22 de julho de 2014

GERADOS PELA PALAVRA DA VERDADE



GERADOS PELA PALAVRA DA VERDADE

TEXO ÁUREO = “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre”. I Pedro 1: 23

VERDADE PRÁTICA = Somente aqueles que foram gerados pela Palavra da Verdade são guiados pelo Espírito Santo.

LEITURA BÍBLICA = Tiago 1:9-11,16-18

INTRODUÇÃO

A passagem de Tiago 1.9-16 nos conduz a um manancial de riquezas quanto à compreensão da posição do homem em relação ao seu semelhante bem como em relação ao próprio Deus. O texto coloca o pobre e o rico como absolutamente responsáveis e iguais diante de Deus, ao mesmo tempo em que reconhece a soberania divina e ainda a eqüidistância de Deus dos problemas e circunstâncias da vida cotidiana do homem. Procuremos, então, saber o que o Espírito Santo quer ensinar- nos através destes oito versículos da Epístola de Tiago.

POBRES E RICOS - COMO DEUS OS VÊEM

A pobreza e a riqueza, independentemente de suas origens, são fatos comuns à realidade da existência humana, Evidentemente nunca foi propósito de Deus que uns poucos retivessem consigo tanta fortuna, enquanto que a maioria das pessoas vive uma vida que abeira a extrema miséria. Então, de acordo com o ensino de Tiago, como Deus vê pobres e ricos? Tentaremos responder a esta questão analisando-a no contexto da Igreja.

1. O cristão pobre (v.9). O crente que vive com o mínimo necessário, e até mesmo aquele que vive sem condições de satisfazer as suas necessidades básicas mínimas, é instado pelo apóstolo: “Mas glorie-se o irmão abatido (pobre) na sua exaltação”.
Isto é: o cristão pobre deve fazer da sua posição em Cristo, uma fonte de gozo.

Uma vez que Deus não olha para o homem distinguindo-o por classe social qualquer, mas estabelece o seu valor intrínseco através da obra redentora efetuada por Jesus Cristo no Calvário, fica evidenciado que é pela sua identidade com Cristo que o cristão pobre se exalta, e nisto deve gloriar-se.



2. O cristão rico (v.10). Desde o princípio da Igreja tem havido entre seus membros aqueles que detêm maior riqueza material. Considerando a possibilidade dos mais ricos abandonarem a simplicidade do Evangelho, escrevendo a Timóteo recomenda o apóstolo Paulo: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos” (I Tm 6.17).

A este, manda o Espírito Santo através do apóstolo Tiago, que ele se glorie em seu abatimento (insignificância), porque o rico bem como a sua riqueza “passará como a flor da erva” (Tg 1.10).

3. A transitoriedade do rico e das riquezas (v.11). Parece que ao pobre ninguém precisa lembrar a sua necessidade de depender única e exclusivamente de Deus.  Nada tendo aqui, ele vive o antegozo de possuir um tesouro no Céu (Mt 6.19,20).

O rico, porém, precisa ser lembrado de que o vigor da vida perece, as rugas chegam com os anos, e de que, enfim, as riquezas terrenas de nada valem. Enquanto o vigor da vida não se esvai e a velhice não chega, aos irmãos abastados por dinheiro e outros bens, recomenda o Espírito Santo:  “Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna” (I Tm 6.18,19).

DEUS SÓ FAZ O BEM

O versículo 16 é com freqüência tratado como uma transição do pensamento dos versículos 13-14 para os versículos 17-18. A mudança é brusca: Não erreis. Não vagueiam tanto no seu pensamento a ponto de acreditar que qualquer provação ou tentação, com um propósito mal, vem de Deus. Deus somente dá o que é bom — e Ele é a Fonte de todas as coisas boas. Deus nos fez o tipo de pessoas que somos e quando a criação estava completa Ele viu que tudo “era muito bom” (Cii 131). Moffatt traduz a primeira parte do versículo 17 da seguinte maneira: “Tudo que recebemos é bom e todos os nossos dons são perfeitos”.

16_ Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, 17_descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sobra de variação. Segundo a sua própria vontade, 18_ ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.

“Não vos enganeis” esta ligando duas idéias. Não se enganem, pensando que o pecado vem de Deus (vs. 13), pois dele só vem o bem, tanto que “ele nos gerou pela palavra da verdade” (vs. 18), e a partir do vs. 21 temos a apresentação do que seja a “palavra da verdade”.
 
Nosso ponto de partida, portanto, deve ser o vs. 13. Não nos enganemos, pensando que Deus nos conduz ao mal. Não nos desculpemos dos nossos pecados, colocando a culpa em Deus. Ele não tenta a ninguém. Dele só vem o que é bom e nunca o mal.

“Meus amados irmãos”. Apesar da advertência a ser feita, o tom é carinhoso. Tiago repreende sem ira, mas até com ternura. Uma lição que devemos aprender aqui é a tratar a todos com carinho, sem concordar com o erro.
Não lança duvidas sobre a conversão genuína dos cristãos daqueles dias, (muito menos hoje) embora percebesse que tinham caído em alguns erros doutrinários e práticos.

“Toda boa dádiva e todo som perfeito vêm do alto”. “Alto” é empregado aqui como substituição para “Deus”. Embora várias vezes Tiago use o nome de Deus na sua carta, era prática comum aos hebreus substituírem o nome divino por outra forma de expressão.

Além do termo “Alto” ser um sinônimo de Deus, outra consideração deve ser feita sobre o mesmo. Ele mostra a transcendência de Deus. Ele é o que esta lá em cima, em contraposição aos homens, que estão cá embaixo. Há uma diferença entre Deus e os homens. Em João 8:23, por exemplo, encontramos as seguintes palavras de Jesus: “Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.” Há uma diferença entre Jesus e seus opositores. A diferença moral, portanto, é acentuada pelo termo “Alto”.

Transcendência de Deus: É o Caráter do que está fora do alcance de nossa ação ou até de nosso pensamento.

• Ele é diferente e independente da sua criação (ver Êxodo 24.9-18; Isaías 6.1-3; 40.12-26; 55.8,9).

• Seu ser e sua existência são infinitamente maiores e mais elevados do que a ordem por Ele criada (1Reis 8.27; Isaías 66.1,2; Atos 17.24,25).

• Ele subsiste de modo absolutamente perfeito e puro, muito além daquilo que Ele criou. Ele mesmo é incriado e existe à parte da criação (ver 1Timóteo 6.16).

• A transcendência de Deus não significa, porém, que Ele não possa estar entre o seu povo como seu Deus (Levítico 26.11,12; Ezequiel 37.27; 43.7; 2Corintios 6.16).



“Boa dádiva... dom perfeito”. Os dois termos “dádiva , perfeito” são derivados, significa “dou, concedo, ofereço”. Parece mais uma repetição para enfatizar o argumento, uma forma de expressar, do que propriamente duas realidades distintas. O ensino de Tiago é que Deus dá boas coisas ao seu povo. Tudo o que é bom vem de Deus. Dele não nos vem o mal, a tentação. Vem o bem, que está no vs. 18.

