21 de maio de 2013

EDUCAÇÃO CRISTÃ, RESPONSABILIDADE DOS PAIS



EDUCAR, DEVER DA FAMÍLIA

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6).

A educação com base nos princípios bíblicos fortalece o caráter e desenvolve a cidadania cristã. Em tempos mais antigos, a educação começava no lar, e se fortalecia no meio da família. Há algumas décadas, os pais em geral eram os principais educadores da família. Com o passar dos séculos, a educação formal passou a utilizar-se das instituições educacionais para desenvolver o processo educativo. Foi um avanço, sem dúvida. A educação na família deixava a desejar em termos de conteúdo, embora fosse eficaz na formação do caráter, na maioria dos lares.

Quando os pais eram os educadores da família, os filhos, verdadeiros alunos, na escola da vida, procuravam adotar o comportamento esperado pelos seus genitores. Lembro-me do tempo em que um adolescente levantava-se para ceder o lugar a um ancião, em qualquer ambiente, no lar, no transporte, nas repartições, etc. Hoje, esses gestos de civismo parecem estar esquecidos, ou nunca foram valorizados. Para que idosos tenham prioridade, foi necessária a intervenção da lei, concedendo-lhes o direito ao atendimento nos diversos lugares.

A educação formal, desenvolvida nas instituições educacionais, utilizando conteúdos programáticos e currículos elaborados tecnicamente, amplia o leque de conhecimentos a serem apreendidos pelo alunado. Mas, infelizmente, grande parte das escolas não transmite educação. Certo autor escreveu: “Perdi minha educação, quando entrei na escola”.

Parece exagero, mas a experiência comum confirma que, na escola, os valores morais e éticos são desprezados. Esse é o tipo de ensino que despreza os princípios da Palavra de Deus.
A educação a que nos referimos, neste estudo, não é a educação secular simplesmente. Mas a educação cristã, fundada nos sagrados princípios, que emanam da palavra de Deus. Esses princípios são, antes de tudo, espirituais. Contemplam e valorizam a existência do Criador de todas as coisas, conforme a explicação da sua palavra. Esses princípios são “cláusulas pétreas”, em termos absolutos de ética e de moral.

Na educação cristã, o aluno deve ser instruído nos fundamentos espirituais e morais, cuja fonte é a Palavra de Deus.


CONCEITOS IMPORTANTES

1. O que é educação

“A Educação não é mais do que o desenvolvimento consciente e livre das faculdades inatas do homem” (Sciacca); “a Educação é o processo externo de adaptação do ser humano, fisica e mentalmente desenvolvido, livre e consciente, a Deus, tal como se manifesta no meio intelectual, emocional e volitivo do homem” (Herman Horse); “E toda a espécie de formação que surge da influência espiritual” (Krieck, p. 62, 63). 

“Ação e efeito de educar, de desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais da criança e, em geral, do ser humano; disciplinamento, instrução, ensino (Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, Caldas Aulete)”. “Ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações jovens para adaptá-las à vida social; trabalho sistematizado, seletivo, orientador, pelo qual nos ajustamos à vida, de acordo com as necessidades ideais e propósitos dominantes; ato ou efeito de educar; aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas, polidez, cortesia” (Pequeno Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda)”.

Há muitas definições de educação. Pode-se dizer que educação é um processo que integra o ensino e a aprendizagem, com vistas à formação de indivíduos com personalidade capaz de desenvolver-se e aperfeiçoar-se para a vida. E diferente de instrução, de treinamento ou adestramento. A educação verdadeira prepara cidadãos conscientes para exercerem papel construtivo na sociedade.

“Podemos dizer que a educação é um processo contínuo de desenvolvimento e aperfeiçoamento da vida”;2 Gregory vê dois conceitos de educação: “Primeiro, o desenvolvimento das capacidades; segundo, a aquisição de experiência”. “E a arte de exercitar e a arte de ensinar”. Com isso, o resultado esperado é “uma personalidade bem desenvolvida física, intelectual e moralmente, com recursos tais que tornem a vida útil e feliz, e habilitem o indivíduo a continuar aprendendo através de todas as atividades da vida”.

2. Educação cristã

Na igreja cristã, há um espaço especial para a Educação Cristã. Esta é o processo de ensino-aprendizagem proporcionado por Deus, através de sua Palavra, pelo poder do Espírito Santo, transmitindo valores e princípios divinos. E diferente da educação secular, que só transmite instruções e conhecimentos, deixando de lado os valores éticos, morais e espirituais. Por isso, a base da Educação Cristã é a Bíblia Sagrada.

A EDUCAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

1. Sob a égide da teocracia

No Antigo Testamento, os pais viviam sob a Teocracia, ou sob o governo de Deus sobre o povo. Todas as normas ou doutrinas, de caráter espiritual, moral, social, educacional ou familiar, emanavam da Lei de Deus. Os pais não tinham grandes desafios no relacionamento com os filhos, pois os mesmos, desde o berço, eram criados segundo os mandamentos, os juízos e os estatutos de Deus (Dt 5.31)
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2. O ensino aos filhos no lar

Os filhos dos judeus aprendiam e absorviam o shema, ou o credo, que resumia o princípio fundamental de sua fé: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois,o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Dt 6.4,5). Esse ensino fazia parte do dia a dia das crianças judaicas. Uma grande lição para a educação cristã nos dias presentes (Dt 11.18-21).

