5 de fevereiro de 2015

SANTIFICARÁS O SÁBADO



SANTIFICARÁS O SÁBADO

TEXTO ÁUREO = "E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado." (Mc 2.27)

VERDADE PRÁTICA = O quarto mandamento envolve os aspectos espiritual e social, diz respeito ao relacionamento do homem com Deus e ao mesmo tempo com o próximo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = Êxodo 20.8-11; 31.12-17

INTRODUÇÃO

O quarto mandamento é uma ponte que liga os mandamentos teológicos com os mandamentos éticos. Os três primeiros preceitos do Decálogo dizem respeito à responsabilidade do homem com o Criador; os demais falam sobre o compromisso do homem com o seu próximo. A guarda do sábado fica entre esse dois grupos, pois a lei é clara em mostrar seu caráter social e humanitário e também sua função religiosa.

As controvérsias em torno deste mandamento se referem à sua interpretação, O que acontece é que existe o sábado institucional e o sábado legal, e quem não consegue separar estas duas instituições terminam radicalizando indo aos extremos. Esse é o principal problema dos sabatistas da atualidade, como os adventistas do sétimo dia. Todos os mandamentos do Decálogo dependem de definições e de como aplicá-los na vida diária, e essas instruções são dadas no próprio sistema mosaico. Mas as definições nem sempre são conclusivas. Por exemplo, o que a Bíblia define como trabalho? o mandamento de santificar o sábado é mais bem compreendido quando se analisa o propósito pelo qual ele foi dado.

O SÁBADO

O substantivo hebraico shabbar, “sábado”, ou sábbaton, em grego, “sábado, semana”, indica no calendário de Israel o sétimo dia da semana marcado pelo descanso do trabalho para cerimônias religiosas especiais, além de significar um período de sete dias, uma semana (BAIJER 2000, p. 909). O termo shabbãtôn67 significa “sabatismo, guarda ou observância do sábado”, pois a desinência —ôn é característica de substantivo abstrato.

Ele aparece no relato da criação: “E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera” (Gn 2.2, 3).
Deus celebrou o sétimo dia após a criação e abençoou este dia e o santificou. Gênesis é o livro das origens de todas as coisas: dos céus e da terra, do homem e do pecado, do sacrifício e da promessa de redenção, do casamento, da família, das nações, das línguas, da nação de Israel, do sábado e da semana, O sábado e a semana tiveram a sua origem em Deus. A divisão hebdomadária do tempo aparece desde os dias pré-diluvianos e no período patriarcal (Gn 7.4, 10; 8.10, 12; 29.27, 28). Mas a semana na Mesopotâmia seguia as fases da lua, por isso nem sempre o sábado coincidia com o sétimo dia. A semana dos egípcios era de dez dias.

Aqui está a base do sábado institucional e do sábado legal. Deus completou a sua obra da criação no sétimo dia, Duas vezes o texto sagrado declara que Deus “descansou” ou seja, cessou; esse é o significado do verbo hebraico usado aqui, shã bar,68 “cessar, desistir, descansar” (Gn 8.22; Jó 32.1; Ez 16.41). Descansar é sinônimo de cessar de criar. Esse repouso indica a obra concluída e não ociosidade, poís Deus não para nem se cansa (Is 40.28; Jo 5.17). Ele continua sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 1.3).

O Senhor Jesus também assentou-se à destra de Deus depois de concluir a obra da redenção (Hb 8.1; 10.12).  A expressão “acabado no sétimo dia” parece indicar que houve mais alguma atividade de Deus na criação nesse dia, É o que pensam muitos expositores da atualidade. Deus terminou a sua obra no dia sexto: segundo a Septuaginta, en tê hêméra lê hektê, “no dia sexto”, e também no Pentateuco Samaritano, bayyôm hashishí,  “no dia sexto”. A Peshita segue também essa linha, mas tudo indica que se trata de alguma emenda deliberada. Segundo Umberto Cassuto, um estudo cuidadoso desse versículo mostra que “sétimo dia” é a forma correta (1998, p. 61).

O substantivo hebraico shabbat, ‘o dia de sábado”, não aparece aqui; sua primeira  ocorrência acontece no relato do maná (Éx 16.23). Mas este termo vem da raiz do verbo “descansar” shãbat. Há quem afirme que essa omissão foi intencional porque o shãbat é o término da semana e há fortes evidências da identificação filológica do termo aqui com o acádico shabaru [mJ ou shapattu, que aparece nas inscrições babilônicas como o dia da lua cheia. Trata-se do 15° dia de um mês lunar, dedicado à adoração do deus lua, Sin-Nanar e a outros deuses.

Este dia se chamava também um núch libbi, “dia de descanso do coração” (ORR, vol. lv, 1996, p. 2630). Outros afirmam que se trata mais de um dia de expiação ou pacificação, e não necessariamente de um dia de descanso. No entanto, foram descobertos tabletes em que revelam o shabatu como os dias 7°, 14°, 21º e 28°, que segundo o registro dessas inscrições ocupavam espaço destacado no calendário mesopotâmio. Neles havia restrições a diversos tipos de trabalho, já que o dia era dedicado aos deuses (TENNEY, vol. 5, 2008, p. 267). O sábado dos israelitas era o dia de descanso reservado a cada seis dias de trabalho para todo o povo; entretanto, o shabatu era computado com base nas quatro fases da lua.
Há muitas discussões sobre a relação do shabatum com o sábado dos israelitas, e Umberto Cassuto explica o que está por trás de tudo isso. Os críticos liberais insistem em afirmar que os israelitas copiaram o sábado dos mesopotâmios e com isso querem associar o sábado de Israel com as quatro fases da lua. Cassuto questiona a existência da proibição de trabalho nos dias 7°, 14º, 21º e 28º do mês do luna na Babilônia e na Assíria.

