12 de junho de 2012

O JUIZO FINAL

O JUIZO FINAL

                                                       Ev. JOSÉ COSTA JUNIOR

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

            Esta preciosa lição trata do fato de que haverá um grande julgamento final para todos os incrédulos. Já foram ensinadas premissas, durante os vários anos de existência da nossa Escola Bíblica Dominical, que esclarecem a natureza deste evento. Senão, vejamos: Nosso conceito de DEUS não é um DEUS abstrato, mas revelado, e revelado em CRISTO. Nosso conceito de cosmos é teleológico, criado para teatro do drama divino. Nesse drama o que se está em jogo é o encontro com o homem, interlocutor de DEUS, isto é, SUA imagem e semelhança. Toda doutrina de pecado e de salvação, que ocupa o âmago do sistema teológico, é a demonstração do propósito de DEUS de restaurar a comunhão do homem consigo mesmo. A vocação de Israel e da Igreja, toda doutrina eclesiológica, é expressa na base do serviço para a restauração dessa comunhão. A natureza do homem tem que ser vista em termos de sua relação, e esta é expressa pela vontade. O pecado é a quebra da comunhão com DEUS, por não haver acordo de vontade entre o pecador e DEUS. CRISTO é o homem perfeito porque SUA vontade era fazer a vontade de DEUS.

Ora, a possibilidade do pecador entregar-se aos seus caprichos é limitada ao contexto de sua vida terrestre. Aqui ele quebra a comunhão com DEUS, mas chegará o momento em que a situação vai se transformar. É na morte e na consumação. Na morte, porque ela trás um juizo individual para cada um dos que morrem; na consumação, porque então a própria natureza será transformada, haverá a ressurreição e os termos da revelação do homem com DEUS chegará ao seu termo. A vontade de DEUS será feita; os salvos se regozijarão, porque já se afeiçoaram à vontade de DEUS. Os ímpios terão o desgosto de ser constrangidos a fazerem o que não querem. Relação com DEUS jamais deixará de existir, visto que DEUS criou o homem para um destino imortal de relação com ELE. No caso dos salvos, a relação é de comunhão, de plena comunhão. No caso dos perdidos, relação de juizo.

De acordo com a nossa posição (dispensacionalista), haverá diferentes julgamentos: o “julgamento das nações”(Mt 25;31-46) ao final da Grande Tribulação, o “tribunal de CRISTO” após o arrebatamento – julgamento, na glória, das obras dos crentes em que os mesmos receberão galardões em diferentes níveis (IICo 5;10) e o “Grande Trono Branco” ao final do milênio (Ap 20;11-15) para declarar o castigo eterno para os incrédulos.

Em Zacarias 14;4 o SENHOR JESUS descerá do céu para julgar os inimigos de Israel, firmará SEUS pés sobre o monte das Oliveiras (v.4), no mesmo lugar onde subiu aos céus (At 1;9-11). Em Mt 25;31-46 vemos então um acontecimento solene. O SENHOR JESUS está sentado no trono da SUA glória e todos os povos (nações) se acham diante de SEU trono. Muitos pensam que se trata aqui do mesmo acontecimento do capítulo 20 do Apocalipse.

Porém, lendo atentamente as duas passagens, vemos precisamente o contrário. Em Apocalipse 20 trata-se de juízo final: os mortos estão diante do Trono Branco e são julgados segundo suas obras. Após tal julgamento e sentensas (morte, inferno e incrédulos são lançados no lago de fogo) dá-se a Eternidade (Ap 21;1-8). Mas aqui, em Mateus 25, não são os mortos, mas os vivos - as nações – que estão diante do trono do FILHO DO HOMEM. Este trono não se acha na eternidade onde “...a terra e o céu fogem ante a presença d’AQUELE que está assentado” (Ap 20;11). Aqui o trono está na terra, no Reino do FILHO DO HOMEM. Trata-se do julgamento dos vivos. O SENHOR julgará os vivos e os mortos: os vivos no Milênio (julgamento das nações) e os mortos ao final do Milênio (Grande Trono Branco).

No julgamento das nações as mesmas não serão julgadas por todas as suas obras, mas sim pela sua conduta para com aqueles que o REI chama de SEUS irmãos. O fato de terem ajudado os judeus, principalmente o remanescente fiel, ou de os terem perseguido decide a sua sorte. Os povos que os tiverem ajudado entram nas bênçãos do Milênio. Os demais serão julgados. Este julgamento será muito severo. Assim como, no tempo de Noé só uma pequena parte foi salva do julgamento para viver na terra purificada, do mesmo modo só um remanescente de Israel não será alcançado pelo juizo, e o mesmo caso se dará com todas as nações. Porém, o restante dos povos experimentará as gloriosas bênçãos do reino. O remanescente de Israel anunciar-lhe-á a glória de DEUS (Is 66;18,19).