3. Os cuidados na educação dos filhos

Aos 12 anos, os meninos passavam pela cerimônia do “Bar Mitzvah”, quando já deveriam saber de cor os pontos mais importantes da lei. A sinagoga era templo e era escola também. Segundo Halph Gower, “Era responsabilidade da mãe educar tanto os filhos como as filhas durante os três primeiros anos (provavelmente até o desmame). Ela ensinava às filhas os deveres domésticos durante toda a infância delas. A partir dos três anos de idade, os meninos aprendiam a lei com o pai, e os pais também ficavam responsáveis por ensinar um oficio aos filhos. Um rabino disse certa vez: ‘O pai que não ensina ao filho um ofício útil está educando-o para ser ladrão”.

4. Lições para os dias presentes

Nesse contexto de educação no lar, pode-se entender que os pais eram bem presentes na vida dos filhos. Estamos escrevendo sobre educação no século XXI, onde a educação é institucionalizada, seguindo um sistema oficial de ensino. Mas a educação no Antigo Testamento nos dá sugestões válidas para hoje, principalmente para a família cristã, O ensino da palavra de Deus no lar, a educação constante, como em Deuteronômio 11.18-21 é a única esperança para termos uma família firmada nos princípios da Lei do Senhor. Os pais presentes na vida dos filhos é fator indispensável para a formação do caráter cristão. Confiar apenas na escola secular é entregar os filhos a um sistema que está totalmente contaminado com as doutrinas materialistas.

A EDUCAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO

1. A educação era integral

Nas poucas referência sobre o tema, vemos o exemplo da educação do menino Jesus. Diz a Bíblia: “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” (Lc 2.40, 52). Esses textos nos falam da educação espiritual (“em espírito”), no conhecimento de Deus e intelectual (“cheio e sabedoria”), no crescimento físico (“em estatura”), e no crescimento espiritual e social (“em graça para com Deus e os homens”).

Aos 12 anos, Jesus foi levado pelos pais a Jerusalém, para a Festa da Páscoa. Ao regressarem a Nazaré, no meio da multidão, José e Maria, sem dúvida, deixaram o menino um pouco à vontade, no meio de outros meninos, que acompanhavam seus pais. Num determinado momento, o perderam de vista, e, preocupados, o buscaram entre os caminhantes, mas não o encontraram. Lucas registra aquele momento de aflição para os pais de Jesus, e de afirmação de sua missão perante os doutores da Lei (Lc 2.46-48). Os doutores da época admiraram-se da inteligência e sabedoria de Jesus, como pré-adolescente. Naturalmente, Ele era divino. Mas, na ocasião, comportava-se como um menino judeu, educado pelos pais com todo o cuidado e zelo como era de se esperar.

A educação de Jesus no lar preparou-o para ser um cidadão completo. Além do ensino da Lei, dos livros sagrados, do Antigo Testamento, ele foi ensinado a ter um ofício. Segundo Gower, “ele não era só o filho do carpinteiro” (Mt 13.55). Mas ele era “o carpinteiro” (Mc 6.3). Jesus teve uma educação integral. Ele conhecia o lado espiritual da vida, no ensino e no exemplo de seus pais. Foi educado a ter respeito e equilíbrio, no aspecto emocional, e teve uma educação que, nos termos de sua realidade, lhe deu um desenvolvimento fisico desejável.

2. Os pais são exortados a ensinar os filhos (Ef 6.4)

Infelizmente, pelas mudanças sociais impostas pelo progresso material, os pais estão cada vez mais ausentes na educação dos filhos. Além de muitos não saberem o que seus filhos estão aprendendo (ou desaprendendo) nas escolas, ainda são ausentes na educação espiritual e moral dos filhos. A maioria dos pais não faz o culto doméstico. Os filhos sequer sabem metade dos nomes dos apóstolos de Jesus.

Mas grande parte sabe o nome dos personagens das novelas. Para criá-los “na doutrina e admoestação do Senhor”, faz-se necessária uma educação permanente, com ensinamentos ministrados no próprio lar.
A maioria dos filhos de cristãos não sabe o que é doutrina. E muito menos o que é admoestação. Mas sem esses dois elementos educacionais, os filhos não poderão ter uma verdadeira formação cristã.

A EDUCAÇÃO CRISTÃ

O que os pais cristãos devem escolher? A educação repressiva, que levou muitos filhos à frustração e ao desvio dos caminhos do Senhor?
Ou a educação permissiva, que tem levado muitos à pecaminosidade, à libertinagem e à condenação espiritual? Certamente, nenhum dos dois tipos é desejável aos pais cristãos. Mas há uma terceira via, que é a da Educação Cristã.

A nosso ver, é a única forma de educação que pode resultar em benefícios espirituais, morais, éticos, sociais e físicos para os pais e para os filhos. E a alternativa para evitar-se a repressão, o autoritarismo, e a permissividade, que tantos prejuízos causam à formação da família. E uma síntese dos cuidados espirituais que os pais cristãos devem ter para com seus filhos. Não deve ser repressiva nem permissiva. Mas amorosa e formativa. Alguns aspectos dessa abençoada educação podem ser resumidos como se seguem:

1. Os filhos são herança e prêmios do Senhor

“Eis que os filhos são herança do Senhor” (Sl 127.3 a). Assim, devem ser tratados com muito zelo, cuidado e amor. “... e o fruto do ventre, o seu galardão” (Sl 127.3b — grifo nosso). Galardão é prêmio. Sempre os pais devem ser gratos a Deus pelo filho ou pela filha que nasceu no seu lar. São presentes ou prêmios vivos que devem ser cuidados, guardados, e criados com muito amor.

