8 de janeiro de 2019

A Natureza dos Anjos - A Beleza do Mundo Espiritual


A Natureza dos Anjos - A Beleza do Mundo Espiritual

TEXTO ÁUREO

"Bendizei ao SENHOR, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra." (Sl 103.20)

VERDADE PRÁTICA

Os anjos são seres reais, espirituais e celestiais a serviço de Deus e enviados para ajudar os que vão herdar a salvação.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = Lucas 1.26-35

INTRODUÇÃO

Indiscutivelmente, a Bíblia é a única fonte digna de confiança acerca da existência, da história e das atividades dos anjos no Universo. Na carta aos Hebreus temos a declaração de que os anjos são “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1.14). Entendemos, então, que os anjos são criaturas reais.

1. OBJEÇOES A DOUTRINA DOS ANJOS

Existem várias objeções à doutrina dos anjos levantadas através dos séculos, as quais são destituídas de argumentos e evidências capazes de as sustentar. Dentre essas, se destacam as seguintes:

1. A doutrina dos saduceus. Os saduceus, segundo a tradição, derivavam de um grupo que formava urna hierarquia sacerdotal, desde o tempo do cativeiro. Eles tinham poder político e constituíam o grupo dominante da vida civil do judaísmo, sob o domínio de Herodes. Quanto ao aspecto religioso descriam da doutrina da existência dos anjos, dos espíritos e da ressurreição dos mortos (At 23.8). Os saduceus eram essencialmente materialistas.

2. A doutrina do espaço infinito. Essa doutrina nega a existência dos anjos, calcando sua posição na idéia do “espaço infinito”, isto é, um espaço povoado de mundos, o qual não comporta a existência dos anjos. Teoria completamente vazia de argumentos e de fatos.

3. A doutrina racionalista. Essa doutrina não admite a existência dos anjos por não poder explicá-la pela razão. Argumentam que a existência dos anjos é impossível e que a crença na sua realidade tem vestígios de um politeísmo primitivo.

4. A doutrina materialista. Não admite por hipótese alguma a existência dos anjos, porque crê apenas na existência da matéria, não admitindo a realidade de seres espirituais.

5. A doutrina simbolista. Essa doutrina não nega a existência dos anjos, mas também não acredita na sua realidade. Ela vê os anjos, apenas, como meras figuras de retórica, ou símbolos espirituais. Entretanto, é impossível negar a realidade da existência dos anjos, ainda que eles não sejam criaturas materiais.

6. A doutrina espírita. O espiritismo ensina que os anjos são as almas dos homens chegados ao grau máximo de perfeição que a criatura comporta. Nega, portanto, a existência distinta dos anjos como criaturas de Deus, bem como, a existência e a realidade dos demônios, afirmando que estes são as almas desencarnadas dos homens maus.

7. A criação espiritual (Ne 9.5,6; Sl 33.6-9; 148.4-7; C1. 16). Segundo a revelação bíblica a criação espiritual ocorreu antes da material. Deus criou os seres espirituais para cumprir os seus propósitos segundo a sua soberana vontade. Esses seres espirituais são chamados anjos. Portanto, os anjos são criaturas racionais inteiramente espirituais, sem poder de procriação, mas dotados de poderes para o exercício de múltiplas funções, nos céus e na terra (Hb 1.14).

8. Onde habitam esses seres espirituais? A Bíblia não aponta nenhum lugar no mundo material, absolutamente nenhum, como possível habitação dos anjos. A ficção comercial tem imaginado mundos estranhos nas galáxias onde dizem existir seres extraterrestres. Isso são fantasias e vãs imaginações do espírito humano. Nesse particular devemos atentar para a palavra “céu” na Bíblia. Ela coloca a palavra no plural: “céus”, porque distingue, pelo menos, três céus. O primeiro céu é o das nuvens o qual se pode ver a olho nu (Tg 5.18). O segundo céu é o cósmico que está além das nuvens, do sol, da lua e dos planetas, do espaço sideral. O terceiro céu é chamado “céu dos céus”, e designa “a morada do Altíssimo” (At 7.49). É um lugar espiritual totalmente inacessível à matéria. Aí habitam os santos anjos (Mc 13.3 2; Gl 1.8; Mt 18.10).

9. Existem anjos bons e maus. Quando Deus os criou os fez perfeitos e santos. Entretanto, dotados de personalidade e livre- arbítrio, esses seres angelicais podiam optar, escolher o caminho a seguir.

Eles foram criados no mesmo nível de justiça, bondade e santidade. Foram criados em condição de igualdade (2 Pe 2.4; Jd v.6).

Foi na condição de livre-arbítrio que Lúcifer, um querubim ungido para o serviço do Trono da Divindade, rebelou-se contra o Criador e fomentou sua rebelião induzindo milhões de outros anjos a seguirem sua funesta revolta (Is 14.12-16; Ez 28.12-19).