Durante o Milênio o PRÍNCIPE DA PAZ reinará com justiça (Is 9;5,6), julgando os povos e repreendendo a muitos (Is 2;4), de modo que: “Irão muitos povos, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor” (Is 2;3).

Contudo, o pecado não será tirado completamente da terra. O coração humano é mau. Todas as bênçãos do reino de paz não conseguirão melhorá-lo. O resultado será que os homens, depois de haverem desfrutado as bênçãos do governo glorioso do SENHOR JESUS durante mil anos, O aborrecerão da mesma forma como antes. À primeira chamada de Satanás , colocar-se-ão de novo sob o seu poder, seguindo-o na luta contra o SENHOR.

Porém, durante mil anos, Satanás não poderá enganar os homens. Logo no princípio é preso, amarrado e lançado no abismo (Ap 20;2,3) e os seus servos, os demônios, com ele (Lc 8;31 e Is 24;21,22). Deste modo, os incrédulos ficarão sem chefe ou quem os induza a sublevarem-se, a não ser os seus próprios corações. Apesar disso, alguns revoltar-se-ão. Mas todo o pecado declarado será imediatamente julgado com a morte (Is 65;20). “O que usa de fraude não habitará em minha casa; o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos. De manhã em manhã destruirei todos os ímpios da terra, para desarraigar da cidade do Senhor todos os que praticam a iniqüidade” (Sl 101;7,8).


Por esta razão, a grande maioria submeter-se-á simultaneamente. São impotentes e terão de dobrar os joelhos perante o SENHOR (Fp 2;10), reconhecendo-O como SENHOR. Contudo, nos seus corações não haverá sinceridade (Sl 18;44 e 66;3). Os julgamentos públicos serão uma terrível advertência para eles durante o Milênio. “E sairão, e verão os cadáveres dos homens que transgrediram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne” (Is 66;24).

            O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão sobre o Juízo Final. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.

I.      O FIM DO MILÊNIO

Como temos visto, habitarão sobre a terra maus e bons. Não podemos falar propriamente de crentes, visto que no Milênio não se exige fé num SALVADOR ausente e rejeitado. Então trata-se unicamente de aceitar o FILHO DO HOMEM, vindo em glória. Cujo poder é sentido e reconhecido por cada um (Jo 20;29).

Sem dúvida isto não quer dizer que o poder e a glória manifestados levem todos os homens a aceitar o SENHOR JESUS. O coração humano é completamente mau. Então o homem terá de nascer de novo para poder servir a DEUS (Jo 3;3-6). Porém, os que são nascidos de novo não poderão mostrar publicamente a sua fé confessando o SENHOR JESUS rejeitado e participando do SEU sofrimento. Em contrapartida, todo pecado manifestado será imediatamente punido com a morte, de modo que será vantajoso para os incrédulos servir ao SENHOR, embora com hipocrisia. Portanto, DEUS permitirá no fim uma grande prova para que seja manifestado o estado do coração de cada um.

No fim do Milênio, DEUS solta Satanás na terra, por um pouco de tempo. É então que se verifica quem nasceu verdadeiramente de novo e quem se sujeitou com hipocrisia. Estes últimos prestam de boa vontade ouvidos à chamada de Satanás para a sublevação. Para fazer uma prova perfeita, o SENHOR JESUS retira, aparentemente, por um pouco de tempo, o SEU poder. Doutro modo não seria possível que os maus se reunissem, cercando o arraial dos santos e a cidade amada. Mas assim que o inimigo tiver produzido a separação entre os nascidos de novo e os que não são, descerá fogo do céu que consumirá estes últimos.

Neste momento vivem na terra somente os nascidos de novo. E nos sepulcros estão todos os incrédulos. Os crentes, desde Abel até o arrebatamento da Igreja, foram ressuscitados na Vinda do SENHOR. Em Apocalipse 4, vemo-los exemplificados nos vinte quatro anciãos vestidos de roupas brancas e com coroas de ouro, assentados sobre tronos no Céu (doze representavam as tribos de Israel – Velha Aliança e doze representavam os Apóstolos – Nova Aliança). No capítilo 19 vêm com o SENHOR, do Céu, e em 20;4 são-nos apresentados assentados sobre tronos, e foi-lhes dado o poder de julgar.

