JESUS O FILHO ETERNO DE DEUS

9 de Julho de 2009 0 comentários

JESUS O FILHO ETERNO DE DEUS

TEXTO ÁUREO - “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos,Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm 1 .4).

VERDADE PRÁTICA - A obediência, amor e comunhão, são às características do verdadeiro servo de Deus.

TEXTO BÍBLICO BÁSICO João 5.19-29

Jesus Cristo acabara de realizar mais um milagre, desta feita em Jerusalém, e novamente estava sendo contestado pelos judeus, que procuravam matá-lo, porque havia curado um paralítico em um dia de sábado.

Eram os religiosos perseguindo a Jesus por ter dado ordem ao recém- curado que este carregasse a sua cama num dia em que não era permitido trabalhar. Em resposta aos seus contestadores, Jesus declara-se Filho de Deus e diz que veio para vivificar aqueles que quer; e, ainda, com o poder dado pelo Pai, de exercer o juízo. Assim, Jesus Cristo, mais uma vez, desafiava os religiosos apegados à letra da lei que não produzia vida, restauração e redenção.

1. JESUS, O UNIGÉNITO FILHO DE DEUS

1. Fazendo a vontade de Deus. Em todo este capítulo cinco, basicamente, Jesus está fazendo a sua declaração de Filho de Deus, e como tal revestido de autoridade divina. Contudo, na condição de Filho, submete-se à vontade do Pai. “O Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma” (V.19a). É uma lição de humildade e submissão, inteira obediência ao Pai. Jesus nos dá exemplo de como deve ser moldada a nossa vida. Ele estava aprendendo do Pai pela obediência. Ninguém pode ser abençoado e vitorioso se não for obediente. Jesus declara que tudo quanto o Pai faz,o Filho o faz igualmente. Era o Pai se manifestando no Filho através da obediência e submissão deste.

2. Conhecendo a vontade de Deus. A obediência não é um privilégio, mas sim uma necessidade constante, pois é um meio pelo qual o cristão pode conhecer a vontade de Deus. Jesus disse que Ele não buscava a sua vontade, mas vontade de Deus Pai (V. 301,), Portanto, para fazer a vontade do Pai, Jesus devia andar em obediência.

Desde o princípio Satanás tem procurado fazer com que o homem desobedeça aos mandamentos de Deus. Algo foi avisado por Deus que ele morreria se O desobedecesse. Isto foi o que aconteceu no Jardim do Éden, a serpente veio e disse o contrario “certamente não morrereis” (Gn 2.17,3.1-6,19). A obediência é a verdadeira prova de nosso amor a Cristo.

3. Devemos aprender de Jesus. Assim como Jesus esteve em estreita comunhão com o Pai (Jo 17.10), devemos fazer o mesmo. Certa ocasião, ao final de seu ministério terreno, após a ceia, Jesus, num gesto de humildade, tirou os vestidos e tomando uma toalha cingiu-se,pôs água em uma bacia e lavou os pés dos discípulos.

Era um ato que cabia ao servo, e não ao senhor, ao discípulo e não ao mestre, mas Ele deu o exemplo e ao final disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que como eu fiz, façais vós também” (Jo 13.15).

II. A OBEDIÊNCIA CONDUZ À VIDA ETERNA

1. Quem obedece é amado. Qual é o filho obediente e humilde que não é amado por seus pais? Se aqui entre os homens o comportamento do filho tem muito a ver com o relacionamento com seus pais, ainda mais no plano divino, onde a justiça 6 exercida em toda sua plenitude. Jesus declarou que o Pai ama o filho e mostra tudo o que faz. Estão implícitas aqui três coisas, a saber Obediência, amor e comunhão. Jesus acrescenta “E lhe mostrará maiores obras do que esta para que vos maravilheis” (Jo 5.20). É o resultado da obediência, amor e comunhão.

2. A vida pela obediência. Os religiosos contemporâneos estavam em desobediência à Palavra de Deus, por isso não tinham discernimento, estavam mortos. Diziam que conheciam a Deus, mas ignoravam a Jesus como Filho de Deus. Por esta razão, Jesus disse que:

“Assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que o que? (v. 21). Jesus não está se referindo aos que estão mono, literalmente, e sepultados em seus túmulos, mas, sim, aos que estão monos espiritualmente em seus pecados, apesar de estarem vivos, pois no versículo 24 Jesus dá a interpretação do versículo 21 que diz “Quem ouve minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.”

No versículo 24 Jesus afirma que aquele que ouve e crê tem a vida eterna. Esta é uma das grandes maravilhas inserida ao plano da redenção do homem. São Paulo disse que o último inimigo do homem a ser vencido é a morte (1 Co 15.24.26).

Pela sua ressurreição, Jesus já tem o controle da morte. Ele venceu a morte e fez-se as primícias dos que dormem. Mesmo que o crente venha a falecer, pois para este corpo está determinado um lapso de tempo. Ele já possui a vida eterna.

3. A obediência livra da condenação. Jesus disse que quem ouve e crê na sua palavra não entrará em condenação (V. 24). O Supremo Juiz vai julgar,não com critério da justiça humana, que é falha, mas, sim, com retidão e infalível Justiça, assentado no Grande Trono Branco. Naquele dia serão abertos os livros, diz a Bíblia.

Além do livro em que constará a nominata dos salvos, terá também o livro de registro das obras realizadas por cada indivíduo. O salmista rogava a Deus que retribuísse aos ímpios segundo as suas obras (SI 28.4).

O Senhor Deus disse que conhece as nossas obras e pensamentos e chegará o tempo do julgamento (Is 66.18). Mas aos que forem obedientes e guardarem a Palavra do Senhor, serão livres da condenação.

III. AUTORIDADE DE JESUS COMO JUIZ

1. Jesus, o Justo Juiz. Pelo resulta do da obediência de Jesus à vontade do Pai, foi-lhe outorgado todo o poder de julgar. Ele mesmo afirmou: “O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” (v.22). Como coroação da missão terrena cumprida por Jesus, Dais entregou nas mãos de Jesus todo o juíza O apóstolo João, quando teve sua visão na ilha de Patmos, viu Jesus de uma outra forma, não mais um varão sofredor e anunciador do reino de Deus, mas o viu como o Justo Juiz que há de julgar com eqüidade e justiça (Ap 1.13-16).

2. Jesus, o Juiz Supremo. “Para que todos honrem o Filho, como honram o pai”(v.23).Ocorrem por mais de quarenta vezes, neste Evangelho, referências em que o Pai honra o Filho ou o Filho honra o Pai. O Filho opera no nome, na atitude e de conformidade com os propósitos do Pai. Se quisermos ter uma vida espiritual vitoriosa, devemos honrar o Filho de Deus.

Devemos reconhecer o senhorio de Jesus sobre a nossa vida, e tudo deve ser feito no Senhor (Ef 4.17). Honremos com nossa vida a Jesus Cristo, o Grande Juiz, assim como Ele honrou oPai e de igual modo foi honrado pelo Pai (Jo 17.22). Em fazermos assim, Ele também nos honrará (Jo 17.22).

1. A NATUREZA HUMANA DE JESUS

1. “Nasceu da descendência de Davi segundo a carne” (v.3). Essa expressão, usada amiúde por Paulo, revela a identificação de Jesus com a humanidade. O apóstolo empregou o termo “carne’ com esse mesmo sentido em Romanos 9.5. Era conveniente que Jesus viesse ao mundo como homem; se assim não fora, não poderia sofrer e, por conseguinte, ser o Salvador da humanidade (Hb 217). Além disso, a Bíblia mostra a humanidade de jesus, inclusive sua linhagem (SI 22.22; = Fp 2.6-11; = 1 Tm 2.5; = 2 Tm 2.8). Sua genealogia encontra-se em Mateus 1.1 - 17 e Lucas 3.2-38.

2. Características humanas. Os Evangelhos revelam que Jesus possuía atributos próprios do ser humano. Embora gerado por ato sobrenatural do Espírito Santo, o Mestre nascera de uma mulher (Mt 1. 18-20; = Lc 1.35) e teve irmãos e irmãs (Mt 12.47; = 13. 55-56). Sentiu fome sede e cansaço (Mt 21 .1 8; = Mc 4.38; = Jo 4.6; 19.28). Sofreu, chorou, angustiou-se (Mt 26.37; = Lc 19.41; = Hb 13.12) e, por fim, passou pela agonia da morte. Mas, ressuscitou glorioso, poderoso e triunfante ao terceiro dia (1 Co 15.3,4).

II. A NATUREZA DIVINA DE JESUS

1. Explícita na declaração “Filho de Deus” (v.4). A expressão “Filho de Deus”, conforme vimos na lição passada, é uma das revelações da divindade de Jesus Cristo ( Jo 5.18, = 1 0.33-36). O Senhor Jesus declarou “ser um com, Pai”; isso significa ser o mesmo Deus e não a mesma pessoa ( Jo 10.30). A divindade de Cristo é ensinada em toda a Bíblia de maneira direta: “e o Verbo era Deus” ( Jo 1 .1), “este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 Jo 5.20).

E, também, através dos seus atributos divinos, tais como onipresença, onipotência, onisciência, eternidade entre outros (Mt 18.20; = 28.18; = Jo 21.17; = Hb 13.8).

2. Explícita em seu ministério terreno. Jesus nunca disse “eu acho”, “eu penso”, “eu suponho”; jamais afirmou não poder resolver este ou aquele problema. Para o Mestre, não há impossível. Jesus não somente declarou ser Deus, mas revelou suas qualidades divinas, demonstrando seu poder sobre a natureza, o pecado, as enfermidades, o inferno, e a morte. Os Evangelhos estão repletos de suas manifestações divinas e sobrenaturais (Lc 24: 19; = At 2.22). Claro exemplo disso é o fato de Jesus ter perdoado os pecados do paralítico de Cafarnaum ( Lc 5.21, 24) e, por diversas vezes, ter recebido adoração (Mt 8.2; 9.18; = Jo 9.38). Ele afirmou ser o grande “Eu Sou”: “antes que Abraão existisse, eu sou” (Éx 3.14; = Jo 8.58).

III. PRINCIPAIS HERESIAS SOBRE AS NATUREZAS DE JESUS

1. Gnosticismo. Os gnósticos deram muito trabalho às igrejas dos tempos apostólicos. Seu pior período ocorreu em 135-160 d.C. Seus ensinamentos não passavam de enxertos das filosofias pagãs nas doutrinas cristãs mais importantes. Eles negavam o cristianismo histórico, afirmando que o Senhor Jesus jamais teve um corpo como o nosso. Segundo eles, o corpo de Cristo existia apenas aparentemente.

A Bíblia é incisiva: “O Verbo se fez carne” ( Jo 1 .1 4); “todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus” (1 Jo 4.3). E bom lembrar que os escritos de João são do final do primeiro século e compostos na cidade de Efeso, então capital da Ásia Menor, onde surgiu o gnosticismo.

2. Apolinarismo. Apolinário, bispo de Laodicéia, nasceu em 310 d.C. e morreu em 392. Ele afirmava que Jesus não tinha espírito humano porque, em sua encarnação, o “Logos” Ocupou o lugar da alma, afirmou ainda que quem põe em Cristo sua confiança como homem, destitui-se de racionalidade e torna-se indigno de salvação. Essa doutrina contraria a ortodoxia bíblica, pois a Palavra de Deus afirma que o Senhor Jesus é o verdadeiro homem (1 Tm 2.5).

Em Hebreus 2.14,17,18; 4.15, as Escrituras declaram que a humanidade de Jesus é igual à nossa, exceto quanto , ao pecado: “Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Porque, naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados’.

3. Monofisismo. Tratar-se da falsa doutrina que afirma haver apenas uma única natureza em Cristo: só a divina ou divina e humana amalgadas. Ou seja: mista. Assim, Jesus teria uma natureza híbrida; nem totalmente Deus nem totalmente homem. Todavia, a Bíblia ensina que o verdadeiro Deus veio ao mundo como um verdadeiro homem. Sendo homem, podia fazer a reconciliação pelos homens; sendo Deus, a sua reconciliação torna-se infinitamente valiosa.

