23 de fevereiro de 2011

A CONVERSÃO DE PAULO = SAULO UM VASO ESCOLHIDO

A CONVERSÃO DE PAULO = SAULO UM VASO ESCOLHIDO


TEXTO ÁUREO = “Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel” (At 9.15).


VERDADE PRÁTICA = A conversão de Saulo foi o maior acontecimento da história da Igreja, depois do Pentecoste.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - ATOS 9.1-6,10-18


INTRODUÇÃO


Cerca de um ano após a morte de Estêvão, acontece à conversão de Saulo de Tarso. Chama-nos a atenção o grande poder de Jesus e a sua imensa graça.

O nosso general precisava de um capitão em seu exército, e foi buscá-lo nas fileiras do Inimigo, transformando-o pelo poder sobrenatural do Espírito Santo, lapidando-o e preparando-o para ser o apóstolo dos gentios.


1 - QUEM ERA SAULO DE TARSO?


1. Antes de sua conversão. Tudo que sabemos dele encontramos em Atos, nas suas epístolas e em II Pedro 3.15. No entanto, possuímos mais dados sobre a vida de Paulo do que acerca de qualquer um dos outros apóstolos. Seu nome hebraico é Shaul, o mesmo nome do primeiro rei de Israel, que significa “pedido”. Seu nome romano é Paulus, que significa “pequeno”. Nasceu em Tarso, grande centro cultural da Cilícia, mas foi criado em Jerusalém, aos pés de Gamaliel (At 22.3; 26.4) e herdou de seu pai a cidadania romana (At 16.37; 21.39; 22.25).


2. Sua aparência física. Muito se tem discutido sobre a sua aparência física, mas a Bíblia nada fala a respeito. O que se costuma dizer em nosso meio é proveniente da tradição que, seguindo a obra apócrifa Atos de Paulo, escrita na segunda metade do segundo século, diz: “E viu Paulo se aproximando, um homem pequeno de estatura, com cabelos ralos na cabeça, torto de pernas, o corpo em bom estado, com sobrancelhas ligadas, e nariz um tanto convexo, cheio de graça, pois algumas vezes ele se assemelha a um homem e algumas vezes têm o rosto de um anjo”.


3. O inimigo implacável do Cristianismo (v. 1). Como membro do Sinédrio, tinha direito a voto (At 26.10). Por isso, votou a favor da morte de Estêvão. Antes de sua conversão, são mencionadas três vezes (At 7.58; 8.1,3) como inimigo implacável da Igreja. A sua perseguição era tão feroz que procurava os discípulos até em suas casas, arrastando impiedosamente até as mulheres, encerrando-os no cárcere. Diz o versículo 1:

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor”. Isso o revela como um animal devastador, feroz e indomável. Ele mesmo declarou: “encerrei muitos dos santos nas prisões, e quando os matavam, eu dava meu voto contra eles” (At 26.10).


A CONVERSÃO DE SAULO DE TARSO


1. “Cartas para Damasco” (v.2). Roma havia concedido aos judeus o direito de extradição dos criminosos fugitivos de Jerusalém. Até onde podemos ver em Atos, ser cristão naqueles dias era não só um crime religioso, mas também civil, Saulo considerava os seguidores de Cristo subversivos. Por isso, conseguiu cartas dos “principais dos sacerdotes” (26.10) e do “sumo sacerdote” (22.5), as quais o investiram de autoridade para prender os discípulos do Senhor Jesus.


2. Na Estrada de Damasco (v.3). Damasco, a 240 km de Jerusalém, levava cerca de uma semana de viagem. Paulo ia com uma comitiva, na tentativa de esmagar o Cristianismo, que, até então, já havia ultrapassado os limites da Judéia, Samaria e Galiléia. Perto de Damasco, ele foi subitamente envolvido por uma luz que o derrubou por terra, e a voz de Jesus o chamou nominalmente.

Ele reconheceu, imediatamente, que se tratava de algo divino, pois disse:

“Quem és Senhor?” (v. 5).


3. Suposta contradição. A aparente discrepância entre Atos 9.7: “ouvindo a voz, mas não vendo ninguém” e Atos 22.9: “mas não ouviram a voz daquele que falava comigo” é meramente uma questão de tradução. O verbo grego usado para “ouvir”, empregado nestas duas passagens, é akouo e significa também “entender, prestar atenção”.

4. Experiência com o Cristo vivo. Esta mudança súbita de Saulo de Tarso tem deixado os judeus estarrecidos, até a atualidade. Muitos ficam sem entender como um homem, o qual agia ferozmente contra os cristãos, de repente passa a ser um deles, defendendo e anunciando com fervor o Cristianismo. Isso é a graça de Deus. Jesus disse: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.8).


O APOSTOLADO DE PAULO


1. A visão de Ananias (vv. 10, 11). Vencido e alvejado pela graça de Deus, Saulo foi conduzido cego para Damasco, para a rua chamada Direita, que existe ainda hoje nesta cidade. Deus, em sua infinita sabedoria, não permitiu que a prova dessa conversão ficasse limitada apenas aos companheiros de Paulo.

Por isso, revelou esse acontecimento a Ananias.


2. Temor de Ananias (13,14). Era uma reação perfeitamente normal a qualquer ser humano. Tendo conhecimento da devastação que Saulo fizera em Jerusalém, após o martírio de Estêvão, e sabedor que ele estava investido da autoridade concedida pelo Sinédrio, para açoitar e aprisionar os discípulos, era mesmo para ficar temeroso. Ananias, porém, ainda não sabia que a graça de Deus havia alvejado o indomável perseguidor, e o tal seria um vaso escolhido para os propósitos divinos.


3. Requisito para o apostolado (v. 15). A luz de Atos 1.2 1,22 era necessária que Paulo tivesse uma chamada específica para o apostolado, a fim de que pudesse ser testemunha da ressurreição de Cristo. Essa exigência foi satisfeita na conversão de Saulo de Tarso, em sua experiência com o nosso Redentor.

Quatro vezes Paulo declara ter visto a Jesus. Isso torna legítimo o seu apostolado (I Co 9. 1; 15.8; II Co 4. 6; Gl 1. 15,16).


4. Questões da crítica textual (vv. 5 e 6). O texto: “duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que faça?”não aparece nas versões Atualizadas e Revisadas de Almeida, na Brasileira e na Nova Versão Internacional, por não se encontrar nos manuscritos gregos.


Está na versão Corrigida, via Vulgata Latina. Erasmo de Roterdã usou, quando preparava a primeira edição de seu Novo Testamento (em grego), lançado em 1516, pois substituiu o grego pelo latim em certas passagens (ele não dispunha de todo o texto grego). Esse texto de Erasmo serviu de base para a versão espanhola de Reina, a inglesa do rei Tiago, e a portuguesa de João Ferreira de Almeida.


A parte do versículo 6 aparece em Atos 22.10. Isso em nada desabona a inspiração e autenticidade da Bíblia. Os próprios críticos reconhecem essa autoridade. São variações oriundas de falhas de copistas durante catorze séculos copiando manualmente essas passagens. São coisas que não comprometem a mensagem do Evangelho, como diz a Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia: “O conseguiu modificar a mensagem, nem mesmo nas minúcias”.


O QUE PAULO REPRESENTA PARA O CRISTIANISMO?


1. O apostolado entre os gentios. A visão de Paulo, no ministério entre os gentios, compartilhada com Barnabé, o tornava “progressista” para a sua época, no mundo judaico, e da mesma forma, as suas doutrinas para os padrões sociais do mundo greco-romano. Ele se tornara o principal representante da nova religião revelada. O seu conceito da divindade contrariava frontalmente as religiões politeístas de seus dias. A nova compreensão sobre o Messias mudou radicalmente sua vida e contrariava não o Antigo Testamento, mas o que o Judaísmo pensava a respeito do Libertador. Paulo considerava os judeus e gentios na mesma situação. Em Romanos, capítulo primeiro, ele descreve a depravação dos gentios.

No segundo, a incredulidade e desobediência dos judeus. No terceiro, põe os dois povos no mesmo bojo: “Todos pecaram” (Rm 3.23). Diante disso, levou avante a ordem de Jesus: “Por que hei de enviar-te aos gentios de longe” (At 22.2 1).


2. As missões. Com resultado das quatro viagens missionárias de Paulo, surgiram as igrejas da Ásia e Europa. A Ele deve-se a expansão do Cristianismo. Suas estratégias missionárias são ainda hoje o modelo para nós. Nenhum homem fez pelo Evangelho o que ele realizou, exceto o próprio Salvador Jesus Cristo.


3. As epístolas. É o maior tesouro que Paulo deixou para a Igreja. São frutos de suas experiências e trabalhos, na direção do Espírito Santo. Seus escritos ocupam um terço do Novo Testamento. Sem as suas cartas, o Cristianismo poderia ser uma mera seita do Judaísmo.


2 - A Conversão de Saulo = Atos 9.1-31

As experiências de Saulo e do estadista etíope se contrastam. Ambos fizeram uma viagem. Um era gentio, outro judeu. O gentio vinha de Jerusalém, onde foi buscar bênçãos espirituais. Saulo ia de Jerusalém a Damasco em viagem de perseguição aos crentes. O primeiro caso é exemplo do texto: “Buscai, e achareis”. O outro, do texto: “Fui achado daqueles que me não buscavam”. O Senhor foi gracioso a ambos os viajantes. Um recebeu a bênção que procurava; o outro, a que não buscava. Ambos foram abençoados e continuaram a viver para Deus.


A Campanha Anticristã de Saulo (At 9.1,2)


A igreja judaica havia sido estabelecida. O Evangelho já tinha alcançado Samaria. Logo Pedro abriria a porta da Igreja aos gentios. Alguém tinha, então, de levar o Evangelho “até aos confins da terra”. Eis o homem certo: Saulo de Tarso. Não acompanhou Cristo na terra. Contudo, não era inferior aos primeiros discípulos quanto ao zelo, conhecimento, poder e trabalho. A vida e ministério de Paulo mostram que o Senhor escolheu o tipo de homem que a situação exigia. Segundo a orientação de Deus, ele faria a religião de Jesus ser uma religião para todos os homens.


1. Um líder religioso. Saulo, provavelmente com 30 anos, era membro do Sinédrio, o concílio religioso judeu. O mesmo que condenou Jesus à morte. Isto é dado a entender pela posição que ocupava entre os judeus daquela época (Gl 1.14), e também pelo papel que desempenhou no processo de Estevão (At 7.58), inclusive seu voto lançado (At 22.20).


2. Um defensor zeloso. Com energia característica, Saulo se dedicava à desarraigar o Cristianismo. Para ele, um movimento perigosíssimo. Provavelmente imaginasse ser “do diabo”.

Dizer que Jesus, crucificado após a condenação do Sinédrio como blasfemador, era o Messias e Filho de Deus seria o cúmulo da blasfêmia. E, quando Estevão falou na anulação da Antiga Aliança e na destruição do Templo, Saulo concluiu que tais ensinos ameaçavam a verdadeira religião. Como se os crentes fossem subversivos e anarquistas! Resolveu, então, salvar o judaísmo mediante a destruição do Cristianismo. Após o apedrejamento de Estevão, começou sua tarefa em Jerusalém (At 8.1-3). Viu o movimento se espalhar para outras cidades. Então, pediu autorização a fim de prender os crentes em Damasco e levá-los para serem processados em Jerusalém.


3. Um cruel perseguidor. Saulo era normalmente bondoso e gentil. Quando, porém, entrou nele o espírito da perseguição, ficou enfurecido contra a Igreja. Como um animal selvagem, prendia homens e mulheres, lançando-os em cárceres, condenando-os a serem açoitados e até mortos. Até procurava forçá-los a blasfemar contra o nome de Cristo (At 22.4; 26.10,11; 1 Co 15.9; Fp 3.6). Qual a explicação para tanta crueldade por parte de um homem devoto e piedoso? Primeiro, agiu “ignorantemente, na incredulidade” (1 Tm 1.13; cf. Lc 23.34). Em segundo lugar, seu zelo era mal orientado. Pensava que, com isso, tributava culto a Deus (Jo 16.2,3). O zelo religioso desprovido do amor de Deus sempre tem sido uma desgraça neste mundo (ver 1 Co 13).


4. A Igreja ameaçada. Cristo prometeu que nunca abandonaria a Igreja (Mt 28.20). Assegurava seus seguidores de que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt 16.18). Parecia, no entanto, que Saulo não sendo afastado do caminho, o Cristianismo seria exterminado. Tenham bom ânimo, discípulos de Cristo: Alguém está se preparando para levar Saulo cativo terminando assim sua carreira de perseguições.


A Luz Celestial (At 9.3)


1. Iniciada a viagem. Levando na bagagem cartas oficiais do Sinédrio, e acompanhado por um grupo de policiais do templo, Saulo iniciou sua viagem. Ia a Damasco para uma campanha anticristã por toda a cidade. Confiava que seria bem recebido pelas autoridades. Afinal, o governador da cidade era amigo do sumo sacerdote (2 Co 11.32). O grupo provavelmente viajava em cavalos e mulas. Levariam cerca de uma semana percorrendo em torno de 240 quilômetros de distância. Saulo tinha bastante tempo para refletir durante a viagem.


2. A viagem interrompida. Por volta do meio-dia (At 22.6), Saulo e o grupo chegavam perto de Damasco. O fato de viajarem na parte mais quente do dia, quando normalmente todos descansavam, demonstra sua impaciência e pressa. Desejava começar a obra de perseguir os cristãos. Será que dúvidas profundas, fruto da meditação, o incomodavam tanto que buscava abafá-las iniciando logo sua obra? Ao aproximar-se de Damasco, “subitamente”, brilhou uma luz do céu ao seu redor.

Brilhava mais do que o próprio sol escaldante da Síria em pleno meio-dia (At 26.13).


A Voz Celestial (At 9.4,5)


1. “Saulo, Saulo, por que me persegues?” O que estas palavras significavam para Saulo? Recebia uma mensagem pessoal do Céu. No Antigo, como no Novo Testamento, quando Deus chamava alguém pelo nome, era sinal de que tinha um cuidado especial por aquela pessoa.

E que a chamava para um serviço especial (ver Gn 22.1; 46.2; Ex 3.4; 1 Sm 3.4; Lc 19.5; At 10.3). Sabia que eram pronunciadas por um ser celestial. Portanto, estava sendo acusado de lutar contra Deus (At 5.39 - Saulo não havia seguido o conselho de Gamaliel, seu professor). As palavras continham um desafio à sua retidão de conduta e crença. “Por quê?” Como Saulo, zeloso pela Lei e por Deus, iluminado pelas palavras de Moisés e dos profetas, chegou ao ponto de lutar contra Deus, pensando que servia a Ele.


2. “Quem és, Senhor?” Saulo tinha consciência de que algum ser celestial lhe aparecera. Ele bem conhecia narrativas de acontecimentos semelhantes no Antigo Testamento (Is 6.1-3; Ez 1.27,28; Dn 10.5-8). Não sabia, no entanto, a identidade do visitante. Era um dos anjos, o Anjo do Senhor ou o Senhor Deus em pessoa? Esta era a razão da sua pergunta.


3. “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”. Que susto enorme para Saulo! O ser celestial era o próprio Jesus, considerado por ele um impostor crucificado. Estevão tinha razão! O crucificado era verdadeiramente o Messias, glorificado e profetizado (At 7.55,56 e Dn 7.13,14). Notemos que Cristo se revelou com o nome humano, tão odiado por Saulo. Não disse: “Sou o Filho de Deus”, nem:

“Sou o Messias”. O próprio Jesus de Nazaré foi glorificado (Jo 1.45,46,49,51).


A Advertência Celestial (At 9.5)


“Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (At 26.14).


1. A ilustração. Nos dias de Paulo, empregavam-se bois para arar. Os bois, no começo, ficavam parados, dando coice para trás. Por meio de pontas metálicas agudas no madeiramento do arado e de um aguilhão na mão do arador, infligia se cruel sofrimento ao boi rebelde. Até que aprendesse a obedecer ao invés de dar coices.


2. A aplicação. Deus queria Saulo num serviço nobre, mas este resistia. Provocava sofrimentos a si próprio. Longe de obedecer ao Altíssimo, era rebelde. Contra que aguilhões Saulo dava pontapés? A resposta,tem conexão com o martírio de Estevão. Estevão foi acusado de blasfemar contra a Lei. Mostrava, porém, a mesma glória do rosto de Moisés ao descer do Sinai com a Lei (At 6.11,15; Ex 34.29). Saulo pensava que Estevão fosse um apóstata condenado ao inferno. No entanto, enquanto era apedrejado, teve a visão celestial do trono de Deus (At 7.55,56). Saulo considerava Estevão um inimigo dos líderes judeus. Estevão, ao invés de amaldiçoá-los, orou invocando perdão para eles (At 7.60).