Segundo esse autor, o pensamento da Torá é justamente o oposto ao sistema babilônico e desvincula completamente o sábado da adoração aos astros: “O dia de sábado de Israel não será como o sábado das nações pagãs; não será o dia da lua cheia, ou outro dia conectado com as fases da lua, nem ligado, em consequência, com a adoração da lua, mas será o sétimo dia” (1998, p. 68).

É um sábado completamente desassociado de sinais nos céus, das hostes celestiais e de qualquer conceito astrológico, “mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus” (Êx 20.10). Assim, o propósito da omissão do termo hebraico shabbat, “sábado”, no relato da criação é evitar sua identificação com o shabatu dos mesopotâmios. o sétimo dia da criação não era mandamento, mas revela a necessidade natural do descanso de toda natureza, homem, animal, máquina, agricultura.

O repouso noturno de cada dia não é suficiente para isso. Deus abençoou e santificou esse dia não somente para comemorar a obra da criação, mas para que nesse dia todos cessem o trabalho tendo em vista o descanso fisico e mental e também o culto de adoração a Deus. É importante que todos os seres humanos possam refletir que o universo foi criado por um Deus pessoal, Todo-Poderoso, sábio e transcendente, que planejou todas as coisas que foram criadas. Parece que esse dia foi logo esquecido pelo gênero humano, mas há resquício dele em muitos povos da antiguidade.

Deus abençoou e santificou o sétimo dia como um repouso contínuo, a dispensação da inocência, interrompido por causa do pecado. Agostinho de Hipona lembra que não houve tarde no dia sétimo, pois Deus o santificou para que ele permanecesse para sempre: “Ora o sétimo dia não tem crepúsculo. Não possui ocaso porque Vós o santificastes para permanecer eternamente” (Confissões, Livro XIIl.36).

Adão e Eva viveram esse repouso durante a inocência até a Queda: “Foi o princípio e o tipo de repouso ao que a criação, depois que caiu da comunhão com Deus pelo pecado do homem, recebeu a promessa de que uma vez mais seria restaurada pela redenção, em sua consumação final” (KEIL & DELITZSCH, tomo 1,2008, p. 41). O sábado da criação aponta para o descanso de Deus para o mundo inteiro no fim dos tempos: “Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus” (Hb 4.9).

O sábado legal não foi instituído aqui. Isso só aconteceu com a promulgação da lei. O sétimo dia é o fundamento da guarda do sábado dada aos israelitas, visto que este dia foi santificado desde o princípio do mundo. O sábado institucional é para toda a humanidade e por isso Deus o santificou antes de estabelecê-lo como mandamento para Israel.

“A santificação do sábado institui uma ordem para a humanidade segundo a qual o tempo é dividido em tempo e tempo sagrado... Por santificar o sétimo dia, Deus instituiu uma polaridade entre o dia a dia e o solene, entre dias de trabalho e dias de descanso, a qual deveria ser determinante para a existência humana” (WESTERMANN, 1994, p. 171). O sábado institucional não é necessariamente o sétimo dia da semana, mas um a cada seis dias.

O QUARTO MANDAMENTO

A instituição do sábado legal no Decálogo tinha o propósito duplo, social e espiritual, de cessar os trabalhos a cada seis dias de labor para dar descanso aos seres humanos e aos animais e dedicar um dia inteiro para adoração a Deus:

8 Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. 9 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, 10 mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. 11 Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou (Êx 20.8-11).

O quarto mandamento é o mais longo do Decálogo e difere dos três primeiros, cuja formulação é negativa. O versículo 8 introduz o mandamento positivo que impõe a obrigação de santificar o sábado, e o versículo 9 fala sobre a obrigação de trabalhar seis dias. Isso se repete no sistema mosaico (Êx 23.12; 31.13-17; 34.21; Lv23.3), mas aqui aparece também a formulação negativa. Quando Moisés no seu discurso em Deuteronômio repete o Decálogo substitui o verbo hebraico usado para “lembrar” zãchor,’“recordar, lembrar”, por outro, “guardar”, shãmôr, “guardar, cuidar, vigiar”, quando diz: “Guarda o dia de sábado” (Dt 5.12).

Os dois verbos estão no infinitivo absoluto, que tem função de um forte imperativo, bastante comum em leis e mais próximo de um futuro cominatório, ameaçador. O propósito do uso deste verbo “lembrar” aqui em Êxodo é manter o sábado como dia santo. Isso mostra que o povo já conhecia esse dia, mas parece que a sua observância não era levada a sério antes da revelação do Sinai.
As palavras “como te ordenou o SENHOR, teu Deus” (Dt 5.12b) não aparecem em Êxodo e são uma referência ao Sinai, quando a lei foi promulgada, visto que Moisés está relatando um fato acontecido no passado.

Fica evidente que houve um sábado antes da promulgação da lei. Muitos acreditam que o verbo “lembrar” se refere ao relato do maná no deserto (Êx 16.22-30). Isto fica claro pelo fato de que “a maneira incidental em que a matéria é introduzida e a repreensão do Senhor pela desobediência do povo sugerem que o sábado já era previamente conhecido (TENNEY, vol. 5, 2008, p. 267).

No entanto, segundo o rabino Benno Jacob, “lembrar” aqui não tem conotação de “não esquecer”, como aconteceu com o evento do maná, mas de um “memorial do passado para estabelecer um relacionamento especial para o futuro” (1992, p. 563).

O livro de Gênesis não menciona os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó observando o sábado. Segundo Justino, o Mártir, Abraão e seus descendentes até o Sinai agradaram a Deus sem o sábado (Diálogo com Trifão 19.5). Irineu de Lião diz que Abraão, “sem circuncisão e sem observância do sábado, acreditou em Deus e lhe foi imputado a justiça e foi chamado amigo de Deus” (Contra as Heresias, Livro IV, 16.2). O sábado institucional não era mandamento nem havia imposição sobre a sua observância; talvez, seja essa a razão de aos poucos ter caído no esquecimento. A linguagem do quarto mandamento “Lembra-te do dia de sábado” (Êx 20.8) reforça a ideia de que não se trata de uma instituição nova, mas existente desde a criação.