IV. A UNIÃO DAS DUAS NATUREZAS DE JESUS

1. O perfeito homem e o perfeito Deus. Convém ressaltar que Jesus não é metade Deus nem metade homem. Ele é o perfeito homem Jesus Cristo (1 Tm 2.5), e o perfeito Deus, em toda a plenitude porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9).

2. O kenoticismo. A doutrina kenótica diz que Jesus não era deus quando esteve aqui na terra. Afirmam isso, por interpretarem erroneamente, em Fp 2.7, o termo “aniquilou-se”, ou “esvaziou-se”, concernente a Cristo. Esse “esvaziamento”, porém, não é de sua divindade, mas de sua glória. Jesus jamais “deixou no céu” a sua divindade para recuperá-la depois. É impossível a nós, seres frágeis, mortais e pecadores, encontrar nas Escrituras Sagradas a linha divisória entre a divindade e a humanidade de Jesus; trata-se de um mistério oculto aos seres humanos (1 Tm 3.16; Rm 9.20; = Jó 9.3-14).

CONCLUSÃO

Assim como é herético negar a divindade de Cristo, da mesma forma o é negar a sua humanidade. Devemos reconhecer e defender a ortodoxia bíblica a respeito das duas naturezas de Jesus, pois, Ele é verdadeiro homem e verdadeiro Deus.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

JESUS, O FILHO DE DEUS

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JESUS, O FILHO DE DEUS

TEXTO ÁUREO = “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus”(1 Jo 4.1 5)

VERDADE PRÁTICA = A expressão “Filho de Deus” refere se à relação particular do Unigênito com o Pai e ao relacionamento espiritual de Deus com os seres humanas mediante o sacrifício de Cristo no Calvário.

LEITURA BÍBLICA = Hebreus 1.1-8.

INTRODUÇÃO

Na lição anterior, estudamos a Pessoa de Jesus como o Verbo divino, enfatizando três aspectos importantes da cristologia: Jesus como Deus, como Eterno e como Criador.

Nesta lição, estudaremos Jesus como Filho, Primogênito e Unigênito de Deus. O objetivo é mostrar que, apesar desses títulos, sua eternidade e divindade precedem a tudo.

1. JESUS, O FILHO DE DEUS

1. Filho gerado por Deus (v.5). “Tu és meu Filho, hoje te gerei [...]“eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho”. Temos aqui uma profecia messiânica cumprida cabal- mente em jesus (At 13.33; = SI 2.7; = Hb 5.5; = 2 Sm 7.1 4).

A expressão “Filho de Deus” nas Escrituras, indica claramente a natureza divina de Jesus. Sua procedência revela que ele compartilha a mesma essência e natureza do Pai. O Mestre mesmo o disse: “Saí e vim do Pai ao mundo”; Jo 16.28)

2. Filho desde a eternidade (v.2). O ensino de que o Verbo tornou-se Filho a partir da sua encarnação não tem apoio entre os teólogos realmente bíblicos, piedosos e conservadores.

O Filho de Deus é eterno; sempre existiu; Ele é o Pai da Eternidade. Ele já era chamado Filho mesmo antes da sua encarnação, como vemos em 1 João 4.9: “Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos”.

3. O Filho é Deus (v8). O termo “Deus” no versículo oito é uma referência ao Deus de Israel (SI 456,7). No Salmo 45.7 hã duas menções proféticas de Deus. A primeira, “por isso, Deus”, é uma referência a Cristo. A segunda, “o teu Deus”, é uma alusão a Deus, o Pai Eterno (Hb .8,9).

A relação de Jesus com o Pai revela sua deidade (Jo 10.30-36). Portanto, é uma heresia e blasfêmia afirmar que Jesus é o Filho de Deus, mas que não é Deus.

II. JESUS, O FILHO UNIGÊNITO DE DEUS

1. Origem e significado do termo “Unigênito”. O termo aparece cinco vezes nos escritos de João, todas relacionadas a Jesus (I Jo 1.14, 18; 3.16, 18; 1 jo 4.9). Isso revela claramente sua divindade.

“Unigênito”, na Bíblia conduz a idéia de natureza, caráter, tipo e não de geração. Jesus é o “unigênito do Pai” no sentido do seu relacionamento exclusivo com Ele. Cristo não foi criado por Deus, Ele preexiste eternamente, por isso é chamado de Pai da Eternidade (Is 9.6).

2. O Filho é superior aos anjos (v.4). Os anjos são criaturas espirituais, mas limitadas. Eles estiveram presentes no ministério terreno de Jesus como afirma o apóstolo Paulo: foi “visto dos anjos” (1 Tm 3,1 6). Aliás, Jesus é adorado pelos próprios anjos: “E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb 1.6).

III. JESUS, O PRIMOGÊNITO DE TODA A CRIAÇÃO

1. A expressa imagem de Deus (1.3). Cristo e’”a imagem do Deus invisível” (Cl 1.15). Essa expressão confirma a divindade de Jesus. A palavra original para “imagem” comunica dois conceitos importantes: aparência e manifestação; ambos relacionados a Cristo e à sua obra. Ele “é a expressa imagem de Deus” e também a sua manifestação (jo 1.18). É o que ensina a Bíblia em 1 Timóteo 3.16: “Aquele que se manifestou em carne foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima, na glória

2. O conceito bíblico de “primogênito” (1.6). O termo “primogênito”, aplicado a Cristo, não contradiz a sua eternidade. A Palavra de Deus declara, em muitos textos, que o Filho é eterno (Is 9.6; Mq 5.2; Hb 13.8; Jo 1 .3).

Na Bíblia o vocábulo original para “primogênito” além do sentido natural e humano de “filho mais velho”, abrange o significado da primazia, preeminência, supremacia, predomínio, autoridade total. Apesar de Davi ser “o filho mais novo de Jessé” (1 Sm 16.11), foi chamado de “primogênito” (Sl 89.20,27).

O mesmo aconteceu com Efraim. Era este o filho mais novo de José (Gn 48.18, 19), mas fora apresentado como primogênito (Jr 31 .9). A Igreja de Jesus Cristo também é formada de “primogênitos” (Hb 12.23).

As Escrituras, em Colossenses 1.15-18, apresenta-nos Jesus como “o primogênito de toda a criação”. Isso não quer dizer que Ele seja a primeira criatura de Deus, pois nos versículos 16 e 17, o Filho é apresentado como Criador e, também, como um ser à parte da criação.

Portanto, Cristo como “primogênito” tem a ver com posição, e não com criação. A Palavra de Deus é taxativa ao concluir esse ponto: “para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1.18).

Jesus, o filho de Deus

A maior declaração possível de ser feita na face da terra sobre alguém, partiu dos lábios de um homem simples que abandonara suas redes de pescador para seguir aquele a quem disse: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16.16).

Esta declaração não nasceu de uma elaboração intelectual ou um entusiasmo de sentimento; veio-lhe dos céus! Nasceu no coração de Deus. "Não foi a carne e o sangue quem te revelou, mas meu Pai que está nos céus".

Esta afirmação retumbou por todo o universo como a mais clara, sublime e eterna verdade que nós humanos podemos conhecer. Ali, nas cercanias de Cesaréia de Felipe, estavam os discípulos face a face com aquele que é"...a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação"(Cl 1 .15)

Aquele que era "antes de todas as coisas" (Cl 1.17), entra no mundo com genealogia humana. Penetra na história dos homens em uma seqüência de gerações que vai até o primeiro homem. Assim tornou-se como um de nós. Foi gerado no seio de uma mulher simples por uma semente que veio dos céus. A única semente que produziu a vida: "a vida estava nele e a vida era a luz dos homens" (Jo 1.4).

O que era antes de seus antecedentes carnais (Jo 8.58), para ter "semelhança de homens; e reconhecido em figura humana" (Fl 2.7), precisou esvaziar-se da glória eterna que tivera junto do Pai, antes da fundação do mundo (Jo 17.5).

O Criador de todas as coisas com o Pai (Jo 1.3), tornou-se naquele que "assume a forma de servo" (Fl 2.7). Ele era rico, "se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza, vos tornásseis ricos" (2Co 8.9).

Tudo em sua vida ter rena faz um tremendo contraste com o que Ele era junto ao Pai. O soberano que criou tronos, soberanias, principados e potestades, e os criou para Ele, nasceu num humilde lugar, tendo como primeiro leito uma manjedoura.

Seu nascimento, evento único que revela o infinito amor que poderia ser dedicado a cada ser humano, foi anunciado a poucos pastores do campo e a desconhecidos errantes que buscavam confirmar deduções de uma precária astronomia.

Se nos céus aprouve a Deus "que nele residisse toda a plenitude" (Cl 1.19), na terra, onde "as raposas tem seus covis e as aves dos céus ninhos; o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Lc 9.58).

Possuidor de toda a "profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus" (Rm 11.33), vai ao Templo de Jerusalém, aos doze anos de idade, assentar-se atento no meio dos mestres, ouvindo-os e interrogando-os (Lc 2.46).

Não foi num magnífico e solene recinto que recebeu a afirmação que a voz divina lhe fez. Foi nas circunvizinhanças do Jordão, onde um estranho profeta pregava arrependimento, que ouve o Pai testificar o que jamais poderia fazer a outra pessoa : "Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo" (Lc 3.22),

Ele que removera dos céus o anjo rebelde, aqui é por este desafiado.

O diabo não escolheu um palácio onde a vaidade e o orgulho humano imperam, onde políticos e cortesãs comercializam seus interesses, onde a riqueza e a pompa iludem, ambientes tão próprio dele, para ser o cenário da tentação.

Usa o ermo deserto onde está aquele que, fisicamente enfraquecido, busca a intimidade com Seu Pai, para definir o ministério que empreenderia

Desenvolve um ministério onde não há lugar para a propaganda ou qualquer evidência pessoal. Suplica aos favorecidos pelos seus gestos de amor curador que a ninguém contassem a restauração recebida (Mc 1.44; 7.36).

Repreendia aos que queriam identificá-Io como o Cristo, para se resguardar da nefasta agitação carnal humana (lc 4.41 ). Ensinava não aos sábios e entendidos, mas aos simples e sinceros de coração: " A vós outros vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus". Aos arrogantes falava "por parábolas para que vendo não vissem e ouvindo não entendessem"( Lc 8.10 ).

Quando num excepcional momento em que foi exaltado sobremodo, quando estavam presentes três de seus mais achegados discípulos, Ihes roga: "A ninguém conteis a visão" (Mt 1 7.9). E, quando mais tarde o discípulo declarou que Ele era o Cristo, adverte-o que a ninguém falasse tal coisa a seu respeito (Mc 8.30).

Aquele que dissera ao Pai: "Eu sabia que sempre me ouves"(Jo 11.42), num jardim, desiste do pedido que fazia par realizar agora o que ouve do Pai (Mt 26.39)

Podendo rogar que fossem enviadas legiões de anjos para defendê-Lo, entrega-se pacificamente aos que vieram prendê-Lo (Mt 26.53). Guarda silêncio perante o tribunal que o acusa e também instiga depoimentos de falsas testemunhas (Mt. 26.63). Ele" veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11).

A vida estava nele" (Jo 1.4) por isso deu sua vida em resgate de muitos numa infame cruz. "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós" (2Co 5.21). "Oprimido e humilhado, mas não abriu a sua boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha, muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca" (Is 53.7).

O que pela sua palavra curou feridas e restituiu saúde a corpos, faz agora com que "pelas suas pisaduras fôssemos sarados" (Is 53.5). Aquele que nos deu vida foi morto e sepultado. Contado como um entre os homens por um recenseamento, agora é contado como um entre os mortos. Entretanto a tumba não pode contê-Lo. Ressuscitou.