“Descendo do Pai das luzes”. O dom vem dele, descendo, para nós. Uma conclusão lógica, já que ele é lá do alto e nós somos cá de baixo.

A figura de Deus como luz é comum, tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento. No Salmo 27:1 “O Senhor é a minha luz e a minha salvação...”, Em João 1:5 lemos que “Deus é luz”. O Salvador também aplicou a si a significativa figura: João 8:12 “Eu sou a luz do mundo; quem me segue, de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

Mas, Tiago ultrapassa esta metáfora, ele amplia e declara que Deus é “Pai das luzes”. A linguagem é alusiva a Deus como Criador dos luminosos, ensino que fica patente em Gênesis 1:14-18. Ele é Pai das coisas mais elevadas da criação, os astros. Os astros se localizam muito acima dos homens. Mas, quem os criou é maior do que os astros e está acima deles, por ser “o Pai das luzes”.

A Linguagem cosmológica e confirmada pelo final do vs. 17 “em quem não há mudança nem sobra de variação.” O Pai é imutável. Faça-se, porém, uma observação necessária: Não confundamos imutabilidade com imobilidade. Deus não muda seu caráter e sua essência, mas age de maneiras diferentes de como agiu no passado. Ele não esta preso a esquemas. Não há nele sombra de variação. Até os astros mudam.

Naqueles dias viam as luzes no céu brilharem, viam o sol nascer e se pôr, tendo o brilho diminuído durante o dia, viam as fases da lua. As luzes do firmamento mudavam, mas o Pai que os criou não muda nunca. É o mesmo sempre. Sempre é bom, Nunca deixará de ser bom e de dar boas coisas aos seus filhos.

Não é suficiente, porém, dizer que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto”. Qual é a evidência desta declaração? O que tem Tiago para apresentar como prova de sua afirmativa? A resposta está no vs. 18 “Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade...”. É o novo nascimento: “ele nos gerou”.

É oportuno observar que foi “segundo a sua própria vontade” que ele agiu. A salvação é produto do querer de Deus. É a sua vontade e o seu amor para conosco que estão como elementos motivadores da nossa salvação. 

Não encontramos na Bíblia um Deus relutante aos apelos de um homem desesperado por uma salvação que lhe é negada. Desde o Éden encontramos um Deus que procura e um homem que se esconde. Deus quer o nosso bem. Foi o seu querer, a sua vontade, que o levou a salvar-nos.

Pelo seu querer, Deus “nos gerou”. Gerou significa literalmente “dou à luz” cujo sentido é “estou grávida”. A idéia de 1:18 é bastante curiosa. No processo de novo nascimento do cristão, Deus reúne em si tanto as funções masculinas como as femininas: “ele nos deu à luz”. Ele nos fez nascer espiritualmente porque assim o desejou.

Como fomos gerados? Qual o processo pelo qual se deu a gravidez e o parto do cristão? “Ele nos gerou pela palavra da verdade”. A mesma idéia encontramos em I Pedro 1:23, que diz: “tendo nascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece”.

Os termos variam, mas a idéia é a mesma. Em Tiago, temos “palavra da verdade”. Em Pedro temos “semente... incorruptível... palavra de Deus, a qual vive e permanece”. O que é “palavra da verdade” e “palavra de Deus”? É evidente que tanto Tiago, quanto Pedro está revelando aquilo que foi dito pelo Espírito Santo aos homens e que se completou com a vinda de Jesus Cristo, o clímax da revelação. A idéia de Cristo como o ápice da revelação é bem sustentada pelo autor de Hebreus, em 1:1, 2. Este conjunto é chamado por Tiago de “Lei da Liberdade” em Tiago 1:25 “...a lei perfeita, a da liberdade,” e 2:12 “...ser julgados pela lei da liberdade.” e de a “...lei real segundo a escritura” em Tiago 2:8. 

A revelação completa de Deus ao homem traz a indicação de como se tornar livre.

Deus nos fez nascer pela palavra da verdade, “para que fossemos como que primícias das suas criaturas”. “Primícias” significam “primeiros”. Os cristãos nascidos pela palavra, são os primeiros? E isto significa que há outros? Quem são os segundos? São os gentios, aqueles que não têm o Senhor como seu Deus.

As primícias eram o principio da colheita que se oferecia a Deus. Deviam sempre ser o principio, porque este é o fundamento da mordomia. Deus deve ter prioridade. A Deus não se dá o resto nem o que sobeja. Assim sendo, os primeiros frutos eram consagrados a Deus, dados a ele. Em Levítico 27:28, 29 fala exatamente sobre os regulamentos sacerdotais, incluindo as ofertas ao Senhor.

E termina tratando das coisas consagradas ao Senhor. “28_Todavia, nenhuma coisa consagrada ao Senhor por alguém, daquilo que possui, seja homem, ou animal, ou campo da sua possessão, será vendido nem será remida; toda coisa consagrada será santíssima ao Senhor. 29_ Nenhuma pessoa que dentre os homens for devotada será resgatada; certamente será morta.”
O que a Deus fosse oferecido, seria dele, irremediavelmente dele. O texto do Livro de Deuteronômio 26:1-11 tratam do oferecimento das primícias. Dadas a Deus, passavam a ser dele. “10_E eis que agora te trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor, me deste. Então as porás perante o Senhor teu Deus, e o adorarás; 11_e te alegrarás por todo o bem que o Senhor teu Deus te tem dado a ti e à tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti.”

Cristo nos resgatou do poder do Inimigo e nos deu ao Pai. Somos propriedade divina. Não pertencemos mais ao poder das trevas. Somos de Deus. E não somos um presente dado de forma irrefletida e recebido de má vontade. Foi o querer de Deus que operou o processo de nosso novo nascimento. E foi sua revelação consumada em Jesus Cristo, numa sintonia entre as pessoas da divindade, que nos gerou. Por isso, tudo o que temos de bom, a começar da salvação e da comunhão, vem-nos de Deus. Ele nos ama e nos dá o que é bom.

PRIMICIAS D DEUS ENTRE AS CRIATURAS

Quando o autor menciona nos, a quem ele se refere: aos leitores em geral ou aos cristãos? Os comentaristas têm pontos de vista divergentes. A verdade é significativa em qualquer um dos casos.

Se entendermos nos como que significando homens criados à imagem de Deus, o significado é claro Deus nos fez da maneira que somos — segundo a sua vontade. A razão para nossa liberdade, provas, perplexidades e problemas morais envolvendo escolha é que deveríamos ser semelhantes a Ele — como primícias das suas criaturas. Ele nos criou com liberdade para escolher o mal ou com liberdade para escolher o bem para que fossemos em certo sentido os criadores do nosso próprio espírito, a glória coroada da sua palavra criativa (cf. Hb 11.3).

