14 de novembro de 2017

SALVAÇÃO E LIVRE ARBÍTRIO


SALVAÇÃO E LIVRE ARBÍTRIO

TEXTO ÁUREO - Qual é o homem que teme ao Senhor? Ele o ensinará no caminho que deve escolher. (SI 25.12)
                                                                    

VERDADE PRÁTICA - O projeto primário de Deus foi salvar a humanidade. Todavia, de acordo com sua soberania, concedeu o livre-arbítrio ao homem.

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – João 3. 14-21


HINOS SUGERIDOS: 27, 41,124 da Harpa Cristã


INTRODUÇÃO

Livre-arbítrio significa a tomada de decisão humana para a salvação conquistada por Jesus na cruz do calvário. A salvação éoferecida a todos os seres humanos indistinta e gratuitamente (Ap 22.17) e por uma escolha pessoal e livre de cada um. Todos os que a aceitam serão salvos e predestinados à vida eterna, pois Ele quer que todos sejam salvos (2 Pe 3.9).


Essa maneira de pensar a Soteriologia é professada pelos pentecostais e teve sua origem em Jacó Armínio (1560—1609), sendo também explicada depois por John Wesley (1703—91) e John William Fletcher (1729—85). Logo, a doutrina calvinista é rejeitada por estes, tornando-se incompatível com a Teologia Pentecostal, não necessariamente por não poder conviver com esta, mas especialmente porque o calvinismo nega algumas dinâmicas do pentecostalismo, como será visto adiante, sendo, assim, irreconciliáveis.

Essa declaração é necessária porque o calvinismo é, majoritariamente, cessacionista.’ Portanto, de forma subjetiva, estão fazendo os pentecostais abdicarem da doutrina mais cara ao pentecostalismo, que é o batismo no Espírito Santo.

Os pentecostais também rejeitam a doutrina de Calvino por ela ser fatalista, muito acomodatícia quanto ao evangelismo, supondo certa injustiça em Deus, além de sugerir uma robotização humana; pode levar à acomodação quanto à santificação e ao empenho para a salvação de outros.


Por isso, aproximam-se mais da doutrina de Armínio, mas isso não significa que toda a Teologia arminiana possa ser aceita sem qualquer problema. Este capítulo, entretanto, não sepropõe a encontrar essas falhas, mas simplesmente apontar a coerência existente entre a doutrina arminiana e a Teologia Pentecostal.

Os cessacionistas não podem crer na revelação e inspiração interior porque isso vai contra suas teorias e teologias dogmatizadas e afirmadas há séculos. Essas teorias não têm mais respostas às perguntas modernas. Certamente que a ortodoxia é necessária, bem como a antiguidade dos preceitos religiosos diante da volatilidade e liquidez da atualidade, em que nada mais é estável, causando grande desconforto e insegurança nesse sentido. A religião cristalizada — nesse caso o calvinismo é importante, pois estabiliza o sujeito e toma-se uma das últimas instituições não afetadas pelo pós-modernismo.


É bom recomendar que não se façam disputas entre calvinismo e arminianismo, mas que se exercite a tolerância cristã e o respeito nas questões divergentes, que são muitas. Até porque os irmãos calvinistas são acusados por alguns, dada a ênfase fundamentalista de suas doutrinas, que são intolerantes; eles são levados ao orgulho espiritual por serem os predestinados;2 sua ação evangelística é quase nula e isolam-se das demais igrejas. O calvinismo também confessa uma pureza doutrinária acima das demais teologias evangélicas, pureza esta que acaba tomando-se um meio de auto-salvação.

Apesar disso, há, também, alguns pontos de contato entre as doutrinas. Suas Daniel afirmou “que o calvinismo honra a Deus tanto quanto o arminianismo, claramente estou me referindo ao calvinismo majoritário, compatibilista (o outro extremo é o fatalista).” Há pontos de contato especialmente no pentecostalismo mais popular, onde há “certo fatalismo quando se trata de ‘causas e consequências”, especialmente diante de grandes tragédias. A frase “Deus assim quis” é muito comum sem levar em conta a lógica da afirmação em alguns contextos.


Muito embora se afirme em alguns círculos pentecostais, especialmente no Brasil, que os calvinistas praticam o “parisitismo teológico”, ou seja, para sobreviver teologicamente e enquanto igreja, precisam firmar-se numa teologia diferente, eles, nesse sentido, estão “evangelizando” os pentecostais. Deve-se destacar também que a ortodoxia cristã tem uma grande dívida para com a teologia reformada na luta contra as teologias liberais.


Algumas correntes neocalvinistas podem ser mais moderadas e possíveis de um diálogo com pentecostais, mas não deixam de afirmar o cessacionismo.


A título de resumo do calvinismo, pode afirmar-se que este segue a linha de pensamento de Agostinho quanto à salvação, onde a liberdade das escolhas humanas está limitada à vontade de Deus, afirmando que o homem é cativo ou de Deus ou do Diabo. Essa mesma linha de pensamento foi esboçada por Martinho Lutero (1486—1546) no início da Reforma (séc. XVI), embora Filipe Melâncton (1497—1560), seu sucessor, apoiasse o sinergismo.

Armínio escreveu que não poderia concordar com o calvinismo, chamando-o, então, de repugnante, tendo em vista algumas contrariedades que são: Deus jamais criaria algo, como a predestinação, para a condenação, com o propósito de não ser unicamente bom, ou seja, “que Deus criou algo para a perdição eterna para o louvor da sua justiça”; se Deus predestinasse alguém à perdição, seria para demonstrar a glória de sua misericórdia e da sua justiça, mas Ele não pode demonstrar tal glória através de um ato contrário à sua misericórdia e justiça, como a predestinação à condenação; se Deus condenasse os seres humanos desde a sua criação, Ele quereria o maior mal para as suas criaturas e teria predeterminado, desde a eternidade, o mal para elas, mesmo antes de conceder-lhes qualquer bem; assim.


Deus quis condenar e, para que pudesse fazer isso, Ele quis criar, embora a própria criação é uma demonstração de sua bondade; entretanto, contrariando essa ideia espúria, Deus confere bênçãos e beneficios sobre o mau e o injusto e até sobre aqueles que são merecedores de punição; o pecado é chamado de desobediência e rebelião; logo, Deus teria colocado alguns sob uma necessidade inevitável de pecar, o que seria impossível; a condenação é consequência do pecado; este, entretanto, sendo causa, não pode ser colocado como meio pelo qual Deus executa o decreto ou a vontade de reprovação dos seres humanos; a predestinação tem um paradoxo intransponível, que é o fato de os pecadores destinados à condenação terem sido condenados antes mesmo de Jesus ter sido predestinado, muito embora Ele tenha sido morto desde a fundação do mundo para ser o salvador; isso desonra a Cristo e sua obra; se a salvação de alguns já tinha sido preordenada, Ele, então, foi apenas um ministro e um instrumento para dar-nos a salvação, assumindo um protagonismo secundário, e sua morte foi desnecessária, pois, quem fosse destinado à salvação seria salvo do mesmo jeito.


Recentemente, tem havido uma aproximação ao calvinismo por parte de alguns pentecostais mais intelectualizados, mas isso se deve mais a uma lacuna pentecostal histórica quanto à educação teológica sólida, que deixou uma classe intelectualizada mais abandonada, do que propriamente a habilidade de fazer coadunar as duas teologias.

A ELEIÇÃO BÍBLICA É SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DIVINA

Eleição é a escolha que Deus faz para com grupos ou indivíduos com fins específicos determinados por Ele no caso aqui abordado, para a salvação. Uma das palavras hebraicas para eleição, yãdha tem uma conotação amorosa no sentido de que Deus elege não simplesmente por uma mera escolha, mas especialmente porque seus afetos levam- no a escolher as pessoas para a salvação. Essa mesma palavra é usada quando o Antigo Testamento refere-se a um casal que teve relações sexuais, ou seja, há um envolvimento de afetos.