Quando alguém recebe da parte de Deus uma bênção material, um bem, como um veículo, uma casa, um dinheiro, normalmente demonstra gratidão. Há quem faça um culto de ação de graças; há quem dê um testemunho, diante da igreja local, exaltando a Deus pelas bênçãos recebidas. Mas, muitos, que são pais, esquecem-se de ser gratos a Deus pelo “galardão” vivo, que são seus filhos. Se considerarem o valor dos filhos diante de Deus, certamente terão o cuidado de dar-lhes a melhor educação que estiver ao seu alcance.

2. Os filhos e a igreja local

A igreja deve ser a continuação do lar. E o lar, a continuação da igreja. Um deve completar o outro. Quando crianças, os pais devem leva-los à igreja. Quando adolescentes e jovens, devem ser persuadidos a ir à casa do Senhor.
Se, desde crianças, forem acostumados a ir à igreja, quando jovens darão valor a essa prática saudável (Mc 10.13-16).

A Educação Cristã começa no lar. E é fortalecida na Igreja, notada- mente na Escola Bíblica Dominical (ED), onde os alunos são reunidos em classes de estudo, conforme sua faixa etária. A ED é a maior escola cristã do mundo. Em milhares de igrejas, certamente, instalam-se milhões de classes, onde a Palavra de Deus é ensinada, promovendo excelentes resultados, na formação espiritual, ética e moral de cada pessoa, que se converte ao Senhor Jesus Cristo. O ensino, na igreja local, deve ser desenvolvido com muita seriedade. Os professores devem ser capacitados, espiritual e tecnicamente, também. E tarefa que requer dedicação:

“se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7).
A educação cristã é mais abrangente que a educação secular. Ela prepara o indivíduo, não só para ser um bom cidadão na sociedade, mas para ser um cidadão do céu, com base nos princípios espirituais e éticos, emanados da Palavra de Deus. A educação cristã não é apenas informativa. Ela é primordialmente formativa, porque se fundamenta em princípios que visam ao fortalecimento do caráter (Rm 15.4).

Diz a Bíblia: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Si 119.105). A juventude cristã tem um referencial ético elevado para não se corromper e ser destruída pelos sistemas iníquos que dominam a sociedade sem Deus.

EDUCAÇÃO NA IGREJA

1. A igreja e o lar

A igreja local não substitui o lar, nem o lar substitui a igreja. Porém o ensino na igreja tem grande valor para a formação do caráter e fortalecimento da personalidade cristã. Uma grande erro é os pais confiarem a educação de seus filhos à igreja local, bem como às escolas seculares. Os filhos passam menos de um terço das horas da semana (164 horas), em reuniões da igreja. A maior parte do tempo é no lar e na escola. Assim, a igreja pode e deve dar sua contribuição, principalmente, na comunicação dos princípios bíblicos para a formação do cidadão do céu e do cidadão da terra.

2. Os objetivos do ensino na igreja

De acordo com o Pastor Antônio Gilberto, os objetivos do ensino bíblico são:

1) O aluno e suas relações com Deus (Is 64.8);
2) O aluno e suas relações com o Salvador Jesus (Jo 14.6);
3) O aluno e suas relações com o Espírito Santo (Ef 5.18);
4) O aluno e suas relações com a Bíblia (Sl 119.105);
5) O aluno e suas relações com a Igreja (At 2.44; Ef 4.16);
6) O aluno e suas relações consigo mesmo (Fp 1.21; 3.13,14);

7) O aluno e suas relações com os demais alunos e com as demais pessoas (Mc 12.31).
Através da ED, dos cultos de doutrina (pouco frequentado pelos jovens), dos seminários, simpósios e outras reuniões, é possível a igreja local dar grande contribuição para a educação cristã. Nos últimos anos tem sido notável o avanço nessa área. A igreja tem despertado para adotar métodos de ensino mais eficazes; introduzido os recursos da multimídia, e capacitado professores para melhor desempenharem seu papel como educadores cristãos.

EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE

1. A educação repressiva

Nas décadas passadas, os pais criavam os filhos na base do autoritarismo. Tudo era feito com base de um relacionamento rígido. A igreja evangélica, em muitos casos, colaborou para esse tipo de educação. Eram comuns os castigos físicos, com o uso da “vara” para as falhas mais simples. Teve seu aspecto positivo, pois os filhos eram obrigados a respeitar os limites que lhes eram impostos. Havia respeito aos pais, aos mais velhos, e às normas. Os aspectos negativos dessa educação manifestavam-se tempos depois, quando os filhos tornavam-se independentes. De certa forma, essa educação contrariava a Bíblia, que manda criar os filhos sem provocá—los à ira (Ef 6.4).

2. A educação permissiva

Na educação moderna, os psicólogos levaram os pais a não ter autoridade sobre seus filhos, para não serem repressivos. Assim, grande parte dos filhos passou a ter uma educação permissiva. Para eles, quase tudo é permitido. Os especialistas aconselham que não se deve reprimir para que os filhos não fiquem frustrados. 

