21 de maio de 2015

O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS



O PODER DE  JESUS SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS.

Texto Áureo = “E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e à água manda, e Lhe obedecem?” (Lc 8.2 5).

Verdade Prática = Ao mostrarem o poder de Jesus sobre as forças naturais e sobrenaturais, as Escrituras sublinham sua natureza divina e identidade messiânica.

LEITURA BIBLICA = Lucas 8.22-25,35-39

PODER SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS

“E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galileia. E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que, desde muito tempo, estava possesso de demônios e não andava vestido nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros. E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo com alta voz: Que tenho eu contigo Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes. Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava.

E guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos.

E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios. E rogavam-lhe que os não mandasse para o abismo. E andava pastando ali no monte uma manada de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lho. E, tendo saído os demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se de um despenhadeiro no lago e afogou-se. E aqueles que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram e foram anunciá-lo na cidade e nos campos.

E saíram a ver o que tinha acontecido e vieram ter com Jesus. Acharam, então, o homem de quem haviam saído os demônios, vestido e em seu juízo, assentado aos pés de Jesus; e temeram. E os que tinham visto contaram-lhes também como fora salvo aquele endemoninhado. E toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor lhe rogou que se retirasse deles, porque estavam possuídos de grande temor.

E, entrando ele no barco, voltou. E aquele homem de quem haviam saído os demônios rogou-lhe que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo: Torna para tua casa e conta quão grandes coisas te fez Deus. E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito”(Lc 8.26-39).

Na Terra do Gadareno

Em outubro de 2013 comandei uma caravana para Israel. No roteiro da viagem estava incluso um tour pela Jordânia, país que faz fronteira com Israel. Na Jordânia, conhecemos o monte Nebo, local onde Moisés contemplou a Terra Prometida antes da sua morte (Dt 34.5); passamos pelo Vau de Jaboque, local onde Jacó lutou com o anjo de Deus (On 32.28); conhecemos o local apontado pela arqueologia onde Jesus de fato fora batizado e também conhecemos Gerasa, também denominada de Gadara (Mt 8.28), local onde Jesus libertou o endemoninhado.

Ali chegando, pude logo perceber porque os evangelistas usam de forma intercambiável os termos “Gadara” e “Gerasa” para se referirem ao local onde se deu a libertação do endemoninhado. 

Na verdade, Gadara e Gerasa faziam parte de um complexo de cidades conhecidas como “Decápolis”, isto é, um conjunto de dez cidades. Foi ali na região da Decápolis que fiquei espantado com as maravilhas da arquitetura romana, presente por toda parte, principalmente em Gerasa onde as ruínas da cidade continuam testemunhando todo o esplendor do que fora o Império Romano. Ali vi o arco de Adriano, feito em homenagem a esse imperador romano.

Atravessando o Mar

Os meus olhos se enchiam com todas aquelas belezas arquitetônicas, mas a minha mente procurava fazer a reconstituição da passagem que Jesus tivera por Gerasa. “Meu Deus!” pensei eu, “o Senhor cruzou o Mar da Galileia, enfrentou uma tempestade sem precedentes simplesmente para ir atrás de um homem endemoninhado, Um moribundo, um homem considerado louco pela sociedade.” Mas era exatamente isso o que o texto mostra. De fato Lucas registra:

“E aconteceu que, num daqueles dias, entrou num barco com seus discípulos e disse-lhes: Passemos para a outra banda do lago.

E partiram. E, navegando eles, adormeceu; e sobreveio uma tempestade de vento no lago, e o barco enchia-se de água, estando eles em perigo. E, chegando-se a ele, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança. E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem? E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galileia (Lc 9.22-26).

Quando o Senhor se dirigia para confrontar as forças do mal em Gadara, as forças da natureza se levantaram contra ele: “E sobreveio uma tempestade de vento no lago, e o barco enchia-se de água, estando eles em perigo” (Lc 9.23). 

E interessante que Lucas usa o vocábulo grego epitimao (repreender) em relação às forças da natureza da mesma forma que o usa em relação à libertação dos demônios e da cura da sogra de Pedro (Lc 4.35; 4.39).

Era como se a natureza, como uma força viva, se levantasse contra Jesus e seus discípulos naquele momento. A natureza, portanto, era uma força a ser detida. Isso não significa dizer que forças impessoais ganham pessoalidade nem tampouco que seres inanimados ganham vida. O fato é que a entrada do pecado no mundo trouxe desequilíbrio e desarmonia ao universo e a natureza também está inclusa (Rm 8.19-22).

Tendo repreendido o vento e a fúria das águas, Jesus chegou a Gadara, seu destino final.

