o escritor de Provérbios nos faz diversas exortações (Pv 3.31; 24.1,19;27.4). A mais severa dela nos diz que: "a inveja é podridão para os ossos" (Pv 14.30). Dentre as muitas atribuições dos ossos, uma delas é a de sustentação do corpo. Quando o proverbista afirma que a inveja é a "podridão dos ossos" significa que ela é uma espécie de câncer que começa sutilmente destruindo o homem por dentro. Segundo Aurélio (2004, p. 165), o verbo "apodrecer" quer dizer: "putrefazer", palavra geralmente usada para descrever um corpo morto em estado de decomposição. Portanto, a inveja é um sentimento nocivo que faz mal principalmente aquele que o abriga em seu coração.

 

A inveja pode matar.

 

Caim, foi a primeira pessoa descrita na Bíblia que foi atingida pela inveja e por suas consequências. O homicídio cometido por ele nasceu deste sentimento que nutria por seu irmão Abel (Gn 3.4,5). Saul quando viu que Davi era melhor guerreiro que ele, intentou algumas vezes matá-lo (I Sm 18.7-11). Os irmãos de José, por muito pouco, não o executaram (Gn 37.11,18).

Ainda assim o venderam para o Egito e lá ele poderia ter morrido (Gn37.28,28; 39.19-20). Jesus também foi vítima da inveja dos grupos religiosos de sua época, que não satisfeitos com a graça que Jesus tinha das multidões, eles procuraram matá-lo (Mt 27.18; Mc 15.10).

 

A inveja pode impedir o homem de entrar no céu.

 

Dentre os muitos males que a inveja pode causar, o pior deles é ode banir o homem para sempre da presença de Deus. Na lista de vícios elencados por Paulo em Gálatas 5.22, a inveja está entre aqueles que o apóstolo diz: "os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus" (Gl 5.21).Evidentemente que Paulo está falando para aqueles que vivem na prática deste pecado e não estão dispostos a arrepender-se e abandoná-lo.

 

V – RESULTADOS DA ALEGRIA

 

Um rosto radiante. O proverbista nos diz que: “o coração alegre aformoseia o rosto [...]” (Pv 15.13). Isto significa dizer que os sentimentos interiores da pessoa são expressos no rosto ou pelas atitudes. O cristão cheio de alegria do Senhor exibirá e comunicará essa alegria na aparência exterior. Beacon (2006, p. 75) diz que “o cristão basicamente infeliz é uma contradição. O Reino de Deus é caracterizado por alegria, junto com justiça e paz” (Rm 14.17).

 

Um cântico de louvor.

 

Quando o Espírito Santo produz no crente a virtude da alegria, seu coração se enche de gratidão e sua boca de intenso louvor (Sl 45.1; Ef 5.19; Cl 3.16; Tg 5.13). Zacarias louvou a Deus pelo cumprimento da promessa de Deus em sua vida (Lc 1.64-79); Maria alegrou-se pelo fato de ter sido escolhida para ser a mãe do Salvador e agradeceu com cântico (Lc 2.46-55); Simeão e Ana louvaram a Deus pela vinda do Messias (Lc 2.29-32).

 

A força divina.

 

As tribulações da vida tendem a nos trazer desânimo e tristeza (Jo 16.33), no entanto, a alegria como fruto do Espírito traz ânimo e renova as forças do crente (Ne 8.10). Quando Jesus anunciou aos seus discípulos que iriadexá-los a reação foi de imensa tristeza (Jo 16.16-20). No entanto, Ele prometeu que o Pai enviaria outro Consolador e não o deixaria órfãos (Jo 14.16). A palavra "Consolador" ("parácleto", no grego) significa alguém chamado para ficar ao lado de outrem, com o propósito de ajudá-lo em qualquer eventualidade. Ele nos assiste nas nossas fraquezas (Rm 8.26).

 

Conclusão

 

Precisamos conservar em nós a alegria constante gerada pelo fruto do Espírito e que a inveja que é obra da carne não tenha parte em nossas vidas e somente com a alegria poderemos vencer todos os obstáculos que se levantam contra nós.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.

HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico. CPAD.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

VINE, W.E. Dicionário Vine. CPAD.

COMENTÁRIO BÍBLICO PENTECOSTAL. CPAD.

PORTAL ESCOLA DOMINICAL - http://portalescoladominical.org.br/

Igreja E Assembleia de Deus em Pernambuco - Superintendência das EBD

 

11 de janeiro de 2017

O Perigo das Obras da Carne


O Perigo das Obras da Carne

 

Texto Áureo = "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26.41)

 

Verdade Prática = Oremos e vigiemos para que não sejamos surpreendidos pelas obras da carne.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = Lucas 6.39 – 49

 

INTRODUÇÃO

 

Vivemos numa época em que os valores estão sendo descartados dia-a-dia. A sociedade tem andado num ritmo acelerado de inversão de valores a ponto de não nos espantarmos mais com a infinidade de absurdos que nos são comunicados.

 

O mundo tenta impor, através de uma diversos meios, que Deus, a família, a igreja, o bom caráter e a moral não são relevantes ou necessários. Nesta sociedade relativista, o valor absoluto das coisas se perdeu, e cada qual cria seu próprio mundo, sua própria cosmovisão. Desta forma, os valores que o cristianismo apregoa são considerados por muitos como falidos e ultrapassados.

 

Valores estranhos que outrora não faziam parte da realidade da igreja passam a ser tolerados. A igreja que antes era caracterizada por andar na contramão dos valores materialistas tem se deixado levar por modismos e novidades que passam a moldar seu “novo” jeito de ser. Neste ritmo, já não podemos brilhar como luz do mundo e nem temperar como sal da terra. Neste ritmo, a moral e o bom caráter não têm um valor tão intenso como deveria ter. Não importa se a igreja faz a diferença no meio em que está inserida, em sua comunidade, mas o que importa é ser numérica, mesmo que não tenha qualidade.

 

O objetivo com este estudo é definir e apresentar uma proposta para trazer para a aplicação pessoal a essência do caráter cristão, entendendo como ele é formado, quais são seus valores, suas virtudes. Veremos como isso faz toda diferença.

 

I - A VIDA CONDUZIDA PELA CONCUPISCÊNCIA DA CARNE

 

1. A concupiscência da carne.

Concupiscência significa um forte desejo, um forte anseio de fazer algo que desagrada a Deus ou de ter coisas de uma forma que desagrada a Deus. Algumas traduções bíblicas a traduzem como “desejo” ou como “cobiça”.

Em um sentido amplo, qualquer desejo, ou cobiça, ou anseio por fazer ou ter coisas que são pecado e desagradam a Deus, se enquadram no significado dessa palavra.

Por exemplo, quando em 1 João 2. 16 fala sobre a “concupiscência da carne” está falando sobre o desejo pecaminoso da carne em todas as suas facetas. Quando fala sobre “concupiscência dos olhos” também fala sobre o desejo pecaminoso de olhos que buscam aquilo que desagrada a Deus.

Assim, vemos que concupiscência não se aplica apenas a área sexual como alguns pensam, mas a todas as áreas onde o desejo humano de alguma forma desagrada a Deus, ofendendo-o através da prática continuada do pecado. O texto de Paulo aos Romanos exemplifica bem essa questão: “Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência; porque, sem lei, está morto o pecado.” (Rm 7. 8). Por fim, a vitória sobre a concupiscência só pode ser conseguida através do “andar no Espírito”, ou seja, na busca em fazer a vontade de Deus negando a nós mesmos com todos os nossos desejos que são errados.

2. A VIDA GUIADA PELA CONCUPSCÊNCIA DA CARNE

 

a. Significado: viver de acordo com os impulsos, viver para satisfazer a si mesmo, atender suas vontades próprias; luxúria; hedonismo — estado de rebelião e autonomia.

 

b. Servir a si mesmo: ‘cujo deus é o ventre”; “servir ao ventre” – figura empregada para descrever o andar por seu próprio governo (rejeita o governo de Deus) e para satisfazer seus próprios desejos (rejeita a natureza humana físico/espiritual).