Podemos, no entanto, com sólidas evidências exegéticas entender nos como que referindo-se à Igreja cristã. Robertson coloca o seguinte título para esse versículo: “O Novo Nascimento”. Deus, que é nosso Pai por meio da criação, é também nosso Pai por meio da redenção. Homens redimidos do pecado são a glória coroada dos propósitos de Deus para a vida humana — “os primeiros espécimes da sua nova criação” (Philips). A palavra da verdade é a verdade do evangelho. Knowling vai mais adiante e afirma: “Não podemos esquecer que o nosso Senhor (Jo 17.17-19) fala da ‘palavra’ que é verdade, por meio da qual os discípulos devem ser santificados”. O propósito final de Deus é conduzir-nos à vitória por meio dos nossos testes para tornar-nos semelhante a Ele em santidade e amor.




CONCLUSÃO

Resumidamente, o ensino do apóstolo Tiago neste texto (1.9-16), consiste do seguinte:

1. O crente materialmente pobre tem uma posição elevada em Cristo. Por tudo que o crente, desprovido de bens materiais, tem em Cristo, há em seu coração motivos, mais que sobejos, para um viver gozoso.

2. O crente materialmente abastado deve evitar a arrogância. O cristão que detém dinheiro, bens e prestígio social, jamais deve esquecer de que Deus o fez apenas mordomo e depositário do que tem. Deve lembrar-se sempre de que assim como é transitória a vida, passageiros são os bens que amealhou ao longo da sua curta e fatigosa existência.

3. Há grande fonte de felicidade em meio às tentações. Provado e aprovado pelo Senhor, no porvir o crente receberá a coroa da vida, por Deus prometida a todos quantos O amam.

4. A fonte de nossas tentações está em nós e não em Deus. As tentações morais que sofremos jamais deverão ser atribuídas a Deus como tropeço às nossas vidas. Deveríamos ter a sensibilidade e sinceridade de Paulo, e, assim como ele, confessarmos: “... vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (Rm 7.23).

Não obstante as dificuldades e complexidades das circunstâncias da vida podem bradar em tom de triunfo: “... graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (I Co 15.57).



Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

Lições bíblicas CPAD 1989
Lições bíblicas CPAD 1999
Comentário Bíblico Beacon

15 de julho de 2014

A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA HUMILDE


A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA HUMILDE – Ev. José Costa Junior

 

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

 

            O assunto desta lição diz respeito da importância da sabedoria humilde dentro dos ensinos da Epístola de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. A epístola de Tiago nos coloca diante da grande realidade de que apenas as pessoas com salvação genuína podem resistir àquilo que os cristãos primitivos enfrentaram: perseguição pelos pagãos, heresias dos falsos mestres e desilusão sobre o comportamento de alguns membros de igreja. Todas estas coisas enfrentamos hoje em dia: perseguição pelos que nos cercam (oposição ao evangelho), falsas doutrinas proliferam e o comportamento de muitos membros de igreja nos trazem desilusão. Tiago, nesta carta pastoral, estabelece a natureza da “verdadeira religião”, se podemos falar assim.

 

Sem dúvida que a “salvação sintética” tem o seu atrativo. Promete prazeres da vida secular sem o temor da punição divina, crença (ou fé) sem qualquer exigência de comportamento moral e ritual sem a exigência de uma vida reta. Tiago nos adverte a respeito dos perigos da falsa religião. Muitos possuíam e possuem hoje em dia perigosos conceitos inadequados de questões como fé, sabedoria, oração e moralidade.

 

Aprendemos inicialmente com Tiago que a verdadeira religião é desenvolvida através de tribulações e provações. A Alegria é a resposta correta em tempos de provação – isto é o que o mundo não pode compreender, mas é prova de autêntica fé em Deus. A prova da fé resulta em perseverança que, quando amadurecida, nos capacita a sermos perfeitos, completos e faltando em nada. Para tal vida a sabedoria vem do alto, de Deus, e está disponível àqueles que pedem por ela sem duvidar. Outro aspecto é que a riqueza material pode ser um teste para a fé, não uma prova da fé. Ter em abundância não é necessariamente prova de grande fé – pode ser o oposto, isto é, pode ser uma tremenda provação. Diante da provação devemos perseverar. Por isto Tiago afirma que a perseverança sob tribulação conduz a bênçãos. Por outro lado mostra, também, que a tentação vem de dentro (do coração, das intenções e desejos), não de Deus, e tem que ser resistida por nós.

 

            Agora vamos aprender que a verdadeira religião é orientada pela sabedoria. Uma pessoa sábia tem o controle sobre sua própria língua (sobre o que fala). Fala a coisa certa com as palavras adequadas, no momento propício, sempre levando a outra pessoa a olhar para Deus. A sabedoria do mundo é caracterizada pelas más ações e atitudes, pelo levar vantagem e imediatismo. Em oposição a isto a vida de uma pessoa sábia é caracterizada pelo comportamento moral elevado que honra a Deus na pessoa de Cristo.

 

Tiago mostra que a verdadeira religião é intimidade com Deus em e através de Jesus Cristo, que tem seu lado prático evidenciado no modo de vida, no falar e agir, da pessoa que crê. É importante que leiamos e estudemos a epístola de Tiago e examinarmos o tipo real de nossa fé e prática.

O objetivo deste estudo é trazer algumas informações e textos, colhidos dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão da importância da sabedoria humilde dentro dos ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.


A NECESSIDADE DE PEDIRMOS SABEDORIA A DEUS

 

As provações podem trazer muita perplexidade; precisamos de muita sabedoria, se temos de enfrentá-las vitoriosamente, ou, como no caso de Paulo, se temos de nos gloriar nas tribulações. Sabedoria significa, em geral, conhecer o melhor fim e os melhores meios de atingi-lo. Tiago tem em mente, em primeiro lugar, a compreensão eficaz dos modos de o crente agir. A sabedoria de cima torna-se necessária para apontar esses modos e dirigir a ação. Tal sabedoria se obtém por uma completa dependência de Deus, expressa na oração. Por conseguinte, se alguém é falho em sabedoria, peça-a a Deus, que é infinitamente sábio, e de Sua sabedoria dá liberalmente e não lança em rosto.

 

Ele não nos repreende por nossa falta de sabedoria, porém do Seu tesouro ilimitado Se deleita em dar, segundo nossa necessidade. Note-se que a promessa se acompanha de certeza: e lhe será dada. Liberalmente (gr. haplos), isto é, simples, incondicional e generosamente, com mão larga. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando. Dúvida, hesitação acerca de Deus, dependência de algo ou de alguém que não seja Deus, são realmente incredulidade. Não deve haver vacilação, nem discussão, nem indecisão no pedir; e não deve haver espírito dobre, a querer em parte seus próprios métodos e em parte os métodos de Deus.

 

Quem não quer sabedoria para que o conduza nas provas, regulando seu próprio espírito e administrando seus assuntos? Eis aqui algo como resposta a cada giro desalentador da mente, quando vamos a Deus experimentando nossa própria fraqueza e tolice.  Depois de tudo, se alguém dizer "Isto pode acontecer a alguém, mas temo que não triunfarei", a promessa é: a todo aquele que pedir, lhe será dado.