O mandamento consiste em parar de trabalhar a cada seis dias e é extensivo a todos os israelitas, seus familiares e também servos, animais de carga, convidados, imigrantes estrangeiros e qualquer um que esteja dentro de seus portões (v. 10). Mas aqui se omite uma informação que aparece em Deuteronômio e revela o aspecto humanitário do mandamento: “para que o teu servo e a tua serva descansem como tu” (Dt 5.14b). Em Êxodo, é revelado o caráter espiritual, pois se mostra que a lei do sábado deriva da criação e se refere ao sétimo dia em que Deus descansou (v. 11). O sábado do Decálogo é semanal e uma amostra do descanso eterno de Deus (SI 95.11; Hb 4.3-6).

O sábado legal é exclusividade dos israelitas e nenhum povo da terra recebeu tal responsabilidade, nem mesmo a Igreja (Êx 31.13- 17). A adoração no tabernáculo acontecia semanalmente e isso justifica a instrução da lei do sábado na presente seção que aborda a ordem do culto e demais serviços no tabernáculo. O tema do sábado havia sido tratado por ocasião do maná (Êx 16.23-30) e no quarto mandamento (Êx 20.8-1 1); no entanto, Javé retoma o assunto aqui para que o presente preceito seja observado de maneira apropriada.
A observância do sábado legal é perpétua, sob pena de morte para quem violar (vv. 14-6) e isso por se tratar de um sinal entre Javé e Israel (Êx 31.13, 17). Não é mandamento para todos os povos nem para a Igreja. É o segundo sinal para os israelitas, que já tinham a circuncisão como primeiro sinal desse concerto (Gn 17.10-14). Ao longo dos séculos, os judeus trataram esses dois preceitos com a mesma atenção. O Decálogo registrado em Deuteronômio apresenta o sábado como memorial da saída dos israelitas do Egito: “Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado” (Dt 5.15). O sábado legal é mandamento exclusivo para o povo de Israel.

O SÁBADO NO NOVO TESTAMENTO

A observância do sábado nos dias do ministério terreno de Jesus havia se tornado externa e formal. As autoridades religiosas de Israel haviam criado muitas restrições e estabeleceram regras meticulosas. A Mishnah, antiga literatura religiosa dos judeus, nos tratados Shabbat e Erub, registra minúcias de como o sábado deve ser observado. A tradição dos anciãos criou 39 proibições concernentes ao sábado. Por essa razão, o Senhor Jesus entrou diversas vezes em conflito com os escribas e fariseus. Uma delas aconteceu quando ele defende os seus discípulos por colherem espigas no sábado (Mt 12.1-5).

1 Naquele tempo, passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comer. 2 E os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado. 3 Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4 Como entrou na Casa de Deus e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes? (Mt 12.1-4).

A passagem paralela aparece em Marcos 2.23-26 e Lucas 6.1-4. Em todas elas, o Senhor Jesus mencionou um trecho do Antigo Testamento em que Davi comeu o pão da proposição na casa do sacerdote Abiatar, quando estava sob a perseguição de Saul (1 Sm 21.6). Assim, ele colocou a guarda do sábado na mesma categoria do preceito cerimonial. A lei proibia que estranhos comessem do pão sagrado da proposição, o qual era restrito aos sacerdotes (Êx 29.33; Lv 22.10).

Jesus foi além e disse que os sacerdotes no templo podiam violar o sábado e ficar sem culpa (Mt 12.5). Um mandamento moral é obrigatório por sua própria natureza. Não existe concessão para preceitos morais; aqui, a vida está acima do sábado.

Em outra ocasião, o Senhor Jesus torna a considerar o sábado um preceito cerimonial com base na própria lei de Moisés. Ele nem precisou reivindicar a sua autoridade de Filho de Deus e Messias, ao lembrar às autoridades religiosas que a circuncisão de uma criança pode ser feita num dia de sábado. A lei prescreve que o menino deve ser circuncidado no oitavo dia de seu nascimento (Lv 12.3). Jesus disse que a circuncisão pode ser feita mesmo quando o oitavo dia coincide com sábado (lo 7.22, 23).

Jesus declarou: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado” (Mc 2.2 7). Muitos comparam essas palavras a uma frase do Talmude creditada ao rabi Simeon ben Menasya, cerca de 180 dc.: “O sábado foi dado a vocês, não vocês entregues a ele”. A interpretação judaica diz respeito à permissão da quebra do sábado em casos especiais, como a vida em perigo.

Mas o que Jesus disse significa que os seres humanos não foram criados para observar o sábado, mas que o sábado foi criado para o benefício humano. Ele não disse que o sábado foi feito por causa dos judeus ou de Israel, mas por causa de todos os seres humanos. O sábado legal, do Decálogo, foi dado a Israel como sinal entre Javé e os israelitas (Êx 31.13, 17; Dt 5.15; Ez 20.12). Aqui, o Senhor Jesus se refere ao sábado institucional que Deus estabeleceu para o bem-estar e gozo de todos os seres humanos, e isto está acima de observância meticulosa do sábado.

A frase “Assim, o Filho do Homem até do sábado é senhor” (Mc 2.28) e as passagens paralelas (Mt 12.8; Lc 6.5) são disputadas pelos expositores do Novo Testamento.

Há duas linhas principais de interpretação:

a) a autoridade sobre o sábado foi conferida aos seres humanos, e

b) trata-se do próprio Senhor Jesus.