Fazendo o Caminho de Volta

Pois bem, quando ainda me encontrava em Gadara, fiquei a meditar na passagem de Lucas 8.26-39. O final da narrativa desse grande milagre de libertação, diz: “E aquele homem de quem haviam saído os demônios rogou-lhe que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo: Torna para tua casa e conta quão grandes coisas te fez Deus. E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito” (Lc 8.38,39).

O gadareno, agora liberto, queria acompanhar Jesus, mas a orientação do Senhor foi que ele voltasse para a sua terra e anunciasse tudo o que Deus tinha feito com ele. De fato, os Evangelhos registram que ele se tornou o primeiro evangelista na região da Decápolis (Mc 5.20).

Esse texto mostra de forma enfática o poder de Jesus sobre todos os demônios. Todavia revela também como fica o estado daqueles a quem Satanás escraviza.

Em primeiro lugar, o Diabo põe as pessoas na zona de exclusão, “E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galileia” (Lc 8,26). A frase “defronte da Galileia” é traduzida na Almeida Revista e Atualizada como “fronteira da Galileía”.

A palavra grega antiperan, traduzida como oposto, na margem oposta, do outro lado, mantém essa ideia de região fronteiriça, As regiões fronteiriças são distantes de tudo, Em relação ao estado ou nação da qual fazem parte, se tornam uma verdadeira zona de exclusão.

O gadareno vivia na fronteira, uma terra de ninguém. Não tenho dúvidas de que o Senhor foi para Gadara com o objetivo único de procurar aquele homem, libertá-lo e fazer com que ele saísse da zona de exclusão.

Em segundo lugar, o Diabo rouba a identidade do homem. O texto diz: “desde muito tempo, estava possesso de demônios” (Lc 8.27) e “como fora salvo o endemoninhado” (Lc 8.36).

Em Lucas 8.27 o gadareno aparece como “tendo” (gr. echo) demônios e em Lc 8.36, como quem se encontra “possuído” (gr. daimonizomai) por demônios. O renomado léxico da língua grega de Walter Bauer traduz dairnonizomai como “ser possuído por demônios”.

Em outras palavras, o gadareno encontrava- se totalmente dominado por demônios. Ele não era mais ele, havia perdido por completo a sua identidade. Havia deixado de ser gente para se tornar uma coisa. Todos o evitavam porque ele não era aquela pessoa que haviam conhecido, Jesus o liberta e faz com que ele volte a ser gente como os demais (Lc 8.35).

Em terceiro lugar, o Diabo tira todos os valores. “e não andava vestido” (Lc 8.27). A palavra grega endidysko tem o sentido de vestir, vestir-se, cobri rse, estar vestido em. Usada com a negativa “não” mantém o sentido de “estar descoberto”. E uma forma de dizer que ele andava sem roupa. Somente alguém que perde a noção de valores éticos-morais consegue andar nu. Mas é isso que o Diabo faz — deixar as pessoas totalmente nuas e despidas de tudo aquilo que as valoriza. Quando Jesus libertou o gadareno, as pessoas o viram “vestido” novamente (Lc 8.35). A missão do Diabo é despir as pessoas, enquanto o Senhor Jesus veste-as e reveste-as com sua graça.

O pastor Jack Haiford, pastor de uma igreja pentecostal na Califórnia, Estados Unidos da América, conta que certa vez uma jovem o procurou para ser aconselhada. Quando a jovem começou a contar a sua história, o pastor Haiford disse que precisou interrompê-la. O Espírito Santo lhe revelara que a jovem não estava contando-lhe o verdadeiro motivo de o ter procurado.

O pastor informou-lhe que o Senhor o havia instruído a dizer uma frase para ela, e que para ele parecia sem sentido, mas que o Senhor dissera-lhe que faria todo o sentido para ela, A jovem então quis saber que frase era. O pastor repetiu a frase que ouvira do Senhor: “Jamais permitirei que alguém veja a sua nudez”. Essas palavras tiveram um efeito bombástico naquela jovem. Ela começou a chorar convulsivamente.

Depois de se refazer, confidenciou para o pastor. Antes de se converter ela era uma prostituta e quando entregou a sua vida ao Senhor tudo estava indo bem, mas havia seis meses que um pensamento obsessivo parecia querer-lhe dominar a sua mente: “Você vai andar nua novamente”. Com aquela palavra de conhecimento liberada pelo pastor Jack Haiford a jovem foi totalmente livre.

Em quarto lugar, o Diabo tira os referenciais. “nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros” (Lc 8.27), Esse homem não possuía mais uma família. Havia perdido a sua referência social. Havia perdido os seus valores morais e também os sociais. O homem é um ser gregário e como tal necessita viver em sociedade, O Diabo sabe disso e por isso procurou jogar aquele pobre coitado em um total isolamento social. Estava vivo, mas vivia com os mortos. Era um morto vivo. Jesus o libertou e devolveu ao convívio familiar.