A Bíblia fala dos anjos que pecaram contra a autoridade do Criador e não guardaram a sua dignidade (2 Pe 2.4; Jd v.6; Jó 4.18- 21). Mas, também menciona os anjos bons, aqueles que se mantiveram fiéis ao Criador e às funções designadas para eles. Estes são ministradores a favor dos que hão de herdar a salvação (Hb 1.14).

10. Os anjos são inumeráveis. Várias expressões indicam a quantidade incontável de anjos criados por Deus, tais como “milhares de milhares e milhões de milhões”(Ap 5.11; Dn 7.10; Dt 33.2); “muitos milhares de anjos” (Hb 12.22); “exércitos dos céus” (Ne 9.6; Si 33.6); “multidão dos exércitos celestiais”(Lc 2.13). Não se pode determinar o número de anjos criados porque é incontável (Si 148.2-5). Tantos quantos foram criados por Deus na eternidade, são quantos existem e existirão para sempre. Deus não os dotou da capacidade de procriação.

II. QUEM SÃO OS ANJOS

Após estudar alguns dos conceitos falsos quanto à origem e a existência dos anjos, convém estudar o que a Bíblia diz acerca deles.

1. Os anjos são seres espirituais. O salmista convida a toda a criação de Deus a louvá-Lo. No seu cântico, ele convida aos anjos dizendo: “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos” (Sl 148.2).

2. Os anjos são seres poderosos. Entendemos pelas Escrituras que os anjos são superiores aos homens como criaturas de Deus (Sl 8; Hb 2.6,7). Eles são maiores em força e poder (2 Pe 2.11). O poder dos anjos deriva de Deus e eles só fazem qualquer coisa em restrita obediência ao Criador. Por serem “espíritos puros”, o fogo, a água e o calor não podem destruí-los. Eles não correm qualquer risco de contaminação ou destruição, e, portanto, são imunes à forças da natureza no Universo. O salmista os descreveu como “valorosos em poder”, que executam as ordens de Deus e Lhe obedecem à voz (Sl 103.20).

3. Os anjos são seres pessoais. Normalmente, no mundo dos homens, atribui-se personalidade a um corpo material. Entretanto, a personalidade de um homem não é o corpo, mas sim o que está dentro do corpo, expresso pela alma e pelo espírito. Os anjos são espíritos e possuem personalidade, isto é, são dotados de inteligência, vontade e atividades. A Bíblia dá a entender que os anjos possuem uma inteligência superior à dos homens, mas não igual nem superior à de Deus (2 Sm 14.20; 1 Pe 1.12).

III. A ORGANIZAÇÃO DOS ANJOS

A Bíblia dá a entender que os anjos de Deus se acham organizados formando uma hierarquia. Essa hierarquia angelical dá uma idéia abrangente das atividades dos anjos em todo o Universo e na presença de Deus.

1. Arcanjo. O termo “arcanjo” representa a maia elevada posição angelical, O prefixo arc, do grego arch, sugere, tratar-sede um chefe, um superior ou príncipe. A Bíblia apresenta  Miguel como um anjo acima de todo. 

Os anjos. O seu nome enaltece a Deus, pois significa ‘Quem é como Deus?”. Sua missão está Identificada com o povo de Israel (Dn 10.13,21; 12.1). Ele é uma espécie de administrador da parte de Deus para fazer valer os interesses divinos a favor de Israel e para exercer juízo sobre os inimigos do Seu povo (Jd v.9; Dn 12.1).

2. Querubins. No original hebraico o vocábulo querub é um verbo com sentido de “guardar, cobrir”. Porém, o vocábulo tem sua raiz no termo hebraico karabu  que significa “orar e abençoar”. Esse termo era usado no mundo pagão para referir-se a deuses menores. Na Bíblia, a palavra querubim nada tem a ver com deuses pagãos menores, visto que temos “um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.6), e os querubins são uma casta especial de anjos, os quais não são adorados nem recebem orações, mas que adoram e servem ao único Deus, Todo- poderoso. O vocábulo Querubim designa uma alta posição na corte celestial diretamente ligada ao trono de Deus. A Bíblia declara que Deus habita entre os querubins (1 Sm 4.4; 2 Ra 19.15; Sl 80.1; 99.1; Is 37.16).

3. Serafins. O vocábulo serafim deriva do hebraico saraph cujo significado é “ardente”, “refulgente’1 ou “brilhante”. Os serafins são uma classe de anjos especificamente designados para o serviço de adoração ao Deus Todo-Poderoso. O único texto bíblico que fala dos serafins encontra-se em Isaías 6.1-3. No serviço de adoração, esta classe de anjos não somente louva a Deusa mas, também, promove a Sua santidade, proclamando-a e mantendo-a. Na visão do profeta Isaías, os serafins aparecem em forma humana, com seis asas cada um. Com duas asas cobriam os rostos e com duas cobriam os pés e com duas outras voavam (Is 6.2,3).

IV. OS ANJOS NO NOVO TESTAMENTO

Em Colossenses 1.16, o apóstolo Paulo apresenta quatro classes de seres espirituais, das quais, podemos perceber, fazem parte os querubins e os serafins.