A eleição amorosa também está presente num termo grego usado por Paulo (Rm 8.29), proginõskõ, que expressa o sentido de que Deus amou de antemão. Tendo em vista esse amor, Paulo escreveu poeticamente:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8.35-37). Assim, segundo a doutrina arminiana, Deus elegeu e destinou todos para a salvação (Jo 3.14-16; 1 Pe 2.9), “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.15).

No Antigo Testamento, a Eleição tem um significado mais específico do que no Novo Testamento. Exemplo disso é a escolha de Abraão e sua descendência, que, depois, vieram a formar a nação de Israel. Deus chamou o patriarca e fez-lhe promessas, e este livremente respondeu ao chamado; porém, diante dele, estava a possibilidade de não atender ao convite. A eleição de Israel (Is 51.2; Os 11.1) e alguns indivíduos dela, de maneira específica, é pontual na história porque Deus tinha o propósito de, através dessa nação, trazer o Salvador. Por ser uma eleição pontual, ela não pode servir de base, em se tratando de salvação, para estabelecer uma eleição absoluta e específica apenas para determinadas pessoas e outras não.


A liberdade de escolha para obedecer que Deus deu para Israel e a desobediência e rebeldia do povo fizeram eles perderem algumas das bênçãos prometidas (Jr 6.30; 7.29) e, assim, servissem-nos de exemplo para não repetirmos os mesmos erros (1 Co 10.6,11).


Por mais que pareça, a eleição não trouxe privilégios para a nação de Israel, mas, sim, responsabilidades. No entanto, por não conseguir cumprir sua parte na eleição, Israel nunca deixou de ser alvo do amor de Deus, embora sofresse as consequências (destruição da nação) por não agirem como povo escolhido.


A eleição divina é o ato pelo qual Deus chama os pecadores para a salvação em Cristo e toma-os santos (Rm 8.29-30). Essa eleição é proclamada através da pregação do evangelho (lo 1.11; At 13.46; 1 Co 1.9), e Deus deseja que todos sejam salvos e respondam afirmativamente ao chamado para a salvação (At 2.37; 1 Tm 2.4; 2 Pe 3.9). Os que crerem serão salvos; os que não crerem, porém, serão condenados (Mc 16.16). Alguns, ao ouvirem o evangelho, se endurecem ainda mais em seus pecados (lo 1.11; At 17.32) e perdem a oportunidade de salvação.

Presciência é a capacidade que Deus tem de saber todas as coisas de antemão (At 22.14; Rrn 9.23) e também de interferir na história humana (Ne 9.2 1; Si 3.5; 9.4; Hb 1.3). Ele é soberano (Jó 42), provedor (Si 104) e também sabe quem irá responder positivamente ao convite para a salvação (Rm 8.30; Ef 1.5). Ele proveu a salvação para todos, mas nem todos atendem ao seu convite, pois Ele mesmo, cm sua bondade, deu para seus filhos a possibilidade da escolha.


Assim, Deus cortou Israel (Mt 21.43) por escolha deles e enxertou os salvos em seu lugar, e foram esses saivos que se tornaram o Israel de Deus (Rm 11.17-24). Em sua soberania, estamos sob os cuidados e a presciência de Deus, mas também desfrutamos paradoxaimente da liberdade do livre-arbítrio dado por Ele, e isso aumenta a responsabilidade humana em obedecer aos seus mandamentos (Ap 3.20). “Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer neie” (Hb 10.3 8).

Eleição é uma decisão de Deus desde a eternidade, mas é condicionada à vontade humana. Entretanto, essa vontade não prejudica em nada a vontade de Deus. Ele não é pego de surpresa diante da livre vontade humana, pois Ele previu essa vontade. Podemos com toda a certeza afirmar que o que Deus predestinou foi, de fato, a vontade humana, no sentido de eia ser completamente livre, ou seja, Ele criou o homem determinando que este teria liberdade de escolhas.


“Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito e fé da verdade” (2 Ts 2.13), Antonio Gilberto ensina que “na Bíblia, mencionam-se a eleição divina coletiva, como a de Israel (Is 45.4; 4 1.8-9) e a da Igreja (Ef 1.4); e a individual, como a de Abraão (Ne 7.9) e a de cada crente (Rm 8.29).


Severino Pedro propõe outra forma. Ele classifica a eleição de quatro maneiras: preventiva, quando Deus usa de vários meios para impedir o mal na vida dos que são chamados e atendem à sua salvação (Gn 20.6); permissiva, que diz respeito às coisas que Deus não proíbe nem restringe, mas fica na vontade do homem (Dt 8.2); diretiva, que se baseia na vontade perfeita de Deus dirigindo a vontade humana (Gn 50.20); e determinativa, que é quando Deus decide e executa conforme a sua soberana vontade (ló 42.2).

ARMÍNIO E O LIVRE-ARBÍTRIO


O livre-arbítrio foi desenvolvido por Jacó Armínio após ele ter sido chamado a refutar os escritos do teólogo DirckVolkertsz. Koornhert (1522—90), quando este atacou a doutrina calvinista da predestinação;h1 mas, ao estudar profundamente o assunto e as soteriologiassinergistas dos pais da igreja como, por exemplo, Ambrósio (337—97 d.C.) e Tertuliano (160—220 d.C.), Armínio chegou à conclusão que Koomhert tinha razão e passou a defender a doutrina hoje chamada arminiana. Entretanto, perceba que mesmo o arminianismo é uma doutrina que estuda a predestinação humana, cujo ponto mais divergente do calvinismo é a atuação da graça para a salvação do homem, no sentido de se a decisão é humana ou divina para isso.


A doutrina arminiana desse ponto afirma que, “não apenas, portanto, a cruz de Cristo é necessária para solicitar e obter a redenção, como a fé na cruz também é necessária para obter a posse dessa redenção.”


Jacó Armínio (Jakob Hermanszoon) nasceu na Holanda em 1560, foi pastor de uma igreja em Amsterdã e recebeu o título de doutor em Teologia pela Universidade de Leiden. Sua principal defesa doutrinária é o livre-arbítrio humano. Por causa de seu posicionamento, enfrentou forte oposição, perseguição e falsas acusações por parte dos calvinistas. Sua reação, porém, sempre foi de uma postura tolerante e não combativa, embora convicto de suas opiniões.


Armínio escreveu inúmeras obras. Em português, temos três grandes volumes traduzidos pela CPAD que defendem o sinergismo na salvação (crença na cooperação divino-humana) contra o monergismo (Deus é quem determina a salvação e quem se salvará, excluindo a participação humana). A monergista foi retomada por João Calvino e seus seguidores a partir de Agostinho de Hipona.

O livre-arbítrio é a possibilidade que os seres humanos têm de fazer escolhas e tomar decisões que afetam seu destino eterno, especificamente quando se trata de sua salvação, ou sej a, cabe a cada um deixar-se convencer pelo Espírito Santo e ser salvo por Jesus ou não, embora Deus dê para todos a oportunidade da salvação. Se não houvesse livre-arbítrio, a culpa humana seria algo quase impossível, pois não haveria também liberdade de escolha.


No Jardim do Éden, Deus outorgou a possibilidade da escolha ao homem (Gn 2.16-17). A Caim, Ele afirmou que o pecado jaz à porta como primeira evidência de escolhas após o Jardim do Eden (Gn 4); a Israel, Ele deu a prerrogativa da escolha (Dt 30.19), e à toda a humanidade, Ele também deu a possibilidade de escolher entre salvação e perdição (Mc 16.16).