 

 I. “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Fp 3.19; compare com 2Tm 4.10).

 

 II. “Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples” (Rm 16.18).

 

c. Tríade do pecado: (1) a carne como pecaminosidade é inclinada para o (2) mundo e subordinada ao (3) diabo, conforme Efésios 2.2.

 

I.Carne: incredulidade, ansiedade (Mt 6.25,28,31; Lc 12.29); religiosidade (Mc 7.5); trevas (Jo 8.12; 1Jo 1.6); soberba, orgulho (1Co 4.19); astúcia (2Co 4.2), vaidade da mente (Ef 4,17), tolice, necedade (Ef 5.15), desordenado (1Ts 3.6,11), queixosos, murmuradores, concupiscências (Jd 1.16,18)

 

II. Mundo: ou século, era (Tt 2.12); o sistema organizado contrário a Deus; não se refere ao planeta (Hb 11.3) nem as pessoas (Jo 3.16); o sistema que rege os homens (1Co 3.3), o curso do mundo (Ef 2.2), a vontade dos gentios (1Pe 4.3), a carne (2Pe 2.10; 3.3; 1Jo 2.11).

 

 III. Diabo: ou maligno que opera nos filhos da desobediência; “o mundo jaz no maligno” (1Jo 5.19); “Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo” (Jo 12.31; 14.30; 16.11); deus deste século (2Co 4.4); príncipe das potestades do ar (Ef 2.2); príncipe das trevas deste século (Ef 6.12); império da morte (Hb 2.14).

 

d.Tríade da carne: (1) prazer imediato (“concupiscências da carne”), (2) possuir  (“concupiscência dos olhos”) e (3) superestimar a si mesmo (“soberba da vida”), conforme 1 João 2.16. 

 

I.Concupiscência da carne: atender os desejos, apetites e impulsos imediatos, independente das conseqüências; o coração engana e seduz mas não controla as conseqüências dos atos humanos carnais;

 

1. “revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências” (Rm 13.14);

 

2. “Andai no Espírito e jamais satisfareis a concupiscência da carne” (Gl 5.16,24).

 

3. “Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros” (Tt 3.3).

 

4. Outras citações: 1Pe 1.14; 2.11; 4.2,3; 2Pe 1.4; 2.10,18; 3.3; Jd 1.16,18).

 

II. Concupiscência dos olhos: ambição, desejo de possuir; atração pelas belezas do mundo — do original kosmos (grego), ou ordem, ornamento (cosmético);

 

1. “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé...” (1Tm 6.10).

 

2. “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2 Co 4.18).

 

3. “(Porque andamos por fé, e não por vista)” (2 Co 5.7).

 

III. Soberba da vida: soberba, do grego superbios, ou superephanos ou superestimar a si mesmo; altivez; o contrário da humildade; Deus resiste o soberbo mas concede graça aos humildes (Tg 4.6; 1 Pe 5.5).

 

1. “... digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12.3).

 

2. “Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (Gl 6.3).

 

3. Outras citações: 2Co 10.5; 1 Tm 6.17.

 

e. carne X pecado: o pecado (carne) contaminou o homem inteiro; é o homem todo — não sua carne/corpo apenas — que, sob domínio do pecado, peca com atos (corpo), palavras (língua) e pensamentos (mente) — tudo que é e faz.  

 

f. carne X morte: a lei de Deus revela o pecado e o pecado gera a morte; como todos os homens pecaram e todos os homens têm conhecimento moral de certo e errado, todos estão sob o domínio do pecado e da morte, pois “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).  

 

II – A DEGRADAÇÃO DO CARÁTER CRISTÃO

 

O CARÁTER

 

Segundo o Dicionário Aurélio, caráter é definido por: “qualidade inerente a uma pessoa, animal ou coisa; o que os distingue de outra pessoa, animal ou coisa; o conjunto dos traços particulares, o modo de ser de um indivíduo, ou de um grupo; índole, natureza, temperamento”.

 

O significado literal do termo grego charaktēr é “estampa”, “impressão”, “gravação”, “sinal”, “marca” ou “reprodução exata”.