1. Tronos. No grego thronoi refere-se a uma classe de anjos sobre a qual Deus se assenta como Rei e Senhor. A figura utilizada é para mostrar uma relação mais elevada com Deus.
Esses “tronos” celestiais podem ser identificados com os querubins, entre os quais Deus está assentado e reinando (1 Sm 4.4; 2 Rs 19.14,15; Sl 80.1; 99.1).

2. Dominações. No grego o termo é kuriotes, com o sentido de soberanias ou domínios (Cl 1.16; Ef 1.21). As “dominações” referem-se a uma classe de anjos com funções executivas e que reinam sob a autoridade de Cristo. Toda a criação visível e invisível está sob a autoridade suprema de Cristo, e nos versículos acima mencionados subentende-se que certas classes de anjos reinam e governam sobre determinadas esferas espirituais.

3. Principados. No grego é archai e refere-se a uma classe de anjos que têm a dignidade de príncipes de um reino. Pode referir-se também, a territórios que estão sob a liderança de príncipes angelicais.
Voltemos nossa mente para a história de Lúcifer, que foi estabelecido como “querubim ungido para proteger” e estava no monte, santo de Deus, antes de sua queda de diante de Deus. Supõe-se que ele governava a terra como um “principado”, e só perdeu por seu pecado de rebelião contra o Criador e Senhor (Is 14.13; Ez 28.16; Ap 12.9). 

É interessante analisar que Miguel é chamado “um dos primeiros príncipes” de Deus (Dn 1O.13), o que o coloca entre outros príncipes.

4. Potestades. Refere-se a poderes angelicais delegados para exercerem atividades especiais. Não se trata de anjos com poderes isolados para fazer o que quiserem, mas são chamados “potestades” porque foram investidos de uma autoridade especial. A Bíblia apresenta vários exemplos da manifestação dessa classe de anjos. Um destes anjos foi enviado por Deus para destruir a cidade de Jerusalém e só parou quando Deus ordenou-lhe que guardasse a sua espada (1 Cr 21.15-27). O salmista Davi diz que esses anjos são “magníficos em poder” (Sl 103.20). A magnitude do poder dessa classe de anjos não os torna capazes de fazer aquelas coisas que só a Divindade é capaz.

V. O MINISTÉRIO DOS ANJOS NO ANTIGO TESTAMENTO

No Antigo Testamento, vemos os anjos ajudando, orientando, provando e protegendo os servos de Deus. Podemos constatar esse fato em vários textos conforme expomos a seguir:

a) O anjo que apareceu a Hagar, a escrava egípcia, quando esta peregrinava com seu filho em pleno deserto, facilitou a vida e proveu água para ambos (Gn 16.7-12);

b) Os anjos, na forma de viajantes, que apareceram na tenda de Abraão e sua mulher, anunciaram que Sara teria um filho (Gn 18.1-33).

c) Os anjos que salvaram Ló e suas filhas da destruição de Sodoma e Gomorra (Gn 19);

d) O anjo enviado para proteger Moisés na sua volta ao Egito para libertar seu povo da escravidão (Ex 33.2);

e) O anjo que guiou Israel no deserto (Ex 14.19; 23.20);

f) O anjo que falou a Josué quando estava diante da muralha de Jericó (Js 5.13-15);

g) O anjo que comissionou Gideão a libertar o povo de Deus das mãos dos midianitas (Jz 6.11);

h) O anjo que cuidou de Elias, o profeta, quando fugia da presença e ódio de Jezabel (1 Es 19.5-8); e

i) O anjo que ajudou a Zacanas, o profeta, na redação do seu livro (Zc 1.9; 2.3; 4.5).

VI. O MINISTÉRIO DOS ANJOS NO NOVO TESTAMENTO

1. No ministério de Jesus. No Novo Testamento podemos começar pelo ministério pessoal dos anjos atuando no ministério terrestre de Jesus:

a) no seu nascimento (Lc 2.13);

b) em sua tentação no deserto (Mt 4.11);

c) em sua agonia no Getsêmane (Lc 22.43);

d) em sua ressurreição (Lc 24.4-6);

e) em sua ascensão aos céus (At 1.10,11);

f) em seu estado de glória no céu (Ap 4.6- 9);

g) no arrebatamento da Igreja em sua vinda (1 Ts 4.16); e

h) na sua volta pessoal à terra (2 Ts 1.7,8).

2. No ministério dos apóstolos. A ação dos anjos evidencia-se de forma maravilhosa:

a) na ascensão de Cristo, dois anjos anunciaram a Sua volta (At 1.10,11);

b) um anjo abriu as portas da prisão para João e Pedro (At 5.19);

c) um anjo transladou Filipe até o Eunuco etíope para explicar- lhe a escritura de Isaías (At 8.26- 28);

d) um anjo soltou as cadeias e abriu as portas da prisão para Pedro em Jerusalém (At 12.7-9);

e) um anjo ordenou a Cornélio que convidasse Pedro a vir à sua casa (At 10.3); e f) um anjo esteve com Paulo na viagem para Roma (At 27.23).