O resultado dessa educação é uma libertinagem e uma permissividade absurda, a ponto de pais permitirem que suas filhas pratiquem sexo com os namorados em suas próprias residências.
Esse tipo de educação leva os filhos, desde crianças, a não respeitarem limites, normas e princípios. Aliás, essa educação «moderna”, em geral, não tem princípios morais, éticos, e muito menos espirituais. E uma agressão aos princípios bíblicos, que exorta aos pais a criarem seus filhos “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4b); e manda ensinar ao menino o caminho em que deve andar, para que, quando envelhecer, não se esqueça dele (Pv 22.6).

3. A educação materialista

A educação oficial, ministrada na rede de ensino pública ou particular, é totalmente influenciada pelo materialismo e pelo ateísmo. Os currículos que reúnem os conteúdos programáticos a serem transmitidos nas salas de aula são fundamentados nas filosofias e pseudociências materialistas. Tudo começa com a explicação sobre a origem da matéria, da vida, do homem, da inteligência, e de todas as coisas que existem no universo.

Os professores de ciência ensinam, como sendo a última palavra, que a vida surgiu “por acaso”, de urna mistura, “ao acaso”, de substâncias químicas, que se reuniram ao acaso ,e , dali, surgiu a vida, ao acaso , durante “milhões” de anos. Os alunos, crianças, ou adolescentes, de olhos arregalados, ficam hipnotizados pelas explicações, ilustradas com quadros, nos livros-texto, nos quadros de giz, ou, de modo mais sofisticado, nas telas, com projeções através de “data-shows”, ou projetores de multimídia.

E “o mestre”, com ar de absoluta convicção, explica que a origem da vida, dos animais e do homem, foi fruto da evolução, que dispensa totalmente a existência de um Deus pessoal, inteligente, e soberano, como ensinam as religiões, e, principalmente, como ensina o cristianismo. Figuras de macaco, evoluindo, da posição de quatro pés, ficando atarracado, até ficar ereto, até chegar a ser homem são mostradas como sendo realmente o que ocorreu. Na verdade, nada disso é verdade, mas é passado e repassado como ciência.

Professores materialistas têm grande influência sobre a mente dos alunos, principalmente porque, em casa, a grande maioria não tem qualquer preparo ou fundamento bíblico ou filosófico para enfrentar a “onda” materialista, que avança sobre a educação e a cultura, nas escolas. 

Muitos desses professores ou professoras são homossexuais, e fazem questão de, aproveitando-se de sua posição, diante dos alunos, propagar o seu estilo de vida anticristão, anti-Deus e contra a Bíblia Sagrada, a Lei de Deus.

4. A educação informativa

Com exceção das escolas confessionais, ligadas a religiões que aceitam os princípios cristãos, em todas as escolas regulares a educação é meramente informativa. Uma quantidade enorme de conteúdos é ministrada, muitos deles sem qualquer valor para a formação do caráter e da personalidade. Não existe a preocupação com a ética ou a moral. O mais expressivo exemplo dessa educação meramente informativa é a chamada “educação sexual”. Nas escolas, os alunos, inclusive crianças e adolescentes, são ensinados que podem fazer sexo precocemente, desde que tenham cuidado em usar o preservativo. Não há preocupação com valores morais. Sexo na adolescência é ensinado como algo perfeitamente compreensível e normal. Apenas deve haver precauções. O resultado é que, anualmente, há quase um milhão de adolescentes grávidas. A AIDS aumenta entre os jovens, de acordo com relatórios da Organização Mundial da Saúde.


Por:-  Evangelista Isaias Silva de Jesus 

A Família Cristã e os Ataques do Inimigo - CPAD 2ª Edição = Elinaldo Renovato


16 de maio de 2013

O DIVÓRCIO




O DIVÓRCIO – Ev. José Costa Junior


CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O assunto desta lição diz respeito a um tema muito difícil e doloroso; o divórcio. Nenhum homem precisa envergonhar-se das dificuldades no casamento, mas será que não está tudo de cabeça para baixo quando o divórcio se torna uma possibilidade desejada, quando a convivência serve somente ainda para a busca apressada de bases legais para uma separação, que são saudadas com prazer sádico e empilhadas com cuidado como munição? O sentimento de vergonha de ter de levar o próprio casamento ao tribunal é pervertido pela espera ansiosa do momento. Com um último sofrimento, poderíamos nos perguntar: Temos de nos divorciar? As esperanças antigas têm de ser sepultadas, o juramento de fidelidade tem de ser devolvido, a vida emocional das crianças tem de ser abalada e a igreja de Deus tem de ser entristecida? Não existe mais cura, só divórcio?

Para a maioria das coisas na vida, parece que há propósitos primários e secundários. Por exemplo, o propósito mais importante de um automóvel é levar às pessoas do ponto A ao ponto B; o propósito secundário é levá-las confortavelmente. Seria uma pena se a prioridade desses objetivos fosse invertida. Então viajantes ficariam sentados confortavelmente em cabines luxuosas de carros quebrados, paralisados na beira da estrada.