 

Caráter é algo que vai sendo formado e impresso com o tempo em nosso interior, uma verdadeira marca. O caráter de cada qual não é formado do dia para noite. É um processo gradual que está relacionado a um amplo conjunto de fatores que influenciam na formação de cada um.

 

Meios como TV, internet, família, religião, infância, desprazeres, decepções, alegrias, enfim, uma gama variada de fatores influencia na formação do caráter de cada indivíduo. Desde o berço.

O caráter cristão – formação, influências e virtudes

 

Assim como o caráter de cada indivíduo é formado desde o berço, nosso caráter cristão também passa a ser moldado desde o primeiro passo de nossa caminhada com Cristo (Jo 1.12; 3.3). Os valores do Reino de Deus passam a ser impressos em nós, para que verdadeiramente possamos ser seguidores de Jesus Cristo genuinamente.

 

Deus usa de muitos meios e formas para que o caráter de seus filhos seja formado, mas sem dúvida alguma, o principal fator de influência é o agir da Palavra dEle na vida de cada um, bem como o consolo e direção que o Espírito Santo dá aos Seus (Ef 1.13). Afinal, o que pode ser considerado como um caráter cristão? Podemos relacionar alguns pontos, que evidentemente, não serão os únicos:

 

1) Não se trata apenas de bons valores morais.  Apesar do cristianismo carregar implicitamente um forte viés moral – pois a Bíblia nos dá parâmetros morais – o caráter cristão não está repousando apenas sobre o fato de ser “bom”. A boa moral está contida, mas de modo algum é o todo. Cada um de nós pode dar exemplos de pessoas que confessam ser cristãs, mas que não são bons exemplos de conduta digna, bem como pessoas não-cristãs que são cidadãos de bem.

 

2) O cristão genuinamente bíblico admite suas falhas. Cada um de nós, sem exceção, é um pecador (Rm 3.23). Todos temos o pecado dentro de nós, e isso produz limitações e consequentemente falhas. A virtude do cristão de caráter é ser transparente, é ter dignidade suficiente para admitir que é limitado e que depende completamente da misericórdia e graça do Senhor.

 

3) O caráter moldado cria controle. Quando nosso caráter entra em fase de maturidade, conseguiremos controlar situações que de algum modo podem manchar a marca de Jesus em nós, afetando nosso testemunho cristão. Neste ponto de plenitude, não haverá espaço para amargura, ira, discórdia, egoísmo, arrogância, discussões, facções. Apesar de – eventualmente – tais coisas ocorrerem, precisam ser enfrentadas e enfraquecidas. Nosso ser por completo, mente, atitude, palavras, precisa ser um meio de culto e adoração permanente (Mc 12.30; Gl 5.22).

 

O modelo supremo de caráter – fonte de inspiração

 

Nosso modelo supremo de formação de caráter é nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Ele deve ser nosso alvo, razão, adoração, modelo, tudo! Afirmar que somos cristãos é carregar nos ombros a responsabilidade de sermos seguidores e praticantes dos ensinos do Mestre.

 

Ter um modelo é fundamental na formação do caráter, e para formação do caráter cristão, o modelo do Senhor nos leva a amá-Lo, admirá-Lo, imitá-Lo, segui-Lo. Ele nos faz, dia-a-dia ver que podemos aplicar, viver e frutificar em tudo que vimos acima.

 

Que possamos afirmar, assim como Paulo que somos imitadores de Jesus (1Co 11.1). Para tal, devemos:

 

 Conhecer o Filho de Deus | Buscar estar em pura intimidade com o mestre e o auxílio do Consolador (Ef 4.13; Jo 15.5; 26-27; 1Jo 1.1-3). O testemunho da Palavra e do Espírito Santo nos levam a conhecer e ter intimidade com Ele.

 

Submeter-se ao senhorio de Jesus. Rm 10.8-9 – estar submetido completamente ao governo e autoridade de Cristo sobre nós. Não basta reconhecer e ter Jesus como Salvador, mas sim estar submisso a Seu senhorio.