VII. O MINISTÉRIO DOS ANJOS A FAVOR DOS SANTOS

A Bíblia chama os anjos de “espíritos ministradores”, e isto indica que eles se interessam pelo bem-estar daqueles que servem a Deus. De muitos modos e em várias circunstâncias os anjos de Deus, em toda a Bíblia, aparecem protegendo, conduzindo e facilitando a vida dos servos de Deus. A experiência cristã está cheia de evidências da intervenção de anjos, ministrando a nosso favor.

1. Os anjos protegem o povo de Deus. Na Bíblia temos muitas evidências da proteção dos anjos aos servos de Deus. Dentre esses, destacamos Elias (1 Es 19.5-7), Eliseu (2 Es 6.14-17), Daniel (Dn 6.22) e Paulo (At 27.23-25).

2. Os anjos vigiam os interesses de Deus na nossa vida. O escritor C. Leslie Milier diz em seu livro, Tudo Sobre Anjos, que o texto de Hebreus 1.14 significa “um serviço especial de entregas do céu”, como uma das atividades mais comuns dos anjos de Deus. O fato de não os vermos fisicamente, a não ser que eles queiram se tomar perceptiveis, não anula a evidência e a realidade do trabalho dos anjos a nosso favor. O autor da Carta aos Hebreus chega a aconselhar: “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela  alguns, não o sabendo, hospedaram anjos” (I-Ib 13.2). Ora, esse texto mostra que os anjos de Deus estão interessados em nós e vigiam nossos passos com especial cuidado, pois somos filhos de Deus. 

VIII. OS ANJOS, EXECUTORES DE JUÍZOS DIVINOS

A execução dos juízos divinos aplicados pelos anjos de Deus é feita conforme a vontade e a justiça de Deus. Existem princípios estabelecidos pelo próprio Deus, os quais estão livres de erro e de injustiça. A soberana vontade de Deus é basea. da no conhecimento prévio e perfeito que Deus tem acerca de todas as coisas. Para a execução desses juízos, a Bíblia diz que Deus, “de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labareda de fogo” (Hb 1.7). Percebe-se na linguagem figurada usada para “labareda de fogo” e “ventos” i extensão do juízo operado através dos anjos.

1. No Antigo Testamento. As escrituras registram a atividade Jos anjos na aplicação dos juízos divinos sobre várias nações, sistemas de governos e civilizações. Eis alguns exemplos:

a) o castigo anunciado pelos anjos a Abraão e Ló, e aplicado sobre Sodoma e Gomorra (Gn 18.17-22; 19.1,24,25);

b) o anjo que aplicou o juízo de Deus sobre o exército da 5íria e sobre seu rei que pretendeu afrontar o Senhor, humilhar o rei Ezequias e invadir Jerusalém (2 Rs 19);

c) por causa do pecado de Davi, um anjo de Deus recebeu a ordem para executar juízo contra Jerusalém, Davi viu o anjo de Deus que estava entre o céu e a terra, com uma espada desembainhada estendida contra Jerusalém. O rei orou e fez uva sacrifício ao Senhor e o seu sacrifício foi aceito. Por isso, Deus ordenou ao anjo da destruição que retirasse a sua mão de juízo de sobre o povo, mas já haviam sido mortas 70 mil pessoas (2 Sm 24.15,16; 1 Cr 2L14-27).

2. No Novo Testamento. Notamos aqui os anjos aplicando, com diligência, os juízes de Deus. Exemplos:

a) vemos a ação de um anjo contra o rei Herodes Agripa 1, que não deu glória a Deus, mas teve a presunção de imaginar-se um deus. A sua autolatria e blasfêmia receberam o imediato juízo divino, porque Deus não se deixa zombar, O anjo de Deus o feriu e Herodes Agripa 1 expirou comido de vermes (At 12.22,23);

b) os anjos terão grande participação na aplicação dos juízos divinos na consumação dos séculos, mui especialmente no período da Grande Tribulação, quando a Igreja de Cristo não mais estiver na terra.
O livro do Apocalipse é o livro profético que trata dos juízos de Deus relativos ao povo de Israel, o mundo e o sistema satânico liderado pelo Anticristo (Ap 7.1-8; 8.11; 12.7-9; 14.6,7,9-11; 20.1-3).

IX. QUEM É MIGUEL

Vejamos algumas particularidades acerca deste magnífico príncipe celeste.
Nas Sagradas Escrituras, é tratado com especial deferência e honra. É o principal entre os anjos.

1. O significado de seu nome. Em hebraico, Miguel significa: Quem é como o Senhor? Que contraste entre o arcanjo e o ungido querubim. Enquanto este lutava por ser como o Altíssimo, aquele exalta o Altíssimo até mesmo em seu nome (Is 14.14).
Em seu nome, santificava Miguel o nome de Deus. Tem você exaltado o nome do Todo-Poderoso?

2. O grande príncipe. Este é o título nobiliárquico de Miguel em hebraico: ha sar ha gadol (Dn 12.1).
Sar significa, entre outras coisas, nobre, chefe, comandante, representante do rei, etc.
E gadol denota aquele que é grande em poder e riqueza.Na existência de Miguel, cumpriu-se o que disse o Senhor Jesus: o que se humilha será exaltado. O arcanjo portou-se humildemente ao não acompanhar o ungido querubim em sua rebelião no céu, por isso foi exaltado como o mais excelente dos anjos.

