23 de junho de 2018

Ética Cristã e Redes Sociais


Ética Cristã e Redes Sociais

 

Devido ao avanço tecnológico, várias mudanças foram inseridas na sociedade. A rede mundial de computadores, conhecida como Internet, conecta o mundo todo. Com o surgimento das redes sociais, tudo o que acontece é comentado e divulgado de modo instantâneo. Informações são transmitidas com rapidez surpreendente. Em contrapartida, vivemos um estágio em que as pessoas se relacionam mais virtualmente do que presencialmente.

 

O desenvolvimento das tecnologias digitais favoreceu o estabelecimento de novas formas de interação social e, a partir destas, novos paradigmas de relacionamentos. Nesse novo paradigma, as relações sociais tornaram-se virtuais, o contato e o diálogo foram se distanciando de seu conceito original e as relações sociais tornaram-se efêmeras. As publicações nas redes sociais apresentam distorções da felicidade, criam ilusões e padrões utópicos de vida perfeita. A falsa ideia de privacidade e anonimato permite extravasar sentimentos e paixões culminando em relações sociais descartáveis e desastrosas. Estatísticas indicam que mais de um terço da população mundial está conectada à web e interage por meio de redes sociais. Dados indicam que as redes sociais transformaram-se em um importante meio para a divulgação de informações e a propagação de ideologias e todo o tipo de ativismo.

 

Diante desses fatos, a igreja precisa instruir seus membros no uso das novas tecnologias e buscar métodos da evangelização por meio das redes sociais. O cristão precisa estar consciente de suas responsabilidades e deveres no mundo virtual. A igreja não pode viver alienada diante dessa realidade cada vez mais presente na vida dos fiéis. Neste capítulo, veremos a gênese da comunicação virtual, o conceito, o perigo e o mau uso das redes sociais, bem como o desafio da igreja hodierna em evangelizar por meio dessas novas tecnologias. Para tanto, dizem as Escrituras, “rejeitamos as coisas que, por vergonha, se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (2 Co 4.2).

 

1.O CONCEITO DE REDE SOCIAL

 

As redes sociais podem ser consideradas de modo genérico como sues de relacionamentos Como fator positivo, possibilitam às pessoas se relacionarem virtualmente; todavia, também oferecem riscos aos seus usuários.

O termo é utilizado para indicar uma aplicação da rede mundial de computadores (web) cuja finalidade é relacionar as pessoas.

 

Os que aderem a um site de relacionamentos podem conectar-se entre si, criar um perfil, adicionar amigos e conhecidos, enviar mensagens, fazer depoimentos, trocar informações, fotos e vídeos, além de estabelecer vínculos. A rede social moderna surgiu no início do século XXI e viabilizou aos usuários encontrar amigos do passado, reencontrar pessoas e ampliar o círculo social.

 

As redes sociais não são satisfatoriamente seguras. Os dados e informações pessoais podem ser invadidos por terceiros. Entre os principais riscos associados às redes sociais está a invasão de privacidade, danos à imagem e à reputação, vazamento de informações e contato com pessoas mal-intencionadas. Além disso, existem muitos perfis falsos (fakes), comunidades polêmicas, discriminatórias, conteúdos com imoralidade e preconceitos em geral. Como tudo na Internet e nas tecnologias da informação, as redes sociais apresentam danos para seus usuários.

 

II. O PERIGO DA RELAÇAO DESCARTAVEL E AS NOVAS TECNOLOGAS

 

A velocidade da informação e a efemeridade nos relacionamentos virtuais têm provocado sérios danos nas relações sociais. Quando as novas tecnologias são utilizadas como fuga de problemas ou como substitutas das relações humanas, o chamado avanço tecnológico se torna um verdadeiro retrocesso.

 

1. A Distorção da Felicidade

 

Nas redes sociais em geral, as pessoas publicam uma vida perfeita e um mundo repleto de felicidade. As redes estimulam a prática do narcisismo, ou seja, o indivíduo que admira exageradamente a sua própria imagem e nutre uma paixão excessiva por si mesmo. Essas pessoas tendem a buscar uma felicidade fútil, em meio a fotos montadas e a sorrisos falsos. Os usuários editam a própria vida apresentando a si mesmos como vencedores e vendem a ilusão de que vivem cm plena paz e harmonia. As Escrituras condenam os que se ufanam e vivem em hipocrisia (Is 5.20,21).

 

A verdadeira felicidade

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define felicidade como “completo bem-estar físico, mental e social”. O “Relatório Mundial sobre a Felicidade” publicado pela Universidade de Columbia, em 2012, apontou multiplicidade no conceito:

A felicidade inclui avaliações sobre a vida de maneira geral e aspectos positivos e negativos de emoções que afetam o dia a dia de cada um. Alguns fatores são externos como emprego, renda e saúde. Outros são pessoais, como gênero, educação, saúde mental e idade. Outros são inter-relacionados: com maior renda é possível ter melhor educação e sendo mais feliz, a saúde também melhora. (KAHN,Jan. 2013)

O problema desses conceitos é que eles estão condicionados a algo, a alguém ou a alguma coisa. Quando esses quesitos não são preenchidos, a felicidade acaba ou não acontece, e se instala a frustração e, em consequência, a tristeza e o sofrimento. A Bíblia Sagrada apresenta a felicidade como sendo a alegria que não depende de nenhuma circunstância (Lc 12.15).