Uma vez que escolhemos a Deus, abrimos voluntariamente mão da dádiva do livre-arbítrio. A partir daí, não temos mais escolhas no sentido salvífico da questão. Deus é quem nos direciona, e continuar fazendo as próprias escolhas sem a direção divina não significa exercer livre-arbítrio, mas, sim, desobediência. Abrir mão do livre-arbítrio para viver e ser direcionado por Deus é uma das mais lindas provas de amor que podemos dar a Ele, muito embora ainda continuemos livres.

Deus criou-nos a sua imagem e semelhança (Gn 1.26); logo, por ser Ele um ser livre, seus filhos também escolhem livremente; a Israel, Ele incentivou escolher ouvir a sua voz (Dt 30.19-20). Em Adão, todos são predestinados para a perdição e, em Cristo, todos são predestinados para a salvação: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1 Co 15.22; Jo 1.12). O Pr. Esequias Soares, na apresentação de “As Obras de Armínio”, fez um resumo da doutrina arminiana da seguinte forma:

No Brasil, prevalece o entendimento da teologia de Armínio no tocante à salvação, respaldado nos seguintes pontos: a predestinação se fundamenta na presciência de Deus, e não é um determinismo divino que aponta quem vai para o céuou não; Cristo morreu por todos indistintamente, mas apenas aqueles que crerem serão salvos; a pessoa que vai ser salva depende da graça de Deus, pois, por si mesma, não tem a capacidade de crer; a graça de Deus no tocante à salvação pode ser resistida pelo pecador.


Alguns pontos centrais do arminianismo devem ser expostos, os quais são: que o homem não regenerado é escravo do pecado e incapaz de servir a Deus com suas próprias forças (Rm 3.10-12; Ef 2.1-10). E através da graça preveniente que a depravação total, resultante do pecado original, pode ser suplantada, de maneira que o ser humano poderá, então, corresponder com arrependimento e fé quando Deus atraí-lo a si. O livre-arbítrio é decorrente da ação da graça preveniente. Vem de Deus a capacidade de arrepender-se e ter fé para ser salvo.


É a graça que inicia a salvação promovendo-a, aperfeiçoando-a e consumando-a, pois é ela que ordena os interesses, os sentimentos e a vontade; é ela que provê bons pensamentos, inspira bons desejos e ações, e faz a vontade inclinar-se para a ação de bons pensamentos e bons desejos. O ponto principal da teologia arminiana é, sem dúvida, o conceito de graça resistível da regeneração. A graça é necessária à salvação, mas ela não é condição suficiente e nem garante que a salvação acontecerá. Nesse sentido, Armínio afirma que:Aqueles que são obedientes à vocação ou ao chamado de Deus livremente submeteram-se à graça; eles, porém, foram instigados, impelidos, atraídos e assistidos pela graça. E, no momento preciso em que eles realmente se submeteram, possuíam a capacidade de não se submeterem.


Dessa forma, segundo Armínio, a graça preveniente capacita o homem a submeter-se a Cristo, mas o homem não precisa desejar a Cristo, pois o pecador até é capaz de desejar a Cristo, mas ele pode ainda não querer fazer isso. A capacidade de desejar é dada pelo Espírito Santo portanto, uma obra monergista, pois é Ele que instiga,mas o desejar real, o atender ao desejo, o consentir, é obra sinergista do pecador atuando em cooperação com o Espírito Santo e a graça preveniente de Deus. Assim, “conceder a graça é obra apenas de Deus; consentir com ela é obra do homem, que agora tem o poder de cooperar ou não com c1a”.’ Nesse sentido, Armínio ainda afirma que:


Todas as pessoas não regeneradas têm liberdade de escolha, e uma capacidade de resistir ao Espírito Santo, de rejeitar a graça oferecida por Deus, ou de desprezar o conselho de Deus contra elas mesmas, de se recusar a aceitar o Evangelho da graça, e de não abrir àquEle que bate à porta do coração; e essas pessoas podem, realmente, fazer essas coisas, sem nenhuma diferença entre os eleitos e os reprovados. [...] A eficácia da graça de salvação não é consistente com aquele ato onipotente de Deus, pelo qual Ele age tão interiormente na mente e no coração do homem que aquele sobre quem tal ato acontece não pode deixar de consentir com Deus, que o chama; ou, o que a mesma coisa, a graça não é uma força irresistível.

Armínio, portanto, defende a sinergia entre a atuação do Espírito Santo e a vontade humana quando afirma que o evangelho consiste da junção entre arrependimento e fé e “parcialmente da promessa de Deus de conceder o perdão dos pecados, a graça do Espírito e a vida eterna.


Após a morte de Armínio (19 de outubro de 1609), alguns seguidores redigiram uma declaração de fé em cinco artigos que continham as principais ideias de Armínio, chamada de Os Remonstrantes.20 Eles criaram o acrônimo FA CTS, grafado em inglês, que traduzidos são: Livre pela Graça para crer, Expiação para Todos, Eleição Condicional, Depravação Total e Segurança em Cristo.21 Desses, destacamos dois artigos que interessam ao nosso estudo e que são descritos parcialmente abaixo:

Os cinco pontos de Os Remonstrantes são uma forma de combater os cinco pontos do calvinismo conhecidos como TULIP acróstico da língua inglesa que significa: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e perseverança dos santos. HANCO, Herman; KOEKSEMA, Homer; BAREN, Gise V.

Van. Os Cinco Pontos do Calvinismo. Brasília: Monergismo, 2013.

DANIEL, Suas. Arminianismo: a mecânica da salvação. Rio de Janeiro: CPAD,

2017. p. 8.

Artigo 30 - o homem não tem a fé salvadora de si mesmo nem pelo poder do seu próprio livre-arbítrio, uma vez que está no estado de apostasia e o pecado não pode pensar, desejar ou fazer qualquer bem que seja verdadeiramente bem (como é o caso da fé salvadora) por e mediante si mesmo; mas é necessário que ele seja regenerado por Deus, em Cristo, por meio do seu Santo Espírito, e renovado no entendimento, afeições ou vontade e em todos os poderes, a fim de que possa entender corretamente, meditar, desejar e realizar o que é verdadeiramente bom, de acordo com a palavra de Cristo, “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15.5).


Artigo 40 - [A] graça de Deus é o início, desenvolvimento e a finalização de todo o bem, também o homem regenerado não pode, à parte dessa graça prévia ou auxiliadora, despertadora, consequente e cooperativa, pensar, desejar ou fazer o bem ou resistir a qualquer tentação para o mal; assim é que todas as boas obras ou atividades que podem ser concebidas devem ser atribuídas à graça de Deus em Cristo. Mas, com relação ao modo dessa graça, ela não é irresistível, desde que está escrito a respeito de muitos que resistiram ao Espírito Santo (At 7.51) e em outras partes em muitos lugares.

Uma das coisas que muito aproximam a doutrina arminiana do jeito de ser pentecostal é que, com a rejeição do determinismo divino por parte deste, tem-se uma possibilidade mais concreta de estabelecer- se um relacionamento pessoal, dinâmico e responsivo entre Deus, as criaturas humanas e o mundo.

ELEIÇÃO DIVINA E LIVRE-ARBÍTRIO

Paradoxalmente, a Bíblia afirma a predestinação e o livre-arbítrio em relação à salvação.

“A ênfase inconsequente à soberania de Deus no tocante à salvação leva a pessoa a crer que a sua conduta e procedimento nada têm a ver com a sua salvação. Por outro lado, a ênfase inconsequente ao livre-arbítrio do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas.


A eleição é uma escolha soberana de Deus (Ef 1.5,9), que tem por base o seu amor por todos os seres humanos (1 Tm 2.3-4). Não pode ser obra alcançável por qualquer mérito (Rm 9.11, 15-18) e é feita exclusivamente em Cristo (Ef 1.4). Essa eleição é operada para que nos tornemos a imagem de Cristo (Rm 8.29) e para andarmos em santidade.