              Muitos, infelizmente, inverteram o objetivo primário e secundário do casamento, transformando o secundário — felicidade — em primário. Na verdade, o objetivo mais alto do casamento é desenvolver a vida de Cristo em nós, esforçarmos para revelar a Cristo dentro de nós, nos levar de uma existência autocentrada, para o viver cristocêntrico, e revelar a alegria de entregar nossas vidas pelos outros sem nos ofendermos, amando e nos dispondo a perder. Quando o propósito primário é cumprido, o propósito secundário da felicidade inevitavelmente será alcançado.

              Quem crer que a felicidade é mais que o efeito colateral do casamento pode rejeitar seu cônjuge e procurar satisfação em outro lugar. Continuar a buscar felicidade sem primeiro alcançar o propósito primário de Deus no casamento, não apenas é extremamente egoísta, mas também é como comprar um carro sem um bom motor. Não importa quão atraente seja; não vai a lugar nenhum!

              Invariavelmente escuta-se reclamações de uma esposa ou marido que satanás cegou; uma história de destruição, derrota profunda e engano. A efusão dos sentimentos é transcultural. É um bom exemplo do obstáculo da amargura, que se desenvolve muito devagar das fases iniciais de um relacionamento e que, se não reconhecidas e rejeitadas, impede a presença de Deus. Esse obstáculo em particular pode resultar no seguinte: "Meu cônjuge não satisfaz minhas necessidades [necessidades que um cônjuge nunca poderia satisfazer, porque apenas por Deus podem ser satisfeitas.] Se continuar com ele (ou ela), sufocarei. Logo toda a minha vida terá se escoado à minha frente. Preciso desistir agora, enquanto ainda há tempo para a felicidade. Não há nada que eu possa fazer para agradar a meu cônjuge. Nunca mudará, e porque eu deveria mudar?"

              Uma vez que esses pensamentos se enraizaram firmemente no coração do cristão, um divórcio emocional, que sempre precede o divórcio intelectual e físico, acontecerá. Uma pessoa atravessa conflito considerável antes de passar pelo divórcio emocional, e raramente retorna a seu cônjuge, uma vez que isso ocorreu. Para chegar ao ponto do divórcio, alguém precisa considerar e lutar com todas as conseqüências que resultam dessa decisão — filhos, amigos, família, respeito de outros, posição na igreja e sociedade, e mesmo o respeito e a moral própria — até que, de algum modo, todas as variáveis são ajeitadas para lhe favorecer. A "vítima vingada" retrata-se como um tipo de santo martirizado aos seus próprios olhos por ter dado tanto por tanto tempo e recebido tão pouco. Agora merece, em recompensa, uma vida livre do "feio tirano" que causou tanta aflição. Não adianta demonstrar as falhas na lógica da pessoa, porque para ela o assunto é claro e faz perfeito sentido. Tudo o que precisa é um conselheiro que concorde com a decisão e a louve por seus anos de sacrifício e pelo passo ousado que agora tomou para se salvar.

              O cônjuge ("feio tirano") do outro lado de um divórcio emocional será rejeitado e confundido por esse comportamento. A vida para ele se tornará bem intolerável, porque para o cônjuge em divórcio emocional prosseguir com o divórcio físico precisa ser uma decisão racionalmente justificada. O cônjuge é alvejado; cada ofensa que tiver cometido ser-lhe-á lembrada. Numa escala de um a dez cada deficiência que demonstrou no passado se tornará dez. Tentar-se-á fazê-lo irado, violento, recolhido ou irracional para que o agressor possa proclamar ao mundo (depois de ter conduzido seu cônjuge para tal comportamento) que isso evidencia a sábia decisão de abandonar o casamento.

              Nesse ponto a pessoa que busca o divórcio foi obscurecida em seu entendimento: dança com o demônio, anda sem luz, e mesmo permite a satanás que use justificativas da Escritura para sustentá-lo. "O amor de Deus é incondicional, e mesmo se for um pecado divorciar-se, todo pecado tem perdão. O que faz isso pior que qualquer outro pecado?" "Davi cometeu adultério, e veja como Deus o usou." "Pode me custar algo, mas as crianças vão superar. Afinal, eles têm de saber o que é viver num mundo em que as pessoas se divorciam." Simultaneamente o inimigo mostra todos os cristãos hipócritas e preconceituosos que mudarão de tratamento, que não o apoiarão no período de sofrimento, e que devem ser todos cegos ao fato de que ele foi quem realmente sofreu todos esses anos.

              Nesse ponto é como se Satanás tivesse ganho um devoto, que fará o que mandar, que está cego às conseqüências, que comeu de novo do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, que agora parece saber mais que Deus. A raiz de amargura está firmemente enraizada no coração endurecido. O que se pode dizer ou fazer por alguém assim? Exaltou-se à posição de saber o que é melhor, embora se oponha à palavra de Deus. Está tão persuadido de que seu cônjuge o oprimiu e fez sua vida miserável que na realidade sentirá um falso alívio quando se divorciar juridicamente.

              O divórcio emocional não revela a fraqueza do cônjuge abandonado; antes revela a dureza do coração de quem abandona. Precisamos lembrar que há apenas dois tipos de pessoas que lidam com ovelhas: açougueiros e pastores. A voz do açougueiro é rude, crítica, controladora, auto-justificadora, condenadora de outros, busca defeitos e é imoral. A voz de nosso Pastor não mantém um registro de erros, encoraja, dá vida, traz luz a nosso caminho, e concede a graça de receber os insultos dos outros (Cl 3.12-14). Procuraremos a voz desse meigo Pastor para chegarmos ao coração dessa dificil questão; o divórcio.