Em quinto lugar, o Diabo torna a vida do homem árida. “Era impelido pelo demônio para os desertos” (Lc 8.29). O deserto é o lugar dos extremos. Durante o dia a temperatura é escaldante e durante a noite elas despencam. Vi isso quando estive no deserto do Sinai. Durante o dia, a temperatura no monte Sinai é elevadíssima, sendo possível medir cinquenta graus na sombra. Por outro lado, as madrugadas são geladas, ficando alguns graus abaixo de zero.

Devido a esses fenômenos, o deserto é um lugar árido. O Diabo fez com que o deserto fosse a casa do gadareno. A sua vida era, portanto, árida. Foi somente quando Jesus o libertou que ele voltou a viver a vida abundante. As referências que mostram Jesus confrontando o poder de Satanás são abundantes nos evangelhos. No Evangelho de Lucas esse embate ocorre nos primeiros momentos do ministério público de Jesus.

“E desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava nos sábados. E admiravam-se da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade. E estava na sinagoga um homem que tinha um espírito de um demônio imundo, e este exclamou em alta voz, dizendo: Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste a destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus.

E Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai dele. E o demônio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu dele, sem lhe fazer mal. E veio espanto sobre todos, e falavam uns e outros, dizendo: Que palavra é esta, que até aos espíritos imundos manda com autoridade e poder, e eles saem? E a sua fama divulgava-se por todos os lugares, em redor daquela comarca (Lc 4.31-37).

Como no caso dos milagres, Lucas também não tem a preocupação de provar a existência dos demônios. Isso não era necessário, pois eles estavam por toda parte. A Bíblia mostra o moclus operandi do Diabo em vários textos. Ele resiste à oração (Dn 10,10-13); influencia a mente (Mt 16.21-23; At 5.3); corrompe a mente (2 Co 11.1-3); opóe-se à pregação do evangelho (At 13.8); procura destruir as vidas (Mc 9.22; Jo 10.10).


O registro dos Evangelhos é que havia muitas pessoas oprimidas e possuidas pelos demônios no antigo Israel, De fato a missão de Jesus, como o Messias prometido, incluía a libertação das pessoas dominadas pelo Diabo. “Chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler. E foi-lhe dado o livro do profeta Isaias; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.16-19).

Nesses confrontos urna coisa ficou logo evidente — Jesus, durante o seu ministério terreno exerceu autoridade sobre todas as castas de demônios! As pessoas viram isso e admiradas, se perguntavam que poder era aquele, pois Jesus ordenava aos demônios que eles saíssem e eles obedeciam! Até os próprios demônios estavam conscientes do poder de Jesus sobre eles: “Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!” (Lc 4.34).

Lucas mostra que Jesus não apenas possuía autoridade sobre os demônios como também delegou para seus discípulos essa autoridade. “E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do Inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc 10.17-19).

O cristão, portanto, possui autoridade sobre o reino do mal. Isso se tornou possível porque Jesus conquistou a vitória sobre Satanás na cruz do calvário: “havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Cl 2.14-15).

Estando em Cristo, o crente agora encontra-se em posição de domínio sobre o poder das trevas: “Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro. E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja” (Ef 1.20-22).

Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus(Ef 2.4-6).

A Peneira do Diabo

Se o cristão tem autoridade sobre o Diabo, como de fato tem, então porque Satanás leva vantagens sobre muitos deles? Primeiramente porque lhe dão lugar (Ef 4.27); não são totalmente convertidos (Lc 22.31) e também possuem uma mente mundana (1 Co 10.21).

Algo parecido com o que vivenciou Simão Pedro: “Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos. E ele lhe disse: Senhor, estou pronto a ir contigo até à prisão e à morte. Mas ele disse: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues que me conheces” (Lc 22.31-34).

Pelo menos seis coisas podemos deduzir do comportamento de Pedro revelados nesse texto.

1. Pedro demonstrou presunção “estou pronto para morrer”. Isso não passava de presunção, pois quando foi confrontado por ser discípulo de Jesus, ele negou temendo a morte.

2. Pedro possuía “brechas” — “Satanás vos reclamou”. O Diabo viu áreas no comportamento de Pedro que revelavam que ele não parecia ser aquela pessoa que demonstrava. Ele queria tirar isso a limpo. Não há dúvidas de que havia área na vida de Simão que o Diabo conhecia como sendo vulneráveis.

3. Pedro possuía vida devocional pobre — “Roguei por ti” — O Senhor orou por Pedro. O que o texto parece mostrar é que Pedro não vivia uma vida devocional profunda. Quando Jesus orava no Getsêmani, ele logo adormeceu na oração.