Nos versículos seguintes são-nos apresentados os crentes que foram mortos depois do arrebatamento da Igreja. Deles se diz:”... e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos”, em contraste com o versículo 5, onde é dito que “Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se completassem”. Em seguida afirma-se que esta é a “primeira ressurreição”: é claro que são crentes ressuscitados.

Não conheço nenhuma passagem da Escritura que dê motivo para pensar que os nascidos de novo hão de morrer durante o Milênio. Pelo contrário, passagens como Isaías 65 indícanos que não morrerão. A morte, durante o Milênio, será só sob juízo de DEUS para os incrédulos “...porque o menino morrerá de cem anos; mas o pecador de cem anos será amaldiçoado”. Isto é compreensível, Satanás estará preso e CRISTO reinará com justiça. Aquele que tem o império da morte estará ausente e AQUELE que tem o império da vida presente.

No momento em que tem lugar o último julgamento, segundo Apocalipse 20, há somente santos ressuscitados e glorificados no Céu e santos vivendo na terra. Quanto aos crentes, até o último que estiver morrido, estes já foram ressuscitados, ou na volta do SENHOR JESUS ou no princípio do Milênio. Isto já havia sido profetizado por Isaías “Aniquilará a morte para sempre” bem como por Paulo “tragada foi a morte na vitória” (Is 25;8 e ICo 15;54). Como “a corrupção não herdará a incorrupção”, haverá um momento em que estes nascidos de novo (os vivos no Milênio) terão de ser transformados para poderem entrar na Eternidade (novo Céu e nova Terra). A Escritura não nos diz quando terá precisamente lugar este acontecimento. Mas, segundo o sentido geral da Escritura, acerca do que ocorre no momento em que será introduzida a plena glória, (ICo 15;47-53) isto acontecerá quando terminar o Milênio; porém, antes que sejam revelados novo Céu e nova Terra com seus bem aventurados habitantes. Assim, ao fim do Milênio, todos os incrédulos estarão mortos, e todos os santos que morreram já estarão ressuscitados. Logo, quando se fala de mortos no Juízo Final, estes são somente os incrédulos.

II.    O JUIZO FINAL

A verdade fundamental da Escritura quanto ao juízo de DEUS encontramo-la em Hebreus 9;27 onde lemos que: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo”. O versículo seguinte limita a regra: CRISTO aparecerá àquelea que O esperam para salvação. Estes também não serão julgados. Todos os que estão ligados ao primeiro Adão morrerão  e serão depois julgados. E todos os que tiverem passado da família do primeiro Adão para a família do último Adão são justificados e não entram em condenação (Rm 5;16,18,19 ICo 15;22,45,49). Cada qual tem parte na posição do chefe de família. Os de Adão, depois da queda; os do SENHOR JESUS, depois da SUA obra na Cruz. O SENHOR JESUS disse isto claramente no mesmo capítulo que fala da ressurreição da condenação: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida” (Jo 5;24).


Em Apocalipse 20;11-15, encontramos a ressurreição da condenação e o próprio julgamento. O trono não está na terra – a terra e o céu fogem da presença d’AQUELE que está assentado sobre o trono, “...e não se achou lugar para eles”. Os mortos estão diante do trono. Como temos visto, trata-se de todos os incrédulos, desde a Criação até ao fim. Não se encontram crentes entre eles. Quem é AQUELE que está assentado no trono? O SENHOR JESUS dá-nos a resposta em João 5;21-23. Vemos nesta passagem dois aspectos da SUA glória: “Pois, assim como o Pai levanta os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem ele quer”. É DEUS o FILHO igual a DEUS o PAI. Só DEUS pode dar vida. E no versículo 25 ELE dá vida a todos os mortos espirituais que ouvirem a SUA voz.

São os que têm sido vivificados que O honram, reconhecendo quem ELE é (Mt 16;16). Porém os incrédulos não O reconhecem (Jo 5;18). Por isso, o PAI deu todo o juízo ao FILHO, que é igual a SI, mas ocupando um lugar de sujeição, “para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai”(v.23), “e deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem” (v.27). É a sabedoria de DEUS que faz julgar os homens por AQUELE que foi rejeitado e morto por eles. O Homem JESUS CRISTO, que, como mediador entre DEUS e os homens, tão ofendido tem sido por eles na sua incredulidade. É precisamente isto que os homens não podem suportar. Quando o apóstolo Paulo disse aos atenienses que DEUS há de julgar o mundo por um homem que morreu, eles começaram a escarnecer dele e não quiseram ouvi-lo mais (At 17;31-33). Mas em Apocalipse 20 já não há resistência possível! Quem se poderá opor ÀQUELE “de cuja presença fugiu terra e céu”? Então todo o joelho se dobrará perante ELE!