              O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de apresentar uma posição eminentemente bíblica sobre o divórcio, essa posição não deixa de ser também uma posição pessoal deste compilador, que difere um pouco da posição do autor da lição. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.

I. O DIVÓRCIO NO ANTIGO TESTAMENTO

O divórcio no Antigo Testamento se apresenta no contexto, basicamente, de Dt 24, que menciona a carta de divórcio só de passagem, no meio de uma série de outras afirmações preliminares. A frase longa descreve um caso de recasamento pretendido. A decisão judicial começa somente no v 4, e não trata nem de divórcio nem de carta de divórcio. Para os professores da lei, porém, esta passagem bastou para, em sua prática, sentirem-se abrigados na religiosidade da Torá. Em termos positivos pode ser dito sobre a instituição da carta de divórcio que ela punha um pouco de ordem nas conseqüências da rejeição de uma esposa. Se um homem pudesse mandar sua esposa embora sem ser obrigado a dar-lhe um documento como prova, ele poderia reverter ou negar seu ato à vontade. Apesar da sua necessidade de ajuda, ela não poderia colocar-se sob a proteção de outro homem, pois correria perigo de ser tachada de adúltera ou até apedrejada. Por mais cruel que fosse o significado do documento: “Você foi rejeitada!”, ele proporcionava certa humanização do processo.

Mesmo assim o egoísmo masculino encontrou um caminho. A justificativa mosaica para o divórcio: "Por ter ele achado coisa indecente nela", foi espichada. Exegeses generosas começaram a incluir idéias como a negligência das obrigações da mulher na cozinha, a fofoca com os vizinhos, a impossibilidade de ter filhos e a atração do homem por outra mulher. Seja como for, a carta de divórcio tornou-se um truque pelo qual o homem podia livrar-se sem problemas da sua esposa. Para tanto ele comprava um formulário ou tirava um do seu estoque, preenchia nome e data, levava-o à sinagoga para autenticação e o fazia entregar à sua esposa. O texto terminava com a frase: "Qualquer um pode ter você, e isto, da minha parte, serve de escrito de rejeição e documento de divórcio e carta de expulsão, de acordo com a lei de Moisés e de Israel" (Bill. I, 311). Era o homem, portanto, e não o juiz que decidia sobre o divórcio. Hauck registra um exemplo grosseiro em que um rabino, em cada cidade em que chegava, oferecia às mulheres um casamento por um dia. Neste processo, tudo tinha sua "ordem". 

A mulher judia, por sua vez, não podia mandar seu marido embora, assim como não fora ela que o desposara, antes fora ele que casara com ela. A comunidade da sinagoga, contudo, podia exercer uma pressão forte sobre o homem para que desse a ela o documento de divórcio, caso ele, por exemplo, sofresse de determinadas doenças, tivesse abraçado uma profissão repugnante ou não desse conta de sustentá-la. Para isto ela usava intermediários.

O divórcio era um assunto debatido, e havia duas escolas de ensino. O pronunciamento mosaico rezava que o homem podia lavrar uma carta de divórcio se achasse infidelidade nela (Dt 24.1-4). Tudo girou em torno da interpretação de infidelidade. A escola de Sammai mantinha-se firme na interpretação rigorosa da lei que o casamento é indissolúvel exceto no caso da infidelidade da mulher. A escola de Hillel adotava uma posição acomodatícia, permitindo o divórcio para diversas razões. Na sua réplica, Jesus aponta para o fato que a legislação mosaica era uma concessão à fraqueza humana cuja introdução na lei era necessária para regular o divórcio numa sociedade imperfeita.

II. O ENSINO DE JESUS A RESPEITO DO DIVÓRCIO

E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando- lhe: E lícito ao marido repudiar sua mulher? No texto paralelo de Mateus (cap. 19), os fariseus nem perguntam sobre a permissão ao divórcio. Os debates internos dos judeus em termos gerais já tinham deixado essa questão para trás há tempo, e só se discutiam ainda os motivos para o divórcio - se este era justificado só por motivos graves ou "por qualquer motivo" (Mt 19.3). Mesmo assim, no judaísmo a pergunta básica, se o casamento podia mesmo ser anulado, não se calara de todo. Isto prova, por exemplo, a proibição total ao divórcio em Qumran (Os Essênios formaram uma comunidade no deserto, com conceitos e crenças religiosas específicas, que contrastavam com as dos outros grupos). Por isso é bem possível que, no debate detalhado com Jesus, uma e a outra questão eram abordadas, e não uma sem a outra. Além do conteúdo da pergunta, porém, é necessário pensar também em seu ambiente. Precisa-se levantar o que sabemos sobre a miséria do divórcio na época. O homem judaico em termos gerais nem estava tão preocupado com a aprovação de Deus, como a formulação da pergunta pode dar a entender. Senão ele teria cuidado melhor da dádiva de Deus. A "mulher" aqui não parece mais ser um presente de Deus, companheira, complementação, enriquecimento, ajuda e alegria, mas somente um ser sexual oposto, perante o qual os interesses masculinos tinham de ser defendidos. Por isso eles perguntaram sobre que possibilidades a lei abria, para conseguir o máximo para si, dentro do permitido.