4. Pedro também não demonstrou ser totalmente convertido — “Quando te converteres”. O Senhor não iria dizer essas palavras se Pedro fosse um homem convertido por completo. Eu não sei precisar o que era essa falta de conversão, mas que ele não era ainda convertido por completo, não era.

5. Pedro demonstrou egoísmo — “fortalece aos teus irmãos”. Pedro sempre aparece como sendo o primeiro em tudo. Era hora do Senhor lembrar que ele precisava pensar em seus companheiros.

Crentes Possessos?

Lucas nada diz sobre a possessão de demônios em cristãos nem em seu evangelho nem tampouco em Atos. 

Todavia alguns escritores vão além e defendem a possibilidade de um crente ficar possuído pelo Diabo. Eu não compartilho dessa ideia. Estou convencido de que nenhum ensino tem demonstrado ser tão nocivo à Igreja de Jesus Cristo, quanto esse que afirma que o cristão pode ser possuído por demônios. Nos anos 90, esse ensino se tornou como uma praga e era só no que se falava nos meios evangélicos. Em um manual de libertação de autoria do neozelandês Bill Subritzky encontramos a pergunta: “pode um cristão ter demônios? O mesmo autor responde sem rodeios: “a resposta é enfaticamente sim!”

O problema com esta afirmação está no fato da mesma não ser baseada na Bíblia Sagrada, mas na experiência do autor. Tentando fundamentar a sua resposta, ele diz: “Estou ciente do muito que se tem ensinado a respeito de os cristãos não poderem ter demônios. Contudo, através de minha experiência no ministério há quatorze anos, constatei que tal opinião é totalmente incorreta.”

Partindo desse princípio a posteriori (fundamentado em sua experiência), Subritzky faz uma exegese falaciosa sobre a “possessão demoníaca” no cristão: “Em primeiro lugar”, escreve ele, “precisamos compreender que alguém pode ter um demônio sem estar possuído por ele. A versão King James (Bíblia em Inglês) traduz incorretamente a palavra ‘endemoninhado’ como ‘possuído’.

Isso dá as pessoas a impressão de que se um espírito as ataca, ou se apenas possuem um espírito estão conseqüentemente possuídas por demônios. Não há nada na tradução grega que revele a palavra ‘possuído’. Estudiosos insistem no fato de que esta palavra tem amedrontado muitas pessoas, por pensarem que, se possuem um demônio estão ‘possuídas.

Como já escrevi em outro lugar, essa crença que dá amplos poderes aos demônios sobre os cristãos é falsa pelo menos por cinco razões:

1. É a “posteriori”, isto é, baseia-se na experiência e não na Bíblia.

2. É fruto de uma teologia errada sobre a segurança do crente.

3. É fundamentado numa concepção equivocada sobre a tricoto- mia humana.

4. É falho em definir o que seja um “cristão” segundo o modelo do Novo Testamento.

5. É fundamentado na má compreensão da terminologia usada no Novo Testamento para a possessão demoníaca.

Não podemos negar o valor que a experiência tem para nós, cristãos. A vida cristã é experimental. Todavia uma experiência cristã alicerça seus princípios na Palavra de Deus — a Bíblia Sagrada. Uma experiência divorciada das Escrituras não tem valor para a fé genuinamente evangélica. Aqueles que defendem a possessão demoníaca em cristãos não conseguem enquadrar essa experiência no modelo dado no Novo Testamento. A interpretação dada à palavra grega dairaonizomai, com o sentido de “ter” demônios sem contudo estar possuido por ele, é falha e não conta com o apoio do Novo Testamento grego

Por outro lado, quando aceitamos a Cristo como nosso Salvador, mudamos de cidadania, de propriedade e conseqüentemente de reino e senhor (Cl 1.13). Quando pertencemos ao reino de Deus não existe, portanto, a ideia de copropriedade ou ocupação conjunta. Não podemos ser habitados ao mesmo tempo pelo Espírito Santo e por demônios. Neste aspecto, o cristão em comunhão com Deus está guardado e não há porque temer as forças do mal (Rm 8,38,39; Lc 10.18,19; Ef 6.10-18).


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lucas – O Evangelho de Jesus, O Homem Perfeito, Pr José Gonçalves- CPAD


12 de maio de 2015

PODER SOBRE AS DOENÇAS E MORTE



PODER SOBRE AS DOENÇAS E MORTE

Texto Áureo =”‘E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se Levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.” (Lc 7.16)

Verdade Prática = Ao curar os enfermos e dar vida aos mortos, Jesus demonstrou o seu poder messiânico e provou também o amor de Deus pela humanidade caída.