 

Obediência irrestrita. A época em que vivemos tem ressaltado cada vez mais que o ser humano vive em rebeldia contra Deus e Sua Palavra. Jesus nos mostrou que a obediência ao Pai deve ser praticada (Fp 2.8).

 

 Negar a si mesmo. Matar nossa carne e viver para ele; o negar a si mesmo é um verdadeiro atestado de compromisso com o Reino. Jesus serviu e não foi servido. Adoramos ao Senhor de modo especial quando estamos negando ao nosso ego e mortificando nossa vontade, deixando que Ele viva em nós (Gl 2.20).

 

Que possamos caminhar moldando nosso caráter de glória em glória (2Co 3.18) e que isso seja como aroma suave subindo à presença de Deus. Um verdadeiro meio de adoração!

 

ATAQUES AO SEU ( NOSSO ) CARÁTER

 

Depois de você tomar uma posição contra os ataques do inimigo, aqui estão cinco atitudes que você deve tomar:

1) Não se esqueça de quem você é. Você não mudou apenas de religião quando aceitou a Cristo como seu Senhor e Salvador. Você mudou de lado (espiritualmente falando). Você estava nas trevas e agora está na luz. Você estava do lado do perdedor e agora está do lado de Jesus Cristo, que te faz vencedor em todas as coisas!

2) Não ignore seu tempo e lugar de oração. Essas duas coisas são vitais para uma vida abençoada: um tempo de oração e um lugar para você orar.

3) Não abandone o lugar onde você recarrega suas energias: Sua igreja.

4) Não saia de perto dos seus amigos espirituais. É sempre bom estar perto de pessoas que viveram mais, fizeram mais do que você e podem te dar conselhos sábios.

5) Não saia debaixo da proteção pastoral. Geralmente, quando as pessoas querem se desviar dos caminhos de Deus, elas fogem dos líderes espirituais com medo deles apontarem o dedo. Mas isso é um grande engano, pois os líderes são pessoas escolhidas por Deus para cuidar de sua vida e não para te jogar pedras. Se você fez isso, não espere até que o inimigo o machuque ainda mais para você procurar o auxílio daqueles que tem um papel pastoral em sua vida.

Se você estiver sendo atacado espiritualmente pelo inimigo, lembre-se que Deus te deu o livre arbítrio. Então, se você decidir buscá-Lo, não há poder neste mundo que possa te derrotar. Deus é o maior interessado em sua vida e você deve seguir as dicas acima para estar preparado para vencer!

Ill - UMA VIDA QUE NÃO AGRADA A DEUS

 

1. Viver segundo a carne.

 

Você já parou para pensar que a nossa natureza carnal acaba atrapalhando a nossa força interior e com isso deixando a nossa fé cada vez mais inativa? Não. Você não pensou por esse lado. Mas em Romanos 8:13, o apóstolo Paulo afirma: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.”

 

Resumindo, Tudo depende de nossas reações. Não importa quem te quer bem ou mal. Importa sim como você reage a isso. Quando agimos contra Deus, nos damos mal, erramos. Mas quando agimos de acordo com Deus, mesmo em momentos de injustiça, tudo no fim sempre dá certo.

 

Você às vezes com reações erradas pode adiar os planos de Deus para a sua vida. Tudo que é de Deus exige e vem com muito sacrifício. Se vivermos somente satisfazendo as nossas vontades, sem sombra de dúvidas estaremos caminhando a passos largos para o inferno. Mas se satisfazermos as vontades do Espírito Santo, fazendo morrer desejos como ódio, vingança, raiva, medo, certamente teremos a salvação.

 

O Espírito Santo nos ajuda, auxilia e nos dá poder. Com essa proteção, os espíritos malignos só irão se manifestar se você deixar, já que o Espírito Santo bloqueia tudo isso. Basta você ter domínio e controle sobre suas ações.

Muitas pessoas sempre dizem que “a carne é fraca”. Para matar de vez esses desejos da carne é simples. Basta evitar atitudes que contrariem a vontade de Deus. A carne, querendo ou não, é estimulada por espíritos imundos. Nós ás vezes acabamos cedendo a esses desejos da carne. Por isso temos que ter cuidado com o nosso coração. Ele é enganoso. Não dê ouvidos nunca a ele. 