E ali permanecerão os mortos “...o mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o além entregaram os mortos que neles havia”, os que não serviram a DEUS antes do Dilúvio e os que depois dele não contaram com ELE. Os que antes de CRISTO não se converteram a DEUS e os que rejeitaram e crucificaram o SENHOR JESUS. Os que no presente não obedecem ao Evangelho, e os que, mais tarde, adorarão a Besta. Numa palavra: Todos os que, havendo feito parte da humanidade, não se converteram a DEUS. Não faltará nenhum só!

Nem todos os mortos são iguais. Há grandes e pequenos. Há homens, a respeito dos quais ninguém pode dizer coisa alguma. Há os que tem amaldiçoado a DEUS e blasfemado do SENHOR JESUS. Há também os que cumpriram fielmente os seus deveres religiosos. Há imperadores e reis, políticos poderosos, empresários riquíssimos, industriais, artistas famosos e grandes sábios. E há homens simples, sem posição ou ambição, pobres e analfabetos. Mas nenhum deles, durante a sua vida na terra, fez caso da Palavra do SENHOR JESUS e por isso vêm a juízo.   

 Serão julgados segundo as suas obras. Quem quer que seja, a sentença pronunciada é sempre a mesma: “FOI LANÇADO NO LAGO DE FOGO”!! Os livros do céu estão em ordem. “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4;13). O juízo é exercido segundo a natureza da perfeição da santidade de DEUS (o Trono Branco) e conforme a responsabilidade do homem perante DEUS.

DEUS pôs o homem na terra para que O servisse. Por isso todos os atos praticados em independência de DEUS são de sua responsabilidade pessoal; ”o pecado é a transgressão da lei” (IJo 3;4). Portanto, cada pensamento, cada palavra, cada ato, por muito bom que seja, segundo o pensamento humano, será julgado por DEUS se não tiver sido feito em obediência ao SENHOR.

III.   O JULGAMENTO DA BESTA, DO FALSO PROFETA E DO DRAGÃO

Para tratarmos deste assunto devemos voltar na cronologia dos fatos apresentados até agora, para um momento no final da Grande Tribulação quando o Rei dos reis triunfa sobre seus inimigos na batalha final, o Armagedom (Ap 16; 19-21). Essa será a peleja do Grande Dia do Deus Todo-poderoso (Ap 16:14). Os exércitos que acompanham a Cristo não lutam. Mas, Jesus Cristo destruirá o anticristo com o sopro da sua boca pela manifestação da sua vinda (2 Ts 2:8). Todas as nações da terra o verão e o lamentarão (Ap 1:7). Quando os inimigos do Cordeiro se reunirem, então, sua derrota será total e final (Ap 19:19-21). Esta batalha Jesus a vence não com armas, mas com a sua Palavra, a espada afiada que sai da sua boca (Ap 19:15).

Aquele dia será dia de trevas e não de luz para os inimigos de Deus. Ninguém poderá escapar. Aquele será o grande dia da ira do Cordeiro e do juízo de Deus. O anticristo e o falso profeta serão lançados no lago do fogo, onde a meretriz também estará queimando (Ap 19:3,20). Eles jamais sairão desse lago. Serão atormentados pelos séculos dos séculos (Ap 20:10).

Satanás (o Dragão), o agente principal do mal, tem sua derrota descrita em um momento posterior. Durante mil anos Satanás não poderá enganar os homens. Logo no princípio do Milênio é preso, amarrado e lançado no abismo. Ao final do Milênio, DEUS solta Satanás na terra, por um pouco de tempo para enganar as nações. Então descerá fogo do céu que consumirá a todos os que seguiram pós Satanás.  Após este evento a Bíblia relata: ”e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos” (Ap20;10). Sua condenação será eterna. Satanás não é rei nem no lago do fogo. O fogo eterno foi preparado para ele para os seus anjos (Mt 25:41).

IV.   O JULGAMENTO DA MORTE E DO INFERNO

A morte é o estado e o hades é o lugar. Esses dois andam conectados (Ap 6:8). Quando a morte e o inferno são lançados no lago do fogo, finda também a autoridade que exerciam no tempo cósmico. A morte é o último inimigo a ser vencido. O inferno é lugar onde os ímpios são atormentados no estado intermediário. Depois da segunda vinda e do juízo não haverá mais separação entre o corpo e a alma nem no céu nem no inferno. A vitória de Cristo sobre os seus inimigos será completa a final.