LUCAS 4.38,39; 7.11-17

A Secularização da Fé

“É impossível usar a luz elétrica e o telégrafo sem fio, e beneficiar-se das modernas descobertas médicas e cirúrgicas, e ao mesmo tempo acreditar no mundo de (...) milagres do Novo Testamento”. Estas palavras não foram ditas por um ateu, mas por um dos mais conceituados teólogos liberais da Alemanha, Rudolf Bultmann (1884-1976).

Bultmann não está sozinho na sua posição. Dezenas de outros teólogos também compartilham de seu pensamento. Recentemente o teólogo liberal Jonh Shely Spong escreveu:

“Partindo do princípio de que não considero Deus um “ser”, não posso também interpretar Jesus como a encarnação desse Deus sobrenatural, nem posso assumir com credibilidade que ele possua poder divino suficiente para fazer coisas tão miraculosas quanto acalmar as águas do mar, expulsar demônios, andar sobre a água ou multiplicar cinco pães para alimentar cinco mil pessoas. Se tivermos que reivindicar a natureza divina desse Jesus, terá que ser sobre outras bases.

Milagres da natureza, estou convencido, dizem muito sobre o poder que as pessoas atribuíram a Jesus, mas não dizem nada sobre o que ocorreu literalmente.”

“Não creio que Jesus”, continua Spong, “pudesse ressuscitar os mortos, curar pessoas cuja paralisia já fora diagnosticada pela medicina, restaurar a visão dos cegos de nascença ou daqueles que perderam a visão por outra causa, nem acredito que ele tenha feito literalmente tudo isso. Também não creio que ele fez ouvir alguém surdo e mudo de nascença. Histórias de cura podem ser vistas de diversas formas. Considerá-las sobrenaturais ou milagrosas, em minha opinião, é a possibilidade de menor credibilidade”.

As obras de Bultmann e Sporig procuram provar que milagres não existem. Para entendermos o pensamento desses teólogos liberais será preciso recuarmos no tempo, mais precisamente aos séculos XVII e XVIII. 

Foi durante esse período da história que a cultura ocidental experimentou o que os filósofos denominam de mudança de paradigma.

A visão de mundo aceita até então, era aquela dada pelo catolicismo medieval. As explicações para os fenômenos cosmológicos não eram dadas por físicos e matemáticos, mas pelos teólogos da Escolástica.

As novas descobertas nos campos da física e da matemática passaram a se contrastar com a cosmovisão católica.

Em 1637, o matemático Rene Descartes (1596-1650) lançou a sua famosa obra intitulada: Discurso do Método. Nesse livro, Descartes propunha um novo método de investigação dos fenômenos naturais que fosse muito além do que ele considerava como meras especulações teológicas. Descartes elegeu a dúvida como seu método de investigação. Ele passou a duvidar de tudo e somente aquilo que não admitisse mais dúvida, depois de acurada investigação, deveria ser aceito como verdade absoluta.

Essa nova visão de mundo idealizada por Descartes, também denominada de cartesianismo ou cientificismo, marcou o fim da cosmovisão medieval e o início da Modernidade. Com as descobertas das leis físicas que regem o Universo feitas por Isaac Newton (1642-1727), o paradigma moderno se consolidou. No século XVIII, um movimento cultural europeu denominado de Iluminismo tomou para si como dogma essa nova concepção de mundo.

A partir dessa nova visão de mundo, somente o que poderia ser explicado racionalmente, isto é, o que pudesse ser objeto de pesquisa e mensurado empiricamente deveria ser aceito como verdade absoluta, Nada que não passasse pelo crivo da razão podia ser aceito como verdade, Dentro desse contexto as narrativas religiosas ou bíblicas, por não se enquadrarem nesse novo modelo, não deveriam ser tidas como verdades absolutas. Estava aberta a porta para o criticismo bíblico!

Como vimos, essa visão de mundo teve um impacto enorme sobre as igrejas européias, especialmente as protestantes. Através das academias e seminários teológicos, uma onda de incredulidade varreu as igrejas européias e posteriormente as americanas.

O cristianismo secularizado passou a usar a razão para explicar as narrativas bíblicas e não a fé como mostram os Evangelhos. Voltarei a tratar com mais detalhes sobre esse modelo cultural no capítulo 13.



Milagres Existem?

Em seu livro Um Judeu Marginal, o teólogo John Meier faz uma excelente apologia em favor da ocorrência de milagres nos dias atuais, Para Meier há três formas de se conceituar um milagre:

1) um evento incomum, surpreendente ou extraordinário que, em princípio, é perceptível a qualquer observador interessado e imparcial;

2) um evento que não encontra explicação razoável nas habilidades humanas ou em outras forças conhecidas que agem em nosso mundo de tempo e espaço, e

3) um evento resultante de um ato especial de Deus, fazendo o que nenhum poder humano consegue fazer.

