15 de abril de 2014

DONS DE REVELAÇÃO



DONS DE REVELAÇÃO

TEXTO ÁUREO = “Porque a um, pelo Espirito, é dada... a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo espírito, a palavra da ciência... e a outro o dom de discernir os espíritos” (1 Co 12.8, 10)

VERDADE PRÁTICA = Por meio dos dons de sabedoria, ciência e discernimento de espíritos Deus revela o que se acha oculto à sua Igreja

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

LEITURA BIBLICA = 1 CORÍNTIOS 12.8, 10; = 2 REIS 6.11, 12; = ATOS 16.16-18

INTRODUÇÃO

Quando Paulo iniciou o décimo segundo capítulo da carta aos Coríntios, tinha uma preocupação quanto à ignorância dos cristãos daquela cidade sobre os dons espirituais. ?Não quero, irmãos, que sejais ignorantes a respeito dos dons espirituais?. (I Co. 12:1). Ainda hoje a Igreja do Senhor continua em dificuldades a respeito deste assunto tão polêmico. Em algumas igrejas o assunto é esquecido e proibido falar, enquanto em outras , o excesso ultrapassa até o ensino bíblico.

Como a carta não foi direcionada a uma pessoa em particular, mas para a igreja de Corinto na sua totalidade, o conhecimento dos dons espirituais faz parte do crescimento espiritual do Corpo de Cristo. Assim como os cincos sentidos do homem ? Olfato, paladar, visão, audição e tato ? o fazem entrar em contato com o mundo ao seu redor, os noves dons espirituais faz o cristão entrar em contado com o mundo espiritual. Uma pessoa sem um dos sentidos é conhecida como ?deficiente físico?, uma igreja sem os dons é conhecida como ?deficiente espiritual?. Paulo faz uma lista de nove dons colocados em três grupos, mas inseparáveis:

1º) Dons de Revelação ou Conhecimento - São três que revelam algo :
a) Dom da Palavra de Sabedoria;
b) Dom da Palavra do Conhecimento;
c) Dom de discernimento de Espíritos.

Os dons de inspiração - sabedoria, ciência e discernimento de espíritos - são uma das grandes necessidades da Igreja do Senhor em nossos dias. Com eles, a Igreja saberá conduzir-se pela Palavra de Deus, e dificilmente será enganada por qualquer manifestação estranha ou bizarra.

1. O QUE SÃO DONS DE REVELAÇÃO.

1. Definição. Concedidos pelo Espírito Santo, estes dons revelam a sabedoria de Deus de maneira sobrenatural.
São também chamados “dons de saber” ou “dons de revelação”. Tratam-se de habilidades concedidas por Deus para se compreender a essência e o propósito das coisas, e descobrir-se os meios corretos para se realizar o propósito divino em cada vida, discernindo circunstâncias, relacionamentos e pessoas.

2. No Antigo Testamento. Vejamos a manifestação desses dons:

a) Sabedoria. Temos exemplos deste dom nas vidas de José: “Acharíamos um varão como este, em que haja o Espírito de Deus... ninguém há tão entendido como tu” (Gn 41.38, 39).

Moisés e Arão: “Vai pois agora, e eu serei com a tua boca, e te ensinarei o que hás de falar., e eu serei com a tua boca, ensinando-vos o que haveis de fazer”(Ex 4.12,15).

Josué: “E Josué, filho de Num, foi cheio do espírito de sabedoria” (Dt 34.9).
Salomão: “Havia nele a sabedoria de Deus.. e Deus deu a Salomão sabedoria e muitíssimo entendimento .. como a areia que está na praia” (1 Rs 3.8; 4.29, 30) etc.

b) Ciência. Vemos este dom operando nas vidas de:  Bezaliel: “E o enchi do Espírito de Deus... e de ciência, em todo artifício” (Ex 31.3).

Jovens hebreus: “Sábios em ciência, e entendidos no conhecimento” (Dn 1.4).
Hirão: (1 Rs 7.14) etc. “O temor do Senhor é o princípio da ciência” (Pv 1.7).

c) Discernimento. Exemplos do uso desse dom vemos nas vidas de:

Aías: “.. e entrando ela pela porta, disse ele: Entra, mulher de Jeroboão, porque te disfarças assim?” (1 Rs 14.1, 2,4, 6).