 

DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA DA SABEDORIA HUMILDE E A ARROGÂNCIA DO SABER CONTENCIOSO

 

Estes versículos (Tg 3;13-18) mostram a diferença entre os homens que pretendem ser sábios e os que realmente o são. Quem pensa ou fala bem não é sábio no sentido das Escrituras, se não vive e age bem. A sabedoria verdadeira pode conhecer-se pela mansidão do espírito e do temperamento. Os que vivem em maldade, inveja e contenção, vivem em confusão; e estão obrigados a ser provocados e precipitados em toda má obra. Tal sabedoria não vem do alto, senão que brota de princípios, atos ou motivos terrenos, e está dedicada a servir a propósitos terrenos. Os que se jactam de uma sabedoria assim devem cair na condenação do diabo.

 

A sabedoria celestial, descrita pelo apóstolo Tiago, é próxima ao amor cristão, descrito pelo apóstolo Paulo; e ambos são descritos assim para que todo homem possa provar plenamente a realidade de seus logros nelas. Não tem disfarce nem engano. Não pode cair nos manejos que o mundo considera sábios, que são espertos e mal-intencionados, senão que é sincera, aberta, constante, uniforme e coerente consigo mesmo.

 

Há, entretanto uma sabedoria falsa ou espúria, simulada, que produz inveja e rivalidades. Onde tais sentimentos existem, não há lugar para ninguém se gloriar sobre outrem, baseado em privilégios superiores. Vê-se a falsidade de tal pretensão nos motejos amargos que tais pessoas proferem contra os que diferem das opiniões deles. Tal espécie de sabedoria não é dom divino, recebido nos termos de (Tg 1.5-8). É terrena (cfr. "a sabedoria do mundo", ICo 1.20), inteiramente falha de iluminação espiritual. É natural ou animal. O grego é psychikos, termo que descrevo o homem em Adão (isto é, "natural"), em contraste com pneumatikos, "espiritual". Daí limitar-se tal sabedoria à vida meramente física ou animal, sem relação com o divino. É demoníaca, isto é, de origem satânica, procedendo dos demônios, ou com eles se assemelhando. Sua fonte é a mesma que põe em chamas a carreira da existência humana (ver o vers. 6). "Onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão"; gr. akatastasia, isto é, desordem, distúrbio, tumulto; daí vem, como aqui, revolução ou anarquia.

 

Em vivo contraste com essa falsa sabedoria está à verdadeira. Quanto à sua origem, é lá do alto (cfr. vers. 15). Sua natureza não é terrena, sensual, demoníaca; antes é sobrenatural tanto na origem como em sua natureza e suas consequências. Sua excelência é sétupla: pura pacífica, meiga, conciliadora, misericordiosa, de bons frutos, simples e sincera (cfr. Gl 5.22 e segs.; IIPe 1.5-9). Tiago dirige a atenção para as características íntimas da pessoa sábia, visto como que é íntimo é de primeira importância, Pura quer dizer livre de mancha ou contaminação seja qual for. Quem no seu íntimo não é moralmente puro não começou ainda a ser sábio. Pacífica, isto é, não dada a conflitos ou dissensões.

 

Não pode haver paz real sem pureza ou retidão. Meiga, tratável, "docemente razoável", gentil. Gentileza aí não é tanto ternura ou meiguice, como é imparcialidade, contrastando com imoderação, exorbitância. "A mansidão de Cristo" é o padrão do crente, que o leva a submeter interesses pessoais a finalidades mais elevadas. Indulgente, isto é, fácil de persuadir; conciliatória, pronta a ser dirigida (gr. eupeithes, pronta a obedecer; donde complacente). Plena de misericórdia e de bons frutos, isto é, sempre disposta a tomar a iniciativa de mostrar compaixão e oferecer perdão; produzindo bons frutos (obras); porque uma língua governada pela graça divina pode tornar-se forte influência para o bem.

 

Sem parcialidade, isto é, não dada a contendas ou disputas acerca de honrarias. Sem hipocrisia, isto é, sincera, sem pretender ser o que não é, dizendo só aquilo em que se possa confiar (Moff. "retilíneo, sem rodeios"). Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. Quem possui sabedoria semeia a boa semente que produz justiça, retidão. Semeia em paz, porque é pacificador. "A messe da justiça é semeada em paz por aqueles que fazem a paz".

CONCLUSÃO

 

            Concluindo, espero em DEUS ter contribuído para despertar o seu desejo de aprofundar-se em tão fascinante tema e ter lhe proporcionado oportunidade de agregar algum conhecimento sobre estes assuntos. Conseguindo, que a honra e glória seja dada ao SENHOR JESUS.

 

 

 

 

Ev. José Costa Junior

 

 

8 de julho de 2014

O PROPÓSITO DA TENTAÇÃO



O PROPÓSITO DA TENTAÇÃO

TEXTO ÁUREO = “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto,. mas a carne é fraca” (Mt 26.4 1).

VERDADE PRÁTICA =         A tentação é permitida por Deus como prova da fé. Ela só pode ser vencida mediante o poder o Espírito Santo operando no crente.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE == TIAGO 1.2,3,12-16

INTRODUÇÃO

Desde o princípio, o Senhor tem permitido a seus servos serem provados para que, como vencedores, sejam aprovados diante dos homens, dos anjos, e do Diabo. É bem-aventurado quem, sendo tentado, permanece fiel a Deus, tornando-se, assim, digno de receber a coroa da vida.

O QUE É A TENTAÇÃO

1. Conceito. Tentação é “ato ou efeito de tentar; disposição de ânimo para a prática de coisas diferentes ou censuráveis” (Dicionário Aurélio). Biblicamente, podemos dizer que é o convite ao pecado.

2. 0 significado na epístola. Em Tiago, tentações têm o significado de perseguições, lutas e provações pelas quais o crente pode passar.

ORIGEM DA TENTAÇÃO

A tentação tem três origens ou fontes

1. Da parte da carne.

a) Tentação humana. A Bíblia nos diz que “não veio sobre vós tentação, senão humana” (1 Co 10.13). Neste texto, podemos entender que “tentação humana” quer dizer a que é própria da natureza carnal do homem (ver Rm 7.5-8; G15.13,19). Ela tem seu aspecto mal, pernicioso, incitador ao pecado.

b) O significado da carne. A carne, é o “centro dos desejos pecaminosos” (Rm 13.14; Gl 5.16,24). Dela vem o pecado e suas paixões (Rm 7.5; Gi 5.17-21). Na carne não habita coisa boa (Rm 7.18). Devemos salientar que o termo carne, aqui, não se refere ao corpo, que não tem nada de mal em si mesmo, mas à natureza carnal, herdada de nossos pais. O corpo do crente é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19,20).