Deus elegeu a cada um de nós com propósitos específicos (Ef 1.18) e deseja que esses propósitos sejam atendidos. Ele também nos chamou para sermos de Cristo (Rm 1.6; 1 Co 1.9), para a santificação (Rm 1.7; 1 Pe 1.15; 1 Ts 4.7; Ef 1.4), para a liberdade (Gl 5.13), para apaz (1 Co 7.15), para o sofrimento (Rm 8.17-18) e para a glória (Rm 8.30).

A graça preveniente (Rm 5.18), estendida a todos os seres humanos, abre-lhes a oportunidade de crerem no evangelho. Isso descarta a possibilidade de a eleição ser uma ação fatalista de Deus, destinada apenas a alguns indivíduos, enquanto os demais se perderão no Inferno por uma escolha divina. Se isso fosse verdade, Deus seria muito cruel e atestaria contra seu amor. Por isso, Ele dá a oportunidade para que todos sejam salvos indistintamente (At 17.30), pois Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Assim, a escolha humana colabora quanto à consequência eterna (Mc 16.16).

Vários textos bíblicos apontam para o fato de que o ser humano é livre para escolher: “[...] para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16); “[...] o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6.37); “[...] todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.1 3);25 etc. Como Deus afirmaria todas essas coisas se os salvos já tivessem sido escolhidos? Deus não quer filhos que sejam robôs autômatos controlados por Ele, ou que se salvem simplesmente porque Ele predestinou apenas alguns para a salvação. O desejo dEle é que todos se salvem. O Senhor prefere a gratuidade do coração humano, que se volta para Ele não por aquilo que Ele dá ou determina previamente, mas por aquilo que Ele é. Nisso, Ele é glorificado.


Transcrevo outros textos bíblicos que corroboram com o arminianismo: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16). “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” (1 Co 1.21).

É saudável para a Teologia e para a fé cristã que alguns temas permaneçam em tensão polarizada, pois nem tudo o que diz respeito a Deus é explicável, nem é possível destrinchar racionalmente — se o fosse, Ele deixaria de ser Deus e, então, o mistério seria perdido. Nesse sentido, algumas coisas divinas são paradoxais e, humanamente falando, não podem conviver de forma lógica.


Ser paradoxal, no sentido de transcender a mente humana, é uma característica divina. Montar um “quebra-cabeça” divino com alguns textos bíblicos é forçar o texto a dizer o que ele não diz. Por isso, é preciso respeito quando existem paradoxos intransponíveis. Isso nos toma mais humildes diante do mistério. A melhor forma de lidarmos com questões complexas é deslocarmos essas questões para a vida, para a subjetividade da experiência e, assim, aprenderemos a tolerar quem pensa de forma diferente.

Abaixo, segue um quadro comparativo entre as três principais correntes da doutrina da salvação, quanto a vários temas que demonstram as tensões e questões conflitantes entre elas.


É lógico que há muitas variantes desses três modelos. Procuramos falar aqui das correntes clássicas, sem levar em conta o semipelagianismo e os vários calvinismos como o neopuritano, o neo-ortodoxo, o neocalvinista, o hiper-calvinista, o fatalista. Além disso, sabe-se que “os tipos ideais possuem uma coerência, que evidentemente não é possível encontrar na realidade.” (MARIZ, Cecília Loreto. A Sociologia da Religião de Max Weber. In: TEIXEIRA, Faustino (Org.). Sociologia da religião:

enfoques teóricos. Petrópolis: Vozes, 2007. p. 78)


Pelágio foi um monge (séculos IV e V) que ensinava que os seres humanos nasciam inocentes, sem a mancha do pecado original e nem com o pecado herdado. Ele acreditava que o pecado de Adão não tinha afetado as gerações futuras da humanidade, sendo conhecida como Pelagianismo. Sua doutrina afirmava ainda que: o pecado de Adão agrediu somente a ele, e não toda a raça humana; as crianças recém-nascidas estão no mesmo estado que Adão antes da Queda; toda a raça humana não morre por causa do pecado de Adão; e não irá ressuscitar por causa da ressurreição de Cristo; a lei oferece, tanto quanto o evangelho, entrada no Reino dos céus; antes mesmo da vinda de Cristo, havia homens completamente sem pecado.


Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I - Em Dourados – MS

Livro A Obra da Salvação Claiton Ivan Pommerening 1º. Edição CPAD 2017

7 de novembro de 2017

A Salvação pela Graça


A Salvação pela Graça

 TEXTO ÁUREO = "Pois assim como por uma só ofensa veio ajuízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida." (Rm 5.18)

VERDADE PRÁTICA = A nossa salvação é fruto único e exclusivo da graça de Deus.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Ef 2.8,9: Salvos pela graça mediante a fé

Terça – Rm 4.25: A Ressurreição de Cristo: o triunfo da graça sobre a morte e o pecado

Quarta – 1Tm 1.14: A Graça de Deus transborda em nós

Quinta – At 15.10,11: Somente pela graça somos salvos

Sexta – Gl 2.16: Nenhuma obra meritória garante a salvação

Sábado – Rm 5.20,21: Onde havia o pecado a graça de Deus  o suplantou

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE  = Romanos 5.6-10,15,17,18,20; 11.6

6 Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

7 Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.

8 Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

9 Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

10 Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

15 Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.

17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.

18 Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

20 Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça.

Romanos 11:6

6 Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.

HINOS SUGERIDOS: 291, 330, 491 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Saber que a nossa salvação é fruto único e exclusivo da graça de Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo l refere-se ao tópico l com os seus respectivos subtópicos.

I- Explicar o propósito da Lei e da graça;

II- Discutir a respeito do favor imerecido de Deus;

III- Salientar para o escândalo da graça.

INTRODUÇÃO

Inicie o estudo da lição fazendo a seguinte pergunta: “Jesus aboliu a lei?” Ouça os alunos com atenção e incentive a participação de todos. Em seguida peça que leiam Mateus 5.17-20 (o Texto Bíblico da Lição). Depois, explique que este texto mostra a expressa e total obediência de Jesus à lei do Antigo Testamento, pois a lei não poderia ser anulada. Porém, explique que a “lei que o crente é obrigado a cumprir consiste nos princípios éticos e morais do Antigo Testamento (Rm 3.31; Gl 5.14); bem como nos ensinamentos de Cristo e dos apóstolos (1 Co 7.19; Gl 6.2). Essas leis revelam a natureza e a vontade de Deus para todos e continuam em vigor. As leis do Antigo Testamento destinadas à nação de Israel, tais como as leis sacrificais, cerimoniais, sociais ou cívicas, já não são obrigatórias (Hb 10.1-4)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1393).

“A LEI A GRAÇA

O Senhor Jesus cumpriu toda a lei, os preceitos morais, cerimoniais e civis (Mt 5.17, 18). Os Dez Mandamentos com todos os seus juízos e ordenanças foram abolidos, o apóstolo Paulo é muito claro quando fala que “o ministério da morte, gravado com letras em pedras... era transitório” (2 Co 3.7, 11). No entanto, a verdade moral contida no sistema mosaico, como disse o teólogo Chafer, “foi restaurada sob a graça, mas adaptado à graça e não à lei”. Isso diz respeito a sua função e não compromete a sua autoridade como revelação de Deus e parte das Escrituras divinamente inspiradas (2 Tm 3.16, 17).

 

A lei diz “Fareis conforme os meus juízos e os meus estatutos guardareis, para andardes neles” (Lv 18.5). O Senhor Jesus e o apóstolo Paulo citaram essa passagem como meio hipotético de salvação pela observância da lei (Mt 19.17; Gl 3.11). Mas ninguém jamais conseguiu cumprir toda a lei, exceto Jesus. O mais excelente dos rabis de Israel só conseguiu 230 pontos dos 613 preceitos da lei. A lei diz “faça e viva”, no entanto, a graça diz “viva e faça”. Por esta razão os cristãos estão debaixo da graça, e não da lei (Rm 6.14; Gl 3.23-25). A lei não tem domínio sobre nós (Rm 7.1-4).