CONCLUSÃO
A Bíblia não ensina universalismo nem aniquilacionismo. Antes fala de penalidades eternas. O sofrimento dos ímpios no lago do fogo é indescritível (Lc 16:19-31). O lago do fogo é estado e lugar. Enquanto os salvos têm seus nomes no livro da vida, os ímpios serão lançados no lago do fogo.
Na confecção deste pequeno estudo, buscamos consultar literatura que mais se aproxima com o pensamento de nossa denominação, tentando não perder a coerência teológica. Evitamos expressar conceitos e opiniões pessoais sem o devido embasamento na Palavra, pois a finalidade é agregar conhecimentos, enriquecer a aula da escola dominical e proporcionar ao professor domínio sobre a matéria em tela. Caso alcance tais finalidades, agradeço ao meu DEUS por esta grandiosa oportunidade.

Por:-  Ev. JOSÉ COSTA JUNIOR

6 de junho de 2012

O Evangelho do Reino no Império do Mal


Lição 11 (10 de junho de 2012) – O Evangelho do Reino no Império do Mal.

Texto Áureo: “Temei a Deus e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14.7).

Introdução

Nesta antepenúltima lição, de patente caráter escatológico, e de imprescindível valor para o aumento de nossa fé e conhecimento Bíblico, estudaremos a pregação do evangelho de Cristo (o Evangelho do Reino) nos terríveis anos da grande tribulação.
A despeito da grande perseguição à palavra de Deus e aos Seus servos (que a Ele se entregarem neste período), a salvação e o reino de Cristo continuarão a serem anunciados, através dos fiéis que não se contaminarem com a vida pecaminosa do período de tribulação, das duas testemunhas e do Anjo do Senhor (todos citados no livro de Apocalipse).
Que, através desta lição, possamos despertar quanto à necessidade de pregarmos a palavra de Deus, nos dedicarmos ao seu Reino e, com fé, trabalharmos para termos parte nas bodas do cordeiro. Ademais, que possamos reforçar o caráter eterno da Bíblia, que permanecerá até o fim dos tempos como o manual de Deus para todos aqueles que quiserem adentrar o Seu Reino.

A palavra de Deus após o arrebatamento.

A Palavra de Deus, consubstanciada na Bíblia Sagrada, é perfeita, santa e eterna. Através dela, podemos chegar ao conhecimento de Deus, da salvação em Jesus Cristo, da Fé, da conduta correta para trilharmos o caminho dos céus e, antecipadamente, conhecermos as últimas coisas (ou últimos eventos) da humanidade. Quem nos ensina isso? A própria Bíblia Sagrada. Vejamos os seguintes versículos:

Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. 1 Pedro 1:23-25

Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Provérbios 30:5
Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; Efésios 6:17
De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Romanos 10:17

O caminho de Deus é perfeito, e a palavra do SENHOR refinada; e é o escudo de todos os que nele confiam. 2 Samuel 22:31
Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. 2 Pedro 3:5

Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. Hebreus 4:12

Esta palavra continuará a ser pregada nos períodos de tribulação e grande tribulação. Talvez não com a mesma “facilidade” ou volume que vemos hoje, em revistas, livros, televisão, internet, etc. Mas Cristo, na imensidão do seu amor, dará oportunidade para que todos os que passarem pela grande tribulação possam ouvir e, eventualmente, se decidirem por aceitar a Sua palavra, o seu Sacrifício e os Seus ensinamentos. 

Os últimos oito capítulos do livro do profeta Ezequiel demonstram, profeticamente, como Israel será reorganizada, no Milênio, à luz dos ensinamentos de Deus.
A Bíblia Sagrada será o parâmetro pelo qual todos serão julgados, e por isso permanecerá sendo ensinada na grande tribulação. No Direito Comum (secular), é princípio fundamental para que uma lei entre em vigor e produz efeitos (tenha validade) a sua publicação, ou seja, que a lei se torne conhecida por aqueles a quem ela se aplica. Deus, o juiz perfeito em justiça, não fez diferente com os homens: Deu-nos a Sua palavra, para que ouvíssemos, conhecêssemos e praticássemos os Seus ensinamentos, e, para que, segundo os parâmetros dela, fôssemos julgados

Porque o SENHOR é o nosso Juiz; o SENHOR é o nosso legislador; o SENHOR é o nosso rei, ele nos salvará. Isaías 33:22. 