2. Da parte do mundo. O mundo, como fonte de tentação, não é o mundo físico, criado por Deus, O Dicionário da Bíblia, de Davis, diz que “a palavra mundo emprega-se freqüentemente para designar os seus habitantes”, como em S19.8, Is 13.11 e J0 3.16. 

O Dicionário Teológico (CPAD), referindo-se ao mundo, diz que “No campo da teologia, porém, é o sistema que se opõe de forma persistente e sistemática ao Reino de Deus”. João exorta a que não amemos “o mundo, nem o que no mundo há”. “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1 Jo 2.15,16). Tudo isso é fonte de tentação.

3. Da parte do Diabo. E a fonte mais cruel da tentação. Seu caráter é sempre destrutivo.

a) Jesus foi tentado. E a fonte mais terrível e avassaladora da tentação. Dela, não escapou nem mesmo nosso Senhor Jesus Cristo. Após o batismo em água, Ele foi conduzido “pelo Espírito para ser tentado pelo diabo” (Mt 4.1; Mc 1.13; Lc 4.2). Foi o único que não caiu em pecado (Hb 4.15).

b) Homens de Deus foram tentados. Homens de Deus, do porte de Abraão, Sansão, Davi, e tantos outros, foram tentados pelo Adversário (Satanás) a fazerem o que não era da vontade de Deus, com sérios prejuízos para suas vidas.

c) Os homens comuns são tentados. Os homens são tentados a praticar toda espécie de males, crimes, violência, estupros, brigas, ciúmes, guerras, mentiras, calúnias, roubos, etc.

d) Os crentes são tentados. Até os crentes em Jesus são vítimas da ação do maligno, quando causam prejuízos à Igreja do Senhor, com escândalos, calúnias, invejas, divisões, rebeliões, busca pelo poder, politicagem religiosa, e tantas outras coisas ruins.

A Tentação não Vem de Deus (1.13)

As dificuldades da escolha moral trazem a “coroa da vida” quando as enfrentamos com perseverança, mas elas também podem suscitar perguntas na mente. Quando isso ocorre, passamos da área das provações para o campo da tentação. 

Tiago tem em mente um homem que busca uma desculpa pelos seus fracassos em ser perseverante. Esse homem diz: “Essa tentação é pesada demais para mim; a culpa é de Deus”. O autor deixa claro que nenhum homem que sente um impulso de pecar deve dizer:

De Deus sou tentado (v. 13). Deus permite as provações para tomar-nos fortes, mas Ele nunca nos incita a fazer o mal. Deus é um Deus santo; seu plano de redenção foi planejado para destruir o pecado. Por causa da sua natureza, Deus não pode ser tentado pelo mal; incitar uma das suas criaturas a pecar seria uma violação do seu propósito ao enviar o seu único Filho. Deus permite a possibilidade do mal nas suas formas atraentes no mundo moral, mas Ele não quer que caiamos em tentação.


A Tentação Vem de Dentro (1.14)

Tiago conhecia os poderes sobrenaturais do mal que agiam no mundo (cf. 3.6), mas aqui ele procura ressaltar o envolvimento e a responsabilidade pessoal do homem ao cometer pecados. O engodo do mal está em nossa própria natureza. Ele está de alguma forma entrelaçado com a nossa liberdade. A questão é: “Será que eu preferiria ser livre, tentado e ter a possibilidade de vitória ou ser um ‘bom’ robô?” O robô está livre de tentação, mas ele também não conhece a dignidade da liberdade ou o desafio do conflito e não conhece nada acerca da imensa alegria quando vencemos uma batalha.

 Tiago diz que cada um é atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Essa palavra epithumia (“desejo”, RSV) pode ter um significado neutro, nem bom nem mal. Assim, H. Orton Wiley escreve: “Todo apetite é instintivo e sem lógica. Ele não identifica o erro, mas simplesmente anela pelo prazer. O apetite nunca se controla, mas está sujeito ao controle. Por isso o apóstolo Paulo diz: ‘Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado’ (1 Co 9.27)”. Este talvez seja o sentido que tago emprega aqui.

No entanto, na maioria dos casos no Novo Testamento, epithumia tem implicações maléficas. Se for o caso aqui, quando um homem é seduzido para longe do caminho reto, isso ocorre por causa de um desejo errado. Tasker escreve: “Este versículo, na verdade, confirma a doutrina do pecado original. Tiago certamente teria concordado com a declaração de que ‘a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice’ (Gn 8.21).

Desejos concupiscentes, como nosso Senhor ensinou de maneira tão clara (Mt 5.28), são pecaminosos mesmo quando ainda não se concretizaram em ações lascivas”.
Se essa interpretação for verdadeira, há aqui mais uma dimensão na origem da tentação. Desejos errados podem ser errados não somente porque são incontrolados, mas porque, à parte da presença santificadora do Espírito, eles são carnais.

O PROCESSO DA TENTAÇÃO

A tentação se constitui num processo, que tem os seguintes passos:

1. Atração do desejo (v.14a). “Mas cada um é tentado, quando atraído...” Primeiro, vem a atração pelos sentidos: visão (1 Jo 2.16); audição (1 Co 15.33); olfato; gosto, e tato (Pv 6.17).

2. Engodo (isca). A pessoa é atraída, seduzida e “engodada pela própria concupiscência” (v.14b).

3. Concepção do desejo (da concupiscência). Na mente, nos pensamentos (cf. Mc 7.21-23), o desejo é concebido. Só se faz o que se pensa (v.15a). Nesse ponto, ainda se pode evitar o pecado.

4. O pecado é gerado. “Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luzo pecado” (v.15). Ainda na mente, já nasce o pecado. Alguém pode adulterar só na mente (Mt 5.27,28).

5. A consumação do pecado (v.15b). “...e o pecado, sendo consumado, gera a morte.” A morte, aqui, é espiritual. Nesse ponto, só há solução se houver arrependimento, ainda, em vida. É importante entendermos esse terrível processo, a fim de que nos resguardemos dele. Alguém já disse que ninguém pode impedir que um pássaro voe sobre sua cabeça, mas pode impedi-lo de fazer um ninho nela. Isso ilustra o processo da tentação. Esta, em si, não é pecado. Pecado é praticar o que a tentação sugere.

DIFERENÇA ENTRE TENTAÇÃO E PROVAÇÃO

A tentação, conforme estudamos, é sempre uma indução ao mal, ao pecado. A provação, no entanto, não tem esse sentido. Quando a Bíblia diz que Deus tentou alguém, devemos entender que Deus o provou, e isso tem objetivos muito elevados, conforme descrevemos a seguir. Tiago nos diz que “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta” (v.13).

Quando a Bíblia diz que alguém foi tentado por Deus, isso pode ser entendido como provação. Abraão só foi considerado o pai de todos os que crêem, porque creu e foi “tentado”, ou seja, “provado” por Deus (ver Gn 22.1-18). A prova da fé é essencial para “louvor, honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe 1.7).