 

Ao invés de darmos ouvidos aos desejos carnais, você já parou para pensar quantas almas você já resgatou do caminho das trevas? Por mais que seja difícil algumas pessoas perceberem que o caminho da salvação e juntamente com Deus, você nunca pode desistir de tirar essa pessoa das trevas, já que Deus nunca desiste de ninguém. Por que justamente você vai desistir dessa alma que precisa de ajuda? Por causa desse tipo de pensamento, problemas podem estar dominando a sua vida. A falta desse olhar sem compaixão e misericórdia, faz você viver em pecado. Pense: O Espírito Santo está falando agora com você a esse respeito.

 

VIVENDO COMO ESPINHEIRO.

 

“Foram, ceta vez as árvores ungir para si um rei e disseram á… videira: Vem tu e reina sobre nós. Porém a videira lhes respodeu: Deixaria eu o meu vinho [novo], que agrada a Deus e aos homens, e iria pairar sobre as árvores? Então, todas as árvores disseram ao espinheiro: Se, deveras, me ungis rei sobre vós, vinde e refugiai-vos debaixo de minha sombra; mas, se não, saia do espinheiro fogo que consuma os cedros do Líbano” (Juízes 9:8a, 12-15a).

 

 Que tipo de pessoa somos em nossa casa? Como nossa família nos considera? Uma videira ou um espinheiro? A quem temos procurado agradar? A nós mesmos ou a Deus e ao próximo?

 

Na Bíblia, a videira representa Cristo, que sacrificou tudo de si mesmo para produzir algo para alegrar a Deus e os homens – o vinho novo. O vinho novo é produzido por meio do esmagar das uvas. Isso significa que Cristo, para se tornar nossa alegria (vinho) e a de Deus, foi esmagado em nosso favor: Ele foi moído por nossa causa e por suas pisaduras fomos sarados (Isaías 53:5) !

 

Algumas vezes, em nosso casamento, somos colocados em uma situação em que devemos sacrificar a nós mesmos para fazer o Senhor e outras pessoas felizes. Quando, nessa situação, oramos e contatamos o Senhor, aí, então, O experimentamos como aquele que alegra a Deus e alegra outros. Se em nosso relacionamento conjugal não tivermos a experiência de viver pela nova vida, a vida de Deus, seremos como um espinheiro, que mesmo querendo dar “sombra” aos outros, apenas os fere com seus espinhos.

 

Não é muito difícil perceber se somos um espinheiro ou uma videira. Se somos como aqueles que apenas murmuram e reclamam de tudo, somos um “espinheiro”. Há maridos e esposas que nunca estão satisfeitos: a água do banho não é quente o suficiente; a comida está fria demais; o dinheiro nunca dá; os móveis estão velhos….Durante todo o dia só resmungam: “Por que isto? Por que aquilo?” Assim tais pessoas nunca estão alegres e os que estão próximos a elas muito menos. Por que são assim? È porque elas ainda vivem pela velha natureza “espinhenta” e não aprenderam a lição de ser a “videira “, que se sacrifica para dar “vinho” aos outros.

 

As pessoas mais felizes são aquelas que são menos egoístas. E as pessoas mais egoístas são as mais miseráveis. No apólogo de Jotão, descrito acima, apenas o espinheiro aceitou a proposta de ser o rei sobre as árvores, porque ele era o único que só pensava em si mesmo. Ele não tinha nada para suprir, alimentar ou alegrar outros, mas ainda assim gostou da idéia de reinar sobre as demais árvores. Tudo o que o espinheiro tem são espinhos pra ferir. Assim são os maridos ou esposas que só pensam em si mesmo e não querem nunca sacrificar algo de si mesmo em favor do cônjuge. Suas palavras e atitudes só “espinham” os que se aproximam e depois não entendem porque ninguém quer estar “debaixo de sua sombra”. Como resultado, suas palavras não apenas ferem mas consomem como fogo.