3. Arcanjo. Proveniente do grego, este termo significa o principal dentre os anjos. Logo, temos na Bíblia apenas um arcanjo: Miguel (Jd v.9). 

E isto se acha em perfeita consonância com o significado etimológico da palavra arcanjo. Se for o principal dentre os anjos, o vocábulo tem de estar, necessariamente, no singular.

X. O PODEROSO NOME DE JESUS

O arcanjo Miguel não se perdeu em irreverências. Poderia ter se aproveitado de sua força e posição junto aos exércitos celestiais para cobrir de opróbrios ao Diabo. 

No entanto, preferiu usar da arma infalível: “Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o Diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda” (Jd v.9).

Se um poderoso anjo viu-se na contingência de usar do nome de Deus numa peleja, quanto mais nós. Em nome de Jesus, expulsemos os demônios.

CONCLUSÃO

Os anjos são seres criados e, como tais, não devem ser adorados, pois a adoração é uma prerrogativa exclusiva das pessoas da Trindade, a saber: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo (Is 6.3; Rm 11.33-36; Ap 4). Não encontramos na Bíblia nenhuma passagem que abone a ideia de adoração ou culto aos anjos. Jesus quando da tentação no deserto, deixou bem claro a quem devemos adorar e prestar culto, quando disse: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele darás culto”. Visto que um anjo não é Deus, mas apenas uma criatura de Deus, não pode nem deve ser adorado ou cultuado. O apóstolo João, quando estava recebendo a revelação das coisas futuras por intermédio de um anjo escreveu: 

“... prostrei-me aos pés do anjo que me mostrava para o adorar. E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, dos profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus” (Ap 22.8-9). Portanto, reiteremos que somente o Deus revelado nas Escrituras deve ser adorado, porque Ele disse: “... a minha glória, pois não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Is 42.8).

Por:-  Evangelista Isaias Silva de Jesus 

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Bibliografia

Lições bíblicas CPAD 2002
Lições bíblicas CPAD 2011
Lição Bíblicas 4º. Trimestre 1988  - CPAD


2 de janeiro de 2019

Batalha Espiritual A Realidade não Pode Ser Subestimada








Texto Áureo

"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26.41)

Verdade Prática

Batalha Espiritual é uma realidade bíblica que consiste na luta contínua da Igreja contra o reino das trevas.
 
A análise do tema “batalha espiritual” no presente capítulo enfoca o conjunto de crenças e práticas neopentecostais que alcançou espaço considerável em nosso meio. Trata-se da doutrina da maldição hereditária, da teoria dos espíritos territoriais e da ideia de expulsar demônios dos próprios crentes em Jesus.

São inovações provenientes de várias fontes: erros de interpretação de textos bíblicos, experiências pessoais e revelações de origem estranha. Trata-se de distorção doutrinária que está muito em voga na mídia evangélica e nos últimos anos vem recebendo aceitação de muitos líderes desavisados.

A REALIDADE DA BATALHA ESPIRITUAL

A autêntica batalha espiritual tem fundamentos bíblicos: “todo o mundo está no maligno” (1 Jo 5.19). Mas nem tudo o que se diz ser batalha espiritual tem sustentação bíblica. Por isso a necessidade de entender como o assunto é apresentado na Bíblia. Como veremos, há passagens que descrevem esse tipo de batalha no Antigo e no Novo Testamento.

No Antigo Testamento, o relato que trata da deliberação sobre a guerra contra Ramote-Gileade registrado em 1 Reis 22.10-28, e a passagem paralela de 2 Crônicas 18.5-27 mostra uma cena dramática do embate entre o falso profeta Zedequias liderando um grupo de 400 falsos profetas e o profeta de Deus, Micaías. Era uma batalha espiritual, uma disputa do reino das trevas contra o reino da luz.

Os três capítulos iniciais do livro Jó revelam outra batalha: o próprio Satanás ousa desafiar Deus usando o patriarca Jó. Não que o diabo tenha poder para medir forças com Deus; esse dualismo não existe na Bíblia entre Deus e Satanás. Mas Deus permitiu a Satanás tirar tudo de Jó, desde os filhos até os bens materiais e por fim até mesmo a saúde. Satanás está vivo e ativo no planeta Terra, mas Deus tem testemunhas fiéis que limitam essa atuação satânica. Jó é um exemplo clássico dessa realidade.

No Novo Testamento, o exemplo mais conhecido é a tentação de Jesus no deserto registrada nos evangelhos sinóticos (Mt 4.1-11; Mc 1.12, 13; Lc 4.1-13). Situação dessa natureza aparece com certa frequência nos evangelhos (Mt 12.22; 17.19, 21). O apóstolo Pedro teve de enfrentar Simão, o mágico em Samaria (At 8.9-24), e da mesma forma o apóstolo Paulo enfrentou várias vezes essas hostes malignas (At 13.8-11; 16.16-22; 19.11-19). Paulo fala sobre a existência de um mundo espiritual da maldade sob o domínio do príncipe das trevas (Ef 2.2; 6.10-12).