Eliseu: “Mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu falas na tua câmara de dormir” (2 Rs 6.12).
Moisés (Ex 32.17, 18) etc.

3. No Novo Testamento. Sendo usados poderosamente com esses dons temos:

a) Sabedoria. Pedro e João (At 4.13); Estevão (At 6.6, 10); Paulo, (1 Co 2.13) etc. Jesus prometeu-nos esse dom: “Na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar”(Lc 12.11, 12).

b) Ciência. Paulo possuía este dom: “O Espírito Santo, de cidade em cidade me revela..”
(At 20.23).

c) Discernimento. Exemplos da operação desses dons: Pedro, no caso de Ananias e Safira (At 5.1-10); Paulo, nos casos de Elimas (At 13.6-12), e da jovem possessa de demônios (At 16.17, 18) etc.


II. DESCRIÇÃO DOS DONS DE REVELAÇÃO

1. A palavra de sabedoria. Manifestação sobrenatural da sabedoria de Deus. Não se trata do resultado de qualquer esforço humano em se conhecer a sabedoria divina (1 Co 2.4, 6), nem tampouco do nosso crescimento espiritual. É um dom de Deus. Através desse dom é-nos revelada uma situação, ou problema específica para que, em palavras e atos, possamos agir de maneira adequada.

Importante analisarmos primeiro o que é a sabedoria. Como ensina o pastor João da Cruz Parente, articulista do Portal Escola Dominical, sabedoria é a “capacidade de tomar decisões corretas”.  Este mesmo pastor transcreveu o que diz a respeito a Bíblia de Aplicação Pessoal, que ora transcrevemos: “Sabedoria significa ‘discernimento prático’. Começa com o respeito a Deus, conduz a um viver correto, e resulta em habilidade aumentada para dizer o que é certo ou errado. Deus está disposto a nos dar esta sabedoria, mas seremos incapazes de recebê-la se os nossos propósitos forem egocêntricos e não estiverem centrados em Deus. Para conhecermos qual é a vontade de Deus, precisamos ler a sua Palavra e pedir que Ele nos mostre como obedecê-la. Então devemos fazer aquilo que Ele nos diz.” (Disponível em: http://www.evangelica.com.br/Artigos/artigos.info.asp?

Dom da Palavra da Sabedoria (12.8). Trata-se de uma mensagem vocal sábia, enunciada mediante a operação sobrenatural do Espírito Santo. Tal mensagem aplica a revelação da Palavra de Deus ou a sabedoria do Espírito Santo a uma situação ou problema específico (At 6.10; 15.13-22). Não se trata aqui da sabedoria comum de Deus, para o viver diário, que se obtém pelo diligente estudo e meditação nas coisas de Deus e na sua Palavra, e pela oração (Tg 1.5,6).

Alguns, às vezes, chamam este dom de o DOM DA SABEDORIA. Isso não é correto. Devemos dar-lhe o nome que a Bíblia lhe outorga: DOM DA PALAVRA DA SABEDORIA - I Cor 12:8 Deus possui toda a sabedoria. Ele sabe tudo, mas nunca revela tudo quanto sabe; simplesmente nos revela uma “PALAVRA” (UMA PEQUENA PARCELA, OU PARTE, OU FRAGMENTO) de toda a Sua sabedoria. Por isso, não é dom da sabedoria, mas, sim, o dom da palavra da sabedoria que Deus, por meio de Sua onisciência, revela ao homem.

2. A palavra da ciência. Capacidade sobrenatural que propicia uma visão além da esfera material. Através desse dom, a Igreja tem acesso a fatos a respeito de pessoas, circunstâncias e de verdades bíblicas. É a penetração na ciência de Deus (Ef 3.3).

Há diferença entre sabedoria e ciência. Sabedoria é a habilidade de se aplicar bem a ciência; a ciência é a base para a sabedoria. A sabedoria ajuda-nos a sair de dificuldades; a ciência adverte-nos para que não entremos nelas. A sabedoria é o conhecimento em ação; a ciência, o conhecimento em si mesmo. De acordo com a Bíblia, a sabedoria e a ciência devem sempre andar juntas (Ef 1.17-19).