A vida santa dos crentes perseguidos não deixou de causar impressão na consciência de Paulo. Estevão, acusado de quebrar a Lei, morreu com a paz de espírito dos fiéis à vontade de Deus (At 7.59). Apesar da retidão segundo a Lei exterior e sua paixão pela ortodoxia religiosa, Saulo, por certo, não possuía a satisfação espiritual vista no rosto do mártir.

As palavras do Senhor dão a entender que o Espírito já falava à consciência de Saulo antes de ter este recebido a visão celestial. A voz da consciência por certo estava dizendo: “Paulo, não acha que se enganou? Estevão não tem cara de blasfemador. Os crentes aos quais você persegue têm vidas puras. Será que eles não têm razão ao afirmar que Jesus é o Messias?” No início, Saulo deve ter rejeitado tais sugestões. Deviam ser do próprio Satanás, procurando desviá-lo de cumprir seu dever. As dúvidas, no entanto, continuavam dando origem a uma cruel luta interior. Pela misericórdia de Jesus elas chegaram ao fim no momento da visão. Saulo realmente sofria na sua luta contra os aguilhões da consciência.


As Instruções Celestiais (At 9.6-8)


1. Uma comissão pedida. “Senhor, que queres que faça?” (At 22.10). As palavras indicavam uma entrega incondicional ao Cristo glorificado que lhe apareceu. Tinha sido dominado pela “iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” (2 Co 4.6; Ap 1.16,17; cf. Lc 22.61,62). As palavras revelam, outrossim, o caráter enérgico de Paulo. Sempre pronto para o serviço. A entrega a Cristo que fez naquele instante caracterizou toda a sua carreira missionária.


2. Uma comissão concedida. “Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer”. Saulo, cego dos olhos físicos, foi levado pela mão até Damasco. Pretendia entrar na cidade como representante do Sinédrio e ser recebido com distinção e honra. No entanto, sua entrada foi bem diferente: ferido, abatido, trêmulo e já não ardia em fúria contra os crentes. Pelo contrário, estava disposto a aprender humildemente com o mais simples cristão.


3. Uma comissão mudada. “E Saulo levantou-se da terra...” Caíra por terra como judeu orgulhoso e cruel. Levantou-se como crente humilhado e quebrantado. Num só momento, Cristo o transformara de feroz fariseu em verdadeiro discípulo. Daquele momento em diante, Saulo era uma nova criatura em Cristo (2 Co 5.17). Morrera Saulo, o fariseu; ressuscitara Saulo, o crente. A antiga comissão fora repudiada (At 9.1,2) pois Saulo tinha recebido uma nova (At 26.16-18).


A Bênção Celestial (At 9.9-19)


1. Uma alma ferida. A luz celestial temporariamente cegou a Saulo (At 22.11). Foi providencial, dando a Saulo tempo para meditar sobre sua nova experiência. Durante três dias, sem comida nem água, dedicou-se à oração.

O aparecimento de Cristo mudou tudo para Saulo. Precisava de tempo e silêncio para se ajustar à mudança. Seus olhos foram vendados a fim de que os olhos espirituais se acostumassem à luz recebida.


2. Um mensageiro fiel. Após conversar com Saulo, o Senhor apareceu a um discípulo chamado Ananias. Por seu intermédio, completaria a obra de instruir a Saulo, obra que Deus começou pessoalmente. Mesmo havendo a possibilidade de instruí-lo, Cristo lança mão de instrumentos humanos para tal serviço (At 10.3-6). Ananias recebeu a ordem de ir a certo endereço procurar Saulo e ministrar a ele. O discípulo ficou assustado ao receber tal ordem (vv. 13,14). Geralmente existe conexão entre as visões e o estado das pessoas que as recebem. Por isso, é provável que Ananias, tendo ouvido da comissão de Saulo, orasse pela proteção da igreja em Damasco. Por certo, não imaginava que sua oração fosse respondida exatamente daquele modo!


3. A bem-vinda libertação. Obedientemente, Ananias foi andando para a casa onde Saulo estava hospedado - andou realmente pela fé! A singela fé e obediência de Ananias é demonstrada no seu modo de se dirigir ao antigo perseguidor: “Irmão Saulo...” Com a imposição das mãos de Ananias, Saulo foi curado da cegueira. Depois foi batizado na água, e começou a cooperar na igreja.


Ensinamentos Práticos


1. A comunhão dos seus sofrimentos. “Por que me persegues?” Esta pergunta é como espada de dois gumes. Repreende os perseguidores e consola o povo de Deus. Expressa a contínua presença do Senhor com seus servos. E a identificação com os seus sofrimentos. Quando qualquer parte do nosso corpo é ferida, sentimos dores. Assim também o Cristo glorificado fica sendo, mais uma vez, o varão de dores quando qualquer membro de seu corpo sofre. No dia do Juízo, os perseguidores não arrependidos ouvirão: “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.


2. O dever da cuidadosa reflexão. “Por que me persegues?” Cristo apela à razão do homem. “Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor...” Deus quer levar todos a meditarem profundamente sobre a sua vida e o seu relacionamento com ele.

Oxalá as pessoas meditassem mais! Males são praticados por falta de reflexão. Por falta de se entender as conseqüências ou as verdadeiras razões do que se faz. A maioria das pessoas são impulsionadas por paixões cegas. Enquanto isso, seu juízo fica adormecido. “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is 1.3).


3. As conseqüências de se resistir a Deus. “Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões”. Já explicamos a figura. Vamos considerar as palavras como parábola do relacionamento entre o homem e seu Criador.


3.1. O boi. Por que o homem é comparado a ele? É um animal valioso e depende do dono para suprir suas necessidades. Do boi se exige, com toda a razão, o serviço, que pode ser muito frutífero.


3.2. O aguilhão. O instrumento, por doloroso que seja, é necessário por causa da natureza obstinada do boi. Quais OS aguilhões que Deus emprega para amansar a natureza rebelde do homem? Bons conselhos de amigos; sermões bem aplicáveis; aflições; a operação do Espírito Santo sobre a consciência.


3.3. Os coices. O boi estultamente dá coices quando Sente O aguilhão, que assim dói muito mais. Da mesma forma, há pessoas que zombam dos bons conselhos, rejeitam exortações, ficam zangadas quando o sermão ataca seus erros e, embora não possam empregar violência contra o povo de Deus, o perseguem com calúnias, zombarias e críticas. Mesmo assim, é duro recalcitrar contra os aguilhões. “O caminho dos transgressores é áspero”. Lutamos contra o nosso próprio bem, quando lutamos contra Deus.


4. A variedade nas conversões. A conversão de Saulo foi súbita, violenta e espetacular. Muitas conversões são assim. Como o carcereiro de Filipos, precisam de um terremoto para despertá-los a fim de reconhecerem seu pecado e a necessidade de salvação. Outras, como Lídia (At 16.14), abrem seu coração com mais naturalidade às suaves influências do Espírito Santo. O que Saulo fez de bom para merecer a salvação? Nada. Pelo contrário, estava empenhado em perseguir a Igreja. Da profundidade da sua experiência podia dizer: “Pela graça sois salvos”. A conversão de Lídia, por outro lado, resultou da sua piedosa busca por Deus nas reuniões de oração.


A lição a ser meditada é que Deus trata com os indivíduos de diferentes modos. Alguém disse com acerto: “O Espírito Santo não tem hábitos”. Ele é livre e soberano em todas as suas operações. Afinal, a questão não é como alguém foi convertido, e sim, se realmente recebeu a Cristo. Depois, sua vida revelará a Cristo: “Por seus frutos os conhecereis”.


5. O mistério da regeneração. “E os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém” (At 9.7). “Os que estavam comigo, viram a luz, sem contudo perceber o sentido de quem falava comigo” (At 22.9). Os homens que acompanhavam Saulo ouviram um som. Mas não entenderam o que era falado. O verbo grego “ouvir” tem o sentido de “entender” também. A tradução depende da regência. Por isso a dúvida que surge em traduções que colocam “ouvir” em ambas as passagens.


Como os acompanhantes de Paulo, hoje, os não-convertidos nada compreendem sobre a vida espiritual: “Ora o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2.14).

Muitas pessoas são espiritualmente cegas. A questão é: Desejam ver realmente ou preferem continuar cegas? A fé é o remédio, porque, em assuntos espirituais, só vemos depois de crermos.


6. Perguntas da alma despertada. O despertamento espiritual de Saulo foi evidenciado nas suas duas perguntas: “Quem és, Senhor?” e “Senhor, que queres que faça?” Estas perguntas servem como teste do nosso crescimento na graça. Temos desejo de saber mais e mais acerca de Cristo? Nossa atitude é de obediência, buscando conhecer a sua vontade para nós?


7. Da morte para a vida. “E esteve três dias sem ver...” (v. 9). Jonas passou três dias no grande peixe. Depois surgiu para um ministério renovado. Cristo ficou três dias sob a terra e, então, ressuscitou para uma nova vida. Da mesma forma, os três dias que Saulo passou na escuridão simbolizam a morte de sua antiga vida e a ressurreição para a nova. Os prazeres anteriores já não existem. Suas atividades passadas terminaram. Seus velhos amigos se foram. No silêncio e na escuridão, a nova vida tomava vulto. Nova luz se acendia em sua alma. A salvação raiava em seu íntimo, e suas forças se reorganizavam para o cumprimento de novo ministério. Os novos amigos já chegavam à porta. Os dias de inatividade forçada podem servir para renovação espiritual.


8. Nada é difícil demais para o Senhor. Leia os vv. 10-14, observando como Ananias parece estar explicando suas dificuldades ao Senhor. Como se Deus não conhecesse muito bem a Saulo. Ananias, como muitos de nós, achava difícil considerar um problema muito grande solucionado e e agir com plena fé de que Deus já removera os obstáculos. Saulo parecia tão fora do alcance da graça divina! Os melhores servos de Deus, geralmente, eram pessoas que pareciam fora do alcance da religião. Se tivéssemos os olhos de Cristo! Nunca consideraríamos ninguém pecaminoso ou endurecido demais para a graça salvadora, revelada em Jesus Cristo.


9. Escolhido para o serviço. “Este é para mim um vaso escolhido...” O mundo é o campo em que Deus opera. E está cheio dos seus instrumentos. Cada ser humano pode ser transformado em instrumento de Deus. O Senhor vê tudo e sabe onde achar vasos para seu serviço. Dois fatos ocorrem nas conversões: o homem recebe um poderoso Salvador e Deus um servo dedicado. Podemos testificar que achamos um grande Salvador? E o Senhor? Pode testificar que, em nós, achou um servo fiel?


10. Sofrimento e serviço. Jesus disse: “E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome”. A alegria do Senhor sempre está conosco. Mas, em um mundo imperfeito como é este, não podemos imaginar que passaremos a vida sem dificuldades. Quando sofremos por causa das nossas próprias falhas, isto não é surpreendente. As vezes, porém, ficamos perplexos quando fazemos o bem, e ainda passamos por momentos difíceis. Pedro disse: “Se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus” (1 Pe 2.20).


11. Caloroso aperto de mão no escuro. Quanto valeu a Saulo o toque amistoso da mão de Ananias? E sua voz bondosa? Foi motivo de alegria para o antigo perseguidor ser chamado “irmão”. Desta forma, Saulo soube que os cristãos já lhe tinham perdoado. É só dessa maneira que a obra cristã pode ir adiante. As pessoas necessitam mais de nossa simpatia do que das críticas. Precisam de um caloroso aperto de mão, não de olhar frio.


12. “Eis que ele está orando “. Ananias não tinha razão de temer um encontro com o terrível Saulo de Tarso. O Senhor já lhe explicara: “Pois eis que ele está orando”. A oração era uma evidência da conversão de Saulo. O caráter de Saulo foi marcado, durante todo o seu ministério, pela incessante oração em prol dos convertidos. A nossa conversão traz o selo da oração?


3 - A Conversão e a Chamada de Paulo (9:1-19a). A


Filipe desaparece abruptamente da história e, de modo igualmente abrupto, reaparece o jovem chamado Saulo, em feroz perseguição aos cristãos. No caminho de Damasco, viu uma luz ofuscante, e ouviu a voz de Jesus que o ordenou a cessar de perseguí-lo e a dispor-se a fazer coisa nova. Entrementes, um discípulo em Damasco estava sendo preparado para ir encontrar-se com ele e transmitir a ele a cura da sua cegueira e o batismo como cristão.

A Ananias foi revelado que Saulo seria uma testemunha de Jesus diante de gentios e judeus, e que sofreria por amor a Jesus.

A substância da história é narrada duas vezes mais, no discurso de Paulo98 diante da multidão em Jerusalém em 22:3-16, e no seu testemunho diante de Agripa e Festo em 26:4-l8. Estas duas narrativas são feitas na primeira pessoa, e mostram certa quantidade de variação, por aquilo que omitem e acrescentam em comparação com a presente versão da história.


Embora críticos do passado tenham debatido se Lucas tinha até três versões separadas da história, a tendência atual (associada com a suposição de que Lucas não dava transcrições literais dos vários discursos de Paulo) é alegar que Lucas possuía uma só versão da história, e que a apresentou de três modos diferentes. Se for correto este ponto de vista, seguir-se-á que não temos o problema de harmonizar duas ou mais versões da história, que talvez tenham diferenças significantes entre si; pelo contrário, as diferenças são meramente literárias — o próprio Lucas não via nelas problema algum.


O fato de Paulo ter sido convertido e ter recebido a chamada para ser um missionário está fora de dúvida. Ele mesmo se refere ao fato em 1 Coríntios 15:8-9; Gálatas 1:12-17; Fffipenses 3:3-7; e 1 Timóteo 1:12-16. Estas passagens descrevem como Paulo tinha sido um perseguidor da igreja que, tendo uma visto de Jesus, veio a ser chamado para o apostolado (cf. 1 Co 9:1) e convocado para pregar aos gentios. A partir de Gálatas 1:16-17, pode-se deduzir que, imediatamente depois da sua chamada, foi para Damasco e, depois de uma visita à Arábia, voltou para Damasco.


A narrativa em Atos dá mais detalhes deste evento, e deve ficar claro que as versões dele, dadas por Lucas e Paulo, estio de acordo essencial quanto aos aspectos básicos. Os problemas que surgem dizem respeito ao modo de a história ser contada em Atos. Qualquer narrativa daquilo que aconteceu deve ter vindo, em última análise, de Paulo e Ananias.

A história em Atos pode ser compreendida como narrativa baseada nas palavras de Paulo, embora ele mesmo no cite tantos detalhes nas suas Epístolas? Não vemos qualquer dificuldade real em responder afirmativamente a esta pergunta. A história, no entanto, mostra certo número de aspectos em comum com as lendas judaicas:


(1) de Heliodoro, cuja tentativa de furtar dinheiro da tesouraria do templo foi impedida pela visão de um cavaleiro celestial que o fez cair por terra (2 Macabeus cap. 3), bem como (2) da conversão de Asenate, a esposa egípcia de José (no romance José e Asenate). É provável que o máximo que se pode deduzir destas semelhanças é que o modo de a história ser contada tenha sido influenciado pelas formas das lendas judaicas, mas a historicidade básica da narrativa permanece inalterada. Deve-se observar, no entanto, que as diferenças entre as três narrativas em Atos, especialmente no modo em que Jesus dá a Paulo a comissão divina, na estrada no cap. 26, mas somente numa etapa posterior, por Ananias em Damasco, nos caps. 9 e 22, demonstram que, em cada ocasiao, Lucas no procura nos dar uma narrativa dos detalhes precisos daquilo que aconteceu mas, sim, a natureza e significância gerais do evento.


A história começa lembrando-nos a atividade perseguidora movida por Paulo que foi descrita em 8:3. A implicação é que não estava satisfeito com os resultados da campanha em Jerusalém, ainda estava ansioso por fazer mais. Andava dizendo o que faria aos cristãos se não cessassem as suas atividades: a saber, que os mandaria assassinar. É problemático se tinha a autoridade para executá-los legalmente (ver 22:4; 26:10), e talvez a referência diga respeito aquilo que gostaria de fazer aos cristos. Visto que muitos deles tinham fugido de Jerusalém, resolveu persegui-los e trazê-los de volta como prisioneiros para Jerusalém. Para tanto, procurou autoridade da parte do sumo sacerdote (seria Caifás, 18-37 d.C., neste caso) para ir às comunidades judaicas em Damasco.