Os que fizeram a pergunta em nossa história não tinham dúvidas sobre a posição de Jesus. É possível sentir o que combina com ele. De forma alguma ele era o servente deles. Por isso eles podiam contar com que ele negaria o divórcio e assim se colocaria em oposição a Moisés, como eles o entendiam. Como em Mc 7.1; 12.13,15 eles estavam ocupados com as investigações para um processo religioso contra ele, e juntavam material. A perspectiva política também é possível. O lugar do interrogatório era a Peréia que, como a Galiléia, pertencia aos domínios de Herodes Antipas. Este já dera cabo de João Batista por causa da questão do divórcio (Mc 6.18). 

A idéia era que agora também Jesus se tornasse intolerável em termos políticos e religiosos. Por isso se diz"que o experimentaram". De todo modo sua pergunta era um subterfúgio. O que podiam fazer com suas mulheres, eles tinham combinado há muito entre si.

              Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. Logo com a primeira frase eles deixam escapar triunfantes: Nós podemos! A carta de divórcio permite o divórcio. Isto é totalmente lógico. Como é típico este método para surrupiar uma aprovação da Escritura. Segue uma investida em direção ao centro da pessoa deles. Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento. A expressão "dureza do coração", que não se encontra fora da Bíblia, tem profundidade teológica, significa mais do que falta de sensibilidade e teimosia diante do cônjuge. A lxx (Septuaginta)usa-a para traduzir a expressão do at "coração incircunciso" (Lv 26.41; Dt 10.16; Jr 9.25; Ez 44.7). Portanto, o endurecimento se volta contra os atos salvadores de Deus. Em Mc 16.14 a expressão é explicada como incredulidade. Essa rebeldia contra Deus faz também com que o casamento não progrida.

No que tange à prescrição de Dt 24.1ss, pode-se constatar claramente que Jesus não a abordou basicamente. Ele simplesmente a classificou diferentemente dos judeus, e isto recorrendo ao próprio Moisés. De acordo com isso, a carta de divórcio é tolerada por necessidade, para enfrentar determinada situação, mas não faz parte do plano básico de Deus. É verdade que o estatuto de uma associação sempre inclui um artigo que predispõe sobre a sua dissolução, mas Deus não instituiu o casamento e o divórcio como equivalentes.

Com isto Jesus passa ao ensino positivo sobre o casamento. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe. O texto da Bíblia hebráica diz que "um homem" deixará pai e mãe. O termo da lxx, "um ser humano", que é seguido por Marcos, permite a aplicação também à mulher. Homem e mulher, por amor ao seu casamento, são liberados dos seus laços de sangue mais íntimos. Nada e ninguém - nem o próprio filho - podem sugá-los. Isto cria espaço e liberdade para esta novidade maravilhosa: e serão os dois uma carne. O processo zomba da aritmética (um mais um igual a um). Os dois são mais uma vez barro na mão do Criador e se tornam um utensílio da sua bênção. Isto não é operado pelo amor deles - este nem é mencionado aqui - mas pelo amor de Deus. Eles experimentam sua unidade como criação e presente dele. Por isso o casamento - como a igreja - não pertence ao grupo das uniões meramente humanas. Jesus repete expressamente a declaração do objetivo, para depois tirar conclusões dela: De modo que já não são dois, mas uma só carne.

A criação de Deus engloba sempre também os mandamentos de Deus. Assim, finalmente Jesus se volta para o tema do divórcio. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem. Se o casamento, por natureza, é uma instituição divina, e não um contrato particular, uma união de interesses, um costume ditado pela sociedade, se o próprio Deus faz parte da definição do casamento, então homem, mulher e sociedade perdem o direito de legislar sobre o casamento. Por este motivo, quem os separa se defronta com Deus. "O Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o divórcio" (Ml 2.16), "Deus julgará os adúlteros" (Hb 13.4). 

Na sua réplica, Jesus aponta para o fato que a legislação mosaica era uma concessão à fraqueza humana cuja introdução na lei era necessária para regular o divórcio numa sociedade imperfeita. Depois, Jesus os leva além de Moisés até o princípio onde o ideal divino para o homem é que o casamento seja uma instituição permanente, "o indissolúvel vínculo do matrimônio". Quando mais tarde os Seus discípulos interrogaram-nO particularmente sobre o assunto, Ele desenvolveu mais o tema para mostrar-lhes a igualdade dos sexos neste contexto. A lei judaica não permitiu que a mulher divorciasse o marido.

A não ser por causa de infidelidade. Há dificuldades de se comentar adequadamente aqui este assunto dificílimo, quanto à sua aplicação à sociedade moderna. Muito depende da interpretação dada à cláusula exceptiva de Mt 5.32 e Mt 19.9. O que está patente é que o ensino de Jesus reconhece, para os descrentes, provisões que de maneira nenhuma subtraem do ideal divino, e endossa a concessão mosaica (aos que estão debaixo da Lei), enquanto para os discípulos (sob a graça) entra em vigor o mais elevado padrão inalterável. Portanto, fica clara a abrangência da exceção descrita por CRISTO. Guardados em JESUS, não somos mais contados com os que estão sob a Lei, vivemos o Evangelho da reconciliação, da graça, do perdão; do indissolúvel vínculo matrimonial.