3. O dom de discernir os espíritos. Capacidade sobrenatural de se distinguir as várias fontes das manifestações espirituais. Vivemos em um mundo onde existem imitações. enganos e falsificadores de todo o tipo (At 5.1-11; 1 Tm4.1-4;2Ts2.9; Ap 2.2). Através desse dom, podemos discernir tais coisas, e ver se estas realmente procedem de Deus.

Trata-se de uma percepção sobrenatural, pela qual detectamos a procedência das manifestações espirituais. E um dom de Deus, apropriado para uma ocasião específica, sem o qual a Igreja seria presa fácil de falsos mestres, ensinadores de heresias e de manifestações anti- bíblicas.

A palavra “discernir”, no texto sagrado, traduz, em hebraico, no mais das vezes, o termo “yada’” (???), que o Dicionário Vine diz ter como significado “…(1) saber por observação e reflexão e (2) saber por experiência” (VINE, W.E. Diccionario expositivo de palabras del Antiguo y del Nuevo Testamento exhaustivo. Nashville: Caribe. Disponível em: http://www.semeadoresdapalavra.net/, p.83) (tradução nossa de texto em espanhol). Em ambos os significados, notamos que se trata de um saber que exige uma prévia reflexão, um prévio julgamento por parte daquele que vem a saber algo. O “discernimento” é, precisamente, um saber que vem de uma distinção, de uma análise, de um julgamento.

Os termos gregos correspondentes, a saber, “anakrino” (????????) (I Co.12:10) e “diakrino” (????????) (I Co.11:29), também revelam que o “discernimento” consiste numa distinção, num julgamento, numa reflexão, numa análise, visto que são palavras derivadas de “krino”, de onde vem a palavra “crítica”, que outra coisa não é senão julgamento.   Trata-se de uma dotação especial dada pelo Espírito, para o portador do dom discernir e julgar corretamente as profecias e distinguir se uma mensagem provém do Espírito Santo ou não (ver 14.29; 1Jo 4.1). No fim dos tempos, quando os falsos mestres (ver Mt 24.5 ) e a distorção do cristianismo bíblico aumentarão muito (ver 1Tm 4.1), esse dom espiritual será extremamente importante para a igreja.

O “discernimento”, portanto, é a capacidade de distinguir, de discriminar, de separar uma coisa da outra. O Senhor repreendeu duramente os sacerdotes por intermédio do profeta Ezequiel precisamente porque eles não faziam mais diferença, não distinguiam entre o santo e o profano (Ez.22:20) e prometeu que haveria tempo em que isto voltaria a ocorrer (Ez.44:23).

- Bem se vê, pois, que é fundamental para que alguém exerça seu ofício sacerdotal que saiba distinguir entre o santo e o profano e como a Igreja é o sacerdócio real, a nação santa (I Pe.2:9), torna-se indispensável que tenhamos o devido discernimento espiritual, não confundindo as coisas que são de Deus com as que não são.
 
O discernimento espiritual é algo indispensável para todos os salvos. O apóstolo Paulo diz que o salvo tem de ser um homem espiritual, que tudo discerne e de ninguém é discernido (I Co.2:12-16). O salvo tem a mente de Cristo e, por isso, pode muito bem saber quando algo provém da parte de Deus e quando não.

•Ef 2:2; 6:11-12; Hb 1:12-14 - Na dimensão espiritual, há espíritos bons e malignos, há o Espírito Santo e há o espírito humano, com suas tendências boas ou más.

DISCERNIR significa: “JULGAR PERFEITAMENTE”, “DISTINGUIR”, “VER”, de modo que a pessoa está discernindo ou vendo no âmbito dos espíritos. Tem o sentido de penetrar por baixo da superfície, desmascarando e descobrindo a verdadeira fonte dos motivos e da animação. O Senhor achou por bem conferir à Sua Igreja uma parcela desse poder.