Meier evita o conceito de milagre como sendo um evento que ultrapassa, transgride, viola ou contradiz “as leis da natureza” ou a “lei natural”. Isso ele faz acertadamente para evitar cair no mesmo erro no qual incorreram os teólogos liberais. Como filha legítima do Iluminismo alemão, a teologia liberal também abraçou a ideia de que o Universo era regido por leis naturais fixas e invioláveis. De acordo com essa visão de mundo, um milagre é algo impossível de acontecer porque Deus não iria quebrar leis que Ele próprio criou. Milagres, portanto, não existiriam,

Meier escreve: “A noção filosófica de que o curso suave da ‘natureza’ é regulado por leis imanentes não encontra paralelo direto na vasta maioria dos livros do AT escritos em hebraico. A partir do primeiro capítulo do Gênesis, o mundo criado emerge do caos e o tempo todo para lá tende a retornar. Somente o poder criativo de Deus, e não as leis ‘naturais’ inerentes às realidades de tempo e espaço, impede que o mundo volte a cair na desordem. Deus dá ou impõe leis às suas criaturas; tais leis não surgem ‘naturalmente’ das criaturas, por causa de sua própria essência.”

Meier observa ainda que essa concepção de uma “natureza” (phisis) autônoma que governa o universo é uma ideia herdada do platonismo e incorporada posteriormente à teologia cristã. No entanto, observa ele, “mesmo em Filon de Alexandria, que refletia o platonismo grego, a ‘natureza’ é entendida à luz da tradição do AT, ou seja, como ‘criação’, que é feita e governada pela palavra e sabedoria de Deus. A natureza não é uma realidade autossuficiente que funciona de acordo com suas próprias leis inerentes e invioláveis, não uma realidade identificável, em última análise, com o próprio Deus”.


Foi fundamentado na concepção de mundo mecanicista e não na Bíblia que Rudolf Bultmann e mais recentemente John Sheley Spong construíram suas teologias acerca dos milagres. Com o advento da física quântica e seu princípio da incerteza de Wemer Heisenberg essa concepção de mundo, que vê o universo apenas como uma máquina vem sendo abandonada pela comunidade científica. As descobertas da física quântica mostram que as leis fixas do universo são válidas para o macrocosmo mas não para o microcosmo do mundo subatômico.

Em palavras mais simples, o universo não pode mais ser explicado somente a partir de leis fixas e imutáveis como apregoavam os filósofos do Iluminismo. A mesma ciência que armou os teólogos liberais com a física mecanicista agora os desarma com a física quântica. Trocando isso em miúdos — a ciência contemporânea não pode afirmar nem tampouco negar a existência de um milagre. Isso é competência da teologia!

Uma Resposta ao Secularismo

O movimento pentecostal surge em um contexto onde os crentes mais devotos, insatisfeitos com a secularização do cristianismo institucional, buscam novamente o fervor dos primitivos cristãos. Muitos movimentos periféricos passaram a apregoar a necessidade de uma vida mais profunda. Dentre eles se destaca o Movimento Holiness (Santidade) que atingiu as igrejas norte-americanas em torno de 1880.

Foi oriundo desse Movimento de restauração que veio Charles Fox Parham e William J. Saymour. Posteriormente Daniel Berg e Gunnar Vingren, que haviam aderido ao movimento em 1906. Eles trouxeram a mensagem pentecostal para o Brasil. Os milagres vieram juntos.

Milagre no Seringal

Atualmente o pastor José Veras Fontinele pastoreia a igreja Assembléia de Deus na cidade de Piripiri ( PI ). Ele é um dos poucos herdeiros ainda vivo desse pentecostalismo clássico. Seus cabelos brancos, voz rouca e pele enrugada são sinais físicos de longos anos de dedicação ao ministério pastoral. Na casa dos oitenta anos, o pastor Fontinele, como é conhecido entre os amigos, é um homem que demonstra muita lucidez.

Conheci o pastor Fontinele há mais de vinte anos e desde então aprendi a admirá-lo e respeitá-lo como um dos líderes mais honrados de nosso estado. Homem de caráter e reputação ilibada que sempre procurou viver sem mascaramefltos o evangelho de Jesus. Suas poucas palavras, porém carregadas de sabedoria, fizeram com que os seus pares sempre parassem para ouvi-lo.
Pois bem, a história desse pioneiro do pentecostalismo piauiense é marcada por uma série de fatos miraculosos, mas um deles me chamou a atenção — a cura de uma doença incurável que ele havia contraído ainda na sua mocidade. A história me foi passada por um amigo e desde então eu aguardava uma ocasião própria para ouvi-la da sua própria boca.