A primeira nos parece menos aceitável porque Deus nunca delegou autoridade sem limites aos humanos e, também, porque a expressão grega ho huios tou anthrõpos,  “o Filho do Homem”, no singular, é título messiânico e não relativo a humanos. Está claro que Jesus se referia a si mesmo. Esta é a melhor interpretação. Ele revelou seu poder e sua autoridade sobre as enfermidades, sobre a natureza, sobre todos os poderes das trevas, sobre a morte e o inferno; assim, nada mais natural ser mesmo o Senhor do sábado. O sábado veio de Javé e somente ele tem autoridade sobre a instituição. Então, não há outro no universo investido de tamanha autoridade, senão o Filho de Deus.

Mais uma vez, o Senhor Jesus Cristo apresenta o profeta Oseias como autoridade para fundamentar seu ensino (Mt 12.7; Os 6.6). Ele acrescentou ainda que é “lícito fazer bem nos sábados” (Mt 12.12). Isso o próprio Jesus o fez (Mc 3.1-5; Lc 13.10- 13; 14.1-6; Jo 5.8-18; 9.6, 7, 16), e nós também devemos fazer o bem, não importa qual seja o dia da semana. Como o sábado do relato da criação, não é regra legal opressiva; é chamado de sábado institucional que se transferiu para o domingo por causa da ressurreição de Jesus, mas não como mandamento.

Assim, como nada há no Novo Testamento que indique a sua observância, isso por si só mostra que o quarto mandamento não é um preceito moral. Esta interpretação é corroborada pelo fato de nem Jesus nem os apóstolos ensinarem a guarda do sábado. O sábado não foi mencionado quando Jesus citou os mandamentos para o moço rico (Mt 19.17-19). Toda a lei se resume no amor a Deus e ao próximo (Mt 7.12; 22.40; Mc 12.31; Rm 13.10).

O apóstolo Paulo omitiu o quarto mandamento (Rm 13.9). Ele considerava retrocesso espiritual guardar dias, meses e anos (Gi 4.10, 11). Os primeiros cristãos eram judeus de origem e era natural para eles observar os serviços da sinagoga; ainda hoje, muitos judeus que são convertidos à fé cristã preferem não abrir mão de sua identidade judaica, principalmente aqueles que residem em Israel. É mais uma questão cultural. Paulo via o sábado e os preceitos dietéticos, o kashrut, como mera opção pessoal. E, mesmo não havendo prova de que o apóstolo distinguisse preceitos morais e cerimoniais, aqui ele coloca o sábado e o kashrut na mesma categoria (Rm 14.1-6). Segundo Paulo, o antigo concerto foi abolido (2 Co 3.7-14) , incluindo o sábado (Os 2.11). De fato, isso já era anunciado desde o Antigo Testamento (Jr 31.31-34).

Paulo disse que Jesus riscou na cruz “a cédula que era contra nós nas suas ordenanças” (Cl 2.14). O substantivo grego para

“cédula” é cheirgraphon, um hapax legomenon, literalmente, “escrito à mão”. É um documento escrito à mão usado aqui metaforicamente. O termo aparece na literatura grega extra bíblica com vários significados: “lei mosaica, obrigação escrita, contrato” (ROBINSON, 2012, p. 984); “registro de uma conta financeira, conta, registro de dívida” (LOUW & NIDA, 2013, pp. 352, 353). É um certificado de dívida, uma nota promissória. A ordenança, ou dogma76, significa “decreto, ordenança, edito”, um termo usado também em referencia à lei de Moisés (Ef 2.15).

É esse o sentido aqui, pois Jesus disse que a lei nos acusa Go 5.45). O pensamento paulino revela o aspecto condenatório da lei mosaica (Dt 2 7.26; 1 Co 15.56; Gi 3.10) e também o padrão divino para a vida humana (Rm7.13, 14).

A acusação da lei contra nós foi cancelada na cruz do Calvário, e aí o apóstolo inclui o sábado. O apóstolo emprega os dois termos “cédula” e “ordenança” metaforicamente para dizer que fomos perdoados e estamos livres de legalismo: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.16, 17). Com exceção do sangue (At 15.20, 28), as restrições dietéticas de Levítico foram removidas, pois Deus purificou os animais cerimonialmente imundos (At 10.12-15).

Nenhum alimento é imundo por si mesmo (Rm 14.14, 20; 1 Tm 4.3, 4). O que contamina o ser humano é o que sai dele, não o que entra (Mt 15.11-20).
O sábado cerimonial é um termo para designar os festivais de Israel que englobam as festas anuais, mensais e semanais (1 Cr 23.31; 2 Cr 2.4; 8.13; 31.3; Ez 45.17). O sábado cerimonial já está incluído na expressão “dias de festa”. Assim, a “lua nova”, refere-se à festa mensal e a expressão “dos sábados” diz respeito aos sábados semanais. O novo concerto nos isenta de todas essas coisas. Paulo parece empregar uma linguagem platônica no tocante ao mundo real e ao mundo das ideias no v. 17. A sombra é temporária e identifica com imperfeição o objeto que a projetou, sendo portanto inferior a ele, O apóstolo afirma nesta metáfora que a lei é uma projeção, uma sombra da realidade, que é o corpo de Cristo.

O SÁBADO CRISTÃO

O sábado legal do Decálogo foi estabelecido para Israel se lembrar da escravidão no Egito (Dt 5.15). Há certa analogia com o sábado cristão, o domingo, que, sem precisar de imposição legal, passou a ser o dia de adoração cristã coletiva em memória à ressurreição de Cristo que ocorreu num domingo (Mc 16.1-6; Lc 24.1-6). É o sábado institucional.

Isso está claro em três passagens do Novo Testamento: “No primeiro dia da semana, ajuntando os discípulos para o partir do pão” (At 20.7). Era um domingo, “talvez 24 de abril de 57 dc.”, segundo F. F. Bruce (apud STOTT, 1994, p. 360). O “partir do pão” é um termo usado para a Ceia do Senhor (At2.42; 1 Co 10.16; 11.20-26). Segundo o autor citado, essa passagem “é a evidência inequívoca mais primitiva que temos da prática cristã de reunir-se para a adoração nesse dia”. Isso se confirma mais adiante no Novo Testamento: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar” (1 Co 16.2). Temos aqui outra prova de que o primeiro dia da semana era o dia de culto regular. O apóstolo recomendou que nessas reuniões se levantasse uma coleta para socorrer os irmãos pobres de Jerusalém.