DISCERNINDO OS ESPÍRITOS EM REALÃO ÀS ENFERMIDADES - Mt 12:22; Mc 9:25; Lc 8:29; 13:11-16 - Não estamos ensinando e não cremos que em todos os casos semelhantes de enfermidades sejam as doenças causadas por espíritos maus. Porém, quando isto acontece, só há cura quando o espírito causador de tal enfermidade é expulso pelo poder de Deus. Nas doenças causadas por espíritos ou demônios, os meios empregados no tratamento são diferentes do tratamento de uma enfermidade comum.

III. A FUNÇÃO DOS DONS DE REVELAÇÃO

1. Conhecer sobrenaturalmente. A utilidade dessa categoria de dons se prende: ao governo e à administração (Gn 41 .33-39); à criatividade e invenções (Ex 31.1-6); ao comando; a julgamentos (1 Rs 3.16- 28); a esclarecimentos de dúvidas (Jó 33.33); à elucidação de enigmas (Dt 1.17).

É grande o seu valor em interpretar sonhos e dar conselhos (At 7.10); no trato de assuntos complicados e difíceis (At 6.3); e, na habilidade de se ganhar as pessoas que estão fora da Igreja (Cl 4.5).

E de valor inestimável na evangelização, capacitando o crente na entrega das verdades cristãs (Cl 1.28) e na defesa do Evangelho (Fp 1.16), pois, na hora necessária, o Espírito Santo se manifesta capacitando o crente de maneira extraordinária (Lc 12.12; 21.15; Mt 10.16; Pv 24.5; Ec 9.16).

2. Revelar sobrenaturalmente as “riquezas encobertas” (Is 45.3), que estão em Cristo (Cl 2.3). Essa categoria de dons é uma arma contra as heresias (Ef 4.12, 14); revela o que está oculto aos olhos do homem (1 Sm 16.7; Jo 1.47, 48; 2.24, 25; 4.16, 18).

Através desses dons, o crente passa a ter conhecimento das coisas que pertencem a Deus, como apresentadas nos Evangelhos. Essa categoria de dons proporciona também inteligência e entendimento (Ef 3.19), conhecimento da fé cristã (Rm 15.14; 1 Co 1.5).

Também revela os diversos mistérios de Deus como o de Deus-Cristo, da piedade (1 Tm 3.16), de Cristo em  nós (Cl 1.26,27), dafé (1 Tm 3.9), da Igreja (Ef 5.32), do Evangelho (Ef 6.19), da vontade de Deus (Ef
1.19), do arrebatamento (1 Co 15.51) etc.

3. Discernir sobrenaturalmente. Nessa categoria de dons, o dom de discernir capacita-nos a distinguir o espírito que opera no meio do povo de Deus. Neste particular, devemos levar em consideração:

a) Fonte de inspiração. Pode ser: divina (At 15.32; 1 Co 14.3), humana (Ez 13.2, 3) e diabólica (1 Rs 22.19-24; Jr 23.13; Ap 2.20-24).

b) Espíritos. Podem ser de: mentira (At 5.3; Ap. 21.27; 22.15); apostasia (2 Ts 2.3; 2 Co 6.17); traição (2 Sm 3.27); ciúme (Nm 11.29); falsidade (Mt 7.15); ecumenismo (Ap 13.12; Gn 11.1); prostituição (Os 5.4); demônios (Mt 17.21; 1 Co 10.21); adivinhação (At 16.16-18); enfermidade (Lc 13.10-16) etc.

c) Meios utilizados. Podem ser discernidos pela: Palavra, pois ela é a verdade (Jo 17.17), como também o Espírito que está em nós é a verdade (Jo 16.13); pelos frutos, pelos quais desmascaramos a hipocrisia e as manifestações malignas (Mt 7.15-23); pela mente espiritual da Igreja, pois somente sentimos comunhão com os que “estão na luz” (1 Jo 1.7), e só reconhecemos a voz do Sumo Pastor (Jo 10.4, 5); pela confissão a respeito de Jesus: se há confissão de que o Senhor veio em carne esse espírito é de fonte divina (1 Jo 4.1-3).

d) Resultado. Desse modo, o dom de discernir revela: confissões falsas influenciadas por espíritos, como ocorreu com Ananias e Safira (At 5.1-11); a trapaça de Geasi (2 Rs 5.26, 27); a intenção profana de Simão (At 8.18-24); o espírito da jovem adivinhadora (At 16.16-18).