Certa vez nos encontrávamos em um conclave de pastores em uma das cidades piauienses do sul do estado. Ao vê-lo e cumprimentá-lo expus o meu desejo de ouvir a história que terceiros me haviam repassado. Sem demonstrar enfado ou cansaço, nem tampouco se sentir incomodado, ele narrou o que se segue.

Contou-me que ainda muito jovem e ainda não convertido ao evangelho, adoeceu e quando um médico foi consultado, o diagnóstico não poderia ser mais devastador — ele havia contraído tuberculose, Nessa época, próximo dos anos cinquenta, observou ele, era constrangedor possuir um “tuberculoso” na família. 

Mesmo sendo bem jovem, mas não querendo ser um embaraço para a família, ele resolveu então secretamente sair de casa e migrar para a região Norte do país. O estado escolhido foi o Acre, onde iria tentar trabalhar no seringal.

Chegando ao seringal foi morar em uma vila onde a principal cultura era o extrativismo da borracha. Ali chegando, a doença começou a dar sinais mais fortes de sua presença, sendo que alguns sintomas, dentre eles a tosse passou a se manifestar de forma mais aguda. A comunidade ficou ciente da sua doença. Foi então que certa vez, quando ele se encontrava em um comércio local que urna senhora o interpelou: “Fontinele, porque você não faz um voto com Jesus para que ele o cure dessa doença?” E completando, disse: “Quando Ele te curar, então você o recebe como Salvador de sua vida.

O pastor me informou na sequência que aquela mulher fazia parte de uma igreja evangélica pentecostal do povoado e que os pentecostais tinham por hábito fazerem três cultos domésticos em suas residências. Foi para participar de uma dessas reuniões que ele fora convidado por aquela simpática senhora. Quando recebeu o convite, o pastor se limitou a pensar com incredulidade como poderia uns pecadores daqueles curarem alguém. Mas não tendo nada a perder, aceitou o convite.

Chegando à residência para onde fora convidado e adentrando no recinto, encontrou algumas pessoas de joelhos e orando em alta voz. A sua presença logo foi percebida pela dona da casa, a mesma que o havia convidado, Interrompendo a reunião, ela informou a razão da presença daquele jovem à reunião deles, Disse também que Fontinele havia se comprometido que tão logo ficasse bom, serviria ao Senhor Jesus. Demonstrando muita ousadia, confiança e fé, aquela senhora perguntou quantos dos presentes acreditavam que Jesus iria curar o jovem! Todos responderam em uníssono que criam na sua cura.

“Quando aquela mulher orou por mim”, contou-me o veterano pastor, “vi línguas de fogo saindo de sua boca”. Foi então que ele passou a perceber a presença de um ser angélico vestido de branco aproximar-se dele. Aquele varão trazia na mão um vasilhame cheio de azeite quente. Ao tocar-lhe, o ser de branco fez com que ele ficasse reclinado a fim de que o azeite pudesse ser despejado em sua boca.

Ao abrir a boca, Fontinele sentiu o azeite descendo pela sua garganta e à medida que o óleo quente entrava em seu interior ele começou a transpirar por todos os poros!

Quando aquela senhora terminou a oração, ele se sentiu totalmente curado! Com os olhos marejando em lágrimas, o pastor Fontinele contou-me que no dia seguinte todos os sintomas da doença haviam desaparecido. Meio século já se passou desde aquela cura milagrosa e ele continua ainda curado!

Jesus e o Poder sobre as Doenças e a Morte

No Evangelho de Lucas encontramos vários relatos de curas milagrosas e de pessoas sendo ressuscitadas. Não há por parte do evangelista a preocupação de provar que milagres existem. As fontes as quais ele pesquisou e as pessoas as quais consultou detalharam o que ouviram e viram Jesus fazer. Jesus não curava e ressuscitava as pessoas de entre os mortos para provar alguma coisa. Antes ele as curava por ser o filho de Deus.

Missão Messiânica

Lucas parte do princípio de que Jesus é o Messias prometido nas Sagradas Escrituras e que Ele havia sido capacitado pelo Espírito Santo para realizar as obras de Deus  (Lc 4.16-18; Is 61.1,2). Mais uma vez a teologia carismática de Lucas fica em destaque. Na cura do paralítico de Cafarnaum, Lucas destaca que “o poder do Senhor estava com ele para curar” (Lc 5.17).

O poder do Senhor é um sinônimo para a unção do Espírito Santo (At 10.38). Por outro lado, na ressurreição do filho da viúva de Naim, Lucas observa que o povo exclamou: “Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo” (Lc 7.16). Não há dúvida de que esse grande profeta é uma referência messiânica encontrada em Deuteronômio: “Suscitar-lhe-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar” (Dt 18.15-19).