Damasco era uma cidade importante, cerca de 242 km de Jerusalém, com uma população judaica de consideráveis proporções. Estava dentro da jurisdição da província romana da Síria, e formava parte de Decápolis, uma liga de cidades auto-governadas. Em 2 Coríntios 11:32, Paulo fala de um etnarca de Aretas, rei dos árabes nabateus, que guardava a cidade para impedir que Paulo dela escapasse. No fica claro se este oficial era preposto do rei, residindo em Damasco para cuidar dos interesses dos árabes ali, ou se Damasco naqueles tempos estava sob o controle da Nabatéia.


De qualquer maneira, as comunidades judaicas devem ter tido certos direitos de manter a lei e a ordem entre si mesmas. O problema que surge é se o sumo sacerdote tinha autoridade para intervir nos assuntos delas. Haenchen (pág. 320 n. 2) argumenta com razão que estudiosos anteriores tinham tirado deduções indevidas de passagens tais como 1 Macabeus 15:15.21, que trata de uma situação diferente e muito anterior; quando, porém, argumenta que Lucas fazia parte do número daqueles que interpretavam erroneamente a 1 Macabeus, no precisamos concordar com ele.


Provavelmente Hanson, pág. 112, esteja mais perto da verdade quando sugere que Paulo tinha “autorizaço do Sinédrio para ferir e até mesmo seqüestrar os cristos de destaque, se conseguisse fazê-lo impunemente”. A descriçao dos cristãos como sendo “os que eram do Caminho” é uma peculiaridade de Atos. Pressupõe o emprego do termo “o Caminho” para significar, na realidade, o “Cristianismo” (19:9, 23; 22:4; 24:14, 22).


Por detrás deste termo, há, outrossim, a idéia do “caminho do Senhor/de Deus” (18:25.26), como o “caminho da sa1vaçâo” (16:17). Deus indicou o caminho ou modo de vida que os homens devem seguir se desejam ser salvos (cf. Mc 12:14); a dec1araço dos cristos de que o caminho deles era aquele indicado por Deus levou ao uso absoluto do termo, como aqui. É interessante que a palavra se empregava de modo muito semelhante na seita de Cunr (1QS 9:17-18; 10:21; 11:13), bem como por outros grupos religiosos.


Paulo estava bem adiantado no caminho para Damasco quando foi parado de repente. Cerca do meio-dia (22:6), sem qualquer aviso prévio, viu-se cercado por uma luz que brilhava intensamente, e ouviu uma voz que lhe falava. Estes são dois aspectos que se pode esperar numa revelação divina. A luz brilhante deve ser entendida como expressão da glória divina, e, visto que se sustenta geralmente que nenhum homem pode ver a Deus, não é surpreendente que o efeito da luz fosse a cegueira. De modo semelhante, quando Pedro estava na prisão, seu visitante angelical veio acompanhado por uma luz brilhante (12:7; cf. Mt 17.5).


A voz também é característica da revelação divina (e.g. Êx 3:1-6; Is 6:8; Lc 3:22; 9:35), mas aqui é especifica- mente a voz de Jesus. Pode-se dizer, portanto, que Paulo teve um encontro com o Jesus ressurreto, na qual ouviu Sua voz. Noutros trechos, Paulo diz que Deus lhe revelou Seu Filho (Gl 1:16), mas também vai além, e fala em ver a Jesus (1 Co 9:1; cf. 15:8). Tendo em vista 9:27; 22:14-15 e 26:16, não pode haver dúvida alguma de que a presente passagem deva ser interpretada deste modo. Lucas, no entanto, não nos informa em que forma Jesus foi visto por Paulo, e pode ser relevante o fato que Paulo precisou perguntar pela identidade de quem falava.


A narrativa diz respeito a uma revelação de Jesus vindo do céu, mais do que uma aparência de Jesus antes da Sua ascensão, e, portanto, não devemos imaginar que Jesus surgisse numa forma que (por exemplo) pudesse ser confundida com a de um viajante comum (Lc 24:15). Toda a ênfase na presente narrativa recai sobre aquilo que foi falado a Paulo.

“Porque me persegues?”é uma pergunta que diz respeito ao propósito imediato de Paulo e indica que, embora este pensasse que estava meramente atacando um grupo de homens por seu modo herético de adorar a Deus, estava na realidade atacando um grupo que tinha um porta-voz e representante celestial; atacar aos cristãos era atacar esta figura celestial.

A reação de Paulo foi de surpresa: “Quem és tu, Senhor?” não indica, necessariamente, o reconhecimento da identidade de quem fala; “Senhor” seria o trato de reverência que normalmente seria usado para responder a qualquer ser celeste (10:4). A resposta que Paulo recebeu mostrou que era Jesus quem falava, e a quem perseguia. Logo, o efeito da visão foi indicar a Saulo, que ao perseguir os cristãos, estava perseguindo a Jesus (Lc 10:16), mas, acima de tudo, ao perseguir a Jesus, estava perseguindo Aquele que tinha posição divina, vindicado e sustentado por Deus.


O zelo de Paulo em prol da causa de Deus tornou-se em ataque contra Deus, que ressuscitara Jesus dentre os mortos. Semelhante modo de vida não poderia continuar; devia levantar-se e ir à cidade, onde receberia novas instruções acerca da sua tarefa futura. Ë um mandamento soberano, e supõe-se que Paulo obedeceria se realmente se preocupasse em servir a Deus. A conversação é relatada em termos algo diferentes nas narrativas paralelas, mas não há discrepância básica no contexto geral daquilo que é dito em cada cena no seu todo; o que Ananias disse a Paulo, mais tarde, nesta narrativa, é o equivalente daquilo que lhe foi dito na estrada de Damasco em 26:16-27.


A revelação foi dada somente a Paulo, e seus companheiros não participaram dela; mesmo assim, eram testemunhas de que acontecera algo de incomum (Conzelman, pág. 58). Pararam emudecidos, quando ouviram o som de uma voz, mas não viram a ninguém. Conforme 26:14, viram a luz e caíram por terra, e, segundo 22:9, viram a luz, mas não ouviram a voz. Bruce, (Livro, pág. 197) sugere que nesta passagem, a voz significa a voz de Paulo, e que seus companheiros ficaram surpresos ao ouvi-lo conversar com um interlocutor invisível; mas isto não parece muito provável pois o comentário segue imediatamente após a declaração de Jesus, e se assemelha, na linguagem, a 22:9. Ver mais sobre 22:9.


Para Paulo, fechar os olhos ao ser ferido pela luz brilhante, seria uma ação reflexa instintiva. Ao abri-los depois, ainda continuou sem ver; isto, por si só, não seria desnatural, mas o modo de a cura mais tarde ser dada sugere que era provavelmente sobrenatural. Na sua fraqueza, Paulo precisou ser guiado pelos seus companheiros, e assim chegou a Damasco.

Ali, jejuou durante três dias, sem dúvida ainda vencido pelo choque, e provavelmente como penitência à medida em que percebia ainda mais a enormidade das suas ações.

Entrementes, o Senhor estava fazendo os preparativos para a etapa seguinte na vocação de Paulo. Um cristão chamado Ananías (cf. 22:12 para seu bom caráter) teve um sonho no qual ouviu o Senhor que Se dirigia a ele; a cena relembra a de 1 Samuel cap. 3, onde Samuel ouviu ao Senhor que a ele chamava; no presente contexto, porém, o Senhor deve significar Jesus. Ananias devia ir para uma casa na “Rua Direita”, onde acharia um homem chamado Saulo, de Tarso. A visita seria esperada, pois o próprio Saulo estava orando, e também recebeu uma visão em sonho de um homem chamado Ananias que vinha para impor-lhe as mãos e curá-lo. O plano, portanto, foi confirmado por um sonho duplo (cf. a história de Cornélio e Pedro, 10:1-23).


O nome de Saulo, no entanto, não era desconhecido a Ananias, que protestou que tudo quanto sabia acerca deste homem era que se tratava de um inimigo da igreja. De muitas fontes chegaram notícias dos danos que já fizera em Jerusalém, e rapidamente tinha ficado conhecido por que viajara para Damasco.

O efeito do comentário é lançar em alto relevo a maravilha da conversão de Saulo, ressaltar a maravilha da sua conversão e indicar o contraste entre seu modo de vida anterior e a nova vocação na qual estava para entrar.

Podemos notar, incidentalmente duas novas descrições dos crentes aqui empregadas. Os santos (9:32, 41; 26:10; cf. 20:32; 26:18) é um termo comum nos escritos de Paulo e descreve os cristãos como pessoas que foram separadas para o serviço de Deus e que devem ter um caráter à altura. Os que invocam o teu nome ecoa 2:2 (Joel 2:32) e ocorre outra vez em 22:16, numa ordem dirigida ao próprio Paulo no sentido de ser ele mesmo batizado (ver mais 1 Co 1:2).


O comentário talvez fosse entendido como expresso de desobediência a Deus; Ananias devia ter reconhecido que o Senhor sabia mais do que ele! Mas suas palavras eram perfeitamente naturais, e, neste contexto, servem para introduzir uma declaração adicional pelo Senhor a respeito da sua escolha de Paulo para ser Seu servo.

Em 22:14-1 6, que é, em efeito, uma declaração paralela à presente declaração, aparece na forma de uma instrução divina que Ananias entregou a Paulo a respeito do seu papel futuro. O Senhor já resolvera chamar Paulo ao Seu serviço; escolheu-o como Seu i°2 para a tarefa de levar o Seu nome perante os gentios e reis, e perante o povo de Israel. O pensamento da escolha divina corresponde aqui àquele que se expressa em 22:14 e 26:16, bem como com a convicço do próprio Paulo em Gálatas 1:15. Levar o meu nome é uma expresso incomum que significa dar testemunho de Jesus (cf. 9:27).


Os gentios, os reis e o povo de Israel representam os três grupos principais diante dos quais Paulo, na realidade, dará testemunho mais tarde na história, e a ordem incomum das palavras visa ressaltar a vocação de Paulo para ir aos gentios. “Levar o nome” desta forma no será coisa fácil; acarretará o sofrer por causa de Cristo — contraste marcante com o causar sofrimento aos cristãos (9:13). O Livro de Atos no esconde o fato de que o fiel testemunho a Jesus é uma tarefa custosa em termos do sofrimento que pode acarretar para quem leva as boas novas.


Assim, Ananias foi obedecer à ordem recebida. Deixou de lado as suas dúvidas, calorosamente chamou Paulo de irmão; e impôs sobre ele as mãos. Este ato certamente deve ser entendido como símbolo da cura (Lc 4:40) ao transmitir a bênção divina. No fica claro se no presente contexto também é considerado como sendo a transmissão do Espírito Santo a Paulo e, realmente parece improvável, pois aqui precede o batismo, com o qual normalmente se associaria o recebimento do Espírito. Ao mesmo tempo, Manias indicou sua comissão da parte do mesmo Senhor que já aparecera a Paulo, para trazer-lhe a cura e o dom do Espírito. A volta da vista de Paulo foi indicada pela queda de um tipo de película dos seus olhos (assim como na história de Tobias — Tobias 3:17; 11:13). Foi batizado por Manias — não era necessário um apóstolo para. Cumprir a tarefa e terminou seu jejum.


CONCLUSÃO


O ministério de Paulo entre os gentios, suas viagens missionárias e as epístolas escritas, o tomam o maior herói do Cristianismo. Seus exemplos devem ser seguidos pelos obreiros (I Co 11.1) e seus ensinos obedecidos por todos os cristãos. Suas idéias continuam vivas e atuais, porque foram inspiradas pelo Espírito Santo para a Igreja em todas as épocas.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


BIBLIOGRAFIA


Comentário Bíblico Atos – I. Howard Marshall

Comentário Bíblico Atos – Myer Pearlman

Lições bíblicas CPAD 1996

17 de fevereiro de 2011

Quando a Igreja de Cristo é Perseguida

Quando a Igreja de Cristo é Perseguida


Texto áureo: “Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa (Mateus 5.11)”.
Verdade Prática: Apesar das perseguições contra a Igreja de Cristo, o evangelho torna-se, a cada dia, mais universal e influente. Nenhuma perseguição haverá de deter o avanço da Igreja.
Palavra-chave: (Perseguição) – Tratamento injusto e cruel infligido aos cristãos da Igreja Primitiva.


- CONSIDERAÇÕES SOBRE O QUE FOI PREDITO POR JESUS CRISTO.


“Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado. Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai. Se eu entre eles não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram a mim e a meu Pai. Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa. (João 15. 18 ao 25)”.
“E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. Quando, pois, vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do Homem. Não é o discípulo mais do que o mestre, nem é o servo mais do que o seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo ser com seu senhor.


Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos? Portanto, não os temais, porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se. O que vos digo em trevas, dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido, pregai-o sobre os telhados. E não temais os que matam corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.


Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos. Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.


Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus. Não cuideis que vim trazer a paz a terra; não vim trazer paz, mas espada; porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra... E quem não toma a sua cruz e não segue após mim não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á. (Mateus 10. 22 ao 35; 38 e 39)”.


Mais uma oportuna lição para os dias em que estamos atravessando nesta jornada até a Jerusalém Celestial. Desde já, confesso que aprendi muitas coisas e relembrei de muitas outras a qual já havia sido instruído. Certo estou que o Senhor tem me despertado para ter mais compromisso com sua Obra, sua Igreja, através da perseverança, da paciência, da ajuda aos necessitados, da evangelização, da oração, da verdadeira conversão de nossos atos e pensamentos.


Jesus disse àquele moço: - Falta-te uma coisa ainda! ... Fico a meditar nesta exortação, de quantas coisas nos faltam para agradar nosso Mestre. De tudo que Jesus ensinou e viveu, seguido por seus discípulos, a realidade é que precisamos voltar urgentemente para a Cruz de Cristo, pois me parece que estamos, ou melhor, estive á quilômetros do que a Bíblia Sagrada descreve o que Deus requer de nós, ou de mim mesmo, pois, devemos nos considerar servos inúteis quando fizermos somente o que nos for mandado. Lucas 17.10


O nosso amado comentarista faz uma introdução/resumo sobre como começou a perseguição logo após a morte de Estêvão, seguida pela dispersão de muitos santos da cidade de Jerusalém, portanto não quero me deter, justamente para não haver desgastes, neste particular.
Os versículos acima, propriamente ditos por Jesus Cristo, chamaram fortemente a minha atenção, então, fiz questão de transcrevê-los, imaginando logicamente, que talvez em alguns comentários, entre os mais diversos, também venham ajudar na edificação de nossa fé. Verdade é que tais versículos se explicam por si mesmos e não necessitam de minha ajuda.


Mas está bem claro que desde o princípio, desde que alguém começou invocar o Nome do SENHOR; desde que alguém, por amor á Deus começou a pregar contra as injustiças e contra o pecado, este alguém não foi bem aceito, foi perseguido, maltratado e desprezado.
O que falar de Abel, Enoque, Noé, Abraão, José, Moisés, Josué, os juízes, Jó, Samuel, Davi, todos os profetas, etc.? Entre muitos outros. Todos sofreram algum tipo de infortúnio. Nenhum deles escapou de algum tipo de perseguição, acusação, sofrimento.


Quando Jesus veio á esta terra, veio para nos dar exemplo em tudo. Fico a pensar que talvez alguém, lá algum dia, pensou que Deus deixou seus servos do passado serem perseguidos, porque Deus não tinha vivido as experiências humanas. Mas nos foi provado ao contrário. O Verbo se faz carne, e bem diferente do que os judeus aguardavam o Grande Messias não veio como um líder revolucionário, que lutaria pela “liberdade” terrestre. Mas veio como verdadeiro Deus, tomando a forma de SERVO, para suportar toda dor, todo desprezo, toda tristeza, etc., pois Seu Reino não era deste mundo (João 18.36).


Este Jesus fazia o bem e não era aceito, praticou o amor e não teve retribuição; não humilhou, mas, foi humilhado; determinava a cura e era chamado de demônio, etc. Jesus sim foi perseguido, mostrando assim aos homens que o caminho e a porta que leva para o céus são realmente estreitos. Mas suportou tudo por amor ao homem. Mostrou que nesta vida é sim possível, em carne, viver de modo agradável á Deus, logicamente que nunca chegaremos por nossos próprios esforços a tal posição, mas podemos sim através de Jesus.


Jesus falou que ser perseguiram Ele, então também perseguiriam á nós, mas para nos alegrarmos com tudo isso, pois, nossos nomes estariam escritos nos céus.