Desmascara pessoas que se fazem de líderes sem terem sido designadas por Deus (Jd 11); condena doutrinas erradas (1 Tm4.1-4; Gl 2.4; 1 J0 4.1-4); identifica certas manifestações com “fogo estranho” (Lv 10.1-4; Ap 2.20-24). Esse dom é um dos mais eficientes meios de julgamento de profecias.

CONCLUSÃO

Vivemos nos últimos dias. Manifestações estranhas à Palavra de Deus fervilham em todas as igrejas (2 Ts 2.9; Ap 13.13). É necessário buscar os dons de sabedoria, ciência e discernimento para se manter a pureza da doutrina cristã. Daí, a grande necessidade desses dons em nossos dias, principalmente na vida dos líderes. Se os buscarmos com todo o empenho, certamente Deus no-los dará.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

Lições bíblicas CPAD 1988




8 de abril de 2014

O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS



O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS

TEXTO ÁUREO = “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.11).

VERDADE PRÁTICA = Os dons do Espírito são dotações espirituais e sobrenaturais concedidas por Deus aos crentes para a edificação da Igreja.

LEITURA BIBLICA = I Co 12. 1, 4-11, 31; 4. 20,40

INTRODUÇÃO

Os ensinos acerca dos dons espirituais fazem parte das doutrinas da Bíblia, e precisam ser estudados e aplicados constantemente na vida da Igreja, a fim de dirimir as dúvidas e fortalecer a fé na atualidade dos dons. O ponto de partida para a manifestação dos dons espirituais é o batismo no Espírito Santo, que se evidencia com o “falar em línguas”. Esse “falar em outras línguas” é a evidência física da promessa do “dom do Espírito” (At 2.38), que difere da manifestação dos dons para a edificação espiritual coletiva da Igreja.

O propósito de Deus para o uso dos dons Espirituais (I Cor 12:1-11)

Estudar acerca dos dons espirituais é algo extremamente importante e necessário. Principalmente no tempo em que vivemos onde encontramos uma enxurrada de heresias e problemas relacionados aos dons espirituais.
Entre as diversas distorções sobre o assunto podemos destacar:

1) O cessacionismo- É uma visão de alguns estudiosos que acreditam que os dons foram apenas para os tempos apostólicos. Contudo, não temos provas bíblicas, teológicas e históricas consistentes para provarmos essa posição (1 Coríntios 13:10).

2) O abuso dos dons Espirituais O uso dos dons espirituais como um instrumento de poder, símbolo de status e promoção de ministérios sem esquecer é claro, do ministro.

3) A ignorância de muitos em relação ao propósito e a finalidade dos dons espirituais; Muitos estão completamente alheios aos dons que possuem e ao que a Bíblia realmente ensina sobre os eles e para que servem. Acham que não podem fazer nada na obra do Senhor. Sua auto-estima espiritual está lá embaixo. Os prejuízos para o corpo de Cristo são enormes. De que adianta uma ferramenta poderosa nas mãos de alguém que a desconhece ou não sabe manuseá-la.

4) Falsificação dos dons espirituais - O diabo é astuto e enganador e pode muito bem copiar os dons espirituais a fim de sermos enganados (II cor 11:13-15). Precisamos estar alerta e vigilantes (I João 4:1). Em Mt 7:21-23 Jesus fala de pessoas que exerceram aparentemente dons espirituais mas não eram conhecidos por Ele!

É com base na importância desse assunto que a Bíblia vai tratar dele em vários momentos especialmente em três cartas de Paulo: Romanos12, 1 Coríntios 12 e Efésios 4.11 onde estão as principais listas dos dons.

Em I Cor 12:1 temos a exortação de Paulo é “acerca dos Espirituais (Pneumátikós) não quero que sejais ignorantes” (A palavra dom não aparece aqui no original). Isto aponta para o fato de que o foco de Paulo não esta só nos dons, mas também na vida dos que os tem! Aliás, isto é um princípio extremamente importante que abordaremos no ultimo estudo quando abordaremos o assunto do Carisma x Caráter (Os dons e a vida de que os usa)!

O QUE SÃO DONS ESPIRITUAIS?