As curas e milagres de ressurreição de mortos efetuados por Jesus, portanto, faziam parte da sua revelação messiânica e a demonstração da compaixão e do amor de Deus. “E aconteceu, pouco depois, ir ele à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus djscipulos e uma grande multidão. 

E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. E, vendo-a, o Senhor moveu-se de intima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores. E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam) e disse: Jovem, eu te digo: Levanta-te. E o defunto assentou-se e começou a falar. E entregou-o à sua mãe. E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo” (Lc 7.11-16).

A Manifestação do Reino de Deus

Os milagres de Jesus na perspectiva lucana devem ser também entendidos como a manifestação da vinda do reino de Deus. Em Lucas, a expressão “Reino de Deus” deve ser entendida como sendo o domínio de Deus (Lc 17,20,21).

Ao curar os enfermos e ressuscitar os mortos, Jesus demonstrava que o Reino de Deus havia chegado: “Também os enviou a pregar o reino de Deus e curar os enfermos” (Lc 9.2); “Falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura” (Lc 9.11). No Evangelho de Mateus essa mensagem acerca do reino de Deus, além da cura dos enfermos envolve também a ressurreição dos mortos (Mt 10.8).

É uma verdade bíblica que as doenças e a morte existem por causa da entrada do pecado no mundo. Isso não significa dizer que toda e qualquer doença fosse resultante de um pecado pessoal. Os evangelhos mostram que haviam doenças que poderiam advir como consequência de um pecado pessoal, como no caso da cura do paralítico no tanque de Betesda ( Jo 5.14, veja também I Co 11.27-31).

Mas nem todas as enfermidades e doenças estavam necessariamente associadas a algum tipo de pecado ou punição pessoal (Jo 9.1-3).

No caso do cego do capítulo nove do Evangelho de João, Jesus afirmou que nem o doente nem seus pais haviam pecado para que ele nascesse cego! Em outras palavras, a lei de causa e efeito do pecado e suas consequências não pode ser aplicada aqui para explicar a razão da cegueira daquele homem. O certo é que a sua cegueira existia, não como consequência de um pecado pessoal, mas em razão da queda! O relato da cura do paralítico de Cafarnaum é emblemático no evangelho de Lucas (Lc 5.17-26).

“E aconteceu que, em um daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia, e da Judeia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava com ele para curar.

E eis que uns homens transportaram numa cama um homem que estava paralítico e procuravam fazê-lo entrar e pô-lo diante dele, E, não achando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subiram ao telhado e, por entre as telhas, o baixaram com a cama até ao meio, diante de Jesus. E, vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, os teus pecados te são perdoados. E os escribas e os fariseus começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu e disse-lhes: Que arrazoais em vosso coração? Qual é mais fácil? Dizer:
Os teus pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), eu te digo: Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa. E, levantando-se logo diante deles e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa glorificando a Deus. E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus, e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje, vimos prodígios (Lc 5.17-26).

Antes de tratar do problema fisico do paralítico, Jesus primeiramente tratou da sua alma. O texto não nos permite deduzir que esse homem encontrava-se assim em razão de algum pecado pessoal. Mas por outro lado, o contexto não deixa dúvidas de que aquele pobre moribundo, além da doença fisica também carregava consigo a culpa. De outra forma não teria sentido as palavras que Jesus dirigiu a ele: “Os teus pecados te são perdoados” (Lc 5.23). O seu estado demonstrava que a sua necessidade imediata era de cura e não de perdão, mas o Senhor não o viu assim. Antes resolveu o problema da culpa, dando-lhe uma palavra de perdão e somente depois cuidou também de curar o seu corpo: “Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa” (Lc 5.23).

A Cura e a Expiação

Esses milagres efetuados por Jesus durante o seu ministério público estavam, sem dúvida alguma, associados à sua missão vicária. Dizendo isso de uma outra forma, o testemunho dos Evangelhos é que Jesus levou sobre si as nossas doenças e enfermidades. Isso significa dizer que a cura faz parte da expiação (Mt 8.16-17).

E, chegada à tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças” (Mt 8.16,17).

Ao afirmar que a cura faz parte da expiação, não significa dizer que todos serão curados. Da mesma forma, nem todos vão ser salvos embora a salvação também faça parte da expiação. A santidade do crente também foi conquistada na cruz. Ela, portanto, faz parte da expiação, embora nem todos vivam santamente. E paradoxal, mas é bíblico.
A doutrina da expiação de Cristo nos dá uma base segura para crermos na salvação da nossa alma e na cura de nosso corpo. Todas as bênçãos de Deus para nós, providas por Cristo, foram possíveis através de seu sacrifício vicário. Não há bênção fora da expiação!

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lucas – O Evangelho de Jesus, O Homem Perfeito, Pr José Gonçalves- CPAD