Se o evangelho do Reino continuará a ser pregado, pode-se então instalar-se uma dúvida: Estará o Espírito Santo atuando na terra, na Grande Tribulação? Este ainda convencerá do pecado, da justiça e do juízo? Vejamos:
Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim; Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado. João 16:7-11

No princípio dos 7 (sete) anos da tribulação, após o arrebatamento da Igreja para as “Bodas do Cordeiro”, podemos entender, à luz da Palavra de Deus, que a ação do Espírito Santo será reduzida, “afastada”, o que permitirá a ascensão do anticristo, do falso profeta, e, de uma forma geral, serão diminuídas as barreiras contra o pecado, criando-se um ambiente propício
Entretanto, não podemos dizer que a atividade do Espírito Santo cessará completamente: se haverá salvos no período da tribulação, estará com eles o Consolador. Este ainda convencerá a muitos do pecado, e os fortalecerá no momento da angústia. 

A Proclamação dos Mártires

A acepção nos dada pelo dicionário Michaelis acerca da palavra mártir é a seguinte:

már.tir

s m+f (gr mártys, yros, pelo lat) 1 Pessoa que sofreu tormentos ou a morte, pela fé cristã. 2 Pessoa que sofre por sustentar as suas crenças ou as suas opiniões. 3 Pessoa que sofre muito. 4 Pessoa que é vítima de maus tratos. M. do Calvário: Jesus Cristo.

A acepção original da palavra nos leva àquele que sofreu tormentos pela fé cristã (por sustentá-la, defendê-la, pregá-la, etc.). Com o passar dos anos, tomou também a conotação de pessoa que se sacrifica por um ideal patriótico ou filosófico, com acepção já um pouco afastada de sua origem.
A Bíblia narra diversos atos de coragem dos servos de Deus em prol da propagação do evangelho. Na história bíblica, veterotestamentário e neotestamentária, muitos se sacrificaram por sua fé. Citemos os exemplos dos apóstolos:

E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. Mas eles gritaram com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele. E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu. Atos 7:56-60 

E por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; E matou à espada Tiago, irmão de João. Atos 12:1-2

Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus. E quando Herodes estava para o fazer comparecer, nessa mesma noite estava Pedro dormindo entre dois soldados, ligado com duas cadeias, e os guardas diante da porta guardavam a prisão. E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro na ilharga, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E caíram-lhe das mãos as cadeias. Atos 12:5-7
São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; 2 Coríntios 11:23-25

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. 2 Timóteo 4:7-8

Na tribulação, àqueles que aceitarem a Cristo e não se contaminarem com o pecado que permeará o mundo de forma nunca antes vista, enfrentarão a perseguição de forma muito mais acentuada do que hoje vemos. Será uma perseguição religiosa, social e econômica sobre todos aqueles que não se deixarem marcar pelo anticristo.
A bíblia nos aclara que muitos se arrependerão de seus pecados na tribulação, que lavarão as suas vestes (vestes de santidade) com o Sangue do Cordeiro:

Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos;
E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.

E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus,
Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém.
E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram?
E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Apocalipse 7:9-14

Além da perseguição, muitos destes que aceitarem a Cristo durante a tribulação, e enfrentarem a grande assolação que sobrevirá sobre os Servos de Deus da tribulação, serão mortos por amor a Jesus e Sua palavra. Verdadeiramente, assumirão o caráter de mártires, que morrerão pela sua convicção de fé:

E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Apocalipse 20:4

Os mártires anunciarão o evangelho de Cristo durante a tribulação. E serão grandemente galardoados: serão salvos em Cristo Jesus, e reinarão com Ele no milênio, juntamente com a Igreja de Cristo.

A Proclamação dos 144 mil

A revelação de Cristo à João, transcrita no livro do apocalipse, nos revela ainda que a mensagem da cruz será anunciada ainda pelos “144 mil”. Quem são estes 144 mil? Eis um ponto de muitas vertentes interpretativas e teológicas. Peço vênia para citar um apanhado de posições teológicas e hermenêuticas colacionadas pelo Pr. Airton Evangelista da Costa, em site pessoal, (disponível em: http://www.palavradaverdade.com/print2.php?codigo=2782), nas quais podemos ter uma ideia acerca das controvérsias que cercam o tema:

“Apocalipse 7.4 = Os 144.000 são descritos como servos de Deus (v.3), provenientes das tribos dos filhos de Israel (vv.4-8). Deus assinalará ou marcará as suas testas para indicar a sua consagração a Deus e que pertencem a Ele (cf.9.4; Ez 9.1-6; 2 Tm 2.19). Talvez sejam os primeiros convertidos de uma grande colheita de almas ganhas para Deus, dentre todas as nações e tribos e povos e línguas, durante a tribulação (v.9). Alguns intérpretes da Bíblia entendem que esses novos crentes dentre os filhos de Israel serão comissionados e capacitados pelo Espírito Santo para pregar o evangelho durante os negros dias da tribulação” (Bíblia de Estudo Pentecostal). 