Tiago exorta os crentes a terem “grande gozo”, quando caírem em “várias tentações”, sabendo que “a prova da vossa fé produz a paciência” (vv.2,3). Ele considera uma bem-aventurança o crente sofrer a tentação, porque, quando for provado, receberá a coroa da vida (v.12).

O COMPORTAMENTO DO CRISTÃO FACE ÀS PROVAÇÕES

O apóstolo Tiago introduz a sua epístola, estabelecendo o tipo de comportamento que o cristão deve ter face às tentações da vida, bem como definindo os efeitos práticos das provações para a vida cristã. De acordo com a sábia doutrina desse apóstolo do Senhor destacamos os seguintes fatos:

1. O crente deve encarar com gozo as tentações (Tg 1.2). De modo enfático Tiago começa a sua epístola exortando a comunidade cristã para que considere as provações como ocasião de regozijo. O imperativo tende significa considerai ou entendei que assim é. A expressão grande gozo significa nada menos do que alegria ou suprema alegria.

2. Através das tentações o crente é provado na fé (Tg 1.3). Sobre isto escreveu o apóstolo Pedro: “Para que aprova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” (I Pe 1.7).

Só quando provada em meio às tentações e adversidades da vida é que a fé se transforma em testemunho de fidelidade diante de Deus

3. A fé provada obra a paciência (Tg 1.3). Muitos crentes oram pedindo paciência, como se esta fosse uma virtude comunicada direta e exclusivamente por Deus. Com o fato de que a paciência é uma virtude aprendida, resultante das provações da vida, concorda o apóstolo Paulo quando escreve: “... a tribulação produz a paciência” (Rm 5.3). Portanto, que o crente não se assuste ao ver multiplicado as suas tribulações enquanto ora pedindo paciência; pois como já aprendemos, é pela tribulação que vem a paciência.

4. A paciência conduz o crente à perfeição (Tg 1.4). Provado e aprovado por Deus, Davi pôde testemunhar da sua capacidade de esperar com paciência no Senhor, em meio às circunstâncias e adversidades da vida (Sl 40.1-3). Mas, ao contrário do doce salmista de Israel, muitos crentes têm perdido excelentes oportunidades de crescerem espiritualmente e de desenvolverem o seu caráter em meio às provações pelas quais passam. De acordo com o ensino de Paulo “a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança” (Rm 5.3,4).

SABEDORIA FACE ÀS TENTAÇÕES E PROVAÇÕES

Se nos falta sabedoria para enfrentar as provações, angústias e tentações do tempo presente deveram pedi-la, em oração, a Deus.

1. Falta-nos, às vezes, sabedoria para agir (Tg 1.5). Quem, em várias ocasiões, não se viu diante de situações embaraçosas das quais não sabia como sair? Quem, nalgum momento, não se viu preso por correntes de angústias, ou frente a frente com alguma tentação humanamente invencível? Todos nós, sem dúvida. É nesta hora que descobrimos a inutilidade do tempo e das horas que deixamos passar sem estreitarmos os laços que nos unem a Deus - a fonte de toda a ciência.

2. Deus está pronto a nos comunicar a Sua sabedoria (Tg 1.5). Uma vez que em Deus está a fonte de toda a ciência e sabedoria, só Ele é capaz de concedê-la “liberalmente”, sem restrições, a tantos quantos a buscarem sincera e submissamente.  Só a sabedoria que emana do alto, de Deus, é capaz de dar ao crente a inteligência necessária em meio a todas as circunstâncias da vida.

“Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca vem o conhecimento e o entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos; escudo é para os que caminham em sinceridade” (Pv 2.6,7).

3. Deus atende o apelo da fé (Tg 1.6). A verdadeira ciência da vida é comunicada por Deus ao crente em atenção à sua atitude de fé. A vida de fé é serena como uma piscina. Já “o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte” (Tg 1.6).

O homem incrédulo é, aqui, assemelhado ao mar de ondas enfurecidas, e Tiago afirma que o mesmo não receberá do Senhor coisa alguma (Tg 1.7).

A fé é a moeda do cristão nas suas transações com o Céu; qualquer outra moeda é falsa e de nenhum valor nos negócios do reino celestial.

4. Só o crente sincero tem a Vitória assegurada (Tg 1.8). O homem de coração vacilante, dividido entre viver por fé e viver pelo que vêem os seus olhos, é inconstante, inseguro em todos os seus caminhos. Ele anda como se estivesse andando sobre areia movediça ou sobre um colchão de água. O medo é o seu aqui e agora, e a incerteza o seu horizonte e futuro. Enquanto isso, “os que confiam no Senhor serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre” (Sl 125.1).

SETE PASSOS PARA A VITÓRIA NA TENTAÇÃO

1. Saber utilizar a Palavra de Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo, quando foi tentado, não deu chance ao Diabo para conversar muito com Ele. A cada insinuação do maligno, ele usava a “espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Ef 6.1 7b), dizendo: “Está escrito...” (Mt 4.4b, 7a, 10h). Por isso, é preciso ler a Bíblia, para usar a Palavra na hora certa.

2. Através da oração. Jesus nos mandou orar sem cessar para não cairmos em tentação (Lc 22.40; 1 Ts 5.17). A maioria dos crentes, hoje, não ora. Certo pregador disse: “O Diabo ri da nossa sabedoria, zomba das nossas pregações, mas treme diante de nossas orações”.

3. Através da vigilância. Jesus enfatizou a importância da vigilância para não cairmos em tentação (cf. Mt 26.4 la).

4. Através da disciplina pessoal. Falando sobre o “atleta cristão”, Paulo diz que “aquele que luta, de tudo se abstém” (1 Co 9.25a). Em seguida, afirma: “Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Co 9.27). Muitos caem, por exemplo, na tentação do sexo, porque não sabem controlar seus instintos.

5. Resistindo ao Diabo. O inimigo sabe qual é o ponto fraco de cada crente. Mas, com determinação e resistência, no Espírito, é possível ser vitorioso (cf. 1 Pe 5.8,9; Tg 5.17). José, jovem hebreu, mesmo pagando terrível preço, não se deixou vencer pelo pecado do adultério. Foi vencedor e exaltado por Deus.

6. Buscando a santificação. É preciso que o crente viva a separação integral para Deus (Hb 12.14; 1 Pe 1.15).

7. Ocupando a mente com as coisas espirituais. Isso se consegue através da oração, jejum, estudo da Bíblia e leitura de bons livros; servindo, evangelizando, louvando, participando da obra do Senhor, santificando a mente, a vida e o corpo (ver 1 Ts 4.3-7).

CONCLUSÃO

A tentação, no seu sentido mais comum, é um processo terrível, da parte do homem, do mundo e do Diabo, cuja finalidade é destruir a fé, a santidade, a comunhão com Deus, levando o crente a pecar. Para vencer, é preciso fazer como Jesus, que usou a “Espada do Espírito” — a Palavra. E preciso usar as armas que Deus colocou à disposição de Seus servos. Em Cristo, “somos mais que vencedores” (Rm 8.37).