Esses exemplos são suficientes para apontar a existência da batalha espiritual nas Escrituras Sagradas. Como contextualizamos o assunto, então?

Trazendo a realidade para nossos dias, a batalha espiritual consiste na oposição dos cristãos às forças malignas pela pregação do evangelho, pela oração e pelo poder da Palavra de Deus. Essa peleja vai continuar até a vinda de Jesus.

É verdade que no trabalho da pregação do evangelho ocorrem muitos fenômenos inexplicáveis. Reconhecemos que os demônios existem, são reais e se manifestam de várias maneiras, principalmente nas pessoas possessas. Tais espíritos precisam ser expulsos. É verdade que oração e jejum são indispensáveis e muito importantes na vida do crente, principalmente quando nos encontramos numa situação como essa. Nesse aspecto, a teologia da batalha espiritual está de acordo com as Escrituras Sagradas. Os fatos estão registrados na Bíblia, e nenhum cristão ousa negar essa realidade.

AS EXTRAVAGÂNCIAS DA SUPOSTA BATALHA ESPIRITUAL

Existe uma onda extravagante surgida na década de 1960 que tenta se passar por batalha espiritual. Infelizmente essa inovação ainda não foi erradicada de nosso meio. O que se vê nesse novo movimento é uma aberração doutrinária que tem levado muitos à incredulidade e outros ao fascínio quase esotérico. São crenças e práticas muito próximas do esoterismo e do ocultismo.

1. A doutrina da maldição hereditária

Os expositores dessa doutrina afirmam que seus ensinos têm apoio bíblico e pinçam a Bíblia em busca de versículos aqui e acolá na tentativa de consubstanciar as novidades apresentadas ao povo. A doutrina resume-se nisso: se alguém tem problemas com adultério, pornografia, divórcio, alcoolismo ou tendência suicida, é porque alguém de sua família, no passado, não importa se avós, bisavós, tataravós, teve esse problema.
Segundo essa doutrina, a pessoa afetada pela maldição hereditária deve, em primeiro lugar, descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao diabo. Uma vez descoberta tal geração, pede-se perdão por ela, e, dessa forma, a maldição de família será desfeita.
Uma espécie de perdão por procuração, muito parecido com o batismo pelos mortos praticado pelos mórmons.
Basta uma leitura na Bíblia, ainda que superficial, para ver com clareza a fragilidade dessa doutrina, a começar pela história de Caim e Abel. Ambos eram filhos dos mesmos pais, receberam a mesma educação religiosa, entretanto um era fiel, e o outro, ímpio (1 Jo 3.12). O que dizer de Jacó e Esaú, irmãos gêmeos, educados no mesmo lar? Aquele recebeu a bênção porque este a trocou por um prato de comida (Ml 1.2; Hb 12.16, 17).

Não existe na Bíblia registro de profeta ou apóstolo praticando ou ensinando orações ou atos litúrgicos para quebrar a maldição de Caim ou de Esaú.

A Bíblia revela que nem sempre o filho assimila o pecado do pai. Há muitos exemplos na história dos reis de Israel e de Judá registrados nos livros dos Reis e das Crônicas. O rei Amom “fez o que era mal aos olhos do SENHOR” (2 Cr 33.22); no entanto, o rei Josias, seu filho: “[...] fez o que era reto aos olhos do SENHOR e andou nos caminhos de Davi, seu pai, sem se desviar deles nem para a direita nem para a esquerda” (2 Cr 34.2).

Os principais expoentes dessa doutrina apresentam uma roupagem aparentemente bíblica. Eles citam a Bíblia fora do contexto para adaptá-la aos seus ensinos. O uso do segundo mandamento do Decálogo é um desses exemplos:

Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos (Êx 20.4-6).

Os promotores da doutrina da maldição hereditária se apegam à frase explicativa do segundo mandamento: “que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (v. 5).
A alegação é a seguinte: “A sua Palavra declara que uma maldição pode ser transmitida de geração a geração (Êx 20.3-5)” (HICKEY, 1993, p. 21).

O objetivo dessas palavras explicativas do segundo mandamento do Decálogo é contrastar o castigo para “a terceira e a quarta geração” com o propósito de Deus de abençoar a milhares de gerações, considerando que a “terceira e a quarta geração” representam o número máximo de gerações que vivem juntas na extensão de uma família. O contexto desse preceito é a idolatria, pois o mandamento começa com as palavras: “Não farás para ti imagem de escultura, [...] Não te encurvarás a elas nem as servirás”.

Logo, as ameaças sobre as gerações daqueles que aborrecem a Javé são para os descendentes que continuam envolvidos na idolatria dos pais. Quando alguém se converte a Cristo, deixa de aborrecer a Deus; logo, essa passagem bíblica não pode se aplicar aos crentes nascidos de novo (Rm 5.8-10), pois eles se tornaram novas criaturas, “as coisas velhas já passaram, e eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).