No sentido geral refere-se a todas as dádivas de Deus por meio de Cristo, como o dom da salvação, da vida eterna, o evangelho; Geralmente, como em atos 2:38 quando vem no Singular se refere ao Próprio Espírito como dádiva ou presente de Deus!

No sentido especifico, refere-se às capacitações dadas pelo ES aos crentes para o desempenho de um serviço cristão e a operação de Deus, tendo em vista o bem estar e o crescimento da igreja (Ef 4.12; I Pe 4.10; I cor 14.12)

Nos versículos v. 4-6 Paulo fala da natureza dos dons espirituais, mostrando que eles têm um tríplice aspecto: São “charismata”, “diakonia” e “energémata” = dons, ministérios e obras. Com isso, Paulo fala sobre: Origem dos dons; o modo como atuam; a finalidade dos dons.

· Quanto à origem dos dons = Os dons são “chamarismata”, manifestação concreta de “charis” graça divina. A graça de Deus é a origem de todo dom. A origem dos dons nunca está no homem, mas na graça de Deus. É errado os crentes querem distribuir os dons. Aliás, nem podemos fazer isso (Atos 8:18-20 Simão, o mago oferece dinheiro para receber o dom do Espirito)

· Quanto ao seu modo de atuar = Os dons são “diaconia”, prontidão para servir. É concentrar não em mim mesmo, mas no outro. É buscar não minha auto-edificação, mas a edificação do meu próximo.

· Quanto à sua finalidade =Os dons são “energémata”, isto é, obras exteriores. A igreja é a continuação histórica da encarnação de Cristo. Somos o corpo de Cristo na terra. A finalidade do dom é a realização de alguma obra concreta, uma ajuda a alguém, a edificação da comunidade.

O QUE A BIBLIA ENSINA SOBRE DONS?

a) Precisamos identificá-los em nossas vidas. Os dons espirituais são capacitações ou ferramentas para o exercício do ministério que o Senhor nos confiou. Além disso, eles apontam para qual o ministério para o qual Senhor nos chamou!

Após a identificação de um ou mais dons na nossa vida, a nossa tarefa não pára aí. Temos de permitir sua operação e procurar crescer neles (1Co 14.1). Também vale a pena lembrar que eles podem ficar adormecidos em nós (II TIM 1:6 “Despertes o dom que há em ti ...”

b) Há Diversidade e interdependência de dons O Espírito Santo intermedia e arruma os dons no corpo para se complementarem uns aos outros. Um músico não pode produzir uma melodia harmônica de uma nota apenas, nem um artista, uma obra prima com uma só cor.

De igual modo, o propósito do Espírito só pode ser cumprido por meio dos vários dons. Eles devem operar em conjunto e em harmonia uns com os outros e não independentemente em divergência e competição.

Nenhum crente possui todos os dons ( I cor 12.29-30). Assim como não há membro auto-suficiente no corpo nem membro sem função. Daí a necessidade de ajuda mútua na Igreja (Rm 1.11-12);

c)É o Espírito Santo quem concede o dom a quem ele quer (I Cor 12.11). O Espírito Santo é livre e soberano na distribuição dos dons. No texto de I cor 12 temos quatro verbos chaves que ilustram essa soberania: no verso 11, “Deus distribui”; no verso 18, “Deus dispõe”; no verso 24, “Deus coordena” e no verso 28 “Deus estabelece”. Do começo ao fim Deus está no controle.

Assim, ele não vem como resultado de busca. Não se compra nem se arranca dele com vigílias de oração em busca de poder. Não são uma medalha espiritual por tempo de serviço ou dedicação espiritual. Não é o crente que decide o dom que deseja ter e o ministério que vai exercer. Ele não deve se achar mais importante porque exercita dons considerados de maior valor.

d) Os dons são para a edificação e a maturidade da igreja – 1Coríntios 12.7 diz isto: “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum”. Os dons não são para vaidade, obter posição, lucros nem para entretenimento pessoal. Dizer: “eu tenho um dom para meu uso pessoal” é uma expressão que não faz sentido.

Quem tem dons se torna servo dos demais, não senhor. É servo e não mais crente, mais espiritual, mais cheio de poder. Vaidade e dons são incompatíveis.