“Apocalipse 7.9 = João descreve uma cena no céu: uma grande multidão de pessoas, provenientes de todas as nações, que foram salvas mediante a fé em Cristo. Estarão com Deus (v.15), livres de dor e tristeza (vv.16,17). Essa multidão, salva pelo `sangue do Cordeiro´, devem ser os santos da tribulação, pois João declara que `vieram de grande tribulação´ (v.14)” (Ibidem).

“Apocalipse 14.1 – O capítulo 14 começa descrevendo uma cena de 144.000 crentes proeminentes que aparecem no céu perto do Cordeiro.
Certamente representam os mais consagrados e fiéis do povo de Deus de todos os tempos que desfrutam de graça e posição especiais no céu. A cifra 144.000 não significa que o número deles é restrito a esse total. Qualquer crente pode passar a pertencer a esse grupo mediante a fé, o mor e o serviço devotado a Deus” (Ibidem).
“Os cento e quarenta e quatro mil de cada tribo dos filhos de Israel (7.4) simbolizam a Igreja toda no fim dos tempos; isto é deduzido de 7.3, pois os servos do nosso Deus na dispensação cristã só podem ser a Igreja. Outrossim, desde que as tribulações dos últimos dias são universais, toda a companhia do povo de Deus carece de sua proteção, não simplesmente uma seção dele (os judeus). Uma multidão – Ap 7.9 – A Igreja é vista triunfante no céu” (O Novo Comentário da Bíblia, Edições Vida Nova, 1990). 

“Apocalipse 7.4 = Como este é o número total dos servos de Deus (7.3), os justos (1.1; 2.,20; 22.6), o número e a designação étnica podem estar aqui em sentido figurado, referindo-se aos verdadeiros seguidores do Deus de Israel (seguidores de Jesus; cf. 2.9; 3.9; 21.1,14). Quer seja esse número empregado figuradamente ou literalmente, é bastante clara, entretanto, a alusão ao Antigo Testamento e à concepção judaica universal da restauração de Israel, retratada, como em geral ocorre, em termos da restauração do remanescente (sobreviventes) das doze tribos” (Comentários Bíblicos Atos – Novo Testamento, Craig S. Keener). 

“Se o número – 144.000 – for levado a sério, certamente ele está muito, mas muito mesmo, abaixo do número de crentes que estarão no céu. Até mesmo as dimensões físicas da Nova Jerusalém (Ap 21.16-17), para não dizer nada quanto ao restante do vasto universo criado por Deus, poderiam conter um número muito maior de pessoas do que 144.000. Apocalipse 7.9 declara que havia, além dos 144.000, `uma grande multidão... de todas as nações´ que eram também redimidos, o que indica não somente que os salvos não se limitam a esse número, mas que a passagem tem mais sentido se tomada de forma literal” (Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia – Norma Geisler e Thomas Howe). 

Ficamos com a posição, mais evidente na interpretação bíblica, de que os 144 mil não são um número “fechado” daqueles que se hão de salvar. Mas sim faz referência aos judeus, povo privilegiado por Deus, no qual se levantarão homens e mulheres que reconhecerão a Cristo como Senhor e Salvador, e precederão a conversão nacional de Israel que se dará ao final da Grande Tribulação.
Quais bases podemos utilizar para vermos que estes 144 mil se referem a israelitas? Vejamos:

E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma. E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar, Dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos assinalado nas suas testas os servos do nosso Deus. E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel. Da tribo de Judá, havia doze mil assinalados; da tribo de Rúben, doze mil assinalados; da tribo de Gade, doze mil assinalados; Da tribo de Aser, doze mil assinalados; da tribo de Naftali, doze mil assinalados; da tribo de Manassés, doze mil assinalados; Da tribo de Simeão, doze mil assinalados; da tribo de Levi, doze mil assinalados; da tribo de Issacar, doze mil assinalados; Da tribo de Zebulom, doze mil assinalados; da tribo de José, doze mil assinalados; da tribo de Benjamim, doze mil assinalados. Apocalipse 7:1-8 (grifo nosso)

A própria Bíblia nos responde, como podemos ver. Estes 144 mil terão uma elevada posição, pois nos é esclarecido que estarão no Monte de Sião com o Cordeiro de Deus, e terão em suas testas o nome do Pai e do Filho.
Não devemos, de forma alguma, imaginar uma doutrina de predestinação que preveja um número certo, restrito e pequeno de salvos. Basta imaginarmos que Jesus tem os seus em todos os tempos, de todos os povos e nações.
Os 144 mil também anunciarão o Reino de Jesus e sua salvação durante a tribulação, principalmente para a casa de Israel.