O apóstolo João foi arrebatado no dia do Senhor: “Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta” (Ap 1.10). A expressão “dia do Senhor” não é escatológica, pois a construção grega aqui, en të kyriakë hemera, se refere ao domingo. Versões católicas como Figueiredo, Matos Soares e a Biblia do Peregrino empregam “num dia de domingo” para traduzir a referida frase. Esta tradução é aceitável porque está de acordo com o contexto bíblico e histórico.

A palavra kyriakë significa “domingo” ainda hoje na Grécia. O termo “domingo”, literalmente quer dizer, “dia do senhor”, do latim, dominus, “senhor”, e dies, “dia”. Inácio de Antioquia usa a mesma frase grega do apóstolo João em Apocalipse, para indicar o primeiro dia da semana: “Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte” (Magnésios 9.1, Coleção Patrística 1, Fadres Apostólicos). Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia e conheceu os apóstolos Paulo e João. Preso em 110 no reinado de Trajano, foi levado a Roma e atirado às feras. Trata-se de alguém da segunda geração dos apóstolos.

Outra razão que confirma essa interpretação é o fato de a Septuaginta usar uma forma diferente para o “dia do Senhor” escatológico, hëmera tou kyriou ou hëmera kyriou. E o mesmo acontece nas cinco vezes que a frase aparece no Novo Testamento grego (At2.20; 1 CoS.5,2Co 1.14; lTs5.2;2Pe3.10).

Os primeiros pais da Igreja mostram que nos três primeiros séculos da história da Igreja o domingo continuava sendo o dia de reunião dos cristãos. Além de Inácio de Antioquia, isso pode ser ainda visto na Epístola de Barnabé (que não era o Barnabé
citado do Novo Testamento). Trata-se de um documento da primeira metade do século 2, que declara: “Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus” (Epístola de Barnabé, 15.9).

Herdamos dos dias apostólicos essa prática que foi perpetuada pelo tempo. Os preceitos cerimoniais não desobrigam os seres humanos de cultuarem a Deus, mas estes não precisam de rituais e nem lhes é exigido irem a Jerusalém. Da mesma forma, o sábado não precisa ser o sétimo dia da semana. Os adventistas do sétimo estão equivocados quando afirmam que o imperador Constantino substituiu o sábado pelo domingo, e sua doutrina não tem sustentação bíblica. É um erro teológico e histórico.



Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
BIBLIOGRAFIA
Livro Os Dez Mandamentos = CPAD = Esequias Soares


27 de janeiro de 2015

Não Tomarás o Nome do Senhor em Vão



"Não Tomarás o Nome do Senhor em Vão"

TEXTO ÁUREO = "Nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR." 
(Lv 19.12)

VERDADE PRÁTICA = O terceiro mandamento proíbe o juramento indiscriminado e leviano, pois o voto é um tipo de compromisso que deve ser reservado para uma solenidade excepcional e incomum.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = Êxodo 20.7; Mateus 5.33-37; 23.16-19

INTRODUÇÃO

3. O terceiro mandamento. “Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão” (Êx 20.7). O nome de Deus representa Ele mesmo; sua divina natureza; seu infinito poder e seu santo caráter. Este mandamento, portanto, diz respeito à santidade do Senhor. Tomar o nome do Todo-Poderoso em vão é mencioná-lo de modo banal, profano, secular e irreverente.

Tomar o nome do SENHOR, teu Deus, em vão é “recorrer ao irrealismo, ou seja servir-se do nome de Deus para apelar ao que não é expressão do caráter divino”. Tal uso profano do nome de Deus ocorre no perjúrio, na prática da magia e na invocação dos mortos. A proibição é contra o falso juramento e também inclui juramentos levianos e a blasfêmia tão comum em nossos dias. “Este mandamento não obsta o uso do nome de Deus em juramentos verdadeiros e solenes.” Deus odeia a desonestidade, e é pecado sério alguém usar o nome divino para encobrir um coração mau, ou para se fazer melhor do que se é.

A pessoa que procura disfarçar uma vida pecaminosa, ao mesmo tempo em que professa o nome de Cristo, quebra este terceiro mandamento. Tais indivíduos são culpados diante de Deus e só recebem misericórdia depois de se arrependerem. Os justos veneram o nome de Deus por ser santo e sagrado. (Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 190). Alan Cole afirma que “No judaísmo mais recente, esta proibição envolvia qualquer uso impensado e irreverente do nome YHWH. Este só era pronunciado uma vez por ano, pelo sumo-sacerdote, ao abençoar o povo no grande Dia da Expiação (Lv 23:27). Em sua forma original, o mandamento parece ter-se referido a jurar falsamente pelo nome de YHWH (Lv 19:12). Este parece ser o verdadeiro sentido do texto hebraico.

A lei permitia abençoar e amaldiçoar em nome de YHWH (Dt 11:26): isso equivalia virtualmente a proclamar Sua vontade e Seu propósito para com várias classes de indivíduos. Jurar pelo Seu nome era, então, permitido, embora fosse proibido por Cristo, séculos mais tarde (Mt 5.34). Na verdade, jurar pelo Seu nome (e não pelo de qualquer outro deus) era um sinal de que tal pessoa era um adorador de YHWH (Jr 4.2), e por isso era algo digno de louvor. 

Uma razão mais profunda para tal proibição pode ser vista no fato de que Deus era a única realidade viva para a mentalidade israelita. É por isso que Seu nome era sempre envolvido nos votos e juramentos, normalmente na fórmula “tão certo como vive o Senhor” (2 Sm 2:27). Usar tal frase e depois deixar de cumprir o voto era questionar a realidade da própria existência de Deus. Pois YHWH não terá por inocente. A explicação, embora correta, provavelmente não fazia parte do abrupto mandamento apodítico original” (R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 150).].