O Filho de Deus que tornou-se Cordeiro de Deus, em breve irá voltar. "Todo o olho o verá, até quantos o transpassaram" (Ap 1.7). Como Juiz que tem em suas mãos a chave, toda a autoridade, da morte e do inferno, abrirá e fechará os céus, a morte e o inferno aos homens conforme seu justo julgamento

Os remidos em Seu sangue entoarão aleluias pois serão convidados para as bodas do Cordeiro. E a sua noiva, a igreja, aclamará que Jesus Cristo, o Filho de Deus é "0 REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES" (Ap 19.16)

Então Ele se assentará em seu trono ao lado do trono do Pai e nós, os remidos por seu sangue, contemplaremos a Sua face, e nas nossas frontes estará o nome dele. O Senhor nosso Deus brilhará sobre nós, e reinaremos com Ele pelos séculos dos séculos. Amém.

IV. OS FILHOS DE DEUS

1. Na época da Lei. O conceito de filhos de Deus no Antigo Testamento, concernente a Israel, de- nota relacionamento com Deus mediante uma aliança ou concerto coletivo (Os 1.11). O hebreu devoto naquela época não se apresentava individualmente como filho de Deus. Os judeus não ousam chamar Deus de Pai, embora o Antigo Testamento apresente-o como o Pai de Israel (Êx 4.22; ir 31.9).

2. Na época da graça. Em o Novo Testamento, a filiação espiritual do crente com Deus ocorre por adoção. Não no sentido jurídico e moderno, mas na acepção bíblica e espiritual. Por isso clamamos a Deus “Aba, Pai” (Rm 8.1 5). Essa filiação não é coletiva como a de Israel no Antigo Testamento; é individual. A expressão “Filho de Deus”, aplicada a Cristo, tem sentido bem diferente quando aplicada a nós. Deus nos concedeu a posição de filhos pelos méritos da obra redentora de Cristo: “a fim de recebermos a adoção de filhos. E, por que sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Cl 4.5, 6).

CONCLUSÃO

A posição singular de Jesus como Filho, Primogênito e Unigênito aponta para a sua divindade. O sentido de “Filho” e de “Primogênito” não deve ser entendido pela perspectiva meramente humana. Estudemos esses termos teológicos com muito esmero, a fim de compreendermos sua verdadeira significação, pois ajudar-nos-á a desfazer a visão distorcida dos muitos grupos religiosos não-cristãos.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

PRIMEIRA CARTA DE JOÃO

1 de Julho de 2009 0 comentários

Iº CARTA DE JOÃO

Introdução

A primeira epístola de João tema de nosso terceiro trimestre, revela-nos os grandes ensinamentos do discípulo do amor. A carta escrita entre 85 e 95 dC, numa época de grande turbulência religiosa, o nobre discípulo de Cristo, lutava com todas suas forças para que o evangelho puro e genuíno fosse anunciado. Com objetivo de alcançar todos os Cristãos, o apóstolo combatia a existência de falsas doutrinas e ensinos que sorrateiramente estava agindo dentro das igrejas.

Está epístola reforça a preocupação do servo do Senhor com a igreja daquele período. Diante dos diferentes problemas enfrentados nos dias hodiernos, a igreja deve estar atenta aos desafios enfrentados no passado. Nossos “pais”, que pela direção do Espírito Santo, nos deixaram ensinos preciosos sobre o perigo dos falsos ensinamentos.

João um apóstolo preocupado com a igreja.

Devido aos falsos ensinamentos, as igrejas eram atacadas diretamente (Hb 13.9, I Tm 4.1,2). O combate as heresias, que haviam surgido dentro das igrejas (1 Jo 2.18,19), conscientizavam os cristãos a permanecerem ligados ao evangelho. Desta forma, guardando a verdadeira fé em Cristo.

As heresias que são doutrinas opostas aos verdadeiros ensinamentos, tende a promover facções. Esta palavra é encontrada na bíblia e equivale a seita, (At 5.17; 15.5) por facção (I Co 11.19, Gl 5.20, 2 Pe 2.1). Por conseguinte, o apóstolo João lutou combatendo este mal que é tão atual quanto naqueles dias.

Mas quem era João?

Segundo o texto bíblico João era irmão de Tiago e o nome de seu pai era Zebedeu. Talvez por suas personalidades forte fossem cognominados filhos do trovão (Mc 3.17). Era pescador e trabalhava junto com seu pai e irmão (Mt 4.21). Foi contado entre os doze discípulos escolhidos por Jesus (Mt 10.2). João e seu irmão, juntamente com sua mãe foram protagonistas de um pedido um tanto inusitado (Mt 20.20-23). Foi repreendido pelo Senhor (Lc 9.54,55).

Participou da transfiguração de Jesus no monte com seu irmão e Pedro (Mc 9.2). Presenciou a ressurreição de uma criança (Lc 8.51). Permaneceu até os últimos momentos da crucificação (Jo 19.25-27). Foi ao sepulcro após saber da ressurreição (Jo 20.2). Estava com Pedro na cura de um coxo na porta formosa (At 3.1-9). Pregava o evangelho com ousadia e autoridade (At 4.13).

Paulo o considerava como coluna da igreja (Gl 2.9). Teve a revelação, por parte do nosso Senhor Jesus, do livro do apocalipse (Ap 1.1). Escreveu as sete igrejas da Ásia (Ap 1.4). Por causa do evangelho foi preso na ilha de Patmos, uma pequena ilha rochosa localizada no mar Egeu, a sudeste de Éfeso. (Ap 1.9). Teve a oportunidade de contemplar as maravilhas da nova Jerusalém reveladas pelo Senhor ( Ap 21.2).

Segundo Jon Fox, em o Livro dos Mártires, escreveu sobre João o discípulo amado; “As igrejas de Esmirna, Pergámo, Sardes, Filadélfia, Laodicéia e Tiatira foram fundadas por ele. Enviado de Éfeso a Roma, conta-se que foi jogado num caldeirão de óleo fervente, de onde escapou milagrosamente, sem dano algum. Domiciano exilou-o na ilha de Patmos, onde escreveu o livro de Apocalipse. Nerva, o sucessor de Domiciano, libertou-o. E ao contrário dos outros apóstolos, foi o único que morreu de morte natural” (Fox, CPAD pg.6).

Uma mensagem diferente.

O apóstolo do amor como ficou conhecido, sempre manteve diante das adversidades uma postura séria ao divulgar o verdadeiro evangelho. No trato com os irmãos o apóstolo ressalta em sua carta a generosidade deste amor. Usando por cerca de oito vezes a palavra “filhinhos” (1° Jo 2.1; 2.12; 2.18; 2.28; 3.7; 3.18; 4.4; 5.21), no grego se lê tekníon, que significa criançinhas, este substantivo retrata a qualidade impar deste apóstolo.

Ao aproximar dos irmãos com este tratamento, o que se percebe é um homem que experimentou o aprendizado de andar com o mestre dos mestres Jesus, quanto ao trato com os seus discípulos (Jo 15.14). O apóstolo foi marcado pelo amor ao evangelho e sua proximidade com o Senhor Jesus impregnou-o com um amor profundo pelas almas.

Uma testemunha fiel.

Outro aspecto que permeia a 1° epístola de João é a veracidade de ele ter estado com o mestre. A base de sua fé era imutável, “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida”. 1 Jo 1.1. O evangelista transfere para sua carta toda a sua intimidade com o Senhor Jesus. Sem dúvida, o escritor do quarto evangelho não só viveu com o mestre, mas suas mãos o tocaram.

Ora, um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus.” Jo 13.23. O amor que Jesus nutria pelo referido apóstolos, verificou-se tanto em vida como no ato de sua crucificação, pois lá do madeiro, o mestre querido transferiu a responsabilidade de cuidar de sua mãe ao seu discípulo amado (Jo 19.25-27).

Nesta carta encontraremos muito mais do que tratados eclesiásticos ou ensinos contra as heresias. Encontramos um homem, preocupado com a igreja naquele momento, e por muitos outro que ainda estariam adentrando ao reino dos céus (Jo 10.16) até o fim dos tempos.

Um pouco de História.

Para se entendermos o momento histórico no qual viveu o nobre apóstolo, é preciso compreender que após a diáspora judaica, do ano 70 da nossa era, pouco é revelado nos textos bíblicos sobre os governos daquele período. Na trajetória histórica dos imperadores romanos podemos identificar um pouco da vida do apóstolo João. O apóstolo sofreu o desterro para ilha de Patmos onde ele teve a revelação do livro de apocalipse. Do ano 70 até ao ano 95 o império romano teve muitos imperadores, e cada um teve papel importante na história da igreja.

Tito Flávio Vespasiano (Vespasiano)

Após a morte de Nero surge no comando do império romano Vespasiano, que se tornaria imperador entre os anos de 69-79.

Importante imperador romano nascido em Falacrina, também grafado na forma latina como Caesar Vespasianus Augustus, o fundador da dinastia Flávia, e que através de uma enérgica política pôs fim às guerras civis que assolaram Roma após a morte de Nero e promoveu a unidade interna do império. Foi designado por Nero para reprimir uma rebelião dos hebreus na Judéia (67). Conquistou toda a Judéia, exceto Jerusalém. Com a morte de Nero (68) voltou a Roma, deixando seu filho Tito no cerco a Jerusalém.

A cidade de Roma perde estabilidade política e fica perto de uma guerra civil. Proclamado imperador (69) pelas legiões egípcias, seguidas pelas da Síria e da Judéia e com o apoio de Muciano, combateu e venceu as forças de Vitélio, que foi derrotado e assassinado. Devido à sua origem humilde, operosidade e simplicidade, tornou-se muito popular e, em função deste prestígio, o Senado lhe delegou poderes excepcionais. Promoveu a estabilidade política e revitalizou a economia imperial por meio de rigorosa reforma tributária, desenvolveu um vasto programa de obras públicas como a restauração do Capitólio e o início da construção do Coliseu.

Tito Flávio Vespasiano (Tito)

Imperador romano nos anos de 79-81, provavelmente nascido em Roma, filho mais velho e sucessor de Tito Flávio Vespasiano, que terminou a construção do Coliseu, obra iniciada por seu pai. Foi indicado comandante de uma das legiões comandadas por seu pai na Judéia. Demonstrou notável bravura, e assumiu o comando da guerra quando seu pai foi proclamado imperador (69) adquirindo grande prestígio militar, após sufocar a Revolta Judia. Foi responsabilizado pelos judeus pela destruição de Jerusalém (70).

Durante o reinado de Vespasiano, participou do poder imperial, ocupou sete consulados e comandou a guarda pretoriana. Morreu em Roma e durante seu curto reinado ocorreu à catástrofe do Vesúvio (79) e Roma sofreu um grande incêndio e foi atacada pela peste.

Tito Flávio Domiciano Augusto ( Domiciano)

Imperador romano (81-96) nascido em Roma, considerado o último imperador da Dinastia Flávia e cuja política centralizadora e a atitude tirânica, semeou o terror entre os habitantes de Roma, e tornaram seu governo extremamente impopular. Segundo filho de Tito Flávio Vespasiano, e sucessor do irmão mais velho Tito Flávio Vespasiano, o filho, limitou os poderes do Senado, irritando ainda mais os senadores ao acumular os títulos de cônsul (82-88) e de censor perpétuo (85-96). No campo militar obteve grandes vitórias como a conquista da Grã-Bretanha. Construiu uma fronteira fortificada ao longo do Danúbio e firmou uma paz vantajosa com os dácios. Negativamente desenvolveu a repressão política e as perseguições contra Cristãos e Judeus que aterrorizaram toda a população. Foi no período do governo de Domiciano, segundo a tradição, que o apóstolo João foi desterrado para a ilha de Patmos. Domiciano morreu assassinado (96), vítima de uma conspiração palaciana da qual aparentemente participou sua própria mulher.