 

Oh, que nossos olhos sejam abertos para ver e buscar Cristo e aplicá-Lo em nossa experiência! Não temos nenhuma energia para sacrificar-nos pelos outros; porém, se tivermos a experiência de invocar o nome do Senhor Jesus e em oração O contatamos, Ele nos fortalecerá para nos sacrificarmos pelo cônjuge. Quanto mais desfrutarmos de Cristo como aquele que se sacrifica, mais “bêbados de alegria” seremos.

 

Seremos as pessoas mais felizes, pois seremos como a videira, que produz o vinho para alegrar a Deus e aos homens. Nada irá nos subornar ou desviar de produzir esse “vinho”. Dessa maneira, todos que nos contatarem, principalmente os mais próximos, estarão alegres por nós e conosco! Seremos como uma videira, que sempre produz algo novo para a alegria de Deus e de nosso próximo.

 

“Senhor Jesus, obrigado por seres a videira verdadeira. Obrigado, Senhor, por teres sacrificado a Ti mesmo por nossa causa. Senhor Jesus, Tu és minha alegria, mas eu quero tomar-Te também como Aquele que se sacrifica pelos outros. Senhor, enche-me de Teu Espírito e salva-me do egoísmo. Faze-me um Contigo, como um produtor de alegria para o próximo e para Deus”.


UMA VIDA INFRUTÍFERA

 

“Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha; e indo procurar fruto nela, não o achou. Disse então ao viticultor: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a; para que ocupa ela ainda a terra inutilmente? Respondeu-lhe ele: Senhor, deixa-a este ano ainda, até que eu cave em derredor, e lhe coloque esterco; e se no futuro der fruto, bem; mas, se não, corta-la-ás” (Lc 13.6-9).

 

Esta parábola começa com algo estranho: “Uma figueira no meio da vinha”. Vinha é uma plantação de videiras. Por que haveria ali uma figueira? Por uma concessão e propósito do proprietário. Neste texto, como em outras passagens bíblicas, o ser humano é comparado a uma árvore.

 

O dono da vinha é Deus, o Pai. Se estamos no meio da vinha do Senhor, é apenas por sua graça e amor. Não temos a natureza e a qualidade correspondentes à santidade divina, mas vivemos pela misericórdia. Nunca deveríamos fazer exigências diante de Deus com base em direitos ou méritos. Reconheçamos a graça e sejamos gratos.

 

Todo cultivo representa investimento e tem um propósito. Nesse caso, o objetivo era a frutificação. O Senhor tem expectativas ao nosso respeito. Ele fez grande investimento em nossas vidas e o maior deles foi o sangue precioso derramado no Calvário. Além disso, ele nos deu o seu Santo Espírito e dons e ministérios.

 

Os frutos são resultados esperados. O problema é que a expectativa de Deus é, geralmente, diferente da nossa, assim como pais e filhos têm, quase sempre, diferentes desejos e planos. Os pais se preocupam com a saúde, o caráter, a formação educacional e profissional do filho, mas ele, sendo uma criança, talvez queira apenas um brinquedo novo. O que temos desejado, planejado e realizado? Quais têm sido nossas prioridades?

 

O texto fala sobre um tempo de avaliação. Quando chegamos ao final de cada ano, fazemos avaliações. Aqueles a quem Jesus se dirigia tinham a tendência de avaliar os outros (Lc 13.1-5), mas precisamos fazer o auto-exame (1Co 11.28).

Quando o fazemos, é possível que nos gloriemos de muitos resultados que talvez não sejam os que Deus deseja.

 

Uma figueira pode ser alta, forte, bonita, com folhagem exuberante e até flores, mas, se não tiver fruto, não estará cumprindo sua missão. Todas essas características são boas, porém insuficientes. O bom não substitui o melhor.

Afinal de contas, para quê servimos nós? Para produzirmos sombra? Somos enfeites? Nossa madeira terá alguma utilidade? Nossas folhas servirão como vestimentas? (Gn 3.7). O que o Senhor procura em nós é o fruto. Muitos objetos podem produzir sombra, mas a figueira existe para produzir figos.