Perguntaram a Jesus o que se deve fazer para executar a obra de Deus. A resposta não foi guardar o sábado, nem a lei e nem os Dez Mandamento, mas exercer fé em Jesus (Jo 6.28, 29). Essa doutrina é ratificada mais adiante (1 Jo 3.23, 24). Jesus falou diversas vezes sobre o novo mandamento, a lei de Cristo, o amor operado pelo Espírito Santo na vida cristã (Jo 13.34; 14.15, 21; 15.10). O Senhor Jesus não incluiu o sistema mosaico na Grande Comissão, ele disse para: “guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.28). O mandamento de Cristo é a fé nele, é a lei do amor (Rm 13.10; Gl 5.14) e não a letra da lei.

O QUE SIGNIFICA CUMPRIR A LEI?

Jesus disse que veio cumprir a lei e os profetas (5.17). O que significa isso? O verbo grego para “cumprir” é pleroo e significa “cumprir, completar, encher”. Devemos recordar o sentido de torah, como instrução revelada no Sinai. O Antigo Testamento contém instrução e doutrina sobre Deus, o mundo e a salvação, mas sua revelação é parcial. A manifestação do Filho de Deus tornou explícito o que antes estava implícito, e assim o Senhor completou a revelação (Hb. 1.1, 2).

Jesus iniciou o seu ministério terreno dizendo, “o tempo está cumprido” (Mc 1.14). Diversas vezes encontramos no Novo Testamento declaração como: “Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura” (Jo 19.36) ou fraseologia similar, principalmente no evangelho de Mateus (Mt 1.22; 2.17, 19; 4.14) dentre outras citações. As profecias se cumpriram em Cristo.

O SENHOR JESUS VIVEU A LEI

O Senhor Jesus cumpriu o sistema cerimonial da lei na sua morte (Mt 27.50, 51; Lc 24.46). As instituições de Israel com suas festas, os holocaustos e os diversos tipos de sacrifícios da lei de Moisés eram tipos e figuras que se cumpriram em Cristo (Hb 5.4, 5; 1 Co 5.7). Assim, as cerimônias cessaram, mas o significado foi confirmado (Cl 2.17).

Lutero dizia que a função civil da lei ainda continua para manter a ordem e o bem-estar da sociedade. Segundo Martyn Lloyd-Jones, Jesus cumpriu também o sistema jurídico da lei. Com sua morte, ele transferiu os privilégios de Israel para a Igreja (Êx 10.6,7; 1 Pe 2.9, 10). Jesus disse às autoridades judaicas: “O Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos” (Mt 21.43). Com isso, Israel deixou de ser um estado teocrático. A Igreja é a plataforma de Deus na Terra para anunciar a verdade (1 Tm 3.15).

Os Dez Mandamentos são representados pelos dois grandes mandamentos: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mc 12.28-32). Na verdade, toda a lei e os profetas nisso se resumem (Mt 22.40). Trata-se de uma combinação de duas passagens da lei (Dt 6.4, 5; Lv 19.18). São preceitos que foram resgatados na nova aliança e adaptados à graça de modo que a Igreja segue a lei de Cristo, a lei do amor, e não o sistema mosaico (Rm 6.14; 13.9, 10; Gl 5.18). O Senhor Jesus cumpriu todos esses mandamentos durante a sua vida terrena.

A LEI NÃO PODE SER REVOGADA

Talvez o discurso de Jesus sobre as bem-aventuranças tivesse deixado dúvida sobre a posição de Cristo a respeito da lei e dos profetas. Ele não era um reacionário; nasceu conforme a lei e viveu de acordo com ela (Lc 2.21-24; 4.15, 16; Gl 4.4). Jesus falou de maneira direta que não veio revogar a lei e nem os profetas, mas veio para os cumprir (Mt 5.17). Havia chegado o momento de esclarecer seu pensamento sobre a lei.

Jesus disse que “até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.18). O jota é a menor letra do alfabeto hebraico; ocupa a metade da linha na escrita, é a décima letra e se chama iode. O til é um sinal diacrítico para distinguir uma letra da outra. Nenhuma parte da lei passará, nenhuma uma letra ou parte dela ficará em desuso até que tudo se cumpra. Como disse John Stott, “a lei tem a duração do universo”.

A LEI E O EVANGELHO

Ninguém é justificado pelas obras da lei (Rm 3.18; Gl 2.16). A função dela não é salvar, mas nos conduz a Cristo (Gl 3.11, 24). Ela veio para revelar e condenar o pecado (Rm 3.20; 7.7). Deve o cristão anular a lei? A resposta paulina é: “De maneira nenhuma! Antes estabelecemos a lei” (Rm 3.31). O que isso significa? Que a fé cristã não é antinomianista, do grego anti“contra”; nomos“lei”, diz respeito aos que erroneamente pregavam que a graça dispensa a obediência. O apóstolo refutou tal ideia a vida inteira (Gl 5.13).

O termo “lei” na língua hebraica é torá e isso já foi estudado na lição 1. Ali aprendemos também que esta palavra vem de um verbo que significa “instruir, ensinar”. Por essa razão, a palavra “lei”, às vezes, refere-se às Escrituras Sagradas (1 Co 14.21). Esse parece ser o sentido aqui, o apóstolo Paulo estava falando do Antigo Testamento (Rm 3.19). Mas, a possibilidade de uma aplicação ao Pentateuco não é descartada, nesse caso, a frase “antes estabelecemos a lei” (Rm 3.31b) não significa servidão ao sistema mosaico, mas que a fé confirma a lei, visto que o evangelho justifica aqueles que a lei condena (Rm 8.4; 13.10).

Jesus não está desafiando os seus discípulos a seguirem os escrúpulos legalistas dos escribas e fariseus quando afirma: “se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus” (Mt 5.20).

Mas, que a vida no Espírito requer comunhão com Deus de maneira abundante e profunda que nenhum dos rabis experimentou (Rm 8.8-11)” (SOARES. Esequias. Os Dez Mandamentos: Valores Divinos para uma sociedade em constante mudança. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014).

O FAVOR IMERECIDO DE DEUS

A salvação do homem é vista pelas religiões do mundo inteiro apenas de dois modos: o homem é salvo pelos seus méritos ou pela graça de Deus. A salvação é um caminho aberto pelo homem da terra ao céu ou é resultado do caminho que Deus abriu do céu à terra. O homem constrói sua própria salvação pelo seu esforço ou recebe a salvação como dádiva imerecida da graça divina. Não existe um caminho alternativo nem uma conexão que funde esses dois caminhos. É impossível ser salvo ao mesmo tempo pelas obras e pela graça; chegar ao céu pelo merecimento próprio e ao mesmo tempo através de Cristo.

A soberana graça de Deus é o único meio pelo qual podemos ser salvos. Os reformadores ergueram a bandeira do Sola Gratia, em oposição à pretensão do merecimento humano. Queremos destacar quatro pontos importantes no trato dessa matéria.

1. A graça de Deus é um favor concedido a pecadores indignos. Deus não nos amou, escolheu, chamou e justificou por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. A causa da salvação não está no homem, mas em Deus; não está no mérito do homem, mas na graça de Deus, não está naquilo que fazemos para Deus, mas no que Deus fez por nós. Deus não nos amou porque éramos receptivos ao seu amor, mas amou-nos quando éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Deus nos escolheu não por causa da nossa fé, mas para a fé; Deus nos escolheu não porque éramos santos, mas para sermos santos; não porque praticávamos boas obras, mas para as boas obras; não porque éramos obedientes, mas para a obediência.