Todos nos naturalmente temos uma abertura no rosto, a qual chamamos de boca. E obviamente em cada boca à um pequeno órgão chamado língua. A língua, apesar de relativamente pequena quando comparado com o restante do corpo, é uma força muito poderosa e influente no corpo todo. A Bíblia nos diz que: "...A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniquidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno. Pois toda espécie tanto de feras, como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se doma, e tem sido domada pelo gênero humano, mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal..." (Tiago 3:6-8). Paulo nos aconselha que, como cristãos, devemos usar nossa língua para atividades nobres, diz ele: "...Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem..." (Efésios 4:29). Ele também nos diz em Colossenses 3:08 "...Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca...". Neste 3º Mandamento, não estamos falando apenas de uma boca suja, que vomita palavrões ou palavras torpe. Este Mandamento trata de algo muito mais grave, trata-se da utilização indevida ou o uso profano do Santo Nome de Deus em vão. O nome de Deus é para ser usada em conexão com o seu louvor ou sua proclamação. Infelizmente, para muitos parece, que o nome de Deus é como mais uma palavra corriqueira que pode ser usada de qualquer forma.

O terceiro Mandamento - Um nome Venerável

Venerável = Sagrado, Santo; que é digno de veneração, respeito e Reverencia; muito respeitável. Esta é a definição da palavra segundo os dicionários. Nos tempos Bíblicos, ao contrario de hoje os nomes tinham grande importância, os nomes na Bíblia geralmente revelavam algo sobre a pessoa, sua ascendência, sua origem, etc. E isto é especialmente verdadeiro e forte no que diz respeito aos nomes de Deus. Vejamos:

"YHWH / YAHWEH / JEOVÁ / SENHOR" (Deuteronômio 6:4, Daniel 9:14) - A rigor, este é o único nome próprio para Deus. Traduzido nas bíblias em português como "SENHOR" (com letras maiúsculas) para distingui-lo de Adonai, "Senhor". A revelação do nome é primeiramente dada a Moisés "Eu sou quem eu sou" (Êxodo 3:14). Este nome especifica um imediatismo, uma presença. Yahweh está presente, acessível, perto dos que o invocam por livramento (Salmo 107:13), perdão (Salmo 25:11) e orientação (Salmo 31:3). Ele descreve Deus como auto existente imutável e eterno. (Mal. 03:06, Tiago 1:17). Na Bíblia, o nome "SENHOR" muitas vezes está associado a outras palavras formando assim os nomes compostos de Deus que revelam mais sobre Sua natureza e Seus atributos. Alguns deles são:

JEOVÁ-JIRÉ:"O Senhor proverá" (Gênesis 22:14) - o nome utilizado por Abraão quando Deus proveu o carneiro para ser sacrificado no lugar de Isaque.

JEOVÁ-RAFA:"O Senhor que sara" (Êxodo 15:26) - "Eu sou o Senhor que te sara", tanto em corpo e alma. No corpo, através da preservação e da cura de doenças, e na alma, pelo perdão de iniquidades.

JEOVÁ-NISSI:"O Senhor é minha bandeira"(Êxodo 17:15), onde por bandeira entende-se um lugar de reunião antes de uma batalha. Esse nome comemora a vitória sobre os amalequitas no deserto em Êxodo 17.

JEOVÁ-MAKADESH:"O Senhor que santifica, torna santo" (Levítico 20:8, Ezequiel 37:28) - Deus deixa claro que apenas Ele, e não a lei, pode purificar o Seu povo e fazê-los santos.

JEOVÁ-SHALOM:"O Senhor nossa paz" (Juízes 6:24) - o nome dado por Gideão ao altar que ele construiu após o Anjo do Senhor ter-lhe assegurado de que não morreria como achava que morreria depois de vê-lO.

JEOVÁ-ELOIM:"Senhor Deus" (Gênesis 2:4, Salmo 59:5) - uma combinação do singular nome YHWH e o nome genérico "Senhor", significando que Ele é o Senhor dos senhores.

JEOVÁ-TSIDIKENU:"O Senhor nossa justiça" (Jeremias 33:16) - Tal como acontece com Jeová-Makadesh, só Deus proporciona a justiça para o homem, em última instância, na pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo, o qual tornou-se pecado por nós "para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Coríntios 5:21).

JEOVÁ-ROHI:"O Senhor nosso Pastor" (Salmo 23:1) - Depois de Davi ponderar sobre seu relacionamento como um pastor de ovelhas, ele percebeu que era exatamente a mesma relação de Deus com ele, e assim declara: "Yahweh-Rohi é o meu Pastor. Nada me faltará" (Salmo 23:1).

JEOVÁ-SHAMMAH:"O Senhor está ali" (Ezequiel 48:35) - o nome atribuído a Jerusalém e ao templo lá, indicando que o outrora partida glória do Senhor (Ezequiel 8-11) havia retornado (Ezequiel 44:1-4).

JEOVÁ-SABAOTH:"O Senhor dos Exércitos" (Isaías 1:24, Salmos 46:7) - Exércitos significa "hordas", tanto dos anjos quanto dos homens. Ele é o Senhor dos exércitos dos céus e dos habitantes da terra, dos judeus e gentios, dos ricos e pobres, mestres e escravos. O nome expressa a majestade, poder e autoridade de Deus e mostra que Ele é capaz de realizar o que determina a fazer.

"ELOHIM": Deus "Criador, Poderoso e Forte" (Gênesis 17:7; Jeremias 31:33); esta é a forma plural de Eloah, a qual acomoda a doutrina da Trindade, refere-se ao Ser Supremo, fiel, Deus Uno e Trino. 