- “AI DE VÓS QUANDO TODOS OS HOMENS FALAREM BEM DE VÓS, PORQUE ASSIM FAZIAM SEUS PAIS AOS FALSOS PROFETAS! (LUCAS 6.26)


Meditando em tudo isto, então, não é de assustar quando nos sobrevêm as perseguições, e com certeza elas virão. Ou seja, não é novidade sermos perseguidos.
O texto-áureo cita o que Jesus nos alerta, sobre nos alegrarmos, quando POR CAUSA DO NOME DELE, fôssemos perseguidos.


O Problema está justamente aqui. Hoje em dia a “igreja” não quer mais fazer a diferença (nem todos logicamente, pois o Corpo de Cristo continua puro e perfeito). Mas estamos muito mais preocupados em receber elogios. Elogios de ter alcançado as melhores gravadoras; elogios em termos os melhores horários em programas de rádio e televisões; elogios em termos os sites mais acessados da internet e recebermos prêmios por isto; elogios em termos os melhores e maiores templos, hospitais, escolas, etc.; elogios por sermos os “maiores” pregadores da década; os “grandes” cantores da atualidade; nos vangloriamos de termos pessoas com importantes cargos políticos supostamente lutando por nossa causa nos plenários e câmaras.


Talvez tudo isto seria ótimo, senão o fato de que NÃO somos deste mundo, e que estamos aqui de passagem, e que nossa MISSÃO é juntamente com nossa alma, salvar a daqueles que também estão indo em direção á escuridão das trevas e a condenação perpétua.
A Cruz que Cristo carregou foi pesada demais; a luta dos nossos irmãos foi impiedosa; e pra nós hoje troféus de prata e ouro. Mas que estes troféus fique por aqui mesmo. Nós almejamos uma coroa incorruptível; em ver a face do Mestre Amado.


Minha oração é que as pessoas vejam as nossas boas obras e reconheçam através da nossa vida e testemunho que verdadeiramente o Espírito Santo de Deus habita em nós e que realmente temos alcançado o perdão de Jesus Cristo, o qual eles também podem alcançar.
Mas que nunca, JAMAIS, este “mundo” que jaz no maligno venha nos amar, e que nunca nos tornemos amigos deste mundo, pois este tal é inimigo do nosso Deus e também nosso inimigo.
Querido irmão (ã), se a perseguição está sobre a tua vida, sobre tua família, igreja, etc.; simplesmente por que você está fazendo a vontade de Deus em Jesus, lembre-se que você apenas está participando das mesmas aflições de Jesus Cristo e seus servos.
Então alegre-se, pois, se você participa das perseguições, e continua fiel, então também participará do gozo e glória que nos espera no Reino Celestial.


Que Jesus fortaleça a nossa fé, pois, muito em breve as nossas lágrimas se tornarão em alegria eterna. Jesus ainda é o mesmo, ontem hoje e eternamente.


Que Deus abençoe!
Amém.
Dc. Thiago Rodrigues Teixeira
thrteixeira@hotmail.com

8 de fevereiro de 2011

ASSISTENCIA SOCIAL UM IMPORTANTE NEGOCIO

ASSISTENCIA SOCIAL UM IMPORTANTE NEGOCIO


TEXTO ÁUREO = “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal” (SI 41.1).


VERDADE PRÁTICA = Fé e obras se complementam inseparavelmente na vida daquele que vive para Jesus.


INTRODUÇÃO


Atender ao pobre em suas necessidades é um preceito bíblico (Lv 23. 22; Dt 15. 11; Sl 41.1; 82. 3; At 11. 28-30; GI 2. 10). A missão assistencial da Igreja no mundo é a continuação da obra iniciada por Jesus. Assim como o Senhor jamais se esqueceu dos pobres, a Igreja não deve desprezá-los (Lc 4. 18,19). O imperativo da Grande Comissão inclui, na essência da mensagem do evangelho, o atendimento às pessoas necessitadas. Ver Mt 25. 35-40; Jo 13. 14,15. Nesta lição, estudaremos a responsabilidade social da Igreja.


FUNDAMENTOS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL DA IGREJA


1. No Antigo Testamento (Dt 15. 10,11). Esta é uma das muitas referências do Antigo Testamento sobre o nosso dever de ajudar, assistir e socorrer os necessitados. Devemos atender ao pedinte (Dt 1 5.7-10) e ao carente de víveres para a sua subsistência (SI 132. 15). Ver Lv 19.10; 23.22; Êx 23. 11. A justiça social ordenada por Deus determinava que os ricos não desprezassem os pobres (Dt 15. 7-11), e que o estrangeiro, a viúva e o órfão fossem atendidos em suas necessidades (Ex 22. 22; Dt 10. 18; 14. 29).


2. No Novo Testamento (Mt 26. 11; GI 2. 10). Aqui estão incluídos os pobres, enfermos, deficientes físicos, crianças, idosos, desamparados, desabrigados, encarcerados, bem como os incapazes de retribuir quaisquer favores recebidos (Lc 14. 13,14). Quando Cristo veio ao mundo, a Palestina passava por graves problemas sócio-econômicos, de sorte que muitos o buscavam apenas para saciar a fome (Jo 6.26). É justamente nesse contexto que devemos estudar a ação social da igreja primitiva. Ler At 2. 43-46; 6. 1; Rm 15. 25-27; I Co 16. 1-4; II Co 8; 9; GI 2. 9; Fp 4. 18,19, etc.



A RESPONSABILIDADE SOCIAL DA IGREJA PRIMITIVA


Após o derramamento do Espírito Santo no Dia de Pentecostes em Jerusalém, e a conversão de quase três mil almas a Cristo, houve um grande despertamento espiritual entre os primeiros crentes. A despeito de os apóstolos jamais deixarem arrefecer a principal missão da Igreja na Terra, que compreende: a pregação do evangelho, a doutrina, a comunhão, a fraternidade e a oração (At 2. 42; 4. 31; 5. 42), o Espírito Santo também inspirou e guiou aqueles servos de Deus rumo ao cumprimento da missão social da igreja. Vejamos:


1 Doutrina. “E perseveravam na doutrina dos apóstolos”.
A doutrina cristã, ensinada por Jesus durante seu ministério terreno, continuou no coração e na mente dos apóstolos. Agora, o Espírito Santo vivificava e consolidava em suas mentes tudo quanto o Senhor ensinara como Jesus havia predito (Jo 14. 26; 15.26; 16. 13, 13). A primeira coisa que cuidaram na igreja nascente foi à doutrina, que é essencial à fé cristã.


2. Comunhão. ‘“E perseveravam na comunhão”. Comunhão quer dizer “aquilo que é comum a todos”; “fraternidade”; “compartilhar de um interesse comum”. Portanto, é relacionamento íntimo e fraternal entre os irmãos. Na igreja primitiva, era uma prática que fortalecia o relacionamento social e despertava a sensibilidade dos crentes pelas necessidades uns dos outros (At 2. 44-46; 4. 32-36).


3. Solidariedade. “E perseveravam no partir do pão”. Em Atos 2.42, pode referir-se tanto às refeições comuns quanto à Ceia do Senhor. Era costume, entre os judeus, representar a comunhão entre as pessoas, segurando com as mãos o pão e partindo-o em pedaços, ao invés de cortá-lo (Lc 22. 19; I Co 11. 24). Era um ato de fraternidade e solidariedade entre os irmãos. Essa prática sugere a necessidade de a Igreja partilhar, por meio do serviço social, o pão material com os necessitados.


4. Oração. “E perseveravam nas orações”. O sentido plural da palavra oração indica a diversidade dos propósitos pelos quais oramos, bem como as diferentes formas de oração. A oração foi à força motriz do grande avivamento no dia de Pentecostes (At 1. 14; 2. 1; 3. 1). Havia uma assídua participação nas reuniões de oração da igreja primitiva, porque os crentes estavam sempre unidos em um mesmo Espírito, fé e amor.


UM PROFUNDO SENSO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL
(vv. 44,45)


Ao invés de a igreja primitiva discutir se era ou não de sua responsabilidade suprir as necessidades dos cristãos pobres, realizava esse serviço movido de amor e compaixão de Deus. O bem-estar social de cada irmão em Cristo tinha sua base nos valores espirituais e morais da igreja nascente.


1. A igreja era caridosa (At 2. 45). Os versículos 43 e 44 indicam três qualidades da igreja cristã: temor, fervor pentecostal e unidade. No original, os verbos dos vv. 43,44 descrevem uma ação repetida e contínua - os discípulos continuavam sendo cheios de temor e vendendo seus bens à medida que as necessidades individuais surgiam: “repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (v.45). O temor dos crentes não era medo, mas um profundo reconhecimento de que tudo o que estava acontecendo com eles procedia de Deus.
A igreja era pentecostal, no sentido bíblico da palavra, e unida: “tinham tudo em comum”.A consciência dos crentes foi despertada para sair da neutralidade e da omissão social.


2. Consciência das necessidades materiais dos cristãos (At 11. 27-30). A Bíblia registra a profecia concernente à grande fome e empobrecimento que atingiu o mundo de então. Esse fato ocorreu no governo de Cláudio César, imperador de Roma, entre 45-54 d.C. Josefo, historiador judeu, registra uma grande fome na Judéia em 46 d.C. Foi nesse período de extrema necessidade que os cristãos de Antioquia enviaram suprimentos à igreja de Jerusalém. A igreja missionária em Antioquia se preocupava com o estado dos demais cristãos no mundo, especialmente com a igreja-mãe em Jerusalém. Os cristãos foram estimulados a contribuírem conforme suas posses, enviando as ofertas por meio de Barnabé e Paulo, e assim socorreram os irmãos da Judéia.


3. A igreja primitiva cumpria sua missão social (II Co 8. 3,4; 9. 13). A igreja não apenas pregava o evangelho, mas também atendia àqueles que necessitavam de socorro físico e material (Gl 2. 9,10).

Os seguintes princípios devem nortear o serviço social da igreja:

a) Mutualidade - isto é, ser generoso, recíproco, solidário.
b) Responsabilidade-trata-se de privilégio e não obrigação (II Co 8. 4; 9. 7);
c) Proporcionalidade - contribuição de acordo com as possibilidades individuais (II Co 9. 6,7).


EXEMPLOS DE AÇÕES GENEROSAS ( Co 8.1-6,9; 9.1,2)


1. O exemplo dos macedônios (8.1-6). O princípio da generosidade está fundamentado na idéia de doar e não de ter (II Co 8.12). A prova vem das igrejas macedônias que eram gentias e, apesar de suas dificuldades e pobreza, foram capazes, por causa do amor a Deus, de ofertar o pouco que tinham para socorrer os pobres de Jerusalém. Paulo cita-lhes o exemplo e passa a exortar os coríntios a que observem a mesma prática em termos de contribuição. O apóstolo apela para os cristãos de Corinto ser abundantes na generosidade para com os irmãos necessitados, especialmente, os de Jerusalém, a Igreja-mãe, pois foi onde tudo começou.


2. O exemplo de Jesus Cristo (8.9). Segundo o Dicionário Houaiss, generosidade é a “virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem”. Esta acepção encaixa- se perfeitamente no que Paulo afirmou acerca do Filho de Deus, dizendo que Ele “sendo rico, por amor de vós se fez pobre” (v.9). Para o apóstolo dos gentios, o sacrifício de Jesus não começou no Calvário, nem sequer com sua humilhação fazendo-se homem e nascendo de mulher.
O sacrifício de nosso Senhor teve início rio Céu, quando se despojou de sua glória para vir a Terra e der a sua vida em resgate da humanidade. Seu exemplo de generosidade vai além de qualquer outro. Paulo diz que Jesus se fez “pobre”, para que, pela sua “pobreza”, nós, cristãos fôssemos enriquecidos (v.9; I Co 1 .5). O sentimento que dominou o ministério de Jesus é o que deve permear o coração dos crentes, tendo disposição de vontade para fazer o melhor pelo Reino de Deus, inclusive, contribuir com amor fraterno para os necessitados (Fp 2.5).


3. O exemplo da igreja coríntia (9.1,2). O apóstolo é amável e felicita os coríntios pela abundância de bênçãos espirituais que têm experimentado.
Em termos de caridade, os coríntios já haviam- na manifestados a Paulo e aos seus companheiros (II Co 8.7). A fim de defender a importância de tal contribuição, ele afirma que Tito fora sido recebido carinhosamente em Corinto e começado o levantamento de ofertas (8.6-1 2). Paulo reconhece esse primeiro esforço, entretanto, recorda-lhes que não devem ficar apenas com esse ato inicial, mas que concretizem o propósito de enviar a oferta que prometeram (8.11).


EXORTAÇÃO AO ESPÍRITO GENEROSO PARA CONTRIBUIR (Co 8.7-15)


1. A igreja de Corinto foi encorajada a repartir generosamente com os necessitados (8.11).

Paulo motiva a igreja lembrando suas virtudes positivas e declara que os coríntios têm sido abundantes na fé, no entanto, apela a que sobejem, também, na graça da generosidade (II Co 8.7). Para não parecer que está exercendo sua autoridade apostólica com atitude interesseira, Paulo apenas dá o seu parecer sobre o assunto. Ele não impõe à igreja qualquer encargo, mas recorre ao espírito generoso dos irmãos quanto à contribuição financeira em favor dos crentes de Jerusalém (v.8).


2. A responsabilidade social da Igreja. Atender ao pobre em suas necessidades é um preceito bíblico (Lv 23.22; Dt 15.11; SI 82.3; At 11.28-30; Cl 2.10; Tg 2.15,16). A missão assistencial da Igreja no mundo é a continuação da obra iniciada por Jesus. Assim como o Senhor jamais se esqueceu dos pobres, a Igreja não deve desprezá-los (Lc 4.1 8,1 9), pois na essência da mensagem do Evangelho está também o atendimento às pessoas necessitadas. A Igreja Primitiva deu ênfase à assistência generosa para com os seus pobres.
A Bíblia afirma que os Cristãos primitivos “repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (At 2.44,45).


3. A generosidade cristã requer reciprocidade mútua dos recursos. O sentimento comunitário é um dos sinais do cristianismo autêntico.
Todos são iguais perante o Senhor, e seus direitos são os mesmos, O princípio da igualdade refuta as diferenças sociais quando é possível que algo seja feito.

A reciprocidade mútua entre os crentes supre as necessidades dos irmãos que fazem parte da mesma fé. Não pode haver espaço para a fome e a nudez no meio do povo de Deus. A base desse sentimento constitui o critério da generosidade que deve permear a vida cristã.


OS PRINCÍPIOS DA GENEROSIDADE ( Co 9.6-15)


1. O valor da liberalidade na contribuição. No Antigo Testamento, a entrega do dízimo obedecia a uma lei. Todo israelita tinha a obrigação de entregar o seu dízimo na Casa do Senhor (Dt 14.22).

O dízimo, mais que uma regra a ser obedecida, é um princípio de gratidão, fé e obediência. O doador o faz porque reconhece o senhorio de Deus sobre suas finanças. Na igreja, o cristão obedece ao princípio da fé e do reconhecimento do Senhorio de Cristo. Assim, do ponto de vista bíblico, a contribuição não se restringe aos 10% (o valor mínimo que o crente deve trazer à casa do tesouro); o princípio que a rege é o da liberalidade. Portanto, não há limite para a contribuição (II Co 9.10). A pessoa oferta o que coração; o que vale é o seu princípio (o dar com liberalidade), não a regra.


Ninguém o faz por força de uma lei ou preceito, mas sim por gratidão ao Senhor, por fidelidade e reconhecimento. As ofertas devem ser espontâneas, de coração aberto, e sem avareza (9.5). Deus se com praz em abençoar a igreja, dando- lhe bênçãos espirituais e materiais. Assim como Ele abençoa seus filhos, espera que seus filhos abençoem generosamente seus irmãos na fé. Este princípio orienta que devemos dar com alegria, não com tristeza ou por necessidade (II Co 9.7).


2. A igreja deve socorrer os necessitados obedecendo a três princípios que norteiam o serviço social. A igreja não apenas prega o Evangelho. Ela deve atender os seus necessitados em termos físicos e materiais (GI 2.9,10). Três princípios são fundamentais neste exercício: a) Mutualidade: Este princípio se manifesta em generosidade, reciprocidade e solidariedade (At 2.44,45); b) Responsabilidade: Com a obra de Deus e com seus irmãos necessitados (2 Co 8.4; 9.7); c) Proporcionalidade: Nesta perspectiva, o cristão contribui de acordo com as suas possibilidades (II Co 8.12).