Marcus Cócio Nerva (Nerva)

Imperador romano entre os anos de 96-98 nascido em Umbria, eleito pelo senado após o assassinato de Domiciano, em apenas dois anos de governo notabilizou-se como administrador justo e introduziu reformas liberais tornando-se um dos governantes mais queridos da história imperial, embora não tenha tido apoio militar. Sua carreira política sustentou-se na lealdade e respeito ao senado. Não se conhecem experiências militares ou nomeações para governos provinciais em sua carreira, ele permaneceu decididamente leal ao Senado. Por sua idade, sua dignidade e o fato de não ter filhos, não havendo, pois, perigo de que ele fundasse uma dinastia ou adotasse os métodos autocráticos, foi escolhido imperador provisório (96) em substituição a Domiciano. Em suas reformas liberais, permitiu que os exilados voltassem e foi proclamada a liberdade, a libertas. Segundo John Fox, em o Livro dos Martires, foi no governo de Nerva que o apóstolo João ganhou a liberdade e pode sair da ilha de Patmos.

Como podemos perceber na história da igreja primitiva, as vidas de todos os cristãos e judeus e principalmente dos apóstolos, eram atingidas diretamente pelos governantes romanos.

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” Rm 8.28. Não foi a prisão que calou o apóstolo, nem mesmo as perseguições. A epístola de João é fascinante e serve de alerta para todos nós. Vivendo num tempo de crise, não se tornou mais um no meio da multidão, alçou a sua voz e proclamou o verdadeiro evangelho. A sua voz ecoou por quase dois mil anos e chegou até nós.

Conclusão

“Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que desde o princípio ouvistes” 1° Jo 2.7. A atualidade da epístola escrita pelo apóstolo João revela a preocupação com a igreja do Senhor Jesus Cristo. Enquanto muitos têm as “suas igrejas”, e nelas não existem mais as ações poderosas do Espírito Santo, estes correm o risco de serem presas fáceis do mundo moderno. O despertamento da igreja nestes últimos dias depende da observação daquilo que os santos homens de Deus escreveram no passado.

Presb. Juarez Alves, membro da Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém, Dourados, Ms.

Professor de História.

Formação Teológica ETAD.

Bibliografia

BOYER Orlando, Pequena Enciclopédia Biblica. Rio de Janeiro, CPAD.

FOX John, O Livro dos Martires, Trad. Marta Doreto de Andrade e Degmar Ribas Júnior. Rio de Janeiro, CPAD 2001.

JOSEFO Flavio, Historia dos Hebreus. Trad. De Vicente Pedroso. Rio de Janeiro, CPAD, 199O.

HENRY Matteu, Comentário Bíblico, Trad. Degmar Ribas Júnior. Rio de Janeiro, CPAD 2002.

Novo Testamento Interlinear Grego-Português, Sociedade Bíblica do Brasil. São Paulo 2004

AMOR, A VIRTUDE SUPREMA

24 de Junho de 2009 1 comentários

A MAIOR DE TODAS AS GRAÇAS ESPIRITUAIS - (13.1-13)

No NT, a palavra para amor (que em algumas traduções é expressa como caridade) é agape. Embora esse termo não fosse comum antes do nascimento da igreja cristã, ele já era conhecido. A Septuaginta (LXX) usa freqüentemente essa palavra e ela foi adotada pelos cristãos do primeiro século para designar um amor diferente tanto de eros (amor egoísta e ligado aos desejos), como de philia (simpatia natural, ou amizade).

Ágape é um amor que está em completa harmonia com o caráter da pessoa que o exprime. Dessa forma, no NT a palavra ágape expressa cuidado e compaixão por aqueles que são totalmente indignos. Era um amor dedicado aos outros sem qualquer expectativa de benefício ou recompensa. Era um sentimento supremo e redentor, e só poderia vir de Deus. Sua maior expressão foi revelada na cruz de Cristo. Ele passaria a ser uma marca registrada especial de todos os cristãos.

“O Maior Dom” é o amor porque: 1) E o dom mais essencial, 1-3; 2) E uma característica acentuada de Cristo, 4-6; 3) E o dom mais abrangente, 7; 4) E o dom mais permanente, 8-13.

1. O Amor é Essencial (13.1-3)

Os dons têm um lugar especial na igreja e são muito úteis. Mas o amor representa a essência da vida cristã, e é absolutamente necessário. Ele encontra um lugar mesmo entre os dons carismáticos, porém os dons sem a presença do amor são como um corpo sem alma.

a) O amor é maior que a habilidade de falar (13.1). Paulo começa apresentando uma possibilidade hipotética: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos. Se uma pessoa tiver o excelente dom da oratória, ou de pronunciar expressões angelicais, mas não tiver o amor, ela não acrescentará nada às outras pessoas. Sem amor, o dom de falar se torna vazio e imprudente — ele é como o metal que soa ou como o sino que tine. O metal que soa (“gongo barulhento”, RSV) significa um pedaço de metal não lavrado ou gongo usado para chamar a atenção.

Tinir (alalazon) significa “colidir”, ou um som alto e áspero. O sino (ou címbalo, RA) consistia de duas meias circunferências que eram golpeadas causando um estrondo. A idéia aqui é de um inexpressivo som de metal em lugar de música.

O objetivo do apóstolo é mostrar que o homem que professa o dom da glossolalia, da forma como era praticada em Corinto, mas que não tem amor, na realidade não é mais que um instrumento metálico impessoal. Entretanto, a finalidade “do versículo não é colocar a glossolalia sem amor contra a glossolalia com amor, mas compará-la com o amor”. No cristianismo não há um substituto para o amor.

b) O amor é mais necessário que a profecia, o conhecimento (ou ciência) e a fé (13.2). Paulo colocou a profecia ao lado do apostolado (12.28), sem minimizar a sua importância. Mas embora a profecia seja demasiadamente inspiradora e vital para o progresso da igreja, ela não é tão necessária quanto o amor. Os mistérios são verdades que não podem ser conhecidas pela razão humana; eles são concedidos através da revelação divina.

Estes mistérios são verdades espirituais relacionadas com a história da redenção, especialmente as verdades de natureza escatológica, isto é, relacionadas com os futuros acontecimentos do plano de Deus para o mundo. A ciência não é mais que um entendimento intelectual. Como a ciência é um dom, ela contém um elemento místico baseado na experiência e no relacionamento pessoal. Aqui, a fé se refere ao extraordinário poder de realizar milagres; portanto ela é um dom. Toda a fé indica a possibilidade de ter esse dom em seu sentido mais amplo.

A igreja de Corinto dava muita importância às pessoas que tinham conhecimento dos assuntos humanos e divinos, e que conseguiam fascinar as outras com seus feitos de fé. No entanto, Paulo faz uma declaração arrebatadora, as dizer que alguém pode ter esses dons e ainda assim não ser nada. E o amor que faz a diferença. Mesmo sem esses dons, o amor ainda representa o supremo valor. Sem amor todos os dons são insignificantes.

c) O amor é mais importante que o auto-sacrifício (13.3). Paulo comparou o amor aos dramáticos atos de falar e às dinâmicas atividades da mente e do espírito. Agora o apóstolo se volta aos fatos da misericórdia e do sacrifício. Ele escreve:

Ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade (ou amor), nada disso me aproveitaria. A palavra distribuir (psomiso) significa “partir e distribuir em pequenas porções; alimentar com pedacinhos; e pode ser aplicada até mesmo à repartição de uma propriedade em pequenas frações”. O verbo está no tempo aoristo, e indica que a ação se completou e a distribuição foi feita.

Mesmo vendendo suas posses e distribuindo o dinheiro em uma atitude única, completa e decidida, alguém ainda pode oferecer o seu próprio corpo para ser queimado. Essa expressão pode se referir ao ato de castigar o cristão como o criminoso que tem seu corpo marcado com ferro em brasa. Ou pode se referir ao martírio onde a pessoa experimenta a agonia da morte ao ser amarrada a um poste cercado de lenha para ser queimada. Outros pensam que o significado pode ser o da venda voluntária do corpo como escravo, a fim de angariar dinheiro para ajudar a causa de Cristo. De qualquer maneira, não importa o sacrifício que alguém tenha feito, se não houver amor, não haverá nenhum benefício.

2. O Amor é como Cristo (13.4-6)

a) É como Cristo em sua afirmação (13.4a). O amor é parente da paciência e da bondade. Paulo declara: A caridade (ou amor) é sofredora (makrothymia). Esse item significa paciência para suportar a injustiça sem sentir ira ou desespero. “O amor tem uma infinita capacidade de suportar”. Essa paciência envolve mais as pessoas do que as circunstâncias. Ser benigno (chrestotes) é ter um tipo de “bondade e de cortesia que vem do coração e que representa a contrapartida ativa da paciência”.

b) É como Cri sto em suas negações (13.4b-6). O amor se manifesta positivamente na paciência e na bondade.

Ele também se revela negativamente através das restrições que coloca a si mesmo. Assim sendo, podemos confiar no amor tanto pelo que ele faz, como por aquilo que ele não faz.

1)O amor não sente inveja (13.4). Invejar é um verbo usado às vezes em um sentido favorável, como em 12.31: “Procurai com zelo os melhores dons”. Essa palavra significa basicamente “ser zeloso por ou contra qualquer coisa ou pessoa”.6’ Quando usada em um contexto desfavorável, ela significa ser zeloso contra uma pessoa; portanto, ter ciúme ou sentir desprazer perante o sucesso de alguém.

2)O amor não se ufana (13.4, versão ARA). A expressão não trata com leviandade introduz uma vivida palavra que quer dizer “fanfarrão ou falador”,62 Ela é “usada em relação a alguém que louva suas próprias qualidades”.63 Essa advertência foi especialmente necessária aos coríntios, que eram inclinados a se orgulhar dos seus dons.

3) O amor não se ensoberbece (13.4). Ensoberbecer (physioutai) significa inflar, ofegar, suspirar. Portanto, quer dizer “inchado de orgulho, vaidade, e auto-estima”. E diferente de jactar-se, no sentido de expressar ativamente sentimentos de orgulho e egoísmo. Um homem pode ter um sentimento de auto-exaltação e ser suficientemente inteligente para disfarçá-lo através de uma demonstração de religiosidade. Dessa forma, ele não irá se expor às críticas de ser uma pessoa soberba. O amor elimina esse sentido interior de auto-exaltação, assim como a sua manifestação exterior.

4)O amor não se porta com indecência (13.5). Aqui Paulo está falando sobre o perfeito amor e a maneira como ele opera na vida cristã. O “caminho mais excelente” é o caminho da santidade. O apóstolo não está se referindo simplesmente a um ideal a ser alcançado, mas indicando uma experiência de amor que está no tempo presente. O momento é agora. Esse amor não se porta com indecência, não faz nada que seja “vergonhoso, desonroso ou indecente”. O amor demonstra o devido respeito para com aqueles que têm autoridade, e uma adequada consideração pelas pessoas sobre as quais a autoridade é exercida. O amor “inspira tudo que é conveniente e próprio na vida, e protege contra tudo que é inconveniente e impróprio”.

5) O amor não é interesseiro (13.5). Jesus descreveu a abordagem básica à vida cristã quando falou sobre o grão de trigo que cai na terra e morre para que possa viver (Jo 12.24). Esse é o amor cristão que está em direta oposição ao interesse egoísta. O egoísmo e o amor não podem residir no espírito do mesmo homem. O amor não pode encontrar a sua própria felicidade às custas dos outros. Isso não significa que o homem não deva se preocupar com o seu próprio bem-estar, nem que ele deva se descuidar de sua saúde física, de seus bens, felicidade ou salvação, Significa que o homem não deve fazer da sua felicidade pessoal e de seu bem-estar a principal motivação da sua vida, O amor leva o cristão a procurar o bem-estar dos outros, mesmo às custas do esforço, da abnegação e do sacrifício pessoal.

6) O amor não se irrita (13.5). O amor não se deixa provocar. “A leviandade é supérflua e dá um colorido diferente a uma afirmação que é absoluta: ele não é provocado, nem exasperado. Quando usada em um sentido desfavorável, a palavra irritar significa “provocar a ira, enervar”. Portanto, o amor não é melindroso, nem hipersensível, e não se ofende. Somente o amor pode vencer as irritações reais ou imaginárias que uma pessoa experimenta na vida.