 

Podemos ter alcançado tantas coisas nesta vida: dinheiro, bens, posições, cargos, títulos e, ainda assim, não termos produzido fruto.

 

Quando Jesus voltar, muitos apresentarão um relatório diante dele, dizendo: Senhor, em teu nome nós profetizamos, expulsamos demônios, fizemos sinais e maravilhas. Então, ele lhes dirá: Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade (Mt 7.22-23).

 

Desta passagem bíblica, entendemos que o exercício dos dons espirituais não é fruto diante de Deus. Tanto é assim que, nos escritos de Paulo, os dons (1Co 12) estão separados do fruto do Espírito (Gl 5.22). Podemos trabalhar muito e não produzir o que Deus espera de nós, assim como Marta trabalhava, mas não agradava ao Mestre (Lc 10.40).

 

O que seria então o fruto? O antônimo da iniquidade. Não é apenas evitar o pecado, mas fazer algo positivo em seu lugar. “Cessai de fazer o mal e aprendei a fazer o bem…” (Is 1.16-17). O fruto do Espírito é o contrário das obras da carne (Gl 5.16-22). Podemos resumi-lo em duas palavras: santificação e amor. A santificação combate o pecado. O amor não nos deixa inativos, mas nos faz produzir o bem.

 

Outra forma de definir o fruto é “aquilo que fazemos de bom por outras pessoas”. O que eu fizer por mim mesmo não vale como fruto. Como disse Lutero, “nenhuma árvore produz fruto para si mesma”. Podemos comer e beber do melhor todos os dias, mas nada disso supera o valor de um copo d’água dado ao sedento (Mt 10.42).

 

Naquela parábola, o dono da vinha veio procurar o fruto e, não o achando, ficou decepcionado. A figueira é um símbolo de Israel e representava diretamente aqueles judeus aos quais Jesus contou a parábola. Em última instância, ela nos representa também, pois Deus tem a mesma expectativa a nosso respeito.

 

Não tendo achado o fruto almejado, o Senhor mandou cortar a figueira. Temos neste ponto a manifestação da justiça divina. Em seguida, ocorre a intercessão. O viticultor parece representar o Senhor Jesus, que é nosso advogado diante do Pai (1Jo 2.1). Personificando o amor divino, ele clama: “Senhor, deixa-a mais este ano”. Então, a execução judicial foi adiada.

 

Cada dia das nossas vidas é uma nova oportunidade. Se estamos ainda nesta terra, é porque não fomos cortados. Ainda podemos frutificar.

 

O viticultor se prontificou a cuidar da figueira, cavando em volta e adubando. O Senhor ainda se propõe a investir mais em nós. O processo pode ser difícil. Cavar em volta pode ser um procedimento incômodo, que vêm romper a dureza do solo, expor o que está oculto, retirar as pedras e nos fazer mais receptivos à água que representa a Palavra de Deus. O adubo pode não ser agradável, não cheira bem, mas é necessário. Precisamos aprender também com as coisas ruins que nos sobrevêm.

 

Que Deus nos ajude a reconhecer tais processos em nossas vidas, de tal maneira que não venhamos a rejeitar a divina intervenção.

 

A figueira ganhou tempo, mas uma nova avaliação já está marcada. O juízo final se aproxima. Precisamos frutificar enquanto Deus nos permite.

 

Jesus disse àqueles homens: “Se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lc 13.5). O arrependimento é o primeiro fruto que o Senhor procura. Este foi o tema da pregação de João Batista e também do Senhor Jesus ao iniciar o seu ministério. Arrependimento é conscientização, desejo, decisão e mudança. Que Deus nos ajude para que possamos produzir os frutos que ele procura em nós.

 

CONCLUSÃO

 

Não importa o que você que tenha vivenciado até agora. Deixe que, a partir desse momento, o Espírito Santo de Deus conduza a sua vida e guie seus caminhos. Permita ser acolhido, abraçado, carregado e conduzido por Deus para uma nova vida. Só o Espírito Santo é capaz de restaurar o seu viver!

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I - Em Dourados – MS

 

BIBLIOGRAFIA