 

Ela é fruto do Espírito, caracterizado por um deleite e regozijo permanente na vida do cristão (Gl 5.22, Fp 4.4). A tentação de buscar a felicidade nos bens efêmeros é insensatez e resulta em desgosto (1 Tm 6.8,9). A verdadeira alegria só pode ser encontrada no temor e na obediência ao Criador: “Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos! Pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás, e te irá bem”(Sl 128.1,2).

 

2. O Isolamento e a Solidão

 

Na década de 1990, pesquisadores chamaram atenção para o mal social chamado de “paradoxo da Internet”. Trata-se da contradição de alguém ter vários relacionamentos virtuais e, ao mesmo tempo, ausência real de contato humano. Estudos recentes demonstram que o aumento no uso da Internet coincide com o aumento da solidão, problema acentuado pelas redes sociais. O ser humano está sendo integrado à tecnologia e tratado como se fosse também uma máquina. Essa falta de equilíbrio tem desencadeado crises emocionais, ansiedade e isolamento (Jr 6.14).

 

Dependência virtual

 

Reconhecemos a importância, a contribuição e os beneficios proporcionados pela Internet e as redes sociais. No entanto, não podemos fechar os olhos diante de seus efeitos colaterais, como, por exemplo, a dependência virtual.

 

Estudos psicológicos detectaram oito sinais de uso patológico da rede: (i) incapacidade de controlar o uso da internet; (ii) necessidade de se conectar mais vezes; (iii) acessar a rede para fugir dos problemas ou para melhorar o estado de ânimo; (iv) pensar na internet quando se está off-line; (v) sentir agitação ou irritação ao tentar restringir o uso; (vi) descuidar do trabalho, dos estudos ou até mesmo dos relacionamentos pessoais por causa da rede; (vii) sofrer pela abstinência; (viii) mentir sobre a quantidade de horas que passa conectado e/ou permanecer muito mais tempo do que o previsto (SAYEG, 2000, p. 153). O usuário enquadrado em alguns dos itens acima pode estar usando a Internet como fuga para problemas psicológicos. O não tratamento desses sintomas resulta em dependência e isolamento cada vez maior.

 

 

3. Relações Sociais Efêmeras

 

Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), a sociedade vive um momento de frouxidão nas relações sociais. Bauman chama esse fenômeno social de “modernidade líquida”. Os tempos são “líquidos” porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para durar, para ser “sólido”. Nas redes sociais, com apenas um dique é possível bloquear, deletar e excluir pessoas. E com outro dique pode aceitar, comentar e curtir outras pessoas. Essa situação representa um declínio das sólidas relações humanas, uma vez que, por meio das tecnologias, a amizade, o amor e o respeito entre as pessoas são facilmente descartáveis (Ec 1.2).

 

O efeito paradoxal

 

A maior parte das pessoas busca nas redes sociais aproximação com outras pessoas. Mas, em total paradoxo, os relacionamentos virtuais tendem a ter maior importância que os relacionamentos reais. E comum, por exemplo, pessoas caminharem “conectadas” absortas e cabisbaixas pelas ruas, alienadas do mundo real. Quase ninguém mais conversa sem o uso da Internet. Nos restaurantes, famílias inteiras ou grupo de amigos, acessam a Internet e não dialogam entre si, exceto por monólogos ou sobre o que estão vendo nas redes sociais.

 

Esse fenômeno também é observado nas escolas, no âmbito do trabalho e até de maneira insana e irresponsável no trânsito urbano. Tal comportamento é um retrocesso, pois torna as relações humanas superficiais, transitórias e irrelevantes. Faz-se necessário e imprescindível corrigir essas distorções, especialmente em nossa vida privada, junto de nossa família e de nossos amigos. A sensatez é primordial, uma vez que todo excesso é extremamente danoso ao ser humano.

 

4. Falsa Sensação de Privacidade

 

Diversos usuários das redes sociais iludem-se com a sensação de privacidade e ficam expostos a toda espécie de constrangimentos. Comentários pessoais, sentimentos de foro íntimo, fotos e vídeos comprometedores saem da área do privado e se tornam públicos. Essa sensação de privacidade também favorece a prática do pecado viral (algo que se espalha rápido como um vírus). Pode ser desde a reprodução e retransmissão de pornografia até a divulgação de notícias falsas e difamatórias (2 Tm 2.22; Pv 16.28).

 

A indecorosa prática do “nudes”

 

A possibilidade de manter a identidade real oculta é um dos fatores que impulsionam o uso equivocado da Internet. Algumas pessoas sentem-se à vontade para extravasar seus impulsos sexuais ilícitos sem medo de repercussão.

A fantasia do anonimato e a falta de inibição estimulam a prática da imoralidade. Uma conduta deplorável tem sido a postagem de “nudes” (imagens da pessoa nua).