III. O ENSINO DE PAULO A RESPEITO DO DIVÓRCIO

Paulo estuda o assunto, à luz da nova situação, dentro da igreja, do membro convertido depois de casado, cujo companheiro não aceita a fé. Não há dúvidas quanto à posição do crente individual. "Para sua própria proteção e prosperidade, a sociedade humana faz bem em aceitar a orientação positiva de Cristo, quando se definem os motivos justos para o divórcio que ameaça a vida pessoal e familiar" (Vincent Taylor).

O apóstolo declara, em termos categóricos, que o voto do matrimônio vigora por toda a vida. E tem o cuidado de lembrar aos coríntios o ensino de Cristo sobre esta questão. A mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case)... o marido não se aparte de sua mulher (pensando em casar com outra). O apóstolo interpreta o ensino de nosso Senhor, portanto, como permitindo a separação, porém não o divórcio.

CONCLUSÃO

Não obstante a cláusula exceptiva “a não ser por causa da prostituição, o assunto não pode ser abandonado aqui, pois esta relutante permissão de Jesus continua precisando ser considerada pelo que é, a saber, uma acomodação sustentada por causa da dureza dos corações humanos. Além disso, deve-se sempre ler no contexto imediato (o endosso enfático de Cristo à permanência do casamento no propósito de Deus) e também no contexto mais amplo do Sermão do Monte e de toda a Bíblia, que proclama um evangelho de reconciliação. Não significa muito o fato de que o Amante Divino estivesse sempre pronto a atrair novamente Israel, sua esposa adúltera? Portanto, que ninguém comece uma discussão sobre este assunto, indagando sobre a legitimidade do divórcio. 

Estar preocupado com os motivos para o divórcio é ser culpado daquele mesmo farisaísmo que Jesus condenou. Toda a sua ênfase na discussão com os rabinos foi positiva, isto é, foi colocada sobre a instituição original divina do casamento como um relacionamento exclusivo e permanente, no qual Deus junta duas pessoas numa união que nenhum homem pode interromper; e (é preciso acrescentar) ele enfatizou a sua ordem dada a seus seguidores para amarem-se e se perdoarem uns aos outros, e para serem pacificadores em cada situação de luta e discórdia. Crisóstomo reuniu, adequadamente, esta passagem às bem-aventuranças e comentou em sua homília: "Pois aquele que é manso, pacificador, humilde de espírito e misericordioso, como poderia repudiar sua esposa?

Aquele que está acostumado a reconciliar os outros, como poderia discordar daquela que é a sua própria carne?" Com este ideal, propósito e chamamento divinos, o divórcio só pode ser considerado uma trágica deterioração, um lamentável pecado.

Deus é tão contra a dissolução do casamento exatamente porque quer salvar. E ele quer salvar o que criou. Tudo aqui está permeado de evangelho. A mensagem do casamento indissolúvel é parte integrante do evangelho. Aquele que ama, compreende, sustenta e domina o nosso casamento como nenhum outro, entra em cena. Portanto, fora com a confiança nas muletas da lei! Creiam com base no evangelho (Mc 1.15), e prefiram crer até à morte a morrer na incredulidade!

É importante entender a unidade bíblica. Unidade no casamento é freqüentemente retratada como um círculo com uma linha no meio. Uma metade representa o homem e a outra a mulher; as duas partes representam dois indivíduos tentando viver como um. Essa mesma ilustração também é usada para descrever o Pai e o Filho, Cristo em nossos espíritos, e nosso relacionamento mútuo no corpo de Cristo.

              Unidade bíblica, entretanto, é bem diferente. Imagine colocar numa vasilha tanto leite quanto farinha. Não são um até que sejam misturados, e depois disso não podem ser separados. Se for adicionado corante durante a mistura, a cor de toda a mistura é alterada.

              Quando um homem e uma mulher se casam, não são dois indivíduos tentando viver como um. Deus coloca o homem e a mulher na vasilha, liga Sua batedeira divina, e os dois se tornam um. Porque a batedeira divina está sempre ligada, se um cônjuge suja o outro, inevitavelmente suja seu próprio ser também. Muitos precisam perder sua individualidade (não sua personalidade) e vir a entender que são um com seus cônjuges, o Senhor Jesus, e o corpo de Cristo. Uma vez que se revele a realidade da unidade, faremos o máximo que pudermos para edificar nossos cônjuges, veremos claramente que o que é verdade sobre Cristo será verdade sobre nós, e nos recusaremos a causar dano ao corpo de Cristo. O que Deus juntou ninguém separe. João 10.30; 14.9; 17.11-12; João 15; I Coríntios 6.16; 12.12.

              Pai, liberta Teu povo desse monstro chamado divórcio; liberta-nos da incredulidade, a mãe de todo pecado, e ensina-nos Teus caminhos! "Pois eu detesto o divórcio, diz o Senhor Deus de Israel" (Ml 2.16).
Concluindo, espero em DEUS ter contribuído para despertar o seu desejo de aprofundar-se em tão maravilhoso tema e ter lhe proporcionado oportunidade de agregar algum conhecimento sobre estes assuntos. Conseguindo, que a honra e glória seja dada ao SENHOR JESUS.




EV. JOSÉ COSTA JUNIOR