3. A graça de contribuir. A generosidade requerida por Paulo não se constituía de atitudes vazias ou meras formalidades sociais. As igrejas que ajudam às suas coirmãs, ou investem na obra de evangelização e missões, são abençoadas copiosamente; ofertar é um ato de adoração e louvor a Deus (Fp 4.1 8). Além do mais, a graça de contribuir está fundamentada no princípio de que mais “bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35).



OS CRISTÃOS POBRES DE JERUSALÉM:

Leiamos Rm 15:25-29.


1. O papel da Igreja na socieciedade - O objetivo principal da Igreja é glorificar a Deus (I Cor 10:31). Alguém pode perguntar: "A tarefa principal da Igreja não é a evangelização?" A resposta é afirmativa. Isso, porém, é conseqüência do glorificar a Deus. A atividade da Igreja se direciona em dois sentidos: vertical — adoração, autoridades espirituais; horizontal — servir ao próximo, atividades filantrópicas e sociais. Por isso Deus eseleceu ministérios na Igreja.


2. O reconhecimento dos gentio - (v.27). Os gentios deviam se sentir endividados espiritualmente com os judeus; afinal Jerusalém era a igreja-mãe. Como nós, no Brasil, conhecemos os nossos pioneiros suecos, e temos uma admiração profunda pela Suécia, a nossa mãe, que nos enviou os primeiros missionários. Assim também, os gentios tinham apreço especial pelos irmãos judeus de Jerusalém.


3. Jerusalém e suas necessidades - Agora, a igreja de Jerusalém padecia necessidades. O apóstolo Paulo era um homem muito cuidadoso. Tudo o que fazia, o fazia com dedicação e empenho (Ec 9.10). Seu cuidado com as igrejas não se restringia apenas ao plano espiritual. Paulo, sabendo dessa necessidade, levantou ofertas na Macedônia, na Acaia (v.26; 2 Co 8.1), em Corinto e na Galácia (l Co 16.1-3; 2 Co 8.6-11; 9.1-5), para suprir as necessidades dos irmãos pobres de Jerusalém.


4. Objetivo de Paulo - O apóstolo Paulo via a necessidade de unir as igrejas gentias com a de Jerusalém. Os gentios ainda eram vistos com suspeitas por causa dos costumes judaicos. Essa oferta era um gesto espontâneo baseado no amor fraternal, e com isso levava os gentios a reconhecerem sua dívida espiritual com Jerusalém. Não era uma inovação, pois, cerca de 11 anos antes, juntamente com Barnabé, Paulo levou uma oferta para os necessitados de Jerusalém (At 11.30).


A NECESSIDADE ATUAL:


1. “Ministrar aos santos” (v.25). Essa expressão diz respeito ao serviço social prestado pelo apóstolo aos irmãos pobres de Jerusalém. Ministério significa serviço. Deus incluiu entre os ministérios dados à Igreja, o serviço social (Rm 12.8); depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas (l Co 12.28).


2. Mazelas sociais - Mc 14.7 - Hoje se fala dos meninos e meninas de ruas juntamente com os idosos abandonados, da prostituição infantil, das freqüentes invasões de terra, do desemprego e de outras mazelas. O que a Igreja tem feito para aliviar o sofrimento dessa gente?
É bom lembrar que desde o princípio do mundo que os trabalhos filantrópicos estiveram sempre ligados à religião (Tg l .27).


3. Pão para quem tem fome - Não podemos ficar alheios ao sofrimento do próximo (l Jo 3.17). Con­vém lembrar que uma cesta básica não resolve o problema do pobre. O problema é resolvido à medida que essas pessoas forem absorvidas no mercado de trabalho, ganhando seu pão com o suor do seu rosto. A cesta básica é um paliativo até que essas pessoas consigam emprego. O que não se deve é despedir sem nada o necessitado. Tiago chama esse procedimento de fé morta (Tg 2.14-17).


A FILANTROPIA NA BÍBLIA


1. Esta palavra significa "humanitário, amigo da humanidade", e vem do grego filós, "amigo" e anthropos, "homem". Ora, se os que não têm esperança estão sempre dispostos a ajudar a seu próximo, por que não nós, que somos filhos da luz? O cristão tem inclinação para ajudar os pobres e necessitados, porque ele é "participante da natureza divina" (2 Pe 1.4).


2. Desde Moisés. O assunto da filantropia vem desde Moisés e perpassa toda a Bíblia. Jesus deu o exemplo de filantropia numa época em que não havia infra-estrutura e nem organização estatal. Quando falamos de trabalhos sociais e filantrópicos queremos mostrar as várias maneiras pelas quais a Igreja procura socorrer os pobres nas suas necessidades. Como o pecado é a causa primária dessa miséria, enquanto o mundo subsistir, estas coisas estarão presentes.


3. No Cristianismo. Não demorou muito para que os serviços sociais surgissem na Igreja. Os apóstolos delegaram esses trabalhos aos irmãos vocacionados, de boa reputação, cheio do Espírito Santo e de sabedoria. Os apóstolos deram assim importância a essa atividade, não fi­cando alheios aos problemas dos necessitados. Isso está muito claro em Atos 6.1-6, quando houve a separação de crentes para o diaconato, a fim de servirem nesse ministério.


V. AS BÊNÇÃOS DE DEUS:


1. Comunicar e comunicação - O apóstolo Paulo costuma usar o verbo "comunicar" ou o substantivo "comunicação" com referência ao ato de o cristão compartilhar o que tem com os demais (2 Co 8.4; Fp 4.15). A Versão Almeida Atualizada usa o verbo "associar". Isso diz respeito à ajuda aos necessitados (Hb 13.16) e também à ofertas ou ao sustento missionário (Fp 4.15).


2. Deus promete retribuir – Quem ajuda ao necessitado, Deus o abençoa (2 Co 9.8-12). Temos a promessa de Deus de uma boa colheita – salário abençoado. Por isso, Jesus disse que é melhor dar do que receber (At 20.35). Jesus garantiu que quem assim faz, de maneira nenhuma perderá o seu galardão (Mt 10:42).

3. A omissão dessa responsabilidade é pecado. Deus abençoa, tanto no sentido espiritual como no material aos que ajudam os necessitados. Ele aumenta os bens materiais para que também aumente as condições de ajuda aos necessitados. Quem dá ao pobre empresta a Deus (Pv 19.17). Qualquer omissão diante desta responsabilidade espiritual, pesa sobre a Igreja, pode resultar em graves conseqüências. A Bíblia diz que o "que retém o trigo, o povo o amaldiçoa" (Pv 11.26).


4. A caridade fraternal. Infelizmente ainda há igrejas que continuam insensíveis às necessidades do pobre e aos serviços sociais. Dão muita ênfase à guerra espiritual, ao mundo invisível, mas não se importam com o mundo visível. Não devemos nos esquecer da hospitalidade, dos presos e dos maltratados Hb 13.1-3.


O MINISTÉRIO SOCIAL E O CRESCIMENTO DA IGREJA


No segundo capítulo, falamos da missão da Igreja. Vimos como o mandato evangelístico tem prioridade e como podemos desenvolver um ministério eficiente, ocupando-nos em “edificar Sua Igreja” e em cuidar de todas as responsabilidades do crente, nas quais está incluído o ministério social de que queremos falar neste capítulo.


O Movimento de Crescimento da Igreja tem sido acusado de não dar uma ênfase no ministério social da Igreja. Certo é que, no passado, esta ênfase não foi expressamente articulada e hoje, mais que nunca, temos livros e escritos que demonstram que Crescimento da Igreja está levando em conta todo o evangelho, do qual o ministério social é uma parte. Indubitavelmente, será muito difícil satisfazer a todo o mundo, mas, à medida em que as bases do Crescimento da Igreja forem mais estudadas, maior será o conhecimento e o reconhecimento que receberão. Não podemos polarizar o mandato cultural e nem o evangelístico, mas devemos reconhecer as diferenças entre um e outro.


Conforme já dissemos: “Quanto mais igrejas tivermos, quanto mais crentes formos, não somente teremos uma evangelização mais agressiva e um reconhecimento maior das igrejas, como também poderemos participar mais ativamente nas necessidades físicas e políticas deste mundo. Quando falarmos de libertação, justiça e paz, seremos ouvidos.


Dividiremos nosso estudo em duas partes maiores:


1) o Serviço Social; 2) a Ação Social.


Estes temas estarão sendo considerados em profundidade em conferências internacionais. Quando este livro estiver sendo impresso, estará se reunindo uma delas em Grand Rapids, Michigan, E.U.A., promovida pelo Comitê Para a Evangelização Mundial de Lausane e pela Confraternização Mundial Evangélica.
Isto me faz pensar que os leitores interessados terão muito mais para ler daqui em diante. Espera-se que, nesta conferência, analise-se a história e as Escrituras, à luz de experiências e estudos contemporâneos, conforme diz Leighton Ford: “Os patrocinadores têm a esperança de que a conferência contribua grandemente para esclarecer a visão evangélica desta relação crucial entre a evangelização e a responsabilidade social”. Faremos nossa parte neste capítulo para apresentar o pensamento c Crescimento da Igreja.


O Serviço Social


Este é um tipo de ministério que satisfaz às necessidades tanto de indivíduos como de grupos ou pessoas de uma forma direta e imediata. Isto não é nada novo para a Igreja e o temos feito em uma medida ou outra. Já mencionei que quando nasci meus pais pertenciam ao Exército de Salvação. Ali conheci muito de perto o que isto queria dizer: “fazer serviço social”. Aprendi a solicitar ajuda de alimentos, abrigos e até mesmo dinheiro. Lembro-me quando falava com comerciantes, chefes de casas de cereais e autoridades municipais, etc. Voltava sempre carregado com as “cooperações” que esta gente dava. Pergunto-me hoje, como me escutavam, como me davam coisas. O certo é que o faziam. Hoje, minha surpresa maior é quando me lembro que não tinha mais de 9 anos de idade. Quando eu tinha esta idade, nós nos mudamos de lugar e começamos a freqüentar a Igreja dos Irmãos, com a qual trabalho até o presente.


Certamente, o serviço social não está limitado ao que eu podia fazer como criança. E muito máis do que providenciar comida ao necessitado e agasalho ao que tem frio. Há tempo de fome, quando se deve providenciar alimentos. Terremotos e outros fenômenos naturais requerem a ação da Igreja. Quando surgem epidemias, a Igreja pode prover medicamentos e cuidados médicos. Muito do evangelho conhecido hoje na América Latina e a implantação de muitas igrejas têm ocorrido através de escolas, orfanatos e postos de saúde que foram abertos em nossos países. Primeiro, a evangelização de presença 1 -P semeou de modo que, quando o evangelho 2-P foi pregado, as pessoas escutaram e o aceitaram para, em seguida, serem incorporadas às igrejas como membros responsáveis e reprodutivos 3-P.


Não somente os países desenvolvidos têm agências e organizações para realizar este serviço social; pois elas também existem nos países latino-americanos. Vemos isso também dentro das igrejas, onde se está tratando de suprir a necessidade do ser humano.

Temos organizações como a Visão Mundial, que trabalham especificamente para suprir esta necessidade. Muitas destas organizações trabalham com duas metas. A primeira, é a de “auxílio de emergência” aos povos e indivíduos, quando os males já aconteceram.


A segunda, é ajudar o desenvolvimento, onde, por meio do ensino e prática, pode-se preparar pessoas desta ou daquela região para que saibam como ter melhores colheitas, água, alimento, etc. Como tais, estas organizações são muito produtivas ainda que às vezes sejam mal interpretadas. A maioria dos crentes está envolvida no serviço social de uma forma ou de outra. Em nossa igreja, há irmãos que, sem fazer alarde ou muitas perguntas, são vistos chegando aos cultos com uma cesta de alimentos ou roupas. Ao terminar o culto, outra pessoa sai com a mesma cesta. Trata-se de alguém que soube de algum necessitado e supriu-lhe as necessidades.


As vezes, alguns chegam e me dizem: “Pastor, o que o senhor acha se alguns de nós, ou da tesouraria da igreja, ajudássemos fulano ou ciclano?”. Sem convocar a uma sessão plenária ou esperar semanas para resolver, a comissão responsável se reúne e decide. Não sei de nenhum caso legítimo que se tenha negado ajuda.


Ainda podemos encontrar situações em que o mandato cultural terá prioridade sobre o evangelístico. O Dr. McGravan considera isto e ensina: “... em algumas circunstâncias e, sem dúvida, por tempo limitado, algum aspecto de ordem social, poderá cristianizar-se e será necessário dar prioridade a este aspecto do que à evangelização” Um exemplo clássico é do Bom Samaritano. Ali, a prioridade era auxiliar o necessitado e curar suas feridas. As condições deste homem não pareciam muito favoráveis para que se lhe apresentasse uma mensagem evangelística. Wagner diz: “Se um edifício estiver se incendiando, não será apropriado fazer uma reunião ao ar livre. O mais importante será ajudar a apagar o fogo e atender às vítimas” Nossa própria lógica nos ajudará a tomarmos resoluções nesses casos.


Deixem-me repetir o que disse antes: quanto maior formos em número, maior será a nossa eficácia. O impacto será maior. Quanto maior o número de membros de uma igreja, haverá mais pessoas para realizar o trabalho. Além disso, em uma igreja “suficientemente grande ”, haverá quem tenha dons específicos para o serviço social. Isto permitirá também que, embora alguns estejam ocupados no aspecto do Mandato Evangelístico, outros poderão desenvolver e usar seus dons espirituais no cumprimento do Mandato Cultural. McGravan tem dito também que, nas causas sociais: “nós, os crentes, não triunfaremos, a menos que sejamos um grande número” Não precisamos ser eruditos para perceber isto. O bispo Stephen Neil está convencido de que: “a ordem de prioridade deve ser sempre a conversão primeiro, depois, a mudança social”.


Há três anos atrás, na igreja que pastoreamos quando começamos com zero de assistência, o que podíamos fazer em serviço social era muito limitado, mas, hoje, podemos realizar muito mais. Pregamos o evangelho e ensinamos a nossa congregação tanto quanto o tempo e as energias nos permitem. Estamos recrutando ajuda de outras pessoas que possam constituir uma equipe de trabalho pastoral. O Senhor está acrescentando a cada dia os que hão de ser salvos. Creio que estamos cumprindo a prioridade do Mandato Evangelístico.

Todavia, minha esposa, que é minha mão direita em todo meu trabalho, acaba de preparar um projeto de “serviço social”, que complementa tudo o que se tem feito até aqui. Logo, apresentaremos isto à igreja para sua aprovação e implementação.

No sul da Califórnia, temos alguns problemas sociais muito especiais e particulares. A invasão de pessoas de todos os países latino- americanos cria uma situação complexa e a igreja precisa considerá-la. Talvez seja muito diferente da que você tem no lugar onde está, mas onde nós estamos, consideramos estas “necessidades reais” de nossa comunidade e estas necessidades são as que estamos tratando de suprir.


Quanto mais nossa igreja cresce, seja em número ou espiritualmente, cremos que tanto mais fácil será alcançarmos a realização destes programas, e a congregação estará estruturada para um maior esforço e resultado. Cremos que os programas de serviço social nos ajudarão a crescer, além de satisfazer às necessidades humanas. J. Edwin Orr disse: “O derramamento do Espírito Santo, ao avivar as igrejas e despertar as massas, promove não somente a evangelização e o ensino da Palavra, como também acelera a ação social.” Isto pode se tornar um círculo construtivo.


A Ação Social


Trata-se de uma classe de ministério relacionada com o conceito de mudar as estruturas sociais. Esta entra no aspecto das mudanças sócio-políticas. Não é que isto tenha necessariamente que acabar sempre em revolução, violência ou desobediência civil. Na América Latina (e ao redor do mundo), temos governos que se aproveitam, tiram vantagens e cometem toda sorte de injustiças sociais. Qual será ou qual deve ser a atitude da Igreja nestas situações? Entendemos que a meta da ação social é a de modificar ou substituir as estruturas políticas que agem assim. E a Igreja?


Uma pergunta que cada um deverá responder pessoalmente e o que eu não pretendo fazer neste livro é a seguinte: quando a Igreja se envolve em ação social, está evangelizando e pode trazer salvação no sentido bíblico? Wagner diz: A ação social é tão complexa que poucos estão capacitados para tomarem uma decisão inteligente no assunto. Como se isto fosse pouco, em nossos países surgem constantemente problemas sociais que demandam sabedoria do alto. “Cada nova estruturação social que surge em nossos países, em transformação, necessita de novas unções do Espírito para cumprir novas tarefas.”