Na primeira frase da Bíblia, a natureza superlativa do poder de Deus é evidente quando Deus (Elohim) fala para que o mundo exista (Gênesis 1:1). Esta é a palavra comum para Deus na Bíblia. É usado mais de 2.000 vezes no Antigo Testamento. Na verdade, quando Deus saiu da eternidade para revelar-se ao homem, este é o nome que ele escolheu. Um nome representando a si mesmo como o forte e fiel.

EL, ELOAH: Deus "poderoso, forte, proeminente" (Gênesis 7:1, Isaías 9:6) - etimologicamente, El parece significar "poder", como em "Tenho o poder para prejudicá-los" (Gênesis 31:29). El é associado com outras qualidades, tais como integridade (Números 23:19), zelo (Deuteronômio 5:9) e compaixão (Neemias 9:31), mas a raiz original de ‘poder’ continua.

EL SHADDAI: "Deus Todo Poderoso", "O Poderoso de Jacó" (Gênesis 49:24; Salmo 132:2,5) - fala do poder supremo de Deus sobre todos.

ADONAI:"Senhor" (Gênesis 15:2; Juízes 6:15) - usado no lugar de YHWH, o qual os judeus achavam ser sagrado demais para ser pronunciado por homens pecadores. No Antigo Testamento, YHWH é mais utilizado em tratamentos de Deus com o Seu povo, enquanto que Adonai é mais utilizado quando Ele lida com os gentios.

EL ELIOM:"Altíssimo" (Deuteronômio 26:19) - derivado da raiz hebraica para "subir" ou "ascender", então a implicação refere-se a algo que é muito alto. El Elyon denota a exaltação e fala de um direito absoluto ao senhorio.

EL ROI:"Deus que vê" (Gênesis 16:13) - o nome atribuído a Deus por Agar, sozinha e desesperada no deserto depois de ter sido expulsa por Sara (Gênesis 16:1-14). Quando Agar encontrou o Anjo do Senhor, ela percebeu que tinha visto o próprio Deus numa teofania. Ela também percebeu que El Roi a viu em sua angústia e testemunhou ser um Deus que vive e vê tudo.

EL-OLAM:"Deus eterno" (Salmo 90:1-3) -A natureza de Deus não tem princípio, fim e nem quaisquer limitações de tempo. Deus contém dentro de Si mesmo a causa do próprio tempo. "De eternidade a eternidade, tu és Deus."

EL-GIBOR:"Deus Poderoso" (Isaías 9:6)- o nome que descreve o Messias, Jesus Cristo, nesta porção profética de Isaías. Como um guerreiro forte e poderoso, o Messias, o Deus Forte, vai realizar a destruição dos inimigos de Deus e governar com cetro de ferro (Apocalipse 19:15).

O nome de Deus deve ser usado com extrema reverência e adoração. Os escribas por exemplo; quando tinha que escrever o Nome de Deus em uma obra, eles paravam, lavavam-se, mudavam de veste e caneta, e somente assim escrevia. 

Logo em seguida, eles depositava a caneta usada em um lugar onde nunca mais poderia ser usado por ninguém para escrever outra palavra. Ainda hoje muitos judeus ortodoxos para não usar o nome de Deus em vão, nem sequer dizem o nome Jeová ou Javé. Ao invés disso, eles usam a palavra Deus, ou Adonai.

O terceiro Mandamento - Banalizando o nome de Deus

Este mandamento nos diz que é errado usar o nome de Deus em coisas vã. A palavra vão, significa algo vazio, oco, inútil, sem valor; ilusório, sem fundamento real, fútil, frívolo, falso, ignorante, ineficaz. Quando usamos o nome de Deus de forma vã, estamos cometendo uma blasfêmia! Infelizmente, em nossos dias ouvimos o Nome de Deus ser degradado com muito mais frequência do que ouvimos ser exaltado! É quase que normal ouvirmos palavras de maldição em conjunto com o nome de Deus, coisa do tipo pesar a mão, aperta, etc, mas se analisarmos os exemplos dos santos na Bíblia, não vemos nada disso; mas sim quando eles eram ofendidos perseguidos e ate mesmo apedrejados, clamavam a Deus para perdoar seus agressores, hoje muitos de nos por qualquer coisa já esta pedindo a Deus para pesar a mão, usando desta forma o nome de Deus para a maldição do próximo.

Quantas vezes ouvimos, a expressão: Oh Deus!, Oh meu Deus!, Jesus, Oh Jesus, Oh Cristo, Jesus Cristo!, Deus Todo Poderoso!, Oh, Senhor!, Meu Deus!, my god, ou qualquer um dos milhares de jargões que mesmo os cristãos muitas vezes usam de forma inapropriada. Na TV os artista brincam com o nome de Deus, e seus clichês são logo absorvidos pela plateia. Pessoa usam o nome de Deus em associação a seus clubes de futebol, etc. Ou mesmo quando pronunciamos o nome de Deus metodicamente, quero dizer, domingo após domingo, nas canções e nas orações e nos testemunhos, mas sem sinceridade e sem reverência genuína, estamos usando o nome de Deus em vão. Ou quando usamos como uma camuflagem em meio a hipocrisia, prometemos a Deus fazer uma coisa e fazemos outra, então somos culpados diante dEle. Se seu nome revela seu caráter, e nós estamos usando Seu Nome, então a nossa hipocrisia envia uma falsa imagem de Deus e, portanto, viola o Seu Nome. "A hipocrisia da igreja é muito pior do que a profanação da rua." - Greg Laurie). "...E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?.."(Lucas 6:46). Não seja culpado de se esconder atrás do nome de Deuscomo uma camuflagem para o mal!