Havia em Israel um provérbio muito antigo: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram?” (Ez 18.2). Essa máxima parece estar arraigada no segundo mandamento.

Esse dito popular refletia o ceticismo dos exilados na Babilônia, pois se consideravam injustiçados, ou seja, estavam sendo condenados e punidos por causa do pecado dos seus antepassados.

Era uma crítica à justiça divina. “Uvas verdes” são os pecados, e os “dentes embotados” são a consequência deles. Essa máxima aparece de forma literal em Lamentações: “Nossos pais pecaram e já não existem; nós levamos as suas maldades” (5.7).

O conceito de responsabilidade continuada pelos pecados ancestrais era herança do segundo mandamento, uma vez que a continuidade das gerações humanas impede que a pessoa se isole do grupo. Os pecados do povo foram acumulados geração após geração, mas o castigo do cativeiro era responsabilidade daquela geração.
O profeta Jeremias exortou a casa real com todos os seus príncipes, os sacerdotes e o povo ao arrependimento, e isso ele fez durante mais de quarenta anos. Sua mensagem foi rejeitada: “E fez o que era mau aos olhos do SENHOR, seu Deus; nem se humilhou perante o profeta Jeremias, que falava da parte do SENHOR” (2 Cr 36.12). Era uma rebelião generalizada contra Deus (2 Cr 36.15, 16).

Os profetas Jeremias e Ezequiel rejeitaram esse ditado do povo, mostrando que a responsabilidade é pessoal. Jeremias anunciou que na Nova Aliança nunca mais dirão: “Os pais comeram uvas verdes, mas foram os dentes dos filhos que se embotaram” (Jr 31.19). Note que até em Jerusalém esse dito se propagava. Mas a palavra profética em Ezequiel proíbe desde então esse provérbio, e não no futuro: “Vivo eu, diz o Senhor Deus, que nunca mais direis esta parábola em Israel” (Ez 18.3).

Todo o capítulo 18 de Ezequiel gira em torno da responsabilidade individual de cada pessoa diante de Deus: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” (Ez 18.20). Não há espaço no cristianismo para essa crença estranha da maldição de família.

Não há contradição alguma entre o segundo mandamento e Deuteronômio 24.16. Em Êxodo, trata-se da administração da justiça divina, ao passo que, em Deuteronômio, o propósito é instruir a sociedade israelita sobre os abusos de não condenar nem punir inocentes por causa dos pecados dos pais culpados:

“Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos, pelos pais; cada qual morrerá pelo seu pecado” (Dt 24.16). Esse preceito é aplicado na vida prática posteriormente (2 Rs 14.5, 6).

Outra tentativa para dar roupagem bíblica a essas inovações é a interpretação errônea da expressão “espíritos familiares”. O argumento é o seguinte: “Há uma nova vida, uma nova natureza em você. Mas seus filhos podem herdar seu ponto fraco. Sua geração foi purificada, mas eles têm de purificar-se também!
A maldição precisa ser quebrada neles, ou eles herdarão sua fraqueza, que veio de seu pai e, antes dele, de seu avô e seu bisavô (HICKEY, 1993, p. 61). Em seguida, aparecem duas citações bíblicas para fundamentar a sua declaração: “Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles.

Eu sou o SENHOR, vosso Deus...Quando uma alma se virar para os adivinhadores e encantadores, para se prostituir após eles, eu porei a minha face contra aquela alma e a extirparei do meio do seu povo (Lv 19.31; 20.6).

O termo “adivinhadores” é substituído por “espírito familiares”, pois a citação é da versão inglesa, a King James Version. Uma vez apresentadas as referências bíblicas, vem a definição de “espíritos familiares”: “São maus espíritos decaídos que se tornaram familiares numa família” (HICKEY, 1993, p. 62).

O termo hebraico usado nas passagens bíblicas citadas aqui para “espírito familiares” é obh, ou obhoth, no plural, que os dicionários e léxicos hebraicos traduzem por “médium, espírito, espírito de mortos, necromante e mágico” (HARRIS e ARCHER, 1998, p. 24); “médium, adivinho, necromante, feiticeiro, espírito dos mortos, fantasma” (VANGERMEREN, vol. 1, 2011, p. 294); “espírito de morto, vaticinador” (HOLLADAY, 2010, p. 7).

O homônimo de obh, palavra de mesma grafia com significado diferente, é “odres” (Jó 32.19). Essa palavra é traduzida apenas uma vez por “espírito familiar” na ARC (Is 8.19) e nenhuma vez na ARA. Trata-se de um termo muito disputado, o que já sinaliza a fragilidade em desenvolver uma doutrina baseada em passagens controversas.

É o relato do encontro de Saul com a médium de En-Dor (1 Sm 28.5-19) que lança luz sobre o significado do termo. Os lexicógrafos mais respeitados e mundialmente reconhecidos como Gesenius, Koehler Baumgartner, David J. A. Clines, entre outros, seguem nessa mesma linha.