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

Lições bíblicas CPAD 1999

Lições bíblicas CPAD 1989

Comentário Bíblico Beacon

ESTUDO COMPLEMENTAR

O CRISTÃO DEVE PERMANECER FIEL NAS TENTAÇÕES = TIAGO 1: 12-17

O cristão que suporta com firmeza a provação torna-se digno de vitórias e admiração.

1:12 = Tiago inicia com uma bem-aventurança: Bem-aventurado o homem. A semelhança de Jesus em Mateus 5:3-12, pronuncia uma bem-aventurança sobre determinado grupo de pessoas (coisa que nos surpreende): todo aquele que suporta a provação. Não é meramente a pessoa que é provada e considerada feliz, ou abençoada, mas a pessoa que suporta a provação e permanece fiel.

Em 1:2-4 = diz Tiago que a provação produz perseverança; agora ele afirma que a perseverança produz a verdadeira bem-aventurança ou bênção. Entretanto, Tiago não é masoquista e, tampouco estóico, e não está ensinando que as provações são engraçadas, ou que devemos sentir alegria na dor. Ao contrário, salienta que as provações servem a um propósito, a prova experimental da realidade da fé, e que isso deveria prover à pessoa uma perspectiva de alegria profunda. Por causa das reações perante as provações, sabemos se uma pessoa é verdadeiramente fiel, e depois de ter passado na prova receberá a recompensa.
A pessoa que passa pela prova é como a prata que passa pelo cadinho: depois da prova pode receber a marca de pureza. Deus marca a pessoa "aprovada"; sua fé é comprovadamente sadia.

Tal pessoa receberá um galardão ou (como o expressa o termo grego) "a coroa da vida". Essa ilustração refere-se ao julgamento final como se fora uma decisão de juiz, após uma corrida esportiva (cf. 2 Timóteo 4:8). O vencedor da corrida aproxima-se e recebe um laurel, uma coroa sobre a cabeça. Essa coroa é a própria vida (cf. Apocalipse 2:10), a qual é concedida não a uma única pessoa, mas a todas quantas ter¬minam a carreira (suportam a provação), visto que o Senhor prometeu aos que o amam tal recompensa eterna. O preço da salvação é único: o amor fiel e incessante ao Senhor. Tendo em mente tal perspectiva, os crentes podem considerar-se verdadeiramente felizes, afortunados, a despeito das circunstâncias externas, visto que já estão experimentando a recompensa.

1:13 = Há outra reação possível diante da provação: a pessoa pode entrar em colapso e fracassar. É natural que o indivíduo prestes a "desistir" não queira assumir nenhuma responsabilidade pelo seu fracasso, visto que tal desistência é totalmente incoerente com a auto-imagem de um "bom cristão", pelo que a pessoa racionaliza assim: "A prova foi difícil demais; a culpa é de Deus, por enviar-me uma prova dificílima".

Tiago nos adverte contra esse tipo de reação: Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus. Essa conclusão exerceria forte impressão sobre os leitores de Tiago — uma congregação monoteísta. Porventura não é Deus soberano? Tiago recusa-se a responder a essa pergunta, visto que tal discussão obscureceria a verdadeira questão. Tal pessoa não quer uma compreensão maior, mas procura uma desculpa. Essa desculpa esfarrapada de que a tentação proveio de Deus não está no cerne da análise teológica, mas constitui um cabide em que se pendura a culpa; é, antes, uma acusação.

Tiago refuta essa acusação por dois motivos. Primeiro, "as pessoas más não deveriam colocar a Deus sob teste" (a frase assim traduzida: Deus não pode ser tentado pelo mal resulta de má compreensão do texto grego). Israel havia praticado isso muitas vezes (pelo menos dez vezes: Números 14:22); todas as vezes que o povo enfrentava o sofrimento, jogava a culpa sobre Deus, duvidando de sua vontade e de sua capacidade para ajudar seu povo. Todavia, assim respondia o Antigo Testamento: "Não tentarás o Senhor teu Deus, como o tentaste em Massa" (Deuteronômio 6:16). Os cristãos não devem cometer o mesmo erro que Israel cometera, ao testar o Senhor.

Em segundo lugar, Deus... a ninguém tenta. Deus não deseja o mal a ninguém; ele não é causador do mal; ele não tenta a ninguém no sentido que não procura prender ninguém numa armadilha. Tiago não dá prosseguimento à sua explicação, nem esclarece a questão da teodicéia (Filosofia, Termo cunhado por Leibniz (v. leibniziano) para designar a doutrina que procura conciliar a bondade e onipotência divinas com a existência do mal no mundo), já que disse o que lhe bastava para seus propósitos: você pode confiar em Deus. A causa do fracasso de alguém não se encontra em Deus.

1:14 = Alguém poderia esperar que Tiago continuasse seu raciocínio e lançasse a culpa sobre o diabo, mas ele não faz isso, embora acredite que Satanás desempenha um papel em nosso fracasso (veja Tiago 4:7). Em vez disso, assim escreve Tiago: mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. A essência real da tentação não está no exterior, isto é, "foi o diabo que me obrigou a fazer isso", mas no interior. "Eu pequei... por minha própria culpa, por minha exclusiva culpa", seria nossa única "desculpa". Sejam quais forem as forças malignas que estabelecerem as circunstâncias externas, é a reação interna que as transforma em provação.

Tiago concorda plenamente com Paulo. Usando ilustrações de caça e pesca, segundo os termos do original grego (tentado e atraído e engodado), Tiago mostra a natureza sedutora da "isca", aparentemente tão inofensiva, e demonstra os resultados desastrosos, revelando o sedutor no íntimo, a própria concupiscência. O termo que Paulo emprega para descrever isso é "pecado" ou "carne", isto é, a natureza humana decaída. "Sou carnal, vendido como escravo ao pecado." "Eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado" (Romanos 7:14, 25). Os desejos do ser humano são bons pela criação, porque conduzem a pessoa a usufruir a criação, a comer, a procriar etc, mas tais desejos se corromperam, de modo que agora induzem à concupiscência, ao roubo e à fornicação. A situação externa de modo algum poderia influir nas pessoas, a menos que uma tendência interna, a de sua própria natureza, não estivesse seduzindo: "vá em frente, vamos, você merece; vai ser muito bom".

1:15 = O desejo da pessoa que cede aos atrativos é retratado aqui como uma prostituta ou adúltera, e não como armadilha ou anzol. A concupiscência usou com muita malícia suas artimanhas, acabou engravidando e agora carrega no ventre um feto ilegítimo, o fruto de suas maquinações. Entretanto, "ninguém precisa ficar sabendo", murmura a concupiscência a seu amante, ao companheiro ilegítimo. A defecção (Falta, desaparecimento.) íntima da vida de fé e de confiança jamais precisaria ser vista pelos outros. Todavia, o útero do coração não consegue reter o feto indefinidamente; a criatura concebida precisa vir à luz, e seu nome é pecado. Tiago conseguiu visualizar a doutrina que Jesus proclamou em Marcos 7:20-23: "do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições... a blasfêmia, a soberba, e a loucura".