O nome de Deus será vindicado

Haverá punição para o infrator, Deus vai lidar com aqueles que intencionalmente violou a santidade do Seu Nome. As pessoas que usam o nome de Deus em vão devem se arrepender. O plano de Deus para o Seu povo é que quando usamos o Seu nome, devemos fazer com reverência e respeito. Os cristãos não têm necessidade de jurar, ou anexar um juramento a seus discursos. "...Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna..."(Mateus 5:37), "...Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em condenação..." (Tiago 5:12). Alguns pode estar se perguntando: O que dizer então? Quanto menos falar, melhor será quando estivermos diante do Senhor "...Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo..." (Mateus 12:36). Deus não quer que você corte a língua de sua boca, mas Ele quer que ela seja consagrada e dedicado totalmente a Sua adoração e Sua glorificação. Como você está usando sua língua? Lembre-se: Não use o nome de Deus em vão.

TOMAR O NOME DE DEUS EM VÃO

A importância do nome = Os nomes das pessoas e das coisas são muito importantes. Tanto é assim que o grande escritor William Shakespeare chegou a escrever em uma das suas peças: “se a rosa tivesse outro nome, não cheiraria tão doce”. 

Nomes são tão importantes que reagimos mal quando nosso nome é escrito ou  pronunciado errado. Nomes ou apelidos (uma outra forma de nome) ridículos causam complexos nas pessoas. Nos tempos bíblicos, os nomes talvez fossem ainda mais importantes, pois, na cultura daquela época, o nome caracterizava a personalidade da pessoa à qual se referia. Conhecer um nome significava ter um certo grau de intimidade com a pessoa que usava aquele nome. Alguns exemplos podem demonstrar bem o que eu acabei de falar:

 •Jacó mudou de nome - para Israel (“aquele que luta com Deus”) -, depois do episódio da luta com o anjo (ver Gênesis capítulo 32, versículos 22 a 30).

•Quando Moisés se encontrou com Deus pela primeira vez, no monte Sinai, assim que soube da sua missão - libertar o povo de Israel da escravidão -, perguntou qual era o nome de Deus. Ao saber esse nome, que ninguém até então conhecia, Moisés demonstraria ao povo de Israel que tinha grande intimidade com Deus.

•Outros personagens bíblicos importantes também mudaram de nome (por exemplo de Abrão para Abraão) ou passaram a ser conhecidos por apelidos  (por exemplo Simão virou Pedro), à medida que evoluiam na vida espiritual.

Dar nome a alguém ou a alguma coisa significava que aquele que estava nomeando tinha poder espiritual sobre o que era nomeado. Por isto, os pais ou as mães davam o nome dos filhos – prática que continua até os dias de hoje -, Adão nomeou os animais (ver Gênesis capítulo 2, versículos 19 e 20) e as pessoas nomeavam os lugares importantes para elas – por exemplo, Jacó fez isto com Betel e Peniel.

E é por causa da importância que o nome tem que somos batizados, segundo ensina a Bíblia, em NOME do Pai, Filho e Espírito Santo e oramos NOME de Jesus.




O porquê do Terceiro Mandamento

O Terceiro Mandamento é o seguinte: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (ver Êxodo, capítulo 20, versículo 7). Acho que pelo que já expliquei antes, fica bem evidente a razão de haver um mandamento com esse conteúdo.

Como ninguém pode compreender totalmente a natureza de Deus e/ou ter poder sobre Ele, ninguém pode nomeá-lo - por isso, Ele mesmo disse a Moisés como deveria ser chamado e a expressão que usou foi propositalmente vaga: “Eu sou o que sou”, ou ainda segundo algumas traduções “Eu serei o que sempre tenho sido” (ver Êxodo capítulo 3, versículos 13 a 15).

Nomear a Deus, portanto, seria como fazer uma imagem ou figura dele - ou seja tentar descrever a sua realidade - o que também é proibido, de acordo com o Segundo Mandamento.

E não é por acaso que o mandamento de não tomar o nome de Deus em vão segue imediatamente o mandamento de não fazer imagens ou figuras Dele, pois uma coisa é, de certa forma, continuação da outra.

Mas se não podemos nomear Deus, muito menos podemos tomar algo que é sagrado - o nome de Deus - para uso  indevido (em vão). Ou seja, não se pode usá-lo em interjeições (algo que é muito comum), em adivinhações, em piadas, em promessas vãs e em maldições. Não podemos associar o nome de Deus a situações desse tipo, pois isso é um desrespeito para com Ele.

É exatamente por isto que os judeus nunca se referem a Deus pelo seu nome, pois não querem correr o risco de violar o Terceiro Mandamento. Usam, em lugar desse nome, as palavras Senhor ou Eterno. Aliás, isto também é feito em muitas traduções da Bíblia: frequentemente, ao vermos grafada a palavra SENHOR (Adonai), é porque no texto original consta o nome Dele.

Juramentos

Resta ainda uma dúvida quanto ao Terceiro Mandamento: podemos jurar em nome de Deus, no caso de uma assunto sério? A resposta para isso é não, mas a proibição  não vem do Terceiro Mandamento em si, mas de um mandamento específico dado pelo próprio Jesus - Ele nos mandou nunca jurar mas somente falar sim ou não (ver Mateus, capítulo 5 versículos  33 a 37).



Conclusão

As razões para o Terceiro Mandamento são muito simples de entender, como também é relativamente simples cumprir o que é pedido de nós. Por isto mesmo é surpreendente perceber que esse é um dos mandamentos mais descumprido pelas pessoas. Na verdade, para cumprir o mandamento basta  ter disciplina para não falar o que não devemos, especialmente quando ficamos estressados e perdemos um pouco o auto-controle. Nesse particular, os cristãos têm muito que aprender com os judeus.



Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
BIBLIOGRAFIA
Lições Bíblicas do 1º Trimestre de 2014 - CPAD - Jovens e Adultos;

desafiodesercristao.blogspot.com.br

redemissionariacrista.blogspot.com.br

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Bíblia de Estudo Defesa da Fé: Questões reais; Respostas precisas; Fé Solidificada. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.

HAMILTON, Vitor P. Manual do Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. I.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

COHEN, Armando Chaves. Comentário Bíblico Êxodo. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1 998.