Quem tem dons deve ser servo, como lemos em 1Pedro 4.10: “servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. A doença que John Stott chama de “holofotite" deve ser evitada entre nós. Os dons não são estímulo para ela.

Outros textos como (1Cor 14.26; Efésios 4.11-14) vão reforçar a afirmação de que os dons são para que a igreja seja edificada e chegue à maturidade.

Entretanto, ter dons espirituais e ser maduro espiritualmente são coisas distintas. A igreja de Corinto é uma prova de que é possível ter muitos dons e ainda sim ser imaturo espiritualmente (I cor 1:7 versus I cor 3.1). É possível ter dons notáveis em uma área, mas ser muito imaturo no entendimento espiritual e na conduta cristã. A maturidade vem no decorrer da caminhada cristã e através dos elementos que já trabalhamos em nosso estudo sobre as chaves do crescimento Espiritual: Espírito santo, oração, Palavra de Deus e a Igreja.

e) Os dons são dados para a glória de Deus – Lemos em 1Pedro 4.11: “Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém.”. Deus nos deu habilidades e talentos para que ele seja glorificado, não a pessoa que recebeu o dom.

f) Prestaremos conta a deles a DeusSomos mordomos ou seja administradores de todos os dons e recursos que Deus nos confiou. De tudo isso prestaremos conta a Deus. Jesus inclusive ilustra esta responsabilidade por meio da Parábola dos Talentos Mt 25:14-30. Assim, não podemos ser negligentes, medrosos ou preguiçosos na obra do Senhor.

g) Promover a unidade do Corpo de Cristo (1 Co 12. 12, 13). Os dons espirituais visam promover a unidade da Igreja no sentido espiritual, mas também socialmente, pois a operação dos dons dinamiza a comunhão entre os crentes. No aspecto físico, o sangue e o espírito são dois elementos que mantém a unidade do corpo humano. O sangue está espalhado em todo o corpo e atinge todos os membros. O espírito não se localiza em determinado órgão, mas está em todo o corpo. Assim sendo, o sangue de Jesus (isto é, a sua eficácia) está em todo o Corpo de Cristo, a Igreja, e o Espírito manifesta- se através dos dons para manter e fortalecer o corpo de Cristo.

h) Promover a diferença e a funcionalidade dos membros do Corpo e Cristo (1 Co 12.14-16,27). A Igreja é um corpo com muitos membros, e todos são indispensáveis para o seu perfeito funcionamento. Cada cristão é parte integrante da Igreja, e os dons são concedidos para o perfeito exercício do corpo; não são independentes e atuam pelo bem dos demais. Cada membro tem a sua função, e quando dotado de um dom espiritual, trabalhará para beneficiar a todos. A diversidade dos dons existe dentro da unidade do corpo (1 Co 12.4). Os dons emanam de uma mesma fonte: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1 Co 12.4). É Ele quem utiliza os dons conforme a sua soberana vontade. Os dons não são para a exaltação das pessoas, nem para a sua individualização.

i) Promover a pregação do evangelho. Os dons tomam a pregação do Evangelho mais eficaz, pois confirmam a Palavra de Deus que está sendo proclamada (Hb 2.3,4). Infelizmente, muitos utilizam os dons, principalmente os de curar, para atrair multidões. Enquanto isto, a mensagem que leva o pecador ao arrependimento é deixada de lado. De que adianta ser curado no corpo e ter a alma lançada no inferno? A pregação verdadeiramente bíblica e pentecostal é centrada em Cristo e na sua morte na cruz. Cremos na cura divina e na operação de maravilhas. No entanto, este é o maior milagre: o novo nascimento que Deus opera no coração do pecador mediante a ação do Espírito Santo. O compromisso do Espírito é com a “palavra da cruz”, “o evangelho da salvação” (Ef 1.13; 1 Co 1.18).

j) O aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.11,12). Os dons contribuem também para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos crentes. Todavia, para que isso aconteça, temos de utilizá-los com sabedoria. Observemos, pois, a recomendação bíblica quanto ao seu uso: “Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Co 14.40).

DONS X TALENTOS

Os dons podem estar relacionados com os talentos, que são aptidões naturais das pessoas, mas não se confundem com eles. Ambos procedem da mesma fonte, que é Deus, mas os talentos pertencem a velha criação, enquanto que os dons pertencem a nova criação em Cristo. Ambos devem ser descobertos e desenvolvidos (Rm 12.6-8). Ambos devem estar à serviço de Deus.

DONS X FRUTO DO ESPIRITO

O fruto do Espírito são evidências na vida daquele que tem de fato o Espírito Santo. Diferentemente dos dons, que são dádivas e capacitações específicas dadas a cada cristão conforme os propósitos divinos, o fruto é uma conseqüência natural em uma vida constantemente moldada por Deus, de modo que todos os cristãos podem, mediante o “viver pelo Espírito” (Gl 5.16), demonstrar todas as nove virtudes deste fruto. Enquanto os dons estão relacionados ao ministério que temos, o fruto esta relacionado ao que somos!

A ADMINISTRAÇÃO DOS DESPENSEIROS DE DEUS

Os servos do Senhor são cognominados de várias maneiras pelas Sagradas Escrituras. Neste estudo, enfocaremos a figura do “despenseiro”. Veremos, ainda, suas responsabilidades e incumbências. Estas podem ser divididas em quatro categorias de deveres.

1) O despenseiro deve pregar a Palavra de Deus, pois é um administrador dos divinos mistérios, 1 Co 2.2. Esta obrigação tem que ser cumprida de boa mente. 1 Co 9.16-17, 1 Pe 4.10.

2) O despenseiro deve cuidar da casa do Senhor, para prover adequadamente o seu sustento, Mt 24.45. E, isto significa apascentar o rebanho e ter cuidado dele. 1 Pe 5.2,3, At 20.28.

3) O despenseiro deve entregar-se em defesa do Evangelho. Fp 1.16. Pois a Igreja é a coluna e firmeza da verdade, 1 Tm 3.15.

4) E, finalmente, o despenseiro deve administrar os bens materiais da casa de Deus. Rm 15.31.  Foi por isso que Paulo pediu orações à igreja. Rm 15.30,31.


CONCLUSÃO

Os dons são para a edificação e crescimento do corpo de Cristo e não para orgulho pessoal ou divisão na igreja. Deus criou os dons, e deu-os para Sua igreja, para capacitá-la a fim de cumprirem sua missão aqui neste mundo. O desconhecimento ou a não utilização correta dos dons trazem grande prejuízo para a própria vida cristã e para Igreja.

Pessoas talentosas e dotadas de dons em ministérios errados não produzem resultado. Por isso, vamos pedir a Deus sabedoria para continuarmos nesta jornada rumo ao descobrimento das ferramentas e do ministério que o Senhor nos confiou a fim de não sermos infrutíferos em sua obra.

A missão profética da Igreja trata-se da responsabilidade que a mesma tem de ser a portadora da Palavra de Deus, a ser proclamada, divulgada e defendida, não só com palavras, mas, principalmente, com atitudes. A Igreja é a porta-voz de Deus sobre a face da Terra. Ela tem o Espírito Santo (João 14:7), cuja função é guiar a Igreja em toda a verdade, anunciar o que há de vir, bem como glorificar e anunciar tudo o que diz respeito a Cristo (João 16:13,14). Por isso, não pode haver qualquer outro “mensageiro” divino além da Igreja enquanto durar esta dispensação. Quando os cristãos têm consciência que a tarefa primordial da Igreja é a evangelização, passam a entender que sua existência gira em torno desta missão dada a cada crente, que é membro do corpo de Cristo em particular (1Co 12:27). Assim, tudo quanto fizermos nesta vida, em qualquer setor ou aspecto, deve levar em consideração, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça (Mt 6:33


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

Lições bíblicas CPAD 1988

Lições bíblicas CPAD 2001

Lições bíblicas CPAD 2009

Lições bíblicas CPAD 2010

Revista o Obreiro CPAD – 1984

Teologia Sistemática – Stanley M. Horton

FILHO, Isaltino Gomes Coelho – Artigo: Uma reflexão sobre os dons.

LOPES, Hernandes Dias – Artigo: O propósito de Deus para os dons espirituais.

ROBINSON, Darrel W. : Seus maravilhosos dons. Editora VTI; Rio de Janeiro, 2009.