Segundo pesquisas divulgadas por sites especializados, mais de 50% das mulheres com acesso a redes sociais já enviaram, ao menos, uma foto de nudes e mais de 42% dos homens já realizaram tal prática (TRIBUNA DO CEARA, out. 2016).

 

A postagem da imagem de “nudes” acontece no âmbito privado, mas, em vários casos, quem recebe as imagens salva as fotos e as compartilha nas redes sociais, tornando-as de domínio público. Tal atitude pode ser responsabilizada criminalmente; no entanto, nenhuma condenação poderá reparar o dano moral causado. Os que tiveram suas fotos divulgadas passaram e passam por diversos infortúnios, tais como o bullying, automartírio, abalos psicológicos e alguns chegam inclusive ao extremo de cometer o suicídio, O ideal mesmo é não compartilhar nenhuma imagem íntima nem sua e nem de terceiros, primeiro por ser uma prática imoral (Gl 5.19) e segundo por ser uma conduta antiética.

 

III. A REDE SOCIIIL A SERVIÇO DO REINO DE DEUS

 

A igreja de Cristo precisa ser consciente quanto ao potencial das redes sociais e deve usá-la na propagação do Reino de Deus. Mas para evangelizar nas mídias não basta postar mensagens de cunho cristão; é indispensável o bom testemunho do usuário na rede de computadores.

 

1. O Bom Testemunho nas Redes Sociais

 

Cristo ensinou que o cristão é a luz do mundo (Mt 5.14) e que essa luz deve resplandecer por meio das boas obras a fim de glorificar o nosso Pai que está nos céus (Mt 5.16). Desse modo, para o bom testemunho nas redes sociais, o cristão não deve postar comentários negativos ou fazer pré-julgamento das pessoas. Deve tomar todo cuidado e precaução com fotos e vídeos que publicar, sejam pessoais, sejam de terceiros. Avaliar o conteúdo, a coerência, o vocabulário e a ética cristã das mensagens antes de postar, comentar ou curtir. Paulo nos ensina a fazer de tudo para ganhar as pessoas para Cristo (1 Co 9.22).

 

Importância da boa reputação

 

O requisito de boa reputação é fator preponderante na evangelização, tanto a pessoal (corpo a corpo) quanto a virtual (Internet). O bom caráter e a idoneidade daquele que evangeliza deve ser testemunhado pelos não crentes. Espera-se dos cristãos que desfrutem de um viver reto e íntegro, por meio da oração e santificação no Espírito Santo.

 

Se isso não for observado, a evangelização será inócua, quem evangeliza será difamado e envergonhado, a igreja colocada em descrédito e o evangelho de Jesus vilipendiado:



Um viver incoerente, contraditório com os valores morais e éticos do evangelho, certamente inviabilizaria toda e qualquer possibilidade de ser reconhecido como um líder cristão, como um instrumento de bênção nas mãos de Deus. Um viver incompatível com o evangelho apenas revela o profundo abismo existente entre o homem e Deus. (EMAD, 2005, p. 241)

 

Somos servos de Deus e estamos sendo observados. Se quisermos testemunhar de Cristo e seu evangelho, precisamos vigiar nossa conduta. Portanto, é inadmissível que aqueles que usam as redes sociais para provocar constrangimentos, estimular o preconceito e a discriminação, enviar ou receber “nudes”, curtir e compartilhar imagens, vídeos e mensagens com conteúdo lascivo ou duvidoso possam ter autoridade moral ou espiritual para evangelizar alguém. Quanto à necessidade de evangelizar corretamente, Paulo nos alertou: “se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada” (1 Co 9.17)

 

2. O Uso Correto da Evangelização Digital

 

A Internet é uma grande aliada na divulgação do evangelho, porém alguns cuidados são necessários para não tornar a mensagem inócua. As postagens não podem ser grandes e os vídeos não podem ser demorados. A mensagem precisa ser clara, concisa e objetiva. Antes de compartilhar as imagens, deve-se verificar a veracidade bíblica daquela mensagem e o seu teor teológico. Em lugar de postagens com frases de efeito ou de auto ajuda, devem-se priorizar os versículos bíblicos. Ao reproduzir áudios e vídeos, deve-se verificar se não existe algo que possa causar escândalos ou intolerância religiosa. Também não se deve atacar a ninguém, apenas anunciar e confessar a Cristo (1 Co 1.23,24).

 

Evangelizar é comunicar

 

No decorrer da história da humanidade, Deus tem se revelado e se comunicado com o ser humano. O escritor aos Hebreus assevera que Deus falou antigamente aos pais, pelos profetas, e a nós falou-nos nestes últimos dias pelo seu Filho (Hb 1.1). Desse modo, o ápice da comunicação divina acontece na Encarnação do Verbo Divino: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (Jo 1.14). Jesus Cristo é o encontro mais pleno alcançado entre Deus e o homem. Ao revelar sua mensagem aos escolhidos, Deus desejou que ela fosse compartilhada com todos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.19, ARA).

Portanto, evangelizar não é simplesmente anunciar uma doutrina, mas é comunicar-se com o outro, isto é, “entrar em diálogo, relacionar-se, viver em comunhão com Deus para poder testemunhar com autenticidade Aquele em quem se crê e entrar em comunhão com outras pessoas” (SILVA, 2015, p. 12). Sob essa perspectiva, as redes sociais tornam-se um campo fértil para a comunicação do evangelho.