Os problemas sociais são difíceis e complexos até mesmo para os especialistas, quanto mais para a maioria das pessoas de nossas igrejas. Muitas das pessoas que pretenderam ser líderes e os entendidos nestes assuntos não conseguiram fazer nada muito substancial. Até ousaria a dizer que, pelos resultados, pioraram as coisas.
Pelo menos confundiram as pessoas mais novas na fé e se houvessem empregado seu tempo e energia em cumprir com o mandato evangelístico teriam sido mais produtivos e muito mais crentes apoiariam suas intenções de mudanças sociais. Precisamos ter cuidado; lembremos que a ação social pode ser um obstáculo para o nosso crescimento. Wagner nos dá seis razões sobre este assunto. Podemos resumi-Ias assim:


1. O perigo das seleções. Os líderes das congregações ou denominações perdem o contato com o básico, com as pessoas que sinceramente querem servir a Deus, e cujas convicções sobre o envolvimento nos assuntos sociais são negativas frente às atitudes e ações dos líderes.


2. O perigo das divisões. A ação social é controvertida. Certamente deixará cair sementes de divisão nas igrejas, a menos que a congregação se convença que o assunto discutido é claramente bíblico.


3. O perigo da desumanização. Nem sempre percebemos que, ao usar a congregação como instrumento de poder político, alguns membros da mesma podem ser oprimidos. Eles se uniram à igreja por razões espirituais e descobrem que seu dinheiro é usado para fins políticos. Quando uma congregação ou denominação toma uma plataforma política, ela o faz em nome de seus membros, quer estejam de acordo ou não. Isto pode desumanizar estes membros.


4. O perigo da impotência social. As igrejas evangélicas são conservadoras em sua natureza social básica. Isto não é do agrado dos pregoeiros da ação social que desejariam usar as congregações para levarem adiante seus interesses próprios. Por isso, os que se envolvem nestes assuntos tão controvertidos terminam perdendo as forças. Dean Kelley disse: “não devemos esperar que as congregações sejam quartéis onde tropas reformistas militantes estejam prontas para agir nas mudanças sociais”. O próprio Papa, falando sobre a Teologia da Libertação na América Latina, disse aos sacerdotes que pregassem o evangelho e cuidassem dos pobres, e que não se metessem em política”.


5. O perigo da imperfeição. Isto é, no final, não seremos nem uma coisa nem outra. A experiência e os resultados de igrejas envolvidas em ação social não têm sido muito impressionantes. Isto ocorre pelo fato de os pronunciamentos da igreja nesta matéria não terem sido levados muito a sério. Poucas vezes os líderes eclesiásticos têm a perícia tão necessária no campo da ação social.


6. O perigo de “Constantinismo”. (refere-se ao imperador Constantino). Suponhamos que a estrutura congregacional tome uma postura política e ganhe o poder. A meta da Igreja é controlar a política ou a sociedade? Os que têm lido a história não aceitarão esta opção. Não é uma meta recomendável. Quando a Igreja controla o mundo tende a perder o poder profético.


Um dos problemas mais graves que nós enfrentamos na América Latina é o de ter que aceitar ou decidir sobre opções políticas. Cada país é diferente do outro. Em muitos lugares, a igreja tem se dividido por causa de questões políticas que são complexas e difíceis. A justiça social, por exemplo, tem várias faces. Os direitos humanos podem ser interpretados conforme os interesses de cada um.

Admito que, desde minha infância, fui ensinado em minha igreja e por meus pais que a política não era para os evangélicos. Em minha cidade natal, um pastor que até esteve preso, por estar envolvido com um partido político e por falar publicamente contra outros partidos, tornou-se a “ovelha negra” entre os pastores. Muito querido, muito solicitado para reuniões especiais, etc., mas, quanto à política, nem convém falar. Por estas razões e outras experiências é que devo admitir minha subjetividade no assunto. Sinto-me muito à vontade diante do mandato evangelístico com o aspecto do serviço social, mas tenho problemas com a ação social. Não desejo julgar o leitor, prefiro que cada um faça o que Deus puser em seu coração depois de analisar este capítulo.


Lembremos que, de qualquer maneira, é nas urnas que podemos e devemos definir nossa posição. Se não participamos de uma eleição de qualquer tipo, não estamos exercendo o direito e poder de voto. Logicamente, aqui tudo permanece no segredo da cabine eleitoral; alguns preferem a política fora das urnas, onde possam falar publica- mente e serem conhecidos por todos, passando a ser parte do espetáculo. Isto pode nos levar a formar um novo partido ou começar uma união para a revolução. Como elegeremos? Qual é a ordem divina? Quais são as nossas prioridades como crentes em Cristo Jesus, nosso Salvador? Este é um problema para o qual nunca encontrei uma resposta definitiva.


Em todo pleito político existem crentes de ambos os lados. Que fazer? Vivi isto em minha pátria, vendo várias igrejas onde a congregação estava dividida; onde as igrejas da mesma denominação, na mesma cidade, estavam algumas a favor de um partido, outras, de outro partido. Existem três situações: a favor, contra e neutro. Permanecer neutro será a resposta? Que influência terá isto na igreja local? Corresponde à Grande Comissão?


Uma coisa muito importante considerarmos é que a maioria de nossas igrejas tem mais capacidade e conhecimento para desenvolver um programa de serviço social do que para desenvolver um programa de ação social. Tivemos mais êxito com serviço social, tanto a nível de igreja local, como denominacional e mesmo interdenominacionalmente, do que com ação social. A razão é muito simples:

Poucas igrejas têm os recursos humanos, financeiros e estrutura apropriada para tal ministério. Um fenômeno reconhecido que temos encontrado em nossas pesquisas é que, ainda que cumpramos o mandato cultural, não alcançamos maior média no crescimento da igreja; mas, há um princípio de Crescimento da Igreja: “quando as igrejas se envolvem em serviço social (ajudando nas necessidades humanas), tendem a atrair mais membros novos do que as igrejas que se especializam na ação social (ou seja, mudando as estruturas sociais)”.


Necessitamos de sabedoria divina. Esperemos que os próximos congressos sobre evangelização e princípios sociais nos ajudem. O dilema, todavia, permanece. Nas palavras de Leighton Ford: “Esperar que somente a evangelização mude a sociedade pode ser muito ingênuo. Esperar mudar a sociedade sem mudar as pessoas por intermédio do evangelho será em vão”.

Um representante da América Latina disse ao Dr. Pedro Wagner que “a igreja a qual ele representa quer unicamente missionários que estejam dispostos a participar na mudança das estruturas sociais na América Latina e na libertação do homem latino-americano. Ela quer revolucionários sociais e não evangelistas”.18 Será esta a solução?


Que Deus nos ajude a distinguir entre libertação sócio-política e salvação. O pacto de Lausane diz: “reconciliação com o homem não é reconciliação com Deus, nem ação social é evangelização e nem libertação política é salvação” (Artigo 5).

Minha preocupação é sobre o mal que pode ser trazido para a obra de Deus se não usarmos de sabedoria divina. Poderemos chegar a um acordo e entendimento que nos ajude a cumprir os dois: o mandato evangelístico e o mandato cultural?
“Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”(1 João 3.18)


CONCLUSÃO


A missão da igreja inclui não apenas a proclamação do evangelho, mas também a assistência aos pobres, a cura dos enfermos e a libertação dos oprimidos pelo diabo (Mc 16. 15-1 8). Filantropia sem generosidade não tem valor. A boa filantropia é aquela que baseia suas obras no princípio do amor, que supera todas as deficiências e nos torna úteis ao Reino de Deus. Gratidão e disposição para servir uns aos outros anulam a avareza e abrem as despensas de Deus com bênçãos espirituais e materiais (Ml 3.10).


A generosidade cristã não deve restringir apenas aos trabalhos filatrópicos. Deve ser extensivo ao trabalho de Deus, nos dízimos e nas ofertas, para a expansão do reino de Deus. O ex-primeiro ministro de Israel, Ben Gurion, disse certa vez que Israel vive dos missim e nissim, jogo de palavras hebraicas que significa: "impostos e milagres". A obra de Deus se faz com recursos financeiros - dízimos e ofertas -, e com os milagres. A igreja de Filipos tinha essa visão e não se esqueceu do apóstolo Paulo. O apóstolo ficou deveras agradecido aos filipenses pela lembrança e pela ajuda (Fp 4.14-19).



Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


BIBLIOGRAFIA

Lições bíblicas CPAD 1998
Lições bíblicas CPAD 2007
Lições bíblicas CPAD 2010
Manual de Crescimento da Igreja. Dr. Juan Carlos Miranda

1 de fevereiro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA NA IGREJA

A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA NA IGREJA


TEXTO ÁUREO = “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça”. Hb 12.11


VERDADE APLICADA = A disciplina praticada na igreja treina o cristão na santidade e o desafia a permanecer na presença do Senhor, a autêntica doutrina bíblica auxilia o crente a ter uma vida espiritual abundante, habilitando-o a ser uma poderosa testemunha de Cristo.


LEITURA BIBLICA= I Co 5: 1 - 2 e 5:-11-13


INTRODUÇÃO



Qual o segredo do avanço irresistível da Igreja Primitiva? Já nos capítulos iniciais dos Atos dos Apóstolos, constatamos algo de sumo importância.
Mesmo não possuindo uma fórmula mágica de administração, a Igreja precisou de apenas três décadas para chegar aos pontos mais distantes do Império Romano. Consolidados no ensino da Palavra de Deus mantinham-se os cristãos firmes na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor e reverência.



E muitas eram as maravilhas que o Senhor operava por intermédio deles. Ao contrário do que pensam alguns estudiosos, a Igreja do Pentecostes não era piegas nem emocional; era bíblica e teologicamente cristocéntrica.A fim de nos alicerçarmos no ensino dos apóstolos e dos profetas, entraremos a estudar, a partir deste domingo, as doutrinas fundamentais de nossa fé. E a cada lição constataremos: sem a instrução da Palavra de Deus, o avivamento é impossível.


Uma série de escândalos havia desencadeado sobre a igreja de Corinto, e, possivelmente, o mais vergonhoso de todos eles tenha sido envolvimento íntimo de um de membros com a mulher do seu próprio pai. Como não bastasse, havia ainda outro pecado que se cometia. Não era pecado do membro infrator, mas da congregação. Os cristãos eram tolerantes com o pecado praticado e a liderança da igreja seus não tomara nenhuma medida disciplinar ( I Co 5.2).


1. O PERIGO DA INDIFERENÇA CONTRA O PECADO


O pecado de envolvimento do cristão com a sua madrasta foi tão abominável quanto o da indiferença da igreja pelo pecado. Paulo, porém, ao tomar consciência dos fatos, agiu de modo firme e contundente, a fim de que tais práticas não destruíssem o testemunho acerca de Cristo e sua Palavra (ICo 5.3). Ele, contudo, disciplina o pecador visando recuperá-lo, e não destruí-lo (2Co 13.10).

a) A disciplina visa educar e mudar. A disciplina destinada a mudar e educar o autor do erro é recuperativa. Quando os pais disciplina o filho como “punição” por sua desobediência, a ação é “punitiva’. Quando, porém, pelo fato de amarem o filho, desejam ensiná-lo a não repetir o ato, e após a disciplina, o aconselham e mostram o amor que lhe devotam, e se forem cristãos, oram com ele, a ação é “recuperativa’.


b) A disciplina visa sempre à recuperação — Paulo denominou o pecado de incesto de “pornéia”, ou seja, imoralidade sexual. Sob a lei levítica, a punição seria a morte por apedrejamento (Lv 18.7,8). A lei romana também considerava esse relacionamento ilegal. Esta primeira situação, portanto, não só era errado, como era também um escândalo público. O castigo previsto para tal situação era restrita- mente punitivo, Paulo, entretanto, estabelece um castigo recuperativo. Sua esperança era que, muito embora o castigo fosse severo e humilhante para o homem, isso o levaria ao arrependimento de sorte que seu espírito pudesse ser salvo ( I Co 5.4,5).


c) A falta de disciplina promove destruição — Paulo repreende a igreja de Corinto por tolerar o pecado: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa?” ( I Co 5.6). Em outras palavras, a presença do homem na congregação, sem ser repreendido e disciplinado, levaria outros membros a considerar o pecado levianamente. Alguém até podia seguir o exemplo do homem. A única forma de salvar o corpo, se um pé infeccionado ameaça destruí-lo, é amputar o pé. Melhor é perder o pé do que destruir a vida de todo o corpo: “Lançai fora o velho fermento”, disse Paulo, “para que sejais uma nova massa” ( I Co 5.7).


2. A IGREJA DEVE ASSUMIR POSIÇÃO FIRME CONTRA O PECADO



Para que os coríntios permanecessem puros, a igreja deveria assumir uma posição firme contra o pecado. O apóstolo Paulo os aconselha a andar na companhia de pessoas retas, como meio preventivo contra o pecado: “Já por carta vos escrevi que não vos associeis com os impuros” ( I Co 5.9).


a) O crente iníquo faz o mundo desprezar a igreja — O pecado de um cristão pode prejudicar a congregação inteira, como acontece no corpo humano: “De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” ( I Co 12.26). Daí, Paulo dizer que o culpado, não podia continuar como membro da igreja, pois toda a congregação estava sendo prejudicada. O infrator deveria ser excluído até arrepender-se de seu pecado, para mais tarde, ser restituído novamente à comunhão (2Co 2.5-11).


b) O pecado corrompe a vida espiritual do cristão — Paulo compara o fermento ao processo pelo qual o pecado se propaga numa igreja, corrompendo assim a vida espiritual de muitos: “Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia...” ( I Co 5.8).
Qualquer igreja que não toma medidas severas contra a imoralidade sexual entre seus membros descobrirá que a influência maligna desse mal se alastrará pela congregação e contaminará várias pessoas. O pecado deve ser rigorosamente removido; de outro modo, o Espírito Santo não terá lugar nesta igreja (Ap 2.3).


c) A disciplina é necessária para o bem da comunidade — Um pecador persistente, que continua sendo aceito sem disciplina dentro da comunidade cristã, mancha todo o corpo. Notemos que Paulo se refere às práticas pecaminosas deliberadamente repetidas dentro da comunidade. Todos nós cometemos pecados e precisamos de purificação; mas todos nós temos a obrigação de ser implacável com qualquer coisa que enfraqueça a nossa vocação ou contamine a nossa comunhão com Cristo. Paulo não está esperando santidade perfeita ou pureza absoluta; ele apela para que haja sinceridade e compromisso com a verdade (l Co 5.8).


3. O CRISTÃO RESTAURADO HONRA A CRISTO


Quando a igreja disciplina o cristão, deve fazê-lo como ato redentor. Nunca devemos sentir prazer em punir as pessoas. Devemos, antes, lamentar, porque o cristão que peca traz vergonha sobre a igreja e o nome de Cristo. Quando o cristão, porém, é restaurado à comunhão da Igreja, tal ato traz glória a Deus e salva um “irmão” da perdição (Tg 5.19,20).


a) A reconciliação é alcançada mediante a restauração — A restauração dos caídos se verifica quando eles são trazidos de volta à retidão (2Co 5.17-20). Eles se arrependem, reconhecem a sua pecaminosidade e passam a ter uma vida santa ( I Pe 1.15,16). Os disciplinados percebem sua insensatez e maldade, abandonando seu estado de decadência espiritual. Eles compreendem a sua situação pecaminosa, levantam-se e deixam a velha vida (Jr 15.19).


b) A pureza da igreja relaciona-se com a retidão — Para que a comunhão seja restabelecida entre irmãos, através da reconciliação, a igreja precisa ser pura. Assim, o cristão que passou pela disciplina torna-se companheiro de todos novamente e assume seus compromissos como membro integrante de uma comunidade sadia. Deste modo, a pessoa é reconduzida à santidade, tornando-se mais experiente, mais sábia e mais forte (Sl 119.67).

c) A disciplina não é necessariamente permanente — Antes de se tornar uma medida corretiva, a igreja deve seguir o princípio estabelecido por Jesus de marcar uma consulta pessoal com o irmão infrator, para persuadi-lo a seguir pelo caminho certo (Gl 6.1). Uma parte importante do trabalho pastoral consiste em aconselhar os membros problemáticos da congregação, orar com eles e por eles. Mas o que fazer quando o referido cristão se recusa a abandonar o pecado? Nesse caso, a igreja tem de agir com base em Mateus 18.15-20.