7) O amor não suspeita mal (13.5). A palavra traduzida como suspeita (logizetai) significa levar em conta, acusar, calcular ou registrar. O amor não soma, nem atribui más intenções ou desejos perniciosos a um homem. Como Godet explica: “O amor, em vez de registrar o mal como um débito em seu livro contábil, voluntariamente ‘passa uma esponja’ sobre aquilo que ele suporta”

8)O amor não folga com a injustiça de qualquer espécie (13.6). O amor não participa de qualquer ato pessoal de pecado ou injustiça. Não se alegra com os vícios dos outros homens, nem encontra prazer quando outros se revelam culpados de algum crime. Pelo contrário, o amor se alegra com a verdade e encontra prazer nas virtudes dos outros. O amor e a verdade são irmãos gêmeos na família da fé. Esse amor não pode ser indiferente ou neutro; ele sempre é a favor de algum dos lados. O amor se retrai perante a injustiça, mas abraça a verdade.

3. O Amor é a Mais Abrangente de Todas as Graças (13.7)

Nesse ponto, o apóstolo muda seu tema de retumbantes afirmações negativas para emocionantes afirmações positivas. Os dons carismáticos, especialmente a glossolalia, estavam confinados apenas a algumas pessoas e tinham pouco valor prático. O amor, por outro lado, é tão amplo e abrangente quanto o espírito do homem que é moldado pela graça de Deus.

a) O amor tudo sofre, tudo suporta (13.7a). Na literatura clássica a palavra sofrer (stego) significava “cobrir, considerar em silêncio, manter confidencial”.69 Aqui, uma excelente tradução da idéia de Paulo é “o amor que lança um manto de silêncio sobre aquilo que é desagradável em uma outra pessoa”.7° Essa palavra também contém a idéia de suportar. Portanto, o amor pode ocultar ou suportar aquilo que é desagradável em alguém. Whedon comenta: “Assim como a mãe procura cobrir as faltas dos seus filhos, Paulo preferia ocultar os erros dos coríntios, ao invés de expô-los”.7’ O amor afasta os ressentimentos e espera o melhor das pessoas, mesmo quando as aparências indicam o contrário.

b) O amor gera confiança nos outros (13.7b). Os coríntios formavam uma multidão de céticos. Sentiam dificuldade em confiar uns nos outros. A rivalidade em relação aos vários dons havia produzido um abismo em sua confiança. Paulo diz a esses filhos problemáticos que o amor acredita em tudo; o amor tudo crê. O verbo crer (pisteuei) significa ter confiança nos outros, colocar a melhor interpretação em seus atos e motivos. Certamente Paulo não está sugerindo que um cristão cheio de amor seja uma pessoa extremamente crédula que acredita em tudo o que é apresentado à sua mente. Ele quer dizer que o amor está pronto para acreditar no melhor que existe nos outros e a tolerar as circunstâncias.

c) O amor produz uma esperança perpétua (13.7c). O amor nunca desiste — ele acompanha o homem até os limites da sepultura, sempre esperando o melhor. O amor não produz uma espécie de otimismo sentimental que cegamente se recusa a enfrentar a realidade, e se nega a aceitar o insucesso como definitivo. Em vez de aceitar o insucesso dos outros, “o amor irá se firmar nessa esperança até que todas as possibilidades de tal resultado tenham desaparecido, e é compelido a acreditar que a conduta não é suscetível a uma justa explicação”.

d) O amor permanece firme (13.7d). O amor permanece forte perante o desapontamento, é corajoso na perseguição e não se queixa. Suportar (hypomeno) significa “manter a posição, recusar-se a ceder, resistir”.73 Dessa forma, quando o cristão não consegue mais acreditar ou esperar, ainda assim ele pode amar. Essa permanência não é uma simples aquiescência, mas uma reação silenciosa e estável a pessoas ou eventos que não merecem paciência. O amor é permanente.

4. O Amor é a Graça Mais Completa (13.8-13)

Paulo atinge agora o seu clímax. Três dos dons de mais elevado conceito são mencionados como temporários. O permanente amor se coloca contra esse caráter temporário de todas as outras virtudes. Os dons carismáticos são parciais, enquanto o amor é perfeito.

a) O amor é eterno e nunca falha (13.8). Quando os redimidos estiverem diante de Deus, não haverá mais a necessidade de profecias. As línguas, tão consideradas pelo coríntios, cessarão, pois o homem estará livre de tudo que o separa de Deus e dos outros. A ciência — tanto a sabedoria adquirida pelo homem, como os mistérios revelados por Deus — desaparecerá perante o perfeito conhecimento de Deus.

b) O amor é perfeito e completo (13.9-12). Na consumação final da história redentora, todas as imperfeições serão substituídas pelo perfeito — Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado (10). Nesse dia, todas as imperfeições desaparecerão e tudo que aqui parece obscuro e incompreensível se tornará claro.

1) A imperfeição do entendimento parcial (13.11). O atual conhecimento do homem, comparado ao que ele terá no céu, é igual ao conhecimento de uma criança em relação ao de um homem maduro. Apalavra menino (nepios) quer dizer criança pequena, ou infante, embora sem nenhum limite específico de idade. Ela se refere ao primeiro período da existência antes da meninice ou da puberdade.

O verbo sentia (ephronoun) se refere aqui “ao primeiro e pouco desenvolvido exercício da mente infantil: a um pensamento que ainda não está ligado ao raciocínio”.74 O pensamento (logizomai) denota uma progressão para o entendimento, e de logizomai vem o significado de inferir as coisas ou relacionar conceitos. A idéia aqui é que quando Paulo amadureceu no amor cristão, ele abandonou as coisas infantis com deliberada decisão e finalidade.

2)A imperfeição da visão parcial (13.12). Paulo escreve: Porque, agora, vemos por espelho em enigma. Por causa da natureza dos espelhos da época de Paulo, seu reflexo era vago ou obscuro. O espelho dos gregos e romanos era um disco delgado de metal polido de um lado, sendo que o outro lado era liso ou continha algum desenho. Nessa época também eram feitos espelhos de vidro, mas não eram amplamente utilizados.

A palavra enigma (ainigmati) significa na verdade uma “adivinhação” e sugere um enigma ou uma obscura intimação. Portanto, da maneira como foi usada pelo apóstolo, a palavra significa de forma obscura, vaga, ou imperfeita. A expressão então, veremos face a face indica uma brilhante antecipação. Quando o homem estiver na presença de Deus sua visão será perfeita, e nada se colocará entre eles para obscurecer a presença de Deus.

O mesmo que acontece com a visão, acontecerá com o conhecimento. Paulo já havia afirmado que nosso conhecimento terreno é parcial (9), mesmo quando resulta de um dom especial. Contra esse conhecimento parcial o apóstolo coloca o perfeito conhecimento do redimido na presença de Deus. Os termos da versão TEV transmitem a seguinte idéia: “Agora, conheço em parte; mas, então, conhecerei de forma completa, assim como sou conhecido por Deus”.

3)A perfeição do amor (13.13). Fazendo um contraste com os dons temporários que tanto haviam ocupado a atenção dos coríntios, fica confirmada a permanência das três principais graças cristãs: Permanecem a fé, a esperança e a caridade. De acordo com Paulo a fé é essencial à salvação (Rm 3.28; Gl 2.20). E impossível viver sem esperança. Quando a esperança morre o espírito morre. Mas, dessas três graças cristãs básicas — a maior é o amor.

Faris D. Whitesell intitula esta exposição do capítulo 13 como: “A Excelência do Amor Demonstra a Sua Excelência”.

1) O amor torna os dons da vida aproveitáveis, 1-3;

2) O amor transforma os relacionamentos da vida em algo maravilhoso, 4-7;

3) O amor faz com que as contribuições da vida se tornem eternas, 8-13 (da obra Sermon Outlines on Favorite Bible Chapters).

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Comentário Bíblico Beacon

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A superioridade do amor em relação aos dons

(I Co 13.1 -13)

O CAPÍTULO 13 DE 1 C0RÍNTIOS é considerado a obra mais grandiosa, mais vigorosa e mais profunda que Paulo escreveu.’ 79 Paulo fala sobre a superioridade do amor sobre os dons, as excelências magníficas do amor e a perenidade do amor.

Todavia, o que é amor? Muitas pessoas relacionam o amor com a emoção. O coração bate forte, as mãos ficam geladas, perpassa um calafrio pela espinha. Então, as pessoas pensam: Isso é amor!

Outros relacionam o amor com um sentimento romântico e platônico. Limitam o amor a algo puramente sentimental, filosófico, e romântico. Para outros, ainda, o amor é uma atração irresistível ou um impulso passional. Trata-se apenas de uma paixão inflamada e indomável.

A palavra amor está profundamente desgastada. John Mackay afirma que uma das principais artimanhas do maligno é esvaziar o conteúdo das palavras. Se existe uma palavra que foi esvaziada, distorcida, e adulterada em seu significado é a palavra amor. Amor tornou-se símbolo de paixão, de sexo, sobretudo, de intercurso sexual fora do casamento. Esse tipo de amor tem trazido ódio, desgraças, divisões, lares arruinados e enfermidades.

E óbvio que quando o apóstolo Paulo fala em amor, usa uma palavra específica, ágape. O amor ágape é o próprio amor de Deus. É o amor sacrificial, genuíno, puro. É o amór santo, que não busca seus interesses. E o amor que se entrega. E o amor que é mais do que emoção. É atitude, é ação. E amar o indigno. E amar até às últimas conseqüências. E amar como Cristo amou. Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela. David Prior diz que ágape é o amor pelos totalmente indignos. Provém antes da natureza daquele que ama, que de qualquer mérito do ser

Examinaremos esse capítulo dentro desse contexto. Quando você estuda as cartas do apóstolo Paulo às igrejas de Éfeso, Filipos, Colossos e Tessalônica, observa que ele agradece a Deus pelo amor existente entre aqueles irmãos. Paulo elogia aquelas igrejas pelo amor que tinham. Porém, Paulo não elogia a igreja de Corinto nesse particular. Ao contrário, Paulo elogia a igreja de Corinto pelos dons, mas não pelo amor. Corinto era uma igreja cheia de dons. Não faltava àquela igreja nenhum dom (1.7), entretanto, faltava- lhe a prática do amor.

Na verdade esse era o ponto vulnerável daquela igreja. Era uma igreja trôpega e frágil na prática do amor fraternal. A igreja de Corinto era imatura e carnal (3.3). Por essa razão, Paulo escreve o capítulo 13, o grande capítulo do amor.

Infelizmente, costumamos ler esse capítulo sem considerar o contexto da carta.

O capítulo 13 está entre dois capítulos tratando de dons espirituais. Não foi cochilo do apóstolo Paulo colocar esse texto sobre o amor “sanduichado” entre dois capítulos que tratam de dons espirituais. Paulo está dizendo que todos os dons mais dramáticos e mais maravilhosos que podemos imaginar são inúteis, se não houver amor.

Como diz F.F. Bruce: “O exercício mais generoso dos dons espirituais não pode compensar a falta de amor”. Não podemos entender a mensagem desse capítulo a não ser que o interpretemos à luz deste contexto.

Paulo está condenando a carnalidade da igreja de Corinto e mostrando que a única saída para uma igreja carnal e imatura é o remédio do amor. Paulo diz que a vida comunitária sem amor não é nada (13.1-3); a seguir, ele descreve o que o amor é, o que o amor não é, e o que o amor faz (13.4-7). Finalmente, Paulo descreve a natureza duradoura e eterna do amor (13. 8b- 13). Dividiremos esse estudo em três partes distintas: A superioridade do amor, as virtudes do amor e a eternidade do amor.

A superioridade do amor (13.1 -3)

O amor é superior a todos os dons extraordinários. Esse é o argumento de Paulo. A igreja de Corinto estava muito orgulhosa dos dons que tinha, especialmente os dons de sinais. Os crentes de Corinto acreditavam que aqueles que possuíam esses dons eram superiores aos demais. Eles chegaram a pensar que os detentores desses dons de sinais, especialmente, o falar em outras línguas, eram crentes de primeira categoria, que haviam alcançado um estágio mais elevado de intimidade com Deus. Então, eles estavam orgulhosos e ensoberbecidos por esses dons da igreja.

Paulo, porém, desmistifica esse equívoco deles, mostrando que o amor é superior aos dons. O amor é melhor do que o dom de línguas (13.1). O amor é melhor do que o dom de profecia e de conhecimento (13.2). O amor é melhor do que o dom de milagres (13.2). O amor é melhor do que o dom da contribuição sacrificial (13.3). O amor é melhor do que o próprio martírio, dar o seu corpo para ser queimado (13.3).

O amor é superior aos dons por duas razões: Pelas suas qualidades e pela sua perenidade. Os dons cessam. Eles são apenas para esta vida, Os dons são apenas para este mundo. Eles são para a igreja militante. Porém, o amor é também para a Igreja triunfante. O amor transcende a História. Ele é eterno.

Paulo menciona cinco dons espirituais que a igreja de Corinto reputava como os mais importantes: línguas, profecia, conhecimento, fé, e contribuição sacrificial (dinheiro e vida). Paulo argumenta com a igreja que esses dons sem amor não têm nenhum valor. As maiores obras de caridade são de nenhum valor sem amor (13.3). O amor é melhor por causa da sua excelência intrínseca e também por causa da sua perpetuidade.

Todos os dons, por mais nobres são inúteis, se não houver amor. O exercício mais generoso dos dons espirituais não pode compensar a falta de amor. O exercício desses dons sem o amor não tem nenhum valor para a edificação da igreja. A igreja de Corinto estava cheia de rachaduras, traumas, partidos, grupos, cisões, e divisões pela falta de amor. Dons sem amor não sinalizam maturidade espiritual.

Na igreja de Corinto havia complexo de inferioridade e complexo de superioridade em relação aos dons espirituais. Havia quem se sentia um zero à esquerda e outros que batiam no peito e se enchiam de empáfia, desprezando os demais. Eles viviam na igreja como se estivessem num campeonato de prestígio.

Em Corinto estava a igreja mais cheia de dons do Novo Testamento, mas também a igreja mais imatura e mais carnal, porque lhe faltava amor. A igreja buscava os dons do Espírito, mas não o fruto do Espírito.

Paulo faz três declarações duras acerca do cristão que não tem amor.

Em primeiro lugar, sem amor, eu ofendo os outros (13.1). Paulo já havia ensinado que o amor edifica (8.1). Quando os dons são exercidos em amor, eles edificam a igreja. Mas quando os dons não são usados com amor, magoamos as pessoas. Paulo expõe esse assunto por meio de uma referência indireta aos devotos dos cultos de mistério gregos em Corinto, que adoravam Dionísio (deus da natureza) e Cibele (deusa dos animais selvagens).’84 Observe as três comparações que Paulo faz no final de cada um dos três versículos:

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará (13.1-3).

O que essas figuras “bronze que soa” e “címbalo que retine” significam? “Bronze que soa” e “címbalo que retine” eram instrumentos usados no culto pagão em Corinto, o culto de mistério do deus Dionísio e da deusa Cibele.’85 Eram formas de se convocar os fiéis para adorar esses deuses pagãos. Nas ruas de Corinto ecoava o toque dos gongos barulhentos e dos címbalos estridentes, instrumentos que caracterizavam esses adoradores. Ambos eram utilizados nas religiões de mistério para invocar a deidade, afastar os demônios ou despertar os adoradores. Não eram melodiosos nem produziam harmonia.186 Era uma batida monótona, chocante, e doída que cansava e incomodava as pessoas. Era como o latido de um cão.

Igualmente desagradável é o uso do dom de falar em línguas sem a motivação controlada pelo amor. Paulo afirma que uma pessoa pode falar a língua dos homens e dos anjos, mas se não houver amor, vai cansar as pessoas, ferindo-as e ofendendo-as. Não importa se as línguas são humanas ou angelicais; sem amor, elas se tornam desagradáveis e rudes. O homem que se deixa levar pelo falar, antes que pelo fazer, vem a ser nada mais que mero som. A melhor linguagem do céu ou da terra, sem amor, é apenas barulho.

Em segundo lugar, sem amor, eu nada sou (13.2). Os crentes de Corinto pensavam que aqueles que tinham o dom de profecia, línguas, conhecimento, e fé para realizar milagres eram os crentes “nota dez”, pessoas muito importantes.

Todavia, Paulo contesta essa idéia e diz que sem amor essas pessoas eram totalmente insignificantes. Sem amor, os crentes que têm os dons mais espetaculares, ganham nota zero e se tornam nulidade. Deus não se deleita num cristão sem amor. Deus não pode usar, para a Sua glória, um cristão sem amor, alerta David Prior.

Em terceiro lugar, sem amor, eu nada ganho (13.3). Do conhecimento e dos feitos poderosos, Paulo se volta para os atos de misericórdia e dedicação. Havia uma idéia meritória quando alguém ofertava alguma coisa com sacrifício. Ou quando alguém entregava o próprio corpo para ser queimado. Nas religiões de mistério existia muito esse tipo de sacrifício. Os pais sacrificavam os próprios filhos a Moloque. Outros se entregavam a si mesmos, acreditando que com isso granjeariam a simpatia dos deuses. Ainda hoje há muitos religiosos radicais que se entregam a missões suicidas com a ilusão de que receberão recompensas na vida futura.

Exemplo disso é o acontecido no dia 11 de setembro de 2001, quando quatro pilotos muçulmanos, agindo em nome de AIá, seqüestraram aeronaves americanas e fizeram delas armas de ataque contra o povo americano. Duas aeronaves foram lançadas sobre as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, outra foi jogada sobre o Pentágono em Washington, DC e outra por intervenção dos passageiros, deixou de atingir seu alvo e caiu no Estado da Pennsylvania.

Paulo, já no primeiro século da era cristã, alertava para o fato de que ainda que a pessoa seja capaz de dar todos os seus bens e entregar o próprio corpo para ser queimado, se isso não for inspirado por uma motivação certa, por uma teologia certa, pelo amor, nada disso adiantaria. Sem amor, todo o sacrifício se perde e nada se ganha. O amor é superior aos dons.

As virtudes do amor (13.4-8)

O apóstolo Paulo destaca três verdades sobre o amor, que vamos considerar: O que é o amor? O que não é o amor? E o que o amor faz?

O que é o amor? O amor é paciente e benigno. O que não é o amor? O amor não é ciumento, não se ufana, não se ensoberbece. O amor não se conduz inconveniente, não procura os seus interesses e não se ressente do mal. O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. O que o amor faz? O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; o amor jamais acaba.

O capítulo 13 de 1 Coríntios é profundamente apologético. Paulo escreve esse texto para corrigir os problemas que a igreja estava vivenciando.

Vamos examinar esses atributos do amor.

Em primeiro lugar, o amor é paciente (13.4). O amor paciente tem uma capacidade infinita de suportar. O termo grego makrothumein sempre descreve a paciência com pessoas e não com circunstâncias.

Trata-se daquela pessoa que tem poder para vingar-se, mas não o faz.19’ A palavra grega makrothumia é paciência esticada ao máximo. Num tempo em que os nervos das pessoas estão à flor da pele, o amor paciente é necessidade vital. Há pessoas que têm o pavio curto, e outras que nem têm pavio. As pessoas estão parecendo barris de pólvora: explodem ao sinal de qualquer calor.

O amor tem uma infinita capacidade de suportar situações adversas e pessoas hostis. A idéia é a mesma da longanimidade. Quem ama tem um ânimo longo, um ânimo esticado ao máximo. O amor é paciente com as pessoas. Ele tem a capacidade de andar a segunda milha. Quando alguém o fere, ele dá a outra face. Ele não paga ultraje com ultraje.

Em segundo lugar, o amor é benigno (13.4). A palavra “benigno” dá a idéia de reagir com bondade aos que nos maltratam. É ser doce para com todos. Agora, como é que a igreja de Corinto se comportava em relação à paciência e à benignidade do amor?

Na igreja de Corinto havia divisões e contendas. Não existia paciência entre os crentes. Ao contrário, eles não se suportavam e havia divisão entre eles. Eles não eram unidos e não tinham a mesma disposição mental. Eles não eram do mesmo parecer. Eles eram indelicados em suas atitudes entre si. E Paulo então diz que a terapia de Deus para corrigir esse problema é o amor. Porque o amor é paciente e também benigno. Alguns crentes da igreja estavam levando os próprios irmãos a juízo perante incrédulos. Eles faziam injustiça uns contra os outros. Eles não apenas brigavam dentro da igreja, mas estavam levando essas querelas para o mundo. O remédio para solucionar esse pecado é o amor. O amor é paciente e é benigno.

Em terceiro lugar, o amor não arde em ciúmes, não se ufana e não se ensoberbece (13.4). O amor não se aborrece com o sucesso dos outros. Não é preciso ser um psicólogo para saber disto: Nós temos mais dificuldade de nos alegrarmos com os que se alegram do que chorar com os que choram. Temos uma dificuldade imensa de celebrar as vitórias do outro, de aplaudir o outro e nos alegrarmos com o triunfo e o sucesso do outro.

O amor não se ufana. A palavra “ufanar”, nesse texto, significa cheio de vento. Tem gente que parece um balão, cheio de vaidades. É como um poço de vaidades.

“Não se ensoberbece.” Havia crentes na igreja de Corinto que estavam cheios de empáfia e vaidade. Havia aqueles que se vangloriavam na presença de Deus (1.29). Havia outros que se vangloriavam em homens (3.2 1), numa espécie de culto à personalidade. Paulo corrige a igreja dizendo que essa prática é contrária ao amor. O amor não tem ciúmes.

Em quarto lugar, o amor não se conduz inconvenientemente nem procura seus próprios interesses (13.5). O amor é a própria antítese do egoísmo.’96 Ele não é egocentralizado, mas outrocentralizado. Ele não vive para si mesmo, mas para servir ao outro. Leon Morris diz que o amor se preocupa em dar-se, e não em firmar-se.

Por que temos contendas dentro de casa, no trabalho e na igreja? Porque estamos sempre lutando pelo que é nosso e nunca pelo que é do outro! Só há contenda quando você briga pelos seus interesses, quando o egoísmo está na frente. Mas quando você coloca a causa do outro na frente da sua necessidade não existe contenda.

Em quinto lugar, o amor não se exaspera e não se ressente do mal (13.5). O amor não é melindroso. Não está predisposto a ofender-se. O amor está sempre pronto para pensar o melhor das outras pessoas, e não lhes imputa o mal.’98 O amor não é hipersensível. A hipersensibilidade é orgulho. Como se corrige isso? Através do amor que não se exaspera, que não se ressente do mal. Os crentes de Corinto estavam levando uns aos outros aos tribunais seculares diante de juízes não-cristãos (6.5-7). Estavam brigando, fazendo injustiça, criando confusão e levando seus conflitos e tensões para fora da igreja. Eram egoístas e carnais. Só a prática do amor poderia restaurar a vida espiritual daquela igreja.

Em sexto lugar, o amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade (13.6). Na igreja de Corinto havia práticas tão escandalosas que nem mesmo entre os pagãos se percebia. Pior do que a loucura de um homem deitar- se com a mulher do próprio pai foi a atitude da igreja em relação a esse fato. A igreja não lamentou, não chorou, antes se jactou da situação. Paulo, então, diz que o amor não se conduz inconvenientemente. O amor não pratica a injustiça, mas regozija-se com a verdade.

Em sétimo lugar, o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (13.7). Paulo passa do que o amor não é para o que o amor faz. Alguns irmãos da igreja de Corinto estavam usando mal a sua liberdade cristã. Por agir sem amor, eles faziam tropeçar os irmãos mais fracos. Agora, Paulo diz para a igreja que o amor tudo sofre. Significa que você abre mão de um direito que tem a favor do seu irmão. A ética cristã não é regida simplesmente pelo conhecimento, mas, sobretudo, pelo amor.

Paulo diz também que o amor tudo crê. A igreja de Corinto estava duvidando do apostolado de Paulo, dando créditos às pessoas mentirosas que se opunham ao seu ministério. Davam crédito à mentira, mesmo contra o seu pai espiritual, o apóstolo Paulo (4.3-5; 9.1-3). A igreja regida pelo amor, porém, crê naquilo que recebeu da parte de Deus. Ela recebe da parte de Deus a verdade e não abre mão da verdade.

Ainda que essa verdade sofra ataques de todos os lados. A igreja regida pelo amor está sempre disposta a levar em conta as circunstâncias e ver nos outros o melhor.

Paulo ainda diz que o amor tudo espera. Esse é o olhar prospectivo. A idéia não é a de um otimismo irracional, que deixa de levar em conta a realidade. E antes a recusa em tomar o fracasso como final. Decorrente de tudo crê, vem a confiança que olha para a vitória final pela graça de Deus.

Prosseguindo, Paulo diz que o amor tudo suporta. Esse elemento traz a idéia de constância. Leon Morris diz que o verbo hupomeno denota não uma aquiescência paciente e resignada, mas uma fortaleza ativa e positiva a resistência do soldado que, no calor da batalha, não fraqueja, mas continua vigorosamente na peleja.

Por fim, Paulo afirma: “O amor jamais acaba” (13.8). O amor ágape nunca entra em colapso. Ele jamais sofre ruína. As muitas águas não podem apagá-lo (Ct 8.7).

David Prior aduz que, ao concluir esse parágrafo, Paulo trabalha três pontos importantes.

a) O amor e as trevas em nós mesmos (13.4b,5a). Com o uso de cinco negativas, cada uma precedendo um verbo, Paulo diz que o amor simplesmente não faz essas coisas:

Ele não se entrega ao ciúme, ao ufanismo ou à arrogância; resiste à tentação de reagir com aspereza ou egoísmo. Esses pecados todos estavam presentes na igreja de Corinto.

b) O amor e as trevas dos outros (13.5b,6). Paulo menciona três maneiras pelas quais as faltas dos outros nos levam à falta de amor:

1) Há pessoas que nos provocam — não podemos permitir que as pessoas determinem o nosso comportamento.

2) Há pessoas que falam e fazem mal contra nós — é crucial reconhecer o perigo de regozijar-se com o fracasso dos outros, e particularmente manter uma lista dos erros cometidos. O amor além de perdoar, esquece; e não mantém um registro das coisas ditas e feitas contra nós.

3) Há um mal intrínseco em nós mesmos — podemos cair na armadilha de nos regozijarmos não com o que é bom e verdadeiro, mas com o que é obscuro e sórdido. Encontramos um falso alívio quando vemos os outros fracassando e caindo.

c) O amor e as aparentes trevas em Deus (13.7). A palavra tudo, repetida quatro vezes nesse versículo, torna claro que o amor não é uma qualidade humana, mas um dom do próprio Deus. E apenas o amor de Deus em nós que nos capacita a sofrer, crer, esperar e suportar. Muitas vezes somos esmagados pela pergunta: Por que, Senhor? Mas quando amamos, descansamos no fato de que Deus está no controle. Aconteça o que acontecer, ficamos firmes porque sabemos que Deus está trabalhando para o nosso bem final (Rm 8.28).

A eternidade do amor (13.8-13)

Paulo menciona os três dons que ocupavam o alto da lista de prioridades da igreja de Corinto: línguas, profecia e conhecimento. Depois disso, afirma que o amor é superior a esses dons. Superior porque os dons são passageiros e o amor é eterno (13.10). A afirmação categórica de Paulo é: “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará...” (13.8). O verbo grego piptei significa literalmente “falhar” ou “entrar em colapso”. O amor nunca cede às pressões. Ele ultrapassa a morte, chegando à eternidade.

Línguas, profecia e conhecimento. Cada um deles passará a ser irrelevante ou será absorvido na perfeição da eternidade.

Esses dons sem amor não têm nenhuma validade. Ainda, os dons por mais importantes que sejam são temporários, mas o amor é eterno.

Paulo ilustra essa verdade geral de duas maneiras diferentes:

Em primeiro lugar, ele menciona o crescimento desde a infância até a maturidade. Diz o apóstolo: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino” (13.11). Ele compara a infância com a maturidade. E como se a vida terrena fosse a infância. Como se a eternidade fosse a plena maturidade. Quando você chega à plenitude da sua maturidade, passa a conhecer as coisas com clareza.

Em segundo lugar, ele usa a figura do espelho. Paulo contrasta o reflexo de uma pessoa no espelho com a visão dela mesma, face a face. “Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido” (13.12).

Na época de Paulo os espelhos eram extremamente embaçados. Eles não eram tão nítidos quanto os de hoje. As pessoas se olhavam no espelho e viam sua imagem turva, embaçada e obscurecida. Paulo utiliza essa figura para dizer que agora nós vemos como que por um espelho embaçado. Por mais que você conheça, ainda não está vendo plenamente. E por isso que Paulo em 2 Coríntios 12, diz que quando foi ao terceiro céu, viu e ouviu coisas que não são lícitas de serem relatadas ao homem. Não conseguimos entender agora o esplendor e a glória do céu. O céu está muito além de qualquer descrição que nós possamos fazer.

Paulo ainda afirma que enquanto não virmos a Jesus como Ele é, teremos pouca maturidade. ‘Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido” (13.12b). Conhecido por quem? Conhecido por Deus. Eu pergunto a você: O conhecimento de Deus é parcial? Deus conhece você parcialmente? Não! O conhecimento de Deus é completo. Eu não me conheço completamente. Os gregos diziam: “Conhece-te a ti mesmo”. Coitados dos gregos. Até hoje estamos tentando. O homem não se conhece.

Alex Carrel, grande sociólogo, em seu livro, O homem, esse desconhecido, destaca o fato de que nós não nos conhecemos. O homem tem muito conhecimento. Ele é capaz de ir à lua, viajar pelo espaço sideral. O homem conhece muitos mistérios da ciência e consegue penetrar nos mistérios do macrocosmo e do microcosmo. O homem é um gigante.

Todavia, ao mesmo tempo, ele é um ilustre desconhecido de si mesmo. Porém, quando chegar o fim e estivermos na eternidade, vamos conhecer plenamente, vamos ver Jesus face a face. Então, conheceremos como também somos conhecidos. Enquanto não virmos a Jesus, não veremos com total clareza as coisas de Deus! Nosso conhecimento aqui é limitado, mas então será pleno.

Todos os dons que temos são para esta vida. Mas o amor vai reinar no céu. Paulo argumenta com a igreja que o amor é esse oxigênio que vai existir no céu.

Quando os dons desaparecerem e se tornarem obsoletos, o amor vai ser absolutamente necessário, porque o amor é exatamente o oxigênio que vai manter o relacionamento no céu. O que é o céu? O que é a vida eterna? E conhecer a Deus. E quem é Deus? Deus é amor. O céu é viver em amor, em comunhão com Deus e em comunhão uns com os outros.

Paulo, agora, argumenta que dentre as maiores virtudes:

A fé, a esperança e o amor, o amor é o maior de todos. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (13.13). Sem amor não há cristianismo. Você pode ser ortodoxo, mas se não tiver amor, você não é um cristão, O apóstolo João diz que aquele que não ama ainda permanece nas trevas. Quem permanece nas trevas é aquele que ainda não nasceu de novo. Jesus disse que “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35). O caminho da maturidade é o amor. O amor é o cumprimento da lei. O amor é o maior de todos os mandamentos. O amor é a apologética final. O amor é o grande remédio para os males da igreja.

William Barclay fala sobre a superioridade do amor: “A fé e a esperança são grandes, mas o amor é ainda maior. A fé sem o amor é fria, e a esperança sem ele é horrenda. O amor é o fogo que incendeia a fé e a luz que torna a esperança segura” .

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Comentário Expositivos Hagnos Bíblico l Coríntios

A MORDOMIA DO AMOR CRISTÃO

22 de Junho de 2009 0 comentários

A MORDOMIA DO AMOR CRISTÃO

TEXTO ÁUREO = Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três, mas a maior destas é a caridade. 1 Co 13. 13

VERDADE PRÁTICA = O amor não é um adorno da vida, mas é a própria vida.

TEXTO BIBLICO BÁSICO = 1 Co 13.1-10

INTRODUÇÃO

O mundo de hoje clama por amor. Atingimos um desenvolvimento tecnológico científico sem precedente na história da humanidade: mas falta amor. O homem conta com muitas condições que podem fazê-lo feliz, mas continua inseguro e apavorado. Falta amor. Os filhos querem amor, os empregados querem mais amor. Falta amor nas relações sociais. Falta amor entre as raças, falta amor nas relações internacionais.

A sociedade sem amor se destrói. Na língua grega, a palavra amor pode ser vista em quatro dimensões. Há o tipo de amor EROS, que é o amor físico e sensual, necessário para as relações do casamento. Há o tipo PHILEO, que é o amor expresso em amizade, afeição e fraternidade. Há o tipo STERGO, que é o amor conjugal, o amor em família, e, finalmente, o maior e o mais sublime amor ÁGAPE, que é o amor divino, de onde emana todo o amor.

1 - A IMPORTANCIA DO AMOR CRISTÃO = (1 Co 12.31; 13.1).

1. A Sabedoria sem Amor só faz Barulho (1 Co 1.3.1). Vivemos num mundo em que a ciência se tem multiplicado, e as mentes se têm deixado dominar pela frieza da sabedoria humana. Desse modo, o amor que une os corações e os torna acessíveis entre si, está quase acabado. A tendência do homem, sem amor, é caminhar para a autodestruição. Porém, a Igreja está na terra para manter acesa a chama do amor em todas as suas dimensões.

2. Religião sem Amor é Vazia (1 Co 13.2). E preciso entender que o sentido de religião é o de estar ligado com Deus, isto é, reconciliado com Ele e crendo na sua misericórdia e soberania. Não se trata meramente de alguma organização religiosa, mas de uma religião que seja a expressão do amor recíproco entre Deus o homem. O amor é supremo na sua operação e se manifesta na vida da criatura que anda com Deus e a Ele obedece.

3. A Beneficência sem Amor não tem Proveito Algum (1 Co 13: 3).O amor verdadeiro é desinteressado, isto é, não age egoisticamente.

Distribuir bens materiais ao pobres, agasalhar o desnudo alimentar o faminto, fazer tudo isto sem o verdadeiro amor, não trará proveito algum. A caridade, sem amor espontâneo e verdadeiro, é oca e vazia em si mesma.

4. O Auto-sacrifício sem Amor, para Nada Adianta (1 Co 13.3). Esse modo de falar do apóstolo representava, naquela época, o ato máximo de desprendimento que uma pessoa podia fazer. Porém, ele enfatiza a importância do amor como razão principal de qualquer gesto sacrificial que alguém possa fazer por outrem. Sem amor, qualquer sentimento que se possa demonstrar, torna-se, sem proveito. O sacrifício máximo de toda a história da humanidade foi feito por, Jesus Cristo.

II - AS DIMENSÕES DO AMOR CRISTÃO

1. A Mordomia do Amor Cristão para com os Irmãos na Fé (Fp 1.9; Em 15.1; Ef 4.2; 5.2). Jesus deu importância a esse amor(Jo 13.35). A Igreja primitiva exerceu a mordomia do amor fraternal. Os crentes tinham perfeita afeição entre si (At 4:12). Um dos grandes sucessos espirituais para a Igreja é o amor fraternal. Na igreja de Jerusalém “todas as coisas lhes eram comuns”, Isto indica que aquela igreja era mais que um agrupamento de pessoas ou uma reunião em torno de uma idéia. Era uma comunidade em que todas as coisa interessavam a todos (Jo 15.12).

2. A Mordomia do Amor Cristão para com os Inimigos (Rm 13.10). A inimizade é fruto da carne, porque revela uma atitude que contraria a razão da vida humana em sociedade. Foi Deus quem concebeu a amizade, a convivência. O amor precisa ser derramado sobre os corações para curar os ressentimentos, ódios e rancores pessoais, Por causa do pecado, a inimizade surgiu como fruto do egoísmo e individualismo, lançada no coração do homem, como semente daninha (Ef 2.16). Porém, nenhum inimigo resiste ao amor (Mt 5.44).

3. A Mordomia do Amor Cristão para com Deus (Mt 22.37). E aquele que parte de nós para com Deus, Jesus renovou o mandamento antigo do amor a Deus. Esse amor representa a disposição plena de cada pessoa de envolver todo o seu ser nas relações com Deus, O texto de Mateus 22.37 destaca três coisas que representam o ser humano no seu todo, conforme o pensamento judaico da época.

Fala-se aqui em amar com o “coração”, com a “alma” e com o “entendimento”. A alma, para representar a sede dos pensamentos e sentimentos; o coração, para referir-se à vida física e ao “eu” pessoal de cada ser humano; o entendimento, para referir-se ao elemento racional que toma o ser humano ímpar no reino animal.

Portanto, devemos amar com todo o nosso ser, pois o amor a Deus é o grande mandamento, e dele depende todos os demais sentimentos, bem como todas as ações do ser humano

4. Mordomia do Amor Cristão para com os Necessitados. Quando o amor divino nos domina, ele se toma poderoso em seus efeitos. Faz-nos preocupar com os necessitados e leva-nos a agir altruisticamente. Ele não vê barreiras, não faz fronteiras e vai além dos limites humanos. E um fato incontestável, o de que o mundo está dominado pela ambição desenfreada, pela avareza, pela degenerescência física e moral do homem. Só o amor será capaz de soerguer essa sociedade do seu egoísmo e da sua avareza.

Não fazemos as boas obras para sermos salvos, mas as fazemos porque somos salvos. Isto significa porque somos salvos. Isto significa admitir que a salvação de nossas almas tem um objetivo (Mt 5.16). O apóstolo Tiago explicou esse assunto em sua epístola, (Tg 2.17). A fé precisa ser dinâmica; precisa expressar-se em obras que glorifiquem a Deus. E Tiago, outra vez, quem diz: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.27). A Igreja deve ser encarada, em sua realidade local, como comunidade de pessoas que têm problemas sociais e materiais, os quais precisam ser amenizados pela participação de todos os membros.

5. A Mordomia do Amor Cristão para com a Obra Missionária. Foi esse amor que impulsionou homens e mulheres a transpor as fronteiras de Jerusalém para alcançar- nos em terras de além-mar, O IDE imperativo de Jesus foi incisivo. “Ide por todo o mundo” (Mc 16.15).

A Bíblia diz que “o amor de Deus nos constrange” (2 Co 5.14). A força desse amor faz o crente sentir compaixão pelas almas, como Jesus sentiu (Mt 9.36-38); cria disposição no crente para fazer a vontade de Deus (2 Co 8.5); cria o sentimento de obrigação ao serviço missionário (1 Co 9.16). Amém

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


A EXCELÊNCIA DO AMOR DE DEUS

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A EXCELÊNCIA DO AMOR DE DEUS

TEXTO AUREO = O amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5.5).

VERDADE PRÁTICA = O amor é a comprovação e o aferidor da espiritualidade; o solo onde o Espírito Santo produz no crente a condição de verdadeiro filho de Deus.

LEITURA BIBLICA = 1 CORÍNTIOS 13.1-10

INTRODUÇÃO

O amor não é somente superior aos dons, mas é o elemento legitimador de seu uso na edificação da igreja. Ele leva ao equilíbrio; é o grande princípio de toda ação; ele supera tudo. O amor pode ser definido como “a mais profunda expressão pessoal possível”. Nas palavras do Divino Mestre, é uma atitude que envolve o coração, a mente e a vontade (Mt 22.35-37). O amor não é um mero sentimento; é o poder de Deus que atua na personalidade inteira do homem.

1 - A EXCELÊNCIA DO AMOR

1. Sua base. Paulo termina o capítulo 12 de sua primeira epístola aos coríntios com as seguintes palavras:

“E eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente” (1 Co 12.31b). Nas palavras do apóstolo, o exercício dos dons espirituais é algo excelente, mas existe algo “sobremodo” excelente. No texto de 1 Co 13.1-3, o autor afirma que sem amor nada teria valor. A omissão ao amor anula tudo; nenhuma prática legalista pode substituir seu exercício. A Bíblia é a base de sua excelência.

2.Sua superioridade sobre o conhecimento. Os coríntios viviam num período de grande ênfase ao conhecimento, e se vangloriavam do seu grande saber. Entretanto, o domínio que eles tinham do conhecimento não foi suficiente para arrancá-los ao clima de facções, conflitos e confusões em que estavam envolvidos, pois não tinham a sabedoria de que fala Tiago 3.17. A razão é simples: o conhecimento sozinho a nada conduz; mas, submisso ao amor, torna-se de grande utilidade. Por esta razão, Paulo resolveu falar-lhes “de algo mais excelente ainda.” O amor desfaz as barreiras, suo coração de bondade e dá ao homem a verdadeira sabedoria.

3. Sua superioridade sobre a imoralidade. É comum ver o erro que nossa sociedade comete ao ligar o amor às práticas deturpadas do sexo. A indiferença ao que ensina a Bíblia tem gerado um clima de promiscuidade e desrespeito. Coisas puras como a virgindade, namoro, noivado, fidelidade conjugal estão perdendo o valor. Como a igreja de Coríntios achava-se envolvida num clima de imoralidade, Paulo decidiu lançar mão do amor como meio de banir a malícia e a maldade. É o que o mundo atual está precisando.

4. O amor regulamenta o uso dos dons espirituais. A igreja de Corinto, além de não ser composta de pessoas familiarizadas com os ensinos do Antigo Testamento, ainda não havia aprendido os princípios do Novo Testamento. Desta forma, o trabalho de Paulo tomava-se muito difícil.

O abuso em relação aos dons e a desordem no culto era uma característica marcante daquela igreja. Os dons eram manifestados sem base bíblica, causando grande confusão; tinha-se muito “poder” sem nenhuma ética. Eles viam nos dons espirituais o bem superior da vida cristã; por isso Paulo disse: “eu vos mostrarei um caminho mais excelente”. O amor deve conduzir os passos de toda igreja e de todo homem, pois prepara o coração de todos no sentido de se evitar partidarismos, exclusivismo e excessos na prática da Palavra de Deus.

5. O amor produz progresso espiritual. O crente se desenvolve e cresce espiritualmente quando se põe atento ao processo de transformação em que o Espírito Santo o colocou. Ele está sendo transformado a fim de alcançar a estatura de varão perfeito, e isto tem tudo a ver com o amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.

No jardim do Éden, o homem pecou, comprometendo a imagem de Deus recebida na criação; porém, quando é salvo e redimido no sangue de Jesus, o Espírito Santo lhe ensina que a bandeira maior do Senhor sobre seus filhos é o amor. Desta forma, ele resgata progressiva- mente a natureza de Deus outrora perdida. Devemos duvidar de todo crescimento espiritual que não esteja relacionado com o amor.

O crescimento é diretamente proporcional ao amor.

II - O ALCANCE DO AMOR

1. O amor de Deus aos homens. Em João 3.16, lemos que Deus amou o mundo; isto é, ele amou a humanidade como um todo e por ela enviou seu Unigênito ao mundo. Os pecados e a infidelidade do homem entristeceram a Deus. Todavia, não impediram o efeito de seu amor pela humanidade. A razão é simples: O amor de Deus é espontâneo; não exige qualquer valor da pessoa amada. Ele poderia ter vivido eternamente sem ter criado o homem, pois é auto- suficiente; não precisava de nós para existir, mas Ele nos fez por amor e por amor resgatou-nos quando nos achávamos perdidos. Leia também 1 João 4.9,10.

2. O amor do homem a Deus. Em Mt 22.37, Jesus expõe o modo como Deus deve ser amado: “de todo teu coração, de toda tua alma, de todo teu pensamento”. A adoração do homem a Deus deve ser com todo o seu ser, com toda sua personalidade. Claro está que isto não significa a mera prática de algum ritual ou de leis cerimoniais, mas é, antes de tudo, o resultado da devoção pessoal e da operação de Deus no coração humano. O amor a Deus é um sumário de nossa comunhão e obediência a seus mandamentos (Js 22.5).

3. O amor do homem a si mesmo. Em Mt 22.39, Jesus, completando sua resposta ao doutor da lei, acrescentou: “e o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

A expressão “como a ti mesmo”, significa que .o amor a nós mesmos deve ser a referência para o nosso amor aos nossos semelhantes. Há nisso dois pontos a destacar: primeiro, é preciso cuidado com o egoísmo e narcisismo comuns aos homens, amando-se mais do que deveriam; segundo, quem não se ama, como é que poderá amar o seu irmão? Ter auto-estima, gostar de si mesmo, é fundamental ao ser humano; o crente não pode viver a reclamar da vida, como alguém a quem Deus não olhasse um desvalido. Deus não faz acepção de pessoas, somos todos amados e abençoados na mesma proporção.

4. O amor ao próximo. Deus nos deixou como mandamento que nos amássemos uns aos outros assim como Ele nos amou. Deste mandamento dependem toda lei e os profetas. O nosso amor a Deus manifesta-se através de nosso amor aos nossos semelhantes.

Quando amamos ao próximo, estamos amando também ao Criador. O texto de 1 Jo 4.7,11,12,20,21 deixa claro que a relação do homem com o Todo-Poderoso está intimamente ligada às suas atitudes para com os que convivem com esse homem na mesma igreja, família, cidade ou país. Ser indiferente e tratar com desprezo as necessidades do semelhante é também colocar-se à margem de qualquer relação de amor com o Pai, pois dele temos esta advertência:

“aquele que não ama a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 J0 4.20). Esse amor não deve ser apenas um sentimento abstrato, mas há de comprovar-se através de obras e de fatos, conforme 1 João 3.16,17.

III - AS QUALIDADES DO AMOR (vvs. 4-7)

1. O amor é sofredor (v. 4). Esta expressão desmente o que ensinam os “teólogos da prosperidade”, quando eles relacionam o sofrimento, unilateralmente, à falta de fé ou à prática de pecados. E nos leva a pensar na situação real dos que vivem nas camadas altas da sociedade onde o bem maior da vida é a busca do prazer (hedonismo), não importando se tais práticas são certas ou erradas diante de Deus. O amor é sofredor, isto é, aceita confiantemen- te as adversidades da vida sem ressentimentos contra Deus ou contra os homens. Ensina-nos a “lançar sobre o Senhor todas as nossas ansiedades, porque Ele tem cuidado de nós 1 Pe 5.7”. O amor tudo sofre, tudo espera, tudo suporta (v. 7).

2. O amor é benigno (v. 4). A benignidade implica numa atitude constante de misericórdia e bondade. Este é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo (Gl 5.22). Neste sentido, o crente deve ser sempre alguém útil e gentil.

Útil no sentido de estar pronto a demonstrar amor ativo ao próximo, alimentando os famintos, dando água aos sedentos, hospedando a quem necessita, vestindo a ó que está nu, visitando os enfermos e encarcerados (Mt 25.35, 36). Gentil, no sentido de mostrar cortesia e boas maneiras no trato com as pessoas em geral. É inaceitável, no crente, a falta de educação e a prática de grosserias. O amor não se irrita (v.5), não suspeita mal (v. 5).

3. O amor não é invejoso (v.4). Inveja e despeito são vícios coirmãos do ciúme. Os crentes de Corinto estavam totalmente contaminados pelo vírus da inveja. Quando notavam que um irmão tinha mais talentos, ou dons, desprezavam-no. Era assim que agiam os menos dotados.

A atitude de inveja é absolutamente carnal e diabólica, jamais pode caminhar com quem é “morada do Espírito Santo”. Normalmente, a pessoa invejosa se entristece quando alguém tem algo que ela gostaria que fosse seu; entretanto, o verdadeiro amor produz no crente uma atitude altruísta; ele regozija- se com a felicidade e o sucesso do irmão, como se fossem dele mesmo (Rm 12.9,10,15).

CONCLUSÃO

O amor é a virtude principal da vida cristã; é fruto do Espírito Santo. O divino agricultor é quem o cultiva no homem, tornando-o cada vez mais parecido com o Divino Mestre. Amém


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


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