 

Resultados promissores

 

Em 2011, a Global Media Outreach (Alcance Global pela Mídia) divulgou que mais da metade das pessoas que se decidem por Cristo na Internet posteriormente compartilham sua fé com outros internautas. Desses convertidos on-line, 34% afirmam ler a Bíblia Sagrada diariamente. O estudo denominado de “Indice do Crescimento Cristão” ouviu mais de 100 mil pessoas ao redor do mundo. Segundo Walt Wilson, presidente da instituição, desde a sua fundação, em 2004, mais de 15 milhões de pessoas já se decidiram por Cristo.

 

A eficácia da evangelização pode ser resumida em três processos bem simples: (i) levá-los ao Salvador — páginas web que ajudem a encontrar Jesus; (ii) alimentá-los na fé — websites de discipulado e guias para recém-conversos; e, (iii) conectá-los à Igreja — conduzir o convertido a frequentar uma igreja local. Para isso, explica Wilson, não basta ter uma página na internet, transmitir cultos e comunicar-se pelas web rádios. O resultado se obtém por meio do discipulado e a comunicação com o novo convertido; essas ações são tão imprescindíveis quanto o evangelismo (ARAGAO, Dez. 2011).

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I - Em Dourados – MS

Livro Valores Cristãos – lª. Edição CPAD – Douglas Baptista

 

14 de junho de 2018

Ética Cristã e Política


Ética Cristã e Política

TEXTO ÁUREO = "Portanto, dai a cada um o que deveis: quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; o quem honra, honra." (Rm 13.7)

VERDADE PRÁTICA = A política faz parte da vida em sociedade. Como o cristão não vive isolado, ele deve ter consciência política, sendo sal e luz neste mundo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = Romanos 13.1-7

HINOS SUGERIDOS: 386, 398, 401 DA HARPA CRISTÃ

INTRODUÇÃO

O crente é um súdito do reino de Deus na Terra, e como tal tem os seus deveres de cunho espiritual a cumprir com ele. Nada obstante, é também cidadão do país onde nasceu e tem para com este obrigações cíveis, como os demais cidadãos, uma vez que recebe do Estado o amparo, a segurança, os direitos, enfim, que as leis deste lhe outorgam. Nesta lição vamos tratar do papel que cabe à Igreja dentro do contexto político do Estado, ressaltando a sua inteira independência do mesmo, da separação que deve existir entre ambos.

UMA PERSPECTIVA BÍBLICA DA POLITICA

Um dos textos mais importantes da história sobre a questão política. A palavra de Deus estabelece princípios claros acerca do papel do Estado e da responsabilidade dos cidadãos, a fim de que haja ordem e progresso na sociedade. Destacaremos, à luz do texto, três verdades importantes:

Em primeiro lugar, a origem das autoridades constituídas (Rm 13.1,2). Paulo diz que não há autoridade que não proceda de Deus e as autoridades que existem foram por ele instituídas. Logo, se opor deliberada e formalmente à autoridade é resistir à própria ordenação de Deus. Aqueles que entram por esse caminho de desordem e anarquia trarão sobre si mesmos condenação. É óbvio que o apóstolo Paulo não está dizendo que Deus é o responsável moral pelos magistrados ditadores e corruptos que ascendem ao poder. Deus instituiu o princípio do governo e da ordem e não o despotismo. As autoridades não podem domesticar a consciência dos cidadãos nem desrespeitar a sua fé. Nossa sujeição às autoridades não é submissão servil nem subserviência, mas submissão crítica e positiva. A relação entre a Igreja e o Estado deve ser de respeito e não de subserviência. Deus não é Deus de confusão nem aprova a anarquia. Deus instituiu a família, a igreja e o Estado para que haja ordem na terra e justiça entre os homens.

Em segundo lugar, a natureza das autoridades constituídas (Rm 13.3-5). As autoridades constituídas não devem ser absolutistas. Elas governam sob o governo de Deus. A fonte de sua autoridade não emana delas mesmas nem mesmo do povo. Emana de Deus através do povo.

Portanto, a autoridade é ministro (diákonos) de Deus, ou seja, é servo de Deus para servir ao povo. Aqueles que recebem um mandato pelo voto popular não ascendem ao poder para se servirem do povo, mas para servirem ao povo. Não chegam ao poder para se locupletarem, mas para se doarem. Não buscam seus interesses, mas os interesses do povo. Esse princípio divino mostra que o político que sobe ao poder pobre e desce dele endinheirado não merece nosso voto.

O político que usa seu mandato para roubar os cofres públicos e desviar os recursos que deveriam atender as necessidades do povo para se enriquecer ilicitamente deve ter nosso repúdio e não nosso apoio. O político que rouba ou deixa roubar, que se corrompe ou deixa a corrupção correr solta, que acusa os adversários, mas protege seus aliados, não deve ocupar essa posição de ministro de Deus, pois Deus abomina a injustiça e condena o roubo.

Em terceiro lugar, a finalidade das autoridades constituídas (Rm 13.4-7). Deus instituiu as autoridades com dois propósitos claros: a promoção do bem e a proibição do mal. O governo é ministro de Deus não só para fazer o bem, mas, também, para exercer o juízo de Deus sobre os transgressores. Portanto, devemos sujeitar-nos às autoridades não por medo de punição, mas por dever de consciência. Cabe a nós, como cidadãos, orar pelas autoridades constituídas, honrá-las, respeitá-las e pagar-lhes tributo, uma vez que seu chamado é para atender constantemente à essa honrosa diaconia, de servir ao povo em nome de Deus. Quando, porém, as autoridades invertem essa ordem e passam a promover o mal e a proibir o bem, chamando luz de trevas e trevas de luz, cabe a nós, alertar as autoridades a voltarem à sua vocação. Se essas autoridades, porém, quiserem nos impor leis injustas, forçando-nos a negar a nossa fé, cabe-nos agir como os apóstolos: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

O ESTADO E A BÍBLIA

O Brasil está vivendo uma efervescência política em todos os segmentos da sociedade, especialmente na igreja evangélica, incluindo a Assembleia de Deus. O momento político de nosso país requer das lideranças evangélicas, especialmente da Assembléia de Deus, uma postura equilibrada e moderada face às ofertas politiqueiras comprometedoras. A igreja evangélica não deve omitir-se desse momento político de eleições, mas deve fazer-se valer pelo seu papel moral no seio da sociedade brasileira. O poder decisório de nossa igreja requer de nossos líderes o compromisso, antes de tudo, com os valores expressos no Evangelho de Jesus Cristo. A contextualização de nosso papel evangélico não pode jamais significar a absorção do sistema mundano que opõe-se às premissas do Evangelho de Cristo.

Há uma interpretação equivocada acerca do papel da igreja quanto à submissão ao Estado. Em Romanos 13.1-2, lemos que “toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus, e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.

Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus”. Respeitar as autoridades e submeter-se a elas não significa acomodar-se às suas corrupções e desvarios políticos. Significa ter uma atitude de coerência com os princípios que não ferem a Palavra de Deus. O Estado não é divino. Apenas a autoridade positiva do Estado é “ordenada por Deus”.

O Estado não tem a última palavra em relação aos assuntos litigiosos, porque é uma instituição temporária. Portanto, a Igreja deve prescindir dele. A Igreja deve preservar seus valores de representação como instituição moral e ética, cobrando do Estado quando esses valores forem ameaçados.

As instituições governamentais existem para aplicação das leis que regem os indivíduos dentro de uma nação. Elas são identificadas como agentes de representação da ordem política. Porém, a ordem política existente é relativa, provisória, mutável e mutante, porque um dia será estabelecido um governo divino sobre a Terra, depois da vitória final de Cristo sobre todo o principado e poder.

Para sermos “o sal da terra” e a “luz do mundo” numa sociedade corrompida, precisamos impor nosso papel como Igreja, no sentido de desenvolver uma vida social e política capaz de influenciar o mundo que vivemos. A Igreja deve se conscientizar da importância do momento político e indicar pessoas capazes de defenderem os valores mais sagrados da sociedade. A consciência da Igreja é a garantia contra a corrupção no seio da sociedade. A omissão da Igreja quanto à participação da vida política deixa vazios nossos parlamentos políticos do papel crítico, construtivo e sensibilizador da Igreja. Os regimes autoritários e os governos corruptos surgem pela falta do papel político da Igreja, que é comprometida com os ideais do Evangelho de Cristo.

POLÍTICA SEGUNDO A BÍBLIA

1. Dupla cidadania do cristão. O cristão vive nesta terra uma verdadeira tensão. Ao mesmo tempo que as Escrituras afirmam que a nossa cidade está nos céus (Fl 3.20), asseguram, também, que somos peregrinos neste mundo (1 Pe 2.11). Não há qualquer contradição nessas verdades bíblicas, pois elas simplesmente enfatizam o desafio do servo de Deus em viver de forma transitória na esfera terrenal. Ao interceder pelos seus discípulos, Jesus pediu ao Pai: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal" (Jo 17.15).

Portanto, temos duas cidadanias: celestial e terrena. Uma conquistada por herança, a outra por local de nascimento. Isso significa que os crentes não podem estar alienados da sociedade e das questões sociais, políticas e econômicas. Como cidadãos deste planeta e embasados em uma visão de mundo eminentemente bíblica, devemos respeitar as leis e participar das discussões do cenário político, influindo nos temas da sociedade e do governo, a exemplo de José e Daniel.

2. Separação entre Estado e Igreja. A conscientização dos crentes a respeito da importância da participação política não significa a união entre o Estado e a Igreja. A propósito, o Senhor Jesus estabeleceu a clara separação entre esses dois ao ordenar: "Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Lc 20.25). As palavras do Mestre reforçam tanto a responsabilidade espiritual quanto social, enfatizando que Igreja e Estado possuem papéis bem distintos. A Igreja deve influenciar o governo, mas não pode confundir-se com ele. Quando o Estado tenta intervir na Igreja, ou vice-versa, os prejuízos são inevitáveis, com implicações que afetam a consistência doutrinária da cristandade. Foi o que ocorreu quando o imperador romano Constantino uniu a religião cristã com o Estado, incorporando elementos do paganismo. Por isso, a separação entre o Estado e a Igreja foi um ponto crucial defendido na Reforma Protestante.

A SEPARAÇÃO DO ESTADO DA IGREJA: UMA HERANÇA PROTESTANTE

DEFININDO A IGREJA E O ESTADO

A Igreja de Deus é o povo que foi resgatado do mundo de perdição através da obra sacrificial de Cristo. É, então, Sua propriedade e corpo místico (Tt 2.14).

A Igreja se constitui no verdadeiro refúgio do cristão, onde ele pode alcançar o mais desejado triunfo: a eterna salvação. Alegremo-nos em pertencer à Igreja do Deus vivo

O Estado é a nação politicamente organizada e tem o dever de garantir a ordem e a segurança da Nação, tudo fazendo para alcançar o seu progresso. A garantia dos direitos individuais é da competência do Estado. Explicando melhor, o Estado é uma organização que protege a família em todos os seus direitos definidos na constituição. Garante os direitos individuais do cidadão, e visa alcançar os ideais do povo, a virtude e a expansão econômica. Objetiva a prática da justiça social, que não favorece o rico em detrimento do pobre, posto que diante da lei,e, conseqüentemente do Estado, todos são iguais e merecem igual tratamento, igual respeito aos seus direitos. Enfim o Estado protege a sociedade, que por sua vez tem na família a sua célula máter que é, em última análise, a base do Estado.

1. A missão da Igreja no governo do mundo. Em relação ao poder temporal, a Igreja não recebeu de Deus a autoridade para dominá-lo, nem para submetê-lo ao seu governo. A missão da Igreja é espiritual. Ela é a luz do mundo e o sal da Terra, e como tal a sua missão é “iluminar” e “salgar” a Terra.

2. A origem do Estado. O Estado é de origem sobrenatural. Dissemos que a origem do Estado é sobrenatural porque toda a autoridade, todo o poder procede de Deus. É Deus quem outorga a autoridade ao homem para exercer o governo sobre o homem, visando o bem estar do homem.

Por esta razão o apóstolo Paulo recomendou aos crentes em Roma: “Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação” (Rm 13.1,2). Leia também 1Pe 2.13-17. Contudo é bom que se esclareça que toda a autoridade humana está subordinada à autoridade de Deus e certamente Ele cobrará de cada governante os erros e as iniqüidades praticadas em Seu nome.

3. A missão do Estado. Sabemos que os elementos essenciais que constituem o Estado são: um território, uma população, uma lei e urna organização administrativa. “O Estado é uma sociedade humana organizada que se submete ao mando e à orientação de um poder central, com a finalidade de estabelecer o bem próprio de cada um, ao mesmo tempo que busca o bem geral”.

A INDEPENDÊNCIA ENTRE A IGREJA E O ESTADO

O maior prejuízo que a Igreja do senhor sofreu, através dos séculos, teve início quando o Imperador Constantino aderiu ao cristianismo, batizando-se ele e toda a sua corte, arrastando assim ao seio da Igreja todos os seus maus hábitos e a sua idolatria. Aquilo que Satanás não havia conseguido, afogando-a no sangue dos mártires que eram cruelmente lançados às feras, nas arenas do Coliseu Romano, ou nas fogueiras e outros inomináveis sofrimentos, que os obrigavam a morar nas cavernas e covas (catacumbas) mas, sem no entanto, silenciarem quanto ao testemunho de Cristo (Hb 11.38), alcançou, no entanto, tomando o cristianismo a igreja oficial do Império, afogando os líderes da época, na “seda e na púrpura” ou seja, no pecado e na luxúria. Deste modo, sua autoridade espiritual foi aniquilada, e, os tais, para agradar as autoridades seculares, foram obrigados, pouco a pouco, a mudar o essencial, no que respeita ao culto, à doutrina e à disciplina. tornando o cristianismo autêntico, naquilo que é hoje a Igreja Romana, que de cristã só tem o nome. Por essa razão, entendemos que a independência entre a Igreja e o Estado deve ser absoluta.

O CRENTE COMO CIDADÃO DO CÉU

A Bíblia ensina, que a Igreja está aguardando ansiosamente a sua trasladação para a sua pátria celestial (Fp 3.20,21; J0 17.16), e classifica esta expectativa como a “bem aventurada esperança” (Tt 2.12,13). Na qualidade de cidadão do Céu, devemos viver de tal maneira a não causar escândalo nem aos gentios, nem aos judeus, nem à Igreja de Deus (1Co 10.32). Devemos nos portar com dignidade diante de todos.

TODA A POTESTADE VEM DE DEUS

O apóstolo Pedro, concorda com o conceito inspirado do apóstolo Paulo, ï que respeita à obediência às potestades superiores, porque “assim é a vontade de Deus, que fazendo o bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos’‘(1Pe 2.15). Todos sabemos que os magistrados são constituídos por ordenação de Deus (Rm 13.1). Não é necessário temê-los, se praticamos as boas ações, mas, se as más, seremos punidos com o rigor da lei, e o mesmo apóstolo Pedro afirma que, se sofrermos, soframos não como ladrões, rebeldes ou malfeitores, mas como cristãos, e nisso glorifiquemos a Deus (1 Pe4.15,16).

1. O poder do Estado tem sua origem em Deus. De conformidade com os ensinos dos profetas sobre a soberania de Deus e sua intervenção no governo do mundo (Dn4.17,31,32), o Senhor Jesus, quando interrogado pelos fariseus e herodianos quanto à licitude de pagar ou não- tributo a César, respondeu: “Dai pois a César o que é de César,e a Deus o que é de Deus”. Perante Pilatos Ele foi claro ao responder: “O meu reino não é deste mundo”. E diante da alegação do mesmo Pilatos, que afirmava possuir poder para mandar crucificá-lo ou soltá-lo, Jesus respondeu de modo inquestionável: “Nenhum poder terias sobre mim, se de cima te não fosse dado”. Assim sendo, o Senhor deixava claro que a autoridade de Cesar, de Herodes, de Pilatos e todos os governantes em todos os tempos procede de Deus. Ele é a causa primeira de toda a autoridade, tanto do Estado quanto da Igreja. Por isso Jesus como perfeito homem, submeteu-se ao poder do Estado (Mt 17.24-27; Fp 2.6-8). Nós não podemos fazer menos que isso

O CRISTÃO DEVE OBEDECER ÀS AUTORIDADES

Nos regimes democráticos, o governo é dividido em três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. A todos esses poderes devemos obediência e respeito.Sujeitar-se à ordenação humana por amor ao Senhor é mandamento, e, não somente s bons e humanos, mas também aos maus.

Cristãos há, que se negam a pagar impostos ao Estado, e, quando o fazem é com malícia, alguns chegam ao extremo de subornar o fisco, cometendo um pecado que mais cedo ou mais tarde, de Deus recebem a devida cobrança e raramente prosperam em seus negócios, isto, quando não sofrem outros revezes (1 Pe 2.11), “aui1oqueohomemsemear, isto também ceifará” (Gl 6.7,8). Honrar, respeitar e reverenciar os membros desses poderes é justo. “A quem honra, honra; a quem tributo, tributo”.

INSUBMISSÃO ÀS AUTORIDADES É REBELDIA

Sem dúvida, o povo de Deus, através de todos os tempos, tem sofrido dura oposição por parte das autoridades, mas isto não nos autoriza a fazer oposição aos poderes constituídos.

Por três séculos, o Império Romano desencadeou cruel perseguição à Igreja. O apóstolo Paulo foi vítima desses poderes até a morte, mas deixou escrito: “Quem se opõe ‘as autoridades, resiste a Deus”.

É dever do verdadeiro servo de Deus, cooperar, ajudar, e acatar as ordens das autoridades para o seu próprio bem, orando por elas (1Tm 2.13). Resistir- lhes ouopor-se-lhes é diabólico e traz consequências embaraçosas. (1Tm 4.12).

COMO O CRISTÃO DEVE LIDAR COM A POLÍTICA

O PERIGO DA POLITICAGEM

Como em algumas das igrejas a conscientização política ainda é incipiente, faz-se necessário um alerta referente ao perigo da politicagem. Os dicionários em geral conceituam politicagem como: “política reles e mesquinha de interesses pessoais”. O perigo dos atos politiqueiros é colocar em descrédito o evangelho e a igreja cristã. O cristão fiel jamais pode compactuar com este procedimento. Os princípios cristãos não podem ser negociados. A ética e a moral cristã não podem ser vendidas e nem compradas.

Aqueles que são contrários as convicções cristãs não podem receber o apoio e nem o voto da igreja. O cristão não pode se iludir com o esplendor das promessas e nem com as supostas garantias apresentadas. Os que não compartilham os ideais do evangelho não devem ser homologados pelo povo de Deus. No cristianismo primitivo a igreja em Corinto foi advertida a observar este princípio (2Co 6.14).

Contudo, apesar da orientação bíblica, obreiros fraudulentos ludibriam e manipulam as ovelhas sob seus cuidados. Interessados em levar vantagem pessoal não hesitam em apoiar candidatos políticos contrários a fé cristã. Vislumbram benefícios econômicos e “status” social. Sem nenhum pudor, ao leve toque musical, prostram-se diante da estátua de Nabucodonozor. Estão interessados em manter ou adquirir privilégios e indispostos a sofrer retaliações por causa do evangelho.

Não satisfeitos em apoiar candidatos de conduta repreensível, soma-se a este erro, o uso da mídia e do púlpito da igreja para promover a iniquidade. O cristão é cidadão e deve exercer sua cidadania. Contudo, não pode esquecer que também é cidadão do céu. Como Embaixador de Cristo representa os interesse do reino de Deus na terra. Portanto, não pode apoiar, nem permitir ou promover apoio aqueles que afrontam o reino de Deus.

COMO DELIMITAR NOSSA ATUAÇÃO

Os princípios éticos devem ser observados. O púlpito da igreja não pode ser transformado em “palanque eleitoreiro”. As orientações devem ser claras, precisas e esclarecedoras, contudo, não se pode ocupar o espaço da palavra ou da adoração. As convicções cristãs devem ser conhecidas por todos bem como a posição da igreja. Se houver coerência entre o discurso e a fé cristã, certamente a igreja acatará o conselho da liderança.

Por outro lado não se pode confundir a cruz de Cristo com ideologias partidárias. A renovação política não pode ser substituída pela transformação espiritual. A degeneração da sociedade não será resolvida ou corrigida por uma série de leis que inibam a má conduta. Somente a propagação do evangelho de Jesus Cristo pode deter o declínio e a ruína moral de nossa sociedade.

A igreja deve fazer oposição a qualquer ideia que desrespeite a mensagem do evangelho. Precisa se mobilizar para erradicar os políticos corruptos em todas as esferas. Porém, a batalha nas urnas será constante. Se usarmos apenas a ferramenta política certamente venceremos umas batalhas e perderemos outras. Mas, se cumprirmos nosso papel de sal da terra e luz do mundo, o poder do evangelho pode desarraigar para sempre a iniquidade dos corações.

Levanto a bandeira da conscientização política e sou favorável a mobilização evangélica. Entendo que o cristão deva divulgar sua posição coerente com o evangelho. No entanto, lembro que nossa luta não é contra a carne e o sangue (Ef 6.12). A Igreja não pode se limitar a fazer oposição e oferecer resistência à iniquidade no poder temporal. Não pode depositar sua confiança e esperança em decisões políticas, embora não deva subestimá-la ou negligenciá-la.

As lideranças devem promover o “voto consciente” sem descuidar-se do avivamento espiritual. O avivamento liderado por John Wesley (1703-1791) trouxe mudanças sociais na Inglaterra. Porque na realidade o mal a ser combatido é o pecado

AJUSTANDO O FOCO DA IGREJA

Durante todo o tempo que Jesus Cristo esteve aqui na terra, ele nos deixou muitos ensinamentos, e demonstrou ao mundo a sua maior missão através do seu grande amor por nós, que era libertar e salvar a humanidade. Aos seus discípulos, foi dada a missão de continuar a espalhar este amor, como também fazer novos discípulos, a igreja.

Nos dias atuais, é possível notar, que a igreja de Cristo vem perdendo o seu maior foco, no que se diz respeito à sua principal tarefa, que é anunciar ao mundo o grande amor de Deus. Mc 16: 15-16.

É verdade sim, que mundo afora, as igrejas estão cada vez mais lotadas. Mas o evangelho genuíno da Palavra, tem sido verdadeiramente pregado? Temos ensinado a essas pessoas sobre o Reino de Deus e a sua justiça?

Devemos compreender o fato de que o nosso governo não pode nos salvar! Só Deus pode. Nunca lemos no Novo Testamento sobre Jesus ou qualquer um dos apóstolos gastando qualquer tempo ou energia em ensinar os crentes a reformar o mundo pagão de suas práticas idólatras, imorais e corruptas através do governo. Os apóstolos nunca convidaram os crentes a demonstrar desobediência civil e protestar contra as leis injustas ou esquemas brutais do Império Romano. Em vez disso, os apóstolos ordenaram os cristãos do primeiro século, assim como nós hoje, a proclamar o evangelho e viver vidas que dão evidência clara do poder transformador do Evangelho.

O propósito original da igreja, dado por Deus, não se encontra em ativismo político. Em nenhum lugar na Bíblia temos o comando de gastar nossa energia, nosso tempo ou nosso dinheiro em assuntos governamentais. A nossa missão não reside na mudança da nação através de uma reforma política, mas na mudança de coração através da Palavra de Deus. Quando os crentes acham que o crescimento e a influência de Cristo podem de alguma forma se aliar com a política do governo, eles corrompem a missão da igreja. O nosso mandato cristão é espalhar o evangelho de Cristo e pregar contra os pecados do nosso tempo. Só à medida que os corações dos indivíduos em uma cultura são alterados por Cristo é que a cultura começa a refletir essa mudança.

CONCLUSÃO

O cristão não pode ser contrário a uma atividade que busca a “conduta ideal do Estado”. Como cidadãos da terra, precisamos viver num determinado local físico e social, que faz parte de um Estado, que faz parte de um País. Esses precisam ser administrados por homens de bem. Melhor seria que fossem cristãos. Que Deus nos dé sabedoria e visão.

A melhor atuação política da igreja deve ser por meio da conscientização e orientação dos seus membros, para que votem com ética e discernimento bíblico. Cabe à liderança o ensino adequado da política à luz das Escrituras, enfatizando a importância da politização sadia dos crentes e o envolvimento com as questões públicas. Por outro lado, não se recomenda o envolvimento direto da igreja local com as disputas político-partidárias ou a declaração de apoio a candidatos. O púlpito não é lugar para propaganda eleitoreira, e a igreja de Deus (Gl 1.13) não é trampolim político, mas a coluna e firmeza da verdade (1Tm 3.15).

Por: Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Bibliografia


Lições bíblicas CPAD 1990




CPAD, Revista, Lições Bíblicas Jovens, alunos, 2º trimestre 2015