4. OS PECADOS DEVEM SER ENCARADOS COM SERIEDADE


Após tratar sobre o pecado de fornicação, Paulo aborda sobre cinco outros tipos de pecados: avareza, idolatria, maledicência, bebedices e violência. Tais pecados agridem os padrões cristãos e devem ser tratados com muita severidade ( I Co 5.10-12).


a) A avareza é contrária à fé cristã — A palavra grega “pleonexia”, normalmente é traduzida por “avareza” ou “ganância” e traz a seguinte conotação: “ajuntar cada vez mais, nunca se satisfazendo plenamente com o que já se tem”. A Bíblia identifica a busca insaciável pelas riquezas como idolatria, a qual é demoníaca ( I Co 10.19,20; Cl 3.5). A avareza é, na perspectiva de Cristo, um obstáculo tanto à salvação como ao discipulado (Mt 19.24; 13.22).


b) A idolatria é um insulto contra Deus — A idolatria é uma prática dificilmente reconhecida pelos cristãos. Hoje em dia, por exemplo, os ídolos que escravizam os homens são os da sociedade de consumo. O Novo Testamento declara que a cobiça é uma forma de idolatria. A conexão é óbvia, pois os demônios são capazes de proporcionar benefícios materiais (Lc 13.16). Uma pessoa insatisfeita com aquilo que tem e que sempre cobiça mais, não hesitará em obedecer aos princípios e vontade desses seres sobrenaturais. Embora não adore ídolos de madeira e de pedra, entretanto, adora os demônios que estão por trás da cobiça e dos desejos maus (l Co 10.21; Mt 6.24).


e) A maledicência revela falta de amor — O maledicente é uma pessoa injuriosa que aprecia falar da vida alheia. Jesus disse que, “quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.22). O vocábulo grego tem o significado particular de injuriar os que estão na liderança. Trata-se principalmente de um ato de violência praticado com a língua por parte daqueles que criticam e desprezam a tudo e a todos (2Tm 4.14,15). Os tais terão que prestar contas a Deus (Pv 6.14-19).


5. CAPÍTULO 5 = vv.1-11: A morte de Ananias e Safira;

Vv. 1-11. O pecado de Ananias e Safira foi que as pessoas pensassem que eles eram discípulos eminentes, quando não eram discípulos verdadeiros. Os hipócritas podem negar-se a si mesmos, e deixar suas vantagens mundanas em um determinado caso se tiverem a perspectiva de alcançar benefícios em outro. Ambicionavam a riqueza do mundo e não confiavam em Deus, nem em sua providência. Pensavam que podiam servir a Deus e a Mamom, e poderiam enganar os apóstolos. O Espírito de Deus em Pedro viu o princípio de incredulidade que reinava no coração de Ananias.


Qualquer que tenha sido a insinuação de Satanás, este não poderia ter enchido o coração de Ananias com esta maldade, se ele não houvesse consentido. A falsidade dele foi o intento de enganar o Espírito de Verdade, que falava e agia tão manifestamente por meio dos apóstolos. O delito de Ananias não foi reter parte do preço do terreno; poderia ter ficado com tudo se quisesse; seu delito foi tentar impor-se sobre os apóstolos com uma mentira espantosa unida à cobiça, com o desejo de ser visto.


Se pensamos que podemos enganar a Deus, fatalmente enganaremos a nossa própria alma. Como é triste ver as relações que deveriam estimular-se mutuamente às boas obras, endurecerem-se mutuamente no que é mau! Este castigo, na realidade foi uma misericórdia para muitas pessoas. Ele faria as pessoas examinarem a si mesmas rigorosamente, com oração e terror da hipocrisia, cobiça e vanglória, e a continuarem agindo assim. Impediria o aumento dos falsos crentes. Aprendamos com isto quão odiosa a falsidade é para o Deus da verdade, e não somente evitar a mentira direta, mas todas as vantagens obtidas com o uso de expressões duvidosas e de significado duplo em nosso falar.


Vv. 12-16. A separação dos hipócritas por meio dos juízos discriminatórios deve fazer com que os sinceros se apeguem mais estritamente uns aos outros e ao ministério do Evangelho. Tudo o que tenda à pureza e à boa reputação da Igreja promove o seu crescimento; porém, somente aquele poder que realizava tais milagres por meio dos apóstolos pode resgatar os pecadores do poder do pecado e de Satanás, e agregar novos crentes à companhia de seus adoradores. Cristo opera por meio de todos os seus servos fiéis, e todo aquele que recorrer a Ele será curado.

Vv. 17-25. Não há cárcere tão escuro nem tão seguro em que Deus não possa entrar e visitar os seus, e se lhe agrada, tirá-los dali. A recuperação das enfermidades e a libertação dos problemas nos são concedidos, não para que desfrutemos das consolações da vida, mas para que Deus seja honrado com os serviços de nossa vida. Não é próprio que os pregadores do Evangelho de Cristo se escondam em lugares distantes quando têm a oportunidade de pregar a uma grande congregação. Devem pregar aos mais vis, cujas almas são tão preciosas para Cristo quanto às almas dos mais nobres.


Falai a todos, porque todos estão incluídos. Falai como aqueles que decidem defender, viver e morrer por algo. Dizei todas as palavras desta divina vida celestial, comparada à qual, esta vida atual terrena não merece o nome de vida. Falai as palavras de vida que o Espírito Santo coloca em vossas bocas. As palavras do Evangelho são palavras de vida; palavras pelas quais podemos ser salvos. Quão infelizes são aqueles que se sentem angustiados pelo êxito do Evangelho! Não podem deixar de ver que a Palavra e o poder do Senhor estão contra eles, e tremendo pelas conseqüências, mesmo assim seguem adiante!


Vv. 26-33. Muitos fazem ousadamente, algo mal, e mais tarde não suportam ouvir sobre este fato, ou que lhes acusem de tê-lo cometido. Não podemos esperar ser redimidos e curados por Cristo se não nos entregamos para ser governados por Ele. A fé nos faz aceitar ao Salvador em todos os seus ofícios, porque Ele veio não para nos salvar em nossos pecados, mas para nos salvar de nossos pecados. Se Cristo tivesse sido enaltecido para dar domínio a Israel, os principais sacerdotes teriam lhe dado as boas-vindas. Contudo, o arrependimento e a remissão dos pecados são bênçãos que eles não valorizavam nem perceberam que necessitavam; portanto, não reconheceram sua doutrina em absoluto. Onde o arrependimento opera, a remissão é outorgada sem falta.

Ninguém se livra da culpa e do castigo, senão aqueles que são libertos do poder e do domínio do pecado, aqueles que se apartam do pecado e voltam-se contra ele. Cristo concede arrependimento por seu Espírito, que opera através da Palavra para despertar a consciência, para dar sentimento de tristeza pelo pecado e uma eficaz mudança no coração e na vida. Dar o Espírito Santo é uma prova evidente de que a vontade de Deus é que Cristo seja obedecido. Com toda certeza Ele destruirá aqueles que não querem que reine sobre eles.


Vv. 34-42. O Senhor ainda tem todos os corações em suas mãos, e às vezes dirige a prudência do sábio do mundo para refrear os perseguidores. O bom senso nos ensina a ser prudentes, uma vez que a experiência e a observação indicam que o êxito das fraudes em matéria de religião tem sido muito breve. Ser reprovados pelo mundo por amor a Cristo deve ser a nossa verdadeira preferência, porque faz com que nos coloquemos mais de acordo com Ele e sirvamos os seus interesses. Eles se regozijaram nisto. Se sofrermos o mal por fazermos o bem, desde que o soframos fazendo o bem, como é o nosso dever, devemos nos regozijar nessa graça que nos capacitou para agir assim.

Os apóstolos não pregavam a si mesmos, mas a Cristo. Esta era a pregação que mais ofendia aos sacerdotes. Pregar a Cristo deve ser a atividade constante dos ministros do Evangelho; a Cristo crucificado, a Cristo glorificado; nada fora disto, a não ser o que se refere a isto. Qualquer que seja a nossa situação ou nível social nesta vida, devemos procurar conhecê-lo e glorificar o seu nome.


6.O QUE É DOUTRINA BÍBLICA

Ao contrário da filosofia, a doutrina cristã não se perde em especulações. Se por um lado, conduz- nos a conhecer mais intimamente a Deus; por outro, constrange-nos a ter uma vida santa e irrepreensível. Andrew Bonar, ao destacar-lhe a importância em nosso cotidiano, foi enfático: “Doutrina é coisa prática, visto que desperta o coração”.


1. Definição. A doutrina é um conjunto de princípios que, tendo como base as Sagradas Escrituras, orienta o nosso relacionamento com Deus, com a Igreja e com os nossos semelhantes. Ela pode ser definida, ainda, como ensino da Bíblia.
Este, contudo, tem de ser persistente, sistemático e ordenado, induzindo os santos a se inteirarem de todo o conselho de Deus (At 20.27).

2. Objetivos. O principal objetivo da doutrina bíblica é aprofundar o nosso conhecimento de Deus (Os 6.3). Se não o conhecermos experimental e redentivamente, como haveremos de colocar-nos a seu serviço? (I Sm 3.7).
O Israel do Antigo Testamento caiu na apostasia por não conhecer a Jeová.
Através de Oséias, lamenta o amoroso Senhor: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” (Os 4.6). De igual modo, visa a doutrina bíblica à perfeição moral e espiritual do ser humano. Escrevendo ao jovem pastor Timóteo, o apóstolo


Paulo é mais do que claro; é incisivo: “Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (II Tm 3.17). Ideal inatingível?
Se contarmos apenas com as nossas próprias forças, jamais atingiremos semelhante padrão. No entanto, se nos entregarmos à graça de Nosso Senhor, nossa vereda refulgirá de tal forma que viremos a resplandecer como os astros no firmamento (Pv 4.18; Dn 12.3).


3. Doutrina e costumes. Doutrina não são costumes. Todos já ouvimos essa frase. No entanto, a boa doutrina, quando corretamente interpretada, gera costumes bons e sadios. Conseqüentemente, um povo que ignora as verdades bíblicas com facilidade assimilará os costumes do Egito e de Canaã (Lv 18.3).

Foi o que ocorreu com os israelitas: durante a peregrinação no deserto, imitaram os egípcios; na Terra Prometida, os cananeus. Eis porque somos instados a não amar o mundo (I Jo 2.15). Por conseguinte, quanto mais doutrinados forem os crentes, mais os seus costumes conformar-se-ão à Palavra de Deus.
Ai Martin é positivo: “A finalidade para a qual Deus instrui a mente é para que Ele possa transformar a vida”.

No Salmo 119, pergunta Davi: “Como purificará o jovem o seu caminho?”
Responde o salmista: “Observando-o conforme a tua palavra” (Sl 119.9).
Não podemos, portanto, dissociar os bons costumes da doutrina. Como aqueles dependem desta, logo: a boa doutrina gera, necessariamente, os bons costumes.


7. A NECESSIDADE DA DOUTRINA


Há cristãos que, menosprezando a doutrina bíblica, alegam: “O importante não é a teoria; e, sim: a prática”. Entretanto, quem disse que a doutrina bíblica é meramente teórica? Ela é a vontade de Deus. E, como tal, deve ser posta em prática. Aos filhos de Israel, ordena o Senhor: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando- te e levantando-te.
Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6.6-9). Vejamos por que a doutrina bíblica é necessária.

1. A doutrina bíblica proporciona-nos a salvação em Cristo. Paulo instrui ao seu jovem filho na fé: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina: persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (I Tm 4.16).

2. A doutrina bíblica santifica-nos. Em sua oração sacerdotal, refere-se o Cristo ao poder santificador da Palavra de Deus: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os aborreceu, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na verdade: a tua palavra é a verdade” (Jo 17.14-17).


3. A doutrina bíblica torna-nos sábios. Timóteo, instruído por sua mãe, Eunice, e por sua avó, Lóide, veio a tornar-se um dos maiores obreiros do Novo Testamento. Jovem ainda veio ele a ser considerado um sábio, conforme lhe escreve Paulo:

“E que desde a tua meninice sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (II Tm 3.15). Enfim, é a doutrina bíblica imprescindível para o nosso crescimento na vida cristã. Sua necessidade pode ser constatada tanto coletiva quanto individualmente.
William S. Plumer analisa a eficácia da doutrina bíblica na vida cristã: “Doutrinas fracas não são páreo para tentações fortes”.

8. A DOUTRINA BÍBLICA E O SERVIÇO CRISTÃO


Infelizmente, há obreiros que, no ímpeto de evangelizar, não se aplicam a aprender a doutrina bíblica. Acham que o ensino sistemático das Sagradas Escrituras é perda de tempo. Deveriam eles atentar a esta recomendação de Charles Spurgeon: “Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade”. Vejamos por que a doutrina bíblica é importante ao serviço cristão.

1. Na evangelização. Na divulgação do Evangelho, acha-se implícito o ensino da doutrina bíblica, conforme podemos inferir da Grande Comissão que nos confiou o Senhor Jesus: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19,20 -ARA). A evangelização pressupõe, essencialmente, a presença da doutrina bíblica.


2. Na instrução dos santos. Paulo jamais se mostrou remisso quanto à doutrinação da Igreja de Cristo. Em Trôade, ministrou aos irmãos até altas horas:
“No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até a meia-noite” (At 20.7,8 -ARA). Nem o incidente com o jovem êutico lhe arrefeceu o ardor doutrinário: “Subindo de novo, partiu o pão, e comeu, e ainda lhes falou largamente até ao romper da alva” (At 20.11-ARA).


3. Na defesa da santíssima fé. Somente poderemos defender a santíssima fé se nos dedicarmos com afinco ao estudo da doutrina bíblica: “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pe 3.15). Está você preparado para defender a sua fé e a apresentar as razões da esperança que temos em Cristo?


CONCLUSÃO


Outros pecados mencionados por Paulo foram bebedices e violência, que também se traduz no original grego por “harpax”, roubador. Os que incorrem nesses tipos de pecados devem igualmente sofrer ações disciplinares por parte da igreja, a fim de que o testemunho da comunidade seja preservado e os tais devidamente restaurados para a glória de Deus. Enfatizando a importância das doutrinas bíblicas, afirmou Joseph Irons: “Abracemos toda a verdade ou renunciemos totalmente ao cristianismo”. O que isto significa? Não podemos acreditar em algumas doutrinas, e desacreditar em outras. Haveremos de receber toda a verdade conforme no-la confiou o Senhor em sua Palavra: integralmente. Sem doutrina, a vida espiritual é impossível.



Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS


BIBLIOGRAFIA

Comentário Bíblico Mathew Henry
Lições bíblicas BETEL 2004
Lições bíblicas CPAD 2006

26 de janeiro de 2011

Sinais e Maravilhas na Igreja

Sinais e Maravilhas na Igreja

Texto Áureo: “Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo [...]” (Hb 2. 4)

I – Introdução

Primeiramente, a Paz do Senhor a todos os leitores, que por alguns minutos irão dispor de seu tempo e concentração na leitura de mais esse estudo da palavra de Deus.
Estudo tal que versa sobre um tema muito importante para a vida de cada um de nós, pois muitas vezes nos sentimos fracos e desacreditamos que Deus ainda hoje faz seus sinais e maravilhas. Além disso, de modo contrário, existem pessoas aproveitando-se dos que acreditam que Deus opera, para enganar, para ludibriar.
Por isso, leiamos atentamente tal estudo, não nos atentando para as falhas, mas lembrando do foco principal, que é reforçar nossas fé e atitude diante de Deus.

II – Conceito de Milagres, Sinais, Prodígios e Maravilhas

Tais vocábulos, em seu profundo sentido, podem ser considerados sinônimos. Todavia, vejamos cada uma delas individualmente.
Milagres, segundo o Dicionário Houaiss é ato ou acontecimento fora do comum, inexplicável pelas leis naturais; acontecimento formidável, estupendo; evento que provoca surpresa e admiração. A Pequena Enciclopédia Bíblica de Orlando Boyer diz ser sucesso que se não explica por causas naturais.
Tal conceito de milagres abrange os outros, mas vejamos o que a Pequena Enciclopédia Bíblica de Orlando Boyer fala sobre tais outros vocábulos: Sinal é indício, marca, gesto; Prodígio é coisa sobrenatural; e Maravilha é causa extraordinária que excita admiração. Vê-se, portanto, que abrangem a mesma questão todos os conceitos.
Ou seja, o milagre, sinal, prodígio ou maravilha acontecem quando Deus opera o sobrenatural, fazendo aquilo que aos homens não é possível, de modo a trazer admiração a todos aqueles que tomam conhecimento.

É o que vemos em Marcos 10. 27:
“Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis”.

Desse forma, levando-se em consideração que tais conceitos são sinônimos, durante tal estudo usaremos cada um dos termos como se referisse ao mesmo tema.