A Proclamação das duas testemunhas 

Prosseguindo na revelação apocalíptica, o evangelho do Reino também será pregado por duas testemunhas de Jesus Cristo:

E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco. Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra. E, se alguém lhes quiser fazer mal, fogo sairá da sua boca, e devorará os seus inimigos; e, se alguém lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto. Estes têm poder para fechar o céu, para que não chova, nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue, e para ferir a terra com toda a sorte de pragas, todas quantas vezes quiserem. E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará. 

E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado. E homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações verão seus corpos mortos por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos mortos sejam postos em sepulcros. E os que habitam na terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra. E depois daqueles três dias e meio o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre seus pés, e caiu grande temor sobre os que os viram. E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi para aqui. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram. E naquela mesma hora houve um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade, e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os demais ficaram muito atemorizados, e deram glória ao Deus do céu. Apocalipse 11:3-13 (grifo nosso)

Quem são as duas testemunhas? A Bíblia não nos aclara. Mas podemos tirar algumas breves características destes que causarão grande agito no reino do anticristo:
1)      A Bíblia nos leva a crer que são, literalmente, duas pessoas. Não duas nações, ou dois povos. São dois profetas, que anunciarão o reino de Deus e irão desmascarar o reino do anticristo. Mas muitos teólogos defendem que se tratam de duas igrejas, ou duas nações.
2)      São chamados de duas oliveiras e dois castiçais. Faz alusão a Zacarias 4.2-3, em que as oliveiras tem por função manterem acesos os castiçais. As duas testemunhas avivarão a fé dos crentes da tribulação, e despertarão muitos outros quanto ao reinado do anticristo.

3)      Terão poder de Deus para realizar grandes sinais. Nos rememora o exemplo de Moisés e Elias, que operaram prodígios pelo poder de Deus para mostrar a soberania do altíssimo.
4)      Serão mortos pelo anticristo, mas voltarão a viver pelo Espírito de Vida dado por Deus.
5)      Causarão grande dano na sede (cidade) do reinado do anticristo, após voltarem a vida, com um grande terremoto.

Poderíamos aprofundar mais o tema, mas neste caso em especial, corremos o risco de criar situações fantasiosas na tentativa de esclarecer aquilo que a Bíblia deixou em oculto. Basta sabermos isto: O Senhor tem controle sobre todas as coisas, e seu reino continuará a ser pregado mesmo no reinado do anticristo.
A Proclamação dos anjos
Jesus ainda revela o anúncio de três anjos, um dos quais anuncia o Evangelho, outro que aclara o declínio do Reino do anticristo e o terceiro que anuncia a ira de Deus contra aqueles que se dobrarem ao anticristo:
E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo. Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu, caiu babilônia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição. E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. Apocalipse 14:6-10 (Grifo nosso)

O primeiro anjo anunciará o evangelho a todos. É mister que todos venham ao conhecimento da Palavra de Deus para que possam escolher entre servi-lo ou não. A palavra chegará a toda nação, e tribo, e língua, e povo. Anunciará o evangelho eterno, que é anunciado desde Abraão (Gl 3.8), poderoso para salvar todo aquele que lhe der crédito e segui-lo como conduta de vida.
O Segundo anjo anunciará o declínio do reino do anticristo, dizendo que caiu babilônia, que é o centro político do reino do anticristo. Tornará evidente a todos a soberania de Deus sobre os últimos eventos da humanidade, servindo de exortação para os que estiverem no erro e incentivo para os mártires.
O Terceiro anjo fará a severa repreensão para aqueles que se dobraram ao reino do anticristo: estes sofrerão a ira de Deus. A Amizade do mundo é inimizade contra Deus. Nos últimos eventos da humanidade, não haverá um terceiro caminho: ou escolherão a Cristo, ou sofrerão a ira de Deus.

Conclusão

Que possamos reavivar nossa fé, anunciando o Evangelho do Reino, e aguardando a volta de Jesus Cristo. Busquemos ter parte nas bodas do cordeiro!

A paz do Senhor a todos

Comentário: Joseph Bruno dos Santos Silva, professor da Escola Bíblica Dominical, Presbítero da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém –