17 de novembro de 2020

A teologia de Zofar: O justo não passa por tribulação?

 

A teologia de Zofar: O justo não passa por tribulação?

Texto Áureo

E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro.

Jó 11.18

 

Analisando o capítulo 11 do livro de Jó vemos que Zofar ficou indignado com as palavras de Jó (Jó 11.1-20), Zofar (assim como Elifaz e Bildade) sugere que Jó pecou contra Deus para sofrer tanto e que se Jó apenas lançasse para longe a iniquidade que estava em suas mãos (Jó 11.14) a vida melhoraria, pois Deus aliviaria seu sofrimento. Assim como Elifaz e Bildade, Zofar tinha a certeza de que Jó havia pecado feio contra Deus e que por isso, Jó estava naquela situação.

Observando a forma como os amigos de Jó falavam, podemos aprender uma grande lição.

“Uma pessoa que supõe que conhece o coração do outro (como faziam os amigos de Jó, supondo que conheciam o coração de Jó), e supõe que conhece os caminhos de Deus, está cometendo um terrível erro, assumir tal posição é um tipo de orgulho espiritual, certamente um pecado tão grave quanto qualquer pecado de que possamos acusar os outros.”

1 – Deus Se Mostra Sábio Quando Aflige O Pecador

 

1.                   Deus grande e sábio

 

 

Certamente não há dúvidas de que nosso Deus é grande e sábio, mas na visão de Zofar, Jó estava sofrendo por causa da grandeza e sabedoria de Deus que via o “pecado oculto de Jó” (isto na visão de Zofar e seus      

amigos). Eles nem se quer imaginavam que o próprio Deus deu testemunho da integridade, justiça e retidão de Jó.

Dentre os três amigos de Jó, Zofar é o menos discreto, falando de forma grosseira, áspera e com extremo sarcasmo.

 

2.                   Porventura, não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado? (Zofar acusa Jó de dizer palavras vazias e sem nexo).

 

3.    Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? (Zofar acusa Jó de ser mentiroso).

Jó 11.2,3

 

e te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniqüidade. (Zofar acusa Jó de estar em pecado e por estar em pecado é que Jó estava sofrendo).

 

Jó 11.6

 

Zofar insinua que Jó é ímpio e mau, e passa a descrever a situação deste tipo de gente (Jó 20.4,5,29).

4.    Porventura, não sabes tu que desde a antiguidade, desde que o homem foi posto sobre a terra,

5.    o júbilo dos ímpios é breve, e a alegria dos hipócritas, apenas de um momento?

29.   Esta, da parte de Deus, é a porção do homem ímpio; esta é a herança que Deus lhe reserva.

Jó 20.4,5,29

                                                                                                       

Zofar estava certo de que o justo não passa por tribulação (mas sabemos que ele estava muito enganado, como vimos nas lições anteriores) e ao ver Jó insistindo em sua inocência, Zofar usou um linguajar duro e sem misericórdia.

Quantos e quantos “crentes Zofar” existem em nossos dias, usam um linguajar duro para mostrar que são apenas “sábios aos próprios olhos”.

 

2.                  Deus não é indiferente a ação do ímpio.

 

Pois tu disseste: A minha doutrina é pura; limpo sou aos teus olhos.

Jó 11.4

 

 

Ainda que perfeito, não estimo a minha alma; desprezo a minha vida.

Jó 9.21

 

Bem sabes tu que eu não sou ímpio; todavia, ninguém há que me livre da tua mão.

Jó 10.7

 

 

Zofar entendeu que Jó havia se declarado puro e sem culpa (e isto era inadmissível para Zofar e seus amigos).

Zofar estava certo de que, se Deus debatesse com Jó, certamente Deus condenaria a Jó (Jó 11.5-9), Zofar assim como seus dois amigos Elifaz e Bildade, era um “sábio aos próprios olhos”.

Perceba que os amigos de Jó tinham uma “visão teológica torta, falha” e mesmo assim não percebiam que sua visão teológica era torta, falha, porque tinham o apoio um do outro (isto é, os três amigos de Jó apoiavam cada um a “visão teológica falha do outro”) e Jó por ser minoria, era visto como sendo o “errado” e os três por serem maioria, consideravam-se certos.

 

Percebemos com isso que, nem sempre a visão teológica apoiada pela maioria é a correta.

 

 

Reflexão:

Observe os amigos crentes mais próximos de você, observe a “visão teológica” deles, observe se a “visão teológica” de seus amigos mais próximos está realmente bem aprofundada e embasada na Bíblia ou não.

Se a resposta for NÃO, TOME MUITO CUIDADO. Pois verdadeira é a frase que diz que; “Você é a média das 5 pessoas mais próximas de você”.

Por isso, busque ter “afinidade” com pessoas que tem um conhecimento aprofundado e bem embasado sobre a Palavra de Deus.

 

 

3.                  Tolos se passando por sábios.

Zofar (assim como seus dois amigos Elifaz e Bildade) se considerava um legitimo representante do verdadeiro Deus. Mas Jó, como um verdadeiro homem de Deus enxergava o “desvario teológico e antropológico” de seus amigos (Jó 13.4,5,7).

Teológico porque tinham uma visão muito equivocada sobre Deus, e

antropológico porque acreditavam que conheciam o “ser humano” mais do que Deus, baseando-se em tradições humanas e experiências próprias para se considerarem “mestres entendedores do comportamento humano” (por assim dizer), podendo assim dar seu “veredito torto” sobre a vida humana. Assim tinham certeza de que Jó havia pecado e por isso estava a sofrer tanto (baseavam-se em tradições humanas e experiências próprias, eram verdadeiros tolos que acreditavam ser sábios, infelizmente encontra-se em meio ao povo de Deus muitos “Elifazes, Bildades e Zofares”, por assim dizer).

 

2 – A Conversão Como Resposta À Aflição

 

 

1.                  Purificação moral.

2.                  É possível negociar com Deus?

3.                  A angustia de Jó.

 

 

Zofar (e seus amigos Elifaz e Bildade) tinham tanta certeza de que Jó estava em pecado que chega a ser “irritante” ver a insistência deles em

provar o (na visão deles) pecado de Jó. Quão grande é o número de crentes em nossa geração que agem da mesma forma, são tão bons para enxergar as falhas e pecados nos outros e tão falhos em enxergar as próprias falhas e pecados.

Grande é o número de cristãos que parecem pensar como Zofar (e seus 2 amigos).

Zofar acusou Jó de hipocrisia (Jó 11.4-6), teimosia (Jó 11.13-20), disse que Jó merecia sofrer ainda mais do que já sofrera (Jó 11.6), dizia que se Jó se desviasse do pecado, seus sofrimentos cessariam imediatamente, e a segurança, paz e prosperidade voltariam (Jó 11.13-19), sugerindo assim um tipo de “negociação com Deus”, mas a teologia de Zofar, é claro, contém graves erros teológicos.

 

Zofar garantia que se Jó ouvisse seus conselhos, teria uma “vida mais clara que o meio dia” (Jó 11.17).

Mas a Bíblia não garante em nenhum lugar uma “vida mais clara que o meio dia” para o crente fiel, muito pelo contrário, a Bíblia ensina que “Por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14.22).

Zofar era aquele tipo de teólogo que só vê erros nos outros.

Zofar ignorava o fato de que até mesmo os justos passam por tribulações.

 

 

“A teologia dos três amigos de Jó não explicava porque os inocentes sofrem, e Jó era inocente segundo a própria palavra de Deus (Jó 2.3). Jó estava sofrendo sem causa, e a teologia de seus três amigos não conseguia explicar isso, e pior ainda, a teologia deles não conseguia se quer enxergar isso”

Embora desanimado pelas insistentes acusações de seus amigos, Jó mostrava-se firmado em Deus (apesar de tantas lutas):

3.   Enquanto em mim houver alento, e o sopro de Deus no meu nariz,

4.   não falarão os meus lábios iniqüidade, nem a minha língua pronunciará engano.

5.   Longe de mim que eu vos justifique; até que eu expire, nunca apartarei de mim a minha sinceridade.

27.3-5

 

Charles Rozell Swindoll observa que, mesmo angustiado, Jó se recusa a “esquivar-se” de sua integridade, Jó se recusou a mentir, fingir ou enganar os outros.

Diante de todas as lutas que passou, Jó se qualificou, saiu mais forte, e tirou um sorriso dos lábios de Deus (por assim dizer).

 

3 – Deus Julga E Castiga Os Pecadores

 

1.                  O castigo dos maus.

 

 

No segundo discurso de Zofar (Jó capítulo 20) ele lembra a Jó de que a aparente prosperidade dos ímpios é ilusória e não dura muito, na verdade Zofar só estava repetindo o que Bildade e Elifaz já haviam dito (Jó 20.5).

O discurso de Zofar, embora não refletisse a realidade de Jó, não deve ser desprezado no seu todo por também conter princípios que são verdadeiros.

                                                                                                       

A teologia de Zofar, embora tenha elementos de verdade, quando aplicada no caso específico de Jó, torna-se falha. Jó não é nenhum ímpio e nem está sofrendo porque fez por merecer. Zofar quer justificar a qualquer custo a razão do sofrimento de Jó. Dessa forma, ele magoa e fere Jó com as suas palavras, porque está firmemente convicto de que o amigo, comporta-se como um ímpio.

 

 

2.                  Jó diante de um paradoxo.

No capítulo 21 do livro de vemos a resposta de Jó ao argumento de Zofar:

 

 

 

7.   Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se esforçam em poder?

8.   A sua semente se estabelece com eles perante a sua face; e os seus renovos, perante os seus olhos.

 

 

13. Na prosperidade gastam os seus dias e num momento descem à sepultura.

Jó 21.7,8,13

 

Jó observava que os ímpios pareciam gozar de longevidade e prosperidade e desciam a sepultura sem passar pelos sofrimentos que Jó passava. Mas, observemos que as palavras de Jó aqui são palavras de um homem extremamente angustiado que não conseguia deixar de comparar seu estado com o estado daqueles que não serviam a Deus e estavam (aparentemente) bem e sem sofrimentos.

 

3. A verdade vem à tona.

                                                                                                       

Como bem observou o comentarista da lição, a lei da retribuição (neste mundo em que vivemos, ou seja, neste sistema iniquo e mundano) não se aplica a todas as esperas da existência humana, nem explica os caminhos soberanos de nosso Deus. Mas devemos ter em mente que chegará o dia em que, todos iremos receber o “pagamento” por nossa conduta aqui nesta terra:

 

 

Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal.

2 Coríntios 5.10

 

O SENHOR olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens;

Salmo 33.13

 

 

Chegará o dia em que a verdade virá à tona e Deus fará separação entre aqueles que lhe são fieis e aqueles que não são.

 

 

21.   Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

22.   Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas?

23.   E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Mateus 7.21-23

 

Conclusão

Nesta lição aprendemos um pouco sobre a teologia de Zofar, que era exposta com dureza e até certa crueldade, insensível aos sofrimentos de seu semelhante Jó. Vigiemos, pois para não sermos teólogos como Zofar, que só enxergam defeitos nos outros e expõem com dureza seu “ponto de vista teológico”.

 

 

Fontes:

 

Enciclopédia Bíblica Russel Norman Champlin,

Comentário Bíblico Beacon,

Comentário Bíblico Africano,

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal,

Jó e Seus Amigos – C. H. Mackintosh,

Livro de Apoio A Fragilidade Humana e a Soberania Divina,

Revista Cristão Alerta 4° Trimestre de 2020,

Apontamentos teológicos professor José Junior.

 

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Irmãos de verdade apresentam Cristo a seus irmãos, assim como fez André:

 

40.   Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João e o haviam seguido.

41.   Este achou primeiro a seu irmão Simão e disse-lhe: Achamos o Messias ( que, traduzido, é o Cristo ).

42.        E levou-o a Jesus...

João 1.40-42

 

 

 

 

 

9 de novembro de 2020

A TEOLOGIA DE BILDADE SE HÁ SOFRIMENTO HÁ PECADO OCULTO

 

A TEOLOGIA DE BILDADE SE HÁ SOFRIMENTO HÁ PECADO OCULTO

Texto Áureo

1.  Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse:

2.   Até quando falarás tais coisas, e as razões da tua boca serão qual vento impetuoso?

3.   Porventura, perverteria Deus o direito, e perverteria o Todo-poderoso a justiça?

Jó 8.1-3

 

 

(Observe que o primeiro discurso de Bildade aparece em Jó 8 e não em Jó 4.7,8, como sugere a revista).

 

 

Russel Norman Champlin observa que Bildade acusou Jó de Blasfêmia (Jó 8.2), semelhantemente ao que satanás disse que Jó se rebaixaria a fazer, caso fosse submetido a um severo teste (Jó 1.11; 2.5). O nome de Bildade só aparece 5 vezes no livro de Jó e em toda a Bíblia (Jó 2.11; 8.1; 18.1; 25.1; 42.9), o de Zofar aparece 4 vezes no livro de Jó e também em toda a Bíblia (Jó 2.11; 11.1; 20.1; 42.9), já o nome de Elifaz aparece 14 vezes na

Bíblia sendo 7 em Gênesis (36.4,10-12,15,16), 2 em 1° Crônicas (1

Crônicas 1.35,36) e 6 em Jó (Jó 2.11; 4.1; 15.1; 22.1; 42.7,9).

Para Bildade, assim como para Elifaz era óbvio que os sofrimentos de Jó eram um julgamento de Deus contra Jó. Presumiam que, a grandeza dos sofrimentos de Jó era causada por seus pecados. Por isso na visão dos amigos de Jó, afirmar a inocência de Jó era (na visão deles) dizer que Deus havia pervertido o juízo e a justiça.

*O Elifaz de Gênesis e 1° Crônicas não é o mesmo Elifaz do livro de Jó.

 

 

1 – O Pecado em Contraste com o Caráter Justo e Santo de Deus

 

 

1.     Deus é justo e reto.

Para Bildade (assim como para Elifaz) era inconcebível admitir que Jó era inocente. Observando o discurso de Bildade (Jó 8.1-22) vemos que ele se sente incomodado com a fala de Jó. No entender de Bildade, Jó, por estar sendo afligido estaria acusando o Senhor de ser injusto (Jó 6 e 7), Bildade acredita que Jó está sendo punido pelo pecado que cometeu, e por isso está convencido de que os argumentos de Jó não passam de “palavras ao vento” (Jó 8.2). Bildade estava convencido de que, se Jó reconhecesse seu pecado contra Deus, poderia novamente obter o “favor de Deus” (Jó 8.5).

 

O grande problema de Bildade é que ele (assim como seus amigos) consideravam-se justos aos próprios olhos, tão justos que, poderiam julgar seu amigo sem medo, mas, Bildade e seus amigos estavam enganados (Jó 42.7-9).

Reflexão:

Você conhece crentes como Bildade?

Crentes que se consideram tão santos e justos aos próprios olhos a ponto de acusarem seus irmãos se baseando em suas próprias suposições, e não na Palavra de Deus?

Que venhamos a examinar a nós mesmos para não sermos “crentes Bildade” (por assim dizer).

 

2.     Uma compreensão limitada da natureza de Deus.

 

 

Bildade tinha uma compreensão limitada da natureza de Deus, ele acreditava que, se há sofrimento, há pecado oculto, mas a verdade é que, nem sempre quando um servo de Deus sofre há pecado oculto. Jesus sofreu sem ter cometido nenhum tipo de pecado (Hebreus 4.15). E Jó, embora tivesse pecados (por ser um ser humano) não havia cometido pecados deliberados, como acreditavam seus amigos. A visão teológica de Bildade é uma visão que destaca a meritocracia humana no processo de justificação diante de Deus (Jó 8.5,6). Em outras palavras, Bildade tinha em foco o esforço humano que o faria se justificar diante de Deus por mérito próprio e não pela graça de Deus, Bildade não compreendia que é pela graça de Deus que o homem vive e sobrevive neste mundo, sempre foi pela graça de Deus, e não por esforço próprio do ser humano.

(Para saber mais sobre a graça de Deus, solicite gratuitamente o micro e-book do professor José Junior Graça e o seu extenso significado bíblico pelo whatsapp 18 9 9691-1591).

 

 

Parece haver uma semelhança entre os discursos de Bildade (e seus amigos) e o Pelagianismo.

 

O pelagianismo basicamente defende que o homem, independentemente da Graça de Deus pode chega-se a Deus sozinho. Mas o pelagianismo é um equívoco teológico dos mais terríveis (Falaremos mais sobre o pelagianismo em momento oportuno).

 

3.     A imperfeição humana.

Diante da argumentação de Bildade Jó mostrava-se mais sábio do que seu amigo:

Na verdade sei que assim é porque como se justificaria o homem para com Deus?

9.2

 

Jó sabia que o ser humano não é perfeito e que é impossível alcançar o favor de Deus por mérito próprio, mas a questão para Jó em resumo era;

Jó não estava querendo dizer a seus amigos que ele não tinha pecados, ele estava afirmando que seus imensos sofrimentos não eram a causa de algum pecado oculto, como sugeriam seus amigos.

Deus já havia testemunhado acerca da integridade e justiça de Jó, isto deixa claro que nem sempre o sofrimento é fruto de uma imperfeição moral ou resultado de um pecado pessoal (Jó 1.8; 2.3; 9.2).

Analisando os discursos de Bildade (Jó cap. 8 e 18) percebemos que Bildade concentrava-se apenas no aspecto da natureza de Deus, sua santidade e justiça. Mas Bildade deixava de lado seu amor sua misericórdia e bondade. Se as palavras de Bildade tivessem vindo de Deus teriam

“edificado Jó” (por assim dizer), as palavras de Bildade vinham apenas dele próprio e por isso não fizeram bem algum a Jó.

 

Embora Bildade insistisse que Jó havia pecado, a experiência de Jó com Deus (ou seja, sua vida reta da qual o próprio Deus deu testemunho) dizia que isso não era verdade.

 

2 – O Pecado Visto Como Quebra da Moralidade Tradicional

 

 

1.     Moralismo por tradição.

2.     A subversão de ordem moral.

 

Ao contrário de Elifaz, Bildade não menciona nenhuma só vez suas experiências (veja nosso estudo da lição 6, para uma melhor compreensão sobre isso), nem o que fosse resultado de sua própria observação, Bildade apela para a “antiguidade ou moralismo por tradição”.

 

8.    Porque, eu te peço, pergunta agora às gerações passadas e prepara-te para a inquirição de seus pais.

9.    Porque nós somos de ontem e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra.

10.    Porventura, não te ensinarão eles, e não te falarão, e do seu coração não tirarão razões?

Jó 8.8-10

 

 

É possível observar que Bildade nos conduz a um ponto muito mais vasto (por assim dizer) do que aquele de Elifaz, pois a autoridade de uma multidão de anciãos (ou sábios das gerações passadas) tem muito mais peso do que a experiência de um simples indivíduo (Veja o subtópico 1 do tópico 1 do nosso estudo da lição 6 para compreender melhor as diferenças entre o discurso de Bildade e Elifaz).

Elifaz se baseava nas próprias experiências, enquanto Bildade se baseava na tradição (ou ensino das gerações passadas). Embora houvesse diferença entre o discurso de Elifaz e Bildade, seus discursos levavam para a mesma direção, ou seja, para eles, Jó havia pecado e precisava se arrepender para que a “justiça divina o deixasse viver e se recuperar física, moral e espiritualmente” (por assim dizer). Assim como Elifaz, Bildade também não entendia que na verdade Jó é que era o mais sábio dentre ele e seus amigos e não o contrário.

 

3.     Contemplando a cruz.

O capítulo 19 do livro de Jó é todo dedicado a defesa de Jó (Professor da EBD, leia todos os capítulos e versículos abordados na lição para poder ensinar bem seus alunos).

O que mais nos chama a atenção no capítulo 19 de Jó é o versículo 25:

 

 

Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.

E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus.

Jó 19.25,26

 

 

Apesar de sua situação desesperadora Jó demonstrava otimismo, isto me faz lembrar de uma frase que diz “Um homem otimista pode até se perder, mas um homem pessimista já está perdido”.

(Em resumo) Embora seus amigos até aqui lhe dissessem que seus sofrimentos poderiam ser o resultado da “lei da colheita e semeadura ou que ele estava sendo disciplinado por Deus”, Jó afirmava que isto não se aplicava a ele e que seus sofrimentos eram injustos e sem causa.