III - O Milagre na Porta Formosa

Um dos milagres mais emblemáticos que a Bíblia nos relata é o acontecido na porta formosa. Deste acontecimento, muitas lições podem ser tiradas, as quais vamos expor algumas.

III. 1 – Relato Histórico

O milagre está relatado no livro de Atos dos Apóstolos 3. 1-11. Aconteceu que certo dia Pedro e João iam juntos ao tempo à hora da oração quando, na porta do templo, foram abordados por um homem, que era coxo desde o ventre da mãe, o qual lhes pediu uma esmola. Pedro assim respondeu ao coxo: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda”(versículo 6).

Após isso, o coxo levantou-se e conseguiu andar, enchendo-se de alegria. Entrou no templo saltando e louvando a Deus. Todos que ali estavam o viram louvando a Deus e pasmaram-se, pois conheciam o homem que todos os dias ficava sentado na porta do templo pedindo esmolas. Em consequência disso, todo o povo foi em busca de Pedro e João, para ouvir a Palavra de Deus.
III. 2 – Oração e Milagre

Primeiro ponto importante que vemos nessa passagem está relatado logo no primeiro versículo:
“E Pedro e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona”. (At 3. 1)
Nota-se que ambos iam ao templo para orar. Nesse sentido, relembrando o que estudamos no trimestre passado, vemos que a oração é essencial tanto para aqueles que precisam de um milagre, quanto para aqueles que querem ser usados por Deus na operação de um milagre. Nesse caso especificamente, fica implícito que Pedro e João tinham vidas de constante oração, por isso eram próximos a Deus, sendo, desse modo, instrumentos na Sua mão.
Nós ainda hoje podemos ser usados por Deus na operação de milagres, no entanto, é condição essencial para que isso aconteça que tenhamos uma vida de constante oração. Busquemos estar cada dia mais próximos a Deus, para que possamos ser instrumentos em Suas mãos.

III. 3 – Nem prata ou ouro

Quando o coxo pediu esmolas a Pedro e João, antes de darem aquilo que tinham, eles declaram não ter prata ou ouro. Eles eram pobres, mas cheios poder do Espírito Santo.
Hoje em dia muitas igrejas são muito ricas, mas já não tem autoridade para dizer: “[...] mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda”.
Isso se dá porque atualmente muitas igrejas perderam o foco do que é uma igreja. Só pensam em lucrar, em construir templos vultuosos, em comprar aviões, helicópteros, enfim, só pensam na prata e no ouro. Até imagino como muitos hoje em dia responderiam àquele coxo: “Se você me der tudo o que tem, obterá vitória e prosperidade”.
Mesmo diante de tal realidade em que vivemos, podemos fazer diferente. Buscar, sobretudo o que há de mais valioso, que é estar próximo a Deus, sendo usados por Ele.

III. 3 – Conheciam-no

Já destacamos dois pontos nessa passagem do milagre da Porta Formosa. Porém, o ponto que julgo mais importante nessa passagem é o que encontramos no versículo 10 do capítulo 3 de Atos:

“E conheciam-no, pois era ele o que se assentava a pedir esmola à porta Formosa do templo; e ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe acontecera.”

Todos os que estavam no templo maravilharam-se com o milagre acontecido, ficaram pasmados. Entretanto, isso só aconteceu, pois todos aqueles que ali estavam conheciam o coxo, pois ele ficava todo dia na porta do templo, e todos sabiam que ele era coxo desde o nascimento.
Quem sabe se o coxo fosse um desconhecido de todos, eles desconfiariam, e talvez não dessem crédito a Pedro e João. Nisso vemos que Deus opera da maneira correta, para que não haja desconfiança.
Hoje em dia muitas igrejas sofrem desconfiança exatamente por causa disso. Eles dizem que operam milagres e maravilhas, mas ninguém consegue ter certeza, pois não conhecem a pessoa que recebeu o milagre.
Tudo ter ocorrido da maneira como ocorreu no templo foi para que a palavra de Deus pudesse ser pregada e tivesse crédito diante de todos aqueles que viram o agir sobrenatural de Deus.
Posteriormente, os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus não gostaram da pregação de Pedro e João, questionando a eles sobre o milagre realizado. Porém, nada tinham a dizer, pois o milagre era evidente:
“E, vendo estar com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário”. (At. 4. 14)
Pelo exposto, fiquemos atentos irmãos, para que não sejamos enganados. Quando Deus agir, a dúvida não há de permear em nossos corações.


III. 4 – Abriu porta para a palavra

Há ainda um ponto chave, talvez o mais importante. Através desse milagre Deus abriu a porta para que Pedro e João pregassem a Sua palavra. No entanto, tal questão será tratada de forma mais específica posteriormente.

IV – Porque Deus Opera Milagres

Quando Deus opera, Ele não o faz em vão. Todo agir de Deus tem um objetivo específico, os quais trataremos pormenorizadamente neste tópico.

IV. 1 – Glorificar a Deus e expandir-lhe o reino

No livro de João, capítulo 11, é relatado quando Lázaro foi ressuscitado por Jesus. Este foi informado da doença de Lázaro, estando em local diverso daquele onde Lázaro se encontrava. Porém, ainda assim Jesus não se apressou, indo somente após dois dias ao encontro de Lázaro. Quando lá chegou ele estava morto já, mas Jesus operou grande milagre, ressuscitando-o.
Entretanto vemos que, antes mesmo de ir ao encontro de Lázaro, quando foi informado de sua enfermidade, Jesus assim disse:

“E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.”(Jo 11. 4)

Portanto, Jesus operou tão grandioso milagre como um de Seus grandes sinais, para que aqueles que estavam ali dessem crédito a sua palavra, para que glorificassem a Seu santo nome.
Esse é um dos principais objetivos de um milagre, glorificar ao nome de Deus e abrir caminho para que sua palavra seja pregada, expandindo o Seu reino.
No milagre da porta formosa também podemos visualizar tal objetivo. Feito o milagre, maravilharam-se todos e foram ao encontro de Pedro e João. Partindo-se disso, então, eles começaram a falar da mensagem de Cristo a todos que ali se encontravam. Começaram a glorificar a Deus, apontando-O como autor do milagre. Foi o prodígio realizado que fez com que todos lhes dessem atenção e valor. Grande foi a pregação, e muitos foram os que se converteram a Cristo naquela ocasião.

Outra passagem que bem nos relata tal função do milagre encontramos no livro de Marcos capítulo 2. 3-12:

“3E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro.
4E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão,descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados. 6E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? 8E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? 9Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? 10Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos.”

Vemos que Jesus perdoou os pecados do paralítico, mas que foi questionado sobre sua autoridade para fazer isso. Diante de tal situação, para mostrar que realmente poderia perdoar, curou o paralítico. Fica claro, portanto, que Jesus assim o fez para que aqueles que ali se encontravam cressem que Ele tinha poder para perdoar pecados.


É necessário frisar, para que fique claro, que o perdão dos pecados, diante de Deus, é mais importante que ele ter voltado a andar. No entanto, aos olhos humanos, e Jesus bem sabia disso, um sinal surtiria maior efeito para que Sua palavra tivesse crédito.

Disso, tiramos que, a pregação da palavra que segue ao milagre é mais importante que o próprio milagre. O prodígio torna-se um meio de Deus agir, de forma a trazer pecadores a si. Portanto, não devemos perder o foco, um dos principais (se não o principal) objetivos da operação de uma maravilha, é para que o nome de Deus seja glorificado por isso, e para que mais almas venham a convencer-se de Cristo através de nossa pregação.

IV. 2 – Benefício do ser humano

Mesmo sendo a principal função a glória de Deus, não há que se perder de vista que todo milagre também é para beneficio do ser humano. Em todos os exemplos citados no sub-tópico anterior, no caso de Lázaro, do coxo da porta formosa e do paralítico de Cafarnaum, vemos que eles beneficiaram-se, podendo ter a partir daquele momento uma nova vida.
Deus opera milagres sempre para a Sua glória, e também sempre para que as pessoas que receberam tal milagre se alegrem.
Tal benefício às pessoas também é para a glória de Deus, pois essas pessoas passam a ter um testemunho a dar de Deus. Quando Deus opera milagres a sua palavra passa a ser anunciada em duas frentes.

Primeiro naquela já citada, que é quando Deus opera através de um servo Seu, fazendo com que esse passe a ter oportunidade de falar. Mas também para que aquele que recebe o milagre passe a falar de Jesus, passe a testemunhar do que Ele fez em sua vida.
Muitas vezes, a pregação de quem recebe um milagre é ainda mais eficaz, pois ele pode contar como ocorreu, pode mostrar o que Deus pode fazer por nós.
Ainda, lembremos que muitas vezes um milagre operado por Deus dá uma nova chance para aquele o recebeu. Vemos em João 5, quando da cura do paralítico de Betesda, que após operar o milagre Jesus encontrou no templo o homem que tinha recebido a cura, e disse-lhe:

“Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior.” (Jo 5. 14)

Disso, vemos que tal homem recebeu uma nova chance. Quando Jesus exorta para que não pequs mais, para que não suceda coisa pior, fica implícito que Jesus está lhe dando uma nova chance, uma nova vida.
Portanto, irmãos meus, creiamos que Deus pode operar milagres em nossas vida, que Ele pode nos curar, pode nos livrar de problemas, angústias, enfim, de toda forma de enfermidade. No entanto, tenhamos sempre em mente que quando recebemos um milagre de Deus, estamos recebendo junto a responsabilidade de testemunhar desse milagre, bem como uma nova chance, para uma vida diferente.

IV. 3 – A Glória é de Deus, não nossa

Voltando ao exemplo do milagre da porta formosa, vemos que após a operação do milagre, Pedro e João poderiam muito bem enaltecer seus nomes, glorificar a si mesmo. Todavia, não foi o que fizeram, mas sim deram glórias a quem realmente era o autor da obra, o nosso Grande e Maravilhoso Deus.
Hoje em dia, porém, as coisas estão mudando. Vemos na televisão, em igrejas espalhadas, pessoas que fazem verdadeiros shows em cima de milagres, que a maioria das vezes nem aconteceram.
Pessoas criam igrejas independentes, montam palcos, para mostrarem supostos prodígios de Deus. Que Deus tenha misericórdia desses, que atentam contra o Seu nome.

O pior de tudo, porém, é que muitos desses enganam diversos fiéis. Quantas vezes não vemos pessoas dizerem que vão a tal evento, pois lá estará um pastor que cura. Eu me pergunto, quem é que cura? Quem opera o milagre? O dono da obra é Deus, somente Deus. Pobres e coitados esses que apresentam a obra como se sua fosse.
Atentemo-nos irmãos, toda honra e toda glória sejam dadas a Deus, única e exclusivamente a Deus.



V – O Milagre da Salvação

Apesar de fugir um pouco ao foco da lição, quando se fala em milagre, não se pode deixar de comentar o maior dos milagres, o da Salvação.
Digo ser o maior dos milagres, pois é o que concede a cura da alma, dá alegria e paz eternas. Em Romanos 14. 1 encontramos:

“ORA, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas.”

Portanto, vê-se que existem pessoas que são enfermas na fé, de modo que a salvação é também um milagre de cura. No mundo perverso em que vivemos, no qual vemos pessoas que em nosso ponto de vista não tem salvação, quando tal pessoa é alcançada pela palavra de Deus, estamos diante de um verdadeiro milagre.
Vejamos, portanto, alguns dos principais pontos desse milagre tão maravilhoso.

V. 1 – Uma nova chance

A Salvação oferece ao pecador uma nova chance. A oportunidade de ter uma vida diferente, de ter atitudes diferentes, de ter a vida eterna. Grande exemplo disso é a história da mulher adúltera.
Tal história é relatada no Evangelho de João, capítulo 8. Trata-se de uma mulher que foi pega em adultério e levada até Jesus para que falasse o que devia ser feito. Os que a levaram queriam ver se Jesus negaria as leis de Moisés, que mandava que ela fosse apedrejada. Foi quando Jesus disse que aquele que não tivesse pecado, fosse o primeiro a atirar uma pedra.
Levantando a cabeça Jesus viu que não havia mais ninguém. Em decorrência disso Jesus perguntou à mulher onde estavam seus acusadores e se ninguém a havia condenado, respondendo ela que haviam ido embora e não a haviam condenado. Foi quando Jesus disse:

“Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.” ( Jo 8. 11)

Dessa forma, vemos que Jesus deu àquela mulher uma nova chance, a chance de mudar sua vida. A partir daquele momento a mulher poderia decidir se voltaria a cometer pecado ou não, mas sabia que se não voltasse a cometer pecado estava salva, teria a vida eterna.

Em 2 Co 5. 17 temos:
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”

Portanto, ganhamos uma nova chance, nos tornando novas criaturas. Tudo que fizemos de errado ficou para trás, sendo nossa responsabilidade fazer tudo diferente daqui para frente. Maravilhoso milagre é ter uma nova oportunidade de fazer tudo diferente.
Sobre essa nova chance nasce também uma responsabilidade. Devemos falar a todos desse maravilhoso milagre da salvação. Devemos anunciar que Jesus pode dar uma nova vida ao mais vil pecador.

V. 2 – Alegria e Paz

Quando somos salvos experimentamos da paz e alegria perfeitas, que só vem de Cristo. Nesse sentido:

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” (Rm 14. 17)

Tanto em nossa vida terrena, e sobretudo em nossa vida eterna, desfrutaremos da paz e alegria que o Espírito Santo, nosso Consolador, nos dá. Sabemos que aflições hão de vir, mas a alegria e paz são perfeitas em Cristo por causa disso, pois mesmo diante de tais aflições, se estivemos ligados à Videira Verdadeira, continuaremos alegres e em paz.
Há maior milagre do que enfrentar a vida, os problemas, as angústias, as aflições, com a alegria e paz no coração? Não há, esse é um milagre verdadeiro.



V. 3 – O Maior dos milagres

Como já dito anteriormente, o milagre da salvação é o maior dos milagres, pois sem ele há condenação eterna. A pessoa pode ter a saúde perfeita, ser próspera financeiramente, mas se não tiver a salvação, de nada servem essas coisas.

Também já dito anteriormente, quando falamos sobre o paralítico de Cafarnaum, Jesus deu um sinal aos que ali estavam (a cura do paralítico), para que cressem que Ele poderia perdoar pecados. Porém, o principal, para o paralítico, foi ter seus pecados perdoados. Pode ser que não percebamos isso claramente, sobretudo aquele que se encontra enfermo, todavia, vale muito mais ter uma vida eterna estando doente aqui na terra, do que ter uma saúde perfeita e ser condenado.

Muitos ainda questionam-se do porquê de existirem muitas pessoas que aceitam a Cristo, recebem perdão e salvação, mas continuam enfermos. É o caso muitas vezes de pessoas que por terem uma vida desregrada acabam tendo enfermidades graves. Estas podem receber a salvação, mas seus pecados têm suas consequências. Não que Deus não possa reverter tal situação, muito pelo contrário, por tudo que já foi dito sabemos que Deus pode fazer qualquer coisa, mas é que muitas vezes não é da vontade de Deus que a pessoa seja curada. Esse é um dos grandes mistérios de Deus, que não cumpre a nós humanos julgar.

Para finalizar, temos o um grande exemplo de que a salvação é o maior dos milagres, e que sem ela de nada vale o resto. É o que encontramos no Evangelho de Lucas, capítulo 17. 11-19:

“11E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia; 12E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe; 13E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós. 14E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos. 15E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano.17E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro? 19E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.”

Vemos nessa passagem que foram dez os que pediram a cura a Jesus, mas somente um deles voltou para glorificar a Deus por isso. Mediante tal fato Jesus disse: “vai, a tua fé te salvou”. Portanto, vemos que todos aqueles leprosos receberam a cura, porém somente um deles recebeu a salvação. De que vale ter uma vida saudável, mas não ter a salvação?

Irmãos, essa é a última exortação que faço. Foquemos-nos na salvação de nossas almas, que é maior de todos os milagres que Deus pode realizar em nossas vidas.

VI – Conclusão

Após este estudo, o que se busca é que entendamos quão maravilhoso é ver Deus operar em nosso meio. Tenhamos fé de que Deus pode nos usar como Seu instrumento. Assumamos nossa responsabilidade de falar aos outros da palavra de Deus, nos utilizando dos sinais que Ele operar, e testemunhando daquilo que Ele faz. E que busquemos sobre todas as coisas o milagre da salvação em nossas vidas, bem como que falemos de tal milagre àqueles que necessitam de receber essa tão maravilhosa mensagem. Amém!


Elaboração por:- Jonathan S. Silva

Membro da Igreja Assembléia de Deus Ministério do Belém de Dourados-MS.