2. A graça de Deus é concedida não àqueles que se julgam merecedores, mas àqueles que reconhecem que são pecadores. Aqueles que se aproximam de Deus com altivez, cheios de si mesmos, ostentando uma pretensa espiritualidade, considerando-se superiores e melhores do que os demais homens, são despedidos vazios. Porém, aqueles que batem no peito, cônscios de seus pecados, lamentam sua deplorável condição e se reconhecem indignos do amor de Deus, esses encontram perdão e justificação. A graça de Deus não é dada ao homem como um prêmio, é oferta imerecida; não é um troféu de honra ao mérito que o homem ostenta para a sua própria glória, mas um favor que recebe para que Deus seja glorificado.

3. A graça de Deus não é o resultado das obras, mas as obras são o resultado da graça. Graça e obras estão em lados opostos. Não podem caminhar pela mesma trilha como a causa da salvação. Aqueles que se esforçam para alcançar a salvação pelas obras rejeitam a graça e aqueles que recebem a salvação pela graça não podem ter a pretensão de contribuir com Deus com suas obras.

A salvação é totalmente pela graça, mediante a fé, independente das obras. As obras trazem glória para o homem; a graça exalta a Deus. A graça desemboca nas obras e as obras proclamam e atestam a graça. As obras são o fruto e a graça a raiz. As obras são a consequência e a graça a causa. As obras nascem da graça e a graça é refletida através das obras.

4. A graça de Deus é recebida pela fé e não por meio das obras. A salvação que a graça traz em suas asas é recebida pela fé e não por meio das obras. Não somos aceitos diante de Deus pelas obras que fazemos para Deus, mas pela obra que Cristo fez por nós na cruz. A fé não é meritória, é dom de Deus. A fé é o instrumento mediante o qual tomamos posse da salvação pela graça. O apóstolo Paulo sintetiza este glorioso ensino, em sua carta aos Efésios: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.8-10).

O ESCÂNDALO DA GRAÇA

Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Romanos 3:24

Jesus andou na companhia de pessoas de reputação duvidosa (aos olhos humanos) ao invés de se afastar delas, como faziam os fariseus. Por isso o salmista disse que: “[Deus] levanta do pó o pobre, e do monturo ergue o necessitado, para o fazer sentar com os príncipes, sim, com os príncipes do seu povo” (Salmo 113.7-8).

A lógica humana diz: “Deus tem que me abençoar porque sou um bom cristão, dou dízimos, sou admirado pela minha espiritualidade, sou líder de um ministério, tenho um bom comportamento”. Deus diz: “tudo o que faço, faço porque amo o ser humano. As bênçãos que derramo, derramo por causa da minha graça”. Não há mérito nosso no que recebemos de Deus, os méritos são inteiramente de Jesus.

O orgulho leva o ser humano a achar que ele é bom e merecedor da bênção divina. Aí vem Deus, pega alguém lá debaixo e o levanta mais alto do que o orgulhoso e lhe mostra que a graça dele é muito superior ao orgulho humano.

Paulo disse que o Evangelho do Cristo crucificado era um “escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1 Coríntios 1.23). Escândalo para os judeus, mas demonstração de graça para os que creem.

A graça é cura para os de coração quebrantado. A graça é a esperança para os que sofrem, para os que se sentem angustiados, para os que não veem uma luz no fim do túnel. Para esses, Deus diz: “Creia na minha graça, confie no meu amor. Não olhe para a aparência de sucesso de muitos ao seu redor nem para o aparente fracasso que você pensa sobre si mesmo, mas olhe para Jesus”.

A graça de Deus é a coisa mais incompreensível que há no Universo. Creio que é por uma razão: ela tira de nós qualquer possibilidade de mérito e de glória nossa. O agir da graça dá a Deus toda a glória, por isso é tão difícil compreendê-la e por isso ela é tanto escândalo quanto a própria cruz.

CONCLUSÃO

A salvação é uma obra dinâmica efetuada por Cristo na vida do crente. Não é estática porque a operosidade dela no crente não terminou. Estamos desfrutando da graça nesta dispensação divina até a vinda de Cristo.

 

Por.  Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Bibliografia

Teologia Sistemática Pentecostal 2º.  Edição

http://licoesbiblicas.com.br

http://www.ultimato.com.br

Bíblia de Estudo Anotada

Lições bíblicas CPAD 1999

http://estudosbiblicosevangelicos.net

 

1 de novembro de 2017

A Abrangência Universal da Salvação


A Abrangência Universal da Salvação

 TEXTO ÁUREO = "Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele." (Jo 3.17)

VERDADE PRÁTICA = A salvação em Jesus Cristo é de abrangendo universal, pois os que o aceitarem, em todo tempo e lugar, serão salvos pela graça de Deus.

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Gl 5.1: Cristo nos libertou da escravidão do pecado

Terça - Hb 9.28 Cristo ofereceu-se para, de uma única vez, tirar o pecado do mundo

Quarta-  2 Co 5.20: Somos embaixadores da parte de Cristo nesta Nova Aliança

Quinta - Fp 3.20,21: Cristo transformará o nosso corpo de humilhação conforme seu Corpo glorioso

Sexta - Hb 10.16-18: Cristo perdoa todos nossos pecados

Sábado - Rm 8.1,2: Não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – João 3.16-18 = I Timóteo 2: 5,6 =                    Romanos 1.18-20,25-27; 2.1, 17-21

João 3.16-18:

16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

18 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

1Timóteo 2.5,6:

5 Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.

6 O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.

HINOS SUGERIDOS: 220, 287, 305 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Mostrar que a salvação em Jesus Cristo é de abrangência universal.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo l refere-se ao tópico l com os seus respectivos subtópicos.

I - Explicar o que é a obra expiatória de Cristo;

II- Discutir a respeito do alcance da obra expiatória de Cristo;

III- Apontar que Cristo oferece salvação a todos.

PONTO CENTRAL

A salvação em Jesus Cristo é de abrangência universal.

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje teremos a oportunidade de compreender que o pecado, em sua universalidade, atingiu os gentios, os judeus e toda a raça humana. Todos ficaram debaixo do impiedoso jugo do pecado. A necessidade de uma salvação universal, na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo é um tema bastante claro na argumentação do apóstolo Paulo em Romanos 1.18 a 3.20.

Paulo nos mostra em Romanos que tanto os pagãos, que estavam nas trevas do pecado, quanto os judeus, que se orgulhavam de possuir a Lei divina entregue a Moisés no Sinai, estão sob o domínio do pecado. Veremos nesta lição que somente a revelação da justiça de Deus em Cristo Jesus é suficiente para salvar tanto os judeus quanto os gentios.

Dentre tantas promessas descritas nas Escrituras, a promessa da salvação é, sem dúvidas, uma das mais gloriosas. Isto porque, ela não está restrita ou predestinadas à algumas pessoas, mas sim, para toda a humanidade (Jo 3.16; 1Tm 1.15; 2.3,4; Tt 2.11). Nesta lição, veremos o que significa o termo salvação; estudaremos a universalidade do pecado fazendo uma comparação entre o pecado original e o pessoal; apontaremos esta doutrina quanto ao tempo, ao espaço e as barreiras culturais; debruçaremos sobre os três aspectos da salvação; verificaremos a promessa da salvação tanto no AT como NT; e, finalizaremos observando as suas etapas tanto no lado divino quanto no humano.

O QUE É A OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO?

A NECESSIDADE DE EXPIAÇÃO. Deus fez o homem à sua imagem e, como Criador, tem o maior direito de estipular o procedimento correto para a sua criação, e isso ele fez na forma de leis destinadas para o nosso bem (Deuteronômio 10:13).  O pior que podemos fazer é violar a lei de Deus.  A isso chamamos pecado ou transgressão da lei (1 João 3:4).  Os primeiros seres humanos transgrediram e a culpa deles evidenciou-se pela tentativa de se esconderem de Deus. 