O termo obh, seja no singular ou no plural, obhoth, aparece 16 vezes no Antigo Testamento hebraico, assim traduzido na ARC: “adivinhadores” (Lv 19.31; 20.6); “espírito adivinho” (Lv 20.27); “espírito adivinhante” (Dt
18.11); “adivinhos” (1 Sm 28.3, 9; 2 Rs 21.6; 23.24; 2 Cr 33.6; Is 19.3); “espírito de feiticeira” (1 Sm 28.7, 8); “adivinhadora” (1 Cr 10.13); “espíritos familiares” (Is 8.19) e “feiticeiro” (Is 29.4).

A expressão “espírito familiar” aparece cinco vezes na TB para traduzir o hebraico yddeoni, “espírito dos mortos, adivinhador”, que aparece 11 vezes no Antigo Testamento, todas elas combinadas com o substantivo obh (2 Rs 21.6; 23.24; 2 Cr 33.6; Is 8.19; 19.3) A TB, então, combina os termos, traduzindo-os por “espírito familiares e feiticeiros”.

A Septuaginta traduz obh e obhoth 12 vezes por engastrímythos, “adivinho, adivinhador”, literalmente, “ventríloquo”, aquele que faz predições desde o ventre usando a ventriloquia (Lv 19.31; 20.6, 27; Dt 18.11; 1 Sm 28.3, 7 [duas vezes], 8, 9 [duas vezes]; 1 Cr 10.13; 2 Cr 33.6; Is 8.19; 19.3). A expressão “espírito familiar”, ou “espírito familiares”, é uma tradução pouco usada e de origem desconhecida. Muitos dicionários e léxicos não usam a expressão, e pouquíssimos fazem menção dela com ressalva, como “provavelmente chamado ‘familiar’ porque era... como um servo...” (ORR, 1996, vol. II, p. 1094).

2. O mapeamento espiritual

Esse novo movimento, cujos líderes chamam de batalha espiritual ou guerra espiritual, acrescenta ainda no seu bojo a doutrina dos espíritos territoriais. Seus expositores fundamentam essa crença em experiências humanas, nos relatos de missionários, e não na Palavra de Deus. Peter Wagner, no capítulo 3 do livro Espíritos Territoriais, demonstra isso. Em resumo, a doutrina consiste na crença de que Satanás designou seus correligionários para cada país, região ou cidade. O evangelho só pode prosperar nesses lugares quando alguém, cheio do Espírito Santo, expulsar esse espírito maligno. Em decorrência, surgiu a necessidade de uma geografia espiritual, daí o mapeamento espiritual. Os espíritos territoriais são identificados por nomes que eles mesmos teriam revelado com suas respectivas regiões que supostamente comandam.

Para sustentar a ideia de que há uma organização territorial, é citada a passagem do apóstolo Paulo: “o deus desse século cegou o entendimento dos incrédulos” (2 Co 4.4). Peter Wagner usa o mesmo método das seitas no sentido de tirar conclusões em mera possibilidade. Ele julga ser possível considerar o termo “incrédulos” como “territórios”, incluindo “nações, estados, cidades, grupos culturais, tribos, estruturas sociais” (p. 72) e, sobre essa falsa premissa, constrói seu pensamento doutrinário.

Ainda de maneira sutil, o autor procura fundamentar sua ideia nas palavras: “príncipe do reino da Pérsia” (Dn 10.13), “príncipe da Grécia” (v. 20), para justificar o mapeamento espiritual. O capítulo 3 da citada obra apresenta até nomes desses supostos espíritos territoriais, os quais teriam revelado a si mesmos como Tata Pembele, Guarda dos Antepassados e Espírito de Viagens, entre outros. Narai seria o espírito chefe na Tailândia. Isso evidencia que os defensores da crença dos espíritos territoriais creem na mensagem demoníaca, e isso é muito perigoso, pois Satanás é o pai da mentira (Jo 8.44).

Não existe vínculo entre a doutrina do mapeamento espiritual e a passagem de Daniel 10.13, 20, pois o texto sagrado trata de guerra angelical, e não há indícios da presença humana. O profeta está completamente alheio a essa batalha, pois seu papel é outro. Os promotores da doutrina dos espíritos territoriais costumam, também, citar a passagem do endemoninhado gadareno (Mc 5.10), quando o demônio, porta-voz da legião, “rogava muito que os não enviasse para fora daquela província”. Isso faz parecer, à primeira vista, que os promotores do tal ensino estão certos.

Mas o texto deve ser interpretado à luz do contexto. A passagem paralela mostra que tal pedido aconteceu porque Jesus havia mandado os tais espíritos para o abismo: “E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo” (Lc 8.31), e por isso eles pediram para ficar na região; não se trata, portanto, de espíritos territoriais. Essas inovações são perturbadoras e destoam completamente do pensamento do Novo Testamento.

Evangelista Isaias Silva de Jesus 

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I - Em Dourados – MS

Fonte: SOARES, Esequias/ SOARES, Daniele. Batalha Espiritual. O povo de Deus e a Guerra Contra as Potestades do Mal. 1ª edição de 2018 - CPAD