Sobre a palavra “Redentor” em Jó 19.25 Russel Norman Champlin observa que a palavra “Redentor” que no hebraico é “Goel” pode significar: Redentor, vingador ou defensor dos oprimidos. Quando Jó usa esta palavra “Goel” (que é traduzida em nossas versões geralmente por Redentor) Jó está se referindo a Deus e não a Jesus como supõem muitos teólogos e pregadores em geral.

Jó acreditava que Deus finalmente defenderia o seu caso e diria; Jó é inocente apesar do sofrimento que ele passou (por assim dizer). Por isso é certo dizer que Jó não está aqui prevendo ou profetizando a Cristo, mas sim se referindo ao seu Deus (e nosso Deus), crendo que Deus finalmente se levantaria para julgar sua causa. Champlin ainda observa que no vers. 25 Jó não falava de salvação, mas de vindicação (reclamação legal, protestar sua inocência, certeza de que obteria justiça em seu favor, por assim dizer).

 

 

No vers. 26 Jó fala de sua morte (isto é, ele observa que por sua enfermidade a morte está próxima, é possível que ele acreditasse que após sua morte, ele veria a Deus e (por ser inocente das acusações de seus amigos) obteria a justiça de Deus a seu favor.

(Champlin ainda observa que é muito difícil traduzir ao pé da letra o que Jó quis dizer na segunda parte do vers. 26, pois na septuaginta e em outras versões ao longo da história há nítida mudança de palavras, o que torna dificílimo uma tradução ao pé da letra da parte b do vers. 26 de Jó 19).

 

3 – O Pecado Em Contraste Com a Majestade de Deus

 

1.     A grandeza de Deus.

O terceiro discurso de Bildade (Jó 25.1-6) não traz nada de novo em sua tese e argumentos, pois ao longo do debate Bildade parece ter esgotado seu poder argumentativo. Embora Bildade destacasse a grandeza de Deus (Jó 25.2), ele acabava por criar um abismo que não existe entre a criatura e o criador. Bildade embora defendesse a grandeza de Deus, misturava isso a tradição humana, resultando em “achismos”, este tipo de atitude de Bildade ainda é muito comum em nossos dias, grande é o número de pregadores que mistura verdades bíblicas com tradições humanas e isto resulta em “achismos”, e estes “achismos” acabam por confundir a mente de muitas pessoas, que com o tempo, pautam-se muito mais em tradições humanas e achismos do que na Santa Palavra de Deus.

 

2.     Onipotente, mas não ausente.

Nos capítulos 26 e 27 do livro de Jó, vemos que Jó repreende a Bildade e exalta o poder de Deus. Jó conseguia ver perfeitamente os achismos e tradições humanas presentes nas argumentações de seus amigos, Jó sabia da onipotência de Deus, mas também sabia do amor e cuidado de Deus.

A verdade é que, todos nós precisamos vigiar para que, em momentos de sofrimento não venhamos a “manchar a imagem de Deus”, assim como fizeram os amigos de Jó ao misturar o conhecimento de Deus com sabedoria humana, tradições humanas e achismos em geral , pois Deus e sua Palavra estão acima de achismos e tradições humanas. Bildade e seus amigos não compreendiam que nem a tradição e nem a experiência, podem ser postas acima de Deus e sua Palavra. Deus é onipotente e bem presente na vida daqueles que o temem.

 

 

Conclusão:

Nesta lição aprendemos um pouco sobre a visão teológica de Bildade, que era carregada de tradicionalismo humano, vigiemos, pois, para que nosso conhecimento teológico não seja como o de Bildade, pautado em achismos e tradições humanas.

 

 

 

Fontes

 

Enciclopédia Bíblica R. N. Champlin,

Bíblia de Estudo Pentecostal,

 Revista Cristão Alerta 4 ° Trimestre de 2020,

Jó e seus amigos – Charles Henry Mackintosh,

A fragilidade Humana e a Soberania Divina (livro de apoio),

Comentário Bíblico Africano,

Comentário Bíblico Russel Shedd,

Apontamentos teológicos professor José Junior