A justiça exigia uma pena pelo pecado.  A pena era a morte, a separação de Deus, manifestada pelo afastamento deles do jardim do Éden (Gênesis 3:8, 24).  O pecado continua até hoje, desde aquele primeiro momento ali.  Paulo resumiu a história e as conseqüências do pecado em Romanos 5:12:  "Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram".  Se morremos em nossos pecados, não podemos ir para onde Cristo está (João 8:21, 24).  Vemos, então, que a necessidade suprema de todo homem é ter os pecados expiados, para que receba o perdão dos pecados!

A universalidade e o jugo do pecado. A argumentação de Paulo em Romanos 3.9-20 é que tanto os gentios como os judeus sem Cristo estão debaixo da condenação do pecado (Rm 3.9). A raça humana sem Cristo está sob o domínio do pecado. A expressão grega hüpo hamartían, traduzida como "debaixo do pecado", tem o seguinte sentido: no poder de, debaixo da autoridade de. Essa mesma construção gramatical ocorre em Mateus 8.9. Nessa passagem encontramos o centurião dizendo: tenho soldados hüpo emautón (por debaixo de mim), que em português tem o sentido de às minhas ordens. A ideia de Paulo é mostrar que a humanidade em seu estado natural, separada de Cristo, portanto, sob o domínio do pecado, é incapaz de libertar-se por si mesma.

Há inequívocas declarações nas Escrituras que indicam a pecaminosidade universal do homem (Sl 143.2; Ec 7.20; Rm 3.1-12, 19, 20, 23; Gl 3.22; Tg 3.2; 1Jo 1.8, 10). Várias passagens ensinam que o pecado é herança do homem desde a hora do seu nascimento e, portanto, está presente na natureza humana (Sl 51.5; Jó 14.4; Jo 3.6). Em Ef 2.3 diz o apóstolo Paulo que os efésios eram “por natureza” filhos da ira, como também os demais”. Nesta passagem a expressão “por natureza” indica uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é adquirido. Então, o pecado é uma coisa da própria natureza humana, da qual participam todos os homens e que os fazem culpados diante de Deus. Além disso, de acordo com a Escritura, a morte sobrevém mesmo aos que nunca exerceram uma escolha pessoal e consciente (Rm 5.12-14). A Escritura ensina que todos os homens se acham sob condenação do pecado e necessitam da redenção (BERKHOF, 2000, p.235).

O pecado original ou universal. Originou-se num ato totalmente livre de Adão como o representante da raça humana numa transgressão da lei de Deus e numa corrupção da natureza humana, tornando-se sujeito à punição de Deus (Rm 5.14- 19). É o estado e condição de pecado em que “todos os homens nascem por natureza” (Sl 51.5; 143.2). O pecado não ficou restrito somente a Adão e Eva, mas estendeu-se a toda a raça humana, é o que chamamos de “culpa herdada” (Rm 5.12).

Sendo assim, toda a raça humana passou a ser pecadora. Aos olhos de Deus, o pecado de Adão foi o pecado de todos os seus descendentes, de modo que eles nascem como pecadores, isto é, num estado de culpa e numa condição corrupta. O pecado original tanto é um estado como uma qualidade inerente à corrupção de todos os homens.

 

Devemos estar vigilantes contra o erro de pensar que Deus criou o homem já na condição de pecador e culpar a Deus do mal, ou como alguns afirmam,  que os homens não nascem pecadores, mas sim apenas com a tendência ao pecado, pois isso é uma heresia chamada de pelagianismo (Rm 3.23). Quando Adão pecou ao desobedecer a Deus, toda a raça humana também pecou juntamente (Rm 5.12,16). O único ser cuja natureza humana não se mostrou corruptível (pecadora) desde a sua concepção e nascimento foi o Senhor Jesus Cristo (Hb 4.15; 7.26).

A ABRANGÊNCIA DO PECADO. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Romanos 3.23.

 O que significa ”destituídos da glória de Deus”? Significa que nenhum de nós confiou e estimou a Deus da maneira que deveríamos. Nós não ficamos satisfeitos com a sua grandeza e não andamos em seus caminhos. Temos buscado nossa satisfação em outras coisas, e as tratamos como mais valiosas do que Deus, e isso é a essência da idolatria (Romanos 1:21-23). Desde que o pecado entrou no mundo todos nós temos sido profundamente resistentes a ter Deus como nosso tesouro todo-satisfatório (Efésios 2:3). Isto é uma ofensa terrível contra a grandeza de Deus (Jeremias 2:12-13).

A EXPIAÇÃO DE CRISTO. Como estudamos em lição anterior, os sacrifícios do Antigo Testamento apontavam para a obra expiatória de Cristo, em que uma vítima inocente morreria pelo verdadeiro culpado a fim de remir o pecado e a culpa dele. Enquanto os sacrifícios do Antigo Testamento apenas minimizavam a situação do pecador, a obra expiatória de Cristo resolve de uma vez por todas o grave problema do pecado (Rm 3.23-25).

O ALCANCE DA OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO

A IMPOSSIBILIDADE HUMANA. Cristo realizou muitas obras, porém a obra suprema que ele consumou foi a de morrer pelos pecados do mundo ( do homem ). (Mat. 1:21; João 1:29.) Incluídas nessa obra expiatória figuram a sua morte, ressurreição, e ascensão. Não somente devia ele morrer por nós, mas também viver por nós. Não somente devia ressuscitar por  nós, mas também ascender para interceder por nós diante de Deus. (Rom. 8:34; 4:25; 5:10.).

O evento mais importante e a doutrina central do Novo Testamento resumem-se nas seguintes palavras: "Cristo morreu (o evento) por nossos pecados (a doutrina)" (1 Cor. 15:3). A morte expiatória de Cristo é o fato que caracteriza a religião cristã. Martinho Lutero declarou que a doutrina cristã distingue-se de qualquer outra, e mui especialmente daquela que apenas parece ser cristã, pelo fato de ser ela a doutrina da Cruz. Todas as batalhas da Reforma travaram-se em torno da correta interpretação da Cruz. O ensino dos reformadores era este: quem compreende perfeitamente a Cruz, compreende a Cristo e a Bíblia! É   essa   característica   singular   dos    Evangelhos    que    faz do Cristianismo a única religião; pois o grande problema da humanidade é o problema do pecado, e a religião que apresenta uma perfeita provisão para o resgate do poder e da culpa do pecado tem um propósito divino.

Jesus é o autor da "salvação eterna" (Heb. 5:9), isto é, da salvação final. Tudo quanto a salvação possa significar é assegurado por ele.

CRISTO OCUPOU O LUGAR DO PECADOR.  Havia  certa  relação  verdadeira  entre  o homem e seu Criador. Algo sucedeu que interrompeu essa relação. Não somente está o homem distanciado de Deus, tendo seu caráter manchado, mas existe um obstáculo tão grande no caminho que o homem não pode removê-lo pelos seus próprios esforços. Esse obstáculo é o pecado, ou melhor, a culpa. O homem não pode remover esse obstáculo; a libertação terá que vir da parte de Deus. Para isso Deus teria que tomar a iniciativa de salvar o homem. O testemunho das Escrituras é este: que Deus assim fez. Ele enviou seu Filho do céu à terra para remover esse obstáculo e dessa maneira reconciliou os homens com Deus. Ao morrer por nossos pecados, Jesus removeu a barreira; levou o que devíamos ter levado; realizou por nós o que estávamos impossibilitados de fazer por nós mesmos; isso ele fez porque era a vontade do Pai. Essa é a essência da expiação de Cristo. Considerando a suprema importância deste assunto será ele abordado mais pormenorizadamente em um capítulo à parte.

ALCANCE UNIVERSAL DA OBRA EXPIATÓRIA. Porque Deus é amor (Jo 3.16; 1 Jo 4.8), e não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento (1 Tm 2.4; 2 Pe 3.9), a morte expiatória de Cristo é universal; alguns de seus benefícios são automaticamente estendidos a todos (ex. a libertação da condenação do pecado adâmico) e todos os seus benefícios são para todos que os aceitem (ex. o perdão dos pecados efetivos e a imputação de retidão).

A expiação é universal. Isto não quer dizer que toda a humanidade será salva incondicionalmente, mas que a oferta sacrificial de Cristo, até certa extensão, atendeu às reivindicações da lei divina, de modo a tornar a salvação possível a todos. A redenção, portanto, é universal ou geral no sentido provisional, mas especial ou condicional em sua aplicação ao indivíduo.

CRISTO OFERECE SALVAÇÃO A TODO O MUNDO

Uma Igreja doutrinariamente sadia é aquela que se persevera, sem nenhuma mistura, na doutrina dos apóstolos. O primeiro e importantíssimo passo dessa doutrina é a da Salvação. Não pode haver Igreja e muito menos existirão crentes se não passaram pelo novo nascimento. E isso acontece quando a Palavra de Deus é anunciada com todas as suas verdades através da operação poderosa do Espírito Santo.

 A cruz do nosso Senhor é o grande exemplo de que Ele, antes de partir evangelizou e levou consigo um pecador que pagava pelos seus crimes hediondos. Jesus foi crucificado com dois malfeitores. Em meio à dor e o sofrimento da crucificação um deles blasfema, zomba e O renega. O outro confessa o seu pecado O aceita e O recebe como Salvador e Senhor.

 

Como temos dito em nossos sermões: “Ninguém que tendo ouvido a Palavra de Deus, uma vez que seja, sai da presença do Senhor sem uma tomada de posição. Ou sai crendo nEle e o recebendo ou sai descrendo e negando-O. No entanto, a salvação é oferecida a todos, indistintamente, e o maior exemplo é este da cruz do Calvário. “Cristo Oferece a Grande Oportunidade de Salvação”

SEM OLHAR PARA A CONDIÇÃO MORAL DA PESSOA. A condição do malfeitor era das piores. A palavra já indica: malfeitor. Seus atos foram dos mais perversos e hediondos para levá-lo à pena de morte.

No entanto o Senhor Jesus não olha para quem era ele, simplesmente olha para ele. Conta-se que o Rev. D.L. Moody, o maior evangelista dos Estados Unidos, certa feita pregando na Inglaterra foi abordado por um criminoso que lhe pediu que fosse até sua casa. Moody, apesar dos protestos dos irmãos o acompanhou.

No caminho o criminoso foi contando seus pecados, misérias e vida pervertida. Chegando a casa abriu a gaveta e mostrou-lhe uma arma com a qual havia deixado viúvas e órfãos. “Há salvação para mim?” perguntou ele a Moody.

O velho evangelista abriu a Escritura Sagrada em I João 1.7b: “E o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” A partir daquele momento aquele homem, entendendo o plano da Salvação creu em Jesus. É muito triste quando muitas pessoas preconceituosamente deixam de falar do Evangelho a pessoas por causa da sua condição de pecado. Se assim fosse Jesus não teria salvado ninguém.

Certa feita uma pessoa nos perguntou se estaríamos aceitando uma pessoa como membro da Igreja. Respondemos que Jesus já a havia aceito muito antes de vir para a Igreja, ou melhor, antes a fundação do mundo (Ef 1.4). Quantos perecem por falta de amor e compreensão da parte de muitos que se dizem cristãos, mas que não entenderam que eram tão pecadores como aqueles.

 SEM PROCURAR SABER QUAL É A CONDIÇÃO SOCIAL DA PESSOA. No Seu Ministério terreno o Senhor Jesus teve junto de Si todo tipo de pessoa. Desde um guerrilheiro zelote, como Simão, até um colaboracionista com o Império Romano, como Levi, ou Mateus.

Ele teve ao seu lado crianças e adultos, pobres e ricos, marginalizados, excluídos, bem como príncipes e doutores. À sua mesa todos tinham um pedaço do pão celestial. Pois as migalhas celestiais, oferecidas por Cristo eram muito mais nutritivas e saborosas do que os banquetes terrenos.

Outra coisa triste que vemos é a distinção daqueles que “estão” na Igreja fazem dos menos favorecidos, seja econômica ou socialmente falando. À sua mesa, nas suas rodas de conversas, nas suas viagens, nos seus banquetes, no seu dia a dia só podem ter lugar os que são posicionados na sociedade.

Com Jesus era bem diferente. Comiam com ele prostitutas, ladrões, pecadores, bem como ricos, sábios, poderosos e religiosos fariseus. Quando os cristãos entenderem profundamente a dimensão da graça acolherão a todos, sejam qualificados ou desqualificados, excluídos ou não.

SEM DIZER DA NECESSIDADE DE SE PURIFICAR PRIMEIRO PARA PODER ENTRAR COM ELE NO PARAÍSO. “Hoje estarás comigo no paraíso.” Não da maneira aniquilacionista de determinadas seitas religiosas, e também não, da maneira purificadora no purgatório mas sim: hoje. A suficiência do sangue de Cristo é para perdoar todos os pecados do mundo. Se crermos que alguém que creu nEle aqui na terra terá de passar por purificação, então estamos dizendo que a Sua Obra vicária na cruz é incompleta e insuficiente para lavar, purificar e perdoar todo e qualquer tipo de pecado.

No entanto, a Escritura Sagrada nos mostra que não é assim. O sacrifício do Senhor é suficiente para perdoar, salvar e redimir um malfeitor na cruz como também a cada um de nós.

CONCLUSÃO

A universalidade do pecado, isto é, que todos os homens estão debaixo da condenação eterna, é uma doutrina claramente demonstrada na Epístola aos Romanos. Por outro lado, o universalismo, doutrina herética que afirma que todos os homens, independentemente se acreditam em Cristo ou não, no fim de tudo, serão salvos, é claramente rejeitada nessa mesma carta.

Cabe a nós, portanto, conhecedores desses fatos, viver essa bendita salvação e compartilhá-la com quem ainda não a possui.

demonstrou que quem ouve a sua palavra e crê em Deus, tem a vida eterna, ou seja, não entrará na condenação, pois passou da morte para a vida ( Jo 5:24 ).

A condição do pecador é morte, o mesmo que escravo do pecado, destituído da glória de Deus, filho da desobediência, filho da ira, etc. Quem crê deixa a condição de morto e passa a condição de vida. Quem crê em Cristo não é condenado, mas quem não crê já está condenado, pois permanece sob a condenação imputada a Adão e todos os seus descendentes ( Jo 3:18 ).

A condenação e a ira de Deus veio sobre todos os homens por causa da ofensa de Adão. Através da ofensa de Adão todos pecaram e morreram, ou seja, foram separados d’Aquele que é a vida. Qualquer que crê em Cristo possui vida eterna e não mais será alvo da ira de Deus ( Jo 3:36 ).

A todos que ouvirem a mensagem do evangelho e confessar a Cristo, o sumo sacerdote da nossa confissão, crendo que Cristo foi ressuscitado dentre os mortos para a glória de Deus Pai, serão salvos ( Rm 10:9 -10 ).

 

Serão salvos de que? Da atual condição financeira? Da família problemática? Dos problemas socioeconômicos? Etc. Não! Jesus alertou que os que n’Ele crê serão salvos da condenação estabelecida em Adão, porém, não seriam tirados do mundo e continuariam tendo aflições ( Jo 16:33 ).

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

http://www.semeandovida.org

https://www.estudosdabiblia.net

Lições Bíblicas 2º trimestre de 2016

GILBERTO, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.

CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. CPAD

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Editora Cultura Cristã

Comentário Bíblico Volume 08 -Romanos e 1 e 2 Corintios