Essa cadeia formada de provação — concupiscência — pecado não termina ali; possui mais um elo, que se chama morte. Paulo conhecia essa verdade (Romanos 6:23), como também João a conhecia (1 João 1:16-17; 3:14), mas é Tiago que a descreve de modo mais vivido. A criatura adulterina não vai embora; em vez de partir, essa criatura bastarda atinge a maioridade e gera um filhote, um ser monstruoso, patogênico (Capaz de produzir doenças), indesejável — a morte. Aqui está o resultado de fracassar na prova. A pessoa está a meio caminho entre a concupiscência e o pecado, passa pela maturidade do pecado e chega à morte. A cadeia de elos mencionada por Paulo em Romanos 7:7-12 se reproduz aqui. Tiago não permite o engano íntimo. A morte é o fim da carreira do pecado. Há uma única forma de escapar, a qual o autor da carta nos descreve como sendo cadeia contrastante, nos versículos que se seguem (1:16-18).

1:16 = Não vos enganeis, meus amados irmãos. Não vos enganeis a respeito do quê? Seria o parágrafo anterior encerrado por este versículo, e teria relação com alguma crença segundo a qual a pessoa poderia lançar a culpa sobre Deus, ou abrigar a concupiscência, ou o pecado, sem que sobreviessem as más conseqüências? Ou será que esse versículo se refere ao engano sobre de onde vêm as provações (1:13)? Ou será que esse versículo é cabeçalho do parágrafo seguinte, referindo-se à falha em perceber que Deus nos dá o bem e nos traz salvação? Estrutural¬mente, a terceira opção é a preferível, porquanto o termo que designa os destinatários da carta, meus amados irmãos normalmente introduz um novo parágrafo.

Todavia, aqui funciona como versículo-dobradiça: ser enganado quanto a um daqueles itens é o mesmo que ser enganado em todos, visto que o parágrafo seguinte é apenas a negação do parágrafo anterior. Se alguém lançar a culpa em Deus quanto a uma provação, essa pessoa está imergindo no pecado e negando a bondade de Deus. Tiago acredita que seus leitores são crentes verdadeiros (irmãos), mas teme que se desviem da fé, o que fica implícito na exortação não vos enganeis; ele tem medo de que esses crentes possam cair no erro da dúvida quanto à bondade de Deus, o que poderia ser fatal à fé.

1:17 = Em contraste com o ponto de vista de Deus como emissário de provações e tentações, está a perspectiva de que Deus nos dá boas coisas: Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto. Trata-se de frase poética, e pode ser citação de algum provérbio bem conhecido, alterado por Tiago a fim de enfatizar a expressão lá do alto. Dizer que Deus dá essas boas dádivas naturalmente significa negar que dá coisas más, uma vez que são incompatíveis.

No entanto, Tiago pretende passar uma verdade mais profunda que "Deus é bom". Já afirmou que Deus dá liberalmente a todos que lhe pedirem (1:5). O bem maior a ser pedido, dentro daquele contexto, é a sabedoria, que voltará a ser mencionada em 3:15, dessa vez em¬pregando a mesma expressão que ocorre aqui (do alto). Assim é que a melhor dádiva de todas, a que Tiago reiteradamente faz referência, é a sabedoria, que ajuda o crente na provação. Portanto, aqui está a mensagem mais importante: não é Deus quem envia a provação; ele envia o maravilhoso dom da sabedoria que nos capacita a resistir durante a provação. Deus nos dá o antídoto, não o veneno.

Além do mais, o caráter de Deus não está sujeito a mudanças. Ele é o Pai das luzes. Trata-se de uma referência à criação, e indica a extensão da bondade de Deus (enquanto o versículo seguinte refere-se à nova criação). Os luminares de Gênesis 1:18, a saber, o sol e a lua, foram colocados ali para o bem da humanidade. Todavia, esse fato por sua vez sugere um contraste. O sol e a luz são notórios pela mudança, mas Tiago refere-se a Deus dizendo que nele não há mudança nem sombra de variação. O texto, embora a linguagem de Tiago seja um tanto obscura, trata-se de uma declaração de natureza astronômica, em referência à falta de constância dos "luminares" celestes. Deus, todavia, em contraposição a essas luminárias celestes, não tem eclipse, não se ergue para logo sumir no horizonte, não tem fases e nenhuma obscuridade devida a nuvens. O caráter de Deus é absolutamente constante, digno de confiança, em quem se pode depositar toda a fé.

1:18 = Como prova da boa vontade de Deus — como se a criação não fosse suficiente — assim diz Tiago: Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas. Em primeiro lugar, o que Deus fez, ele o fez por sua decisão. A ação de Deus não foi acidental, nem resposta a uma necessidade. Ele fez tudo segundo sua vontade, sua decisão, pelo que sua ação demonstra a essência de seu caráter.

Em segundo lugar, ele nos gerou. Por um lado, esta ação é criadora. O Pai das luzes também é o Pai da Humanidade, e foi seu desejo que toda a vida humana existisse. Por outro lado, Deus não só providenciou a criação, mas a nova criação também: foi ele quem trouxe o novo nascimento ou a redenção a todos os crentes (João 3:3-8; Romanos 12:2; Efésios 1:5; Tito 3:5; 1 Pedro 1:3, 23; 1 João 3:9). Essa declaração produz um contraste espantoso: a concupiscência conduz ao nascimento, mas traz consigo o pecado e a morte; Deus conduz ao nascimento e traz consigo redenção e vida.

Em terceiro lugar, Deus realiza esse novo ato criador pela palavra da verdade. A primeira vista, alguém poderia pensar que esta ex¬pressão seja uma referência à palavra criativa de Deus (Gênesis 1), ou à veracidade de tudo quanto o Senhor diz (e.g., Salmo 119:43), mas é certo que nesta passagem essa expressão significa algo mais. Que palavra na era do Novo Testamento é mais "palavra da verdade" do que o evangelho? Esta expressão é semi-técnica e designa a proclamação da ação de Deus em Cristo (2 Coríntios 6:7; Efésios 1:18; Colossenses 1:5; 2 Timóteo 2:15; 1 Pedro 1:25). Deus, de propósito, pôs em ação sua segunda criação, ou sua nova criação, ao enviar ao mundo a palavra do evangelho.

O resultado desse ato criador também é beneficente, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas. "Nós somos uma colheita," diz Tiago, "somos os primeiros frutos maduros da nova criação de Deus, uma promessa da grande colheita que virá." A semelhança de Paulo, Tiago acredita que Deus vai redimir toda a criação, não apenas a humanidade (Romanos 8:18-25). O presente renascimento de crentes promete mais bênçãos vindouras. Todavia, os primeiros são os melhores, pois constituem a porção santificada de modo especial. E assim é que Tiago sublinha a boa dádiva e intenção de Deus nas vidas dos crentes.

Lições Biblicas Betel 2006

Bibliografia Davids